Crítica - Dia D (2026)

Título
:
Dia D ("Disclosure Day", EUA, 2026)
Diretor: Steven Spielberg
Atores principais: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo, Wyatt Russell, Henry Lloyd-Hughes, Elizabeth Marvel, Tommy Martinez
 
Cachorro velho não aprende truque novo...

Depois de quatro anos ausente dos cinemas, e fazendo seu quinto filme com o tema "extraterrestres", o lendário diretor estadunidense Steven Spielberg está de volta, agora com seu Dia D, que está estreando HOJE em todos os cinemas nacionais.

Na trama, o jovem especialista em segurança cibernética Daniel Kellner (Josh O'Connor), e a jornalista Margaret Fairchild (Emily Blunt) - que recebeu inesperadamente o dom de "falar em muitas línguas" - acabam de ser recrutados para a missão de revelar para toda a humanidade que não estamos a sós neste Universo. Entretanto, contra eles está toda a poderosa corporação Wardex - comandada por Noah Scanlon (Colin Firth) - responsável por guardar este segredo até hoje e que fará de tudo para silenciá-los.

Comecemos com o fato de que Dia D marca a 30ª colaboração entre Steven Spielberg e o compositor John Williams, em uma pareceria que dura mais de 50 anos. Obviamente, após tanto tempo juntos, o trabalho deles só pode transcorrer perfeitamente, certo? Só que não. Dia D é marcado por uma paleta de cores escura, e um constante clima de tensão e mistério; porém a trilha escolhida por Williams para as muitas cenas de ação são quase triunfantes, alegres, ao estilo Indiana Jones, o que é incoerente e tira o espectador um bocado do filme. É como se tivessem "mentido" para o compositor, e falado para ele que iriam fazer um filme de aventura...

Os roteiros de Dia D são de Spielberg e de David Koepp. Quando olhamos a carreira de Koepp, vemos que há vários altos e baixos; há alguns roteiros bem elogiáveis como os de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) e O Quarto do Pânico (2002). Mas é quando olhamos seus roteiros "bomba", como Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) e A Múmia (2017), fica mais fácil de entender a "qualidade" do que foi escrito.

A trama de Dia D praticamente não existe: o que temos em grande maioria no filme são cenas de ação, com Daniel e Margaret fugindo de um lado para o outro. Ah! Mas eles não estão apenas só fugindo, eles também precisam se encontrar! E eles só podem revelar todo o material sobre aliens (que já possuem desde o começo do filme) depois de se encontrarem! Por quê? Nem o roteiro sabe direito.

E para piorar (bastante), o roteiro também nos presenteia com uma enorme quantidade de situações / conveniências absurdas, algumas falhas de continuidade, e alguns conceitos "jeniais". Exemplos: já ouviram falar que a matemática é a "linguagem universal"? Pois é, desta frase tiveram a idéia de fazer que o idioma que os ETs falam é "matemática"?!?!

Boas ficções científicas nos levam a pensar e questionar nossa realidade, mas infelizmente  Dia D também não faz isto. A discussão sobre os impactos no mundo sobre revelar para todos a vida extraterrestre é feita de modo simplório e apenas jogando frases clichês. O desfecho do filme é decepcionante e inverossímil, mas pelo menos (ufa), no meio de tanta perseguição entre humanos, ao menos temos um pouquinho de aliens na tela, para o público não ficar 100% frustrado.

De bom mesmo, Dia D só se salva em duas coisas: a boa atuação de Emily Blunt (pra compensar a atuação ruim e caricata de Colin Firth), e o clima bem sucedido de tensão ao longo de todo o filme. Spielberg consegue, de fato, nos fazer ficar bem tensos e preocupados com os heróis o tempo todo.

Porém meus elogios a Spielberg também ficam por aí. Impressiona bastante - e negativamente - como Dia D apenas repente seus truques e cenas de ação já usados à exaustão em sua carreira. Steven é certamente um dos melhores e mais prolíficos diretores de cinema da história. Porém já tendo dirigido cerca de 50 filmes, fica difícil acreditar que ele ainda tenha alguma boa história para contar.

Desde que vi o trailer de Dia D, fiquei com sentimentos contraditórios de curiosidade e pessimismo pois ele não nos mostrava nada! Porém agora não posso mais criticá-lo: na verdade o trailer foi bastante honesto, pois o produto final não tinha mesmo nada pra mostrar. Se Dia D fosse mais curto, eu até poderia pensar em dar uma nota melhor; porém após infindáveis 2h e 30min, não teve jeito. Nota (de 1 a 6):


Comentários