terça-feira, 28 de abril de 2026

Crítica - Michael (2026)

Título: Michael (idem, EUA / Reino Unido, 2026)
Diretor: Antoine Fuqua
Atores principais: Jaafar Jackson, Nia Long, Colman Domingo, Juliano Valdi, KeiLyn Durrel Jones, Miles Teller, Kendrick Sampson, Larenz Tate

Mais musical do que documentário, filme relembra a grandeza do Rei do Pop

Após cerca de cinco anos de desenvolvimento, e de vários filmes biográficos de grandes astros da música lançados nos cinemas nos últimos anos, chegou a vez de Michael Jackson ganhar seu filme, que recebeu o simples nome de Michael. A história contada na produção abrange desde a criação dos Jackson 5, nos anos 60, até o fim da era Thriller, no meio dos anos 80, com o filme se encerrando em uma isolada apresentação já dentro da Bad Tour, em 1988.

Tendo como principal produtor o inglês Graham King, o mesmo do filme sobre Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody (2018), Michael segue a mesma fórmula: ritmo acelerado, opção por retratar poucos episódios da vida do cantor - e alguns deles não tão fiéis a realidade - e muita música (com a trilha sonora original do artista homenageado), com boa parte do filme mostrando Michael Jackson (interpretado pelo seu sobrinho e filho de Jermaine, Jaafar Jackson) e seus irmãos se apresentando em shows ou TV; praticamente um videoclipe gigante.

Há de se ressaltar, entretanto, que se em Bohemian Rhapsody tanto as coreografias e figurinos foram fiéis, aqui em Michael o nível de perfeição beira o inacreditável. Jaafar imita bem as danças de seu tio, e até as roupas do mais distante figurante são iguais às que foram usadas na vida real.

E também, como dito acima, mesmo não tendo tantos episódios assim da vida de MJ, pelo menos o filme Michael supera Bohemian Rhapsody ao transmitir, através de rápidas falas do protagonista, algumas explicações e curiosidades sobre sua carreira, comportamento e processo criativo. Em outras palavras, este filme acaba sendo mais "informativo" que o primeiro citado.

Mas se pensarmos em tudo o que o filme poderia ser e contar, Michael pode acabar frustrando parte do público. Muito mais poderia ser contado com pequenas correções. Por exemplo, quando vemos Jackson no estúdio cantando pela primeira vez Don't Stop Til You Get Enough, ele já acerta de cara, usando seus famosos gritinhos e "barulhos vocais". Mas não foi assim: na vida real ele estava nervoso, não estava cantando bem, e após algumas tentativas de Quincy Jones falar para ele "sentir mais a música", Michael começou a fazer os barulhos, e aí tudo deslanchou. Com dois minutos de filme todo este "causo" da genialidade de MJ poderia ser contado. 

E também não é que o roteiro de Michael não tenha drama ou conflitos, porém ele foca em apenas duas coisas: os maus tratos de seu pai Joseph (Colman Domingo) e a grande solidão que Michael viveu em toda sua vida. E ambos fatos são bem representados. O problema é que fica só nisso: não há conflito com os irmãos, com a gravadora, e mesmo Michael Jackson é representado sempre de modo ultra positivo.

A parte de não ter conflito com os irmãos me incomoda... afinal, quem na verdade está nos contando a história deste filme são 3 dos irmãos Jacksons, mais La Toya (irmã), Prince MJ (o filho mais velho do cantor), e John Branca, co-executor do Espólio de Michael Jackson. Ou seja, eles não vão falar mal deles mesmos... e mais ainda, chegaram ao cúmulo de colocar Branca (Miles Teller) como um dos personagens - e "mocinhos" - do filme!

Porém vou defender o fato de que MJ esteja sempre representado de modo respeitoso e bastante positivo. Oras, não estamos falando de uma pessoa qualquer; estamos falando de uma das pessoas mais difamadas em todo o planeta nas últimas três décadas. Portanto, nada mais justo que haja um contraponto, que alguém mostre algo 100% positivo. Além disto, os aspectos humanitários, filantrópicos e de conscientização social de Michael Jackson fizeram de fato parte de toda sua carreira, então faz sentido serem mencionados e redescobertos.

E acreditem: Michael Jackson é tão difamado que mesmo neste seu filme Michael fatos sobre ele foram modificados de forma negativa. Exemplo: o roteiro dá a entender que Jackson operou pela primeira vez o nariz porque queria ficar igual ao Peter Pan. Na vida real, ele quebrou o nariz em um acidente durante um ensaio de música e aí aproveitou para fazer uma redução, pois seu pai constantemente falava que o nariz dele era grande e feio. Além disto, a segunda operação no nariz - que o filme não explica os motivos - também não foi "de vontade própria", e sim, corretiva, já que a primeira não deu tão certo.

Outra crítica feita ao filme - e que não concordo - é que Michael não comenta sobre as acusações feitas ao cantor. Bem, a história que foi contada aqui termina no meio dos anos 80, ou seja, simplesmente ainda falta quase uma década para que, cronologicamente, a primeira acusação de assédio aconteça. A boa bilheteria que Michael vem obtendo no mundo todo faz com que muito provavelmente teremos um segundo filme, em que aí sim poderemos avaliar como este assunto será tratado. Quanto às minhas críticas? Sinceramente a coisa que mais me irritou no roteiro de Michael foi a insistência de associar Michael com Peter Pan o filme INTEIRO, que além de ser usado para contar fatos de modo errado (como visto acima), contribui para afastar o espectador de um Michael Jackson real, e o traz mais perto do Michael fantasioso contado pela mídia. 

Michael acaba sendo um filme bem agradável para se assistir. Vê-lo no cinema então, com o público gritando, torna a experiência - e o próprio MJ - bem mais grandiosa (e recomendável). Quem é mais novo e pouco conhece da vida e músicas de Michael Jackson, certamente irá aproveitar e se empolgar mais com o que viu. Para quem é fã, a falta de ousadia e profundidade no roteiro pode decepcionar um pouco. Mas como disse antes, ver o filme foi divertido, tanto que para mim tudo passou muito rápido; afinal, ouvir Michael Jackson sempre é (muito) bom. Nota (de 1 a 6):


PS: a ausência de 3 mulheres

Dando mais detalhes sobre a produção de Michael. Para quem conhece a família Jackson, não precisa ser muito atento para reparar a completa ausência de Janet Jackson no filme. Ela não é citada, nem representada no filme por nenhuma atriz, parece que nunca existiu. Porém isso aconteceu a pedido da própria Janet, que juntamente com seu irmão Randy, não apoiam o Espólio de Michael Jackson.

Outra ausência bem importante é da cantora Diana Ross, que teve grande participação para promover os Jackson 5, foi uma grande amiga de Michael Jackson durante toda a vida do cantor e aliás, segundo alguns biógrafos, teria sido o grande e único amor da vida de Jackson. Na vida real, ao contrário do que Michael mostra, foi nas gravações do filme O Mágico Inesquecível, de 1978 (The Wiz, no original) que MJ conheceu - e trabalhou pela primeira vez - com o produtor / compositor musical Quincy Jones.

E mais ainda, durante as gravações de The Wiz - feitas em Nova York - Michael morou por lá sozinho, contradizendo a imagem desta biografia, de que até os 20 e poucos anos ele nunca soube o que era viver sem morar com os pais. Várias cenas com a atriz Kat Graham interpretando Diana foram gravadas para o filme Michael, porém Diana Ross entrou na justiça para que ela fosse completamente retirada da história. Ou seja: as ausências de Janet e Diana Ross, e as eventuais "adaptações na realidade" que o roteiro teve que fazer devido a estas perdas, não foram culpa dos produtores / roteiristas do filme.

Porém a "ausência" da terceira mulher do título desta seção é culpa dos produtores sim. Estou falando de Paris Jackson, a filha de Michael, e provavelmente a pessoa que mais amou seu pai. Após ler a primeira versão do roteiro de Michael, Paris pediu para remover algumas coisas - por serem falsas - e pediu para adicionar outras. Porém, sequer lhe deram uma resposta. Devido a isto, ela simplesmente se afastou de tudo relacionado ao filme e disse a imprensa que Michael era fantasioso... Da declaração dela até a versão final do filme foram mais de 3 anos e várias versões de roteiro. Muita coisa pode ter mudado, e certamente mudou. Ela teve alguma coisa atendida? Difícil... e provavelmente nunca saberemos. Ainda assim, fica aqui o registro.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #054 - Conheça o primeiro livro de "piadas" e o primeiro livro de "charadas" da humanidade

 
 
No ano passado, contei aqui para vocês a história do primeiro "livro" de Ficção Científica escrito pelo ser humano. Hoje, trago a primeira obra escrita de "piadas" e a primeira obra escrita de "charadas" feita pelo ser humano. Será que, a exemplo do caso da Ficção Científica, o pioneirismo de ambos veio da Grécia antiga?
 

Philogelos (ou "O Amante do Riso")

No caso das piadas, a resposta é "sim". Escrito na Grécia (e em grego) no final do Séc IV por dois autores em que hoje pouco sabemos, Hierocles e Philagrius, a obra é composta de uma compilação de cerca de 265 anedotas, algumas delas repetidas, organizadas pelos mais diversos tipos de temas e personagens daquela época.

As piadas de Philogelos abordavam situações cotidianas e traziam sujeitos comuns daquele tempo, como médicos, vendedores e escravos. As anedotas muitas vezes tinham como elemento principal alguém identificado como "um idiota" ou "um tolo", mas também satirizavam pessoas preguiçosas, bêbadas, ou tinham seus regionalismos, como por exemplo ao tirar sarro de pessoas das cidades de Abdera, Cumas e Sidônia (que no caso eram representadas como pessoas "burras").

Algumas das piadas, sob o olhar atual, continuam sendo engraçadas, mas outras não, algumas nos são até incompreensíveis; talvez o maior estranhamento é que boa parte das chacotas possuem como tema a morte ou doenças, em geral temos um humor bem "ácido", pesado... que provavelmente mais cause choque do que faça rir. Vejam por exemplo a anedota número 77: "Tendo acabado de enterrar o seu filho, um idiota encontrou o professor do rapaz: 'Peço perdão por o meu filho não ter ido à escola', desculpou-se ele, 'é que ele morreu'".

Para quem queira ler todas as piadas do primeiro livro de piadas do mundo, é fácil! Você pode comprá-lo pela internet em várias livrarias, OU, se preferir, pode ler ele de graça, porém em Português de Portugal, neste link aqui.

O quadrinho acima reproduz a piada 22 de Philogelos. E para encerrar a apresentação deste livro, segue mais duas de suas anedotas:

"Um idiota jovem e sem recursos vendeu os seus livros quando estava a necessitar de dinheiro. Então escreveu ao pai: 'Felicita-me, pai, que já estou a realizar dinheiro com os livros!'"

"Perguntou-se a um idiota quantas medidas podia uma ânfora comportar? 'Referes-te a vinho ou a água?'"

 

A Aenigmata de Sinfósio

Enfim deixamos a Grécia Antiga! E fomos para... ninguém sabe rs. A primeira obra de "enigmas" que ficou para a posteridade se chama Aenigmata (ou Enigmata), e foi escrita por Sinfósio (Symphosius) entre os séculos IV e V d.C.. Trata-se de cerca de 100 charadas escritas em latim, cada uma delas na forma de três versos. O texto foi bastante copiado e replicado na idade média e serviu de inspiração para futuras obras de "charadas". Um dos problemas de ter muitas cópias é que nos versos (e até nas respostas), temos muitas variações.

Porém o maior de todos os problemas é que hoje não conhecemos praticamente nada sobre seu autor, Sinfósio, nem mesmo sua origem. Os historiadores acham mais provável que ele viveu no norte da África, em uma região que hoje seria a Tunísia e Argélia. A única certeza mesmo é que ele foi um romano que falava em latim.

Abaixo segue 3 dos 100 enigmas da Aenigmata para vocês tentarem adivinhar. As respostas estarão no "Obs. 2" mais abaixo. 

1) Ofereço grandes virtudes a partir de pequenos poderes;
Abro casas fechadas, mas também fecho as abertas;
Sirvo à casa do mestre, mas também sou servido por ele.


2) Eu já fui uma onda, e acredito que em breve voltarei a ser.
Agora, presa pelas duras correntes do céu rígido,
não suporto ser pisoteada nem mantida nua.

3) Sou previdente na vida, não preguiçoso no trabalho árduo,
Ela carrega as recompensas do inverno em seus ombros seguros;
E eu não carrego grandes coisas de uma só vez, mas as recolho todas por sua vez.

 
Obs.: se a Aenigmata é a coletânea mais antiga de enigmas que se tem notícia, o primeiro livro "mesmo" (ou seja, a primeira publicação de charadas em formato de livro) foi no hoje chamado Livro de Exeter, que é o livro da imagem acima (enganei vocês, aquele livro gigante não é a Aenigmata). Trata-se de um livro do Século X, escrito em inglês arcaico, dividido em 4 grande seções distintas de poemas; porém uma destas seções é composta apenas de poemas de charadas.

São 94 poemas, e ao contrário da  Aenigmata, eles não foram publicados com respostas. Os historiadores acreditam saber a resposta para quase todos eles... mas não todos. Os enigmas quase sempre terminam com um "Diga-me como me chamo", o que sugere que o livro deveria ser lido em voz alta, e usado como uma espécie de jogo / diversão.

Obs 2: a respostas dos enigmas: 1) Chave; 2) Gelo; 3) Formiga



PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

domingo, 12 de abril de 2026

Relembrando Atlantis e Cosmic Ark: a primeira sequência narrativa oficial dos jogos de videogame!

Em minha missão de resgatar a memória dos videogames clássicos, já cheguei a apresentar o icônico console Atari 2600 na minha lista de 10 Melhores Consoles de Todos os Tempos, e também já contei "causos" de algumas desenvolvedoras de jogos não tão grandes, mas que marcaram a história, como por exemplo a Irem e a Vic Tokai.

Desta vez irei somar os dois assuntos acima e relembrar alguns jogos da Imagic, empresa fundada em 1981 da união de um grupo de programadores insatisfeitos, ex-funcionários da Atari e da Mattel, e que em seus curtos 5 anos de existência lançou 17 jogos para o Atari 2600. Se a Activision foi incontestavelmente a mais importante das desenvolvedoras terceiras criando jogos para o citado console, a disputa pelo segundo lugar fica dividido entre a Parker Brothers, a Coleco e a Imagic.

Atlantis para Atari 2600. À direita: após o game over, uma nave sobrevivente parte ao espaço 

E "começando do começo"... vamos a uma história envolvendo os dois primeiros jogos lançados por esta desenvolvedora: Atlantis (1982) e Cosmic Ark (1982). Atlantis era um jogo bem diferente, afinal o jogador controlava uma cidade (!), ou melhor, 3 canhões de defesa, que disparavam contra naves dos alienígenas Gorgons que estavam atacando esta mítica civilização. Além de excelente e emocionante (o game foi eleito "o jogo do ano" por algumas revistas especializadas), Atlantis contava com efeitos sonoros incríveis para a época.

Porém algo fascinante de Atlantis é que assim que você era derrotado, ou seja, a cidade era destruída, havia uma rápida cena onde uma nave com sobreviventes partia para o espaço. E segundo o próprio manual do jogo, o destino desta nave continuaria em outro jogo... Cosmic Ark.

Porém a história de Cosmic Ark não é bem uma continuação direta: nele, é dito que o sistema solar de Alpha Ro está a beira da destruição e então os Atlantes estão passando pelos planetas resgatando vidas, para impedir sua extinção. Há uma grande nave mãe, a tal "Arca", na qual o jogador precisa se defender de asteróides, e posteriormente, a nave mãe "solta" naves menores para coletarem espécies nativas nos planetas. E estas naves são IDÊNTICAS a que vimos no final de Atlantis!

Cosmic Ark: à direita a pequena nave de Atlantis coleta dinossauros antes da extinção

Esta "união" de jogos e conceito não foi algo pequeno: trata-se da primeira sequência narrativa oficial de um jogo de videogame da história dos consoles! Embora Atlantis e Cosmic Ark tivessem estilos de jogabilidade totalmente diferentes, eles são conectados dentro de uma mesma narrativa, e são um dos primeiros exemplos de marketing de jogos baseado em uma "saga".

E mais uma curiosidade sobre Atlantis: para promover o jogo, a Imagic criou um concurso onde quem enviasse para eles uma foto da TV com a maior pontuação obtida, ganharia uma viagem para as Bermudas; porém aconteceu um problema: centenas de candidatos mandaram fotos com a pontuação máxima de 999.999 pontos. A resposta da Imagic foi bem interessante: ela criou uma versão modificada do jogo, denominada Atlantis 2, e enviou pelos correios esta cópia modificada em cartucho para estes seletos concorrentes poderem jogar uma "segunda fase" do concurso. Atlantis 2 era basicamente igual ao jogo original, porém, era mais difícil (com maior número de naves inimigas), dava menos pontuação a cada nave abatida, e não tinha o limite de 999.999 pontos. No final das contas, todos ficaram felizes, pois houve um único e justo vencedor, e todos os demais jogadores que tinham obtido anteriormente a pontuação máxima, ficaram em mãos com uma cópia muito rara de um jogo de videogame. 

Trechos dos manuais de Atlantis e Cosmic Ark, provando a relação entre eles

Antes de encerrar este artigo, aproveito para listar mais 3 dos jogos criados pela Imagic para o Atari 2600, demonstrando que a desenvolvedora tinha muita qualidade. Afinal, somando AtlantisCosmic Ark e mais estes 3 jogos a seguir, coloco todos estes 5 no meu Top 50 jogos do Atari 2600 de todos os tempos. 

 Demon Attack (1982): uma espécie de mistura de Phoenix com Space Invaders, seu diferencial era a aleatoriedade das naves inimigas, seja no formato, na movimentação, ou no padrão em que apareciam na tela, tornando tudo mais difícil, imprevisível e interessante 

Dragonfire (1982): primeiro jogo da Imagic sem envolver naves espaciais, aqui o cenário é de fantasia medieval, com o jogo sempre alternando entre 2 telas: na primeira o herói atravessa um fosso e salta sobre bolas de fogo para entrar no castelo; na segunda, ele pega os tesouros da sala enquanto foge de um rápido dragão

 Laser Gates (1983): usando apenas a metade superior da tela, e com isso conseguindo ser visualmente bem avançado para a época, seu objetivo no jogo era desviar das barreiras laser, abrir caminho sobre as barreiras de concreto, e também abater as naves e torres inimigas que aparecerem pelos túneis


O fim da Imagic

O ano de 1982 foi realmente mágico para a Imagic (até rimou), com vários ótimos jogos lançados, todos sucesso de críticas e vendas. A empolgação era tão grande que a empresa resolveu entrar na Bolsa de Valores estadunidense, agendando seu IPO para Dezembro daquele ano. 

Porém seus planos sofreriam um duplo golpe da Atari. A empresa criadora do grande console da época processou a Imagic e seu jogo Demon Attack por violação de direitos autorais, alegando que ele seria um plágio de seu jogo Phoenix. O caso foi resolvido judicialmente de forma relativamente rápida, com a Imagic pagando alguma compensação (cujos valores nunca foram revelados publicamente) e com isto, pôde continuar vendendo Demon Attack normalmente. Porém, a Imagic descobriu que o Mercado reagiu mal ao processo, e ele afugentou bastante potenciais investidores.

Além disto, poucos dias antes do IPO da Imagic acontecer, a Atari anunciou seus números de vendas para o Natal, bem abaixo do esperado. A soma das duas más notícias fez com que a empresa californiana desistisse às pressas do seu IPO. Meio que sem querer, a Atari se "vingava" dos programadores que a abandonaram poucos anos atrás...

À esquerda, o último jogo da Imagic para o Atari 2600: Wing War (1983), onde você controla um dragão alado e realiza com ele algumas provas; à direita o último jogo da empresa: Tournament Tennis, lançado para computadores pessoais como Commodore 64 e Colecovision (em 1984), PC's e Atari ST (em 1985). A versão da foto acima é a do Colecovision 

E o tal IPO nunca foi retomado... Afinal, 1983 - que ainda não foi um ano tão catastrófico para a Imagic, embora ela já começasse a enxugar seu time dispensando 25% de seus funcionários - foi o início do crash do mercado de videogames da época, que iria afundar não somente a Imagic como também a Atari e a grande maioria das empresas estadunidenses do ramo.

A pequena e corajosa Imagic fecharia suas portas em definitivo em 1986, mas já havia entrado para a história com jogos memoráveis, conforme visto neste artigo.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Crítica Netflix - The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa


Paulinho da Costa é o músico brasileiro mais famoso que você não conhece. E um gênio. Ele já trabalhou, por exemplo, com Michael Jackson, Madonna, Whitney Houston, Prince, Stevie Wonder, Celine Dion, Bee Gees, Red Hot Chili Peppers, dentre muitos outros. Aliás, muitos mesmos: conforme o texto final do documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, foram mais de 970 artistas diferentes em mais de 6700 canções. As músicas que Paulinho participou totalizaram 161 indicações ao Grammy (com 59 vitórias) e 12 indicações ao Oscar (somando as categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original).

O carioca Paulinho da Costa é um percussionista, certamente um dos melhores que já existiu; segundo a própria definição do documentário a percussão são as batidas... os sons produzidos através do impacto ou fricção de objetos; ou ainda, a percussão é o groove... aquele ritmo repetitivo e envolvente que te dá vontade de dançar. Desde o finalzinho do século XX muito do trabalho dos percussionistas foi substituído pelas trilhas eletrônicas. O que aliás me faz questionar se não é por isso que não se fazem mais grandes clássicos como antigamente...

Lançado no mês passado na Netflix, como filme The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa não chega a brilhar, principalmente pois ele parece perdido no tempo: composto basicamente de entrevistas curtas onde músicos famosos elogiam Paulinho, nota-se que elas estão um bocado datadas, gravadas há uns 10... 5 anos atrás. É como se o documentário estivesse engavetado há tempos, e estivessem esperando uma desculpa para lançá-lo. Ah, e curiosamente, mesmo sendo um filme nacional, ele é em sua maioria falado e narrado em inglês.

Bem, a "desculpa" veio, e é muito boa: foi anunciado em 2026 que Paulinho será uma das pessoas que receberá uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. A cerimônia será no final de Maio, e ele será o primeiro brasileiro a receber esta homenagem (*)!! 

Porém se como "filme" The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa não é tão bom, musicalmente ele certamente vale a pena. Pois ouvimos na prática muito do seu trabalho, conforme sua história é contada. No meio do filme há um depoimento da Ivete Sangalo, onde ela comenta que quando criança, ela pegava os encartes de discos famosos internacionais, e via em muitos deles um tal de "Paulinho da Costa", e o tempo todo exclamava admirada... "gente, esse cara é brasileiro!". E eu passei exatamente por isso, quando criança, ao ler os encartes de Thriller e Bad, de Michael Jackson. Mas se neste filme Bad não é citado, vemos (e ouvimos) na prática Paulinho e Quincy Jones mostrar como nosso brasileiro criou várias das batidas de sucesso dos álbuns Off the Wall e Thriller. Muito impressionante!

E se removermos a parte musical do filme, que certamente é sua melhor parte, o destaque vai para a pessoa que é Paulinho da Costa: apesar de sua importância e genialidade, sempre uma pessoa humilde, sempre alegre, com um enorme sorriso no rosto. Ele provavelmente é o maior embaixador da música brasileira de todos os tempos!

Para quem gosta de música pop e/ou música brasileira, The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa é obrigatório; não pela qualidade como filme, mas pelos seus sons e por referenciar um dos nossos maiores músicos de todos os tempos.


(*): fica a observação que Paulinho da Costa será oficialmente o primeiro brasileiro a ganhar uma estrela na Calçada da Fama, mas que Carmem Miranda recebeu sua estrela lá em 1960; embora nascida em Portugal e nunca tenha se naturalizado brasileira, nossa "Pequena Notável" veio para o Brasil com apenas 10 meses de vida e sempre se considerou brasileira.

terça-feira, 24 de março de 2026

Crítica - Devoradores de Estrelas (2026)

TítuloDevoradores de Estrelas ("Project Hail Mary", EUA, 2026)
Diretores: Phil Lord, Christopher Miller
Atores principais: Ryan Gosling, Sandra Hüller, James Ortiz (vozes), Priya Kansara (vozes), Lionel Boyce

Filme acerta no humor mas falha na ciência

Temos de volta nos cinemas um blockbuster de ficção científica, Devoradores de Estrelas, que vem sendo sucesso de crítica e público. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome lançado pelo estadunidense Andy Weir em 2021, mesmo autor de Perdido em Marte.

Na história, descobrimos que "algo" está consumindo não somente nosso Sol, como também todas as estrelas mais próximas a nós... menos uma: Tau Ceti; é então que a humanidade decide enviar para lá em uma nave três pessoas para descobrir o motivo, dentre eles nosso herói, o biólogo molecular Ryland Grace (Ryan Gosling). O problema é que para chegar em um lugar tão longe os astronautas são colocados em coma induzido na maioria do tempo, e quando Grace acorda, não apenas ele é o único que sobreviveu ao processo, como também sofre de grandes perdas de memória, se esquecendo de quem é, e do porquê que ele estaria em uma nave.

Todos os três livros escritos por Andy Weir até hoje possuem algumas características em comum: um protagonista solitário e inteligente que consegue se virar de modo criativo nas mais inusitadas e difíceis situações, otimismo em relação à capacidade humana, muito humor, conceitos de ciência e física tentando ser o mais reais e acessíveis possível para o público.

E no filme Perdido em Marte, de 2015, de certa forma tudo isto foi transportado com sucesso para as telas. Já neste Devoradores de Estrelas, comparativamente, temos um ator melhor, que igualmente realiza e supera desafios, temos uma quantidade muito maior de piadas e humor (e bem feitos, aliás), mas na hora de mostrar ciência... chega até a doer. Neste aspecto, o roteiro parece muito mais fantasia do que ficção científica.

Lá pela metade do filme, Grace acaba se encontrando com um alienígena, Rocky (James Ortiz): e a maneira com que eles se aprendem a comunicar foi tão rápida e fácil que me tirou completamente da história. Eu entendo que muita coisa precisa ser simplificada para que o público em geral consiga melhor compreensão, mas Devoradores de Estrelas exagerou. Fora os furos de roteiro que a "fantasia" colocada no filme traz... Por exemplo: aprendemos que Rocky não tem olhos e "enxerga" através do som, ou seja, ele precisa que um objeto tenha relevo para vê-lo. É por isso que Ryland coloca peças com números em 3D em cima do display do relógio para que Rocky consiga "ver" os números. Certo. E aí, uns vinte minutos depois, vemos a dupla assistindo imagens do planeta Terra em um telão plano de LCD (???!!!). É muita burrice.

Não sei até que ponto o livro explica de modo convincente a parte científica em Devoradores de Estrelas, pois não o li, mas sei que lá, como nos demais livros de Andy Weir, há a tentativa de levar a ciência a sério: por exemplo, diferentemente do filme, o sistema numérico de Rocky nem é decimal (vai até 6), e até isso o livro explica como eles tiveram que lidar. O livro também explica porque só Grace sobreviveu ao coma induzido, explicação que duraria apenas 15 segundos e o desleixado roteiro do filme ignora.

O que mais me espanta é que o roteirista de Devoradores de Estrelas é o mesmo de Perdido em Marte: Drew Goddard, e no outro filme a parte científica foi bem mais acurada. O que será que aconteceu? Seria influencia dos diretores? Já que em Perdido em Marte o diretor era Ridley Scott, especialista em Ficção Científica, e aqui os diretores são especialistas em Comédia + Aventura (as franquias de animação Uma Aventura Lego, Aranhaverso e Tá Chovendo Hambúrguer)?

A consequência de se trocar ciência por "fantasia" é que as dificuldades enfrentadas por Ryland e Rocky perdem muito do seu peso, e o filme perde bastante do seu drama. Pelo menos há as cenas em flashback no Planeta Terra para contrabalancear isso. Estas sim, são cenas sérias, mais pesadas, e a grande responsável por estas cenas funcionarem tão bem é a ótima atuação de Sandra Hüller, que consegue se mostrar firme, séria, mas ainda assim compassiva.

Em termos visuais, Devoradores de Estrelas também não é tão impressionante, a maioria das cenas são filmadas dentro da apertada nave de Grace, e portanto, não primam por grande beleza; e o próprio design visual do alienígena Rocky é quase uma versão dos robôs vistos em Perdido em Marte só que feito de pedra: aparentemente Andy Weir não tem muita criatividade para imaginar seres não-humanos(*). Entretanto, as poucas cenas em plano aberto no espaço, estas sim são belas e, embora não sejam espetaculares, justificam assistir Devoradores de Estrelas nas telonas do cinema.

Apesar de todas as críticas acima que fiz a Devoradores de Estrelas, o filme é um ótimo entretenimento e se você não for assisti-lo querendo uma ficção científica séria, mas um filme de aventura e comédia, vai se divertir bastante. Principalmente se encarar Devoradores de Estrelas como comédia. Ah, e mais uma vantagem: o filme é bastante otimista e good vibes; portanto, se você, assim como eu, está sobrecarregado de tanto pessimismo e notícia ruim vinda do mundo real atual, ir no cinema ver esta obra é um ótimo descanso para a mente e alma! Nota (de 1 a 6):



PS: o nome do livro e filme no original, "Project Hail Mary", que traduzido no literal seria "Projeto Ave Maria", tem um significado importante que foi perdido na tradução. É que nos países de língua inglesa, e principalmente nos EUA, um "Hail Mary" também serve como uma gíria para um ato desesperado com pouca chance de sucesso, que vai depender de sorte ou "milagre". É uma expressão bastante usada no Futebol Americano, quando um time tenta fazer um passe longo e desesperado nos segundos finais de um jogo, para concluir um touchdown para virar ou empatar a partida.

(*) Atualização/correção: devo uma pequena desculpa a Andy Weir: os tais robôs com quem Rocky se parece não são de Perdido em Marte, e sim de Interestelar (2014), que não possui nenhuma relação com o escritor. Rocky parece uma versão em menor escala dos robôs TARS e CASE deste filme.

Mudanças no Cinema Vírgula!

Como alguns já devem ter reparado, no começo do ano a página "Todas as Críticas", onde você podia encontrar todas as críticas de filmes já feitas neste blog, foi dividida em duas: "Críticas (de 2012 a 2025)" e "Críticas (2026 em diante)".

E hoje ficará claro o motivo desta divisão. É que a partir de agora não avaliarei mais os filmes dando notas de 1 a 10, e sim, irei dar notas usando a escala da imagem abaixo:

 

Com isso, todos os filmes de 2026 em diante serão avaliados com uma "nota" de 1 a 6, representada visualmente pela face de um dado. Você verá a imagem com a nota ao final do texto de cada crítica. E caso você já queira ver como ficaram as notas de todas as críticas dos filmes de 2026 publicadas por aqui, é só clicar lá em cima no "Críticas (2026 em diante)" do menu. ;)

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #053 - Sabia que a ciência já acreditou ter descoberto Vulcano, o planeta de Spock (e por duas vezes)?


Para quem não reconhece as duas entidades da foto acima, à esquerda temos Spock, um dos personagens principais da franquia Star Trek (ou Jornada nas Estrelas), oficial de ciências e primeiro oficial da nave estelar USS Enterprise, e também meio humano e meio vulcano. Estes seus 50% vulcano, que lhe conferem as inconfundíveis orelhas pontudas, vieram de seu pai, um extraterrestre do fictício planeta... Vulcano (!), que é o planeta da imagem ao seu lado.

Segundo a mitologia de Star Trek, o planeta Vulcano de Spock orbita a estrela 40 Eridani A, uma estrela que realmente existe e fica a 16,3 anos-luz da Terra. Segundo a franquia, trata-se de um planeta árido e quente, coberto principalmente por desertos e cadeias montanhosas, com apenas alguns pequenos mares e lagos isolados de água salgada. Vulcano seria levemente maior que Terra e teria uma gravidade 40% mais forte; sua cor, vista do espaço, seria avermelhada.


A "primeira descoberta" de Vulcano

Voltando algumas centenas de anos para o Universo real, saibam que todos os planetas dos Sistema Solar, de Mercúrio até Urano foram descobertos pela humanidade através da observação visual direta (seja via olho "nu", ou por telescópio, que foi o caso de Urano). Porém os dois corpos mais distantes, o planeta Netuno e o planeta-anão Plutão, foram descobertos indiretamente através de cálculos. Os cientistas observaram a órbita de Urano, e como não batiam com o esperado pelas leis da física conhecidas, imaginavam haver um outro corpo que estava causando esta distorção orbital. Dito e feito, de distorções na órbita de Urano a humanidade encontrou Netuno (em 1846), e de distorções em Netuno encontramos Plutão (em 1930).

Porém enquanto se via anormalidades na órbita de Urano, o mesmo acontecia ao analisar a órbita do primeiro planeta do Sistema Solar, Mercúrio: ela também estava "errada". Em 1846 o astrônomo francês Jacques Babinet especulou a existência de um novo planeta entre o Sol e Mercúrio, e a ele deu o nome de Vulcano, o deus romano do fogo; afinal, para Jacques o novo corpo celeste deveria ser tão quente que chegaria a ser um planeta "incandescente".

Em 1859, o astrônomo francês Urbain Le Verrier - o mesmo que previu corretamente a existência de Netuno - publicou um estudo (re) confirmando os cálculos de que a órbita de Mercúrio estava errada e que entre o Sol e Mercúrio deveria haver portanto um objeto de massa similar ao próprio Mercúrio: ou um novo planeta ou um cinturão de asteróides.

Pedaço de um mapa do Sistema Solar de 1846, por Hall Colby, já incluindo Vulcano

Em dezembro do mesmo ano outro astrônomo francês, Edmond Modeste Lescarbault, disse ter conseguido, enfim, observado o novo planeta. Le Verrier foi até ele e, após revisar os estudos de Lescarbault, acreditou na descoberta de seu compatriota. Em 2 de Janeiro de 1860 a dupla anunciou a descoberta do novo planeta "Vulcano" em uma reunião da Academia de Ciências de Paris.

Porém o anúncio foi contestado na própria reunião, e nas décadas seguintes a humanidade continuou tentando localizar o planeta Vulcano na região indicada por Le Verrier. A existência de Vulcano, entretanto, foi descartada em definitivo em 1919, quando se comprovou que a Teoria da Relatividade Geral de um tal Albert Einstein, formulada poucos anos atrás (1915), conseguia explicar a órbita "errada" de Mercúrio através da curvatura que o próprio Sol gera no espaço-tempo ao seu redor; ou seja, Vulcano não precisaria mais existir para as contas darem certo.


A "segunda descoberta" de Vulcano

Em Setembro de 2018, Vulcano seria "descoberto" mais uma vez, quando um grupo de astrônomos do projeto Dharma Planet Survey, liderado pela Universidade da Flórida, anunciaram ter descoberto um novo planeta orbitando 40 Eridani A. E olha só, a mesma estrela do planeta Vulcano da ficção!

Segundo estes cientistas, este novo objeto era uma "Super Terra": um planeta rochoso com cerca do dobro do tamanho do nosso, e dentro de uma zona habitável de temperatura - nem muito quente, nem muito frio - completando uma órbita a cada 42 dias terrestres. E claro, os cientistas que fizeram a descoberta aproveitaram a "coincidência" com a ficção para aparecer na imprensa mundial para dizer brincando que descobriram Vulcano.

Mas... não foi desta vez novamente...

Após alguns questionamentos mais sérios que se iniciaram em 2023, em 2024 um estudo científico publicado na revista científica The Astronomical Journal, por um grupo de pesquisadores liderados pela estadunidense ex-NASA Abigail Burrows, diz provar que o estudo de 2018 foi na verdade uma ilusão astronômica, e o que foi observado na época teria sido um sinal captado devido alguma atividade na superfície da própria estrela; ou seja, nada de novo planeta.

40 Eridani A, B e C via telescópio amador

E então continuamos na busca por Vulcano rs. Ah, e para finalizar o artigo de curiosidades, a tal estrela se chama 40 Eridani A pois ela compõe um sistema estrelar triplo (!!), formado pelas estrelas A, B e C. A estrela "A" é bem maior que as outras duas, que acabam orbitando em seu redor.




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

sábado, 14 de março de 2026

Oscar 2026: Veja aqui um resumo sobre os principais filmes, os favoritos e as chances brasileiras!


Neste domingo 15 de Março, vulgo AMANHÃ, teremos a cerimônia de entrega do 98º Academy Awards, ou os Oscars 2026. Abaixo segue a lista dos 10 filmes que disputam o prêmio máximo de Melhor Filme, ordenados pelo número somado de indicações recebidas (entre parênteses). Você pode clicar nos links dos nomes para ler as críticas feitas aqui pelo Cinema Vírgula. De todos eles, só não assisti um: Marty Supreme; e também não fiz a crítica de F1: O Filme, embora eu o tenha visto.
Não ficando "em cima do muro", a seguir coloco para vocês todos os 9 filmes dos 10 acima que assisti, na minha ordem de preferência: Valor Sentimental > O Agente Secreto > Uma Batalha Após a Outra > Pecadores > F1: O FilmeBugonia > Frankenstein > Sonhos de Trem > Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
 
Nós brasileiros ainda temos boas lembranças do nosso primeiro Oscar, obtido ano passado por Ainda Estou Aqui. Neste ano o Brasil está concorrendo com CINCO indicações! Quer saber o que acho sobre nossas reais chances em cada uma delas? Só continuar lendo. ;)


O Oscar de Melhor Filme Internacional

Começando pelo prêmio que o Brasil venceu em 2025. Será que teremos dobradinha? Bem, a boa notícia é que seria muito bizarro se o prêmio não saísse para Valor Sentimental ou o nosso O Agente Secreto, já que ambos têm múltiplas indicações e também estão indicados ao Oscar de Melhor Filme; aliás, dentre os 10 indicados ao maior prêmio da noite, para mim estes dois filmes são justamente os dois melhores.

A má notícia é que Valor Sentimental é um concorrente muito forte e acredito que levará o prêmio. Outro fator que pesa contra nós é que não costumam dar este prêmio para o mesmo país dois anos seguidos. As chances do Brasil é que o filme norueguês não faz críticas políticas, e como eu imagino que a Academia irá se posicionar politicamente em alguma de suas escolhas... então quem sabe? De todas as indicações brasileiras, entendo que essa é a nossa segunda maior chance.


O Oscar de Melhor Ator

Mesmo tendo vencido o prêmio de Melhor Ator do ano em Cannes e no Globo de Ouro (Ator de Drama), acho difícil que Wagner Moura vença o prêmio do Oscar de Melhor Ator. A disputa está mesmo entre Michael B. Jordan, por Pecadores, e que venceu o prêmio de Melhor Ator pelo Sindicato dos Atores (SAG-AFTRA) e Timothée Chalamet, por Marty Supreme, que venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator de Comédia ou Musical.

O trio favorito. Mas acho que ficou difícil para nosso Wagner...

Jovem, e com todos os requisitos para ser consagrado como a mais nova estrela de Hollywood, Chalamet é apontado como o favorito pelos analistas, porém eu vou apostar que o vencedor será Michael B. Jordan. Ah, uma curiosidade: Timothée Chalamet atualmente está bastante mal falado na mídia, após ter dado uma declaração diminuindo a Ópera e o Balé, dizendo que ninguém mais se importa com eles. Só que as votações foram encerradas antes de sua fala viralizar, portanto, em teoria ela não deve afetar o resultado.


O Oscar de Melhor Direção de Elenco

Vocês sabiam que este ano temos nova categoria estreando no Oscar? Se trata do Oscar de Melhor Direção de Elenco. O objetivo do prêmio é prestigiar o melhor elenco como um todo de um filme; e a pessoa que irá receber o troféu é o(a) Diretor(a) de Elenco. O brasileiro Gabriel Domingues está tendo a honra de ser um dos 5 primeiros indicados da história à esta categoria pelo elenco de O Agente Secreto. Mas ele vai ganhar? Duvido. Eu ficaria muito muito muito surpreso se este Oscar não ficar com Pecadores. E nem é porque acho que ele mereça ou não, mas simplesmente porque o filme "precisa" vencer algumas das suas 16 indicações, e nesta categoria seus concorrentes são menos badalados.


O Oscar de Melhor Filme

Será que desta vez o Brasil leva o Oscar de Melhor Filme? Não acredito, ainda que as chances sejam um pouco maiores que ano passado. Entendo que a disputa para o vencedor do prêmio máximo está limitada a Pecadores e a Uma Batalha Após a Outra, que não à toa são disparados quem têm mais indicações. Porém entendo que a "empolgação" por Pecadores diminuiu nos últimos meses, então meu palpite é que o vencedor será Uma Batalha Após a Outra.


E tem mais Brasil!

Se vocês contaram direito, devem ter reparado que já comentei sobre as quatro indicações de O Agente Secreto, mas que também disse que o Brasil possui cinco indicações. E é isto mesmo! Ainda estamos concorrendo ao Oscar de Melhor Fotografia, em nome do brasileiro Adolpho Veloso, pela fotografia do filme estadunidense Sonhos de Trem.

Vão me falar que Sonhos de Trem não merece esse Oscar???

Na minha opinião esta é a indicação em que o Brasil tem mais chance de vencer, e aliás, o justo seria que Adolpho Veloso vencesse o prêmio, para mim a fotografia de Sonhos de Trem é de fato a melhor dentre todas. Entretanto, mesmo sendo nossa principal chance, entendo que corremos por fora: o real favorito para levar este prêmio é Pecadores, que também tem uma fotografia muito boa, e ainda possui ao seu favor a mesma explicação que dei no Oscar de Melhor Direção de Elenco.


Mais alguns palpites

Assim como fiz nos últimos anos, não vou dar meus palpites para todas as categorias do Oscar, mas vou fazer minhas apostas em mais algumas Categorias:

Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra) já foi indicado três vezes e não levou, nesta sua quarta indicação como diretor vão lhe dar o prêmio, certeza.

Melhor Atriz: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) é a grande favorita e vai levar, embora como eu já tenha dito na crítica do seu filme, ela não esteja em sua melhor forma; ainda assim não ficaria triste com sua vitória, já que pela carreira como um todo, ela merece. Mas minha torcida vai para Renate Reinsve (Valor Sentimental), que pra mim foi a melhor de todas.

Melhor Ator Coadjuvante: aposto na vitória de Stellan Skarsgård, que com 74 anos, recebe sua primeira indicação ao Oscar, e vou torcer por ele. Sean Penn, que divide o favoritismo ao premio com Stellan e tem chances reais de vencer, se bobear até atuou melhor, mas como já tem duas estatuetas, vamos dar chance para os outros também brilharem rs.

Melhor Atriz Coadjuvante: Glória Pires! rs... brincadeira... na verdade vou fazer como ela e responder que "Não sou capaz de opinar". Esta categoria promete ser uma das mais imprevisíveis do Oscar, com três fortes concorrentes que dividiram as vitórias nas premiações mais importantes ao longo do ano: Amy Madigan (A Hora do Mal), Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) e Wunmi Mosaku (Pecadores). O problema é que não assisti A Hora do Mal, então fica difícil eu escolher uma das três para votar e/ou torcer.

Melhor Montagem: quem vai ganhar será Uma Batalha Após a Outra, e neste caso considero aceitável. Porque quem DEVERIA ganhar é Valor Sentimental, cuja edição é espetacular. Agora, se qualquer um dos outros três concorrentes vencer esse prêmio, vou ficar muito p* rs.



De novo: o Oscar será neste Domingo, 15 de Março, com a transmissão começando a partir das 20h (horário de Brasília) no tapete vermelho e com a cerimônia da entrega dos prêmios tendo início às 21h. A transmissão na TV aberta será via Rede Globo, e pela TNT / Max em canais fechados.


E vocês, quais são seus palpites? Acham que o Brasil leva algo? Deixem nos comentários!

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