sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Conheça 15 novos ótimos jogos lançados para o Master System nos últimos 10 anos

Em Novembro de 2025 eu trouxe aqui uma lista com 15 lançamentos recentes para o SEGA Mega Drive. Então, dando sequência no tema, no primeiro artigo de 2026 sobre videogames do Cinema Vírgula, agora é a vez do SEGA Master System, o mais brasileiro dos consoles retrô, receber uma lista com 15 novos ótimos lançados nos últimos 10 anos.

E olhe que apesar dos tais "10 anos", na verdade boa parte da lista são jogos bem recentes, lançados em 2025! Vamos a eles!


Alex Kidd in Miracle World 2 (2016) e Alex Kidd 3: Curse In Miracle World (2020)

Começando com dois jogos que fizeram o que a SEGA não fez: dar seqüência, dentro do Master System, à história do excelente jogo Alex Kidd in Miracle World (1986). Criado pelo britânico Ian Wall, do site Sega8bit.comAlex Kidd in Miracle World 2 se passa cronologicamente 6 meses após o jogo original. Como sabemos do final do game anterior, apesar de Alex ter derrotado o vilão Janken e recuperado o comando de Radaxian, seu pai, o Rei, ainda não foi encontrado. Então nosso herói sai em busca de sua localização.

Alex Kidd in Miracle World 2

Quando o hoje chamado Alex Kidd 3: Curse In Miracle World começou a ser desenvolvido, Alex Kidd in Miracle World 2 estava prestes a ser finalizado, então este jogo, que também se chamou "Alex Kidd in Miracle World 2" por alguns meses, teve que ser renomeado e ter parte de seus planos originais de história refeitos.

Na história de Alex Kidd 3: Curse In Miracle World surge um novo vilão, na verdade, um vilão que veio do passado e agora jogou o reino de Alex em uma terrível maldição. Nosso herói terá que passar por 10 fases para livrar salvar sua família de uma vez por todas! O jogo foi criado pelo francês Yeti Bomar, que com o apoio da comunidade, disponibilizou o game não só em francês, mas também em inglês e português.

Alex Kidd 3: Curse in Miracle World

Tanto Alex Kidd 2 quanto Alex Kidd 3 foram bem elogiados pela comunidade e são considerados continuações dignas do game original. Comparando os dois jogos, Alex Kidd 3: Curse In Miracle World é maior, mais refinado, certamente melhor graficamente. E ao contrário do Alex Kidd 3Alex Kidd in Miracle World 2 não possui desafios de jokenpô, já que seu criador não curte muito este tipo de brincadeira. A ROM de ambos os jogos pode ser obtida via site SMS Power, que aliás, como você verá ao longo deste artigo, é a fonte de boa parte dos jogos da lista.


Astro Force (2017)

O Master System não teve, infelizmente, muitos jogos shoot'em up verticais de qualidade em seu catálogo. Eu me arrisco a citar apenas 4: Astro WarriorScramble Spirits (ambos simples, porém competentes), e os dois Power Strike (I e II), os quais são bem elogiados mas eu não gosto por serem muito caóticos. Pois nesta lista vocês verão vários shoot'em up verticais, e Astro Force é o primeiro deles. Astro Force também é o primeiro jogo desta lista criado pelo programador espanhol Enrique Ruiz, que costuma a assinar seus jogos com um "MIKGames".

Astro Force é um jogo bem "das antigas", desde seu visual quanto em sua jogabilidade. Mas por isso mesmo, vale pela nostalgia e tem um nível de qualidade próximo aos 4 jogos citados anteriormente. O jogo entretanto não é simples: conta com 6 fases, um número bem grande de inimigos e chefões diferentes, e é bem desafiador. E ainda conta com uma trilha sonora muito boa, talvez a melhor coisa do jogo.


Electronic Dreams (2023)


Mais um jogo de Enrique Ruiz e sua "MIKGames", e agora temos uma produção bem mais sofisticada, com um jogo de plataforma de 10 fases, onde você viaja pelo tempo e pelo Sistema Solar lutando contra terroristas em vingança pelo seu pai. Além de atravessar várias localidades matando inimigos com sua arma laser, também há momentos onde você pilota uma moto, dirige uma nave no estilo shoot'em up horizontal, e até pode jogar um mini-game de nome "Beam Rider" dentro do próprio jogo!

O game tem bons gráficos, trilha sonora aceitável, e como um todo, uma experiência agradável e completa de um jogo de 8 bits. A ROM de Electronic Dreams foi disponibilizada gratuitamente para os usuários do site SMS Power como presente.

 

Flight Of Pigarus (2018)

Outro shoot'em up vertical, Flight Of Pigarus também é um jogo desenvolvido por apenas uma pessoa, no caso o usuário apenas conhecido no site do SMS Power por Kagesan. O jogo é simples, curto, mas muito gostoso de jogar, com gráficos coloridos e muito bonitos, e música bem agradável. Você controla um porco voador (por isso o nome do game), e existem dois modos de jogo: 2 ou 5 minutos. Se não morrer cedo, antes dos tais minutos acabarem um chefão aparece. Pouco antes dos 2 minutos aparece o chefe da imagem acima, e pouco antes dos 5 minutos aparece outro, dentro de uma nave que parece uma bola de boliche; ou seja, no jogo de 2 minutos você só enfrenta um boss e no modo de 5 minutos enfrenta dois para terminar a aventura.

O jogo é tão bom e fez tanto sucesso que, embora gratuito, também passou a ser vendido através de mídia física via a distribuidora francesa 2Minds. Anos depois ela ajudou a portar (e também a vender) o jogo para o Mega Drive.


Frontier Force (2025)

Jogo de shoot'em up vertical criado pelo desenvolvedor inglês que se identifica como Badcomputer, é outro jogo que posteriormente foi publicado e vendido em versão física pelo estúdio francês 2Minds. Aqui na verdade você controla um humano, que, do solo, atira contra inimigos que vêm do espaço. Portanto, em termos de jogabilidade, é algo bem mais próximo do clássico dos anos 70 Space Invaders.

O game é visualmente bem bonito e bem colorido, contando com gráficos em pixel art, trazendo mais de 40 inimigos diferentes, várias armas, 7 fases e, de modo surpreendente, chefões de fase gigantes. Bastante elogiado pela crítica, ele é amplamente listado como um dos melhores jogos lançados para o Master System nos últimos anos.


The Goonies (2025)

O Brasil não poderia ficar de fora da relação né? The Goonies é o primeiro jogo brazuca desta lista e também o mais recente, lançado no final de 2025. Trata-se de uma adaptação não oficial - porém recriada totalmente do zero - do mesmo jogo que na década de 80 saiu para o "Nintendinho" (NES) e para o MSX.

O game foi desenvolvido por Lucas Munhoz, e lançado através de sua empresa, a LMS Retro. A trilha sonora para o jogo é original e foi criada pelo também brasileiro Guilherme Chirinéa. The Goonies é vendido em formato físico, através das redes sociais da LMS Retro ou em lojas especializadas em videogames retrô.


Lunar Skirmish (2025)

E ele fez de novo. Vamos com o terceiro jogo da Mikgames desta lista, e desta vez, com um jogo de shooting horizontal de grande qualidade e bastante diversificado. No jogo sua nave atira contra asteróides, robôs, e outra naves... claro. Há fases em que Lunar Skirmish se parece com R-Type (inclusive você também pode obter um drone auxiliar, porém sem controlá-lo, ele fica orbitando continuamente sua nave), com cenários internos, cenários externos tanto em espaço aberto quanto sobrevoando superfícies, e há momentos em que seu objetivo não é atirar, e sim, se desviar de estruturas em forma de labirinto.

A nave que você controla em Lunar Skirmish é um pouco pequena, mas de resto seus gráficos são muito bons, inclusive com uso de efeito parallax; já a trilha sonora é "ok", lembrando o estilo de outros vários jogos do Master System.


Monster Crunch (2020)

Era uma vez um jogo infantil de tabuleiro, lançado originalmente como Monster Mash em 1987 pela Parker Brothers nos EUA, e no Brasil lançado como Caça-Monstro, em 1989 pela Estrela. Pois bem, agora ele foi lançado como um jogo do Master System: criado pelo desenvolvedor francês Fabrice Dumas (que também se chama pelos apelidos de Ichigo ou IchigoBankai), ele foi distribuído gratuitamente em 2020 via site do SMS Power.

Para 1 ou 2 jogadores, o mecanismo é muito simples: após a imagem do monstro ser sorteada, ela some, e então vemos 12 opções para clicar na imagem que apareceu anteriormente. No caso de 2 jogadores, vence quem acertar a imagem correta primeiro; já na partida solo, temos uma corrida contra o tempo, e o jogador terá que vencer o maior número possível de rodadas antes que o cronômetro esgote. Muito simples, de fato... mas lembrou minha infância e me diverti!


Noturno (2025)


Outro jogo brasileiro, outro jogo feito pela dupla Lucas Munhoz e Guilherme Chirinéa via LMS Retro. Ainda que não tenha sido o primeiro jogo feito por eles, foi seu primeiro grande sucesso em mídia física, lançado na Retrocon 2025. Em Noturno, temos um jogo de plataforma de 7 fases ao estilo Castlevania onde estamos em 1591, e comandando o guerreiro Ricardo, temos a missão de matar Drácula.

O jogo tem jogabilidade, gráficos e músicas simples, mas é competente. Mesmo com o herói não tendo nenhum poder e apenas pulando e distribuindo espadadas, dá para se divertir e o desafio é moderado, o que deve portanto agradar todos os gostos.


Razing Core (TBD)


Razing Core é outro título feito pela Badcomputer, e que tem tudo para ser um dos melhores - senão o melhor - jogo de shoot'em up vertical do Master System de todos os tempos. O problema é que ele ainda está em desenvolvimento, e no seu site oficial, você pode baixar uma demo contendo apenas a primeira fase (completa) para jogar.

É como se o jogo fosse uma versão turbinada do clássico Astro Warrior, com gráficos melhores e sua nave tendo mais possibilidades de evolução. Mesmo no nível fácil, Razing Core é um jogo de dificuldade alta. Agora é esperar se um dia teremos esse jogo completo, ver quantas fases serão criadas, e se o game final fará jus ao seu potencial.


Silver Valley (2017)

Silver Valley é um jogo de plataforma com elementos de RPG, parecido por exemplo com alguns dos jogos da franquia Wonder Boy / Turma da Mônica do console. Mas aqui o jogo também pega características de outros games, como Castlevania e Shinobi. O próprio design dos personagens copia as versões de 16 bits de Final Fantasy e Chrono Trigger, da Square. E o mais incrível de tudo é que Silver Valley foi totalmente feito por uma única pessoa, novamente o espanhol Enrique Ruiz, que disponibilizou o jogo gratuitamente em Dezembro de 2017.

Na história, a pacata cidade de Silver City é atacada e dominada por um maléfico dragão, e cabe a você derrotá-lo, sendo a única maneira de que fazê-lo encontrando e reunindo 6 jóias místicas que estão escondidas. Silver Valley possui 64 cenários e é um jogo bem longo, ele foi amplamente elogiado pela comunidade do Master System por sua qualidade e variabilidade de gameplay, sendo basicamente a única crítica recebida sua alta dificuldade: o herói tem poucos pontos de vida e costumeiramente enfrenta chefões que necessitam vários golpes para serem derrotados.

O jogo foi trabalhando com tanto carinho que tem até um curioso easter egg: dentro de uma das cidades há uma máquina de fliperama onde se pode jogar o "Crap Man", um plágio do jogo Pac Man, e cuja imagem eu mostro na figura acima, à direita. Graças a sua qualidade um grupo de usuários do site SMS Power resolveu se juntar a Enrique para produzir e vender Silver Valley em cartucho, o que foi feito em 2022 por lá mesmo; e em 2025 foi lançado um novo lote, com pôsteres inclusos e manual em 5 idiomas.


Stella in Adventure World (2025)

Mais um jogo da franquia de Alex Kidd, porém agora a protagonista é a sua contraparte feminina, Stella, que apareceu pela primeira vez como personagem jogável da versão fliperama de Alex Kidd: The Lost Stars. E uma coisa muito bacana em Stella in Adventure World é que ao longo de sua história, ele dá continuidade à (quase) todos os jogos oficiais e não oficiais de Alex Kidd!!! Segundo seu criador (um brasileiro de iniciais tsp), o jogo Stella in Adventure World se situa cronologicamente entre os Alex Kidd 2 e 3, é anterior ao Alex Kidd: The Lost Stars e ainda tem ligações com os Alex Kidd High-Tech World e Shinobi World!

Apesar de feito por um brasileiro, o jogo tem textos em inglês, e uma partida completa leva cerca de 1h. Stella in Adventure World também foi bem recebido e elogiado pela comunidade gamer. O jogo é bastante colorido, com gráficos e som de qualidade similares ao Alex Kidd in Miracle World. Ele pode ser baixado gratuitamente no site oficial, porém não foi disponibilizado via .sms, e sim via .ips.


Sydney Hunter: The Sacred Tribe (2019)

Sydney Hunter: The Sacred Tribe possui uma história curiosa, já que ele foi desenvolvido pela empresa canadense CollectorVision Games, que é especializada em criar jogos para o ColecoVision, console de 2ª Geração, a mesma do Atari 2600. Porém eventualmente ela também lança versões de seus jogos para outros consoles, como o NES, o Commodore 64, o próprio Atari e... o Master System.

Sydney Hunter: The Sacred Tribe é um jogo bem legal de exploração, ao estilo Indiana Jones, com trilha sonora usando o chip FM, e bons gráficos. O labirinto de cavernas apresenta mais de 100 salas, com 9 músicas distintas. Sydney Hunter é bem gostoso e agradável de se jogar, e também é vendido em mídia física. Em 2025 a CollectorVision Games lançou para o Master System um segundo jogo desta franquia, trata-se de Sydney Hunter and the Caverns of Death.


Wing Warriors (2020)

E encerrando a lista, vamos com mais um shoot'em up vertical, o da vez é Wing Warriors, feito pela desenvolvedora de jogos espanhola Kitmaker Entertainment. O jogo é simples, com apenas 6 fases curtas, porém difícil. Ele lembra um pouco o game Phelios, do Mega Drive.

Basicamente você escolhe um dentre 3 personagens na tela inicial e sai matando todo mundo; apesar de cada um deles ser visualmente diferente, inclusive nos tiros que disparam, não percebi nenhuma diferença nas habilidades dos heróis. Entretanto cada personagem faz diálogos diferentes com os "chefões", além de encerrar o jogo com um final distinto.

Com o botão 1 você atira raios ilimitados, e com o botão 2 solta bombas, limitadas a três. O melhor de Wing Warriors são seus gráficos: belos, coloridos, e ao mesmo tempo bem diferentes dos jogos do Master System. Até pela sua simplicidade, o jogo não foi lançado fisicamente. Mas por exemplo, hoje você pode comprar a ROM diretamente no site do programador do jogo, por 1 dólar.


PS: assim como fiz para minha lista do novos 15 jogos do Mega Drive, a imagem principal do título deste artigo é de um jogo ainda não lançado, e que não apareceu na minha lista. Trata-se da versão ainda em desenvolvimento do Castlevania lançado para o NES. Vejam, à esquerda, o jogo na versão Master System, e à sua direita, a versão original do "Nintendinho". Não tem nem comparação né? A capacidade gráfica superior do console da SEGA dá um show! Agora é esperar para que o jogo seja de fato concluído e lançado. Com sorte, ele sai ainda em 2026.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Dupla Crítica Prime Video - Código Preto (2025) e Dupla Perigosa (2026)


Mais uma vez vamos de "pague um e leve dois". Embora não seja produção da Prime Video - Código Preto esteve nos cinemas brasileiros em Março de 2025 - ele chegou nos streamings faz poucos meses; já Dupla Perigosa, esse sim lançamento exclusivo e direto na Prime Video, foi lançado há poucas semanas e traz um inusitado encontro dos brutamontes Dave Bautista e Jason Momoa. Bora ver minha opinião sobre eles!



Código Preto
 (2025)
Diretor: Steven Soderbergh
Atores principais: Cate Blanchett, Michael Fassbender, Marisa Abela, Tom Burke, Naomie Harris, Regé-Jean Page, Pierce Brosnan

O diretor estadunidense Steven Soderbergh tem em sua filmografia vários filmes de ação e suspense envolvendo múltiplos personagens, como por exemplo Traffic (2000), a trilogia de Onze Homens e Um SegredoO Desinformante! (2009), e Contágio (2011). Em Código Preto não temos tantos personagens, mas o clima de correria com constante tensão que lhe fez famoso continua presente.

Na história, George (Michael Fassbender) e Kathryn (Cate Blanchett) são casados e ambos funcionários da mais avançada célula da NCSC, o Centro de Segurança Cibernética do Reino Unido. George é avisado de que um programa altamente secreto de nome Severus vazou do Centro, e uma das poucas pessoas que poderiam estar envolvidas no vazamento é justamente sua esposa. É então que ele começa uma investigação para descobrir quem de seu time (incluindo Kathryn) é de fato o culpado.

Sinceramente, achei algumas coisas de Código Preto bem inverossímeis: simplesmente todos os personagens se odeiam, se atacam o tempo todo em grande nível de competitividade, e ainda assim trabalham na mesma equipe há anos? Mas, deixando detalhes com este de lado, a trama de suspense  do filme é bem feita - você não sabe até o final se Kathryn é inocente ou culpada - e temos algumas reviravoltas interessantes. Em resumo, temos um bom filme de suspense com bons atores, e o filme merece um pouco mais de reconhecimento. Nota: 7,0.



Dupla Perigosa
 (2026)
DiretorAngel Manuel Soto
Atores principais: Dave Bautista, Jason Momoa, Temuera Morrison, Roimata Fox, Morena Baccarin, Frankie Adams, Claes Bang, Jacob Batalon, Maia Kealoha, Stephen Root
 
Pensem em uma fórmula repetida em filmes. Pois é: um filme de ação com uma dupla de policiais abusando de cenas de humor. Não estamos falando de Máquina Mortífera, A Hora do Rush ou Bad Boys... Desta vez vamos de Dupla Perigosa, com os irmãos Jonny (Jason Momoa) e James (Dave Bautista), aprontando todas no Havaí.

Se Bautista está sempre sério e nas poucas vezes que faz rir é por ser ranzinza, Momoa é o bêbado rebelde que está sempre fazendo suas palhaçadas. Na trama, basicamente a dupla sai lutando contra a máfia para se vingar do assassinato do pai. Dirigido pelo jovem diretor porto-riquenho Angel Manuel Soto, o mesmo de Besouro Azul (2023), tanto no humor quanto nas cenas de ação Dupla Perigosa tem muitos altos e baixos; passagens boas contrastando com passagens ruins.

Curiosamente o melhor do filme é Morena Baccarin, que não tem tanto tempo de tela, e que no filme também é brasileira. No final das contas, mesmo atuando tão bem com o Cigano Igor, a dupla Bautista e Momoa até combinou. Dupla Perigosa é um filme de Sessão da Tarde legalzinho, mas é divertido. Nota: 6,0.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #052 - Saiba qual foi o absurdo recorde do Oscar que Pecadores QUASE igualou!


Com o anúncio dos indicados ao Oscar 2026 feito em 22 de Janeiro, tivemos que o filme Pecadores conseguiu o incrível e histórico número de 16 indicações, batendo o recorde anterior de 14 (compartilhado entre A Malvada (1950), Titanic (1997) e o legalzinho La La Land - Cantando Estações (2016)).
 
Porém este número quase inacreditável não foi suficiente para Pecadores bater, ou no caso igualar, uma certa marca: conseguir ser indicado a TODAS as categorias "possíveis" de uma edição do Oscar! E saibam que essa impressionante façanha já foi realizada duas vezes!


O primeiro filme a ser indicado em todas as categorias foi Cimarron, um faroeste de 1931. Ele atingiu a marca nos Oscars de 1931, quando recebeu indicações em 7 categorias. Como se pode reparar, e com todo o respeito a Cimarron, a marca não é tão impressionante assim dado que o número de categorias não era tão grande; afinal, o Academy Awards ainda estava em suas primeiras edições, tendo se iniciado em 1929.

Das 7 categorias, Cimarron venceu 3: Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. E agora posso explicar melhor as aspas do todas as categorias "possíveis". Esta marca só leva em conta todas as indicações que Cimarron poderia ser indicado. Veja, os Oscars de 1931 não tinham apenas 7 categorias, tinham 9; é que para as outras duas Cimarron não podia concorrer. Por exemplo, uma delas foi o Oscar de Melhor Som, que naquela época os concorrentes não eram filmes, e sim, os estúdios; no caso, o vencedor foi a Paramount.


Demoraria mais de 3 décadas para que a marca de Cimarron fosse igualada: o segundo e último filme a conseguir ter indicações para TODAS as categorias do Oscar foi Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 1966. O filme concorreu em 13 categorias nos Oscars de 1967 e venceu 5. Ele acabou não levando o prêmio de Melhor Filme, já que para seu "azar" naquele ano havia um forte concorrente, o filme britânico O Homem que Não Vendeu sua Alma (1966). Foi ele quem levou o maior prêmio da noite, além de ter recebido 8 indicações e vencido 6.

Aliás, vejam que curioso: na época, categorias como Melhor Figurino e Melhor Fotografia eram divididas entre "Preto-e-Branco" e "Colorido", e no caso, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? venceu ambas na categoria "Preto-e-Branco" e O Homem que Não Vendeu sua Alma venceu ambas no "Colorido".

Quem Tem Medo de Virginia Woolf? foi a adaptação de uma peça teatral de mesmo nome, criada por Edward Albee em 1962. E trazer esta história para o cinema foi algo bastante chocante. O filme pegou estrelas de Hollywood e as mostrou em cenas de alcoolismo, infidelidade, violência psicológica. Aliás, o filme em geral "exagera" no abordagem psicológica e no tom sombrio até para os padrões atuais.

Todos os 4 atores do filme receberam indicação ao Oscar; mas só um venceu, que aliás foi quem melhor atuou: Elizabeth Taylor, que está excelente, e até não muito reconhecível. Este seu Oscar de Melhor Atriz foi o segundo de sua carreira.


Para um filme "atual" ser indicado em todas as categorias possíveis, ele precisaria ser indicado em 17; e isso se ele não fosse estrangeiro, nem animação... porque cada uma destas características acrescentariam mais categorias possíveis a ele. Ou seja, com suas 16, faltou apenas UMA indicação para que Pecadores tivesse alcançado mais este feito: ele não foi indicado para Melhor Atriz Coadjuvante.


PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Conheça os jogos de cartas da Button Shy que cabem literalmente dentro da carteira (até porque a carteira vem junto com o jogo!)


A empresa Button Shy é uma pequena publicadora de jogos de tabuleiro estadunidense criada pelo designer Jason Tagmire, cuja especialidade é fazer jogos do tamanho pocket (de bolso). E eles levam essa história de "bolso" ao pé da letra, já que a grande maioria de seus produtos compõe a linha Button Shy's Wallet Games (ou seja, "jogos de carteira" da Button Shy), que cabem dentro de uma pequena carteira (inclusa no produto) para se levar no bolso do jogador.

A linha Button Shy's Wallet Games já conta com quase 150 jogos (e você pode ver a lista deles aqui), e eles possuem algumas características em comum: são compostos apenas de cartas de tamanho "padrão" (63,5x88mm) de alta qualidade, em geral entre 9 a 18 cartas, sendo a grande maioria 18; a embalagem do jogo é uma pequena carteira(!) de vinil (PVC), conforme se pode ver na imagens deste artigo, tornando o produto ultra-portátil.

Como curiosidade, a escolha por jogos de 18 cartas não é aleatório; em uma gráfica profissional, na folha usada para impressão, cabem 9 cartas distintas. Produzir cartas em múltiplos de 9 torna a fabricação mais barata e evita desperdícios.

Trazendo um gato para deixar o artigo "fofo" e ficar mais claro o tamanho dos jogos

Aqui no Brasil, o primeiro jogo da linha Button Shy's Wallet Games foi Sprawlopolis, um dos grandes sucessos desta publicadora, em Agosto de 2020 pela editora Funbox. De lá pra cá, a "casa" brasileira dos jogos da Button Shy mudou, e agora quem publica os jogos da linha Wallet no Brasil é Across the Board. Somando Funbox e Across the Board, tivemos até hoje no total quatro jogos da Button Shy's Wallet Games publicados por aqui: Sprawlopolis, Caveiras de Sedlec ("Skulls of Sedlec" no original), Campos de Arroz ("Seasons of Rice" no original) e Ilha dos Predadores ("Food Chain Island" no original).

E agora, vamos conhecer OITO dos jogos "de carteira" da Button Shy!



Sprawlopolis (2018)


Vamos começar por aquele que, como já dito, foi o pioneiro no Brasil, e provavelmente é o card game mundialmente mais famoso desta coleção; trata-se de Sprawlopolis, que também é o jogo melhor avaliado dentre todos da Button Shy no BoardGameGeek (BGG).
 
Sprawlopolis é um jogo cooperativo para 1 a 4 jogadores, onde o objetivo é construir uma cidade fazendo o maior número de pontos. Cada uma das 18 cartas possui de um lado alguns quarteirões da cidade, e de outro, uma missão distinta, que te dará alguma regra que precisará ser alcançada para ganhar (ou perder) pontos. Para jogar, você escolhe aleatoriamente 3 cartas de missão, e terá que combinar as 15 cartas restantes de modo a formar uma cidade tentando cumprir as missões, de modo a fazer o maior número de pontos possíveis.

Com o passar dos anos, novos jogos e independentes da família "opolis" foram lançados, como por exemplo Agropolis (2021), Naturopolis (2023) e Casinopolis (2025). A versão de Sprawlopolis atualmente vendida no Brasil pela Across the Board já vêm com 6 mini expansões inclusas, e com isso, ao invés das tais 18 cartas, o jogo traz 41 cartas no total. Quase não cabe na carteira que acompanha o jogo rs.


Ancient Realm (2023)


Vamos ao primeiro jogo exclusivamente para um jogador (ou seja, "solo"), desta lista. Trata-se de Ancient Realm, onde seu objetivo é fazer o maior número de pontos para desta maneira, construir a melhor civilização ao longo da História. Das 18 cartas do jogo, 4 são de recurso, 7 são de "distrito" e 7 são cartas de "maravilhas".

O game é jogado com 3 linhas de cartas, na primeira ficam os edifícios que você de fato já construiu, a segunda linha mostra o mercado, e na terceira ficam os recursos. Ao começar o jogo, na segunda linha você coloca o monte de 7 distritos à sua esquerda, o monte de 7 maravilhas à sua direita, revela 2 cartas de cada monte e começa a partida. Para "construir" uma carta, é necessário pagar os recursos pedidos; e como faz para repor recursos? Veja que cada carta possui 3 (carta de distrito) ou 2 seções (carta de maravilha): e ao construir uma nova carta você "pode encobrir" parte de uma carta já construída e assim disparar ações, ganhando bônus e recursos. É como se sua civilização fosse evoluindo ao longo do tempo sob os escombros das construções antigas.

Ancient Realm é bastante elogiado por permitir uma grande quantidade de possibilidades/decisões para o jogador a cada turno. Por isso, para o jogador casual, o game base já é mais que o suficiente. Porém jogadores que jogam "muito" o Ancient Realm dizem que o jogo vai ficando mais fácil com o tempo pois você já sabe quais serão as cartas que virão no futuro. É aí que entra uma das mini expansões, a Monuments & Misfortunes, que traz 6 novas cartas de distrito. Pelas regras desta expansão, você aleatoriamente tira 3 cartas de distrito do jogo base e coloca aleatoriamente 3 cartas novas. Desta maneira o fator previsibilidade acaba e a rejogabilidade aumenta muito!


Death Valley (2021)


Death Valley é um jogo para 1 ou 2 jogadores onde cada jogador representa um viajante que está atravessando esta região desértica da Califórnia. Cada uma das 18 cartas possui um "poder" que diz como faz para pontuar no final da partida, que em geral se refere a conseguir colocar cartas de um determinado tipo em uma posição específica.

Cada carta possui um tipo de "perigo" associado (montanha, animal, sol ou água), e se em algum momento um jogador tiver em jogo 3 cartas do mesmo tipo, sua jornada "estoura", e então acontece um evento com certas regras que, na prática, fazem que a maioria de suas cartas da mesa voltarem para a pilha de pesca.

Em seu turno, o jogador pode "continuar sua jornada", pegando uma nova carta do monte e a adicionando na linha superior do seu grid, ou pode "descansar"; o ato de descansar significa abaixar uma das cartas da linha de cima para a linha de baixo e após isso esconder (colocar embaixo) quantas outras cartas da linha de cima abaixo da carta que você acabou de descer, tirando-as do jogo (esconder é opcional). Note que esconder cartas é uma das maneiras que você tem para evitar o "estouro" de 3 cartas do mesmo tipo.


The Last Lighthouse (2024)


The Last Lighthouse é um jogo solo de 18 cartas do designer Scott Almes, o mesmo criador de todos os jogos da famosa franquia Tiny Epic. No jogo temos que defender um farol do ataque de "pesadelos". Quando a parte azul está para cima, o pesadelo (e seu poder) está ativo, e quando a parte dourada está para cima, a carta vira uma "armadilha", usada para matar os pesadelos.

A cada turno você ataca os pesadelos, e depois, eles te atacam. Novas cartas são pescadas do monte ou por sua opção, ou devido ao efeito de alguma das cartas. Cada vez que um pesadelo consegue atacar o farol, a maré sobe um nível. Caso a água da maré encubra o farol, você perde o jogo; mas se o monte de cartas acaba e o farol não foi encoberto, parabéns(!), você sobreviveu e venceu a partida!

O jeito que você configura as cartas no começo da partida faz variar sua dificuldade em até 4 níveis. No nível "normal" você começa com 2 cartas de pesadelo e 2 cartas de armadilha já abertas na mesa.

Dentre os vários jogos exclusivamente para um 1 jogador da linha Wallet Games - inclusive Scott Almes fez vários deles - The Last Lighthouse é um dos mais elogiados. Certamente sua temática me interessa bastante.


Shallow Regrets (2025)


Shallow Regrets é um card game de 18 cartas que se trata de uma versão super simplificada de um jogo maior de tabuleiro, o Deep Regrets. Ambos foram criados e ilustrados pelo escocês Judson Cowan, que além de trabalhar com boardgames, também é publicitário, e compositor de músicas para videogames e comerciais... ou seja, um Leonardo da Vinci de nossos tempos rs.

No jogo, que roda de 2 a 3 jogadores, você é um pescador... porém ao pescar não necessariamente vai obter peixes... estamos em uma "pescaria de terror" e você pode pescar as mais estranhas criaturas. Em cada turno o jogador pesca 2 cartas e escolhe 1 delas para coletar. Cada carta-criatura possui um poder especial, quantidade de pontos (que pode ser negativo), e também um número de anzóis. Para pegar peixes maiores, você precisa ter posse de mais anzóis; e às vezes, quem te dá mais anzóis são os peixes que te dão pontos negativos... ou seja, você sempre tem que equilibrar pontuação com sua capacidade de pescar, e também ficar de olho se os poderes dos adversários não irão te prejudicar...

O jogo é bem divertido e embora tenha sido lançado recentemente, no 2º semestre do ano passado, já conta com 2 mini expansões. Uma delas, a Lingering Remorse, traz 6 novas criaturas marítimas e com isso permite jogar Shallow Regrets em 4 jogadores. Entretanto, arrisco a dizer que jogar Shallow Regrets com esta expansão e em 3 jogadores é sua melhor configuração.


Stew (2019)


Neste outro jogo de 18 cartas, agora para 2 a 4 jogadores, o objetivo é adivinhar quantos pontos de comida foram colocados na panela onde fazemos um "ensopado" (stew). Primeiro se separam as 5 cartas de animais, que ficam em aberto na mesa para todos verem. Cada animal come um tipo específico de alimento. Então em cada turno, cada jogador pega uma carta do monte, olha, e opta por colocar a carta, ainda fechada, em uma pilha central (que é a "panela do ensopado"), ou em cima de um animal, "alimentando-o", e deixando ele de fora da rodada.

A qualquer momento um jogador pode gritar "Stew", e quando isso acontecer, a rodada acaba e as cartas na "panela" são reveladas. Conforme as cartas são reveladas, os animais ainda ativos, se aplicável, são alimentados com seu específico tipo de comida. Conta-se então os pontos das cartas que sobraram no ensopado. Se a pontuação for igual ou maior que 12, o jogador que gritou "Stew" ganha 2 pontos; caso contrário ele não ganha nada e todos os demais ganham 1 ponto.

Vence a partida o primeiro jogador a atingir 5 pontos. O jogo é bem rápido, dinâmico, simples e divertido.


Tussie Mussie (2019)


Continuando com jogos de designers famosos, Tussie Mussie é um jogo criado por nada menos que Elizabeth Hargrave, a mente responsável pela criação do ótimo e bastante popular Wingspan. Seu jogo de 18 cartas, para 2 a 4 jogadores, possui uma mecânica simples porém bem interessante.

O tema do jogo é "dar flores para alguém". A partida é jogada em 3 rodadas. No começo de cada uma delas as cartas são embaralhadas e o monte é colocado fechado na mesa na frente dos jogadores. Na sua vez, cada jogador pega as duas cartas do topo do baralho e as oferecem, uma virada para cima e a outra para baixo, a um oponente. Esse oponente fica com uma, deixando a outra para o jogador que comprou as 2 cartas. Isso se repete até todos os jogadores tiverem 4 cartas, quando a rodada termina e os pontos são somados.

Cada carta de flor, claro, possui um poder próprio que dá mais ou menos pontos combinando com as outras cartas. E como curiosidade, além de cada carta trazer o nome e imagem de uma flor real, ela também traz uma breve descrição do significado que é presentar esta flor para uma pessoa. Por exemplo, uma rosa "vermelha" significa "eu te amo", e uma rosa "rosa" significa "amizade".

Tussie Mussie é outro jogo bem avaliado no BGG, e até pelo seu sucesso, já possui 5 mini expansões, sendo que 2 delas transforam o jogo em um game solo.


Caveiras de Sedlec (2020)


Encerro a lista com um jogo que também saiu no Brasil, mas que ao contrário de todos os outros mostrados até agora, infelizmente por aqui ele não saiu no formato "carteira", e sim em uma pequena caixa. Mas ok, há um bom motivo para isso: junto com as 18 cartas do jogo base, vieram todas as 10 expansões já feitas para o Caveiras de Sedlec, com isso o produto nacional totaliza 68 cartas, que só  iriam caber mesmo dentro de uma caixinha.

Dentre todos os jogos da Button Shy, ele é o segundo melhor rankeado no BGG. De 1 a 4 jogadores, inicialmente as cartas são embaralhadas e divididas em 6 pilhas, para serem compradas. Então os jogadores vão pescando estas cartas e montando à sua frente, cada um o seu próprio "ossuário" com as cartas coletadas, em disposição de uma pirâmide. Após as "pirâmides" estarem formadas, os jogadores verificam seus pontos e jogo acaba. Cada caveira dá uma quantidade de pontos dependendo de sua posição na pirâmide, ou de qual for sua adjacência, ou da quantidade de caveiras do mesmo tipo, etc.

Ah, e o nome Sedlec vem do Ossuário de Sedlec, uma igreja real da República Checa, cujo interior está decorado com mais de 50 mil esqueletos!



Se interessou? Jogue você também!

E se você por acaso acha que jogos de 18 cartas são jogos simples demais, que correm o risco de ter pouca rejogabilidade, sem problemas! Saiba que muitos dos jogos da Button Shy possuem expansões. Cada jogo costuma ter mais de uma expansão, e cada uma delas costuma trazer de 3 a 6 novas cartas. TODOS os jogos que apresentei acima neste meu artigo possuem mais de uma expansão. ;)

Gostaria muito que os jogos da Button Shy continuassem a chegar no Brasil. Todos os oito que apresentei não apenas despertam bastante meu interesse de compra, como são melhores que vários jogos pequenos lançados por aqui. E caso você não queira esperar, ainda há uma opção de obter estes jogos de modo oficial, porém apenas em inglês.

Até recentemente era possível comprar via site PNP Arcade praticamente todos os jogos da Button Shy. O "PnP" vêm de Print-and-Play, ou seja, imprima na sua casa e jogue. Cada jogo custava US$ 3,00 e cada expansão US$ 1,00. Após comprar (via cartão de crédito), o site imediatamente te disponibilizava a cópia do jogo em pdf para você imprimir e jogar. Porém, desde o dia 30 de Janeiro deste ano, o site deixou de hospedar (e vender) qualquer jogo PnP de qualquer empresa...

Com isso a Button Shy passou a vender seus jogos PnP via plataforma Itch.io. Os preços e modo de pagamento continuam o mesmo, porém, no momento em que escrevo estas linhas a quantidade de jogos disponíveis lá para compra é pequena. A promessa é que, aos poucos, todas as centenas de títulos que estavam disponíveis na PNP Arcade fiquem disponíveis para venda na Itch.io também. Para mim um PnP não substitui a versão física feita por uma editora profissional... de qualquer forma, já serve para ir conhecendo os jogos e ir se divertindo.



E aí, o que achou da linha editorial dos jogos da Button Shy? Achou uma boa idéia? Pretende comprá-los? Escreva nos comentários!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dupla Crítica Filmes do Oscar - Sonhos de Trem (2025) e Pecadores (2025)


Aproveitando que o assunto Oscar está em alta, já que a lista de indicados para o Oscar 2026 foi divulgada semana passada, hoje trago a crítica de duas produções que figuram entre a lista dos indicados a Melhor Filme. Primeiro, Sonhos de Trem, é distribuído apenas pela Netflix e somou 4 indicações; e depois vamos de Pecadores, com suas inéditas DEZESSEIS indicações. Curiosamente, os dois filmes se passam mais ou menos na mesma época, ou seja, no começo do século XX. Veja a seguir o que eu achei de ambos!


Sonhos de Trem (2025)
Diretor: Clint Bentley
Atores principais: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry Condon, Will Patton, William H. Macy, John Diehl, Nathaniel Arcand, Ignatius Jack

Sonhos de Trem é um filme baseado em um livro de mesmo nome, cujos direitos de transmissão foram comprados pela Netflix. Ou seja, para vê-lo, terá mesmo que ser via o streaming do "N" vermelho.

Na história, acompanhamos praticamente toda a vida adulta de Robert Grainier (Joel Edgerton), um órfão meio "bruto", calado, que passa as primeiras décadas dos anos 1900 trabalhando na construção de ferrovias, principalmente como lenhador, e eventualmente ajudando a assentar os trilhos.
 
Sonhos de Trem é, mais do que qualquer outra coisa, um filme bastante contemplativo sobre luto e passagem do tempo. Assim como seu personagem principal, o roteiro pouco se preocupa com diálogos, em falar algo... o que temos, em geral, é uma lenta contemplação de belíssimas (e muitas vezes tristes) imagens.
 
Imagens estas que ganharam a indicação para o Oscar de Melhor Fotografia, que, não sei se vocês sabem, foram produzidas pelo brasileiro Adolpho Veloso. Ou seja, caso Sonhos de Trem leve esta estatueta, sim, ela será do Brasil! Olha, e seria merecida... a fotografia aqui é realmente maravilhosa!
 
Não há uma conclusão para Sonhos de Trem... assim como não há uma conclusão para o sentido da vida. Mesmo assim, acompanhar a melancólica passagem de Robert por este planeta é uma experiência comovente, com final satisfatório, e que vale a pena assistir para nos fazer parar, respirar, e refletir; nem que seja apenas por algumas horasNota: 6,0.



Pecadores
 (2025)
DiretorRyan Coogler
Atores principais: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O'Connell, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo
 
Eu assisti Pecadores no ano passado, mas devido a ele conseguir nada menos que 16 indicações ao Oscar - novo recorde absoluto - tive que voltar aqui para escrever minha crítica e deixar minha opinião. O filme é uma história que mistura drama histórico com terror, e se passa no ano de 1932 na região do rio Mississippi, em um racista sul dos EUA.

Vamos começar pelas coisas que Pecadores é realmente bom. Primeiro, sua ótima fotografia, e o fato de boa parte das cenas serem a noite só torna este trabalho ainda mais admirável. Em segundo lugar, o filme é um grande tributo ao Blues, fazendo este gênero musical parte da trama em todo momento, e de um jeito muito bonito. Pecadores mostra suas origens (este estilo musical de fato surgiu naquela região, incorporando tradições musicais africanas), exibindo empolgação e emoção genuínas dos personagens com o ritmo, conduz a história com canções e melodias belíssimas (a trilha sonora, recheada de blues, é excelente), e também, não esquece de mostrar que esta música servia para "amenizar" o trabalho do trabalhador negro nos campos de colheita durante o dia, e ser uma das poucas válvulas de escape para eles à noite.
 
E finalmente o melhor e mais impactante de Pecadores é sua mensagem final: que para alguém preto nos EUA dos anos 30, não importa trabalhar duro do jeito honesto ou do jeito desonesto; no filme os personagens tentaram dos dois jeitos, mas em ambos os casos é impossível ser bem sucedido... sim, você até pode ter alguma melhora de vida... como empregado; mas nunca será um "patrão" (mensagem que, dadas as devidas proporções, ainda é um bocado aplicável nos dias de hoje).
 
Pecadores é, de fato, um filme... diferente. Afinal, ele passa a maioria de sua história sem nos mostrar nada de sobrenatural, e então, em seu ato final, aparecem vampiros de tudo quanto é lado. Porém, isso já foi feito antes, em Um Drink no Inferno (1996), de Robert Rodriguez. Foi feito antes e foi feito melhor, já que os vampiros de Robert Rodriguez são mais assustadores do que estes aqui criados por Ryan Coogler. Em Um Drink no Inferno tínhamos uma história policial interessante, mas seu desfecho com vampiros era o melhor do filme: apoteótico, marcante. Isso não acontece em Pecadores: quando os dentuços chegam, o filme piora.
 
Há mais problemas em Pecadores: o desenvolvimento dos personagens é questionável. Sim, nós simpatizamos com eles porque são bastante oprimidos; porém o que conhecemos de verdade sobre cada um deles? Com exceção do "Preacher Boy" (Miles Caton), o pouco que aprendemos sobre os personagens são através de insinuações sobre o passado dos mesmos através de diálogos, e temos uma amarga  sensação de que "pegamos o bonde já andando". Esta falta de aprofundamento não permite que os atores tenham momentos de grande necessidade de atuação em tela (com uma única possível exceção para o novato Miles Caton, em seu primeiro filme da carreira). Desde modo, mesmo que em geral o elenco todo esteja bem, para mim as indicações de Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Melhor Elenco dadas pelo Oscar são exageradas.
 
Como resultado final, Pecadores acaba sendo um drama histórico muito bom, mas como filme de terror - que aliás é a forma na qual ele mais se vende - é mediano. Imagino que Coogler quis trazer o terror para a história para que seu filme ficasse "único"; porém, o gênero não combinou direito: o verdadeiro confronto do bem contra o mal do filme não é espiritual, é bem terreno. Toda vez que em Pecadores que a história puxa para o sobrenatural, algo parece deslocado, e pior ela fica.
 
Somando prós e contras o filme é sem nenhuma dúvida acima da média. Aquelas "três coisas em que o filme é bom" que citei no começo deste artigo fazem muita diferença. Por outro lado, a produção não é tudo o que falam, a meu ver. O fato dos dois filmes com mais indicações ao Oscar 2026 serem Pecadores (com 16) e Uma Batalha Após a Outra (com 13) aparenta ser reflexo de uma temporada com produções concorrentes mais fracas e a Academia querendo passar um recado político ao péssimo governo estadunidense atual. Nota: 7,0.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Qual é o melhor filme Brasileiro de todos os tempos? Conheça aqui os principais candidatos e tire sua própria conclusão!

Para comemorar a semana em que o site Cinema Vírgula completa seu 14º ano de vida, trago um artigo bem especial. Qual é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Esta pergunta não tem uma resposta única, porém trago aqui as SETE respostas mais prováveis, baseado em dois critérios: os prêmios que nosso Cinema obteve nos festivais internacionais mais relevantes, e na opinião dos críticos profissionais brasileiros da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Em Setembro de 2016 eles fizeram uma votação, elegendo "Os 100 Melhores Filmes Brasileiros", resultado que usei aqui.

Sem mais delongas, vamos à relação destas sete excepcionais produções nacionais, em ordem crescente de data de lançamento:


1) Limite (1931)

O primeiro filme da lista é certamente o mais desconhecido pelo público, mas o motivo disto não é devido a ele ser o mais antigo; e sim porque ele estava "esquecido" por décadas, sendo resgatado pelo World Cinema Project (WCP), uma organização criada em 2007 (ainda sob o nome de World Cinema Foundation) por nada menos que o cineasta estadunidense Martin Scorsese. Bastante deteriorado, com a ajuda de Walter Salles e da Cinemateca Brasileira a nova restauração de Limite em parceria com a WCP começou ainda mesmo em 2007, e foi finalizada em Setembro de 2010.

Dirigido e escrito por Mário Peixoto, um carioca nascido em Bruxelas (seus pais eram brasileiros, e após vir para o Brasil aos 2 anos de idade, passou o resto de sua vida por aqui), Limite foi um filme revolucionário, experimental.

Nos anos 20 e 30, tínhamos distintos movimentos na Europa para distanciar o Cinema do simples entretenimento que era feito nos EUA. A idéia era transformar os filmes em uma Arte maior, e também contar através deles idéias novas, originais. Em paralelo no Brasil, tínhamos apenas uma pessoa fazendo o mesmo: o jovem Mário Peixoto de 21 anos. Limite, seu primeiro e único trabalho cinematográfico, une em um mesmo filme técnicas da Montagem Soviética (cortes curtos, comparativos e abruptos, filmando com ângulos inusitados) com técnicas francesas como o Impressionismo e o Surrealismo (associações livres de imagens, rostos em close, valorização da experiência sensorial), mas ao mesmo tempo, usando-as "do seu jeito". 

Além disso, Limite traz uma narrativa não linear, e também tem passagens onde vemos os personagens fazendo coisas "triviais", como por exemplo, ficar simplesmente caminhando por um certo período; ambas características só iriam aparecer com mais frequência em filmes décadas depois, mostrando que Limite estava bem a frente do seu tempo.

Limite é um filme mudo que prima pelas suas experiências e qualidades técnicas (a fotografia é excelente para a época). Porém o roteiro, que não era seu propósito, não é seu forte. A trama é simples: o filme começa nos mostrando 3 pessoas à deriva em um pequeno barco ao mar: uma mulher que fugiu da prisão, um homem cuja amante faleceu, e uma mulher já sem ânimo frente ao cotidiano da vida. Pouco é explicado, tudo é bem melancólico, pessimista, e não há muito o que entender logicamente... há mais o que sentir; e certamente mais da metade do filme são imagens de paisagens e objetos. O efeito que Limite causa no espectador também vem da boa trilha instrumental, bem planejada e executada.

Limite não é um filme nada fácil de se assistir. É bem lento, e se encontra entre na lista dos melhores filmes graças a sua importância histórica e maravilhas técnicas. Caso você queira vê-lo, ele se encontra disponível no Youtube. Este é o link onde eu o assisti.


2) O Pagador de Promessas (1962)

Por décadas O Pagador de Promessas foi reverenciado como um dos grandes clássicos do cinema nacional, mas hoje infelizmente ele não é tão lembrado pelo grande público. Dirigido e idealizado pelo paulista Anselmo Duarte, este filme é nada menos o primeiro e único até hoje a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, em 1962. Além disto, também foi o primeiro filme da América do Sul a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1963.

Estrelado por Leonardo Villar e uma jovem Glória Menezes (sim, aquela que você conhece das antigas novelas da Globo), o filme é baseado em uma peça teatral de mesmo nome escrita por Dias Gomes. Ele conta a história de um homem humilde que tenta pagar uma promessa que fez para curar seu burro que ficou doente; o levando a andar muitos quilômetros com uma cruz nos ombros. Porém quando ele tenta chegar em seu destino final, a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, é impedido de entrar pelo padre local. Para piorar, durante toda a história, várias pessoas se aproveitam do inocente protagonista. O filme é uma forte crítica ao comportamento da sociedade, e a muitos aspectos da religião, dentre elas o fanatismo, a intolerância e o abuso de poder.

Temos também várias contraposições entre as religiões / cultura de raiz africana com a católica apenas com imagens e som, e isto é bem diferente. O Pagador de Promessas também é famoso pelo seu desfecho marcante, porém vou mais além: ele é um final bem corajoso de se fazer nos dias atuais, imagine então quando foi feito há tantas décadas atrás!

Assistindo o filme hoje, diria que ele se mostra um pouco "ingênuo e desconexo", além de não representar as mulheres de modo muito favorável, algo mais comum na época; ainda assim o importante recado de O Pagador de Promessas continua lá... tanto é que a triste conclusão que se chega é: pouco se mudou na sociedade e nas religiões de 1962 pra cá...


3)  Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido e escrito pelo revolucionário cineasta baiano Glauber Rocha, até a redescoberta do filme Limite, quem ficou no topo da lista dos melhores filmes nacionais por muitos e muitos anos foi Deus e o Diabo na Terra do Sol. Assim como clássicos do cinema mundial como o soviético O Encouraçado Potemkin (1925) e o italiano Roma, Cidade Aberta (1945), a obra é histórica por ser o símbolo de um novo Movimento Cinematográfico de seu tempo.

Na trama, que se passa no pobre e seco sertão nordestino no começo do Século XX, o sertanejo Manoel resolve pegar o dinheiro do seu trabalho para comprar um pedaço de terra; porém quando vai receber a quantia do Coronel, este recusa a dar o dinheiro, querendo explorá-lo. Manoel se enfurece, mata o Coronel e é obrigado a fugir, em uma saga onde ele primeiro se associa ao religioso messiânico Sebastião, e depois ao cangaceiro Corisco, que pertencia ao grupo de Lampião.

Como dito anteriormente, Deus e o Diabo na Terra do Sol é bastante reverenciado. E não apenas pelas críticas sociais, que começavam a chegar nas telonas nesta década, mas principalmente pelo estilo completamente diferente do padrão do Cinema Brasileiro. O filme é um dos principais símbolos do movimento Cinema Novo, cujo slogan “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, batia de frente contra o cinema tradicional nacional de até então, que consistia principalmente de musicais e comédias imitando o formato de Hollywood.

A tal "câmera na mão" junto com muitos close-ups e cortes abruptos de cena criam um clima de tensão constante nunca visto até então; outra novidade é que apesar da presença do "Deus e o Diabo" no título do filme, nenhum personagem parece corresponder a nenhum dos "lados": o religioso Sebastião sabe que está enganando o povo e faz até sacrifícios humanos; já o violento cangaceiro Corisco se vê em uma nobre missão de luta contra a injustiça social. Até mesmo os protagonistas e sua esposa Rosa se alternam fazendo coisas corretas e erradas; ou seja, é um filme sem heróis.

Por outro lado, vendo com olhos de hoje, este mantra de "simplesmente vá e faça" deixou alguns problemas técnicos que me incomodaram: as atuações são bem caricatas e teatrais (no mau sentido), temos cenas improvisadas que não encaixam na trama, e vários diálogos são incompreensíveis, seja porque o ator falou muito baixo ou muito rápido, ou porque sua fala foi sobreposta pela trilha sonora ou pela narração cantada. Pelo que estudei, o negativo original do som de Deus e o Diabo na Terra do Sol não foi preservado em boas condições, e então, a versão que temos hoje é uma restauração que tentou recuperar ao máximo sem modificar a obra original. Em outras palavras, se o filme original tinha estes problemas de "diálogos incompreensíveis", não sei e talvez nunca saberei.


4) Central do Brasil (1998)

Agora vamos com o primeiro dos dois filmes desta lista do diretor carioca Walter Salles. O nome Central do Brasil é uma referência à grande estação de trens de mesmo nome, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, e aonde se começa a história. Dora (Fernanda Montenegro) é uma professora que trabalha lá como escritora de cartas para analfabetos; e neste local acaba conhecendo um pobre garoto de nove anos chamado Josué. Com o repentino falecimento da mãe, Josué fica sozinho, e então Dora acaba "adotando" o garoto, partindo com ele em uma viagem ao Nordeste, em busca do desconhecido pai do menino.

O filme aborda fortemente temas como desigualdade social e o abandono das populações do interior do Brasil; outro tema muito presente é a solidão, e pelo menos essa angústia é resolvida de certa forma para Dora e Josué, quando eles fazem o caminho inverso da migração padrão, saindo de uma cidade grande do Sudeste e indo para o Nordeste. Central do Brasil acaba sendo em parte um road movie pelo interior pobre brasileiro.

Central do Brasil foi muito bem sucedido em festivais: foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, ao mesmo tempo que Fernanda Montenegro venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. No Globo de Ouro, Central do Brasil levou o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. E já no Oscar... além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Montenegro foi a primeira latino-americana da história a concorrer pelo prêmio de Melhor Atriz... porém foi derrotada pela insípida Gwyneth Paltrow, algo que revolta os amantes do cinema até hoje.


5) Cidade de Deus (2002)

Se Central do Brasil resgatou a autoestima do brasileiro em termos de cinema nacional, Cidade de Deus, do paulista Fernando Meirelles, levou isso a outro patamar. Central do Brasil não foi mal nas bilheterias nacionais, mas Cidade de Deus foi muito bem, ultrapassando 3 milhões de espectadores, e virou um verdadeiro fenômeno cultural. E não só isso, estabeleceu o recorde para filme brasileiro com mais indicações ao Oscar: quatro.

Curiosamente, ele não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. E uma teoria é que isto aconteceu simplesmente porque o filme não foi suficientemente assistido pelos votantes daquela categoria, impedindo portanto sua indicação. Porém, para grande surpresa dos brasileiros, no Oscar seguinte de 2004, e contando também com apoio comercial da Miramax, Cidade de Deus recebeu as suas famosas quatro indicações: Melhor Direção (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Montagem (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (César Charlone).

Nem preciso dizer que este reconhecimento foi justíssimo. Cidade de Deus continua na minha lista geral dos melhores filmes do século XXI. Pena que não levou nenhum Oscar, já que infelizmente aquele ano foi o escolhido pela Academia para premiar a trilogia O Senhor dos Anéis (o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei venceu todas as 11 categorias que disputou). Ainda assim, Cidade de Deus deveria ter levado pelo menos um dos prêmios... o de Melhor Montagem: o trabalho de Daniel Rezende foi simplesmente primoroso.

Ah sim: a história acompanha a vida de vários personagens que moram na Cidade de Deus, uma perigosa favela do Rio de Janeiro, e acompanhamos a história dos protagonistas desde criança, no fim dos anos 60, até já adultos, nos anos 80. Ao longo do filme, aparecem várias histórias paralelas que se entrelaçam no decorrer da trama. E não são só as histórias que se misturam: também há muita violência misturada com humor, mais ou menos ao estilo dos filmes do Quentin Tarantino.


6) Ainda Estou Aqui (2024)

Walter Salles está de volta na lista. E voltou realizando no dia 02 de Março de 2025 um grande sonho do nosso Cinema: a conquista do primeiro Oscar do Brasil

Ainda Estou Aqui é um filme baseado no livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva. Ele conta, sob os olhos de Eunice Paiva, os eventos reais do desaparecimento de seu marido, o político Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Caso você queira uma análise mais detalhada sobre o filme, é só clicar aqui para ler minha crítica completa.

O Brasil levou uma estatueta, mas no total foram 3 indicações ao Oscar: a de Melhor Filme Internacional (a que venceu), o de Melhor Filme, e o de Melhor Atriz (para Fernanda Torres, repetindo o feito de sua mãe Fernanda Montenegro). Mas se Fernanda "filha" não conseguiu uma "reparação" pela injustiça feita com a Fernanda "mãe" décadas atrás, ela teve melhor sorte no Globo de Ouro, onde venceu o prêmio de Melhor Atriz em Filme Dramáticosendo a primeira mulher sul-americana e também primeira falante de português a receber este prêmioAinda Estou Aqui ainda foi indicado, mas não levou, a Melhor Filme em Língua Estrangeira. Já no Festival Internacional de Cinema de Veneza venceu o prêmio de Melhor Roteiro.

As vitórias nas premiações certamente contribuíram para que Ainda Estou Aqui tenha se tornado um grande sucesso de bilheteria nacional e mundial. No Brasil, foram quase 6 milhões de espectadores; e a arrecadação total ultrapassou R$ 200 milhões (ou cerca de US$ 40 milhões), sendo aproximadamente metade por aqui, e metade no exterior.


7) 
O Agente Secreto (2025)

E encerrando a lista, temos o recente O Agente Secreto, do diretor e roteirista pernambucano Kleber Mendonça Filho. Tão recente que a temporada de premiações para ele ainda nem terminou, faltando ainda saber qual será seu futuro destino nOs Oscars de 2026... já sabemos que lá ele igualou o recorde de Cidade de Deus recebendo quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator (por Wagner Moura).

A história, desta vez fictícia, se passa em 1977, durante a ditadura militar. Acompanhamos o professor universitário Marcelo (Wagner Moura), que retorna à sua cidade natal, Recife, aparentemente fugindo de algo. O filme discute temas como vigilância estatal, manipulação e apagamento da memória e da verdade. Também para O Agente Secreto, caso queira ler a crítica completa, clique neste link.

Além dos Oscars, o filme brilhou em várias premiações internacionais, das quais destaco o Festival de Cannes e o Globo de Ouro. Em Cannes, O Agente Secreto chegou a concorrer pela Palma de Ouro, mas não levou. Porém venceu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Wagner Moura), sendo este último, algo inédito para o Brasil.

Já no Globo de Ouro, outro recorde de número de indicações para um filme nacional: três; além de ser o primeiro filme brasileiro a ser indicado na categoria Melhor Filme de Drama. Este prêmio o filme não levou, porém nas outras duas indicações: Melhor Filme em Língua Estrangeira, e Melhor Ator em Drama (Wagner Moura), O Agente Secreto venceu! Com o feito, Moura se tornou o primeiro brasileiro (mas não o primeiro sul-americano) a ganhar o prêmio.

Até o momento que escrevo estas linhas, O Agente Secreto chegou a marca de US$ 10 milhões de arrecadação nos cinemas (cerca de R$ 52,2 milhões), sendo mais ou menos metade disso no Brasil, e metade no exterior. Porém agora com as indicações ao Oscar, tudo indica que o filme volte aos cinemas e os números subam consideravelmente.




PS1: Acha que algum filme merecia ter entrado na lista e não entrou? E qual, na sua opinião, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Escreva nos comentários!

PS2: Na imagem do título deste artigo temos à esquerda uma cena do filme Limite, e à direita um filme que não é um dos sete que trouxe aqui... trata-se do curta-metragem Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado. Ele aparece em 13º lugar na lista dos "100 Melhores Filmes Brasileiros" da ABRACCINE, mas é o primeiro curta dela (tem apenas 13 min de duração), ou seja, acaba sendo o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos na opinião dos críticos. E é muito bom mesmo! Um soco no estômago! Quem puder assistir, recomendo muito. Um link para assisti-lo é esse aqui.

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