Philogelos (ou "O Amante do Riso")
No caso das piadas, a resposta é "sim". Escrito na Grécia (e em grego) no final do Séc IV por dois autores em que hoje pouco sabemos, Hierocles e Philagrius, a obra é composta de uma compilação de cerca de 265 anedotas, algumas delas repetidas, organizadas pelos mais diversos tipos de temas e personagens daquela época.
As piadas de Philogelos abordavam situações cotidianas e traziam sujeitos comuns daquele tempo, como médicos, vendedores e escravos. As anedotas muitas vezes tinham como elemento principal alguém identificado como "um idiota" ou "um tolo", mas também satirizavam pessoas preguiçosas, bêbadas, ou tinham seus regionalismos, como por exemplo ao tirar sarro de pessoas das cidades de Abdera, Cumas e Sidônia (que no caso eram representadas como pessoas "burras").
Algumas das piadas, sob o olhar atual, continuam sendo engraçadas, mas outras não, algumas nos são até incompreensíveis; talvez o maior estranhamento é que boa parte das chacotas possuem como tema a morte ou doenças, em geral temos um humor bem "ácido", pesado... que provavelmente mais cause choque do que faça rir. Vejam por exemplo a anedota número 77: "Tendo acabado de enterrar o seu filho, um idiota encontrou o professor do rapaz: 'Peço perdão por o meu filho não ter ido à escola', desculpou-se ele, 'é que ele morreu'".
Para quem queira ler todas as piadas do primeiro livro de piadas do mundo, é fácil! Você pode comprá-lo pela internet em várias livrarias, OU, se preferir, pode ler ele de graça, porém em Português de Portugal, neste link aqui.
O quadrinho acima reproduz a piada 22 de Philogelos. E para encerrar a apresentação deste livro, segue mais duas de suas anedotas:
"Um idiota jovem e sem recursos vendeu os seus livros quando estava a necessitar de dinheiro. Então escreveu ao pai: 'Felicita-me, pai, que já estou a realizar dinheiro com os livros!'"
"Perguntou-se a um idiota quantas medidas podia uma ânfora comportar? 'Referes-te a vinho ou a água?'"
A Aenigmata de Sinfósio
Enfim deixamos a Grécia Antiga! E fomos para... ninguém sabe rs. A primeira obra de "enigmas" que ficou para a posteridade se chama Aenigmata (ou Enigmata), e foi escrita por Sinfósio (Symphosius) entre os séculos IV e V d.C.. Trata-se de cerca de 100 charadas escritas em latim, cada uma delas na forma de três versos. O texto foi bastante copiado e replicado na idade média e serviu de inspiração para futuras obras de "charadas". Um dos problemas de ter muitas cópias é que nos versos (e até nas respostas), temos muitas variações.
Porém o maior de todos os problemas é que hoje não conhecemos praticamente nada sobre seu autor, Sinfósio, nem mesmo sua origem. Os historiadores acham mais provável que ele viveu no norte da África, em uma região que hoje seria a Tunísia e Argélia. A única certeza mesmo é que ele foi um romano que falava em latim.
Abaixo segue 3 dos 100 enigmas da Aenigmata para vocês tentarem adivinhar. As respostas estarão no "Obs. 2" mais abaixo.
1) Ofereço grandes virtudes a partir de pequenos poderes;
Abro casas fechadas, mas também fecho as abertas;
Sirvo à casa do mestre, mas também sou servido por ele.
2) Eu já fui uma onda, e acredito que em breve voltarei a ser.
Agora, presa pelas duras correntes do céu rígido,
não suporto ser pisoteada nem mantida nua.
3) Sou previdente na vida, não preguiçoso no trabalho árduo,
Ela carrega as recompensas do inverno em seus ombros seguros;
E eu não carrego grandes coisas de uma só vez, mas as recolho todas por sua vez.
Obs.: se a Aenigmata é a coletânea mais antiga de enigmas que se tem notícia, o primeiro livro "mesmo" (ou seja, a primeira publicação de charadas em formato de livro) foi no hoje chamado Livro de Exeter, que é o livro da imagem acima (enganei vocês, aquele livro gigante não é a Aenigmata). Trata-se de um livro do Século X, escrito em inglês arcaico, dividido em 4 grande seções distintas de poemas; porém uma destas seções é composta apenas de poemas de charadas.
São 94 poemas, e ao contrário da Aenigmata, eles não foram publicados com respostas. Os historiadores acreditam saber a resposta para quase todos eles... mas não todos. Os enigmas quase sempre terminam com um "Diga-me como me chamo", o que sugere que o livro deveria ser lido em voz alta, e usado como uma espécie de jogo / diversão.
Obs 2: a respostas dos enigmas: 1) Chave; 2) Gelo; 3) Formiga






















