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| Pedaço de um mapa do Sistema Solar de 1846, por Hall Colby, já incluindo Vulcano |
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| 40 Eridani A, B e C via telescópio amador |
Bem vindo ao Cinema Vírgula! Com foco principal em notícias e críticas de Cinema e Filmes, este blog também traz informações de Séries de TV, Quadrinhos, Livros, Jogos de Tabuleiro e Videogames. Em resumo, o melhor da Cultura Pop.
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| O trio favorito. Mas acho que ficou difícil para nosso Wagner... |
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| Vão me falar que Sonhos de Trem não merece esse Oscar??? |
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um filme baseado no livro ficcional de 2020 de nome Hamnet, escrito pela Norte-Irlandesa Maggie O'Farrell, que aqui também é co-roteirista junto com a diretora Chloé Zhao (vencedora do Oscar com Nomadland). Ele trata da vida de William Shakespeare e sua esposa Agnes Hathaway, e de como eles lidam com a perda precoce de seu filho Hamnet.
Para quem acaba de ficar bravo comigo pelo spoiler acima, em minha defesa a morte do pequeno Hamnet é mostrada no trailer e também é citada na sinopse oficial do filme; e com este detalhe da trama já dá para perceber que o subtítulo "A Vida Antes de Hamlet" que colocaram aqui no Brasil, e que não existe no original, é um bocado idiota.
A história começa nos apresentando William (Paul Mescal) e Agnes (Jessie Buckley). Aprendemos que Shakespeare voltou da "cidade grande" para trabalhar em uma pequena vila rural para ajudar seu pai a pagar suas dívidas; já Agnes é apresentada como uma espécie de curandeira local, sempre em forte contato com a natureza, e que costuma ter visões proféticas. A dupla se conhece, rapidamente se apaixona e tem sua primeira filha.
E é com este clima bucólico e cotidiano que seguimos até a metade do filme, com alguns problemas. Hamnet constantemente mostra o casal como muito apaixonado um pelo outro, com eles declamando seu amor, até vemos eles em algumas cenas de sexo... porém não "sentimos" esse amor, não há qualquer demonstração verdadeira de afeto ou cumplicidade... tudo fica apenas em nossa imaginação. Eu não vi uma única cena no filme que me faça entender porque Agnes se apaixonou por Shakespeare, fora que a atuação de Paul Mescal é bem ruim. Para não ofender, vou dizer que ele passa o filme todo com uma única expressão, de "estou com dor de dente".
Aliás, o mesmo pode ser dito sobre a emoção de "ódio"... os personagens gritam com os outros do nada, você até entende porque estão gritando, mas não sente ser real. A primeira metade de Hamnet, em geral, é lenta e repleta de emoções ocas. Talvez um dos motivos disto acontecer seja a opção por não ter nenhuma trilha sonora, algo que costuma ajudar a trazer sentimentos para o espectador; de qualquer forma, a coisa mais próxima de "emoção" que o filme traz são algumas cenas que induzem tensão a platéia por nos fazerem a acreditar que algo muito ruim vá acontecer em breve. Porém isso não acontece, é sempre alarme falso.
Então exatamente na metade de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet uma tragédia de fato (e enfim) acontece, e os rumos do filme mudam, felizmente para melhor. E ainda assim, a maneira que a tal tragédia é contada não me agradou, pois de certa forma, acaba fazendo alusão a elementos sobrenaturais, que me parecem desnecessários para a mensagem da trama.
Em sua segunda metade o filme fica um pouco mais dinâmico, com as histórias de William e Agnes se alternando menos lentamente, e com alguma emoção genuína colocada, enfim, com o apoio de trilha sonora. O melhor vem com o ato final, onde Shakespeare apresenta para o público pela primeira vez sua nova peça, Hamlet.
É durante a apresentação da peça em que Hamnet: A Vida Antes de Hamlet enfim faz sentido, amarrando tudo o que ele contou nas intermináveis 1h e 30min anteriores. Pela primeira vez vemos de forma convincente que Shakespeare tem algum sentimento, e de modo improvável até mesmo as visões que o pequeno Hamnet herdou de sua mãe se concretizaram. Tudo converge para emocionar o espectador e, pela reação das pessoas nas mídias sociais, parece ter funcionado perfeitamente.
Mas ainda assim, mesmo em seu ápice, Hamnet deixa um bocado a desejar; seu desfecho é bem piegas, e um exemplo disso é que até dá para aceitar Agnes se emocionar e querer tocar / acolher o ator do personagem de Hamlet, mas o restante do público não. Aliás, o comportamento de Agnes é totalmente inverossímil. Uma coisa é você estar abalada pela morte do filho, outra é se comportar durante a peça toda como se fosse o doidinho da praça. Também chego a ficar indignado com a facilidade com que Agnes "perdoa" Shakespeare, um "pai" totalmente ausente.
As únicas coisas que se realmente se salvam Hamnet: A Vida Antes de Hamlet são as atuações de Jacobi Jupe, que interpreta Hamnet, e de Jessie Buckley, que está bem apesar dos exageros e provavelmente levará o Oscar de Melhor Atriz. A direção ruim de Chloé Zhao conseguiu fazer que a ótima Jessie não estivesse em seu melhor. Mas pelo menos serviu para a atriz provar mais uma vez que é versátil e carismática, e se ela levar o Oscar não acharei ruim. Só não seria tanto por Hamnet, e sim pelo conjunto da sua carreira. Nota: 5,0.
PS 1: conforme o filme explica em seu letreiro incial, "Hamnet" também era escrito como "Hamlet" na época de Shakespeare, e portanto, dá para se dizer que ambos são o mesmo nome. Sobre a tese principal do filme (e do livro), de que Hamlet tenha sido escrito por William devido a morte de Hamnet, não há nenhuma comprovação histórica sobre isso.
Eu particularmente acredito que o nome da peça ter sido o nome de seu filho, e o próprio protagonista da história ser "um filho", não são coincidências; não tenho dúvidas que Shakespeare estava sim homenageando sua criança. Mas, e quanto ao resto da história de Hamlet? O que temos, além da tal homenagem, para indicar que houve uma inspiração direta? É fato que a peça debate bastante sobre a morte e a dor da perda; por outro lado, ela é principalmente uma história sobre vingança, fala do luto de um filho pelo pai (e não o contrário), e foi escrita 4 anos depois que Hamnet morreu.
PS 2: no caso do nome da esposa de William Shakespeare acontecia a mesma coisa, tanto podia se escrever Agnes quanto Anne Hathaway, ainda que nas referencias escritas que temos à ela sejam muito mais comuns a grafia Anne. O "triste" é o motivo da escolha pelo nome Agnes... a mudança foi feita apenas no filme (não existe no livro) para que o público não "confundisse" a protagonista com a atriz de mesmo nome do nosso tempo.
Você certamente admira o filme Tubarão (1975) e seu diretor Steven Spielberg; e igualmente o faz para o filme Guerra nas Estrelas, vulgo Star Wars - Uma Nova Esperança (1977), e seu diretor George Lucas.
Porém você nem desconfia que estes dois blockbusters, que graças ao seu novo jeito de contar histórias e grande apelo popular revolucionaram a história do Cinema, tiveram como principais "culpadas" por todo este sucesso as montadoras (ou "editoras", se preferir) de filmes: Verna Fields e Marcia Lucas.
Marcia Lucas
As citações à Verna Fields ainda não acabaram: em 1967 ela contratou alguns universitários para ajudá-la a editar o documentário Journey to the Pacific, e dentre eles estavam os jovens George Lucas e Marcia Griffin (a futura Marcia Lucas), que se conheceram e anos depois se casaram. Em seu segundo filme, Loucuras de Verão (American Graffiti, 1973), George Lucas queria que sua esposa fosse a editora, porém o estúdio não deixou e o obrigou a contratar... Verna Fields(!). Porém Verna trabalhou pouco no filme, já que logo foi obrigada a retornar para o trabalho de edição de Essa Pequena é uma Parada (1972).
Sobrou então para Marcia Lucas transformar uma versão de 165 minutos na versão final de 110 min que conhecemos hoje. Além disso, antes as histórias eram contadas separadamente, de modo sequencial, e foi ela quem decidiu editá-las contando-as em paralelo. Loucuras de Verão acabou se tornando o primeiro sucesso comercial de George Lucas. Já Marcia, juntamente com Verna Fields, foram indicadas por este trabalho ao Oscar de Melhor Edição, mas desta vez não venceram o prêmio.
E se você acha que Marcia já ajudou bastante George na história acima, o melhor ainda está por vir... No início de 1977, George Lucas chamou vários amigos, a maioria diretores, para uma primeira exibição teste em Los Angeles de seu novo filme, Star Wars. O resultado foi bastante preocupante: com exceção de Spielberg, que gostou do que viu, o restante da sala achou que a obra era confusa, lenta e carente de emoção.
George não tinha contratado Marcia como editora do filme pois na época do começo da produção ela estava grávida; então ele trouxe o britânico John Jympson. Porém após o resultado perturbador da exibição inicial, Jympson foi demitido e um trio de editores - sendo Marcia Lucas a principal deles - veio às pressas para tentar salvar o filme, que estava programado para ser lançado em poucos meses.
Marcia alterou muitas coisas no corte de George Lucas e John Jympson, transformando Star Wars em algo muito mais humano e dinâmico. Principalmente, ela remontou totalmente a batalha final com os caças que destroem a Estrela da Morte, que no corte original, não tinha nenhum sentimento de urgência. Por exemplo, é só graças a ela que a base rebelde está na iminência de ser destruída, e que Han Solo aparece na última hora com sua nave para ajudar Luke.
Marcia também ajudou no roteiro, e ela convenceu seu marido a fazer diversas alterações. Por exemplo, foi dela a idéia de que Obi-Wan Kenobi se sacrificasse, pois originalmente ele fugiria junto com os heróis; ela quem sugeriu que o espírito de Kenobi aparecesse e falasse para Luke "usar a Força", ou ainda, foi só graças a Marcia que a cena em que Léia dá um beijo de boa sorte em Luke foi mantida. A conclusão? Como todos sabem, Star Wars se tornou um enorme sucesso de crítica e público, e virou uma das maiores franquias da cultura pop de todos os tempos.
O sucesso, aliás, não foi nada bom para o casal. Milionários de uma hora para outra, enquanto Marcia queria se aposentar e criar uma família, George Lucas resolveu construir seu gigantesco Rancho Skywalker para se tornar um grande produtor de cinema e, em paralelo, transformar seu Star Wars em uma gigantesca franquia com múltiplos filmes.
Quando Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi (1983) estava sendo feito, George e Marcia já estavam em processo de divórcio. Ainda assim, Marcia editou algumas partes deste filme, dentre elas algumas de suas cenas mais emocionantes, como as mortes de Yoda e Anakin. E este foi seu último trabalho nos cinemas, com Marcia se aposentando do mundo artístico em definitivo.
Com o passar dos anos, com literalmente dezenas de novas versões e novos documentários sobre os filmes de Star Wars, Marcia Lucas foi sendo gradualmente "apagada" da história por George. Porém, nos últimos anos, livros e documentários feitos por pessoas que não estão mais sob a folha de pagamento de George Lucas / Disney, além de entrevistas de Mark Hamill, têm resgatado a vital importância dela para a franquia.
Ah, e um detalhe final: pela edição em Star Wars, de 1977, Marcia Lucas venceu o Oscar de Melhor Edição. Já seu ex-marido George Lucas, apesar de toda fama, nunca venceu nenhum Oscar diretamente, seja de Melhor Filme, ou Melhor Direção, ou Melhor Roteiro. Sensacional! rsrs
Certamente uma das bandas mais diferentes da história da música é a britânica Gorillaz, nem tanto pelo seu som pop-rock-eletrônico-alternativo, mas principalmente por ser uma banda virtual, composta por quatro músicos que são "personagens animados": 2-D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs.
Isso possibilitou que os artistas reais por trás deles, que cantaram e tocaram "interpretando" os personagens, mudassem ao longo dos anos, com exceção de Damon Albarn, co-criador da banda e "intérprete" do personagem 2-D, sendo o principal compositor, produtor, pianista e vocalista.
Aliás, morte e vida estão presentes o tempo todo nesta mística obra: ao longo do curta, ele homenageia alguns dos vários integrantes da banda (ou pessoas relacionadas) que já faleceram, sejam com imagens, ou com inserção de pequenos trechos de suas vozes; a própria música The Moon Cave, cantada quando os personagens entram dentro da caverna, possui versos cantados por dois rappers já falecidos.
Bem, após todo este textão, apresento a vocês o curta The Mountain, The Moon Cave and The Sad God. Deixem nos comentários se gostaram ou não do que viram.
Estou de volta com as críticas dos filmes do Oscar 2026. Desta vez, venho com Valor Sentimental, filme de drama norueguês que recebeu 9 indicações, dentre elas a de Melhor Filme. E que, com a cerimônia do Oscar chegando, voltou aos cinemas brasileiros.
Embora acompanhemos na trama algumas pessoas da família Borg, o principal foco é na relação entre o pai Gustav Borg (Stellan Skarsgård) e sua filha mais velha, Nora Borg (Renate Reinsve). Com o recente falecimento da matriarca da família, Gustav - hoje um famoso diretor de cinema, e que no passado mudou de país abandonando as filhas ainda crianças - vai ao velório e desta forma enfim revê suas crias, quando aproveita para convidar Nora - hoje uma insegura porém bem sucedida atriz local de teatro - ser a protagonista de seu próximo filme, o que gera conflitos e a volta de fantasmas do passado.
Valor Sentimental é um filme sobre dor, sobre família, amor fraterno, sobre cinema, sobre ser diretor, ser atriz, sobre uma casa, sobre como se interpreta a arte, sobre comunicação, reconciliação... e o mais genial é que tudo isto é feito de um modo sutil, poético e metalinguístico: assistimos Gustav explicar e produzir seu filme, e ao mesmo tempo cenas da vida real que se comportam da mesma maneira, de modo entrelaçado, orgânico, complementar.
É por isso que destaquei no meu subtítulo que o filme é uma aula de cinema, roteiro e montagem; não à toa Valor Sentimental foi indicado no Oscar a todas estas categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. O filme também está indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional (o que será um problema para o nosso O Agente Secreto), e tem não somente Stellan Skarsgård indicado para ator, mas 3 das atrizes indicadas. Todos eles estão muito bem, mas para mim o grande destaque é mesmo Renate Reinsve, indicada para Melhor Atriz.
Renate está muito bem o filme inteiro, mas principalmente na primeira e na última sequência de cenas do filme, onde ela é destaque... sua atuação é bastante impressionante!
Valor Sentimental só não ganha uma nota maior minha pois eu achei que seus conflitos se encerram de um jeito muito fácil, até inverossímil... a personagem de Elle Fanning, por exemplo, é praticamente uma santa, não consigo conceber uma estrela do cinema atual (personagem que ela faz) ser assim no mundo real...
De qualquer forma, Valor Sentimental é um filmaço. Para quem gosta de cinema, ou arte em geral, é bastante impressionante. Ele é um exemplo prático de como o cinema pode ser usado de forma criativa para emocionar e contar uma história. Contar histórias, aliás, que nem sempre são possíveis com palavras. Nota: 8,0
Em Novembro de 2025 eu trouxe aqui uma lista com 15 lançamentos recentes para o SEGA Mega Drive. Então, dando sequência no tema, no primeiro artigo de 2026 sobre videogames do Cinema Vírgula, agora é a vez do SEGA Master System, o mais brasileiro dos consoles retrô, receber uma lista com 15 novos ótimos lançados nos últimos 10 anos.
E olhe que apesar dos tais "10 anos", na verdade boa parte da lista são jogos bem recentes, lançados em 2025! Vamos a eles!
Alex Kidd in Miracle World 2 (2016) e Alex Kidd 3: Curse In Miracle World (2020)
Começando com dois jogos que fizeram o que a SEGA não fez: dar seqüência, dentro do Master System, à história do excelente jogo Alex Kidd in Miracle World (1986). Criado pelo britânico Ian Wall, do site Sega8bit.com, Alex Kidd in Miracle World 2 se passa cronologicamente 6 meses após o jogo original. Como sabemos do final do game anterior, apesar de Alex ter derrotado o vilão Janken e recuperado o comando de Radaxian, seu pai, o Rei, ainda não foi encontrado. Então nosso herói sai em busca de sua localização.
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| Alex Kidd in Miracle World 2 |
Quando o hoje chamado Alex Kidd 3: Curse In Miracle World começou a ser desenvolvido, Alex Kidd in Miracle World 2 estava prestes a ser finalizado, então este jogo, que também se chamou "Alex Kidd in Miracle World 2" por alguns meses, teve que ser renomeado e ter parte de seus planos originais de história refeitos.
Na história de Alex Kidd 3: Curse In Miracle World surge um novo vilão, na verdade, um vilão que veio do passado e agora jogou o reino de Alex em uma terrível maldição. Nosso herói terá que passar por 10 fases para livrar salvar sua família de uma vez por todas! O jogo foi criado pelo francês Yeti Bomar, que com o apoio da comunidade, disponibilizou o game não só em francês, mas também em inglês e português.
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| Alex Kidd 3: Curse in Miracle World |
Tanto Alex Kidd 2 quanto Alex Kidd 3 foram bem elogiados pela comunidade e são considerados continuações dignas do game original. Comparando os dois jogos, Alex Kidd 3: Curse In Miracle World é maior, mais refinado, certamente melhor graficamente. E ao contrário do Alex Kidd 3, Alex Kidd in Miracle World 2 não possui desafios de jokenpô, já que seu criador não curte muito este tipo de brincadeira. A ROM de ambos os jogos pode ser obtida via site SMS Power, que aliás, como você verá ao longo deste artigo, é a fonte de boa parte dos jogos da lista.
Astro Force (2017)
O Master System não teve, infelizmente, muitos jogos shoot'em up verticais de qualidade em seu catálogo. Eu me arrisco a citar apenas 4: Astro Warrior e Scramble Spirits (ambos simples, porém competentes), e os dois Power Strike (I e II), os quais são bem elogiados mas eu não gosto por serem muito caóticos. Pois nesta lista vocês verão vários shoot'em up verticais, e Astro Force é o primeiro deles. Astro Force também é o primeiro jogo desta lista criado pelo programador espanhol Enrique Ruiz, que costuma a assinar seus jogos com um "MIKGames".
Astro Force é um jogo bem "das antigas", desde seu visual quanto em sua jogabilidade. Mas por isso mesmo, vale pela nostalgia e tem um nível de qualidade próximo aos 4 jogos citados anteriormente. O jogo entretanto não é simples: conta com 6 fases, um número bem grande de inimigos e chefões diferentes, e é bem desafiador. E ainda conta com uma trilha sonora muito boa, talvez a melhor coisa do jogo.
Electronic Dreams (2023)
O game tem bons gráficos, trilha sonora aceitável, e como um todo, uma experiência agradável e completa de um jogo de 8 bits. A ROM de Electronic Dreams foi disponibilizada gratuitamente para os usuários do site SMS Power como presente.
Flight Of Pigarus (2018)
Outro shoot'em up vertical, Flight Of Pigarus também é um jogo desenvolvido por apenas uma pessoa, no caso o usuário apenas conhecido no site do SMS Power por Kagesan. O jogo é simples, curto, mas muito gostoso de jogar, com gráficos coloridos e muito bonitos, e música bem agradável. Você controla um porco voador (por isso o nome do game), e existem dois modos de jogo: 2 ou 5 minutos. Se não morrer cedo, antes dos tais minutos acabarem um chefão aparece. Pouco antes dos 2 minutos aparece o chefe da imagem acima, e pouco antes dos 5 minutos aparece outro, dentro de uma nave que parece uma bola de boliche; ou seja, no jogo de 2 minutos você só enfrenta um boss e no modo de 5 minutos enfrenta dois para terminar a aventura.
O jogo é tão bom e fez tanto sucesso que, embora gratuito, também passou a ser vendido através de mídia física via a distribuidora francesa 2Minds. Anos depois ela ajudou a portar (e também a vender) o jogo para o Mega Drive.
Frontier Force (2025)
Jogo de shoot'em up vertical criado pelo desenvolvedor inglês que se identifica como Badcomputer, é outro jogo que posteriormente foi publicado e vendido em versão física pelo estúdio francês 2Minds. Aqui na verdade você controla um humano, que, do solo, atira contra inimigos que vêm do espaço. Portanto, em termos de jogabilidade, é algo bem mais próximo do clássico dos anos 70 Space Invaders.
O game é visualmente bem bonito e bem colorido, contando com gráficos em pixel art, trazendo mais de 40 inimigos diferentes, várias armas, 7 fases e, de modo surpreendente, chefões de fase gigantes. Bastante elogiado pela crítica, ele é amplamente listado como um dos melhores jogos lançados para o Master System nos últimos anos.
The Goonies (2025)
O Brasil não poderia ficar de fora da relação né? The Goonies é o primeiro jogo brazuca desta lista e também o mais recente, lançado no final de 2025. Trata-se de uma adaptação não oficial - porém recriada totalmente do zero - do mesmo jogo que na década de 80 saiu para o "Nintendinho" (NES) e para o MSX.
O game foi desenvolvido por Lucas Munhoz, e lançado através de sua empresa, a LMS Retro. A trilha sonora para o jogo é original e foi criada pelo também brasileiro Guilherme Chirinéa. The Goonies é vendido em formato físico, através das redes sociais da LMS Retro ou em lojas especializadas em videogames retrô.
Lunar Skirmish (2025)
E ele fez de novo. Vamos com o terceiro jogo da Mikgames desta lista, e desta vez, com um jogo de shooting horizontal de grande qualidade e bastante diversificado. No jogo sua nave atira contra asteróides, robôs, e outra naves... claro. Há fases em que Lunar Skirmish se parece com R-Type (inclusive você também pode obter um drone auxiliar, porém sem controlá-lo, ele fica orbitando continuamente sua nave), com cenários internos, cenários externos tanto em espaço aberto quanto sobrevoando superfícies, e há momentos em que seu objetivo não é atirar, e sim, se desviar de estruturas em forma de labirinto.
A nave que você controla em Lunar Skirmish é um pouco pequena, mas de resto seus gráficos são muito bons, inclusive com uso de efeito parallax; já a trilha sonora é "ok", lembrando o estilo de outros vários jogos do Master System.
Monster Crunch (2020)
Era uma vez um jogo infantil de tabuleiro, lançado originalmente como Monster Mash em 1987 pela Parker Brothers nos EUA, e no Brasil lançado como Caça-Monstro, em 1989 pela Estrela. Pois bem, agora ele foi lançado como um jogo do Master System: criado pelo desenvolvedor francês Fabrice Dumas (que também se chama pelos apelidos de Ichigo ou IchigoBankai), ele foi distribuído gratuitamente em 2020 via site do SMS Power.
Para 1 ou 2 jogadores, o mecanismo é muito simples: após a imagem do monstro ser sorteada, ela some, e então vemos 12 opções para clicar na imagem que apareceu anteriormente. No caso de 2 jogadores, vence quem acertar a imagem correta primeiro; já na partida solo, temos uma corrida contra o tempo, e o jogador terá que vencer o maior número possível de rodadas antes que o cronômetro esgote. Muito simples, de fato... mas lembrou minha infância e me diverti!
Silver Valley é um jogo de plataforma com elementos de RPG, parecido por exemplo com alguns dos jogos da franquia Wonder Boy / Turma da Mônica do console. Mas aqui o jogo também pega características de outros games, como Castlevania e Shinobi. O próprio design dos personagens copia as versões de 16 bits de Final Fantasy e Chrono Trigger, da Square. E o mais incrível de tudo é que Silver Valley foi totalmente feito por uma única pessoa, novamente o espanhol Enrique Ruiz, que disponibilizou o jogo gratuitamente em Dezembro de 2017.
Na história, a pacata cidade de Silver City é atacada e dominada por um maléfico dragão, e cabe a você derrotá-lo, sendo a única maneira de que fazê-lo encontrando e reunindo 6 jóias místicas que estão escondidas. Silver Valley possui 64 cenários e é um jogo bem longo, ele foi amplamente elogiado pela comunidade do Master System por sua qualidade e variabilidade de gameplay, sendo basicamente a única crítica recebida sua alta dificuldade: o herói tem poucos pontos de vida e costumeiramente enfrenta chefões que necessitam vários golpes para serem derrotados.
O jogo foi trabalhando com tanto carinho que tem até um curioso easter egg: dentro de uma das cidades há uma máquina de fliperama onde se pode jogar o "Crap Man", um plágio do jogo Pac Man, e cuja imagem eu mostro na figura acima, à direita. Graças a sua qualidade um grupo de usuários do site SMS Power resolveu se juntar a Enrique para produzir e vender Silver Valley em cartucho, o que foi feito em 2022 por lá mesmo; e em 2025 foi lançado um novo lote, com pôsteres inclusos e manual em 5 idiomas.
Stella in Adventure World (2025)
Mais um jogo da franquia de Alex Kidd, porém agora a protagonista é a sua contraparte feminina, Stella, que apareceu pela primeira vez como personagem jogável da versão fliperama de Alex Kidd: The Lost Stars. E uma coisa muito bacana em Stella in Adventure World é que ao longo de sua história, ele dá continuidade à (quase) todos os jogos oficiais e não oficiais de Alex Kidd!!! Segundo seu criador (um brasileiro de iniciais tsp), o jogo Stella in Adventure World se situa cronologicamente entre os Alex Kidd 2 e 3, é anterior ao Alex Kidd: The Lost Stars e ainda tem ligações com os Alex Kidd High-Tech World e Shinobi World!
Apesar de feito por um brasileiro, o jogo tem textos em inglês, e uma partida completa leva cerca de 1h. Stella in Adventure World também foi bem recebido e elogiado pela comunidade gamer. O jogo é bastante colorido, com gráficos e som de qualidade similares ao Alex Kidd in Miracle World. Ele pode ser baixado gratuitamente no site oficial, porém não foi disponibilizado via .sms, e sim via .ips.
Sydney Hunter: The Sacred Tribe (2019)
Sydney Hunter: The Sacred Tribe possui uma história curiosa, já que ele foi desenvolvido pela empresa canadense CollectorVision Games, que é especializada em criar jogos para o ColecoVision, console de 2ª Geração, a mesma do Atari 2600. Porém eventualmente ela também lança versões de seus jogos para outros consoles, como o NES, o Commodore 64, o próprio Atari e... o Master System.
Sydney Hunter: The Sacred Tribe é um jogo bem legal de exploração, ao estilo Indiana Jones, com trilha sonora usando o chip FM, e bons gráficos. O labirinto de cavernas apresenta mais de 100 salas, com 9 músicas distintas. Sydney Hunter é bem gostoso e agradável de se jogar, e também é vendido em mídia física. Em 2025 a CollectorVision Games lançou para o Master System um segundo jogo desta franquia, trata-se de Sydney Hunter and the Caverns of Death.
Wing Warriors (2020)
E encerrando a lista, vamos com mais um shoot'em up vertical, o da vez é Wing Warriors, feito pela desenvolvedora de jogos espanhola Kitmaker Entertainment. O jogo é simples, com apenas 6 fases curtas, porém difícil. Ele lembra um pouco o game Phelios, do Mega Drive.
Basicamente você escolhe um dentre 3 personagens na tela inicial e sai matando todo mundo; apesar de cada um deles ser visualmente diferente, inclusive nos tiros que disparam, não percebi nenhuma diferença nas habilidades dos heróis. Entretanto cada personagem faz diálogos diferentes com os "chefões", além de encerrar o jogo com um final distinto.
Com o botão 1 você atira raios ilimitados, e com o botão 2 solta bombas, limitadas a três. O melhor de Wing Warriors são seus gráficos: belos, coloridos, e ao mesmo tempo bem diferentes dos jogos do Master System. Até pela sua simplicidade, o jogo não foi lançado fisicamente. Mas por exemplo, hoje você pode comprar a ROM diretamente no site do programador do jogo, por 1 dólar.
PS: assim como fiz para minha lista do novos 15 jogos do Mega Drive, a imagem principal do título deste artigo é de um jogo ainda não lançado, e que não apareceu na minha lista. Trata-se da versão ainda em desenvolvimento do Castlevania lançado para o NES. Vejam, à esquerda, o jogo na versão Master System, e à sua direita, a versão original do "Nintendinho". Não tem nem comparação né? A capacidade gráfica superior do console da SEGA dá um show! Agora é esperar para que o jogo seja de fato concluído e lançado. Com sorte, ele sai ainda em 2026.
Para celebrar a marca de 30 artigos de curiosidades, volto a trazer algo sobre minha franquia de filmes favorita. Para quem não está familia...