segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Conheça os jogos de cartas da Button Shy que cabem literalmente dentro da carteira (até porque a carteira vem junto com o jogo!)


A empresa Button Shy é uma pequena publicadora de jogos de tabuleiro estadunidense criada pelo designer Jason Tagmire, cuja especialidade é fazer jogos do tamanho pocket (de bolso). E eles levam essa história de "bolso" ao pé da letra, já que a grande maioria de seus produtos compõe a linha Button Shy's Wallet Games (ou seja, "jogos de carteira" da Button Shy), que cabem dentro de uma pequena carteira (inclusa no produto) para se levar no bolso do jogador.

A linha Button Shy's Wallet Games já conta com quase 150 jogos (e você pode ver a lista deles aqui), e eles possuem algumas características em comum: são compostos apenas de cartas de tamanho "padrão" (63,5x88mm) de alta qualidade, em geral entre 9 a 18 cartas, sendo a grande maioria 18; a embalagem do jogo é uma pequena carteira(!) de vinil (PVC), conforme se pode ver na imagens deste artigo, tornando o produto ultra-portátil.

Como curiosidade, a escolha por jogos de 18 cartas não é aleatório; em uma gráfica profissional, na folha usada para impressão, cabem 9 cartas distintas. Produzir cartas em múltiplos de 9 torna a fabricação mais barata e evita desperdícios.

Trazendo um gato para deixar o artigo "fofo" e ficar mais claro o tamanho dos jogos

Aqui no Brasil, o primeiro jogo da linha Button Shy's Wallet Games foi Sprawlopolis, um dos grandes sucessos desta publicadora, em Agosto de 2020 pela editora Funbox. De lá pra cá, a "casa" brasileira dos jogos da Button Shy mudou, e agora quem publica os jogos da linha Wallet no Brasil é Across the Board. Somando Funbox e Across the Board, tivemos até hoje no total quatro jogos da Button Shy's Wallet Games publicados por aqui: Sprawlopolis, Caveiras de Sedlec ("Skulls of Sedlec" no original), Campos de Arroz ("Seasons of Rice" no original) e Ilha dos Predadores ("Food Chain Island" no original).

E agora, vamos conhecer OITO dos jogos "de carteira" da Button Shy!



Sprawlopolis (2018)


Vamos começar por aquele que, como já dito, foi o pioneiro no Brasil, e provavelmente é o card game mundialmente mais famoso desta coleção; trata-se de Sprawlopolis, que também é o jogo melhor avaliado dentre todos da Button Shy no BoardGameGeek (BGG).
 
Sprawlopolis é um jogo cooperativo para 1 a 4 jogadores, onde o objetivo é construir uma cidade fazendo o maior número de pontos. Cada uma das 18 cartas possui de um lado alguns quarteirões da cidade, e de outro, uma missão distinta, que te dará alguma regra que precisará ser alcançada para ganhar (ou perder) pontos. Para jogar, você escolhe aleatoriamente 3 cartas de missão, e terá que combinar as 15 cartas restantes de modo a formar uma cidade tentando cumprir as missões, de modo a fazer o maior número de pontos possíveis.

Com o passar dos anos, novos jogos e independentes da família "opolis" foram lançados, como por exemplo Agropolis (2021), Naturopolis (2023) e Casinopolis (2025). A versão de Sprawlopolis atualmente vendida no Brasil pela Across the Board já vêm com 6 mini expansões inclusas, e com isso, ao invés das tais 18 cartas, o jogo traz 41 cartas no total. Quase não cabe na carteira que acompanha o jogo rs.


Ancient Realm (2023)


Vamos ao primeiro jogo exclusivamente para um jogador (ou seja, "solo"), desta lista. Trata-se de Ancient Realm, onde seu objetivo é fazer o maior número de pontos para desta maneira, construir a melhor civilização ao longo da História. Das 18 cartas do jogo, 4 são de recurso, 7 são de "distrito" e 7 são cartas de "maravilhas".

O game é jogado com 3 linhas de cartas, na primeira ficam os edifícios que você de fato já construiu, a segunda linha mostra o mercado, e na terceira ficam os recursos. Ao começar o jogo, na segunda linha você coloca o monte de 7 distritos à sua esquerda, o monte de 7 maravilhas à sua direita, revela 2 cartas de cada monte e começa a partida. Para "construir" uma carta, é necessário pagar os recursos pedidos; e como faz para repor recursos? Veja que cada carta possui 3 (carta de distrito) ou 2 seções (carta de maravilha): e ao construir uma nova carta você "pode encobrir" parte de uma carta já construída e assim disparar ações, ganhando bônus e recursos. É como se sua civilização fosse evoluindo ao longo do tempo sob os escombros das construções antigas.

Ancient Realm é bastante elogiado por permitir uma grande quantidade de possibilidades/decisões para o jogador a cada turno. Por isso, para o jogador casual, o game base já é mais que o suficiente. Porém jogadores que jogam "muito" o Ancient Realm dizem que o jogo vai ficando mais fácil com o tempo pois você já sabe quais serão as cartas que virão no futuro. É aí que entra uma das mini expansões, a Monuments & Misfortunes, que traz 6 novas cartas de distrito. Pelas regras desta expansão, você aleatoriamente tira 3 cartas de distrito do jogo base e coloca aleatoriamente 3 cartas novas. Desta maneira o fator previsibilidade acaba e a rejogabilidade aumenta muito!


Death Valley (2021)


Death Valley é um jogo para 1 ou 2 jogadores onde cada jogador representa um viajante que está atravessando esta região desértica da Califórnia. Cada uma das 18 cartas possui um "poder" que diz como faz para pontuar no final da partida, que em geral se refere a conseguir colocar cartas de um determinado tipo em uma posição específica.

Cada carta possui um tipo de "perigo" associado (montanha, animal, sol ou água), e se em algum momento um jogador tiver em jogo 3 cartas do mesmo tipo, sua jornada "estoura", e então acontece um evento com certas regras que, na prática, fazem que a maioria de suas cartas da mesa voltarem para a pilha de pesca.

Em seu turno, o jogador pode "continuar sua jornada", pegando uma nova carta do monte e a adicionando na linha superior do seu grid, ou pode "descansar"; o ato de descansar significa abaixar uma das cartas da linha de cima para a linha de baixo e após isso esconder (colocar embaixo) quantas outras cartas da linha de cima abaixo da carta que você acabou de descer, tirando-as do jogo (esconder é opcional). Note que esconder cartas é uma das maneiras que você tem para evitar o "estouro" de 3 cartas do mesmo tipo.


The Last Lighthouse (2024)


The Last Lighthouse é um jogo solo de 18 cartas do designer Scott Almes, o mesmo criador de todos os jogos da famosa franquia Tiny Epic. No jogo temos que defender um farol do ataque de "pesadelos". Quando a parte azul está para cima, o pesadelo (e seu poder) está ativo, e quando a parte dourada está para cima, a carta vira uma "armadilha", usada para matar os pesadelos.

A cada turno você ataca os pesadelos, e depois, eles te atacam. Novas cartas são pescadas do monte ou por sua opção, ou devido ao efeito de alguma das cartas. Cada vez que um pesadelo consegue atacar o farol, a maré sobe um nível. Caso a água da maré encubra o farol, você perde o jogo; mas se o monte de cartas acaba e o farol não foi encoberto, parabéns(!), você sobreviveu e venceu a partida!

O jeito que você configura as cartas no começo da partida faz variar sua dificuldade em até 4 níveis. No nível "normal" você começa com 2 cartas de pesadelo e 2 cartas de armadilha já abertas na mesa.

Dentre os vários jogos exclusivamente para um 1 jogador da linha Wallet Games - inclusive Scott Almes fez vários deles - The Last Lighthouse é um dos mais elogiados. Certamente sua temática me interessa bastante.


Shallow Regrets (2025)


Shallow Regrets é um card game de 18 cartas que se trata de uma versão super simplificada de um jogo maior de tabuleiro, o Deep Regrets. Ambos foram criados e ilustrados pelo escocês Judson Cowan, que além de trabalhar com boardgames, também é publicitário, e compositor de músicas para videogames e comerciais... ou seja, um Leonardo da Vinci de nossos tempos rs.

No jogo, que roda de 2 a 3 jogadores, você é um pescador... porém ao pescar não necessariamente vai obter peixes... estamos em uma "pescaria de terror" e você pode pescar as mais estranhas criaturas. Em cada turno o jogador pesca 2 cartas e escolhe 1 delas para coletar. Cada carta-criatura possui um poder especial, quantidade de pontos (que pode ser negativo), e também um número de anzóis. Para pegar peixes maiores, você precisa ter posse de mais anzóis; e às vezes, quem te dá mais anzóis são os peixes que te dão pontos negativos... ou seja, você sempre tem que equilibrar pontuação com sua capacidade de pescar, e também ficar de olho se os poderes dos adversários não irão te prejudicar...

O jogo é bem divertido e embora tenha sido lançado recentemente, no 2º semestre do ano passado, já conta com 2 mini expansões. Uma delas, a Lingering Remorse, traz 6 novas criaturas marítimas e com isso permite jogar Shallow Regrets em 4 jogadores. Entretanto, arrisco a dizer que jogar Shallow Regrets com esta expansão e em 3 jogadores é sua melhor configuração.


Stew (2019)


Neste outro jogo de 18 cartas, agora para 2 a 4 jogadores, o objetivo é adivinhar quantos pontos de comida foram colocados na panela onde fazemos um "ensopado" (stew). Primeiro se separam as 5 cartas de animais, que ficam em aberto na mesa para todos verem. Cada animal come um tipo específico de alimento. Então em cada turno, cada jogador pega uma carta do monte, olha, e opta por colocar a carta, ainda fechada, em uma pilha central (que é a "panela do ensopado"), ou em cima de um animal, "alimentando-o", e deixando ele de fora da rodada.

A qualquer momento um jogador pode gritar "Stew", e quando isso acontecer, a rodada acaba e as cartas na "panela" são reveladas. Conforme as cartas são reveladas, os animais ainda ativos, se aplicável, são alimentados com seu específico tipo de comida. Conta-se então os pontos das cartas que sobraram no ensopado. Se a pontuação for igual ou maior que 12, o jogador que gritou "Stew" ganha 2 pontos; caso contrário ele não ganha nada e todos os demais ganham 1 ponto.

Vence a partida o primeiro jogador a atingir 5 pontos. O jogo é bem rápido, dinâmico, simples e divertido.


Tussie Mussie (2019)


Continuando com jogos de designers famosos, Tussie Mussie é um jogo criado por nada menos que Elizabeth Hargrave, a mente responsável pela criação do ótimo e bastante popular Wingspan. Seu jogo de 18 cartas, para 2 a 4 jogadores, possui uma mecânica simples porém bem interessante.

O tema do jogo é "dar flores para alguém". A partida é jogada em 3 rodadas. No começo de cada uma delas as cartas são embaralhadas e o monte é colocado fechado na mesa na frente dos jogadores. Na sua vez, cada jogador pega as duas cartas do topo do baralho e as oferecem, uma virada para cima e a outra para baixo, a um oponente. Esse oponente fica com uma, deixando a outra para o jogador que comprou as 2 cartas. Isso se repete até todos os jogadores tiverem 4 cartas, quando a rodada termina e os pontos são somados.

Cada carta de flor, claro, possui um poder próprio que dá mais ou menos pontos combinando com as outras cartas. E como curiosidade, além de cada carta trazer o nome e imagem de uma flor real, ela também traz uma breve descrição do significado que é presentar esta flor para uma pessoa. Por exemplo, uma rosa "vermelha" significa "eu te amo", e uma rosa "rosa" significa "amizade".

Tussie Mussie é outro jogo bem avaliado no BGG, e até pelo seu sucesso, já possui 5 mini expansões, sendo que 2 delas transforam o jogo em um game solo.


Caveiras de Sedlec (2020)


Encerro a lista com um jogo que também saiu no Brasil, mas que ao contrário de todos os outros mostrados até agora, infelizmente por aqui ele não saiu no formato "carteira", e sim em uma pequena caixa. Mas ok, há um bom motivo para isso: junto com as 18 cartas do jogo base, vieram todas as 10 expansões já feitas para o Caveiras de Sedlec, com isso o produto nacional totaliza 68 cartas, que só  iriam caber mesmo dentro de uma caixinha.

Dentre todos os jogos da Button Shy, ele é o segundo melhor rankeado no BGG. De 1 a 4 jogadores, inicialmente as cartas são embaralhadas e divididas em 6 pilhas, para serem compradas. Então os jogadores vão pescando estas cartas e montando à sua frente, cada um o seu próprio "ossuário" com as cartas coletadas, em disposição de uma pirâmide. Após as "pirâmides" estarem formadas, os jogadores verificam seus pontos e jogo acaba. Cada caveira dá uma quantidade de pontos dependendo de sua posição na pirâmide, ou de qual for sua adjacência, ou da quantidade de caveiras do mesmo tipo, etc.

Ah, e o nome Sedlec vem do Ossuário de Sedlec, uma igreja real da República Checa, cujo interior está decorado com mais de 50 mil esqueletos!



Se interessou? Jogue você também!

E se você por acaso acha que jogos de 18 cartas são jogos simples demais, que correm o risco de ter pouca rejogabilidade, sem problemas! Saiba que muitos dos jogos da Button Shy possuem expansões. Cada jogo costuma ter mais de uma expansão, e cada uma delas costuma trazer de 3 a 6 novas cartas. TODOS os jogos que apresentei acima neste meu artigo possuem mais de uma expansão. ;)

Gostaria muito que os jogos da Button Shy continuassem a chegar no Brasil. Todos os oito que apresentei não apenas despertam bastante meu interesse de compra, como são melhores que vários jogos pequenos lançados por aqui. E caso você não queira esperar, ainda há uma opção de obter estes jogos de modo oficial, porém apenas em inglês.

Até recentemente era possível comprar via site PNP Arcade praticamente todos os jogos da Button Shy. O "PnP" vêm de Print-and-Play, ou seja, imprima na sua casa e jogue. Cada jogo custava US$ 3,00 e cada expansão US$ 1,00. Após comprar (via cartão de crédito), o site imediatamente te disponibilizava a cópia do jogo em pdf para você imprimir e jogar. Porém, desde o dia 30 de Janeiro deste ano, o site deixou de hospedar (e vender) qualquer jogo PnP de qualquer empresa...

Com isso a Button Shy passou a vender seus jogos PnP via plataforma Itch.io. Os preços e modo de pagamento continuam o mesmo, porém, no momento em que escrevo estas linhas a quantidade de jogos disponíveis lá para compra é pequena. A promessa é que, aos poucos, todas as centenas de títulos que estavam disponíveis na PNP Arcade fiquem disponíveis para venda na Itch.io também. Para mim um PnP não substitui a versão física feita por uma editora profissional... de qualquer forma, já serve para ir conhecendo os jogos e ir se divertindo.



E aí, o que achou da linha editorial dos jogos da Button Shy? Achou uma boa idéia? Pretende comprá-los? Escreva nos comentários!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dupla Crítica Filmes do Oscar - Sonhos de Trem (2025) e Pecadores (2025)


Aproveitando que o assunto Oscar está em alta, já que a lista de indicados para o Oscar 2026 foi divulgada semana passada, hoje trago a crítica de duas produções que figuram entre a lista dos indicados a Melhor Filme. Primeiro, Sonhos de Trem, é distribuído apenas pela Netflix e somou 4 indicações; e depois vamos de Pecadores, com suas inéditas DEZESSEIS indicações. Curiosamente, os dois filmes se passam mais ou menos na mesma época, ou seja, no começo do século XX. Veja a seguir o que eu achei de ambos!


Sonhos de Trem (2025)
Diretor: Clint Bentley
Atores principais: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry Condon, Will Patton, William H. Macy, John Diehl, Nathaniel Arcand, Ignatius Jack

Sonhos de Trem é um filme baseado em um livro de mesmo nome, cujos direitos de transmissão foram comprados pela Netflix. Ou seja, para vê-lo, terá mesmo que ser via o streaming do "N" vermelho.

Na história, acompanhamos praticamente toda a vida adulta de Robert Grainier (Joel Edgerton), um órfão meio "bruto", calado, que passa as primeiras décadas dos anos 1900 trabalhando na construção de ferrovias, principalmente como lenhador, e eventualmente ajudando a assentar os trilhos.
 
Sonhos de Trem é, mais do que qualquer outra coisa, um filme bastante contemplativo sobre luto e passagem do tempo. Assim como seu personagem principal, o roteiro pouco se preocupa com diálogos, em falar algo... o que temos, em geral, é uma lenta contemplação de belíssimas (e muitas vezes tristes) imagens.
 
Imagens estas que ganharam a indicação para o Oscar de Melhor Fotografia, que, não sei se vocês sabem, foram produzidas pelo brasileiro Adolpho Veloso. Ou seja, caso Sonhos de Trem leve esta estatueta, sim, ela será do Brasil! Olha, e seria merecida... a fotografia aqui é realmente maravilhosa!
 
Não há uma conclusão para Sonhos de Trem... assim como não há uma conclusão para o sentido da vida. Mesmo assim, acompanhar a melancólica passagem de Robert por este planeta é uma experiência comovente, com final satisfatório, e que vale a pena assistir para nos fazer parar, respirar, e refletir; nem que seja apenas por algumas horasNota: 6,0.



Pecadores
 (2025)
DiretorRyan Coogler
Atores principais: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O'Connell, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo
 
Eu assisti Pecadores no ano passado, mas devido a ele conseguir nada menos que 16 indicações ao Oscar - novo recorde absoluto - tive que voltar aqui para escrever minha crítica e deixar minha opinião. O filme é uma história que mistura drama histórico com terror, e se passa no ano de 1932 na região do rio Mississippi, em um racista sul dos EUA.

Vamos começar pelas coisas que Pecadores é realmente bom. Primeiro, sua ótima fotografia, e o fato de boa parte das cenas serem a noite só torna este trabalho ainda mais admirável. Em segundo lugar, o filme é um grande tributo ao Blues, fazendo este gênero musical parte da trama em todo momento, e de um jeito muito bonito. Pecadores mostra suas origens (este estilo musical de fato surgiu naquela região, incorporando tradições musicais africanas), exibindo empolgação e emoção genuínas dos personagens com o ritmo, conduz a história com canções e melodias belíssimas (a trilha sonora, recheada de blues, é excelente), e também, não esquece de mostrar que esta música servia para "amenizar" o trabalho do trabalhador negro nos campos de colheita durante o dia, e ser uma das poucas válvulas de escape para eles à noite.
 
E finalmente o melhor e mais impactante de Pecadores é sua mensagem final: que para alguém preto nos EUA dos anos 30, não importa trabalhar duro do jeito honesto ou do jeito desonesto; no filme os personagens tentaram dos dois jeitos, mas em ambos os casos é impossível ser bem sucedido... sim, você até pode ter alguma melhora de vida... como empregado; mas nunca será um "patrão" (mensagem que, dadas as devidas proporções, ainda é um bocado aplicável nos dias de hoje).
 
Pecadores é, de fato, um filme... diferente. Afinal, ele passa a maioria de sua história sem nos mostrar nada de sobrenatural, e então, em seu ato final, aparecem vampiros de tudo quanto é lado. Porém, isso já foi feito antes, em Um Drink no Inferno (1996), de Robert Rodriguez. Foi feito antes e foi feito melhor, já que os vampiros de Robert Rodriguez são mais assustadores do que estes aqui criados por Ryan Coogler. Em Um Drink no Inferno tínhamos uma história policial interessante, mas seu desfecho com vampiros era o melhor do filme: apoteótico, marcante. Isso não acontece em Pecadores: quando os dentuços chegam, o filme piora.
 
Há mais problemas em Pecadores: o desenvolvimento dos personagens é questionável. Sim, nós simpatizamos com eles porque são bastante oprimidos; porém o que conhecemos de verdade sobre cada um deles? Com exceção do "Preacher Boy" (Miles Caton), o pouco que aprendemos sobre os personagens são através de insinuações sobre o passado dos mesmos através de diálogos, e temos uma amarga  sensação de que "pegamos o bonde já andando". Esta falta de aprofundamento não permite que os atores tenham momentos de grande necessidade de atuação em tela (com uma única possível exceção para o novato Miles Caton, em seu primeiro filme da carreira). Desde modo, mesmo que em geral o elenco todo esteja bem, para mim as indicações de Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Melhor Elenco dadas pelo Oscar são exageradas.
 
Como resultado final, Pecadores acaba sendo um drama histórico muito bom, mas como filme de terror - que aliás é a forma na qual ele mais se vende - é mediano. Imagino que Coogler quis trazer o terror para a história para que seu filme ficasse "único"; porém, o gênero não combinou direito: o verdadeiro confronto do bem contra o mal do filme não é espiritual, é bem terreno. Toda vez que em Pecadores que a história puxa para o sobrenatural, algo parece deslocado, e pior ela fica.
 
Somando prós e contras o filme é sem nenhuma dúvida acima da média. Aquelas "três coisas em que o filme é bom" que citei no começo deste artigo fazem muita diferença. Por outro lado, a produção não é tudo o que falam, a meu ver. O fato dos dois filmes com mais indicações ao Oscar 2026 serem Pecadores (com 16) e Uma Batalha Após a Outra (com 13) aparenta ser reflexo de uma temporada com produções concorrentes mais fracas e a Academia querendo passar um recado político ao péssimo governo estadunidense atual. Nota: 7,0.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Qual é o melhor filme Brasileiro de todos os tempos? Conheça aqui os principais candidatos e tire sua própria conclusão!

Para comemorar a semana em que o site Cinema Vírgula completa seu 14º ano de vida, trago um artigo bem especial. Qual é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Esta pergunta não tem uma resposta única, porém trago aqui as SETE respostas mais prováveis, baseado em dois critérios: os prêmios que nosso Cinema obteve nos festivais internacionais mais relevantes, e na opinião dos críticos profissionais brasileiros da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Em Setembro de 2016 eles fizeram uma votação, elegendo "Os 100 Melhores Filmes Brasileiros", resultado que usei aqui.

Sem mais delongas, vamos à relação destas sete excepcionais produções nacionais, em ordem crescente de data de lançamento:


1) Limite (1931)

O primeiro filme da lista é certamente o mais desconhecido pelo público, mas o motivo disto não é devido a ele ser o mais antigo; e sim porque ele estava "esquecido" por décadas, sendo resgatado pelo World Cinema Project (WCP), uma organização criada em 2007 (ainda sob o nome de World Cinema Foundation) por nada menos que o cineasta estadunidense Martin Scorsese. Bastante deteriorado, com a ajuda de Walter Salles e da Cinemateca Brasileira a nova restauração de Limite em parceria com a WCP começou ainda mesmo em 2007, e foi finalizada em Setembro de 2010.

Dirigido e escrito por Mário Peixoto, um carioca nascido em Bruxelas (seus pais eram brasileiros, e após vir para o Brasil aos 2 anos de idade, passou o resto de sua vida por aqui), Limite foi um filme revolucionário, experimental.

Nos anos 20 e 30, tínhamos distintos movimentos na Europa para distanciar o Cinema do simples entretenimento que era feito nos EUA. A idéia era transformar os filmes em uma Arte maior, e também contar através deles idéias novas, originais. Em paralelo no Brasil, tínhamos apenas uma pessoa fazendo o mesmo: o jovem Mário Peixoto de 21 anos. Limite, seu primeiro e único trabalho cinematográfico, une em um mesmo filme técnicas da Montagem Soviética (cortes curtos, comparativos e abruptos, filmando com ângulos inusitados) com técnicas francesas como o Impressionismo e o Surrealismo (associações livres de imagens, rostos em close, valorização da experiência sensorial), mas ao mesmo tempo, usando-as "do seu jeito". 

Além disso, Limite traz uma narrativa não linear, e também tem passagens onde vemos os personagens fazendo coisas "triviais", como por exemplo, ficar simplesmente caminhando por um certo período; ambas características só iriam aparecer com mais frequência em filmes décadas depois, mostrando que Limite estava bem a frente do seu tempo.

Limite é um filme mudo que prima pelas suas experiências e qualidades técnicas (a fotografia é excelente para a época). Porém o roteiro, que não era seu propósito, não é seu forte. A trama é simples: o filme começa nos mostrando 3 pessoas à deriva em um pequeno barco ao mar: uma mulher que fugiu da prisão, um homem cuja amante faleceu, e uma mulher já sem ânimo frente ao cotidiano da vida. Pouco é explicado, tudo é bem melancólico, pessimista, e não há muito o que entender logicamente... há mais o que sentir; e certamente mais da metade do filme são imagens de paisagens e objetos. O efeito que Limite causa no espectador também vem da boa trilha instrumental, bem planejada e executada.

Limite não é um filme nada fácil de se assistir. É bem lento, e se encontra entre na lista dos melhores filmes graças a sua importância histórica e maravilhas técnicas. Caso você queira vê-lo, ele se encontra disponível no Youtube. Este é o link onde eu o assisti.


2) O Pagador de Promessas (1962)

Por décadas O Pagador de Promessas foi reverenciado como um dos grandes clássicos do cinema nacional, mas hoje infelizmente ele não é tão lembrado pelo grande público. Dirigido e idealizado pelo paulista Anselmo Duarte, este filme é nada menos o primeiro e único até hoje a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, em 1962. Além disto, também foi o primeiro filme da América do Sul a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1963.

Estrelado por Leonardo Villar e uma jovem Glória Menezes (sim, aquela que você conhece das antigas novelas da Globo), o filme é baseado em uma peça teatral de mesmo nome escrita por Dias Gomes. Ele conta a história de um homem humilde que tenta pagar uma promessa que fez para curar seu burro que ficou doente; o levando a andar muitos quilômetros com uma cruz nos ombros. Porém quando ele tenta chegar em seu destino final, a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, é impedido de entrar pelo padre local. Para piorar, durante toda a história, várias pessoas se aproveitam do inocente protagonista. O filme é uma forte crítica ao comportamento da sociedade, e a muitos aspectos da religião, dentre elas o fanatismo, a intolerância e o abuso de poder.

Temos também várias contraposições entre as religiões / cultura de raiz africana com a católica apenas com imagens e som, e isto é bem diferente. O Pagador de Promessas também é famoso pelo seu desfecho marcante, porém vou mais além: ele é um final bem corajoso de se fazer nos dias atuais, imagine então quando foi feito há tantas décadas atrás!

Assistindo o filme hoje, diria que ele se mostra um pouco "ingênuo e desconexo", além de não representar as mulheres de modo muito favorável, algo mais comum na época; ainda assim o importante recado de O Pagador de Promessas continua lá... tanto é que a triste conclusão que se chega é: pouco se mudou na sociedade e nas religiões de 1962 pra cá...


3)  Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido e escrito pelo revolucionário cineasta baiano Glauber Rocha, até a redescoberta do filme Limite, quem ficou no topo da lista dos melhores filmes nacionais por muitos e muitos anos foi Deus e o Diabo na Terra do Sol. Assim como clássicos do cinema mundial como o soviético O Encouraçado Potemkin (1925) e o italiano Roma, Cidade Aberta (1945), a obra é histórica por ser o símbolo de um novo Movimento Cinematográfico de seu tempo.

Na trama, que se passa no pobre e seco sertão nordestino no começo do Século XX, o sertanejo Manoel resolve pegar o dinheiro do seu trabalho para comprar um pedaço de terra; porém quando vai receber a quantia do Coronel, este recusa a dar o dinheiro, querendo explorá-lo. Manoel se enfurece, mata o Coronel e é obrigado a fugir, em uma saga onde ele primeiro se associa ao religioso messiânico Sebastião, e depois ao cangaceiro Corisco, que pertencia ao grupo de Lampião.

Como dito anteriormente, Deus e o Diabo na Terra do Sol é bastante reverenciado. E não apenas pelas críticas sociais, que começavam a chegar nas telonas nesta década, mas principalmente pelo estilo completamente diferente do padrão do Cinema Brasileiro. O filme é um dos principais símbolos do movimento Cinema Novo, cujo slogan “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, batia de frente contra o cinema tradicional nacional de até então, que consistia principalmente de musicais e comédias imitando o formato de Hollywood.

A tal "câmera na mão" junto com muitos close-ups e cortes abruptos de cena criam um clima de tensão constante nunca visto até então; outra novidade é que apesar da presença do "Deus e o Diabo" no título do filme, nenhum personagem parece corresponder a nenhum dos "lados": o religioso Sebastião sabe que está enganando o povo e faz até sacrifícios humanos; já o violento cangaceiro Corisco se vê em uma nobre missão de luta contra a injustiça social. Até mesmo os protagonistas e sua esposa Rosa se alternam fazendo coisas corretas e erradas; ou seja, é um filme sem heróis.

Por outro lado, vendo com olhos de hoje, este mantra de "simplesmente vá e faça" deixou alguns problemas técnicos que me incomodaram: as atuações são bem caricatas e teatrais (no mau sentido), temos cenas improvisadas que não encaixam na trama, e vários diálogos são incompreensíveis, seja porque o ator falou muito baixo ou muito rápido, ou porque sua fala foi sobreposta pela trilha sonora ou pela narração cantada. Pelo que estudei, o negativo original do som de Deus e o Diabo na Terra do Sol não foi preservado em boas condições, e então, a versão que temos hoje é uma restauração que tentou recuperar ao máximo sem modificar a obra original. Em outras palavras, se o filme original tinha estes problemas de "diálogos incompreensíveis", não sei e talvez nunca saberei.


4) Central do Brasil (1998)

Agora vamos com o primeiro dos dois filmes desta lista do diretor carioca Walter Salles. O nome Central do Brasil é uma referência à grande estação de trens de mesmo nome, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, e aonde se começa a história. Dora (Fernanda Montenegro) é uma professora que trabalha lá como escritora de cartas para analfabetos; e neste local acaba conhecendo um pobre garoto de nove anos chamado Josué. Com o repentino falecimento da mãe, Josué fica sozinho, e então Dora acaba "adotando" o garoto, partindo com ele em uma viagem ao Nordeste, em busca do desconhecido pai do menino.

O filme aborda fortemente temas como desigualdade social e o abandono das populações do interior do Brasil; outro tema muito presente é a solidão, e pelo menos essa angústia é resolvida de certa forma para Dora e Josué, quando eles fazem o caminho inverso da migração padrão, saindo de uma cidade grande do Sudeste e indo para o Nordeste. Central do Brasil acaba sendo em parte um road movie pelo interior pobre brasileiro.

Central do Brasil foi muito bem sucedido em festivais: foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, ao mesmo tempo que Fernanda Montenegro venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. No Globo de Ouro, Central do Brasil levou o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. E já no Oscar... além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Montenegro foi a primeira latino-americana da história a concorrer pelo prêmio de Melhor Atriz... porém foi derrotada pela insípida Gwyneth Paltrow, algo que revolta os amantes do cinema até hoje.


5) Cidade de Deus (2002)

Se Central do Brasil resgatou a autoestima do brasileiro em termos de cinema nacional, Cidade de Deus, do paulista Fernando Meirelles, levou isso a outro patamar. Central do Brasil não foi mal nas bilheterias nacionais, mas Cidade de Deus foi muito bem, ultrapassando 3 milhões de espectadores, e virou um verdadeiro fenômeno cultural. E não só isso, estabeleceu o recorde para filme brasileiro com mais indicações ao Oscar: quatro.

Curiosamente, ele não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. E uma teoria é que isto aconteceu simplesmente porque o filme não foi suficientemente assistido pelos votantes daquela categoria, impedindo portanto sua indicação. Porém, para grande surpresa dos brasileiros, no Oscar seguinte de 2004, e contando também com apoio comercial da Miramax, Cidade de Deus recebeu as suas famosas quatro indicações: Melhor Direção (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Montagem (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (César Charlone).

Nem preciso dizer que este reconhecimento foi justíssimo. Cidade de Deus continua na minha lista geral dos melhores filmes do século XXI. Pena que não levou nenhum Oscar, já que infelizmente aquele ano foi o escolhido pela Academia para premiar a trilogia O Senhor dos Anéis (o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei venceu todas as 11 categorias que disputou). Ainda assim, Cidade de Deus deveria ter levado pelo menos um dos prêmios... o de Melhor Montagem: o trabalho de Daniel Rezende foi simplesmente primoroso.

Ah sim: a história acompanha a vida de vários personagens que moram na Cidade de Deus, uma perigosa favela do Rio de Janeiro, e acompanhamos a história dos protagonistas desde criança, no fim dos anos 60, até já adultos, nos anos 80. Ao longo do filme, aparecem várias histórias paralelas que se entrelaçam no decorrer da trama. E não são só as histórias que se misturam: também há muita violência misturada com humor, mais ou menos ao estilo dos filmes do Quentin Tarantino.


6) Ainda Estou Aqui (2024)

Walter Salles está de volta na lista. E voltou realizando no dia 02 de Março de 2025 um grande sonho do nosso Cinema: a conquista do primeiro Oscar do Brasil

Ainda Estou Aqui é um filme baseado no livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva. Ele conta, sob os olhos de Eunice Paiva, os eventos reais do desaparecimento de seu marido, o político Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Caso você queira uma análise mais detalhada sobre o filme, é só clicar aqui para ler minha crítica completa.

O Brasil levou uma estatueta, mas no total foram 3 indicações ao Oscar: a de Melhor Filme Internacional (a que venceu), o de Melhor Filme, e o de Melhor Atriz (para Fernanda Torres, repetindo o feito de sua mãe Fernanda Montenegro). Mas se Fernanda "filha" não conseguiu uma "reparação" pela injustiça feita com a Fernanda "mãe" décadas atrás, ela teve melhor sorte no Globo de Ouro, onde venceu o prêmio de Melhor Atriz em Filme Dramáticosendo a primeira mulher sul-americana e também primeira falante de português a receber este prêmioAinda Estou Aqui ainda foi indicado, mas não levou, a Melhor Filme em Língua Estrangeira. Já no Festival Internacional de Cinema de Veneza venceu o prêmio de Melhor Roteiro.

As vitórias nas premiações certamente contribuíram para que Ainda Estou Aqui tenha se tornado um grande sucesso de bilheteria nacional e mundial. No Brasil, foram quase 6 milhões de espectadores; e a arrecadação total ultrapassou R$ 200 milhões (ou cerca de US$ 40 milhões), sendo aproximadamente metade por aqui, e metade no exterior.


7) 
O Agente Secreto (2025)

E encerrando a lista, temos o recente O Agente Secreto, do diretor e roteirista pernambucano Kleber Mendonça Filho. Tão recente que a temporada de premiações para ele ainda nem terminou, faltando ainda saber qual será seu futuro destino nOs Oscars de 2026... já sabemos que lá ele igualou o recorde de Cidade de Deus recebendo quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator (por Wagner Moura).

A história, desta vez fictícia, se passa em 1977, durante a ditadura militar. Acompanhamos o professor universitário Marcelo (Wagner Moura), que retorna à sua cidade natal, Recife, aparentemente fugindo de algo. O filme discute temas como vigilância estatal, manipulação e apagamento da memória e da verdade. Também para O Agente Secreto, caso queira ler a crítica completa, clique neste link.

Além dos Oscars, o filme brilhou em várias premiações internacionais, das quais destaco o Festival de Cannes e o Globo de Ouro. Em Cannes, O Agente Secreto chegou a concorrer pela Palma de Ouro, mas não levou. Porém venceu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Wagner Moura), sendo este último, algo inédito para o Brasil.

Já no Globo de Ouro, outro recorde de número de indicações para um filme nacional: três; além de ser o primeiro filme brasileiro a ser indicado na categoria Melhor Filme de Drama. Este prêmio o filme não levou, porém nas outras duas indicações: Melhor Filme em Língua Estrangeira, e Melhor Ator em Drama (Wagner Moura), O Agente Secreto venceu! Com o feito, Moura se tornou o primeiro brasileiro (mas não o primeiro sul-americano) a ganhar o prêmio.

Até o momento que escrevo estas linhas, O Agente Secreto chegou a marca de US$ 10 milhões de arrecadação nos cinemas (cerca de R$ 52,2 milhões), sendo mais ou menos metade disso no Brasil, e metade no exterior. Porém agora com as indicações ao Oscar, tudo indica que o filme volte aos cinemas e os números subam consideravelmente.




PS1: Acha que algum filme merecia ter entrado na lista e não entrou? E qual, na sua opinião, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Escreva nos comentários!

PS2: Na imagem do título deste artigo temos à esquerda uma cena do filme Limite, e à direita um filme que não é um dos sete que trouxe aqui... trata-se do curta-metragem Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado. Ele aparece em 13º lugar na lista dos "100 Melhores Filmes Brasileiros" da ABRACCINE, mas é o primeiro curta dela (tem apenas 13 min de duração), ou seja, acaba sendo o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos na opinião dos críticos. E é muito bom mesmo! Um soco no estômago! Quem puder assistir, recomendo muito. Um link para assisti-lo é esse aqui.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #051 - Relembrando o filme hollywoodiano do jogo de tabuleiro Detetive, lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas!


Talvez os mais novos já não o conheçam... mas quem não é tão novo certamente conhece o famoso jogo de tabuleiro Detetive, publicado no Brasil pela Estrela, que por sua vez é uma cópia de um jogo criado em 1943 pelo britânico Anthony E. Pratt. Lá o nome deste jogo é Cluedo, e nos EUA o jogo se chama Clue (hoje o Clue original também é vendido no Brasil, pela Hasbro).

Pode parecer estranho, mas Hollywood tinha o interesse em fazer um filme sobre este jogo desde a década de 70. O projeto começou a tomar forma no começo dos anos 80, quando o diretor John Landis (de The Blues Brothers, Um Tira da Pesada 3, e do clipe Thriller de Michael Jackson), que ficou muito entusiasmado com o filme, foi contratado para dirigi-lo. Tanto ele quanto os produtores queriam que Clue tivesse um tom de comédia.

Roteiros foram escritos mas... sempre havia um problema: ninguém sabia como terminá-los. Montar uma trama de assassinato revelando de maneira crível e interessante o assassino apenas no final não era a especialidade dos roteiristas de filmes. Landis teve então a ideia de chamar o inglês Jonathan Lynn para o roteiro: ele era o escritor da série de comédia Yes Minister, da BBC2, que embora fosse sobre política, cada episódio envolvia múltiplas tramas e personagens. Lynn topou e depois de um roteiro pronto, a pedido de John Landis foram feitos QUATRO finais distintos para a trama, com cada um revelando um assassino diferente.

Calma que os perrengues ainda não terminaram. Como o roteiro demorou muito para ser finalizado, o diretor John Landis, que já estava com contrato assinado para dirigir o filme Os Espiões que Entraram numa Fria (1985), simplesmente "abandonou" a produção, deixando Jonathan Lynn como o diretor, e virando um ausente produtor executivo.

Eileen Brennan, Michael McKean, Martin Mull, Christopher Lloyd, Madeline Kahn, Lesley Ann Warren e Tim Curry. A idéia de usar elenco estrelado para filmes de assassinato não começou com a franquia "Entre Facas e Segredos" (Knives Out)

O filme Clue estreou nos cinemas estadunidenses em Dezembro de 1985 (no Brasil o filme teve o nome traduzido para Os Sete Suspeitos), e do jogo de tabuleiro, faz questão de trazer seus personagens (Coronel Mustard, Senhora White, Professor Plum, etc), as "armas" clássicas (o castiçal, a adaga, etc), e os locais (Cozinha, Escritório, Salão de baile, etc).

Porém o mais impressionante é que o filme foi de fato lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas. E como isso funcionava? Nos cinemas (e em algumas cidades, também nos anúncios impressos nos jornais) havia a indicação de qual era o final que estaria sendo exibido naquela sessão (“Final A”, “Final B” ou “Final C”).

A expectativa do estúdio é que esta novidade atraísse ainda mais o público, e que pessoas até assistissem o filme mais de uma vez, para ver os outros desfechos... Porém o resultado foi o contrário. Clue teve recepção fria dos críticos e fracassou nas bilheterias, arrecadando US$ 14 milhões, o mesmo que custou para produzi-lo. Uma das "explicações" para o fracasso, segundo os produtores do longa-metragem, é que na prática as pessoas olhavam as 3 opções de finais, não sabiam qual escolher, e então optavam por não ver nenhuma delas.

Curiosamente, anos depois, quando o filme chegou até a casa das pessoas via videocassete, e com os 3 finais já inclusos na mesma fita, Clue passou a agradar o publico, e acabou recebendo status de filme cult

Ah, e lembram que eu disse que foram feitos QUATRO finais para o filme? Eu não errei na conta não... Mas então por que só houve o lançamento de três deles? Aí as respostas divergem. Segundo Jonathan Lynn, o estúdio achou que o final era bem pior que os outros, então resolveram não lançá-lo; já o ator Tim Curry, que interpretou o mordomo Wadsworth, e que no caso era o assassino nesta quarta versão, diz que a decisão de não lançar este final era porque o mordomo ser o culpado era "óbvio demais", então não quiseram arriscar a serem criticados por isso.

E para encerrar essa curiosa história, assim como sempre houve pessoas interessadas em lançar Clue para os cinemas, o mesmo acontece para a TV. Há alguns anos o projeto existe e está em desenvolvimento. A notícia mais recente é que agora ele está nas mãos do streaming Peacock, com data mais provável de lançamento para 2027.

Trechos respectivamente exclusivos dentro dos Finais "A", "B" e "C"




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

sábado, 3 de janeiro de 2026

Retrospectiva Cinema Vírgula 2025: confira os Melhores e Piores filmes e séries do ano que passou!

FELIZ 2026 a todos os leitores do Cinema Vírgula! Em 2025 eu quase bati o recorde de publicações em um único ano deste blog... foram 74; contra 76 do ainda recordista 2015.

E novamente, como já acontece há vários anos, trago no primeiro final de semana do nosso novo ciclo solar uma retrospectiva do melhor e pior de filmes e seriados do ano que se passou. Lembrando que o critério para ser citado aqui é eu ter assistido, e de ter sido lançado no Brasil em 2025. Bora!


Os filmes de 2025

Assim como no ano passado, em geral os melhores filmes apareceram no começo do ano, afinal, eram os "filmes do Oscar". Depois disso, nada de muito interessante. E novamente os estúdios internacionais focaram pesado em continuações ao invés de criarem coisas novas... O resultado? Sono. Outra tendência que vem se consolidando é que as pessoas vão mais para o cinema ver filmes infantis, e ligam cada vez menos para os filmes mais "adultos". Tanto que o Top 3 de bilheteria mundial ficou com a animação chinesa Ne Zha 2 - O Renascer da Alma em primeiro lugar, Zootopia 2 em segundo, e com o live-action de Lilo & Stitch em terceiro.

Melhores: com muito orgulho, para mim os 3 melhores que assisti neste ano são... brasileiros!! Trata-se de Ainda Estou Aqui, responsável nada menos pelo primeiro Oscar do Brasil na história, O Agente Secreto e O Filho de Mil Homens, este último exclusivo da Netflix. Escrevi a crítica de todos eles aqui no Cinema Vírgula, basta clicar no nome para ler. ;)

Em termos internacionais, o melhor pra mim foi um anime, o espetacular Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito. E também faço questão de citar aqui entre os melhores o filme do Superman. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida. Mas foi o melhor filme de super-heróis do ano e, dada a enorme responsabilidade que ele tinha - reconstruir e reiniciar o Universo DC nos cinemas - o fez de modo satisfatório.

Walter Salles (ao centro) e Fernanda Torres nas gravações de Ainda Estou Aqui

Piores: aqui vamos começar com meu Top 2: em segundo lugar vem The Old Guard 2, da Netflix. O primeiro filme até tinha sido bom e promissor... mas sua continuação errou tudo. Agora o pior filme que assisti no ano, disparadamente, foi Um Filme Minecraft, que infelizmente para mim aliás, foi grande sucesso de bilheteria. O filme é tão horroroso que não tive vontade sequer de escrever sua crítica aqui para o blog.

Como menções honrosas, quero citar também A Fonte da Juventude, da AppleTV+, e The Electric State, da Netflix. Como todos bem sabemos, as empresas de streaming prezam pela quantidade ao invés da qualidade, e por isso que são deles que vemos muitos filmes ruins envolvendo artistas famosos. Porém com The Electric State a dona Netflix se superou, já que gastou US$ 320 milhões para fazer essa bomba, um dos filmes mais caros da história.

DecepçõesMissão: Impossível - O Acerto Final não é ruim. Mas sendo este oitavo Missão Impossível o final da franquia, é um pouco decepcionante que ele seja o filme menos bom desde o terceiro. Outra decepção que tive foi com O Esquema Fenício, filme do diretor Wes Anderson, que gosto bastante. Também não é um filme ruim, mas certamente é o mais fraco de toda a carreira de Wes, cujos filmes estão piorando, mas parecia ter se recuperado com sua série de curtas lançada na Netflix.

O horror! Simplesmente, o horror!

A surpresa: depois de um ano tão tenso e problemático como 2025, quis me dar o direito de descansar o cérebro com um filme em que não tenha que me preocupar com discussões da vida real, apenas me divertir. No caso, falo de F1: O Filme. E ele entra na minha lista de surpresas porque os estadunidenses costumam não entender de Fórmula 1, então não estava esperando por um filme bom. F1: O Filme é basicamente uma história de conto de fadas para amantes desse esporte. Conexão com a realidade? Muito pouco. Mas é épico, vaza testosterona, e conta com uma fotografia primorosa, além de uma trilha sonora boa e empolgante.


As séries de 2025

Entendo que 2025 não foi um ano tão bom para as séries de TV, primeiro porque o que mais gostei de assistir foi Frieren (Crunchyroll e Netflix), que não tem episódios novos desde meados de 2024. E temporadas bem esperadas, como as finais de The Boys (Prime Video) e Dungeon Meshi (Netflix), e a segunda temporada de Fallout (Prime Vídeo), ficaram só para 2026. E praticamente todos os seriados que gostei muito em anos anteriores, entregaram temporadas inferiores em 2025. Enfim, vamos aos meus comentários...

Melhores: com o grande número de decepções, deu para trazer de volta Black Mirror (Netflix) como uma das melhores séries do ano. Sua 7ª temporada não trouxe temas muito recentes e originais, mas ainda sim, achei que 5 dos seus 6 episódios trouxeram histórias muito boas; e o outro que entra aqui é a 2ª e última temporada de Sandman (Netflix), que conforme disse anteriormente nesta lista, perdeu bastante qualidade em sua metade final, mas ainda assim, como um todo, encerra a série muito acima da média.

Sandman (2ª temporada)

Piores: agora a escolha ficou fácil: os piores são facilmente identificáveis e vieram em dose dupla. Trata-se das 2ª temporadas de Wandinha (Netflix) e de The Last of Us (HBO Max). Não bastando uma trama bem parecida (e piorada), e reciclando os mesmos vilões da temporada anterior, o roteiro de Wandinha faz algo ainda pior: tira muito tempo de tela da então protagonista, interpretada pela ótima Jenna Ortega, e dá bastante espaço para vários outros personagens, infinitamente menos interessantes. Já os "jênios" roteiristas de The Last of Us pegam a maior e mais chocante reviravolta que, nos videogames, acontece no meio de The Last of Us Part II, e já a revela no final do primeiro episódio, o que estraga muito o impacto da trama, tanto desta 2ª temporada, quanto da futura 3ª. Mas os problemas não param por aí: a personagem Ellie é absurdamente inconsistente, alternando entre uma "bocó fofa" e a pessoa violenta e vingativa que deveria ser, seguindo o material original. Ah, deixando claro, isso NÃO é culpa da atriz, é culpa do roteiro. Certamente não continuarei a assistir nenhuma destas duas séries.

Wandinha (2ª temporada)

Decepções: a lista tem vários nomes, e já aviso que gostei da temporada 2025 de todos eles. O problema é que em todos os casos eu esperava mais, e o que estes seriados entregaram, foi certamente a pior temporada de seus respectivos programas. São eles: Pacificador (HBO Max), The White Lotus (HBO Max), Only Murders in the Building (Disney+) e 1670 (Netflix). Uma pena, pois tenho apreço a todas estas séries. Provavelmente não irei mais assistir The White Lotus, entendo que a fórmula está 100% esgotada. Para os outros 3, vou dar novas chances. E, não acredito no que vou falar mas lá vai: Only Murders in the Building precisa renovar bastante os personagens, e principalmente, se livrar da personagem de Meryl Streep, a pior coisa da última temporada.

A surpresa: e não é que a estréia de James Gunn como novo chefão do universo DC foi boa apesar de ser com um título totalmente desconhecido (e portanto arriscado)? A primeira temporada da animação Creature Commandos (HBO Max) me surpreendeu positivamente, e apesar de ser uma espécie de continuação direta de um inconsistente Esquadrão Suicida, o resultado final foi muito bom.


Top 5: os mais lidos do Cinema Vírgula em 2025

A lista do Top 5 de artigos mais lidos do ano no Cinema Vírgula costuma me surpreender e desta vez não foi diferente. No Top 3 temos a crítica de 2 filmes do Oscar, porém, no segundo lugar aparece um "intruso", o surpreendente Nosferatu, que jamais esperava ter tanto interesse das pessoas.

Em quarto lugar temos o novo Superman, mostrando a força da DC Comics no Brasil, e em quinto tivemos um artigo que não foi crítica cinematográfica. Eu sempre fico feliz quando uma de minhas "curiosidades" é bem lida; porém das 16 que publiquei no ano passado, jamais apostaria minhas fichas nela. Vejam a lista:

Lista dos filmes que assisti em 2025

E finalmente, encerro minha retrospectiva com a lista de todos os filmes que assisti neste 2025, somando filmes novos ou antigos, sendo a primeira vez que os vi ou não. No total foram 93.

Lembrando que os filmes em laranja negrito e com um (*) são aqueles a que dou uma nota de no mínimo 8,0 e portanto, recomendo fortemente.

O Agente Secreto (idem, Alemanha / Brasil / França / Países Baixos, 2025)   (*)
Ainda Estou Aqui (idem, Brasil / França, 2024)   (*)
Algo de Errado Não Está Certo (idem, Brasil, 2020)
Alta Ansiedade ("High Anxiety", EUA, 1977)
O Amor Está no Ar ("Love Is in the Air", Austrália, 2023)
Anora (idem, EUA, 2024)
O Aprendiz ("The Apprentice", Canadá / Dinamarca / EUA / Irlanda, 2024)
Aqui ("Here", EUA, 2024)
O Auto da Compadecida 2 (idem, Brasil, 2024)
A Avaliação ("The Assessment", Alemanha / EUA / Reino Unido, 2024)
Balada de Um Jogador ("Ballad of a Small Player", Alemanha / Reino Unido, 2025)
Bananas (idem, EUA, 1971)
Uma Batalha Após a Outra ("One Battle After Another", EUA, 2025)
Borderlands (idem, EUA / Hungria, 2024)
Bugonia (idem, Canadá / Coreia do Sul / EUA / Irlanda / Reino Unido, 2025)
O Brutalista ("The Brutalist", Canadá / EUA / Reino Unido, 2024)
Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze ("Gekijô-ban Chensô Man Reze-hen", Japão, 2025)
Clonaram Tyrone! ("They Cloned Tyrone", EUA, 2023)
A Comédia dos Pecados ("The Little Hours", Canadá / EUA / Itália, 2017)
Cora Coralina - Todas as Vidas (idem, Brasil, 2017)
Corra que a Polícia Vem Aí! ("The Naked Gun", Canadá / EUA, 2025)
Cúpula do Caos ("Rumours", Alemanha / Canadá / EUA / Hungria Reino Unido, 2024)
A Cura ("A Cure for Wellness", Alemanha / EUA / Luxemburgo, 2016)
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito ("Gekijô-ban Kimetsu no Yaiba Mugen Jô-hen", EUA / Japão, 2025)   (*)
Deu a Louca na História: O Filme ("Horrible Histories: The Movie - Rotten Romans", Reino Unido / Suíça, 2019)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (idem, Brasil, 1964)
O Doador de Memórias ("The Giver", África do Sul / Canadá / EUA, 2014)
Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes ("Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves", Austrália / Canadá / EUA / Irlanda / Islândia / Reino Unido, 2023)   (*)
Éden ("Eden", EUA, 2024)
The Electric State (idem, EUA, 2025)
Eles Não Usam Black-Tie (idem, Brasil, 1981)
Elio (idem, EUA, 2025)
Emilia Pérez (idem, Bélgica / França, 2024)
A Empregada ("The Housemaid", EUA, 2025)
O Esquema Fenício ("The Phoenician Scheme", Alemanha / EUA, 2025)
Extermínio 2 ("28 Weeks Later", Espanha / Reino Unido, 2007)
F1: O Filme ("F1", EUA, 2025)
Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars ("Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga", Canadá / EUA / Islândia, 2020)
O Filho de Mil Homens (idem, Brasil, 2025)   (*)
Um Filme Minecraft ("A Minecraft Movie" / Canadá / EUA / Nova Zelândia / Suécia, 2025)
Flow (idem, Bélgica / França/ Letônia, 2024)   (*)
Flor do Mal ("The Strange Woman", EUA, 1946)
A Fonte da Juventude ("Fountain of Youth", EUA / Reino Unido, 2025)
Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Garotas em Fuga ("Drive-Away Dolls", EUA / Reino Unido, 2024)
Grande Hotel ("Four Rooms", EUA, 1995)
O Grinch ("The Grinch", EUA, 2018)
Honey, Não! ("Honey Don't!", EUA / Reino Unido, 2025)
Indiana Jones e a Relíquia do Destino ("Indiana Jones and the Dial of Destiny", EUA, 2023)
Ingrid Vai Para o Oeste ("Ingrid Goes West", EUA, 2017)
Jay Kelly (idem, EUA / Itália / Reino Unido, 2025)
Jogador Nº 1 ("Ready Player One", Austrália / Canadá / EUA / Índia / Japão / Reino Unido / Singapura, 2018)
Lilo & Stitch (idem, Austrália / Canadá / EUA, 2025)
O Mágico de Oz ("The Wizard of Oz", EUA, 1939)
Um Maluco no Golfe 2 ("Happy Gilmore 2", EUA, 2025)
MaXXXine (idem, EUA / Nova Zelândia / Reino Unido, 2024)
O Menino e a Garça ("Kimitachi wa Dô Ikiru ka", Japão, 2023)
Meu Jantar com André ("My Dinner with Andre", EUA, 1981)
Mickey 17 (idem, Coréia do Sul / EUA, 2025)
Missão: Impossível - O Acerto Final ("Mission: Impossible - The Final Reckoning", EUA / Reino Unido, 2025)
A Morte lhe Cai Bem ("Death Becomes Her", EUA, 1992)
Os Mortos Não Morrem ("The Dead Don't Die", EUA / Japão / Suécia, 2019)
Mulan (idem, China / EUA, 2020)
A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Mussum: O Filmis (idem, Brasil, 2023)
Ne Zha ("Nezha: Mo tong jiang shi", China, 2019)
A Noite Sempre Chega ("Night Always Comes", EUA / Reino Unido, 2025)
Nosferatu (idem, EUA / Hungria / Reino Unido, 2024)
O Pagador de Promessas (idem, Brasil, 1962)   (*)
Pecadores ("Sinners", Austrália / Canadá / EUA, 2025)
Pisque Duas Vezes ("Blink Twice", EUA / México, 2024)
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos ("The Fantastic Four: First Steps", EUA, 2025)
O Quarto ao Lado ("The Room Next Door", Espanha / EUA / França, 2024)
A Queda ("Fall", EUA / Reino Unido, 2022)
Ricky Stanicky (idem, Austrália / EUA / Reino Unido, 2024)
Robô Selvagem ("The Wild Robot", EUA, 2024)   (*)
Saturday Night: A Noite que Mudou a Comédia ("Saturday Night", EUA, 2024)
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim ("The Lord of the Rings: The War of the Rohirrim", EUA / Japão/ Nova Zelândia, 2024)
Sonhos de Trem ("Train Dreams", EUA, 2025)
S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço ("Spaceballs", EUA, 1987)
Superman (idem, EUA, 2025)
The New Yorker: 100 Anos de História ("The New Yorker at 100", EUA, 2025)
The Old Guard 2 (idem, EUA, 2025)
Thunderbolts* (idem, EUA, 2025)
Transformers: O Início ("Transformers One", EUA, 2024)
Os Três Mosqueteiros: Milady ("Les Trois Mousquetaires: Milady", Alemanha/ Bélgica / Espanha / França, 2023)
TV Pirada ("UHF", EUA, 1989)
A Última Loucura de Mel Brooks ("Silent Movie", EUA, 1976)
A Vida por Philomena Cunk ("Cunk on Life", Reino Unido, 2024)
Viúva Negra ("Black Widow", EUA, 2021)
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out ("Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery", EUA, 2025)
Wallace & Gromit: Avengança ("Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl", Reino Unido, 2024)
The Witcher: Sereias das Profundezas ("The Witcher: Sirens of the Deep", Coréia do Sul / EUA / Polônia, 2025)

NOVE ótimos jogos de Carta ou Tabuleiro que conheci na Covil-Con e DOFF 2025

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