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| Trechos respectivamente exclusivos dentro dos Finais "A", "B" e "C" |
Bem vindo ao Cinema Vírgula! Com foco principal em notícias e críticas de Cinema e Filmes, este blog também traz informações de Séries de TV, Quadrinhos, Livros, Jogos de Tabuleiro e Videogames. Em resumo, o melhor da Cultura Pop.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Curiosidades Cinema Vírgula #051 - Relembrando o filme hollywoodiano do jogo de tabuleiro Detetive, lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas!
sábado, 3 de janeiro de 2026
Retrospectiva Cinema Vírgula 2025: confira os Melhores e Piores filmes e séries do ano que passou!
FELIZ 2026 a todos os leitores do Cinema Vírgula! Em 2025 eu quase bati o recorde de publicações em um único ano deste blog... foram 74; contra 76 do ainda recordista 2015.
E novamente, como já acontece há vários anos, trago no primeiro final de semana do nosso novo ciclo solar uma retrospectiva do melhor e pior de filmes e seriados do ano que se passou. Lembrando que o critério para ser citado aqui é eu ter assistido, e de ter sido lançado no Brasil em 2025. Bora!
Os filmes de 2025
Assim como no ano passado, em geral os melhores filmes apareceram no começo do ano, afinal, eram os "filmes do Oscar". Depois disso, nada de muito interessante. E novamente os estúdios internacionais focaram pesado em continuações ao invés de criarem coisas novas... O resultado? Sono. Outra tendência que vem se consolidando é que as pessoas vão mais para o cinema ver filmes infantis, e ligam cada vez menos para os filmes mais "adultos". Tanto que o Top 3 de bilheteria mundial ficou com a animação chinesa Ne Zha 2 - O Renascer da Alma em primeiro lugar, Zootopia 2 em segundo, e com o live-action de Lilo & Stitch em terceiro.
Melhores: com muito orgulho, para mim os 3 melhores que assisti neste ano são... brasileiros!! Trata-se de Ainda Estou Aqui, responsável nada menos pelo primeiro Oscar do Brasil na história, O Agente Secreto e O Filho de Mil Homens, este último exclusivo da Netflix. Escrevi a crítica de todos eles aqui no Cinema Vírgula, basta clicar no nome para ler. ;)
Em termos internacionais, o melhor pra mim foi um anime, o espetacular Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito. E também faço questão de citar aqui entre os melhores o filme do Superman. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida. Mas foi o melhor filme de super-heróis do ano e, dada a enorme responsabilidade que ele tinha - reconstruir e reiniciar o Universo DC nos cinemas - o fez de modo satisfatório.
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| Walter Salles (ao centro) e Fernanda Torres nas gravações de Ainda Estou Aqui |
Piores: aqui vamos começar com meu Top 2: em segundo lugar vem The Old Guard 2, da Netflix. O primeiro filme até tinha sido bom e promissor... mas sua continuação errou tudo. Agora o pior filme que assisti no ano, disparadamente, foi Um Filme Minecraft, que infelizmente para mim aliás, foi grande sucesso de bilheteria. O filme é tão horroroso que não tive vontade sequer de escrever sua crítica aqui para o blog.
Como menções honrosas, quero citar também A Fonte da Juventude, da AppleTV+, e The Electric State, da Netflix. Como todos bem sabemos, as empresas de streaming prezam pela quantidade ao invés da qualidade, e por isso que são deles que vemos muitos filmes ruins envolvendo artistas famosos. Porém com The Electric State a dona Netflix se superou, já que gastou US$ 320 milhões para fazer essa bomba, um dos filmes mais caros da história.
Decepções: Missão: Impossível - O Acerto Final não é ruim. Mas sendo este oitavo Missão Impossível o final da franquia, é um pouco decepcionante que ele seja o filme menos bom desde o terceiro. Outra decepção que tive foi com O Esquema Fenício, filme do diretor Wes Anderson, que gosto bastante. Também não é um filme ruim, mas certamente é o mais fraco de toda a carreira de Wes, cujos filmes estão piorando, mas parecia ter se recuperado com sua série de curtas lançada na Netflix.
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| O horror! Simplesmente, o horror! |
A surpresa: depois de um ano tão tenso e problemático como 2025, quis me dar o direito de descansar o cérebro com um filme em que não tenha que me preocupar com discussões da vida real, apenas me divertir. No caso, falo de F1: O Filme. E ele entra na minha lista de surpresas porque os estadunidenses costumam não entender de Fórmula 1, então não estava esperando por um filme bom. F1: O Filme é basicamente uma história de conto de fadas para amantes desse esporte. Conexão com a realidade? Muito pouco. Mas é épico, vaza testosterona, e conta com uma fotografia primorosa, além de uma trilha sonora boa e empolgante.
As séries de 2025
Entendo que 2025 não foi um ano tão bom para as séries de TV, primeiro porque o que mais gostei de assistir foi Frieren (Crunchyroll e Netflix), que não tem episódios novos desde meados de 2024. E temporadas bem esperadas, como as finais de The Boys (Prime Video) e Dungeon Meshi (Netflix), e a segunda temporada de Fallout (Prime Vídeo), ficaram só para 2026. E praticamente todos os seriados que gostei muito em anos anteriores, entregaram temporadas inferiores em 2025. Enfim, vamos aos meus comentários...
Melhores: com o grande número de decepções, deu para trazer de volta Black Mirror (Netflix) como uma das melhores séries do ano. Sua 7ª temporada não trouxe temas muito recentes e originais, mas ainda sim, achei que 5 dos seus 6 episódios trouxeram histórias muito boas; e o outro que entra aqui é a 2ª e última temporada de Sandman (Netflix), que conforme disse anteriormente nesta lista, perdeu bastante qualidade em sua metade final, mas ainda assim, como um todo, encerra a série muito acima da média.
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| Sandman (2ª temporada) |
Piores: agora a escolha ficou fácil: os piores são facilmente identificáveis e vieram em dose dupla. Trata-se das 2ª temporadas de Wandinha (Netflix) e de The Last of Us (HBO Max). Não bastando uma trama bem parecida (e piorada), e reciclando os mesmos vilões da temporada anterior, o roteiro de Wandinha faz algo ainda pior: tira muito tempo de tela da então protagonista, interpretada pela ótima Jenna Ortega, e dá bastante espaço para vários outros personagens, infinitamente menos interessantes. Já os "jênios" roteiristas de The Last of Us pegam a maior e mais chocante reviravolta que, nos videogames, acontece no meio de The Last of Us Part II, e já a revela no final do primeiro episódio, o que estraga muito o impacto da trama, tanto desta 2ª temporada, quanto da futura 3ª. Mas os problemas não param por aí: a personagem Ellie é absurdamente inconsistente, alternando entre uma "bocó fofa" e a pessoa violenta e vingativa que deveria ser, seguindo o material original. Ah, deixando claro, isso NÃO é culpa da atriz, é culpa do roteiro. Certamente não continuarei a assistir nenhuma destas duas séries.
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| Wandinha (2ª temporada) |
Decepções: a lista tem vários nomes, e já aviso que gostei da temporada 2025 de todos eles. O problema é que em todos os casos eu esperava mais, e o que estes seriados entregaram, foi certamente a pior temporada de seus respectivos programas. São eles: Pacificador (HBO Max), The White Lotus (HBO Max), Only Murders in the Building (Disney+) e 1670 (Netflix). Uma pena, pois tenho apreço a todas estas séries. Provavelmente não irei mais assistir The White Lotus, entendo que a fórmula está 100% esgotada. Para os outros 3, vou dar novas chances. E, não acredito no que vou falar mas lá vai: Only Murders in the Building precisa renovar bastante os personagens, e principalmente, se livrar da personagem de Meryl Streep, a pior coisa da última temporada.
A surpresa: e não é que a estréia de James Gunn como novo chefão do universo DC foi boa apesar de ser com um título totalmente desconhecido (e portanto arriscado)? A primeira temporada da animação Creature Commandos (HBO Max) me surpreendeu positivamente, e apesar de ser uma espécie de continuação direta de um inconsistente Esquadrão Suicida, o resultado final foi muito bom.
Lembrando que os filmes em laranja negrito e com um (*) são aqueles a que dou uma nota de no mínimo 8,0 e portanto, recomendo fortemente.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Crítica - A Empregada (2025)
Ano novo, filmes novos! Estreando hoje, 1º de Janeiro, nos cinemas brasileiros temos A Empregada, filme de suspense com orçamento respeitável e que até agora tem se saído melhor nas bilheterias norte-americanas do que o previsto.
A história de A Empregada é baseada em um livro de mesmo nome de 2022, escrito pela escritora estadunidense Freida McFadden. Mas apesar de ser baseado em uma obra literária o roteiro é no máximo mediano, contando com várias situações improváveis, clichês, e muitos diálogos dignos de novelas mexicanas. Os atores também são bem ruins, canastrões. Já as atrizes estão bem: Sydney Sweeney atua de forma competente e sem comprometer (e além disso a produção explora um bocado de sua beleza), e a atuação de Amanda Seyfried é provavelmente a melhor coisa do filme.
A Empregada é definitivamente vendido como um filme de suspense psicológico, beirando o terror, até pelo livro original. Porém, talvez porque o diretor é Paul Feig, que está bem mais acostumado a fazer filmes de comédia, o que temos aqui, alternando com os momentos de tensão, são dezenas de cenas surreais, vergonhosas, que levam o publico a rir de tanto constrangimento e absurdo. O mesmo pode ser dito da trilha sonora, que acompanha o clima "pastelão" de A Empregada, e reforça, de modo surpreendente e equivocado que o filme não se leva a sério.
Felizmente nem tudo de A Empregada é ruim. A fotografia é muito bem feita e nos momentos em que o filme não está envergonhando o espectador, as cenas de suspense são realmente tensas, sufocantes, o que eleva a qualidade da produção e, afinal de contas, cumpre o que prometeu entregar.
E principalmente, com as reviravoltas de sua parte final, o filme melhora bem em todos os aspectos, e mesmo com algumas explicações continuarem a não fazer sentido, o desfecho é bem satisfatório para o publico, salvando de vez A Empregada.
Com baixos gigantescos e altos, A Empregada ainda assim deverá agradar o público em geral, tanto masculino como feminino, e talvez até mais o último. Nota: 6,0
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Dupla Crítica Filmes Netflix - O Filho de Mil Homens (2025) e A Noite Sempre Chega (2025)
Hoje publico minhas duas últimas críticas de filmes de 2025, ambos lançamentos exclusivos na Netflix. O primeiro e mais recente, O Filho de Mil Homens, foi lançado em Outubro e é produção nacional. Já A Noite Sempre Chega é um filme estadunidense que estreou em Agosto, e resolvi trazê-lo aqui porque ele teve pouca repercussão, então é uma oportunidade para mais pessoas conhecerem. Bora para as análises!
O segundo filme deste artigo também é adaptação de um livro, trata-se do livro de mesmo nome escrito pelo estadunidense Willy Vlautin, publicado em 2021. Porém, mesmo sendo a adaptação de algo escrito já há alguns anos, fiquei com a sensação de que A Noite Sempre Chega teve fortes influências do cinema recente. Explico:
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Crítica Netflix - Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025)
domingo, 7 de dezembro de 2025
Curiosidades Cinema Vírgula #050 - Conheça aqui o filme de MENOR bilheteria de todos os tempos!!
Vira e mexe aparece citações na Internet comentando sobre os filmes de maior bilheteria de todos os tempos. Neste caso, descontando a inflação, atualmente o topo ainda é de Avatar (2009), com US$ 2,9 bilhões de arrecadação nos cinemas. Mas se considerarmos a inflação - que infelizmente não é uma conta 100% precisa - com dados até 2024 vemos que Avatar fica em segundo lugar com US$ 4 bilhões, e o topo fica com outro vencedor: ... E o Vento Levou (1939), com seus talvez inalcançáveis US$ 4,45 bilhões.
Mas... e qual seria o filme de MENOR bilheteria de todos os tempos? É bem difícil responder essa pergunta, se formos levar em conta todos os países do planeta, e também, todos os tipos de filme da mais baixa qualidade que existem por aí... De qualquer forma, o Cinema Vírgula traz aqui um fortíssimo candidato ao de filme de pior bilheteria de todos os tempos:
Zyzzyx Rd (2006)
Conheça Zyzzyx Rd, que no Brasil teve o título traduzido para Estrada da Morte. E por incrível que pareça, este nome bizarro tem algum sentido. Na trama, um contador se envolve com uma mulher que já tem namorado, e após acabar brigando fisicamente com ele, acredita tê-lo matado. Então, ele e a mulher saem pela estrada para encontrar algum lugar para despejar o corpo. A tal estrada, é a Interstate 15, que fica na Califórnia, e na vida real ela dá acesso á uma rua de terra de nome "Zzyzx road". Então o filme tem o nome dessa rua... ou melhor, teria.. pois os responsáveis pela produção conseguiram errar o nome dela, colocando um "z" a mais... A foto título do artigo (ver acima) é a placa real da saída para esta rua via Interstate 15.
Zyzzyx Rd, apesar de produção independente, não era também um filme tão caseiro. Ele custou US$ 1,2 milhões (!), e dois dos atores principais do seu elenco eram famosos: Katherine Heigl e Tom Sizemore. O que aconteceu foi que a distribuidora do filme queria primeiro lançar Zyzzyx Rd internacionalmente para só depois lançar nos EUA; e acabou descobrindo que devido a uma regra do Sindicato dos Atores estadunidense, só poderia fazer isso após lançar o filme em salas dos cinemas americanos.
Então, os produtores alugaram uma sala de cinema em Dallas, e exibiram nesta sala, por uma semana, uma única sessão diária, ao meio-dia. Ao longo de todos estes dias, foram vendidos apenas SEIS ingressos. E como cada ingresso custou 5 dólares, a renda foi de US$ 30. E na verdade foi um pouco pior... Destes 6 ingressos, 2 deles foram comprados pela maquiadora do filme e sua amiga, e inclusive elas tiveram o dinheiro reembolsado rs. Portanto, se você procurar na Internet, os sites poderão dizer que a renda total foi de US$ 30 ou de US$ 20.
Depois deste fracasso, a produtora mudou de idéia e nem lançou Zyzzyx Rd nos cinemas internacionais... esta bomba acabou saindo diretamente para DVD no mundo inteiro.
Obs.: The Worst Movie Ever! (2011)
Em 2011 tivemos essa "maravilha" produzida, dirigida, escrita e estrelada por Glenn Berggoetz, que no caso, foi exibido em apenas um cinema de Los Angeles. The Worst Movie Ever! teve apenas UM ingresso vendido em sua primeira semana de exibição (o ingresso custou US$ 11 dólares), batendo então o recorde negativo de Zyzzyx Rd apenas para o caso da semana de estréia.
Porém, o recorde acabou saindo na mídia e trouxe alguma repercussão ao filme, e devido a isso, algumas pessoas começaram a ir no cinema assistir essa tragédia, que ficou alguns meses em exibição e totalizou cerca de US$ 25 mil de bilheteria.
The Worst Movie Ever! teve um orçamento de apenas US$ 1.100 dólares, e foi feito propositalmente para ser ruim. A trama mistura coisas como robôs alienígenas, criaturas que roubam almas, e não há uma história contínua, apenas uma sucessão de cenas desconexas. Felizmente isso nunca chegou ao Brasil, e igualmente felizmente, esse lixo não desbancou o título do grande Zyzzyx Rd, que não trapaceou para conquistar seu lugar na História!
PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Crítica - Bugonia (2025)
Pelo terceiro ano consecutivo, após Pobres Criaturas (2023) e Tipos de Gentileza (2024) a atriz Emma Stone e o diretor grego Yorgos Lanthimos estão juntos para entregar um filme esquisito. Algo novo, entretanto, é que se a maioria dos filmes de Yorgos usam roteiros originais escritos por ele, este Bugonia na verdade é uma refilmagem do filme sul-coreano Jigureul Jikyeora! de 2003 (Salvem o Planeta Verde!, em tradução livre).
Na trama de Bugonia, somos apresentados à Michelle Fuller (Emma Stone), uma aparentemente insensível CEO de uma megacorporação farmacêutica, que então é sequestrada por dois cidadãos "comuns": o conspiracionista Teddy Gatz (Jesse Plemons) e seu primo Don (Aidan Delbis). O motivo? Teddy acredita que Michelle na verdade seja de uma raça alienígena maligna que está destruindo a Terra, e portanto, quer que ela o coloque em contato com seu líder para negociar o fim desta destruição.
Além dos personagens / atores citados acima, há outro bem importante em Bugonia: a trilha incidental. Forte e marcante, ela dita os momentos de tensão e os surtos psicóticos de Teddy. Portanto é o som de Bugonia que dá ritmo ao filme, e se ele não estivesse presente, o resultado seria bem menos impactante.
A trama vai direto ao ponto, sem muitas enrolações, focando nos diálogos entre captor e vítima; mas ainda assim o filme tem 2h de duração com várias partes clichês... as acusações que Teddy faz mostrando que Michelle é "malvada", e as maneiras que ela, por sua vez tenta enganar seus algozes, já foi mostrado em filmes tantas vezes que chega a ser um pouco tedioso.
Mesmo assim, o elemento "alienígena" traz algumas novidades, e, claro, a trama têm mais de uma reviravolta. A maior delas eu previ, o que foi um pouco frustrante... porém as demais me surpreenderam. A dúvida se Michelle seria de fato alienígena é curiosamente abordada de forma realista e adequada, enquanto que o personagem de Teddy também não é deixado de lado, com sua complexidade sendo revelada aos poucos, ao mesmo tempo que vemos o aumento de suas manipulações sobre o primo; tudo isso também contribui para uma crescente em caos e tensão.
Jesse Plemons e Emma Stone atuam muito bem, especialmente a atriz. Mais uma vez ela mostra o quanto é versátil, e uma das melhores atrizes de sua geração.
Como bônus, Bugonia se encerra contando uma historinha que nos faz refletir e que me entreteve um bocado pela novidade. Não é um dos melhores trabalhos de Yorgos Lanthimos, mas até por não ser uma obra original dele, é um de seus filmes menos bizarros. E principalmente, muito melhor e mais satisfatório que seu anterior, Tipos de Gentileza. Nota: 7,0
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Crítica - O Agente Secreto (2025)
E finalmente chegou aos cinemas brasileiros O Agente Secreto, nosso filme indicado para o Oscar 2026, e já vencedor de dois prêmios em Cannes 2025: o de Melhor Ator (Wagner Moura) e o de Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho).
Na história, que se passa em 1977, somos apresentados a Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário que está retornando à sua cidade natal Recife após muitos anos, e aparentemente fugindo de algo. Porém este seu afastamento não foi suficiente, e ainda há pessoas querendo vê-lo morto...
Já adianto que o mais impressionante e elogiável de O Agente Secreto é seu roteiro, que consegue apresentar, de forma coerente e bem familiar para nós brasileiros, temas como corrupção na política, na polícia e dos empresários, pobreza, racismo, preconceito contra o nordeste, perseguição da ditadura militar, violência policial, complexo de vira-lata, memória, manipulação da verdade e folclore (ufa!) dentre outros temas. É muita coisa agrupada, e de forma magistral!
E a qualidade do roteiro não fica apenas em seus temas, mas também no que desperta no espectador, com direito a vários momentos bizarros e inesperados, e algumas grandes quebras de expectativas do público. O ápice destas "reviravoltas" acontecem na sequência de ação final do filme, cenas estas que talvez somente nós brasileiros conseguiríamos inventar.
Em termos técnicos, O Agente Secreto tenta reproduzir os anos 70, tanto em termos de fotografia (com cores mais "desgastadas") como na música e design de produção. A trilha sonora é muito boa, nacional, e na maioria das cenas combina muito bem com a ação da tela. Objetos e figurino não me impressionaram tanto... menos os carros, que são destaque: não pouparam esforços para colocarem Fuscas "de colecionador" no filme rs.
O Agente Secreto é facilmente o melhor filme de Kleber Mendonça Filho que assisti até hoje (os outros foram O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016), Bacurau (2019) e Retratos Fantasmas (2023)) e também, digamos, o menos "diferentão", sendo o mais fácil para ser aceito pelo público em geral. Mas apesar de ser um filme excelente, assim como todos os outros filmes de Kleber que acabo de citar O Agente Secreto também possui algumas imperfeições bem claras, que impedem de dar uma nota maior para esta produção.
Algo que me incomodou foram as constantes inserções de rápidas cenas de figurantes fazendo sexo, o tempo todo no filme, para efeito cômico. Precisava? Só para reforçar para os gringos o "clichê" de que aqui no Brasil tudo é uma "putaria"? Também são constantes as citações à filmes estadunidenses. Até imagino que isso tem um propósito claro de agradar a Academia. Mas é sério que precisava disso também? No atual momento político mundial?
Outro problema bem relevante é mais técnico: ao optar por colocar alguns personagens dos "dias de hoje" para interromper a narrativa, O Agente Secreto sofre com várias quebras de ritmo. Em algumas vezes até fazem sentido - para fazer o público respirar - mas na maior parte das incursões atrapalha, e acabam tirando o espectador de dentro do filme, além de que, a interrupção final é tão abrupta e acelerada que pode confundir (presenciei algumas pessoas da minha sessão que não entenderem o final da história).
E finalmente, a meu ver Kleber Mendonça Filho também costuma "divagar" em seus filmes e colocar cenas desnecessárias; O Agente Secreto é seu trabalho em que isso menos acontece, mas o problema está lá novamente. Também não há a necessidade, por exemplo, de tantos personagens, de vários diálogos, e consequentemente, de um filme com 2h e 40min de duração. A longa duração somada às quebras de ritmo "estranhas" tornam O Agente Secreto cansativo em alguns momentos.
Com muitas qualidades e alguns defeitos, O Agente Secreto funciona como uma genial cápsula do tempo, mostrando de maneira bem inusitada mas muito real os múltiplos problemas da sociedade brasileira nos anos 70 e se credencia para a inclusão para a lista de melhores filmes nacionais dos últimos tempos. Nota: 8,0.
Atualização: o ator alemão Udo Kier, presente tanto neste O Agente Secreto como também em Bacurau, faleceu neste 23 de novembro de 2025, aos 81 anos. As causas da morte não foram reveladas.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
Crítica Netflix - Frankenstein (2025)
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Curiosidades Cinema Vírgula #048 - Os Flintstones: as surpreendentes histórias do filme Live-action!
Hoje o primeiro filme Live-action dos Flintstones praticamente não existe mais na lembrança das pessoas. Mas e se eu contar que apesar de "esquecido", em termos de História, a produção foi muito marcante? Vejam: Os Flintstones: O Filme (1994) teve um dos roteiros mais "caóticos" da história do Cinema, foi o pioneiro em uma certa inovação em animação, e ainda, marcou a vida de três atores. Continue lendo para saber todas estas histórias! ;)
Todo bom filme precisa de um bom roteiro... ou não
A história do filme live-action dos Flintstones começa em 1985, quando os produtores Keith Barish e Joel Silver compraram os direitos para fazer a produção, e contrataram Steven E. De Souza para escrever o roteiro, além de trazer o famoso Richard Donner para ser o diretor. O roteiro só foi finalizado em 1987, e não demorou muito para ser rejeitado. Ao longo dos anos, o roteiro foi reescrito por pessoas diversas.
Em 1992, os direitos para produzir o filme foram comprados por ninguém menos que Steven Spielberg, que após trabalhar com John Goodman no filme Além da Eternidade (1989), estava decidido em torná-lo seu Fred Flintstone. Para diretor foi escolhido Brian Levant, devido sua paixão pela franquia dos desenhos.
E claro que com os novos donos, mais alterações foram feitas no roteiro. Do texto inicial ao final, imagina-se que cerca de 35 pessoas tiveram alguma participação, de roteiristas profissionais a escritores de esquetes para TV. Os Flintstones: O Filme foi (justamente) reprovado pela crítica, mas foi um sucesso de público, arrecadando US$ 342 milhões com um orçamento de apenas US$ 46 milhões. Oficialmente, quando lançado, foram creditados apenas 3 nomes como roteiristas: Tom S. Parker, Jim Jennewein e Steven E. de Souza; porém, quando o filme venceu o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do Ano, 32 participantes foram resgatados e creditados nessa "homenagem".
Tigre-dente-de-sabre histórico!
Foram cenas bem curtas, mas as aparições do tigre-dente-de-sabre que ficava invadindo a casa das pessoas em Os Flintstones: O Filme (ver acima) foram as primeiras de um personagem "peludo" feita 100% por CGI (computador) em um longa-metragem. O resultado final até ficou bom, e para que a animação fosse feita, foram criados complexos algoritmos (para a época) que calculavam a movimentação de cada pêlo do animal.
3 Atores. 3 Histórias significativas.
Elizabeth Taylor atuou em seu papel derradeiro como Pearl Slaghoople, a mãe de Wilma Flintstone. Os produtores de Os Flintstones queriam muito que A Dama estivesse no filme. Para convencê-la, "Liz" recebeu vários "mimos": em seu primeiro dia de gravação ela foi recebida com 30 buquês de flores e outros presentes; e toda a renda da première mundial do filme foi doada à fundação de combate à AIDS da atriz, uma das causas pelas quais ela foi mais ativista.
A partir de 1994 Rick já estava atuando em menos filmes, pois devido ao falecimento de sua esposa, vítima de um câncer em 1991, ele tinha que conciliar o trabalho com cuidar de seus dois filhos. Porém após os retumbantes fracassos de Inimigos para Sempre (1996) e Querida, Encolhi a Gente (1997), que sequer conseguiu chegar aos cinemas, ficando apenas em videocassete, Rick Moranis abandonou a carreira de vez e passou a cuidar dos filhos de modo integral. De 1998 pra cá, Moranis apenas trabalhou esporadicamente fazendo vozes em alguns filmes de animação, e recusou qualquer convite para voltar a atuar, negando-se inclusive a voltar para o reboot do Caça-Fantasmas, o Ghostbusters: Mais Além (2021).
Porém, para a surpresa de todos, Moranis resolveu sair da sua aposentadoria e topou participar da continuação de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço! O filme original, que é uma das melhores paródias de Star Wars feita até hoje, promete trazer de volta a maioria dos atores principais, inclusive Mel Brooks, com seus 99 anos. Previsto para chegar aos cinemas só em 2027, ao final deste artigo você poderá assistir o teaser desta maravilhosa produção (em inglês).
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| John Goodman como Fred, e Liz Taylor como Pearl |
domingo, 28 de setembro de 2025
Crítica - Uma Batalha Após a Outra (2025)
Depois de 4 anos - após seu premiado Licorice Pizza (2021) - o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson volta com Uma Batalha Após a Outra. Não é a primeira vez que ele discute sobre temas, digamos, polêmicos em relação a sociedade, como por exemplo já o fez em Magnólia (1999) e em O Mestre (2012), mas aqui, temos seu filme mais abertamente político e declarativo.
A história começa nos anos 2000, onde vemos Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) e "Ghetto" Pat Calhoun (Leonardo DiCaprio), integrantes do grupo revolucionário de extrema esquerda "French 75", atacarem e libertarem um centro de detenção de imigrantes na Califórnia, comandado pelo coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn). Vemos depois o grupo realizar mais alguns ataques até Perfidia ser capturada. Com isso, Pat Calhoun e sua recém nascida filha com que teve com Perfidia mudam de nome (ele vira Bob Ferguson) e fogem para outra cidade, mudando de vida para não serem mais encontrados.
Chegamos aos dias atuais. Willa Ferguson (Chase Infiniti), a filha de Pat e Perfidia, vive em paz com seu pai. Ela tem uma leve idéia do passado da sua família e só. Porém depois de tantos anos, o coronel Steven J. Lockjaw resolve encontrar pai e filha para matá-los. É então que temos uma desproporcional caçada do exército contra nossos protagonistas.
Esta segunda parte do filme, "dos dias atuais", é mais longa e tenta ser bem humorada. Na verdade temos muitas "piadas" ao longo da projeção, divididas em dois tipos: brincando com o despreparo do personagem de DiCaprio, por estar há 2 décadas fora da ativa, ou ironizando o grupo de supremacistas brancos ao qual o coronel Lockjaw quer fazer parte. Embora engraçadas, na prática ri muito pouco, pois é difícil rir no meio de uma ação tão frenética e - principalmente - vendo ao mesmo tempo tantas pessoas sendo atacadas / intimidadas.
Portanto, debaixo de tanta ação e piadas, temos bastante violência e denúncia dos maus tratos que os imigrantes e minorias - especialmente pretos e latinos - sofrem nos EUA. É nesse contexto que o personagem sensei de Benicio del Toro se interliga na história, já que a caçada de Lockjaw pelos Ferguson acaba agredindo toda uma comunidade latina.
Como maiores qualidades de Uma Batalha Após a Outra, além de ótimas atuações, temos uma fotografia excelente, que inclusive em muitas vezes conta com uma câmera que segue os atores "em primeira pessoa", correndo atrás da ação. Outro ponto alto é a competência com que Paul Thomas Anderson traz tensão em seu filme: são mais de 2h30 de muito nervosismo e adrenalina.
Denunciando a injusta e covarde violência contra os imigrantes dos EUA, e ao mesmo tempo de certa forma "convocando" as pessoas para reagirem ao fazer dos revolucionários os heróis, Uma Batalha Após a Outra acaba sendo um forte manifesto - e neste sentido me surpreendendo pela coragem - contra a política atual estadunidense. Todas as brincadeiras e personagens "bizarros" do filme tornam assistí-lo algo mais divertido, mas nem de longe conseguem amenizar toda a violência, tanto da própria obra, quanto da vida real. Nota: 7,0
domingo, 21 de setembro de 2025
Introdução a Demon Slayer e a crítica do filme Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito (2025)
Após considerável espera dos fãs, chega finalmente aos cinemas do mundo inteiro o tão esperado desfecho do anime Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba, no original japonês). Ou melhor, chegou o "começo do fim", já que a saga final desta obra será adaptada em uma trilogia de filmes, sendo este o primeiro, e os outros dois chegarão aos cinemas respectivamente em 2027 e 2029.
Demon Slayer é a adaptção em anime do mangá de mesmo nome escrito e ilustrado por Koyoharu Gotōge, história que já foi concluída no Japão em 2020. Para quem não o conhece, trata-se certamente de um melhores e mais populares mangás/animes de ação/artes marciais criados na última década.
Um breve resumo sobre Demon Slayer e porque ele é tão bom: o protagonista da história é Tanjiro Kamado, um garoto que teve toda sua família - pais e irmãos - trucidada por um demônio (na verdade, os demônios deste universo estão muito mais para vampiros com poderes e formas bizarras), tendo sobrevivendo apenas ele e sua irmã mais nova Nezuko, sendo que essa foi mordida e já se transformou em demônio. Entretanto, de alguma forma, Nezuko preservou boa parte de sua consciência humana, e os irmãos conseguem viver juntos. Então Tanjiro decide se unir à organização dos Esquadrão de Caçadores de Onis (outro nome para os demônios), para conseguir uma cura para sua irmã e impedir que outras pessoas tenham o mesmo destino de sua família.
O anime, exibido tanto pela Netflix quanto pela Crunchyroll, contava até agora com 4 temporadas e 1 filme. E seu encerramento será, conforme dito anteriormente, com uma nova uma trilogia de filmes... tudo pelo lucro do estúdio de animação japonês Ufotable, responsável por Demon Slayer. Até o momento, Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito já é o segundo filme de maior bilheteria da história do Japão. E sabem qual é o primeiro? Demon Slayer - Mugen Train: O Filme, de 2020, que cronologicamente precisa ser assistido após o término da primeira temporada, e antes do início da segunda.
| Uma das cenas iniciais do novo filme, com alguns dos heróis caindo nos andares do "Castelo Infinito" |
Infelizmente Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito só faz sentido para quem assistiu todos os episódios do anime, afinal, ele continua exatamente de onde o 8º e último episódio da 4ª temporada acabou, ou seja, com todos os heróis "caindo" dentro do gigantesco (e então desconhecido) covil dos vilões, o tal Castelo Infinito que dá nome ao filme.
Basicamente, é o esforço final dos 7 Hashira (os melhores espadachins do Esquadrão de Caçadores de Demônios) mais os 3 garotos protagonistas Tanjiro, Zenitsu e Inosuke para matar o poderosíssimo Muzan Kibutsuji, o "primeiro demônio"; porém Muzan está protegido não apenas por suas 6 Luas Superiores (seus 6 demônios mais fortes), como também por milhares de demônios menores e pelo próprio Castelo Infinito.
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito não surpreende, traz exatamente o dele se espera, reunindo tudo o que fez de Demon Slayer ser ótimo e bem sucedido. É como se fosse uma seqüência de alguns ótimos episódios do anime, que aliás fica bem claro com algumas quebras bem grandes de ritmo no filme, quando o mesmo para a ação para contar histórias de flashback.
Mas se é assim, por que assistir esse Demon Slayer nos cinemas e não em casa? Bem, um motivo é que já foi anunciado que ele só irá ser liberado para os streamings em 2026. Mas os dois principais motivos são som e perspectiva. A trilha sonora é muito boa, forte e barulhenta, alternando entre instrumental épico, baladas eletrônicas de ação e ou batidas de tambores orientais. Um som grandioso que você não terá na sua casa. Já as imagens do Castelo Infinito fazem muito mais sentido se vistos em uma sala de cinema. Do jeito que as tomadas das lutas foram feitas, vendo as batalhas em uma telona, você se sente dentro dos largos cômodos, testemunhando tudo ao vivo.
Ah, e quem acompanha o anime já sabe que Demon Slayer é bem violento, e que perdas acontecem dos dois lados... Portanto não fiquem chocados ao já ver no primeiro filme heróis morrendo...
Sendo a primeira parte de uma trilogia, o filme deu pouco espaço para vários de seus personagens, e focou apenas em alguns, que foram: Tanjiro, Zenitsu, Shinobu Kocho (a Hashira dos Insetos), Giyu Tomioka (o Hashira da Água) e as Luas Superiores 2 (Doma), 3 (Akaza) e 6 (Kaigaku). Com isso, imagino que eles - o que inclui o protagonista Tanjiro - pouco aparecerão no capítulo seguinte.
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito é um bastante promissor começo para o derradeiro arco deste grande anime. Mantendo essa qualidade até o fim, ficarei bem satisfeito. De ruim mesmo é ter que aguardar 2027 e 2029... Nota: 8,0
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