Seguimos com mais dois lançamentos produção original Netflix. Um filme co-produção entre Austrália e EUA que ainda se encontra no Top 10 de filmes no streaming, e um filme Argentino que a maioria de vocês sequer ouviu falar rs. Confiram!
Diretor: Baltasar Kormákur
Atores principais: Charlize Theron, Taron Egerton, Eric Bana, Matt Whelan
Outra produção Netflix, e a empresa mostra que continua investindo em filmes de ação com um grande nome para atrair o público (a atriz Charlize Theron) e o restante, bem... vamos economizar. Por exemplo, o diretor de O Jogo do Predador é o (para nós) desconhecido islandês Baltasar Kormákur. Pelo menos ele já tem mais de 20 trabalhos na carreira, mas por melhor que fosse sua direção, não seria possível salvar o filme do roteiro do tal de Jeremy Robbins, esse sim alguém com currículo muito mais inexpressivo, com apenas um ou outro trabalho mediano na TV.
Na história, Sasha (Charlize Theron) é uma experiente alpinista que resolve viajar sozinha para um parque nacional da Austrália, em busca de aventura e sossego. Porém, ao chegar neste belo local isolado, é "sequestrada" pelo psicótico Ben (Taron Egerton), que por sua vez, pouco depois a solta e, empunhando uma arma, lhe propõe um "jogo": vai lhe dar alguns segundos de vantagem para fugir na floresta, para em seguida sair atrás dela para caçá-la e matá-la.
O filme até tem alguns momentos de tensão razoáveis. Mas é só; o roteiro, em geral, é muito ruim. Os diálogos em O Jogo do Predador são fracos e irreais. Mas o pior do filme é o vilão Ben, um personagem absurdamente caricato, que parece que saiu de um filme B de baixíssimo orçamento; e além disso o personagem sequer é desenvolvido: o filme termina e continuamos sem saber qualquer coisa sobre o pequeno psicopata... qual é sua história ou motivações.
Charlize Theron é uma das melhores atrizes de sua geração e como sempre atua bem neste O Jogo do Predador; porém ela é ótima atriz mas infelizmente não é mágica: ela também não conseguiu salvar este filme. Nota (de 1 a 6):
Diretor: Juan José Campanella
Atores principais: Luis Brandoni, Eduardo Blanco, Verónica Pelaccini, Agustín Aristarán
Parque Lezama é o nome de uma grande área pública de Buenos Aires, e também o local onde passa toda a ação deste filme argentino de mesmo nome. A história é uma adaptação feita pelo diretor e roteirista Juan José Campanella da peça de teatro I'm Not Rappaport, de 1985, escrita pelo estadunidense Herb Gardner.
A história começa com dois velhinhos na casa dos 80 anos se encontrando no banco do tal parque: o falante e animado León (Luis Brandoni) e o rabugento Antonio Cardozo (Eduardo Blanco), que aparentemente não está interessado na companhia. O motivo é que após conviver algumas semanas com León, Antonio percebeu que seu colega acaba mudando sua história depois de alguns dias: seu nome, sua profissão, etc.
O contraponto da personalidade "ranzinza" e tímida de Antonio com a atitude sempre acolhedora e expansiva de Antonio faz de Parque Lezama um filme com bastante comédia. Porém, no filme também há um bocado de drama. De modo surpreendente, o filme praticamente não dá quase nenhum espaço para o sentimentalismo, mas ao mesmo tempo, discute muitos assuntos sérios: o etarismo, luta de classes (León é um judeu socialista), vícios, heroísmo, fraternidade. Não é comum - e ao mesmo tempo uma grande qualidade - abordar tantos assuntos.
Ainda assim, o assunto principal não deixa de ser o fato de que León e Antonio são idosos, e como cada um lida e sofre com isso atualmente. Há reflexão quanto a passagem do tempo, sobre como a sociedade e as pessoas em geral, em boa parte das vezes sem perceber, vão "descartando" e diminuindo os velhinhos, sobre "compensar o tempo perdido". Também é mostrado, na situação de quando a pessoa já vai ficando com idade o suficiente para não conseguir se cuidar sozinha, tanto o ponto de vista dos "pais" quanto dos "filhos".
Parque Lezama nos apresenta todos esses assuntos com bastante humor, mas ao mesmo tempo, respeito, beleza e um pouco de fantasia. Não traz nenhuma conclusão direta, mas certamente nos faz refletir e concluir algumas coisinhas nas entrelinhas. Os dois protagonistas atuam muito bem, no que aliás clamo para que vocês assistam o filme com o áudio original. Um "problema", entretanto, é que a Netflix só disponibilizou legendas em Português de Portugal.
Se você não estiver com "receio" de lembrar de temas mais sérios da vida, ainda que de forma leve, Parque Lezama é uma ótima pedida. Nota (de 1 a 6):





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