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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Dupla Crítica Prime Video - Código Preto (2025) e Dupla Perigosa (2026)


Mais uma vez vamos de "pague um e leve dois". Embora não seja produção da Prime Video - Código Preto esteve nos cinemas brasileiros em Março de 2025 - ele chegou nos streamings faz poucos meses; já Dupla Perigosa, esse sim lançamento exclusivo e direto na Prime Video, foi lançado há poucas semanas e traz um inusitado encontro dos brutamontes Dave Bautista e Jason Momoa. Bora ver minha opinião sobre eles!



Código Preto
 (2025)
Diretor: Steven Soderbergh
Atores principais: Cate Blanchett, Michael Fassbender, Marisa Abela, Tom Burke, Naomie Harris, Regé-Jean Page, Pierce Brosnan

O diretor estadunidense Steven Soderbergh tem em sua filmografia vários filmes de ação e suspense envolvendo múltiplos personagens, como por exemplo Traffic (2000), a trilogia de Onze Homens e Um SegredoO Desinformante! (2009), e Contágio (2011). Em Código Preto não temos tantos personagens, mas o clima de correria com constante tensão que lhe fez famoso continua presente.

Na história, George (Michael Fassbender) e Kathryn (Cate Blanchett) são casados e ambos funcionários da mais avançada célula da NCSC, o Centro de Segurança Cibernética do Reino Unido. George é avisado de que um programa altamente secreto de nome Severus vazou do Centro, e uma das poucas pessoas que poderiam estar envolvidas no vazamento é justamente sua esposa. É então que ele começa uma investigação para descobrir quem de seu time (incluindo Kathryn) é de fato o culpado.

Sinceramente, achei algumas coisas de Código Preto bem inverossímeis: simplesmente todos os personagens se odeiam, se atacam o tempo todo em grande nível de competitividade, e ainda assim trabalham na mesma equipe há anos? Mas, deixando detalhes com este de lado, a trama de suspense  do filme é bem feita - você não sabe até o final se Kathryn é inocente ou culpada - e temos algumas reviravoltas interessantes. Em resumo, temos um bom filme de suspense com bons atores, e o filme merece um pouco mais de reconhecimento. Nota: 7,0.



Dupla Perigosa
 (2026)
DiretorAngel Manuel Soto
Atores principais: Dave Bautista, Jason Momoa, Temuera Morrison, Roimata Fox, Morena Baccarin, Frankie Adams, Claes Bang, Jacob Batalon, Maia Kealoha, Stephen Root
 
Pensem em uma fórmula repetida em filmes. Pois é: um filme de ação com uma dupla de policiais abusando de cenas de humor. Não estamos falando de Máquina Mortífera, A Hora do Rush ou Bad Boys... Desta vez vamos de Dupla Perigosa, com os irmãos Jonny (Jason Momoa) e James (Dave Bautista), aprontando todas no Havaí.

Se Bautista está sempre sério e nas poucas vezes que faz rir é por ser ranzinza, Momoa é o bêbado rebelde que está sempre fazendo suas palhaçadas. Na trama, basicamente a dupla sai lutando contra a máfia para se vingar do assassinato do pai. Dirigido pelo jovem diretor porto-riquenho Angel Manuel Soto, o mesmo de Besouro Azul (2023), tanto no humor quanto nas cenas de ação Dupla Perigosa tem muitos altos e baixos; passagens boas contrastando com passagens ruins.

Curiosamente o melhor do filme é Morena Baccarin, que não tem tanto tempo de tela, e que no filme também é brasileira. No final das contas, mesmo atuando tão bem com o Cigano Igor, a dupla Bautista e Momoa até combinou. Dupla Perigosa é um filme de Sessão da Tarde legalzinho, mas é divertido. Nota: 6,0.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dupla Crítica Filmes do Oscar - Sonhos de Trem (2025) e Pecadores (2025)


Aproveitando que o assunto Oscar está em alta, já que a lista de indicados para o Oscar 2026 foi divulgada semana passada, hoje trago a crítica de duas produções que figuram entre a lista dos indicados a Melhor Filme. Primeiro, Sonhos de Trem, é distribuído apenas pela Netflix e somou 4 indicações; e depois vamos de Pecadores, com suas inéditas DEZESSEIS indicações. Curiosamente, os dois filmes se passam mais ou menos na mesma época, ou seja, no começo do século XX. Veja a seguir o que eu achei de ambos!


Sonhos de Trem (2025)
Diretor: Clint Bentley
Atores principais: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry Condon, Will Patton, William H. Macy, John Diehl, Nathaniel Arcand, Ignatius Jack

Sonhos de Trem é um filme baseado em um livro de mesmo nome, cujos direitos de transmissão foram comprados pela Netflix. Ou seja, para vê-lo, terá mesmo que ser via o streaming do "N" vermelho.

Na história, acompanhamos praticamente toda a vida adulta de Robert Grainier (Joel Edgerton), um órfão meio "bruto", calado, que passa as primeiras décadas dos anos 1900 trabalhando na construção de ferrovias, principalmente como lenhador, e eventualmente ajudando a assentar os trilhos.
 
Sonhos de Trem é, mais do que qualquer outra coisa, um filme bastante contemplativo sobre luto e passagem do tempo. Assim como seu personagem principal, o roteiro pouco se preocupa com diálogos, em falar algo... o que temos, em geral, é uma lenta contemplação de belíssimas (e muitas vezes tristes) imagens.
 
Imagens estas que ganharam a indicação para o Oscar de Melhor Fotografia, que, não sei se vocês sabem, foram produzidas pelo brasileiro Adolpho Veloso. Ou seja, caso Sonhos de Trem leve esta estatueta, sim, ela será do Brasil! Olha, e seria merecida... a fotografia aqui é realmente maravilhosa!
 
Não há uma conclusão para Sonhos de Trem... assim como não há uma conclusão para o sentido da vida. Mesmo assim, acompanhar a melancólica passagem de Robert por este planeta é uma experiência comovente, com final satisfatório, e que vale a pena assistir para nos fazer parar, respirar, e refletir; nem que seja apenas por algumas horasNota: 6,0.



Pecadores
 (2025)
DiretorRyan Coogler
Atores principais: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O'Connell, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo
 
Eu assisti Pecadores no ano passado, mas devido a ele conseguir nada menos que 16 indicações ao Oscar - novo recorde absoluto - tive que voltar aqui para escrever minha crítica e deixar minha opinião. O filme é uma história que mistura drama histórico com terror, e se passa no ano de 1932 na região do rio Mississippi, em um racista sul dos EUA.

Vamos começar pelas coisas que Pecadores é realmente bom. Primeiro, sua ótima fotografia, e o fato de boa parte das cenas serem a noite só torna este trabalho ainda mais admirável. Em segundo lugar, o filme é um grande tributo ao Blues, fazendo este gênero musical parte da trama em todo momento, e de um jeito muito bonito. Pecadores mostra suas origens (este estilo musical de fato surgiu naquela região, incorporando tradições musicais africanas), exibindo empolgação e emoção genuínas dos personagens com o ritmo, conduz a história com canções e melodias belíssimas (a trilha sonora, recheada de blues, é excelente), e também, não esquece de mostrar que esta música servia para "amenizar" o trabalho do trabalhador negro nos campos de colheita durante o dia, e ser uma das poucas válvulas de escape para eles à noite.
 
E finalmente o melhor e mais impactante de Pecadores é sua mensagem final: que para alguém preto nos EUA dos anos 30, não importa trabalhar duro do jeito honesto ou do jeito desonesto; no filme os personagens tentaram dos dois jeitos, mas em ambos os casos é impossível ser bem sucedido... sim, você até pode ter alguma melhora de vida... como empregado; mas nunca será um "patrão" (mensagem que, dadas as devidas proporções, ainda é um bocado aplicável nos dias de hoje).
 
Pecadores é, de fato, um filme... diferente. Afinal, ele passa a maioria de sua história sem nos mostrar nada de sobrenatural, e então, em seu ato final, aparecem vampiros de tudo quanto é lado. Porém, isso já foi feito antes, em Um Drink no Inferno (1996), de Robert Rodriguez. Foi feito antes e foi feito melhor, já que os vampiros de Robert Rodriguez são mais assustadores do que estes aqui criados por Ryan Coogler. Em Um Drink no Inferno tínhamos uma história policial interessante, mas seu desfecho com vampiros era o melhor do filme: apoteótico, marcante. Isso não acontece em Pecadores: quando os dentuços chegam, o filme piora.
 
Há mais problemas em Pecadores: o desenvolvimento dos personagens é questionável. Sim, nós simpatizamos com eles porque são bastante oprimidos; porém o que conhecemos de verdade sobre cada um deles? Com exceção do "Preacher Boy" (Miles Caton), o pouco que aprendemos sobre os personagens são através de insinuações sobre o passado dos mesmos através de diálogos, e temos uma amarga  sensação de que "pegamos o bonde já andando". Esta falta de aprofundamento não permite que os atores tenham momentos de grande necessidade de atuação em tela (com uma única possível exceção para o novato Miles Caton, em seu primeiro filme da carreira). Desde modo, mesmo que em geral o elenco todo esteja bem, para mim as indicações de Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Melhor Elenco dadas pelo Oscar são exageradas.
 
Como resultado final, Pecadores acaba sendo um drama histórico muito bom, mas como filme de terror - que aliás é a forma na qual ele mais se vende - é mediano. Imagino que Coogler quis trazer o terror para a história para que seu filme ficasse "único"; porém, o gênero não combinou direito: o verdadeiro confronto do bem contra o mal do filme não é espiritual, é bem terreno. Toda vez que em Pecadores que a história puxa para o sobrenatural, algo parece deslocado, e pior ela fica.
 
Somando prós e contras o filme é sem nenhuma dúvida acima da média. Aquelas "três coisas em que o filme é bom" que citei no começo deste artigo fazem muita diferença. Por outro lado, a produção não é tudo o que falam, a meu ver. O fato dos dois filmes com mais indicações ao Oscar 2026 serem Pecadores (com 16) e Uma Batalha Após a Outra (com 13) aparenta ser reflexo de uma temporada com produções concorrentes mais fracas e a Academia querendo passar um recado político ao péssimo governo estadunidense atual. Nota: 7,0.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Retrospectiva Cinema Vírgula 2025: confira os Melhores e Piores filmes e séries do ano que passou!

FELIZ 2026 a todos os leitores do Cinema Vírgula! Em 2025 eu quase bati o recorde de publicações em um único ano deste blog... foram 74; contra 76 do ainda recordista 2015.

E novamente, como já acontece há vários anos, trago no primeiro final de semana do nosso novo ciclo solar uma retrospectiva do melhor e pior de filmes e seriados do ano que se passou. Lembrando que o critério para ser citado aqui é eu ter assistido, e de ter sido lançado no Brasil em 2025. Bora!


Os filmes de 2025

Assim como no ano passado, em geral os melhores filmes apareceram no começo do ano, afinal, eram os "filmes do Oscar". Depois disso, nada de muito interessante. E novamente os estúdios internacionais focaram pesado em continuações ao invés de criarem coisas novas... O resultado? Sono. Outra tendência que vem se consolidando é que as pessoas vão mais para o cinema ver filmes infantis, e ligam cada vez menos para os filmes mais "adultos". Tanto que o Top 3 de bilheteria mundial ficou com a animação chinesa Ne Zha 2 - O Renascer da Alma em primeiro lugar, Zootopia 2 em segundo, e com o live-action de Lilo & Stitch em terceiro.

Melhores: com muito orgulho, para mim os 3 melhores que assisti neste ano são... brasileiros!! Trata-se de Ainda Estou Aqui, responsável nada menos pelo primeiro Oscar do Brasil na história, O Agente Secreto e O Filho de Mil Homens, este último exclusivo da Netflix. Escrevi a crítica de todos eles aqui no Cinema Vírgula, basta clicar no nome para ler. ;)

Em termos internacionais, o melhor pra mim foi um anime, o espetacular Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito. E também faço questão de citar aqui entre os melhores o filme do Superman. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida. Mas foi o melhor filme de super-heróis do ano e, dada a enorme responsabilidade que ele tinha - reconstruir e reiniciar o Universo DC nos cinemas - o fez de modo satisfatório.

Walter Salles (ao centro) e Fernanda Torres nas gravações de Ainda Estou Aqui

Piores: aqui vamos começar com meu Top 2: em segundo lugar vem The Old Guard 2, da Netflix. O primeiro filme até tinha sido bom e promissor... mas sua continuação errou tudo. Agora o pior filme que assisti no ano, disparadamente, foi Um Filme Minecraft, que infelizmente para mim aliás, foi grande sucesso de bilheteria. O filme é tão horroroso que não tive vontade sequer de escrever sua crítica aqui para o blog.

Como menções honrosas, quero citar também A Fonte da Juventude, da AppleTV+, e The Electric State, da Netflix. Como todos bem sabemos, as empresas de streaming prezam pela quantidade ao invés da qualidade, e por isso que são deles que vemos muitos filmes ruins envolvendo artistas famosos. Porém com The Electric State a dona Netflix se superou, já que gastou US$ 320 milhões para fazer essa bomba, um dos filmes mais caros da história.

DecepçõesMissão: Impossível - O Acerto Final não é ruim. Mas sendo este oitavo Missão Impossível o final da franquia, é um pouco decepcionante que ele seja o filme menos bom desde o terceiro. Outra decepção que tive foi com O Esquema Fenício, filme do diretor Wes Anderson, que gosto bastante. Também não é um filme ruim, mas certamente é o mais fraco de toda a carreira de Wes, cujos filmes estão piorando, mas parecia ter se recuperado com sua série de curtas lançada na Netflix.

O horror! Simplesmente, o horror!

A surpresa: depois de um ano tão tenso e problemático como 2025, quis me dar o direito de descansar o cérebro com um filme em que não tenha que me preocupar com discussões da vida real, apenas me divertir. No caso, falo de F1: O Filme. E ele entra na minha lista de surpresas porque os estadunidenses costumam não entender de Fórmula 1, então não estava esperando por um filme bom. F1: O Filme é basicamente uma história de conto de fadas para amantes desse esporte. Conexão com a realidade? Muito pouco. Mas é épico, vaza testosterona, e conta com uma fotografia primorosa, além de uma trilha sonora boa e empolgante.


As séries de 2025

Entendo que 2025 não foi um ano tão bom para as séries de TV, primeiro porque o que mais gostei de assistir foi Frieren (Crunchyroll e Netflix), que não tem episódios novos desde meados de 2024. E temporadas bem esperadas, como as finais de The Boys (Prime Video) e Dungeon Meshi (Netflix), e a segunda temporada de Fallout (Prime Vídeo), ficaram só para 2026. E praticamente todos os seriados que gostei muito em anos anteriores, entregaram temporadas inferiores em 2025. Enfim, vamos aos meus comentários...

Melhores: com o grande número de decepções, deu para trazer de volta Black Mirror (Netflix) como uma das melhores séries do ano. Sua 7ª temporada não trouxe temas muito recentes e originais, mas ainda sim, achei que 5 dos seus 6 episódios trouxeram histórias muito boas; e o outro que entra aqui é a 2ª e última temporada de Sandman (Netflix), que conforme disse anteriormente nesta lista, perdeu bastante qualidade em sua metade final, mas ainda assim, como um todo, encerra a série muito acima da média.

Sandman (2ª temporada)

Piores: agora a escolha ficou fácil: os piores são facilmente identificáveis e vieram em dose dupla. Trata-se das 2ª temporadas de Wandinha (Netflix) e de The Last of Us (HBO Max). Não bastando uma trama bem parecida (e piorada), e reciclando os mesmos vilões da temporada anterior, o roteiro de Wandinha faz algo ainda pior: tira muito tempo de tela da então protagonista, interpretada pela ótima Jenna Ortega, e dá bastante espaço para vários outros personagens, infinitamente menos interessantes. Já os "jênios" roteiristas de The Last of Us pegam a maior e mais chocante reviravolta que, nos videogames, acontece no meio de The Last of Us Part II, e já a revela no final do primeiro episódio, o que estraga muito o impacto da trama, tanto desta 2ª temporada, quanto da futura 3ª. Mas os problemas não param por aí: a personagem Ellie é absurdamente inconsistente, alternando entre uma "bocó fofa" e a pessoa violenta e vingativa que deveria ser, seguindo o material original. Ah, deixando claro, isso NÃO é culpa da atriz, é culpa do roteiro. Certamente não continuarei a assistir nenhuma destas duas séries.

Wandinha (2ª temporada)

Decepções: a lista tem vários nomes, e já aviso que gostei da temporada 2025 de todos eles. O problema é que em todos os casos eu esperava mais, e o que estes seriados entregaram, foi certamente a pior temporada de seus respectivos programas. São eles: Pacificador (HBO Max), The White Lotus (HBO Max), Only Murders in the Building (Disney+) e 1670 (Netflix). Uma pena, pois tenho apreço a todas estas séries. Provavelmente não irei mais assistir The White Lotus, entendo que a fórmula está 100% esgotada. Para os outros 3, vou dar novas chances. E, não acredito no que vou falar mas lá vai: Only Murders in the Building precisa renovar bastante os personagens, e principalmente, se livrar da personagem de Meryl Streep, a pior coisa da última temporada.

A surpresa: e não é que a estréia de James Gunn como novo chefão do universo DC foi boa apesar de ser com um título totalmente desconhecido (e portanto arriscado)? A primeira temporada da animação Creature Commandos (HBO Max) me surpreendeu positivamente, e apesar de ser uma espécie de continuação direta de um inconsistente Esquadrão Suicida, o resultado final foi muito bom.


Top 5: os mais lidos do Cinema Vírgula em 2025

A lista do Top 5 de artigos mais lidos do ano no Cinema Vírgula costuma me surpreender e desta vez não foi diferente. No Top 3 temos a crítica de 2 filmes do Oscar, porém, no segundo lugar aparece um "intruso", o surpreendente Nosferatu, que jamais esperava ter tanto interesse das pessoas.

Em quarto lugar temos o novo Superman, mostrando a força da DC Comics no Brasil, e em quinto tivemos um artigo que não foi crítica cinematográfica. Eu sempre fico feliz quando uma de minhas "curiosidades" é bem lida; porém das 16 que publiquei no ano passado, jamais apostaria minhas fichas nela. Vejam a lista:

Lista dos filmes que assisti em 2025

E finalmente, encerro minha retrospectiva com a lista de todos os filmes que assisti neste 2025, somando filmes novos ou antigos, sendo a primeira vez que os vi ou não. No total foram 93.

Lembrando que os filmes em laranja negrito e com um (*) são aqueles a que dou uma nota de no mínimo 8,0 e portanto, recomendo fortemente.

O Agente Secreto (idem, Alemanha / Brasil / França / Países Baixos, 2025)   (*)
Ainda Estou Aqui (idem, Brasil / França, 2024)   (*)
Algo de Errado Não Está Certo (idem, Brasil, 2020)
Alta Ansiedade ("High Anxiety", EUA, 1977)
O Amor Está no Ar ("Love Is in the Air", Austrália, 2023)
Anora (idem, EUA, 2024)
O Aprendiz ("The Apprentice", Canadá / Dinamarca / EUA / Irlanda, 2024)
Aqui ("Here", EUA, 2024)
O Auto da Compadecida 2 (idem, Brasil, 2024)
A Avaliação ("The Assessment", Alemanha / EUA / Reino Unido, 2024)
Balada de Um Jogador ("Ballad of a Small Player", Alemanha / Reino Unido, 2025)
Bananas (idem, EUA, 1971)
Uma Batalha Após a Outra ("One Battle After Another", EUA, 2025)
Borderlands (idem, EUA / Hungria, 2024)
Bugonia (idem, Canadá / Coreia do Sul / EUA / Irlanda / Reino Unido, 2025)
O Brutalista ("The Brutalist", Canadá / EUA / Reino Unido, 2024)
Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze ("Gekijô-ban Chensô Man Reze-hen", Japão, 2025)
Clonaram Tyrone! ("They Cloned Tyrone", EUA, 2023)
A Comédia dos Pecados ("The Little Hours", Canadá / EUA / Itália, 2017)
Cora Coralina - Todas as Vidas (idem, Brasil, 2017)
Corra que a Polícia Vem Aí! ("The Naked Gun", Canadá / EUA, 2025)
Cúpula do Caos ("Rumours", Alemanha / Canadá / EUA / Hungria Reino Unido, 2024)
A Cura ("A Cure for Wellness", Alemanha / EUA / Luxemburgo, 2016)
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito ("Gekijô-ban Kimetsu no Yaiba Mugen Jô-hen", EUA / Japão, 2025)   (*)
Deu a Louca na História: O Filme ("Horrible Histories: The Movie - Rotten Romans", Reino Unido / Suíça, 2019)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (idem, Brasil, 1964)
O Doador de Memórias ("The Giver", África do Sul / Canadá / EUA, 2014)
Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes ("Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves", Austrália / Canadá / EUA / Irlanda / Islândia / Reino Unido, 2023)   (*)
Éden ("Eden", EUA, 2024)
The Electric State (idem, EUA, 2025)
Eles Não Usam Black-Tie (idem, Brasil, 1981)
Elio (idem, EUA, 2025)
Emilia Pérez (idem, Bélgica / França, 2024)
A Empregada ("The Housemaid", EUA, 2025)
O Esquema Fenício ("The Phoenician Scheme", Alemanha / EUA, 2025)
Extermínio 2 ("28 Weeks Later", Espanha / Reino Unido, 2007)
F1: O Filme ("F1", EUA, 2025)
Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars ("Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga", Canadá / EUA / Islândia, 2020)
O Filho de Mil Homens (idem, Brasil, 2025)   (*)
Um Filme Minecraft ("A Minecraft Movie" / Canadá / EUA / Nova Zelândia / Suécia, 2025)
Flow (idem, Bélgica / França/ Letônia, 2024)   (*)
Flor do Mal ("The Strange Woman", EUA, 1946)
A Fonte da Juventude ("Fountain of Youth", EUA / Reino Unido, 2025)
Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Garotas em Fuga ("Drive-Away Dolls", EUA / Reino Unido, 2024)
Grande Hotel ("Four Rooms", EUA, 1995)
O Grinch ("The Grinch", EUA, 2018)
Honey, Não! ("Honey Don't!", EUA / Reino Unido, 2025)
Indiana Jones e a Relíquia do Destino ("Indiana Jones and the Dial of Destiny", EUA, 2023)
Ingrid Vai Para o Oeste ("Ingrid Goes West", EUA, 2017)
Jay Kelly (idem, EUA / Itália / Reino Unido, 2025)
Jogador Nº 1 ("Ready Player One", Austrália / Canadá / EUA / Índia / Japão / Reino Unido / Singapura, 2018)
Lilo & Stitch (idem, Austrália / Canadá / EUA, 2025)
O Mágico de Oz ("The Wizard of Oz", EUA, 1939)
Um Maluco no Golfe 2 ("Happy Gilmore 2", EUA, 2025)
MaXXXine (idem, EUA / Nova Zelândia / Reino Unido, 2024)
O Menino e a Garça ("Kimitachi wa Dô Ikiru ka", Japão, 2023)
Meu Jantar com André ("My Dinner with Andre", EUA, 1981)
Mickey 17 (idem, Coréia do Sul / EUA, 2025)
Missão: Impossível - O Acerto Final ("Mission: Impossible - The Final Reckoning", EUA / Reino Unido, 2025)
A Morte lhe Cai Bem ("Death Becomes Her", EUA, 1992)
Os Mortos Não Morrem ("The Dead Don't Die", EUA / Japão / Suécia, 2019)
Mulan (idem, China / EUA, 2020)
A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Mussum: O Filmis (idem, Brasil, 2023)
Ne Zha ("Nezha: Mo tong jiang shi", China, 2019)
A Noite Sempre Chega ("Night Always Comes", EUA / Reino Unido, 2025)
Nosferatu (idem, EUA / Hungria / Reino Unido, 2024)
O Pagador de Promessas (idem, Brasil, 1962)   (*)
Pecadores ("Sinners", Austrália / Canadá / EUA, 2025)
Pisque Duas Vezes ("Blink Twice", EUA / México, 2024)
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos ("The Fantastic Four: First Steps", EUA, 2025)
O Quarto ao Lado ("The Room Next Door", Espanha / EUA / França, 2024)
A Queda ("Fall", EUA / Reino Unido, 2022)
Ricky Stanicky (idem, Austrália / EUA / Reino Unido, 2024)
Robô Selvagem ("The Wild Robot", EUA, 2024)   (*)
Saturday Night: A Noite que Mudou a Comédia ("Saturday Night", EUA, 2024)
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim ("The Lord of the Rings: The War of the Rohirrim", EUA / Japão/ Nova Zelândia, 2024)
Sonhos de Trem ("Train Dreams", EUA, 2025)
S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço ("Spaceballs", EUA, 1987)
Superman (idem, EUA, 2025)
The New Yorker: 100 Anos de História ("The New Yorker at 100", EUA, 2025)
The Old Guard 2 (idem, EUA, 2025)
Thunderbolts* (idem, EUA, 2025)
Transformers: O Início ("Transformers One", EUA, 2024)
Os Três Mosqueteiros: Milady ("Les Trois Mousquetaires: Milady", Alemanha/ Bélgica / Espanha / França, 2023)
TV Pirada ("UHF", EUA, 1989)
A Última Loucura de Mel Brooks ("Silent Movie", EUA, 1976)
A Vida por Philomena Cunk ("Cunk on Life", Reino Unido, 2024)
Viúva Negra ("Black Widow", EUA, 2021)
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out ("Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery", EUA, 2025)
Wallace & Gromit: Avengança ("Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl", Reino Unido, 2024)
The Witcher: Sereias das Profundezas ("The Witcher: Sirens of the Deep", Coréia do Sul / EUA / Polônia, 2025)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Dupla Crítica Filmes Netflix - O Filho de Mil Homens (2025) e A Noite Sempre Chega (2025)


Hoje publico minhas duas últimas críticas de filmes de 2025, ambos lançamentos exclusivos na Netflix. O primeiro e mais recente, O Filho de Mil Homens, foi lançado em Outubro e é produção nacional. Já A Noite Sempre Chega é um filme estadunidense que estreou em Agosto, e resolvi trazê-lo aqui porque ele teve pouca repercussão, então é uma oportunidade para mais pessoas conhecerem. Bora para as análises!



O Filho de Mil Homens
 (2025)
Diretor: Daniel Rezende
Atores principais: Rodrigo Santoro, Rebeca Jamir, Miguel Martines, Johnny Massaro. Grace Passô, Juliana Caldas, Zezé Motta

Baseado em um livro de mesmo nome de 2011, escrito pelo português Valter Hugo Mãe, O Filho de Mil Homens conta a história de algumas pessoas em um pequeno vilarejo à beira-mar, nos anos 1950 (informação esta que só aparece no livro, o filme não traz nenhuma informação de data). São 5 personagens principais, todos eles rejeitados pela sociedade, e que vivem em imensa solidão.

O Filho de Mil Homens é lento, contemplativo... e pesadíssimo: vemos os personagens principais sofrerem os mais diversos tipos de violência (o filme tem indicação mínima para 16 anos), mas ao mesmo tempo, têm muita beleza, seja pela suas imagens e fotografias belíssimas, mostradas como se fossem pinturas em quadros, ou pela narração que parece poema, ou ainda, nos tocantes momentos de afeto que estes sofridos protagonistas recebem e/ou proporcionam.

Exemplificando alguns dos dramas apresentados, um dos personagens passou a vida sendo forçadamente trancado em casa por ser homossexual; outra, viveu igualmente trancada para poder se casar virgem... e não contarei mais para não estragar as surpresas emocionais do filme.

Roteiro e montagem de O Filho de Mil Homens são brilhantes em mostrar como a vida de cada um dos 5 personagens, a princípio histórias isoladas, se encaixam umas com as outras formando uma história única. Outro ponto muito elogiável são as atuações: o elenco é bem numeroso, e com várias interpretações ótimas.

Pelo que verifiquei, filme e livro são bem parecidos, sendo as principais diferenças que no livro o personagem Crisóstomo (Rodrigo Santoro) tem mais destaque, além de trazer muito mais reflexões internas e detalhes típicos da cultura de Portugal. Ainda assim, apesar das mudanças, o filme de O Filho de Mil Homens conseguiu manter a essência da obra original, é comovente, e em uma definição simples, uma poesia audiovisual. Nota: 8,0.



A Noite Sempre Chega 
(2025)
Diretor: Benjamin Caron
Atores principais: Vanessa Kirby, Jennifer Jason Leigh, Zack Gottsagen, Stephan James, Randall Park

O segundo filme deste artigo também é adaptação de um livro, trata-se do livro de mesmo nome escrito pelo estadunidense Willy Vlautin, publicado em 2021. Porém, mesmo sendo a adaptação de algo escrito já há alguns anos, fiquei com a sensação de que A Noite Sempre Chega teve fortes influências do cinema recente. Explico:

Do modo que A Noite Sempre Chega foi filmado, parece que seus produtores e diretor quiseram fazer aqui um novo Anora, aproveitando o hype do filme que havia acabado de vencer o prêmio máximo do Festival de Cannes (e vários meses depois, levaria também o prêmio máximo dOs Oscars).

Assim como no filme anteriormente citado, A Noite Sempre Chega é filmado em um ritmo frenético de muita ação e caos. As semelhanças também aparecem na paleta de cores escolhida na fotografia, cenários, e maneira de enquadramento da câmera. As protagonistas também são parecidas, já que aqui a personagem principal Lynette (Vanessa Kirby) é uma (ex?) garota de programa.

Entretanto os paralelos com Anora se encerram aí. Se lá, apesar do drama, há alívio cômico e cenas mais leves e sensuais, aqui em A Noite Sempre Chega não há nenhum respiro, tudo é sério, muito tenso e violento. Na trama, também totalmente diferente, Lynette mora há muitos anos com sua mãe (Jennifer Jason Leigh) e seu irmão mais velho com síndrome de Down, Kenny (Zack Gottsagen), em uma casa alugada cujo dono vai vendê-la; então ela tem apenas alguns poucos dias para cobrir a oferta e comprar a casa ela mesma, ou a família será despejada. Conforme o pouco tempo vai passando e ela vai tendo dificuldade para arrumar o dinheiro, Lynette começa a fazer coisas cada vez mais condenáveis e arriscadas.

Não sei como a história de A Noite Sempre Chega é no livro, mas o roteiro exibido no filme deixa a desejar. Ao não contextualizar nada do passado de Lynette e sua mãe, fica muito difícil entender algumas ações de ambas, principalmente da matriarca. Já o final do filme, que em teoria "conclui tudo", na prática deixa uma sensação de não concluir nada... Não me parece plausível que tudo o que vimos não terá consequências futuras, ou mesmo, que o final tenha de fato concluído minimamente todas as questões que o filme propôs.

Como drama, A Noite Sempre Chega não é ruim, seu clima de constante tensão e reviravoltas são muito bem executados e o ponto alto da produção. Mas com um roteiro não muito convincente, e sem se preocupar em nenhum momento em cativar o público, o filme não chega perto daquele que, em minha teoria, tentou imitar. Nota: 6,0.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crítica Netflix - Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025)

Título
: Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out ("Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery", EUA, 2025)
Diretor: Rian Johnson
Atores principais: Daniel Craig, Josh O'Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright
Nota: 7,0

Rian Johnson completa sua "Trilogia Knives Out" com o melhor dos três filmes

Depois de seu Entre Facas e Segredos (2019) e sua seqüência Glass Onion: Um Mistério Knives Out (2022), o diretor e roteirista Rian Johnson encerra com Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out os dois filmes da franquia "Knives Out" que ele prometeu fazer e entregar para a Netflix vendendo os direitos de exclusividade por absurdos US$ 469 milhões. Quando criou a franquia, em 2019, sua idéia era trazer uma roupagem moderna para histórias de whodunnit, como as de Agatha Christie, e foi o que ele fez.

Além da história de assassinato em si, para cada um dos filmes Johnson quis trazer algum tema para fazer suas críticas. No primeiro filme, a crítica foi dirigida à velha aristocracia estadunidense, a como eles se acham superiores e tratam os imigrantes; no segundo, os ataques foram aos bilionários da tecnologia. E agora, neste Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o tema escolhido foi o Cristianismo.

Na trama, o jovem padre Jud Duplenticy (Josh O'Connor) é transferido para uma pequena paróquia rural, liderada pelo controverso Monsenhor Jefferson Wicks (Josh Brolin), cujo estranho comportamento e "ortodoxas" pregações mantém sua igreja com um número muito reduzido de estranhos fiéis. Durante uma missa de Sexta-Feira Santa, Wicks é assassinado dentro de uma câmara completamente fechada, o que parece simplesmente impossível. Por isso a chefe de polícia Geraldine Scott (Mila Kunis) convoca o famoso detetive particular Benoit Blanc (Daniel Craig) para investigar a morte.

Comparado com os outros filmes da série, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é o que menos se importa em focar em seus múltiplos personagens (mais uma vez um elenco bem numeroso e com várias estrelas) e concentra-se mais na vida do padre e ex-boxeador Jud. E isso também faz com que em sua primeira metade o filme mais discorra sobre igrejas, padres e fiéis desviando do que Jesus pregou, do que temas relacionados a crimes e filmes de detetive. Mas, quando a morte ocorre, tudo muda totalmente e o clima "policial" entra com tudo, de modo bem acelerado, até a conclusão da história.

Contando com objetos misteriosos e várias reviravoltas (e algumas que certamente não vão surpreender, porém outras sim) no final das contas achei a trama aceitável, divertida e interessante para quem curte histórias de detetive / assassinato. Dentre todos os filmes da franquia, é certamente o menos caótico e engraçado, mas vejo isto como qualidade, o resultado final é o melhor filme dos três, certamente o com menos problemas.

Mas por falar em "problemas", vamos ao que me mais me incomodou... a falta de coragem de Rian Johnson. Acho interessante trazer críticas da sociedade atual para os filmes de detetive... mas se vai fazer isto, por que o fazer de forma tão rasa? Veja: por exemplo no filme anterior, onde a critica foi aos "bilionários da tecnologia"... o filme até mostra que eles são "maus" porém a crítica maior não é neles, e sim nas pessoas que os idolatram.

E agora em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o filme começa criticando, de forma clara até, o mal causado por pessoas que usam a fé por motivos pessoais e/ou por poder, e ele até chega a associar isso com política... mas depois, mal toca no assunto, e nunca associa a religião com o dinheiro. É como se o filme começasse com uma forte critica geral (endossada inclusive pelo seu "herói", o detetive Benoit Blanc), e terminasse com um... ah, esqueçam o que eu critiquei... foi só um padre louco mesmo...

Rian Johnson, que desde que ficou famoso a partir de 2012 por dirigir e escrever o bom Looper: Assassinos do Futuro, e na época foi considerado um "gênio promissor", mais uma vez não realizou a promessa; porém desta vez parece ter colocado sua franquia querida nos eixos. Nota: 7,0.

domingo, 23 de novembro de 2025

Crítica Prime Video - Éden (2024)

Título
Éden ("Eden", EUA, 2024)
DiretorRon Howard
Atores principais: Jude Law, Ana de Armas, Vanessa Kirby, Daniel Brühl, Sydney Sweeney, Jonathan Tittel, Felix Kammerer, Toby Wallace
Nota: 7,0

Estrelado e com ótimas atuações, filme é baseado em bizarra história real

Lançado nos cinemas mundiais ano passado, Éden, o mais recente filme do prestigiado diretor estadunidense Ron Howard (já vencedor do Oscar pelo filme Uma Mente Brilhante) sequer chegou nos cinemas brasileiros, e por aqui estreou diretamente nos streamings, mês passado, via Prime Video.

A chocante história, que ocorre no início dos anos 1930, é baseada em fatos reais, onde um pequeno grupo de pessoas, por motivos diversos, decidiu recomeçar sua vida na ilha Floreana, a ilha mais ao sul do arquipélago vulcânico que conhecemos popularmente como Ilhas Galápagos, e que já se encontrava desabitada há décadas.

A trama começa com a família Wittmer chegando à ilha: Heinz (Daniel Brühl), Margret (Sydney Sweeney) e o filho Harry (Jonathan Tittel) perderam praticamente tudo e, inspirados pela história dos "heróicos aventureiros" Dr. Friedrich Ritter (Jude Law) e sua companheira Dore Strauch (Vanessa Kirby), que já estavam em Floreana há vários anos, resolveram começar uma nova vida por lá.

Todos eles eram alemães, mas mesmo assim, Friedrich não gostou nem um pouco de receber novos integrantes no local. O clima na ilha ficou tenso, mas ainda controlável. Porém tudo explodiu quando um terceiro grupo chegou: a Baronesa Eloise (Ana de Armas) com seus dois amantes / empregados Robert (Toby Wallace) e Rudolph (Felix Kammerer). A interação entre os três grupos iria escalar a tal ponto de tensão onde a história de Éden chegaria até a mortes.

Como ponto mais forte do filme, o elenco estrelar de Éden faz jus a sua contratação e temos ótimas atuações, só por isto valendo a pena assisti-lo. Os conflitos e clima de constante tensão e imprevisibilidade são mais destacados pelos atores do que pelo próprio roteiro.

O que sabemos hoje do que aconteceu na ilha provêm de 3 fontes: dos relatos de Dore Strauch, dos relatos de Margret Wittmer, e das cartas enviadas via correio por Friedrich Ritter (além, é claro, das evidências encontradas via investigações ao longo dos anos pós incidente). Claro que todos os relatos foram bem parciais e muita coisa ficou sem resposta; com isso, os roteiristas Noah Pink e o próprio Ron Howard, disseram que para escrever o roteiro "simplesmente juntaram todas as histórias para criar a única versão que faria sentido". Mas não é bem assim. E no "PS" ao final deste texto eu conto as maiores diferenças do que o filme conta e o que aconteceu na vida real.

De qualquer forma, em linhas gerais, Éden é bem fiel aos fatos verdadeiros dos fatídicos eventos ocorridos na ilha Floreana, e tudo o que aconteceu lá é perturbadoramente interessante. A lamentar, a escolha do diretor / roteirista de praticamente ignorar o desenvolvimento dos personagens, e focar quase em 100% neles fazendo maldades um com os outros. Isso deu mais espaço para os atores brilharem, porém, enfraqueceu a história, tirando dela seus detalhes, além de praticamente impedir a empatia do público com qualquer um dos humanos em tela.

É uma pena em que Éden fracassou absurdamente nas bilheterias, e os motivos disso foram vários: marketing e divulgação fracos, recepção apenas morna da crítica especializada, e chegada aos cinemas no auge da polêmica quanto ao (racista?) comercial de jeans estrelado por Sydney Sweeney para a marca American Eagle.

Pela enorme audiência que programas de "real crime" alcançam na TV e na Internet, mesmo não sendo literalmente deste gênero, Éden tem tudo para manter o interesse deste mesmo tipo de público, e mais ainda, de despertar o interesse nas pessoas que curtem "mistérios do passado", ou ainda, quem simplesmente gosta de ver grandes atuações. Em suma, Éden poderia e merecia um roteiro melhor, porém sua história real mais que se sustenta por conta própria, e seus atores justificam que ele mereça uma melhor chance. Nota: 7,0.

 

PS: as principais diferenças entre o filme e os fatos reais (são spoilers grandes do filme, leia por conta e risco)

As maiores diferenças são em relação ao "desaparecimento" da Baronesa Eloise e seu amante Robert. O filme mostra todos os homens restantes da ilha em grupo para matá-los, e posteriormente o Dr. Ritter enviando uma carta ao governador acusando Heinz Wittmer de ter assassinado o casal. Para começar, na vida real, esta carta não existiu... ou melhor, existiu, porém de modo diferente... Só depois de 6 meses após o sumiço de Eloise e Robert, foi então que o Dr. Ritter escreveu uma carta contando que a dupla havia desaparecido, mas que ele não pôde enviar a carta antes porque os Wittmer o haviam impedido (ou seja, não houve uma acusação direta de assassinato).

Pelos relatos de Margret Wittmer, a Baronesa lhe disse que havia chegado em um iate para levá-la ao Taiti, e que ela deixaria seus pertences para Lorenz; já pela versão de Dore Strauch, ela comenta que na noite anterior ao desaparecimento ela ouviu um grito, e que não viu nenhum barco no dia seguinte, o que a fez suspeitar que ambos teriam sido assassinados pelo outro amante, Rudolf Lorenz. Hoje, a teoria mais "votada" pelos especialistas no caso é que este teria sido mesmo o ocorrido... Lorenz matado os dois e se livrado dos corpos.

Sobre a morte do Dr. Ritter, oficialmente ficou registrado que ele morreu por intoxicação alimentar e desidratação; mas teria sido ele "assassinado" de verdade por Dore? Não dá para saber. Nos relatos de Margret Wittmer há apenas uma leve indireta sobre isso. Ainda assim parece pouco provável que o Dr. Ritter real tivesse se deixado "enganar" daquele jeito. De qualquer forma, o filme não deixa isso claro, mas a Dore real já odiava Ritter quando as demais pessoas chegaram a ilha. E, de fato, as últimas palavras dele antes de morrer, segundo o livro escrito por Margret, foram realmente ele amaldiçoando Dore Strauch.

E finalmente, outra "mentira" que considero relevante, é que embora os 3 grupos se odiassem (e principalmente, que todos odiassem a Baronesa), não há nenhum relato de que ela mandava roubar provisões dos outros grupos, e que ficasse maquiavelicamente jogando um grupo contra o outro; de qualquer forma, alguns incidentes (como o da morte do burro), de fato aconteceram.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Crítica Netflix - Frankenstein (2025)

Título
: Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Diretor: Guillermo del Toro
Atores principais: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz, Mia Goth, Felix Kammerer, Charles Dance, David Bradley, Lars Mikkelsen, Christian Convery
Nota: 7,0

Del Toro esbanja no visual e entrega a sua versão de Frankenstein

O diretor oscarizado mexicano Guillermo del Toro volta para a Netflix, desta vez pensando bastante nos prêmios da Academia. Tanto é que semanas antes da estréia no streaming, seu Frankenstein chegou a ser lançado em salas limitadas de cinemas pelo mundo todo, inclusive no Brasil (!), o que é muito surpreendente.
 
O filme, meio que obviamente, é a adaptação de del Toro para o livro escrito por Mary Shelley em 1818, de nome Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno, contando a história de Victor Frankenstein (Oscar Isaac) e Monstro (Jacob Elordi) a quem ele deu vida. A trama começa com Victor e o Monstro tendo seu confronto derradeiro no gelado Ártico (o que também acontece no livro), e então há uma pausa, onde primeiro assistimos Victor contando toda sua história, e em seguida, o Monstro detalhando a dele.
 
Ainda que conte com um elenco estrelado e boas atuações (em especial a de Oscar Isaac), o melhor de Frankenstein é seu visual. Como sempre nos filmes do diretor, a fotografia é excelente. O design de produção também é muito bom, mesmo com os figurinos sendo apenas "ok".

É importante ressaltar que aqui estamos diante da versão de Guillermo del Toro em relação a obra original, portanto ele faz várias adições e mudanças em relação aos escritos de Mary Shelley; diria eu, muito mais inclusões do que alterações, na verdade. Principalmente, aqui temos uma maior "história de origem" de Victor, dando-lhe um pai tirano (Charles Dance), traumas de infância e uma abordagem inicialmente mais científica. O diretor também não se conteve e, seguindo a imaginação popular, faz a criação do Monstro ser algo gigantesco, em um "castelo"; pelo menos o visual do Monstro é razoavelmente parecido com o que Mary Shelley descreveu. Para mais detalhes sobre como é o Monstro de Frankenstein do livro, sugiro fortemente ler este breve artigo de curiosidades que escrevi anos atrás.

Ainda sobre o aparência da criatura, um problema: para mim o "Monstro" não é visualmente muito assustador. Muito mais "assustador", entretanto, são as muitas imagens de pedaços de cadáveres que aparecem no filme em close e sem nenhuma cerimônia; para as pessoas mais sensíveis isso pode ser perturbador.
 
Já a história da vida do Monstro é bastante fiel ao livro, mas algumas partes foram cortadas e a narrativa está um pouco corrida. Ah, e temos uma diferença importante: neste Frankenstein a "bondade" do Monstro é bem exagerada, assim como um pouco da "maldade" de Victor. Confesso que esse maniqueísmo constantemente presente nos trabalhos do diretor me fazem gostar menos do seu trabalho.
 
As alterações feitas por del Toro têm seus prós e contras. Por exemplo, é interessante ele trazer via a personagem de Elizabeth (Mia Goth) críticas de como as mulheres eram deixadas a margem da sociedade na época. Por outro lado, entendo que tivemos mais "contras": a presença do "romance", com Victor se apaixonando por Elizabeth, e ela se apaixonando pelo Monstro, é tão clichê e piegas que decepciona.
 
Como resultado final, após várias mudanças e adições, Frankenstein ainda consegue ser mais fiel ao texto original do que a maioria das adaptações que a obra máxima de Mary Shelley costuma receber. E, como a história primordial é boa, por consequência este filme também o é. Ambos fazem refletir sobre a vida e a maldade humana. E um ponto positivo para a adaptação áudio-visual: o filme é mais bem sucedido em emocionar. Nota: 7,0.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Crítica Netflix - A Mulher na Cabine 10 (2025)

Título: A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Diretor: Simon Stone
Atores principais: Keira Knightley, Guy Pearce, David Ajala, Gitte Witt, Art Malik, Gugu Mbatha-Raw, Hannah Waddingham, Kaya Scodelario, David Morrissey, Daniel Ings, Amanda Collin, Lisa Loven Kongsli, Paul Kaye, Charles Craddock
Nota: 6,0

Um bom filme de suspense / detetive para se passar o tempo

A Mulher na Cabine 10, filme produção original Netflix, é uma adaptação de um livro homônimo de 2017 escrito por Ruth Ware e best-seller do New York Times. Na trama, conhecemos Laura Blacklock (Keira Knightley), uma premiada jornalista que recebe um convite para passar 3 dias em um luxuoso iate junto com um grupo de milionários. O motivo: escrever sobre a fundação de caridade que irá ser oficializada durante esta viagem, pelo casal Richard (Guy Pearce) e Anne Bullmer (Lisa Loven Kongsli). Com câncer terminal, Anne quer deixar a fundação como seu legado.

Apesar de tanta beleza e luxo, nem tudo ocorre de maneira com que se espera. Durante a primeira madrugada dentro do navio, Laura acorda assustada com barulhos vindo de uma cabine vizinha à sua, a cabine 10. E após ouvir algo grande caindo na água, ela corre para a janela do seu aposento e descobre que o que caiu foi uma mulher. Após gritar por socorro e pararem o navio, um duplo choque: não somente todos os tripulantes continuam sãos e salvos dentro da embarcação, como a tal cabine 10 não possuía nenhum passageiro registrado.

Então vemos a luta de Laura, literalmente conta todos (pois nem seu amigo jornalista que se encontra no barco a ajuda) para provar que não estava louca. A Mulher na Cabine 10 conta com um bom clima de suspense durante o tempo todo, e também consegue transportar muito bem para o expectador o clima de "inadequação" da personagem perante aos milionários esnobes.

Estaria Laura tendo algum delírio? Seria tudo fruto de sua imaginação? Ou tudo o que ela fala de fato aconteceu? Da maneira em que o diretor Simon Stone filmou A Mulher na Cabine 10, a dúvida é bem pequena. O filme é corrido e cheio de ação, não dando muito tempo para a platéia pensar... e se pensar, irá concluir que as chances de Laura estar imaginando tudo são pequenas. Esse tipo de condução da trama foi proposital, pois o diretor não queria que o público passasse pela mesma sensação do leitor na obra original, onde lá, Laura não é uma narradora confiável, pois sofre de insônia e está sempre entupida de fortes remédios.

A trama policial / investigativa dentro do filme é boa - com exceção de um detalhe da explicação da trama que me incomodou bastante, e o qual comentarei no P.S. ao final do texto - e roda de modo bem competente até chegar nas cenas finais, onde então aí sim, finalmente, A Mulher na Cabine 10 decepciona, com um desfecho um bocado implausível e melodramático, baixando no geral a qualidade do filme.

Apesar do final clichê e pouco verossímil, no final das contas A Mulher na Cabine 10 acaba se tornando um bom passatempo para quem gosta de filmes de suspense policial. Está acima de muuita coisa feita pela Netflix. Nota: 6.0.


P.S.: sobre a tal parte da explicação que me incomodou bastante (não leia se não quiser levar um spoiler médio da trama): por que a pessoa x entrou na Cabine 10 naquele momento para flagrar aquilo que estava acontecendo? O filme não dá nenhuma explicação para essa pessoa saber que algo acontecia naquela cabine, ou para estar lá por perto naquele momento. Não sei se isso é explicado de modo satisfatório no livro (e talvez até seja, dadas as várias alterações que o filme fez em relação à obra original), mas se não for... bem decepcionante.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Top 10: os melhores seriados originais Netflix que já assisti - parte 3 (Edição 2025)


A lista voltou! Após assistir 25 séries originais Netflix, elegi as 10 melhores delas e publiquei uma lista em 2019 (clique aqui para ver); depois assisti 25 outras séries originais e fiz outro top 10, o qual publiquei em 2022 (clique aqui). Agora vamos a terceira lista: mais 25 seriados originais assistidos, e destes, trago pra vocês breves comentários dos 10 que achei melhores dentre eles:



10) Murderville
(1 temporada)

Ainda que não tenha feito sucesso no Brasil, esta série de comédia foi bem sucedida nos EUA, tanto que chegou a ter um especial de Natal. Porém até agora eu e os fãs de lá aguardam por uma 2ª temporada, que nunca foi anunciada. Resumidamente, a série, que até agora só teve 6 episódios, mistura comédia, investigação policial e reality show. Em cada episódio temos um assassinato para ser resolvido, e o detetive Terry Seattle (Will Arnett) o faz com a ajuda de um ator convidado diferente. O "tchans" do programa é que o ator convidado não sabe nada do que está acontecendo (ele não recebe o roteiro do episódio), e então cabe a ele, juntamente com o telespectador, tentar descobrir no final quem foi o assassino. Em geral não é difícil descobrir o culpado, mas ainda assim, é uma experiência interessante que agrada os fãs de história de detetive.


9) Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes (1 temporada)

Minissérie de animação com apenas 5 episódios com cerca de 35 minutos cada, o desenho é baseado no álbum O Combate dos Chefes, um dos mais engraçados de Asterix. Se por um lado os 3 primeiros episódios seguem consideravelmente próximos à obra dos quadrinhos, nos 2 episódios finais a trama leva à rumos bem distintos, com o protagonismo do chefe Abracurcix sendo substituído por um destaque bem maior em Obelix e Panoramix, além da inclusão de alguns personagens não presentes na obra original. 

A série faz mais piadas com temas dos tempos atuais do que com o universo de Asterix, e também por isso, com ela o espectador que não conhece o mundo dos gauleses continuará sem aprender muito; por outro lado, Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes é um bom entretenimento e acessível para todos, que conhecem ou não as histórias de Asterix.


8) Inside Man
(1 temporada)

Eu já elogiei bastante aqui o seriado Mindhunter, que a dona Netflix resolveu cancelar. Inside Man é a coisa mais próxima de Mindhunter que já vi, porém inferior. A primeira temporada possui apenas 4 episódios e eu tinha certeza que logo ganharia alguma continuação. Porém, a série é de 2022 e até agora nada... 

Criada por Steven Moffat (o mesmo criador do seriado Sherlock, da BBC), trata-se de um suspense policial envolvendo caça à assassinos. A trama é um pouco confusa, com algumas falhas, mas ainda assim se mantém com suas reviravoltas e tensão constante. O elenco, capitaneado por David Tennant e Stanley Tucci, também é outro atrativo.


7) Round 6
(3 temporadas)

A série fenômeno sul-coreana entra na minha lista devido sua primeira temporada. E só não está na 1ª ou 2ª posição dela justamente por ter mais de uma temporada.

Bastante violento, o programa mostra um reality show onde pessoas desesperadas participam de provas onde podem morrer, tudo para tentar ganhar um prêmio milionário e mudar suas vidas. Round 6 nos mostra a dura história de alguns dos protagonistas, e principalmente, escancara o que o livre capitalismo acabou fazendo com a Coréia do Sul: milhões de pessoas miseráveis, endividadas, mesmo trabalhando a exaustão em subempregos. Mas claro, em paralelo há os poucos bilionários, que aliás, estão por trás desta competição doentia.
 
Round 6 deveria ter se encerrado na primeira temporada, e o fato de não acontecer me irritou bastante, tanto que não assisti as temporadas 2 e 3. Se a primeira temporada tem uma aprovação unânime, a recepção para as outras temporadas foi mista, e sendo mais preciso, com mais críticas do que elogios.


6) Dungeon Meshi
 (1 temporada)

Estamos aqui diante da segunda animação da lista, agora um anime, e do qual escrevi elogios a respeito, após assistir seus primeiros 11 episódios. A primeira temporada possui 24 episódios (com cerca de 27 min cada), e a história será concluída na segunda temporada, cuja estréia, embora prometida para 2025, provavelmente só vai sair no primeiro semestre de 2026.

A história acompanha um grupo de heróis descendo uma masmorra, e é uma ótima maneira de apresentar este tipo de universo para quem ainda não é familiar com os mundos de aventuras medievais de fantasia dos "RPG". Leve, bem humorado - ainda que vá acrescentando um pequeno tom de mistério e terror conforme a trama avança - temos criaturas e personagens diversos sendo apresentados ao longo dos episódios de maneira bem natural. O inesperado e a criatividade também são fatores bem presentes no enredo de Dungeon Meshi.


5) 1670 (2 temporadas)

Bem, esta série de comédia polonesa é tão boa que não me contive e também já fiz um artigo sobre ela anteriormente. Então agora vamos com uma descrição mais resumida. Trata-se de um mocumentário sobre um pequeno vilarejo polonês, no ano de... 1670 (quem diria!).

A série ironiza os costumes antiquados daquele tempo, assim como a submissão a religião e a nobreza, porém também de modo surpreendente faz piadas com temas atuais, como celulares, feminismo, redes sociais, etc. Ainda que não seja um humor tipicamente "britânico", a série lembra um pouco do que vemos nos filmes do Monty Python, como Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e A Vida de Brian (1979). Até agora foram duas temporadas (e uma terceira já foi prometida), sendo a 1ª, que é mais focada em piadas rápidas, é melhor que a 2ª, com tramas um pouco mais longas. Dá para assistir rapidinho: cada temporada conta com 8 episódios de cerca de 30 minutos.


4) O Sinal (1 temporada)

Minissérie alemã de ficção científica com apenas 4 episódios, que começa com muitas perguntas. Acompanhamos a astronauta Paula, que está voltando à Terra após algo estranho ter acontecido em sua missão, e que ainda não sabemos do que se trata (o tal "Sinal" é uma delas). Seu marido Sven e sua filha Charlie acabam envolvidos em todos os mistérios em que Paula fez parte e viram alvo do governo.

Temos aqui um suspense lento e repleto de dúvidas, mas que felizmente são todas respondidas dentro de um bom roteiro que fala sobre conspirações e política. Após seu lançamento O Sinal foi comparado com o também seriado alemão Dark, devido seus mistérios, reviravoltas e tramas paralelas (mas tudo em menor escala). Como um todo, gostei bastante da série. O final de O Sinal poderia ter sido melhor, mas ainda assim foi mais satisfatório que o desfecho de Dark, ainda que tenha um ponto nele que eu considero impossível de acontecer no mundo real.


3) Bodkin (1 temporada)

Série britânica - ou melhor, irlandesa - sobre um grupo de 3 podcasters investigando um possível assassinato em uma pequena cidadezinha do litoral da Irlanda. O trio principal é formado por ótimos atores e os personagens não são lá muito amigáveis entre eles, o que torna acompanhá-los mais interessante. São apenas 7 episódios e em cada um deles há uma reviravolta que muda o rumo da investigação dos protagonistas.

A série traz um bocado de sarcasmo, humor ácido, e provocações com o "mau humor e ignorância do irlandês de cidade pequena". Para quem gosta de séries de investigações e/ou britânicas, é uma boa pedida.


2) O Mundo Por Philomena Cunk
 (1 temporada)

Assim como 1670, O Mundo Por Philomena Cunk é um mocumentário sobre História, mas aqui o assunto é uma jornada por toda a historia da humanidade. Também se trata de uma comédia repleta de ironia e nonsense, que lembra bastante Monty Python. E desta vez o seriado também é britânico, e não polonês, como é 1670.

A série é realmente muito engraçada, e um deleite especial para quem curte História. A tal personagem Philomena Cunk (Diane Morgan), já protagonizou alguns outras minisséries do mesmo estilo, sendo esta aqui a melhor delas e a única que chegou por enquanto à Netflix. Neste ano de 2025 foi lançado o filme A Vida Por Philomena Cunk, que é legal, mas inferior a esta série. O Mundo Por Philomena Cunk possui 5 episódios, e caso queira saber mais, escrevi mais sobre ele aqui.


1) Sandman
(2 temporadas)

Sandman é uma obra de quadrinhos escrita por Neil Gaiman, entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, e se encontra entre as melhores HQs de todos os tempos. Composta de 75 edições, a adaptação feita pela Netflix em duas temporadas (11 episódios na primeira, e 12 episódios na segunda) cobre a história completa das revistas, e na verdade até além, já que o último capítulo de cada temporada são contos extras, fechados e independentes, que fazem parte do mesmo universo mas não tem relação com a história principal.

A trama conta a história de Sonho, um dos sete Perpétuos, e suas interações e aventuras com os humanos e outras entidades sobrenaturais (em ordem de idade, do mais velho para o mais novo, os Perpétuos são: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio - o nome de todos eles propositalmente começa com a letra "D" no inglês original). A adaptação para a TV acabou mudando um bocado de coisas, mas ao mesmo tempo, é bastante fiel a obra original. Diria que a primeira temporada é excelente, assim como a primeira metade da segunda. Altamente recomendável.

Não gostei tanto da metade final da última temporada. É meio corrida, alterações para pior, o que menos gostei foi a alteração feita em que o papel que na história original seria do corvo Matthew, foi trocada pela Johanna Constantine. Isso fez a trama ficar mais "melodramática", além de mostrar um Coríntio bem mais bonzinho que no das HQs. A justificativa oficial para a troca foi economizar dinheiro com CGI. Porém na vida real, a atriz que interpreta Johanna (Jenna Coleman) é namorada do diretor e co-produtor da série (Jamie Childs)... Ao menos o último episódio de todos, um especial sobre a Morte, é muito bom e encerra a série de Sandman em alta. Para quem curte séries de fantasia meio dark / contemplativas, não tem como errar com Sandman.

Crítica Netflix - One Piece: A Série - Primeira Temporada

Em geral as adaptações live-action ocidentais de mangás são verdadeiros lixos. Portanto, fiquei bastante resistente ao me arriscar em assi...