Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=S3SMDqnN6fY
39 anos após o desastroso filme Mestres do Universo de 1987 do inexperiente diretor Gary Goddard, e com Dolph Lundgren no papel principal de He-Man, uma das mais famosas franquia de brinquedos da Mattel volta às telonas em sua segunda tentativa de live action, com uma história nova, é claro, recomeçando tudo do zero.
Na trama, o vilão Esqueleto (Jared Leto) conseguiu tomar a capital do Reino de Eternia quando o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) ainda era criança, mas com a ajuda da Feiticeira (Morena Baccarin), o garoto fugiu para a Terra junto com a Espada do Poder para não ser capturado. Mais de 15 anos depois, Adam enfim consegue retornar para seu planeta natal com a ajuda de Teela (Camila Mendes), e agora precisa descobrir o que fazer para retomar seu Reino.
A primeira coisa que tenho a dizer é que para minha grande surpresa e felicidade, ao contrário que o trailer pode induzir, o tempo do filme que se passa dentro do planeta Terra não é longo, e além disso, não é ruim. O trecho é utilizado principalmente para cenas de humor, e brincar com várias referências do universo de He-Man.
Ah, e também com alguma surpresa para mim, Mestres do Universo não começa no nosso planeta, e sim em Eternia, já com boas sequências de ação. Rapidamente percebemos que o Mentor interpretado por Idris Elba será um dos melhores personagens do filme.
Uma das maiores qualidades de Mestres do Universo é ele ter a consciência de que se trata de uma franquia que se consagrou como desenho animado infantil. Desta forma, o roteiro não tem nenhuma vergonha de ser pura galhofa e de ser bobo o tempo todo. Vejam: os personagens (na maioria do tempo) se levam a sério, mas o filme não. Esta contraposição resulta em algo interessante: a experiência de se assistir é bem "leve", mas ao mesmo tempo as cenas de ação trazem emoção, pois o perigo parece real.
A caracterização do elenco, tanto em figurino como em atores, está muito boa e muito fiel ao desenho (por exemplo Alison Brie não é fisicamente tão parecida com a Maligna, mas ela a interpreta de modo manipulador e "dissimulado" igualzinho à animação); e este é outro grande ponto positivo para Mestres do Universo. Mas há infelizmente duas exceções, e justo da dupla principal, Príncipe Adam e Esqueleto: o primeiro é infantil demais; e o segundo, "sombrio" demais.
Ainda que longe de comprometer, Nicholas Galitzine não é tão bom ator (mas é muito melhor que Dolph Lundgren) e tanto a personalidade de seu Adam quanto de seu He-Man são um bocado diferentes dos da animação, embora neste caso a "culpa" seja mais da origem que inventaram para seu personagem. O problema maior então reside no Esqueleto de Jared Leto, que se visualmente é bem parecido com o desenho, o mesmo não se pode falar, para começo de conversa, de sua voz.
No original, Esqueleto tem uma voz esganiçada, quase cômica, e aqui em Mestres do Universo ele tem uma voz sombria, para dar medo. Embora este Esqueleto de Jared Leto faça algumas piadas durante o filme - que até funcionam - como resultado final ele não chega perto do carisma de sua contraparte das animações. E o fato de fazerem quase nenhuma careta com seu "rosto" de ossos também contribui negativamente. Esqueleto é um dos pontos mais fracos do filme.
Embora Mestres do Universo se passe muito mais tempo em Eternia, não temos tantas cenas de ação, e menos tempo ainda de "guerreiros lutando com espada". Várias das sequencias de combate, aliás, lembram bastante o universo de Star Wars. De qualquer forma, as lutas que temos são empolgantes, e o filme é dinâmico e vai direto ao ponto; quando não há ação, o roteiro é bem utilizado parra conhecermos melhor o universo de He-Man e seus personagens.
Com bastante humor e (um pouco menos) aventura, Mestres do Universo consegue ser ao mesmo tempo uma conversão das animações para filme que os fãs da franquia aprovariam (aliás nele há muito fan service) e uma versão modernizada e mais "politicamente correta" do He-Man para a geração atual. Ele tem de tudo para agradar bem públicos de qualquer idade, desde que saibam que vão "de fato" assistir um filme baseado em desenhos. Nota (de 1 a 6):
PS: Mestres do Universo possui 3 cenas pós créditos. Uma imediatamente após o final do filme, outra no meio dos créditos, e outra cena no final de tudo. Esta, que apesar de ser a mais curta, é a mais importante das três.


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