Curiosidades Cinema Vírgula #057 - A triste história do Chapeleiro Maluco

 
Um icônico personagem infantil da cultura pop mundial é o Chapeleiro Maluco, personagem dos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), ambos escritos pelo britânico Lewis Carroll. E que dependendo da tradução, ele também pode ser traduzido como "Chapeleiro Louco".
 
Nas histórias originais, assim que Alice o conhece, o estranho personagem a convida para tomar café, o que ela aceita. Porém, agindo como um doido, de modo bastante irrequieto ele fica trocando de lugar na mesa o tempo todo, além de fazer críticas pessoais à garota, propor enigmas sem resposta e declamar poesias sem sentido. Tudo isso faz com que uma assustada e irritada Alice acabe abandonando o encontro.
 
Porém este comportamento "pitoresco" do Chapeleiro tem uma história real bem triste por trás. Tudo começa na expressão popular inglesa "Louco como um chapeleiro" ("Mad as a hatter" no original), que já era comum naquele país décadas antes de Lewis Carroll escrever seus famosos livros.
 
Embora não haja um consenso sobre a origem desta expressão, é altamente provável que ela surgiu do fato que os chapeleiros ingleses dos Séculos XVIII e XIX usavam nitrato mercuroso no processo de confecção de alguns chapéus, mais especificamente na etapa de impermeabilização do feltro. O que não se sabia na época é que o mercúrio é uma neurotoxina; e portanto, após anos inalando vapores de mercúrio, os chapeleiros começavam a apresentar sintomas estranhos.
 
O chá de Alice com o Chapeleiro, em versão colorida de imagem retirada do livro Alice no País das Maravilhas
 
No começo, os sintomas eram físicos: erupções cutâneas, dores musculares, problemas digestivos e aftas. Porém em casos de contaminação mais graves, começavam a aparecer os problemas neurológicos, incluindo desordem na fala e alucinações. Então não era incomum chapeleiros parecerem perturbados e mentalmente confusos; e muitos morriam jovens como resultado desta grave intoxicação.

Oficialmente, Lewis Carroll nunca admitiu que o ditado popular (e a doença) relacionada aos chapeleiros serviu de inspiração para seu personagem. Há quem defenda que na verdade, a inspiração de Carroll para o Chapeleiro foi uma pessoa real, Roger Crab, um ex-soldado e ex-comerciante do século XVII que, após trabalhar um breve período como chapeleiro, uma década depois doou todos os seus bens aos pobres, passou a se vestir com roupas feitas de saco, e passou a pregar e escrever sobre o ascetismo. Lewis também nunca comentou qualquer inspiração em Roger Crab, mas ambas relações remontam a inevitável associação do Chapeleiro Maluco com a tragédia real dos chapeleiros ingleses da Revolução Industrial.



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