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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #049 - Stephen King e Mambo No. 5

Vocês já ouviram falar de Stephen King, certo? Escritor estadunidense, hoje com quase 80 anos mas ainda em atividade, um dos mais prolíficos escritores de livros de terror e suspense do nosso tempo, com mais de 70 livros publicados. Acreditem se quiser, mas ele gosta de ouvir repetidamente músicas "dançantes" enquanto escreve suas obras, principalmente músicas "disco" e "techno". Quem poderia imaginar que todos aqueles textos tensos são escritos sob este tipo de trilha sonora? rs

E ele falou mais sobre isso em uma entrevista, dada em 2023 para a revista Rolling Stone. Em 2011, enquanto escrevia o livro Novembro de 63 (que seria publicado no final daquele mesmo ano, e que conta a história de um viajante do tempo que tenta impedir o assassinato de John F. Kennedy), Stephen King ouviu tantas vezes sem parar a música Mambo No. 5, lançada pelo cantor alemão Lou Bega em 1999 (sim, alemão, de pai ugandês e mãe italiana), que acabou brigando com sua esposa, que chegou ameaçá-lo de divórcio.

E agora vamos falar de Mambo No. 5... sabiam que ela não é exatamente uma música original de Lou Bega? É que na verdade, Mambo No. 5 é uma música de jazz instrumental composta pelo músico cubano Pérez Prado em 1949 e lançada por ele no ano seguinte. No caso, a versão de Lou Bega "copia" em quase 100% a instrumentação de Prado, e acrescenta a parte cantada, esta sim, toda criada pelo músico europeu.

No vídeo acima vocês podem ouvir a versão original de Perez Prado, e no vídeo mais abaixo, ouvir a (ótima e viciante) versão de Mambo No. 5 de Lou Bega para chegar a suas próprias conclusões. O espólio de Prado processou Bega por plágio, e após 7 anos de disputa em tribunais na Alemanha, os dois lados chegaram a um acordo. A versão Mambo No. 5 lançada por Lou Bega em seu álbum A Little Bit of Mambo passou a ser considerada uma nova música, distinta da original, porém, co-escrita por Perez Prado e Lou Bega.



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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #048 - Os Flintstones: as surpreendentes histórias do filme Live-action!

Hoje o primeiro filme Live-action dos Flintstones praticamente não existe mais na lembrança das pessoas. Mas e se eu contar que apesar de "esquecido", em termos de História, a produção foi muito marcante? Vejam: Os Flintstones: O Filme (1994) teve um dos roteiros mais "caóticos" da história do Cinema, foi o pioneiro em uma certa inovação em animação, e ainda, marcou a vida de três atores. Continue lendo para saber todas estas histórias! ;)


Todo bom filme precisa de um bom roteiro... ou não

A história do filme live-action dos Flintstones começa em 1985, quando os produtores Keith Barish e Joel Silver compraram os direitos para fazer a produção, e contrataram Steven E. De Souza para escrever o roteiro, além de trazer o famoso Richard Donner para ser o diretor. O roteiro só foi finalizado em 1987, e não demorou muito para ser rejeitado. Ao longo dos anos, o roteiro foi reescrito por pessoas diversas.

Em 1992, os direitos para produzir o filme foram comprados por ninguém menos que Steven Spielberg, que após trabalhar com John Goodman no filme Além da Eternidade (1989), estava decidido em torná-lo seu Fred Flintstone. Para diretor foi escolhido Brian Levant, devido sua paixão pela franquia dos desenhos.

E claro que com os novos donos, mais alterações foram feitas no roteiro. Do texto inicial ao final, imagina-se que cerca de 35 pessoas tiveram alguma participação, de roteiristas profissionais a escritores de esquetes para TV. Os Flintstones: O Filme foi (justamente) reprovado pela crítica, mas foi um sucesso de público, arrecadando US$ 342 milhões com um orçamento de apenas US$ 46 milhões. Oficialmente, quando lançado, foram creditados apenas 3 nomes como roteiristas: Tom S. Parker, Jim Jennewein e Steven E. de Souza; porém, quando o filme venceu o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do Ano, 32 participantes foram resgatados e creditados nessa "homenagem".


Tigre-dente-de-sabre histórico!

Foram cenas bem curtas, mas as aparições do tigre-dente-de-sabre que ficava invadindo a casa das pessoas em Os Flintstones: O Filme (ver acima) foram as primeiras de um personagem "peludo" feita  100% por CGI (computador) em um longa-metragem. O resultado final até ficou bom, e para que a animação fosse feita, foram criados complexos algoritmos (para a época) que calculavam a movimentação de cada pêlo do animal.


3 Atores. 3 Histórias significativas.

Antes do filme dOs Flintstones, John Goodman era conhecido por duas coisas: ele era co-protagonista da bem sucedida sitcom Roseanne, e ator coadjuvante frequente em filmes dos Irmãos Coen. Portanto, ser a estrela desta produção como Fred Flintstone, foi o grande momento de sua carreira até então. E de fato, graças ao sucesso de bilheteria do filme, Goodman subiu de status como estrela de Hollywood, e nos anos seguintes de Os Flintstones: O Filme, o ator recebeu um grande número de propostas para trabalho nos cinemas, tanto que, quando ele foi chamado para estrelar o segundo filme dos Flintstones, John recusou dizendo estar com a agenda totalmente preenchida. Alías, nenhum dos atores voltou para o filme seguinte, Os Flintstones em Viva Rock Vegas (2000), que por isso, contratou atores desconhecidos e teve que ser uma prequela. O segundo filme live-action de Flintstones foi horroroso, fracasso de público e crítica. Já John Goodman passou a ter um reconhecimento em filmes além daqueles dos Irmãos Coen, principalmente via Argo (2012) e Rua Cloverfield, 10 (2016); porém, nunca mais voltou a desfrutar do destaque na mídia que teve com Os Flintstones: O Filme.

Hoje isso certamente vai soar como surpreendente, mas saibam que Elizabeth Taylor, uma das mais famosas e glamourosas atrizes do cinema clássico de Hollywood teve em Os Flintstones: O Filme seu último trabalho nos cinemas. Após esta participação, esta gigante estrela cinematográfica até fez algumas breves participações especiais em séries de TV, como por exemplo em The Nanny e Murphy Brown; porém na Tela Grande, essa foi mesmo sua despedida, de uma longa e bem sucedida carreira que ultrapassou 50 produções cinematográficas.

Elizabeth Taylor atuou em seu papel derradeiro como Pearl Slaghoople, a mãe de Wilma Flintstone. Os produtores de Os Flintstones queriam muito que A Dama estivesse no filme. Para convencê-la, "Liz" recebeu vários "mimos": em seu primeiro dia de gravação ela foi recebida com 30 buquês de flores e outros presentes; e toda a renda da première mundial do filme foi doada à fundação de combate à AIDS da atriz, uma das causas pelas quais ela foi mais ativista.

Um ator bem popular nos anos 80 era Rick Moranis. E além de famoso, ele era versátil: Rick estava presente em sucessos de comédia como S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (1987) e Querida, Encolhi as Crianças (1989) e também em sucessos mais adultos de "monstros" como os dois Os Caça-Fantasmas (1984 e 1989) e A Pequena Loja dos Horrores (1986). E assim como para os dois atores que citei anteriormente, Os Flintstones: O Filme marcou sua carreira, pois este foi seu último sucesso.

A partir de 1994 Rick já estava atuando em menos filmes, pois devido ao falecimento de sua esposa, vítima de um câncer em 1991, ele tinha que conciliar o trabalho com cuidar de seus dois filhos. Porém após os retumbantes fracassos de Inimigos para Sempre (1996) e Querida, Encolhi a Gente (1997), que sequer conseguiu chegar aos cinemas, ficando apenas em videocassete, Rick Moranis abandonou a carreira de vez e passou a cuidar dos filhos de modo integral. De 1998 pra cá, Moranis apenas trabalhou esporadicamente fazendo vozes em alguns filmes de animação, e recusou qualquer convite para voltar a atuar, negando-se inclusive a voltar para o reboot do Caça-Fantasmas, o Ghostbusters: Mais Além (2021).

Porém, para a surpresa de todos, Moranis resolveu sair da sua aposentadoria e topou participar da continuação de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço! O filme original, que é uma das melhores paródias de Star Wars feita até hoje, promete trazer de volta a maioria dos atores principais, inclusive Mel Brooks, com seus 99 anos. Previsto para chegar aos cinemas só em 2027, ao final deste artigo você poderá assistir o teaser desta maravilhosa produção (em inglês).

John Goodman como Fred, e Liz Taylor como Pearl


O surpreendente primeiro anúncio (em inglês) de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço 2! é uma divertida crítica às principais franquias de aventura do Cinema




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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #047 - Franz Kafka, a menina e a boneca


Se você já ouviu falar algo de Franz Kafka (1883-1924), este famoso escritor "checo" do início do século XX (as aspas são porque quando ele nasceu, a cidade de Praga fazia parte do Império Austro-Húngaro), deve ser por uma de suas duas obras mais famosas: "A Metamorfose" (1915) e "O Processo" (1925). Ambas obras angustiantes, pessimistas, com presença de um nonsense e absurdos que ecoam pesadelos.

Em vida, sua reputação foi parecida com o conteúdo de sua obra: Kafka era considerado um pouco "esquisito". Por exemplo ele se relacionou com várias mulheres mas nunca conseguiu se casar; ao mesmo tempo era uma pessoa tímida, deprimida, atormentada, solitária e de saúde frágil. Antes de morrer, queimou boa parte dos seus escritos; aliás, a maioria dos seus trabalhos mais famosos foram publicados postumamente. A Metamorfose foi uma rara exceção de um trabalho seu publicado em vida.

Dito tudo isso, a conclusão é que os eventos que narrarei a seguir, sobre o famoso escritor, não parecem combinar muito com o que imaginamos de sua personalidade, tornando então a história algo bem surpreendente. Os acontecimentos foram contados por Dora Diamant (a última companheira de Kafka), em uma entrevista que ela deu à uma renomada tradutora francesa dos trabalhos de Franz Kafka - Marthe Robert - no início dos anos 1950.


Kafka, a menina e a boneca

Segundo Dora, em um episódio que ocorreu no último ano de vida de Kafka, estavam ele e ela passeando por um parque em Berlim, quando encontraram uma menina que chorava porque havia perdido sua boneca.

Comovido com a situação, Kafka disse à menina para não se preocupar, pois a boneca na verdade tinha partido em uma viagem e que tinha lhe entregue uma carta. Desconfiada, a menina perguntou pela carta, e então o escritor retrucou que não a tinha com ele naquele momento, mas que se ela voltasse no parque no dia seguinte, ele iria trazê-la.

Franz Kafka e Dora Diamant

Eles se encontraram no dia seguinte, e cumprindo sua palavra, Kafka lhe entregou a primeira carta, onde a boneca explicava para a menina que viajou para conhecer o mundo, e que passaria a escrever para ela as suas aventuras. A partir de então, todos os dias durante três semanas, Kafka foi ao parque com uma nova carta da boneca.

Dora Diamant conta que Kafka escrevia as cartas com a mesma dedicação que escrevia sua obra literária, e que ele teve muitas dificuldades para encontrar um final que o deixaria livre, mas ao mesmo tempo trouxesse uma conclusão razoavelmente satisfatória para a menina. A solução encontrada por Franz foi fazer a boneca ficar noiva. Ele falou então sobre o noivado, os preparativos para o casamento, detalhou minuciosamente sobre a casa onde a boneca iria morar, e finalmente, fez a boneca dizer à menina: "você então entende, certo, que vamos ter que parar de nos ver" (afinal, nesse contexto criado, agora a boneca está casada e mora em um lugar distante...).

Não há provas físicas de que esta história é verdadeira, pois nenhuma das cartas enviada a tal menina (cuja identidade também é desconhecida) foi encontrada. O único registro é mesmo o depoimento de Dora Diamant. Mas como dizem os estudiosos: por outro lado, por que Dora iria inventar esta história, que aliás é cheia de detalhes?


Impacto na cultura Pop


Mesmo sendo uma história que não é amplamente conhecida, ela também não é tão ignorada assim. Afinal, há pelo menos dois livros dedicados exclusivamente a este evento.

Em 2006 o escritor espanhol Jordi Sierra i Fabra publicou o livro "Kafka e a Boneca Viajante", que é uma ficcionalização desta passagem da vida de Kafka. A obra foi bastante premiada, e nela Jordi chega a recriar as tais cartas nunca encontradas. O livro foi publicado no Brasil pela editora Martins Fontes e ainda pode ser encontrado para compra.

Outro livro, agora estadunidense, de nome "Kafka and the Doll", foi lançado em 2021, foi escrito por Larissa Theule e ilustrado por Rebecca Green, e se propõe a fazer a mesma coisa: recontar, a sua maneira, a história de Kafka com a menina que perdeu sua boneca. Porém aqui temos um livro infantil, com bem menos texto e muitas ilustrações. Ah, e nunca traduzido para o português.

E para finalizar, vale a pena lembrar que no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), em um determinado momento a protagonista Amélie resolve fazer com que seu recluso pai saia de casa e aproveite a vida; então, ela rouba o anão querido do jardim do pai dela, e contando com a ajuda de uma amiga aeromoça, faz com que ela fique enviando para a casa dele fotos do gnomo visitando pontos turísticos ao redor do mundo. Embora eu não tenha encontrado em nenhum lugar que a inspiração para esta "travessura" de Amélie tenha sido o conto de Kafka com a boneca, eu aposto que foi isso!

De O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: eu já vi essa idéia em algum lugar...




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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #046 - Freddie Mercury o "bom", Michael Jackson o "mau" e outras histórias

Daqui a poucos dias, mais exatamente nesta sexta-feira dia 29 de agosto, comemoraremos a data de nascimento de Michael Jackson. Então aproveitando o momento, vamos a mais um artigo de curiosidades, desta vez apenas com histórias envolvendo ao mesmo tempo estes dois grandes gênios da música contemporânea: o próprio MJ e Freddie Mercury, imortal vocalista e líder da banda inglesa Queen.

Comecemos com o "causo" para explicar o título do artigo. Em entrevista publicada no começo deste ano na revista britânica Mojo, o guitarrista Brian May recordou de uma peculiar passagem, quando a banda procurava por um nome para seu próximo álbum (aquele viria a ser o álbum The Miracle, de 1989).

Um dia Freddie chegou e disse: "Tenho uma ideia incrível. Você sabia que Michael Jackson acabou de lançar um álbum chamado Bad? Vejam... então o que vocês acham de chamarmos nosso próximo álbum de Good?". Então, segundo May, o restante da banda se entreolhou e eles responderam: "bem, talvez devêssemos pensar sobre isso, Freddie...", sem quererem confrontá-lo diretamente.

A "sugestão" de Mercury, claro, não foi adiante. Porém curiosamente a decisão para o nome do disco não foi fácil e um mês antes de The Miracle ser lançado, o disco ainda estava com o nome de The Invisible Men (ambos os nomes são de músicas presentes no álbum).


De fã a Another One Bites the Dust

Tanto Michael Jackson quanto Freddie Mercury eram conhecidos como artistas vaidosos e de personalidade forte, mas apesar da "concorrência" que havia entre eles no mundo da música, ambos nutriam grande respeito e admiração um pelo outro e eram amigos. A amizade começou em 1980, quando Michael, que era fã do Queen, começou a ir nos shows da banda que estavam acontecendo em Los Angeles. Não demorou muito para que eles fossem apresentados um ao outro, e Michael começou a ser figura frequente nos bastidores das apresentações.

Michael, Freddie e John sabiam o que estavam fazendo

Em uma destas visitas ao backstage do Queen, a banda apresentou a Michael Jackson uma música que eles acabavam de ter finalizado. Criada pelo baixista John Deacon, a música era mais "funk" e menos "rock" do que eles costumavam fazer, e além disto, o baterista Roger Taylor simplesmente não a aprovava. Assim que Michael a ouviu, ele começou a balançar a cabeça para frente e para trás, e animado, afirmou que a música deveria ser lançada como um single, que seria sucesso garantido.

A música em questão era Another One Bites the Dust. Nenhum dos quatro integrantes da banda sequer havia cogitado lançar a canção como single, e apesar da desconfiança dos outros dois do grupo, Freddie Mercury e John Deacon ouviram Michael e compraram a aposta.

Another One Bites the Dust foi lançado como single em Agosto de 1980 e virou sucesso mundial, se tornando o single mais bem sucedido do Queen em todos os tempos, além de ter sido fator fundamental para popularizar a banda nos EUA. A música ficou 15 semanas consecutivas no Top 10 da Billboard, e vendeu mais de 7 milhões de cópias pelo mundo.


Um dia e 3 músicas (ou quase)

Foi de Michael a iniciativa de que ele e Freddie gravassem músicas juntos. Porém, a vida corrida de ambos nunca permitia que a dupla se encontrasse para gravar, até que um dia em 1983, eles se reuniram na casa de Michael, em Encino, Califórnia, onde havia um estúdio. Lá, durante cerca de 8 horas juntos, trabalharam em 3 canções. A primeira, State of Shock, foi trazida por Michael, que queria fazer dela um dueto e usá-la no seu próximo álbum com os The Jacksons. A dupla gravou os vocais, mas faltaram os "retoques finais".

A segunda música foi trazida por Freddie, era There Must Be More to Life Than This, a qual ele ainda não tinha conseguido gravar com sua banda. Freddie Mercury foi para o piano e Michael começou a cantar, inclusive improvisando algumas letras, que não estavam todas prontas. Finalmente, a terceira música foi Victory, uma música que a dupla queria criar junto desde o início; ela não avançou muito além do que sua batida base, e o que foi gravado naquele dia provavelmente foi até perdido.

Michael esperava que Freddie voltasse para finalizar State of Shock, mas como ele não o fez, chamou Mick Jagger, dos Rolling Stones, para fazê-lo. A música então saiu no álbum Victory, dos The Jacksons, de 1984. Não há nenhuma música "Victory" dentro deste disco, mas o nome escolhido não foi uma coincidência. Michael gostou do nome da música incompleta iniciada por ele e Freddie e resolveu usá-la como título do álbum.

Já There Must Be More to Life Than This virou uma música cantada apenas por Freddie Mercury, lançada em seu primeiro álbum solo, Mr. Bad Guy (1985). Porém, em 2014 a banda Queen lançou parte do material gravado naquele histórico dia através do remix There Must Be More To Life Than This (William Orbit Mix) no álbum de coletâneas Queen Forever (ouça acima).


Fim da amizade?

Se você procurar na internet sobre estes duetos de Freddie Mercury com Michael Jackson, verá histórias de que Freddie resolveu abandonar a parceria porque Michael trouxe uma lhama para o estúdio, por outro lado, também encontrará que Michael ficou chateado porque Mercury teria consumido drogas em sua casa. Porém, tudo isso é muito mais fantasia do que realidade. Conforme este breve documentário (em inglês), Freddie até teve momentos de irritação, mas no fundo, a breve pareceria entre estes dois gênios só não foi mais longa por falta de tempo em suas corridas vidas profissionais.



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terça-feira, 12 de agosto de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #045 - Corra que a Polícia Vem Aí, a vida, e outros causos de O. J. Simpson no Cinema e TV


Estamos a dois dias da estréia nos cinemas brasileiros do novo Corra que a Polícia Vem Aí! (que será nesta Quinta-Feira dia 14 de Agosto), com Liam Neeson no papel principal sendo Frank Drebin Jr., filho do policial Frank Drebin (o protagonista da trilogia de filmes original, interpretada pelo saudoso Leslie Nielsen), e por Moses Jones interpretando o filho de Norberg, personagem que na trilogia original de Corra que a Polícia Vem Aí foi interpretado por O. J. Simpson. Esse parágrafo, somado ao que vêm a seguir, explicam a imagem acima, tirada de uma polêmica piada de uma das versões do teaser do novo filme.

Para o público mais novo que não conhece O. J. Simpson, ele foi uma das maiores estrelas do Futebol Americano (NFL) nos anos 70, e por ser uma pessoa bastante simpática, bonita e popular, resolveu se aventurar depois de sua aposentadoria dos esportes como ator. Porém, em 1994, ele se envolveu em um dos crimes mais chocantes e comentados daquela década: foi acusado pelo assassinato de sua ex-mulher e de um amigo, ambos mortos a facadas na casa dela. Provisoriamente preso, O. J. Simpson meses depois foi julgado e inocentado. Entretanto devido a tudo o que foi apresentado no julgamento, para a maioria do público a sensação que ficou foi de que ele era culpado, e só conseguiu se livrar da cadeia por ser famoso e rico.

Em 2007, Simpson voltaria a se associar a um crime, agora sob acusação de roubo à mão armada em um hotel de Las Vegas, para roubar itens de um vendedor de artigos esportivos para colecionadores. O.J. estava em grupo e reconheceu ter entrado no quarto; porém alegou que foi pegar objetos que foram roubados dele no passado, e que ele não estava armado. Desta vez o ex-atleta e ex-ator foi condenado, tendo saído da prisão cerca de uma década depois, em 2017, em liberdade condicional. Ele morreu ano passado, 2024, aos 76 anos.

A vida dos possíveis crimes de O. J. Simpson sempre chocou muito os EUA e o mundo por contrastar com a figura pública simpática e amigável que ele transparecia. Imagem esta ampliada pelas suas aparições no cinema e TV. Nas telonas, claro, seus maiores papéis foram nas comédias Corra que a Polícia Vem Aí! (1988), Corra que a Polícia vem Aí 2½ (1991) e Corra que a Polícia vem Aí 33 1/3 (1994), que estreou nos cinemas 3 meses antes do assassinato; já na TV, seu maior destaque também foi na comédia, na série sobre futebol americano 1st & Ten (que nunca veio pro Brasil), onde O. J. entrou a partir da segunda temporada como um ex-jogador iniciando a carreira de técnico.

O.J. Simpson (à dir.) em um filme menos conhecido, Capricórnio Um (1978), do diretor e escritor de filmes de Ficção Científica Peter Hyams, onde a NASA forja que levou um grupo de astronautas até Marte. Os conspiracionistas piram!

O que muitos não sabem é que O. J. Simpson poderia ter tido um sucesso realmente grande no mundo do entretenimento: para o papel principal do ciborgue assassino no filme O Exterminador do Futuro (1984), o favorito do estúdio era nada menos que ele, O. J. Simpson! Porém assim que o diretor James Cameron soube da sugestão, descartou seu nome imediatamente, por não acreditar que ele iria conseguir passar uma imagem de mau.

Uma outra curiosidade famosa sobre O. J. é uma referência a ele em um episódio da série Seinfeld. Em 1993, no episódio da quinta temporada de nome "The Masseuse" (A Massagista, em tradução livre), Elaine começa a namorar um rapaz de nome Joel Rifkin; o problema, é que esse é exatamente o mesmo nome de um serial killer real. Preocupada com as confusões com que este nome poderia causar para ela e ele, Elaine tenta então convencer ao namorado a trocar de nome, dando-lhe algumas sugestões, sendo que uma delas é "O. J.". Com Seinfeld sendo reprisado dezenas de vezes ao longo dos anos pelas TVs à cabo, a cena sempre foi encarada como uma piada, porém como se nota pelas datas que citei aqui, não foi o caso orginalmente!

O episódio foi orginalmente ao ar em 1993, 7 meses antes de O. J. Simpson ser acusado por assassinato. Então, por uma bizarra coincidência do destino, a frase de Elaine acabou tomando um sentido totalmente diferente do planejado.




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sexta-feira, 4 de julho de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #044 - Sabia que Garfield nasceu como coadjuvante de Jon? Aprenda esta e outras curiosidades sobre o gato mais preguiçoso do mundo!


Vocês sabiam que o gato Garfield, criação máxima do cartunista Jim Davis, na verdade começou sua carreira como um mero coadjuvante de seu dono Jon Arbuckle? Pois é... Vamos conhecer melhor esta história.

Oficialmente, a primeira tirinha de Garfield é esta que vemos abaixo, publicada em 19 de junho de 1978 simultaneamente em 41 jornais dos EUA.


Porém, antes desta estréia, desde 1976 Jim Davis escrevia para alguns jornais uma tirinha de quadrinhos chamada Jon... e olhem só como foi a tira inaugural de Jon, publicada na Pendleton Times em 8 de Janeiro de 1976...

Ou seja... Garfield estava presente desde o primeiro quadrinho de Jon. E a conclusão: a primeira tirinha de Garfield foi uma modificação da primeira tirinha de Jon, assim como a série de quadrinhos de Garfield como um todo, também foi uma simples modificação / evolução dos quadrinhos de Jon!

A mudança do nome de Jon para Garfield foi uma decisão editorial, justamente quando Jim Davis conseguiu um contrato para que sua obra fosse publicada a nível nacional; Jon era publicado quase totalmente em jornais da região onde ele morava, no estado de Indiana.

E agora que você já está ciente desta grande surpresa, vamos a mais algumas curiosidades sobre nosso querido gato adorador de lasanhas:


1 - Garfield aprendeu a andar em duas patas com o Snoopy (ou quase isso)

No começo Garfield andava como um gato comum, ou seja, com as quatro patas. E o Garfield que conhecemos hoje tem um estilo bem mais antropomórfico, com ele andando "em pé", sobre as patas traseiras. Esta "transformação" ocorreu graças a ajuda de Charles Schulz, o criador de Snoopy.

Segundo Jim Davis, ele estava em Los Angeles para fazer o primeiro especial de TV de Garfield, e tinha o desejo que Garfield se levantasse e dançasse durante os créditos iniciais, o que simplesmente não estava funcionando. Porém Charles Schulz estava trabalhando em uma sala ao lado, e ao saber do ocorrido, resolveu ajudar seu amigo de profissão: "Isso é porque você deu a ele esses pezinhos de gato". Schulz explicou que foi justamente para que Snoopy pudesse ficar de pé, ele lhe deu pés grandes, iguais aos dos humanos. Foi então que Garfield ganhou as patas traseiras grandes que conhecemos hoje, e tudo mudou.


2 - A tirinha de Garfield quase não sobreviveu ao seu primeiro ano de publicação

Lembram que eu disse que Garfield estreou simultaneamente em 41 jornais estadunidenses? Pois é, acontece que em vários deles, a estréia ocorreu nos moldes de "período de testes", onde as tiras são publicadas gratuitamente por alguns meses. Após o fim deste tempo, vários jornais não quiseram continuar com o trabalho de Jim Davis, incluindo-se aí o maior destes, o Chicago Sun-Times. Felizmente os leitores se revoltaram e começaram a reclamar para estes jornais, que acabaram cedendo. Especialmente no caso do Chicago Sun-Times, quando Garfield re-estreou por lá, foi através desta tirinha exclusiva para o jornal (ver acima), referenciando o apoio dos fãs.


3 - Motivos para Garfield amar lasanha


Já nos primeiros anos da tirinha, aprendemos que antes de ser adotado por Jon, Garfield nasceu e viveu em uma cozinha de um restaurante italiano, o Mamma Leoni's. Foi lá, portanto, que ele desenvolveu seu gosto por massas em geral, especialmente pela lasanha, seu prato favorito. Jim Davis comenta que também adora lasanha e colocou isso em Garfield pois considerou engraçado ter um gato que gostasse deste prato. Porém, depois passou a ouvir das pessoas com frequência que seus gatos também adoravam lasanha.

Eu não sei o que se passa na cabeça dos estadunidenses para ficar dando lasanha para seus gatos... mas para quem estiver lendo isso aqui, não... isso não é nada recomendável.


4 - O cachorro Odie não era originalmente de Jon, e sim de Lyman (quem?)

Bem no começo da tira, Davis decidiu que queria um outro personagem para que Jon pudesse conversar, além de Garfield. Eis então que surge Lyman, amigo de Jon que passa a morar com ele após sofrer alguns contratempos. E junto com Lyman veio seu cachorro de estimação, Odie. Porém com o passar do tempo Jim percebeu que não precisava de outro humano, e então Lyman foi aos poucos aparecendo cada vez menos nas histórias. Sua primeira aparição nas tiras de 1983, em Abril, foi também sua última nas tirinhas de Garfield. Neste mesmo ano, Odie também já seria "incorporado" como mascote de Jon.

O curioso é que o "sumiço" de Lyman nunca foi comentado ou explicado nas tiras de Garfield... Jim Davis simplesmente parou de desenhá-lo e pronto. O que acabou virando uma certa piada interna entre os fãs do famoso gato: "o que poderia ter acontecido?".

Bem, para o Halloween de 2002 foi lançado no website oficial de Garfield um jogo Flash de nome Garfield's Scary Scavenger Hunt, um jogo de aventura point-and-click temático para aquela celebração, onde a casa de Garfield ficou assombrada e os jogadores controlavam o gato para encontrar nela 7 itens escondidos (doces para comer, é claro!!). De maneira bem-humorada, o jogo trazia uma mórbida surpresa: ao entrar no porão... bem, lá estava Lyman, acorrentado e mantido como refém durante este tempo todo...




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terça-feira, 10 de junho de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #043 - Sabia que em Hollywood existem DUAS (ou seriam TRÊS?) Calçadas da Fama?

Um ponto turístico muito famoso de Hollywood, em Los Angeles, Califórnia, é a sua Calçada da Fama. Porém, entre o público comum há certa confusão sobre este local: por exemplo não é nela onde as celebridades deixam as marcas de seus pés e mãos. Surpreso? Vamos às explicações.


A Calçada da Fama de Hollywood

A Calçada da Fama de Hollywood (Hollywood Walk of Fame) hoje é composta por mais de 2800 placas de celebridades (reais ou fictícias) classificadas em 6 categorias. Usando a imagem da estrela acima, começando ao "meio-dia" e girando em sentido horário temos: "Televisão", "Rádio", "Música", "Teatro" e "Cinema". A sexta categoria, criada apenas em 2023, é a de "Esportes", e seu símbolo é representado por um troféu em forma de taça.

Sua história começa em 15 de Agosto de 1958, onde 8 placas provisórias foram instaladas, e hoje a Calçada cobre um espaço de quase 3 Km de extensão. Ela percorre 15 quarteirões da rua Hollywood Boulevard e mais 3 quarteirões da Vine Street, ambas localizadas no distrito de Hollywood, em Los Angeles.


Teoricamente qualquer pessoa pertencente a uma destas 6 categorias pode ganhar uma estrela na Calçada da Fama. Para isto entretanto, sua indicação precisa ser aprovada por um comitê, e também pagar uma taxa que hoje é de US$ 85 mil, que supostamente não apenas cobre os custos da criação e instalação da placa com seu nome, mas também de sua manutenção. Geralmente quem faz as indicações e pagam as taxas não são as personalidades indicadas, e sim, seus fãs e/ou amigos, ou então associações de Los Angeles. Foi por exemplo o caso da mais recente estrela colocada lá, onde em 30 de Maio de 2025, o comediante inglês Ricky Gervais recebeu sua placa da Câmera de Comércio de Hollywood.



Como curiosidade, temos um número considerável de celebridades bem famosas que ainda não possuem sua estrela na Calçada: Robert De Niro, Al Pacino, Denzel Washington, Julia Roberts, Clint Eastwood, George Lucas (embora seu amigo Spielberg tenha), Leonardo DiCaprio, Emma Stone, e o ex-casal Brad Pitt e Angelina Jolie.


O "Pátio das Estrelas" do Chinese Theatre


A "segunda" Calçada da Fama fica no Chinese Theatre: famoso, histórico e gigante cinema temático de Los Angeles. Nela temos o "Forecourt of the Stars" (Pátio das Estrelas, em tradução livre), que abriga centenas de blocos de concreto, onde desde 1927 celebridades deixam seus autógrafos e as impressões de seus pés e/ou mãos. Como o Chinese Theatre se localiza na Hollywood Boulevard, ou seja, na mesma rua onde temos a Calçada da Fama, isso ajuda a aumentar a confusão entre o conceito de suas placas com as da "verdadeira" Calçada.

Abaixo mostro as fotos de algumas placas de quando estive por lá, ano passado. Atualmente, há cerca de 200 blocos no Pátio do Chinese Theatre. Alguns poucos deles, mais recentes, foram feitos em ações promocionais de estúdios, e são blocos "coletivos". É o caso da placa dos Vingadores, a primeira das imagens que trago abaixo:




Um das histórias a respeito destas placas que adoro é a do produtor, comediante e ator Mel Brooks. Maluco como só ele, Brooks não resistiu a tentação de aplicar uma pequena peça quando deixou sua marca na placa de concreto. Como se pode ver em duas das fotos abaixo (a primeira é de Marilyn Monroe), ele usou uma prótese para um 6º dedo em sua mão esquerda. Fiz questão de tirar uma foto da peripécia deste gênio da comédia.


A Calçada da Fama do Grammy Museum

Sim! Vamos agora para a "terceira" das Calçadas da Fama que se encontram em Los Angeles. Ela não fica exatamente em Hollywood, e sim em Downtown Los Angeles, que é consideravelmente perto. Trata-se da calçada do Grammy Museum de Los Angeles, cujo prédio é localizado na esquina entre as ruas Olympic Boulevard e Figueroa Street.

E é na calçada da Olympic Boulevard que temos o que seria a "Calçada da Fama do Grammy". Ao invés de homenagear uma pessoa em específico, cada placa comemorativa homenageia um ano, ou melhor, um grupo de vencedores do Grammy Awards daquele ano: Melhor Artista Revelação, Melhor Canção, Melhor Gravação e Melhor Álbum. Os blocos começam no ano 1958, e dá pra você ver na foto acima eles passando pela entrada principal da calçada do Museu.

Ah. E se assim como eu, você ficou em dúvida quanto a diferença entre os prêmios de Melhor Canção (Song of the Year) e Melhor Gravação (Record of the Year), este último se refere literalmente ao som gravado, já o primeiro se refere a letra da música.



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terça-feira, 20 de maio de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #042 - Jason Voorhees e as máscaras dos Goleiros de Hóquei

Um dos personagens mais icônicos dos filmes de terror é Jason, o assassino protagonista dos filmes da franquia Sexta-Feira 13. E se hoje reconhecemos imediatamente sua assustadora imagem, de seu "rosto" impassível coberto por uma máscara de goleiro de hóquei, saibam que nem sempre foi assim.

Até o presente momento, tivemos 12 filmes (!!!) de Sexta-Feira 13, porém Jason Voorhees vestiu sua máscara de hóquei apenas a partir do terceiro filme, Sexta-Feira 13 - Parte 3 (1982). No filme inicial, ele ainda não é adulto e aparece sem máscaras; já no segundo, ele simplesmente aparece com um saco de estopa cobrindo sua cabeça. Na imagem acima, vemos o famoso assassino com seu visual do filme 2 (à esquerda), e estreando a famosa máscara no filme 3 (à direita).

O que poucos sabem é que Jason só ganhou a máscara de goleiro de hóquei por puro acaso. Para o filme Sexta-Feira 13 - Parte 3 o roteiro apenas dizia que Jason "usava uma máscara", sem trazer nenhum detalhe adicional.

Em um dos primeiros dias de produção, o diretor Steve Miner pediu um teste de iluminação, e então a equipe saiu a caça de uma máscara qualquer para que o ator Richard Brooker (que interpretava Jason neste filme) pudesse ser filmado. Quem lhe deu a máscara foi supervisor de efeitos especiais Martin Jay Sadoff, que era um grande fã de hóquei e, por coincidência, trazia em seu carro uma máscara de goleiro do Detroit Red Wings.

O teste foi feito, Miner gostou do visual e a máscara foi "oficializada" para o filme. Como a máscara original não cobria toda a cabeça de Jason, um novo molde foi feito, ampliando-a. Terry Ballard, do departamento de arte, adicionou a ela os triângulos vermelhos e mudou a disposição de alguns furos para dar uma aparência única e marcante. Pronto! A primeira máscara de goleiro de hóquei de Jason Voorhees estava finalmente finalizada!


As máscaras em goleiros de Hóquei no Gelo

Curiosamente, a máscara usada por Jason em Sexta-Feira 13 - Parte 3 já era "antiga" quando o filme foi feito. Para ser mais exato, o objeto em questão é uma 1970 Jacques Plante Elite FibroSport model 103. Ou seja, o filme era do começo dos anos 80, mas aquela máscara foi utilizada no começo dos anos 70. E em se tratando de ser uma máscara do Red Wings, isso significa que na vida real ela foi usada por goleiros como Doug Grant, Bill McKenzie e Terry Richardson.

Mas vamos voltar ao nome presente no modelo da máscara: Jacques Plante. Quem é ele? Bem, além de ser o dono da empresa que fez esta máscara, o canadense Plante também foi goleiro da NHL e na verdade, o inventor das máscaras para goleiros no Hóquei no Gelo!

Segundo o que conta a história, Jacques Plante, goleiro do Montreal Canadiens, desde 1956 treinava usando uma máscara de fibra de vidro que ele mesmo fez (ver imagem ao lado), depois de perder 13 jogos devido uma operação no nariz para sinusite. Porém, seu treinador Toe Blake não o deixava usar a máscara nas partidas por medo que ela limitasse sua visão.

Entretanto, no dia 1º de novembro de 1959, em uma partida contra o  New York Rangers, o nariz de Plante foi quebrado quando seu rosto foi atingido por um disco de borracha (puck) arremessado contra seu gol. Ele foi levado ao vestiário para costurar pontos no nariz e quando voltou, ele estava usando sua máscara de goleiro caseira dos treinos. O técnico Blake ficou furioso, mas como não havia outro goleiro e Plante se recusava a retornar para o jogo sem a máscara, Blake cedeu e os Canadiens venceram o jogo por 3 a 1. Para as partidas seguintes, Plante continuou recusando a deixar a máscara, mas como os Canadiens continuaram a vencer, Blake também foi aceitando a exigência de seu goleiro. No final das contas, os Canadiens seriam os campeões daquela temporada. Seria a quinta Stanley Cup consecutiva do time, e o último título de Jacques Plante como profissional.

Após esta temporada, Plante começou a projetou suas próprias máscaras e as de outros goleiros; trabalho que ficou muito mais sério após sua aposentadoria, quando investiu em uma empresa dedicada a isso. E apenas para reforçar, Jacques Plante não foi o primeiro goleiro da NHL a usar uma máscara facial. Por exemplo em 1930 Clint Benedict, do Montreal Maroons, usou uma máscara de couro para proteger um nariz quebrado. A diferença é que Plante introduziu a máscara como equipamento diário, e não apenas para proteção de machucados.

Mas a conclusão é: por cerca de 50 anos, os goleiros da NHL não usavam máscara nenhuma! Goleiros usarem máscaras só passou a ser maioria no começo da década de 70. E somente a partir da temporada da NHL de 1979-80 o equipamento inventado por Jacques Plante enfim se tornou obrigatório. Coisa de maluco!




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domingo, 11 de maio de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #041 - Reese Witherspoon: feminista, entusiasta e adaptadora de livros


A atriz Reese Witherspoon é bem conhecida mundialmente. Hoje com 49 anos e com atuações em cerca de 40 filmes, ela provavelmente ficará para sempre no imaginário popular pelas suas participações nas comédias Legalmente Loira (2001) e Legalmente Loira 2 (2003), e também no drama musical Johnny & June (2005), do qual aliás ela venceu o Oscar de Melhor Atriz.

Porém Reese também é empresária e produtora, onde aliás tem trabalhado mais do que na função de atriz nos últimos anos. Estes outros "aspectos" da pessoa Reese Witherspoon não são muito conhecidos pelo público brasileiro. Portanto, comentarei um pouco deles aqui no Cinema Vírgula. ;)

Seu lado empresária e produtora se iniciou no ano de 2000, quando ela, juntamente com Debra Siegel, fundaram a Type A Films, uma empresa para produzir filmes. Inclusive, os dois Legalmente Loira já seriam produzidos por esta companhia. Em 2012 houve uma fusão da Type A Films com a também produtora Make Movies de Bruna Papandrea, para criar uma nova empresa chamada Pacific Standard. Sob o nome da Pacific Standard foram produzidos filmes como Garota Exemplar e a série da HBO Big Little Lies. Em 2016, Witherspoon e Papandrea se separariam, com Witherspoon ficando com o controle total da empresa.

Em 2015, Reese Witherspoon lançaria seu segundo empreendimento: a Draper James, uma linha (e loja) de roupas e objetos de decoração inspirados no sul dos EUA (ela é da Louisiana, um dos estados desta região estadunidense).

E finalmente, em 2016, Witherspoon e Seth Rodsky fizeram uma joint venture da Pacific Standard com uma empresa chamada Otter Media. Nascia então a Hello Sunshine: uma empresa focada em produzir, para diversas mídias (cinema, TV, etc), histórias protagonizadas por mulheres.

Como exemplos de séries, a Hello Sunshine produziu The Morning Show (Apple TV+), Recomeço (Netflix) e Daisy Jones & The Six (Prime Video). Já em filmes, temos como exemplos Um Lugar Bem Longe Daqui (de 2022, mas que acabou de chegar na Netflix), Um Presente da Tiffany (Prime Video), Na Sua Casa ou na Minha? (Netflix) e Casamentos Cruzados (lançado recentemente na Prime Video).

E ainda tem mais. Reese Witherspoon criou em 2017 seu próprio "clube de livros", o Reese's Book Club. Nele, todo mês, a atriz mensalmente indica um livro para seus seguidores. Os livros também sempre possuem mulheres como protagonistas, e Reese garante que é realmente ela quem faz a indicação dos títulos. Como curiosidade, as indicações do seu book club costumam ser elogiados devida sua diversidade, e também por serem obras bem recentes de autores que em geral ainda não são famosos; por exemplo uma boa parcela delas foram os livros inaugurais de seus respectivos escritores!

Claro que Reese e a Hello Sunshine não iriam perder a oportunidade, e alguns dos seus livros indiciados já foram adaptados em séries ou filmes por eles mesmos, algo que está se tornando cada vez mais comum. É o caso, por exemplo, dos já citados Um Lugar Bem Longe Daqui e Daisy Jones & The Six, e também de Little Fires Everywhere (Prime Video) e A Última Coisa que Ele Me Falou (Apple TV+).

Seu book club é um negócio milionário, disparando a venda de qualquer um de seus livros escolhidos, gerando bastante conteúdo associado nas mídias sociais, além é claro, de estimular o hábito da leitura principalmente entre o público feminino.

A título de curiosidade, em 2021 Witherspoon vendeu a Hello Sunshine para uma dupla de executivos por estimados 900 milhões de dólares, porém com ela e a antiga CEO Sarah Harden continuando a mandar na empresa normalmente. Já em 2023, Reese vendeu 70% da Draper James, onde ela permanece como acionista minoritária e membro do conselho.

Caso queira saber todos os livros que o Reese's Book Club já indicou na vida, é só clicar aqui (está tudo em inglês). As 4 indicações mais recentes estão na imagem mais acima.

Já viu algum filme / série / livro produzido por Reese Witherspoon? Agora não tem desculpa. Só pegar um nome aqui neste artigo e começar. :)



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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #040 - A Piada do Palhaço Pagliacci


Uma piada bem famosa dentro da Cultura Pop é a piada do Palhaço Pagliacci, contada por Alan Moore em seu clássico dos quadrinhos Watchmen (1986-87), facilmente uma das melhores HQs sobre super-heróis de todos os tempos. Em sua obra, Moore nos apresenta este texto quando o personagem Rorschach compara Pagliacci ao herói de nome Comediante (ver um trecho na imagem acima). A descrição completa deste gracejo vem a seguir:


Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto.

O médico diz: “O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.”

O homem se desfaz em lágrimas. E diz: “Mas, doutor… Eu sou o Pagliacci.”

Esta triste anedota virou até meme, e por exemplo graças ao seu desfecho melancólico, foi bastante relembrada durante a morte do ator e comediante Robin Williams, devido suicídio, em 2014. O "Paradoxo do Palhaço Triste", em que palhaços e comediantes bem sucedidos, ao mesmo tempo sofrem de ansiedade, depressão, solidão e outros distúrbios mentais, é um fenômeno existente na vida real e estudado pela psicologia. 

Mas o que poucos sabem é que a tal piada do Palhaço Pagliacci não foi inventada por Alan Moore. Aliás, ela já possui alguns séculos de idade. Também há o detalhe que em italiano, pagliacci é o plural de pagliaccio, a palavra “palhaço”. Além de que Pagliacci também é o nome de uma famosa ópera italiana do final do séc XIX, onde seu protagonista Canio é um ator infeliz e ciumento que atuava como palhaço e foi traído pela esposa com o amigo.

De todo este contexto, podemos imaginar que Moore intencionalmente optou por adaptar as versões predecessoras da piada colocando o nome de Pagliacci em sua obra para representar a classe dos atores de comédia em geral.


Como exemplos de versões anteriores da piada do Palhaço Pagilacci, por exemplo podemos encontrá-la dentro do conto The Comic ("O Cômico"), escrito e publicado pelo estadunidense Ralph Waldo Emerson  em 1875 (onde neste caso o "paciente" se chamava Carlini); e também dentro do poema Reir Llorando ("Rindo Chorando"), do escritor mexicano Juan de Dios Peza (1852-1910):

Certa vez, um homem com uma expressão sombria procurou um médico famoso: "Eu sofro", disse ele, "de uma doença tão terrível quanto essa palidez do meu rosto".

(...)

Tome este conselho como uma receita hoje: Somente vendo Garrik você poderá se curar.

(...)

Assim disse o doente, ele não me curou; Eu sou Garrik!... Mude minha receita.


Outras versões desta mesma história são menos curiosas e mais tristes, pois remetiam a pessoas reais. No poema acima, já se especulava que Garrik fosse uma referência ao ator, mímico e palhaço inglês Joseph Grimaldi (1778-1837), que embora tenha sido um grande sucesso em sua época, teve uma vida difícil e passou seus últimos anos no alcoolismo e depressão. 

O "Garrik" de Dios Peza poderia até não ser Grimaldi, mas a versão da piada que mais corria pelos anos 1910 colocava Grimaldi nominalmente como sendo o palhaço da história. Já nos anos 1930, a versão mais popular da mesma anedota colocava como protagonista o palhaço "Grock", mesmo nome artístico de Charles Adrien Wettach (1880-1959) um palhaço suíço que foi um dos maiores artistas europeus de sua geração.

Com registros escritos desde pelo menos o ano de 1814, a estrutura do conto que hoje conhecemos como a piada do Palhaço Pagliacci, graças a Alan Moore e a natureza humana, deverão se manter para a posteridade.



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segunda-feira, 31 de março de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #039 - A noite do ano que não teve verão e que mudou a História da Literatura para sempre

Podem procurar em seus livros de História. Ou do jeito mais fácil rs: na Internet. Sabiam que no ano de 1816, para muitos países do Hemisfério Norte, não houve verão? A explicação mais aceita para o fato foi uma erupção no ano anterior do Monte Tambora, na Indonésia, a maior da era humana. Sua explosão teria lançado tanta quantidade dióxido de enxofre na estratosfera, que acabara bloqueando parte da luz solar no planeta por meses.

Sendo esta a real causa ou não, os fatos são que 1816 foi em média 3º C mais frio que o ano anterior, e que no Canadá, norte dos EUA e norte da Europa, em pleno verão tivemos fortes geadas, lagos e rios congelados, com tudo isso causando mortes e enormes perdas na agricultura e pecuária.

No meio deste cenário deprimente, em Junho de 1816 Mary Shelley (então Mary Godwin), sua meia-irmã Claire Clairmont e o poeta Percy Bysshe Shelley (seu futuro marido) se encontraram com o famoso poeta Lord Byron e seu jovem médico, o também escritor John William Polidori, na mansão Villa Diodati, que ficava perto do Lago de Genebra. O que era para ser um agradável passeio de férias de verão acabou não se concretizando devido às constantes chuvas, que obrigou o grupo a ficar o tempo todo recolhido dentro da casa (ah, a foto deste artigo é de um episódio da 12ª temporada da série Doctor Who, que recria estes momentos).

Para se entreter, eles começaram a ler em voz alta Fantasmagoriana, uma antologia francesa de contos alemães sobre fantasmas. Animados com o livro, posteriormente Lord Byron sugeriu que cada um escrevesse sua própria história de fantasma, e os cinco toparam.

Como resultado do "desafio" após os três dias que ficaram reunidos, Percy Shelley escreveu o poema A Fragment of a Ghost Story (leia ele aqui). Já Lord Byron começou a escrever uma história de vampiro, que ficou conhecida como Fragment of a Novel (ou simplesmente A Fragment). Porém o famoso poeta abandonou o "passatempo" rapidamente, e este pequeno conto ficou inacabado. Ainda assim, o texto incompleto foi publicado por seu editor em 1819 - sem autorização de Lord Byron - ao final do livro de poemas Mazeppa, o que deixou o escritor furioso.

John William Polidori também não terminou sua história... segundo Mary Shelley ele estava trabalhando em uma "péssima idéia sobre uma mulher com rosto de caveira". Porém mais tarde ele acabou usando o conto A Fragment de Lord Byron como base para seu próprio conto, The Vampyre, publicado em 1819 e tido como a primeira história moderna de vampiros publicada em inglês. Aliás, pode-se dizer que Polidori é o criador do gênero vampiro romântico, e por exemplo, o famoso livro Drácula do irlandês Bram Stoker, só seria escrito muito tempo depois, em 1897. Alguns conceitos usados em Drácula, como de um vampiro sendo um nobre aristocrata e com poderes para seduzir mulheres, vieram de The Vampyre.

Villa Diodati dos dias de hoje

E, claro, a obra mais famosa que nasceu desta noite foi Frankenstein ou o Prometeu Moderno, de Mary Shelley, da qual inclusive já escrevi aqui no Cinema Vírgula. Diz a lenda que Mary foi quem mais estava com dificuldade para escrever seu conto, e ao ouvir uma conversa em que Percy estava tendo com Polidori sobre "a natureza do princípio da vida", ela começou a pensar em coisas como reanimar corpos através do galvanismo, e do quão assustador seria o ser humano querer reproduzir um mecanismo do Criador: nasciam aí as primeiras idéias para Frankenstein.

Mary Shelley encerraria sua passagem pela Villa Diodati finalizando o pequeno conto que viria a ser o precursor do livro Frankenstein publicado em 1818. Quando o livro foi publicado, não apenas estávamos diante da estréia de Mary como escritora, mas ela também tinha apenas 19 anos. Frankenstein ou o Prometeu Moderno acabou passando por algumas revisões, e a terceira edição do livro, publicada em 1831, é considerada a definitiva. Frankenstein é considerado por muitos o primeiro livro moderno de ficção científica, além de trazer outros conceitos incomuns, como por exemplo, no "duelo" entre homem e criatura, também mostrar o ponto de vista da criatura.

Como se pode concluir, a fria e chuvosa noite em que Lord Byron instigou seus amigos a escrever contos de terror por "diversão", acabou mudando em muito os rumos da literatura de terror e ficção científica. Que tal se você reunir seus amigos e propor um desafio similar? Nunca se sabe quando iremos revolucionar os rumos da História novamente...



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Gosta de suspense e terror? Você deveria conhecer Locke & Key

Locke & Key é uma série de HQs de terror/suspense que já de cara deveria chamar a atenção devido ao nome de seu escritor: Joe Hill...