Para aumentar o número de filmes "recomendado para crianças" analisados aqui no Cinema Vírgula, vamos com dois de uma vez só, ambos produção original Netflix. O primeiro deles estreou mês passado, e ficou por várias semanas no Top 10 mundial desta empresa de streaming. O outro é mais antigo, e eu explicarei a seguir. Vamos a eles!
Diretor: Nathan Greno
Atores principais (vozes): Michael B. Jordan, Juno Temple, Tracy Morgan, Cedric The Entertainer
Sendo um dos primeiros filmes de animação para o público infantil "produção Netflix" deste ano de 2026, e lançado há poucas semanas, Como Mágica teve ótima recepção do público, tanto em visualizações quanto em crítica.
Na trama, uma pequena criatura de nome Ollie e uma ave de nome Ivy acabam se envolvendo em um incidente e trocando de corpos. O fato deles serem inimigos naturais não tornam as coisas mais fáceis. Durante a aventura de se unirem para voltar ao que eram antes, vão descobrindo que nem sempre suas espécies foram inimigas, e mais outras coisas...
De cara Como Mágica já se destaca tecnicamente, com uma animação fluida e muito bem feita, bonita e bastante colorida. Os animais da história não são do nosso mundo, e desfrutam de um design belo e criativo: em sua grande maioria também trazem características "vegetais" em seu corpo, como flores, ou galhos, ou folhas brotando em partes que normalmente dariam lugar à pelos, penas ou chifres. A trilha sonora também é muito boa e agradável; não tem "cantoria" (é tudo trilha incidental), mas traz emoção na medida certa. Como único porém, a música não é muito inovadora, e é bem parecida com trilhas já usadas com sucesso em outros filmes.
A história de Como Mágica é simples, mas em geral bem diferente das histórias infantis e de "contos de fadas". Elas não somente trazem uma mensagem ecológica, mas principalmente, trazem uma reflexão do individualismo versus altruísmo. Aliás, mostra para as crianças que "ajudar o próximo" tem consequências que podem ser ruins. Você está preparado para elas?
É muito importante em um mundo cada vez mais solitário e individualista como o atual, que tenhamos um filme infantil que passe uma mensagem sobre isto. Reforçar a importância do contato com outras pessoas, e principalmente, de ajudá-las. Ah, e eu disse anteriormente que o roteiro de Como Mágica é simples, certo? Mantenho; mas dentro de sua simplicidade, a história é boa, trazendo vários momentos de bastante emoção, e algumas poucas reviravoltas realmente surpreendentes.
No final das contas Como Mágica acaba sendo uma ótima pedida para o público infantil, pela qualidade técnica, mas principalmente por trazer uma história diferente, com uma mensagem necessária, e com todos os elementos de uma boa narrativa. O resultado final é a diversão garantida para toda a família. Nota (de 1 a 6):
Diretores: John Aoshima, Shannon Tindle
Atores principais (vozes): Christopher Sean, Gedde Watanabe, Tamlyn Tomita, Keone Young, Júlia Harriman
Quebrando minha regra de escrever críticas só de "lançamentos", Ultraman: A Ascensão estreou na Netflix há dois anos, em Junho de 2024; mas quis trazê-lo aqui para ter dois filmes infantis de animação em um mesmo artigo.
A história de Ultraman: A Ascensão começa com a jovem estrela internacional de baseball Ken Sato voltando para o Japão para assumir o papel de Ultraman no lugar de seu pai Hayao Sato, que por estar muito velho (e agora machucado), não consegue mais continuar na função. O problema é que Ken começa a atuar como o herói a contragosto: ele não gostaria de estar lá, e também está brigado com seu pai, pois ressente da ausência paterna em sua infância quando o mesmo atuava como herói, e principalmente, dele nunca ter feito buscas por sua mãe, desaparecida há muito tempo. Com isso, suas atuações como Ultraman são erráticas e desastradas, causando vários danos em prédios.
Tudo complica ainda mais quando o exército da Força de Defesa Kaiju (KDF), liderada pelo vingativo cientista Dr. Onda, aparentemente mata o maior dos kaijus, Gigantron, para roubar um ovo do gigantesco animal; e Ken, que acompanhava a luta transformado como Ultraman, vê o ovo se chocar, e leva o bebê Gigantron para seu esconderijo.
A partir de então, temos várias cenas de um bebê kaiju bem fofinho fazendo coisas de bebê, e Ken tendo que aprender a ser pai, o que é engraçado. Mas apesar das várias cenas fofas, Ultraman: A Ascensão não tem um clima tão leve, já que Dr. Onda fica o tempo todo bolando planos malignos para matar todos os kaijus do mundo, e Ken está cheio de problemas e conflitos - sua vida está um caos como "pai", ele falha profissionalmente como jogador de baseball, e a relação com seu próprio pai continua péssima.
No final das contas Ken consegue amadurecer bastante como pessoa e temos uma épica batalha de Ultraman contra o Dr. Onda. As mensagens e lições que o filme passam são bem positivas e bonitas. Ao mesmo tempo, é muito bacana resgatar para o público de agora um personagem dos anos 60 (!), que aliás, foi um dos primeiros programas Tokusatsu (ou seja, live action de monstros gigantes) a passar nas TV japonesas, e que nas décadas seguintes iria virar febre no Japão e ser exportado para todo o mundo.
Por outro lado Ultraman: A Ascensão peca ao não se aprofundar em praticamente nada, o filme começa e termina e pouco aprendemos sobre seus personagens, ou sobre o universo de Ultraman; é quase como se filmassem alguns dias da vida de Ken e nos exibissem sem nenhuma explicação ou introdução adicional.
Também achei um pouco estranhas as opções de design para o filme... ele é escuro demais! Tudo é muito dark, e a grande maioria de Ultraman: A Ascensão se passa a noite. Ainda que o filme tenha indicação para 12 anos, e eu não veja problemas inclusive para que crianças alguns poucos anos mais novos que isso assistam, mais iluminação e cores poderiam tornar o filme mais amistoso. Outro ponto é que há momentos em que golpes são desferidos em câmera lenta, e quando isso acontece, a imagem sai do 3D e vai para um 2D estilizado de quadrinhos... só que Ultraman não é um personagem de mangás (publicaram um só em 2011)... ele é essencialmente um personagem da TV!
Apesar de apresentar o personagem menos do que deveria, Ultraman: A Ascensão acaba sendo uma homenagem digna e interessante de Ultraman. A história é simples mas funciona, e o bebê Gigantron rouba a cena. Mesmo sendo uma história fechada, há uma cena pós créditos que dá um gancho gigantesco para uma continuação; aliás, os planos dos produtores é que Ultraman: A Ascensão possa ser uma trilogia. Tomara que sim, mas até agora, nenhum anúncio para o segundo filme foi feito. Nota (de 1 a 6):





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