Hoje trago a crítica de dois ótimos filmes que, embora nenhum deles seja produção original Prime Vídeo, ambos tiveram os direitos de exibição para o Brasil comprados pelo streaming da Amazon, que os lançou recentemente. E mais ainda, os dois chegaram pouquíssimo tempo após terem saído das salas dos cinemas brasileiros, mostrando - infelizmente - que o "somente nos cinemas" escrito no pôster de ambas as produções (ver as imagens abaixo), é algo cada vez mais duvidoso.
E vamos à minha opinião sobre cada um deles:
Diretor: Kyle Balda
Atores principais: Hugh Jackman, Nicholas Braun, Nicholas Galitzine, Molly Gordon, Hong Chau, Emma Thompson; e Julia Louis-Dreyfus, Bryan Cranston, Chris O'Dowd, Regina Hall, Patrick Stewart, Tommy Birchall (vozes)
Se querem um filme bom para relaxar e se divertir, As Ovelhas Detetives é o que você precisa. Baseado em um livro da escritora alemã Leonie Swann de 2005, cujo nome original é Glennkill: Ein Schafskrimi (algo como "Glennkill: Um Mistério com Ovelhas", sendo que Glennkill é o nome da fictícia vila irlandesa onde a trama ocorre), o filme parodia histórias de livros detetives, resolvendo ele mesmo um assassinato, com bastante comédia.
A vítima da vez é o bondoso - mas encrenqueiro - George Hardy (Hugh Jackman), um pastor de ovelhas. A novidade é que as pessoas, ou melhor, os seres que resolverão o caso são suas ovelhas(!) , em especial Lily, a mais inteligente delas; e Mimoso, um macho adulto que acaba sendo a "memória" das ovelhas.
E é claro que são estes felpudos animais o melhor de As Ovelhas Detetives! E não só pelas piadas que proporcionam, ao dialogar e se comportar como humanos, mas também, por algumas estranhas particularidades de sua sociedade. Por exemplo, quando disse acima que Mimoso é a "memória" das ovelhas, é porque ele nasceu com uma deficiência que o impede de conseguir esquecer qualquer coisa que desejar, algo que os demais do bando fazem para esquecer lembranças ruins.
Mais ainda, As Ovelhas Detetives não fica só nas piadas e também fala sobre preconceito, pertencimento e mortalidade. Para completar, o tal mistério de assassinato, apesar de simples, é satisfatório e vai certamente agradar que curte filmes do gênero.
As Ovelhas Detetives acaba sendo uma grata surpresa, em uma época em que bons filmes de comédia são cada vez mais raros, este aqui não decepciona. Pelo contrário. Nota (de 1 a 6):
Diretor: Kristoffer Borgli
Atores principais: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Benton Gates, Sydney Lemmon, Jordyn Curet
Em outro filme produzido e distribuído pela A24, famosa por produções bizarras / estranhas, O Drama faz jus à fama da companhia. Na história, os introvertidos - mas ainda assim pessoas normais - Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya) se conhecem em um Café e agora os encontramos dois anos depois, quando estão há uma semana de se casarem. O casal se ama e é muito feliz, tudo vai muito bem, até que em um encontro deles com um casal de padrinhos, com todos já embriagados, a madrinha Rachel (Alana Haim) propõe uma "inocente" brincadeira: que cada um confesse a coisa mais malvada que fez em vida. Após os três primeiros da mesa falarem, chega a vez de Emma, que ao contar sua história, deixa os demais em choque. É a partir de então que ela passa a ser rejeitada por todos que sabem do seu segredo, o que inclui seu noivo, Charlie.
Vendido como uma comédia de humor ácido, O Drama até tem algumas cenas de humor, mas em geral, seu tom é de bastante drama, dor, ironia, e de denúncia de falta de empatia. Não vou dizer aqui exatamente qual foi o segredo revelado por Emma, mas ele tem relação com a cultura armamentista estadunidense. Então, já de início, não deixa de ser uma crítica a aquele país; além de hipocrisia do trio, principalmente de Rachel, já que seu "segredo" também foi grave e ela não sente uma gota de culpa ou remorso.
Mas o melhor de O Drama é que ele realmente nos faz pensar sobre o quanto conhecemos sobre as pessoas que nos cercam, e se deveríamos ou não mudar o jeito em como as tratamos caso descobrimos alguma coisa "podre" de seu passado. Devemos perdoar? Ignorar? Ou ainda, conseguimos perdoar? Ignorar? É interessante não só você fazer este exercício, mas ver os personagens do filme fazendo isso toda vez que se encontram com Emma.
Confesso que não gostei tanto do desfecho, tenho minhas dúvidas se o egoísmo do personagem de Charlie é maior que o amor dele por Emma. Porém, para aceitar melhor o final e não abaixar a nota do filme, vou assumir que a resposta é "não". Porém independente do desfecho, coisas como as atuações, dilemas morais, hipocrisia escancarada, e "quebra da ilusão da realidade" que o filme proporcionam fazem dele uma ótima (porém tensa) experiência. Nota (de 1 a 6):





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