Quando Toy Story 4 foi lançado em 2019, eu torci o nariz por dois motivos: afinal, com os Toy Story de 1 a 3 tínhamos uma trilogia "perfeita" e um ciclo fechado: vimos Andy bem criança até ele crescer e sair de casa; e crescemos juntos com ele. Porém um belo dia John Lasseter, um dos fundadores da Pixar, veio com a história de que lhe mostraram um roteiro para Toy Story que era tão bom que não tinha como deixar de ser feito: uma grande história de amor para Woody. Tudo balela: de fato, Toy Story 4 é realmente um bom filme, porém sua trama de romance com Betty foi certamente o mais fraco dos filmes da franquia até então. Ou seja, não se tratava de ter em mãos um roteiro espetacular; como sempre, se tratava de ganhar mais dinheiro.
Sete anos depois, a história se repete. Toy Story está de volta, e agora a justificativa é de mostrar o alerta para o "perigo" da tecnologia, mais especificamente, o quanto os jogos e aplicativos de celulares e tablets estão sendo prejudiciais aos brinquedos e às crianças. E como vamos ver a seguir, não foi exatamente isto que Toy Story 5 entregou.
Em Toy Story 5 a garota Bonnie agora já está com oito anos, mas tem dificuldades para brincar com outras crianças, todas já conectadas em seus tablets. Então ela ganha um de seus pais, a Lilypad "Lily". Não demora muito para ela se viciar em Lily e abandonar seus brinquedos. Para piorar, Lily estimula a dependência de Bonnie e se acha superior aos outros brinquedos. E a garota não está feliz, já que ela percebe que suas amizades novas virtuais não são o que ela esperava. Diante deste cenário catastrófico, a cowgirl Jessie lidera os brinquedos para derrotar Lily e "salvar" Bonnie.
Assim como Toy Story 4, este Toy Story 5 tem uma boa história. Mas igualmente, está mais preocupado em fazer dinheiro do que qualquer outra coisa. Um exemplo é a presença de Woody, que não faz nenhuma diferença na trama, só está lá para ser chamado de velho e diminuir Buzz (isso no roteiro né? pois sendo a estrela principal da franquia e dublado por Tom Hanks, Woody = bilheteria). Mas a prova derradeira é que a trama mostra bem pouco dos "males" das redes sociais e dos jogos eletrônicos para as crianças; e mais ainda, no final Lily também não é "má"... é sim uma rival, mas ela é bem intencionada. Em outras palavras, vocês acham mesmo que a Disney, uma das empresas mais gananciosas do entretenimento mundial, iria criticar duramente os jogos de celular, sendo que ela também ganha rios de dinheiro licenciando suas marcas por lá? O que ela precisa mesmo é passar uma mensagem de que ALÉM dos jogos, os seus brinquedos continuam importantes, e é o que ela faz.
Reitero que Toy Story 5 traz uma boa história, divertida, engraçada, e para toda a família. É o mais fraco dos Toy Story (perde até para o 4, mas é bem superior ao desenho solo do Buzz Lightyear), e apesar de uma crítica muito rasa e decepcionante aos jogos e aplicativos sociais virtuais, "fugindo" de sua promessa, o filme ainda deixa um bom número de mensagens importantes: que os tempos mudaram, mas nada substitui a interação física com outras crianças; que antes do tempo dos "inevitáveis eletrônicos" ainda é necessário o tempo dos brinquedos para desenvolvimento; e que para se socializar, a criança também também precisa dar seu próprio primeiro passo.
Ah sim. E tragam seus lenços. Não tem como não se emocionar em uma ou outra cena. Nota (de 1 a 6):
PS 1: existem alguns sites relatando a existência de duas cenas pós-créditos no filme, mas isto não está correto. Há apenas UMA cena pós-créditos, mais ou menos na metade deles, com o "exercito de Buzz Lightyears". E no final de tudo, de todos os créditos, há uma breve animação, de uns 5 segundos, de alguns personagens pulando e cantando na tela; nem é uma cena propriamente dita e é irrelevante. Talvez disto veio a confusão.
PS 2: para este filme, a cantora Taylor Swift lançou uma música nova, que acabou virando a canção-tema de Toy Story 5. Ela se chama I Knew It, I Knew You. Quem quiser ouvir, só clicar no vídeo abaixo.


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