Mostrando postagens com marcador videogames. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador videogames. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Conheça QUINZE novos ótimos jogos lançados para o Mega Drive nos últimos dez anos

Uma das vantagens de ser um console de videogames tão bom e memorável é que mesmo após mais de 35 anos de seu lançamento, o SEGA Mega Drive mantém uma grande e apaixonada comunidade que continua desenvolvendo novos jogos para seus fãs.

A cada ano temos vários bons jogos inéditos sendo lançados mundialmente, e sendo eu mesmo um destes fãs do Megão, resolvi fazer uma seleção e trazer para vocês 15 dos melhores jogos que vi serem lançados nos últimos 10 anos. A lista segue abaixo, em ordem alfabética.


16Bit Rhythm Land (2019)

Lançada pela desenvolvedora japonesa Columbus Circle, o jogo traz 4 "mini-games" de rítmo, onde você tem que apertar um ou mais botões no momento exato para cumprir alguma ação. Dos quatro, gostei mais dos que trouxe as imagens acima: um onde você tem 3 botões para ativar escudos e se defender de bolas de fogo que vêm do espaço, e outro onde você é um rebatedor no Baseball. Se desde o surgimento de games como Guitar Hero e Rock Band jogos assim ficaram "comuns", para a biblioteca original do Mega Drive este tipo de jogo é praticamente inédito, o que torna tudo mais interessante.


Astebros (2023)


Agora vamos para o primeiro jogo desta lista feito pela Neofid Studios, desenvolvedora francesa que tem feito jogos complexos e de alta qualidade tanto para o Mega Drive quanto para o Super NES. Trata-se de Astebros, que se passa no mesmo universo de Demons of Asteborg, outro jogo da Neofid que se encontra neste artigo, e que aliás foi lançado primeiro, porém devido seu nome, virá depois por motivos alfabéticos..

Astebros é um jogo de plataforma roguelike, ou seja, além de combater muitos inimigos, terá que explorar muitos cenários resolvendo alguns quebra-cabeças. Ele permite até 2 jogadores simultâneos e dá o opção de jogar com 3 tipos de personagens com poderes bem distintos: Arqueiro, Cavaleiro e Mago, sendo esse último visualmente muito parecido com o personagem Gorpo do He-Man (ver na imagem acima à esquerda). São seis fases, e todas elas geradas randomicamente.

O jogo é bem bonito, com arte pixelada, e tem uma dificuldade alta. Ele permite a seleção de vários idiomas inclusive nosso Português e também está disponível para Nintendo Switch e Steam.


The Curse of Illmoore Bay (2021)

Se vocês percorrerem esta lista, perceberão que a maioria dos jogos tem uma abordagem "mais séria", porém este The Curse of Illmoore Bay é uma exceção. Apesar do tema "monstros", já que o jogo é temático de Halloween, o game é bem divertido e descontraído, com gráficos mais alegres e coloridos, tendo um visual mais de desenho animado. O jogo foi criado pela desenvolvedora estadunidense Second Dimension (que outrora se chamava Airwalk Studios), que já fez alguns jogos para o Mega Drive, porém seu maior catálogo são de jogos novos para o Nintendinho (NES).

The Curse of Illmoore Bay é um jogo de plataforma para 1 ou 2 jogadores simultâneos, com 18 fases bem variadas, e onde é possível escolher dentre 3 personagens para jogar. A trilha sonora é agitada e segue o padrão de qualidade do Mega Drive.


The Cursed Knight (2022)

A primeira vista The Cursed Knight aparenta ser apenas mais um jogo de plataforma... Ledo engano. Criado pela empresa francesa GGS Studio Creation, o jogo tem sim sua parte "plataforma", que aliás utiliza bastante de uma interessante mecânica: com um dos botões você altera a gravidade do cenário, fazendo seu personagem ser "puxado" para cima ou para baixo da tela.

Porém, em várias partes do jogo, o "Cavaleiro Amaldiçoado" que controlamos acaba voando e atirando raios nos inimigos, como se fosse uma "nave"; ou seja, The Cursed Knight também tem partes de shoot‘em up!

Com 10 fases distribuídas em 5 estágios, The Cursed Knight tem inimigos variados (e chefões de fase bem desafiadores), você controlando alguns veículos, gráficos e trilha sonora muito boas e abuso (de modo muito bem feito) dos efeitos parallax. Uma boa pedida para quem procura um jogo bem diferente, difícil, mas não muito longo.

 

Demons of Asteborg (2021) 


Agora sim, falaremos sobre o Demons of Asteborg, também criado pela Neofid Studios e que citei anteriormente. Trata-se de um jogo de ação / plataforma em 2D ao estilo Metroidvania. Assim como em Astebros, o jogo também apresenta vários diálogos (e tem Português como opção de idioma) e o herói também precisa resolver alguns quebra-cabeças, porém em quantidade bem menor. Aqui é mesmo bem mais ação que exploração. E assim também igualmente ao posterior jogo Astebros, estamos diante de um jogo longo, difícil, e belíssimo, com arte pixelada e atenta nos mínimos detalhes.

Na trama, você controla Gareth, filho de um lendário guerreiro com uma feiticeira, para impedir a invasão do demônio Zadimus e seu exército que está destruindo a humanidade. É curioso ver que além das homenagens óbvias a jogos como CastlevaniaGhouls’n Ghosts, há uma fase em que o jogo se torna algo similar ao Space Harrier, com tiro em primeira pessoa em 3D, conforme imagem acima, à direita.

Tanto Demons of Asteborg quanto Astebros são jogos que não devem nada em qualidade, duração e complexidade comparado aos grandes jogos clássicos licenciados lançados pelas grandes produtoras de jogos dos anos 90.


Hayato's Journey (2024)

Aqui temos uma surpreendente "continuação" do clássico jogo Kenseiden, do Master System, feito por dois brasileiros: o desenvolvedor Master Linkuei e o compositor Edmo Caldas. Com belos gráficos e trilha sonora, o game aproveita elementos de jogos como o próprio Kenseiden, de Spellcaster (também do Master System) e jogos da franquia Shinobi no Mega Drive.

O resultado foi um jogão de samurais no mais alto nível, confesso que me diverti muito ao jogá-lo. E a ROM do jogo está disponível para baixar gratuitamente no site oficial de Hayato's Journey.


Life on Mars: Genesis (2022)

Mais um jogo do estilo Metroidvania, criado pela desenvolvedora espanhola Kai Magazine Software. Curiosamente, eles são especializados em criar jogos para computador - especialmente MSX - e lançá-los via revista, inclusive criaram e lançaram um Life on Mars para o MSX em 2015. Este Life on Mars: Genesis é uma versão "remake" deste jogo... expandida e com gráficos melhorados, já que foi feita para uma plataforma com mais capacidade, o Mega Drive.

Em Life on Mars: Genesis uma base científica foi instalada em Marte, ela descobre uma bactéria no planeta, e dias depois, para de se comunicar com o exterior. Você é o técnico que foi convocado para entrar na colônia e reestabelecer as comunicações...

O jogo é bem difícil, com mapas extensos e com aquela música de suspense / terror constante para não te dar sossego. Um dos jogos mais difíceis desta minha lista, mas que por ter savepoints, pelo menos terminá-lo se torna possível. Gráficos excelentes, o estilo de jogo lembra os jogos Alien 3 e Abuse, ambos da década de 90.


Hunter Girls (2023)


Lançada pela PSCD Games, uma produtora russa, Hunter Girls lembra o clássico jogo The Lost Vikings pois aqui também controlamos 3 personagens simultaneamente, cada um com uma habilidade bem distinta, e que juntos são usados para superar quebra-cabeças e avançar em fases, outra similaridade é que ambos tem temática de fantasia medieval.

Porém, uma enorme diferença é que Hunter Girls é um jogo de plataforma / ação, e os 3 personagens (as 3 caçadoras, no caso), estão sempre correndo, sem parar, em direção à direita da tela; portanto, resolver os obstáculos do jogo são na verdade uma corrida contra o tempo. Agnes resolve as coisas no corpo-a-corpo: ela possui uma espada e um escudo; Kim atira à distância com seu arco e flecha; e Flora defende o grupo de ataques mágicos. Jogo bem difícil e desafiador, mas um bocado diferente do que existe para o Mega Drive.


Mad Stalker: Full Metal Forth (2020)


Agora vamos ao primeiro jogo da lista que foi cancelado no passado, e que pôde enfim ver a luz do dia décadas depois. Mad Stalker: Full Metal Forth é um beat 'em up de ação lateral desenvolvido pela Fill-in-Cafe e lançado pela Family Soft em 1994 no Japão, para alguns modelos de computadores locais e para o PC Engine Arcade CD-ROM. Desde o início ele foi planejado para também ser lançado para o Mega Drive, porém o projeto foi cancelado devido altos custos.

Em 2020 o jogo foi resgatado, finalizado e lançado pela Columbus Circle. O que eu acho muito empolgante em Mad Stalker: Full Metal Forth é que apesar de ser um jogo de ação lateral, você controla um robô bem grande com direito a muitas variedades de golpes, como se estivesse em um jogo de luta 1 contra 1. O jogo é difícil e bem bonito. Vale bem a pena conhecer!


P-47 II MD (2025)


Lançado neste ano, P-47 II MD se trata da versão para Mega Drive do jogo P-47: The Phantom Fighter, um jogo que saiu em 1988 nos fliperamas, criado pela NMK e publicado pela Jaleco. Os planos eram que ele fosse lançado para o console da SEGA em 1990, mas o projeto foi cancelado. Em 2024 a City Connection Co., empresa japonesa que comprou a Jaleco, contratou a Habit Soft para finalizar o jogo. Para nós brasileiros, a distribuição do jogo é feita pela BUG (Big Uncle Games), que começou a vender o jogo fisicamente em cartucho desde a Retrocon 2025.

O game é um jogo de tiro horizontal para 1 jogador e que se passa na 2ª Guerra Mundial. Você controla um avião modelo Republic P-47 Thunderbolt, e diferentemente da versão arcade, aqui você está sempre acompanhado de 1 ou 2 aviões menores com habilidades diferentes, que soltam bombas ou habilitam escudos, e também enfrenta gigantes chefões de fase. Os gráficos são realmente excelentes; já em termos de som, diria estar na média do console.


Pier Solar and the Great Architects (2010)

Existem dezenas de novos jogos de RPG para o Mega Drive por aí, e optei então por trazer para esta minha lista apenas um deles - talvez o mais famoso - mesmo que seja uma pequena trapaça, já que ele foi lançado em 2010, ou seja, há mais tempo do que os tais dez anos atrás.

Lançado pelo pequeno estúdio independente estadunidense WaterMelon, o jogo é uma superprodução que levou mais de 5 anos de desenvolvimento e resultou em um cartucho de 64 megabits de tamanho, o que o tornou o maior jogo do Mega Drive até então.

Na história controlamos Hoston, um jovem aprendiz de botânica que sai de casa em busca de uma misteriosa erva que "pode" curar seu pai doente. Porém, ao longo de várias aventuras, a trama vai crescendo até ele se envolver com o "Pier Solar e os Grandes Arquitetos".

O jogo é um RPG japonês das antigas, com batalhas por turnos, e foi elogiadíssimo pela crítica especializada pelos seus gráficos, trilha sonora e história. Porém em termos de jogabilidade, teve notas apenas medianas. Como pontos negativos, foram apontados muitos labirintos difíceis e mecanismo de batalha repetitivo. Por outro lado, o jogo ficou tão famoso que foi portado anos depois até para os PlayStation 3 e 4, Wii U e Xbox One. Nada mal para um modesto game indie

Curiosidade: o jogo tem tradução para 6 idiomas, sendo um deles o Português, e isso não foi uma simples coincidência, afinal, um dos principais designers do jogo é o brasileiro Túlio Adriano Gonçalves.


Shaolin Carcará (2022)


Outro jogo brasileiro, criado pelo estúdio Mangangá Team e lançado em cartucho "2 em 1" junto com um jogo bem inferior de nome Irmãos Aratu. Shaolin Carcará é um bom jogo de ação / plataforma onde temos um "monge" lutando contra monstros clássicos de terror e outros que lembram levemente nosso folclore. O game é curto, com apenas 3 fases, mas é muito bem feito e com gráficos de arte pixelada. Ah, e também comporta 2 jogadores simultâneos. Como Shaolin Carcará 2 já está sendo desenvolvido, a ROM deste jogo pode baixada gratuitamente no site oficial dos desenvolvedores.


Tanglewood (2018)

Tanglewood é um jogo indie lançado por um grupo de desenvolvedores britânicos da Big Evil Corporation, e que recebeu muitos prêmios da crítica especializada. Trata-se de um jogo de plataforma, com vários "quebra-cabeças". Nele você controla Nymn, uma criatura parecida com uma pequena raposa, que se perdeu do seu grupo ao entardecer. Seu objetivo é chegar são e salvo até sua casa, sobrevivendo aos perigos da noite e as aventuras da manhã.

O jogo, como se pode ver nas imagens, é belíssimo. E lembra muito os grandes clássicos dos 16 bits dos jogos da Disney. Devido o alto número de prêmios recebidos, e atenção que recebeu da mídia especializada, Tanglewood foi responsável por impulsionar mais desenvolvedoras a criar novos jogos para o Mega Drive a partir de então.


Xeno Crisis (2019)


Lançado pela britânica Bitmap Bureau, o jogo de run and gun lembra clássicos como Smash TV, Alien Syndrome e Mercs. No jogo invadimos locais abandonados, matando centenas de alienígenas e resgatando humanos perdidos. Pode ser jogado em 1 ou 2 jogadores (muito divertido se jogado em dupla), e cada personagem têm a sua disposição diversos tipos de armamentos, sendo todos com tiro limitados (com exceção de sua faca).
 
O jogo tem gráficos bem coloridos e também conta com pixel art. É bem desafiador, com chefões gigantes, prometendo mapas e elementos randômicos. Seu lançamento original foi para o Mega Drive, Dreamcast, Nintendo Switch e Steam, porém depois ele também foi portado para o PlayStation 4, Xbox One e Neo Geo.


Paprium (2020)


E por fim... Paprium. Há um motivo para eu ter deixado ele por último da lista, contrariando a ordem alfabética. Paprium é a cereja do bolo, pela sua qualidade, raridade, e polêmicas...

A primeira e menor polêmica vem do fato de que ele tem gráficos tão elaborados, que para rodar no Mega Drive dentro do seu cartucho (sim, ele foi lançado em mídia física e até hoje só funciona 100% desta maneira) há um chip de processamento extra, chamado de "DT128M16VA1LT". Então com isso pode se dizer que o jogo "trapaceou" para rodar no Megão? Não necessariamente, já que o jogo de corrida Virtua Racing, lançado oficialmente pela SEGA em 1994, também tinha um chip de processamento extra dentro dele, o "Sega Virtua Processor" (SVP), e nem por isso houve na época qualquer contestação de que não seria um jogo legítimo do console.

Outra polêmica é sobre o produto entregue em si: Paprium, que também foi produzido pelo ambicioso estúdio WaterMelon, o mesmo do jogo Pier Solar, vendeu seu game via financiamento coletivo, no qual arrecadou quase 1 milhão de dólares. Após quase 8 anos de adiamentos, muitos compradores receberam seu jogo direitinho, porém muitos outros nunca receberam seu produto até hoje.

Além disso, existiram várias reclamações de usuários de que Paprium não rodava em seu Mega Drive. A WaterMelon retrucou dizendo que o jogo foi feito para rodar apenas em consoles nativos da SEGA e, de fato, a maioria das reclamações vinham de consoles mais novos produzidos por outras empresas, como por exemplo a Analogue, que se deu ao trabalho de lançar um firmware para corrigir o problema. Conforme este vídeo de gameplay feito por um brasileiro, o jogo rodou no Mega Drive modelo 1 da TecToy de 1992, e inclusive já automaticamente se configurou para o idioma Português. Em 2021 a WaterMelon lançou outra campanha no Kickstarter, agora para lançar seu Paprium no Steam, PlayStation 4 e 5, e Nintendo Switch. A promessa de entrega era pra Dezembro de 2022... mas até agora o jogo não saiu para nenhuma destas plataformas...

Polêmicas a parte, Paprium é um jogo de beat 'em up para 1 ou 2 jogadores, com gráficos e som espetaculares, e inspirado em Streets of Rage (principalmente) e Final Fight. Pode se dizer que as "homenagens" destes jogos foram até exageradas, pois há quem acuse que o visual de vários inimigos de Paprium foram "copiados" destes dois jogos. Ah sim: com sua chegada, Paprium superou Pier Solar e passou a ser o maior jogo do console em tamanho de dados: 80 megabits.

Os 5 personagens do modo "Original" e os 3 do modo "Arcade"

Para quem jogou Paprium, a análise é que o jogo é realmente bom, embora falte originalidade em termos de gameplay. O maior destaque fica mesmo para gráficos e som, estes sim acima de tudo que se espera para um console 16 Bits. O game pode ser jogado com o controle original de 3 botões, mas foi feito para ser jogado com o controle de 6 botões. São 5 personagens distintos para se jogar no modo "Original" (maior, mais difícil, e com direito a breves cutscenes) e outros 3 personagens para se jogar na versão "Arcade". Além dos tradicionais itens de "comida" para recuperar sua vida/energia, há também "pílulas" de uma substância que te deixa mais forte e aplicando apenas golpes especiais por um tempo bem limitado.

Ah... e lembram que eu disse acima que o jogo só funciona 100% em mídias físicas? Pois é... mesmo tendo sido lançado em 2020, até hoje não conseguiram emular ele direito. Depois de muito esforço da comunidade gamer, somente no final do primeiro semestre de 2025 conseguiram realizar o feito... mas com restrições. A emulação de só funciona em um RetroArch modificado, e ainda assim, com alguns pequenos bugs gráficos e principalmente sonoros.



PS (jogo bônus): a imagem que aparece no título deste artigo não é de nenhum dos quinze jogos da lista, e sim do ainda inédito jogo Earthion, cujo lançamento para o Mega Drive, incluindo em mídia física, está previsto para 2026. O jogo foi lançado em Julho de 2025 na Steam, e em Setembro de 2025 para PlayStation 4 e 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

O grande diferencial de Earthion é que sua trilha sonora é feita por Yuzo Koshiro, lendário compositor e produtor de músicas de videogames, responsável pela trilha sonora de dezenas de jogos, dentre elas os das séries Ys, The Revenge of Shinobi e Streets of Rage. Ainda assim, o brilho de Earthion não deve ficar só na música... seus gráficos prometem ser excepcionais, e com uso incrível de efeitos parallax.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Conheça o Coleco Telstar Arcade, o mais incrível console da 1ª Geração de Videogames


Sempre que um artigo ou matéria se propõe a contar a história dos videogames - inclusive o meu - ele quase certamente começa pela Segunda Geração, do Atari 2600. Mas por que a Primeira Geração é tão ignorada? 

A resposta mais simples é porque se tratou de uma geração que contou com cerca de uma de centena de aparelhos distintos, todos eles com jogos bem rudimentares, sendo apenas iguais ou variações do jogo Pong, criado em 1972 pela Atari.

O jogo Pong original, da Atari, nos fliperamas

O console, em inusitado formato triangular, possuía três tipos de controles / módulos distintos. De um lado, os controles eram 2 botões giratórios para os jogos ao estilo Pong; girando o Coleco Telstar Arcade, você tinha o lado com uma pistola, para jogos de tiro; e finalmente girando para o terceiro e último lado, havia um volante e uma alavanca de "câmbio" para os jogos de corrida.

Coleco Telstar Arcade era tão "avançado" para a época que foi um dos raríssimos consoles da 1ª Geração que tinham cartuchos / discos para adicionar novos jogos (o outro foi o Magnavox Odyssey (1972); os demais tinham uma lista fixa de games embutidos e só). No total, foram lançados 4 cartuchos, e todos eles também tinham o curioso formato triangular:

O inusitado console visto de cima, com o Cartucho 1 em uso, ao centro

- Cartucho 1, que já vinha junto com o console, com os jogos: Road Race (jogo de corrida para 1 jogador), Tennis (clone de Pong para 1 jogador) e Quickdraw (jogo de tiro para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 2, com os jogos: Hockey (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Tennis (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Handball (clone de Pong para 2 a 4 jogadores) e Target (jogo de tiro para 1 jogador) - era possível jogar em 4 comprando um controle adicional para 2 jogadores;

- Cartucho 3, com os jogos: Bonus Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores), Shooting Gallery (jogo de tiro para 1 jogador), Shoot the Bear (jogo de tiro para 1 jogador) e Deluxe Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 4, com os jogos: Naval Battle (batalha naval, para 1 jogador), Blast Away (jogo de tiro para 1 jogador) e Speedball (para 1 jogador).

Infelizmente esta "maravilha tecnológica" fracassou comercialmente. O motivo? A Coleco não podia adivinhar, mas junto com o Coleco Telstar Arcade já estava nascendo a Segunda Geração dos Videogames. Tanto ele quanto o Atari 2600 foram lançados no  semestre de 1977, e o Atari era tão superior que sepultaria a Primeira geração rapidamente.

Encerrando a matéria, segue uma demonstração em vídeo dos 3 jogos do "Cartucho 1". Não deixa de ser até hoje algo bem curioso!

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Relembrando de Psycho Fox, Decap Attack, e outros jogos curiosos da Vic Tokai!

Há alguns meses eu publiquei um artigo relembrando uma pequena, mas importante, desenvolvedora de jogos de videogames, a IREM. Continuando esta série, hoje trago outra desenvolvedora, ainda menor, a Vic Tokai.

Se você jogou nos videogames de 8 e 16 Bits da SEGA (Master System e Mega Drive) ou da Nintendo (NES e Super NES), aposto que conheceu algum dos jogos da Vic Tokai, desenvolvedora japonesa de games dos anos 80 e 90, que mesmo tendo criado algumas dezenas de jogos para estas plataformas, acabou não ficando tão famosa como outras marcas. 

A Vic Tokai era conhecida por ter vários jogos "incomuns", seja pela temática ou jogabilidade, além de tradicionalmente trazer boas trilhas sonoras e um humor peculiar. Neste artigo irei reapresentar para vocês alguns destes jogos. Curiosidade: a Vic Tokai existe até hoje, sob nome de Tokai Communications, porém não desenvolve mais jogos desde 1997, sendo agora uma empresa de telecomunicações.


A "Quadrilogia da Inércia"

Vamos começar pelo que provavelmente são seus jogos mais famosos - e alguns de seus melhores - que são aqueles que formam a "Quadrilogia da Inércia". Tratam-se de Kid Kool (de 1988, para o NES); Psycho Fox (de 1989, para o Master System); Magical Hat no Buttobi Turbo! Daibouken (de 1990, para o Mega Drive); e Decap Attack (de 1991, também para o Mega Drive). A imagem inicial deste artigo apresenta, em ordem, a tela título de cada um destes games.

Estes quatro jogos apresentavam algumas características em comum. A primeira delas é que todo personagem que o jogador controlava, também encontrava rapidamente no jogo um "pequeno companheiro" quase esférico, que com um clique de botão, era usado como um projétil para matar os inimigos. Conforme podemos ver na imagem abaixo, no caso de Kid Kool o "companheiro" era uma criatura vermelha de nome "Wicky"; em Psycho Fox era um pássaro de nome "Bird Fly"; em Magical Hat no Buttobi Turbo! Daibouken era "Roboggu", um robô em formato de ovo; e finalmente em Decap Attack tínhamos uma assustada caveira, que era acoplada em cima do tronco do protagonista.

Acima: Kid Kool e Psycho Fox; abaixo: Magical Hat e Decap Attack

Outra característica em comum era uma mecânica na movimentação dos personagens - que se hoje até temos algo parecido em jogos de FPS - era e é algo totalmente inusitado para jogos de plataforma. Trata-se da tal "mecânica da inércia", onde para tirar o personagem do repouso era mais difícil, com ele se movimentando bem vagarosamente, e em contrapartida, após correr, é mais difícil para seu personagem parar, e a desaceleração não acontece imediatamente.

Não joguei nem Kid Kool nem Magical Hat para avaliar suas qualidades, porém joguei Psycho FoxDecap Attack e ambos eram muitos bons. Aliás, afirmo com tranquilidade que Psycho Fox fica entre os Top 20 melhores jogos do Master System.


Golgo 13: Top Secret Episode - NES (1988)

Golgo 13: Top Secret Episode foi um dos vários jogos que a Vic Tokai fez para o NES, sendo este um dos mais bem sucedidos, com ótimas vendas. Ele é baseado em um popular mangá de mesmo nome (Golgo 13), que nos apresenta o assassino / espião de aluguel Duke Togo. Na trama deste game, Duke foi contratado para impedir os planos de um grupo terrorista de nome Drek... algo bem ao estilo de uma aventura de um James Bond.

Com gráficos apenas médios para a época, o jogo se destaca pela grande variedade nos tipos de fases: ação lateral onde você luta e atira, labirinto "3D" em 1ª pessoa, tela onde se controla uma mira de tiro em 1ª pessoa, shoot 'em up horizontal onde vc controla um helicóptero, e tela de ação lateral onde você é um mergulhador.


Golgo 13: Top Secret Episode é um jogo consideravelmente longo e difícil e por isto mesmo, para vencê-lo você dispõe de 52 vidas(!). Aliás, a maneira com que as "vidas" são computadas no jogo também é curiosa: a palavra "Episode" do título não está lá a toa... o Golgo 13 brinca ser um seriado de TV, e portanto toda vez que você morre, aparece um "To be continued", e depois os créditos iniciais aparecem novamente, com o número de um "episódio" ao lado do título. Este "número" equivale a quantas vidas você já gastou. Porém, a vida 52 é a última... se morrer, o jogo volta ao começo. Dentre as várias fases e viagens feitas pelo nosso protagonista Duke, há passagens pelo Brasil, no Rio de Janeiro e na Amazônia, como se vê na imagem abaixo.

O #51 da imagem acima indica o "Episódio 51", ou melhor dizendo, que o jogador está usando sua 51ª vida

O game teve uma seqüência, Golgo 13: The Mafat Conspiracy, lançado também para o Nintendinho em 1990, e também pela Vic Tokai. Trata-se de um jogo mais elogiado pela crítica do que o primeiro Golgo 13, contando com ótimos gráficos. Porém, acabou ficando menos conhecido pelo público. Em termos de gameplay, ele também é bem menos variado, contando apenas com as cenas de ação lateral com socos e tiro, a de labirinto 3D em 1ª pessoa, e dirigindo carro ao estilo Out Run, algo não presente no jogo anterior.


Battle Mania / Trouble Shooter (1991) e Battle Mania Daiginjō (1993) - Genesis / Mega Drive

Trouble Shooter é um jogo de tiro de rolagem horizontal lançado nos EUA em 1991, e lançado meses depois no Japão como Battle Mania. Nele você controla duas mercenárias futuristas, Madison e Crystal (ou respectivamente as irmãs Mania Ohtorii e Maria Haneda, na versão japonesa), com suas armas e mochila a jato, para resgatar um príncipe sequestrado.

Battle Mania / Trouble Shooter

Sendo duas personagens, daria para jogar com dois jogadores, correto? Errado. As duas irmãs são movimentadas sempre juntas, sendo que Madison atira sempre para a direita; já Crystal, com um dos botões do controle você alterna se ela atira para a direita ou para a esquerda; além disto, ela é imune a qualquer dano. Além do botão de tiro, o botão de "trocar a direção de Crystal", o terceiro botão dispara um ataque especial, cujo tipo é escolhido antes do começo de cada fase.

Ao longo do jogo você pode coletar power-ups que melhoram seu tiro e aumentam sua vida, além disso, também pode capturar um drone, que se junta ao grupo para ser um terceiro atirador. Trouble Shooter possui um visual colorido e que lembra animes, além de uma ótima trilha sonora. Com fases bem diversas e dificuldade na medida certa, o jogo tem diversão, som e gráficos de primeira. Talvez o único "defeito" do jogo é que ele é curto, poderia durar mais...

Battle Mania Daiginjō

Já Battle Mania Daiginjō, lançado exclusivamente no Japão em 1993, supera seu antecessor em tudo. O jogo tem 3 fases a mais, e conta com gráficos e músicas ainda melhores. Curiosamente, você começa a história apenas com Mania. Sua parceira, Maria, somente se juntará ao time após o termino da primeira fase. Outra mudança em relação ao jogo anterior é que agora, antes das fases começarem, em termos de armamento você não está escolhendo apenas o "poder especial", e sim, qual o tipo de drone que você levará consigo, que por sua vez, é ele quem dispara o "super golpe".

Encerrarei falando sobre os jogos da franquia Battle Mania com uma declaração ousada. Se algum dia você se deparar com alguma lista de Top 10 de melhores shooters do Mega Drive / Genesis e NÃO encontrar um dos dois jogos Battle Mania, das duas uma: ou quem montou a lista não os conheceu, ou a lista está errada.


SOS - Super NES (1994)

Além de criar jogos, como desenvolvedora, a Vic Tokai também atuava como publicadora, lançando jogos de empresas menores que ela. Alguns tão "peculiares" (ou até mais) do que ela mesmo costumava a produzir. Para encerrar esta matéria, trago então um exemplo destes jogos que ela apenas publicou. Trata-se do jogo SOS (ou Septentrion no Japão), desenvolvido pela Human Entertainment, jogo este exclusivo do Super NES.


Em SOS temos uma trama incomum e até "macabra"... apresentado como se fosse um filme, estamos em um grande navio que começa a afundar. Seu objetivo é, em uma corrida contra o tempo, resgatar o maior número de pessoas antes que seja tarde demais. O jogador pode escolher entre 4 personagens - cada um de idade e profissões diferentes - e cada um dos personagens permite 4 ou 5 finais distintos, dependendo de quantas pessoas resgatadas e do destino de alguns passageiros específicos.

O jogo é tenso, difícil, com a tela sempre levemente "balançando" e em alguns momentos inclinada - simulando os movimentos do navio - com vários diálogos e mortes, e uma das dificuldades é conseguir convencer e controlar os passageiros para fora da embarcação. SOS não foi um sucesso de público, mas foi um sucesso de crítica, sendo bastante elogiado por jogadores e revistas especializadas.

sábado, 2 de agosto de 2025

Relembrando o Amiga 500, digno concorrente dos PC's, NES, Master System, Mega Drive e SNES


Em termos de computadores caseiros nos anos 80 e 90, o mercado tinha a liderança dos PC's (da IBM e outros "clones") e Macintosh (da Apple). Mas em "terceiro lugar" vinha o Amiga (da Commodore). A principal força do Amiga era sua alta capacidade gráfica e sonora. E isto, naturalmente, não apenas transformou esta família de computadores a melhor para videogames até o começo dos anos 90, como também, acabou virando uma plataforma de videogames à parte. Os jogos acabaram virando o grande atrativo do Amiga, e eles concorriam em termos de qualidade com os famosos consoles de 8 e 16 bits da SEGA e Nintendo da época.

O Amiga foi bem vendido na Europa, mas não conseguiu emplacar em mais nenhuma região do mundo. Dentre os vários modelos lançados para o Amiga ao longo dos anos, o que mais vendeu e ficou mais famoso foi o Amiga 500, lançado em 1987. Curiosidade: sua CPU era o Motorola 68000, exatamente o mesmo processador 16 bits do SEGA Mega Drive.


As franquias que nasceram no Amiga 500

Da esq. para dir., e de cima para baixo: Populous, Lemmings, Sensible Soccer e Speedball 2

O que poucos sabem é que no Amiga 500 surgiram várias franquias famosas de jogos de videogames. Dentre eles, posso citar os jogos de estratégia Populous e Lemmings, os jogos de esporte Sensible Soccer e Speedball 2: Brutal Deluxe, os jogos "dark" de ação Another World e Shadow of the Beast, o flipper Pinball Dreams e o acelerado Zool, uma "resposta" do Amiga para o Sonic. Todos estes jogos foram posteriormente portados para diversos consoles e plataformas, ficando conhecidos no mundo todo.

Da esq. para dir., e de cima para baixo: Another World, Shadow of the Beast, Pinball Dreams e Zool

E os nascidos no Amiga "famosos" continuaram mesmo após o declínio do Amiga 500. Por exemplo, surgiram em modelos posteriores do Amiga jogos como Worms, Flashback ("sucessor" do Another World, este que aliás também teve o nome de Out of This World) e Sensible World of Soccer ("sucessor" do Sensible Soccer).


Os muitos (e "peculiares") jogos exclusivos

Claro que no Amiga 500 também tínhamos os jogos que eram sucesso em outras plataformas de computador da época (King's Quest I a VI, Monkey Island 1 e 2, Indiana Jones and the Fate of AtlantisSimCity e SimCity 2000Mortal Kombat, Street Fighter I e II, etc), e dos consoles de videogames caseiros (After Burner, Castlevania, Golden Axe, Final Fight, Ghouls'n Ghosts, Shinobi, Space Harrier I e II, Strider 1 e 2, etc), lançados normalmente.

Porém, talvez o maior "charme" da plataforma eram seus jogos feitos por produtoras pequenas (ou às vezes até, por um grupo pequeno de programadores independentes), o que fez o Amiga 500 ter centenas de jogos bem "peculiares" e raros, muitos deles exclusivos. Encerro este artigo listando QUINZE destes jogos "estranhos", sejam eles exclusivos ou não do Amiga, mas que certamente hoje são desconhecidos do grande público, e trago aqui para que vocês passem a conhecer e admirar.




Danger Freak (1988): começando com este pequeno jogo, feito por um grupo de programadores, onde você controla um dublê de filmes de ação! São apenas 3 fases, onde você tem que pilotar vários veículos e escapar de obstáculos diversos, sendo que a primeira fase é a melhor e mais divertida de todas. Bem incomum, como se pode ver no vídeo acima.




It Came from the Desert (1989): um bizarro adventure de point-and-click que mistura alguns poucos momentos de tiro em primeira pessoa, aqui a história é digna de um filme B, onde uma pequena cidade em um deserto dos EUA é atacada por formigas gigantes. O jogo é bem difícil e uma corrida contra o tempo. Ou seja, se em pouco mais de uma hora em tempo real você não conseguir localizar e matar a formiga rainha, o jogo acaba e você terá que começar tudo novamente do zero, o que é um bocado frustrante.




Buffalo Bill's Wild West Show (1989): sabe aqueles jogos de competição com múltiplos eventos, para se jogar em vários jogadores, como Track & Field, California Games e Winter Games? Pois é, Buffalo Bill's Wild West Show é um destes, porém os "esportes" são baseados em atrações de shows itinerantes do Velho Oeste. São seis eventos: Lançamento de faca, Tiro de habilidade, Montaria de cavalo selvagem, Resgate de diligência, Laçada de bezerro e Luta de boi.




Parachute Joust (1990): quer um jogo absurdamente errado e politicamente incorreto? Achou! Neste jogo você e um adversário pulam de um avião com apenas um paraquedas. Então vocês dois ficam brigando no ar pela posse do paraquedas até que um consegue ficar com o objeto em definitivo e o outro jogador cai e morre. E o jogo é só isso! :O




Cruise for a Corpse (1991): no mesmo ano que lançou Another World, a francesa Delphine Software lançou esse jogo aqui, um adventure de point-and-click onde o objetivo é resolver um assassinado ocorrido dentro de um navio, ao estilo dos livros de mistério de Sherlock Holmes e Agatha Christie. Apesar de ser um jogo "lento" e com muitos diálogos, o game foi bastante elogiado pela crítica e certamente tem tudo para agradar os fãs de mistério policial.




Hugo (1991): era uma vez um personagem de TV chamado Hugo, criado na Dinamarca para ser a estrela de um jogo interativo onde as pessoas jogavam ao vivo valendo prêmios, controlando o personagem do game através do seu aparelho de telefone fixo (sim, nesta época das cavernas os aparelhos celular ainda não existiam)! Da Dinamarca, o programa de TV criado em 1990 se espalhou para o mundo, chegando até ao Brasil, onde foi transmitido pela TV CNT-Gazeta nos anos de 1995, 96 e 98. Com comandos simples, o objetivo era desviar Hugo de obstáculos, clicando no botão direcional nos momentos certos. O jogo foi adaptado para várias marcas de computadores, começando pelo Amiga em 1991, e depois indo também para os PCs, Macintosh e Commodore 64.




Jungle Boy (1991): um "clone" do clássico jogo Jungle Hunt (1983), que fez muito sucesso nos fliperamas e Atari 2600. Feito por um pequeno grupo de programadores, aqui podemos ver uma versão de Jungle Hunt "modificada" com gráficos e sons equivalentes aos dos videogames de quarta geração (16 bits).




Moonstone: A Hard Days Knight (1991): um jogo de luta com elementos de RPG considerado como um dos mais violentos já feitos até então. Comportando sempre 4 jogadores simultâneos (caso não houvessem 4 jogadores online, os restantes eram completados pela CPU), o jogo se alternava em 2 etapas: primeiro os jogadores escolhiam, ao mesmo tempo, em qual local do mapa iriam explorar. Escolhido, a segunda etapa era enfrentar os bizarríssimos monstros (ou um jogador adversário) que lá se encontravam e se vencer, recolher tesouros e ganhar pontos de experiência. Espalhados pelos locais do mapa haviam 4 chaves, que se unidas, revelavam o local da Moonstone, e quem a encontrasse, vencia a partida.




Agony (1992): jogo exclusivo para o Amiga, não a toa tirando desta potente máquina o máximo de seu potencial gráfico e sonoro. Aqui temos um jogo de tiro horizontal onde controlamos uma coruja contra os mais diversos inimigos, em sua maioria plantas e insetos gigantes. Agony possui uma qualidade gráfica e de trilha sonora comparáveis ao máximo atingido nessas categorias pelo Mega Drive e Super Nintendo.




Apidya (1992): outro jogo exclusivo para o Amiga, outro jogo de tiro horizontal, outro jogo de gráficos incríveis, outro jogo onde controlamos um animal, porém desta vez somos uma... abelha! Com fases e inimigos bem diversificados, Apidya é certamente um dos melhores e mais impressionantes shoot 'em up do Amiga 500.




Motörhead (1992): aqui temos um jogo da banda inglesa de heavy metal Motörhead. Trata-se de um beat'em up onde o jogador controla Lemmy, o vocalista do grupo, para resgatar os demais integrantes da banda, que foram sequestrados. Os gráficos são bons, mas o jogo é relativamente curto e fácil, com apenas um botão para golpe. A trilha sonora até é agitada, com várias batidas... mas sabe quantas músicas são do Motörhead? Nenhuma. E isso mesmo com o ok oficial da banda para lançamento do jogo. Maluquice pura.




Arabian Nights (1993): jogo de plataforma (com direito a alguns momentos de shoot 'em up horizontal quando você pilota um tapete voador) com tema nas "1001 Noites" e exclusivo deste sistema. O game certamente entra fica entre os melhores, de mais belos gráficos e trilha sonora do gênero no Amiga. O jogo parece que mistura Alex Kidd com Aladdin com Castle of Illusion; e as fases são consideravelmente curtas, mas que com isso permite bastante variedade. Muito bom!




Skidmarks (1993): tivemos algumas franquias famosas de jogos de corrida com vista "de cima pra baixo" nesta época, como por exemplo Super Off Road, Rock 'n' Roll RacingDeath Rally e Micro Machines. No caso do Amiga, os destaques ficam para as franquias Super Cars e este Skidmarks. Com jogabilidade simples, gráficos bem coloridos e com destaque para objetos geométricos em 3D, o jogo fez bastante sucesso, apesar de sua física "estranha".




Sleepwalker (1993): eis um jogo bem diferente. Você controla um fiel cachorro de nome Ralph e seu dono é um garoto sonâmbulo de nome Lee. Bem... Lee dorme e simplesmente sai andando para fora de casa. Seu objetivo é acompanhá-lo e evitar a todo custo que ele se machuque, desviando-o dos perigos. O jogo é absurdamente difícil, o que deve ter contribuído para que ele não ganhasse o gosto do público. Uma versão mais fácil e bem modificada dele foi lançada como sendo do personagem Eek! The Cat para o Super Nintendo.




Elfmania (1994): vamos agora ao primeiro e único jogo de luta da lista. Mais um jogo exclusivo do Amiga, e com gráficos de excelente qualidade. Em Elfmania é possível escolher entre 6 lutadores diferentes, todos elfos. Ao contrário dos jogos de luta clássicos, neste jogo os personagens não possuem golpes especiais acionados por combinações de botões: temos apenas golpes e ataques simples, comuns a todos os lutadores. E... um único movimento especial (e distinto) para cada personagem.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Relembrando a IREM e seus marcantes jogos para a indústria dos Videogames

Tivemos várias produtoras de jogos para videogames que alcançaram muita fama nos anos 80 e 90, os anos dourados dos consoles. Nomes como Capcom, Data East, Electronic Arts, Konami, Namco Taito. Porém também tivemos muitas outras, que se não ficaram tão famosas, deixaram sua marca na história. Uma delas é a Irem, que faço questão de relembrar por aqui.

Fundada em 1974 como IPM, a Irem Corporation é uma antiga desenvolvedora e publicadora de jogos eletrônicos japonesa. Sua história com videogames e arcades (fliperamas) começa em 1978. E a seguir, vamos a alguns dos jogos que a fizeram ser memorável:


Moon Patrol (1982), um dos primeiros grandes sucessos da Irem, chegou a alcançar o Top 5 de arcades mais lucrativos nos meses posteriores ao seu lançamento. É considerado o primeiro jogo de rolagem lateral da história (!) a usar o efeito de parallax scrolling (quando as imagens de plano de fundo movem-se mais lentamente que as imagens em primeiro plano, criando uma ilusão de profundidade) na tela inteira.

No jogo, você controla um veículo lunar enquanto pula e se desvia de obstáculos como buracos e pedras, além de atirar em naves alienígenas. O game também foi portado para o Atari 2600, Atari 5200, Commodore 64, IBM PC e MSX dentre outros.

A versão original arcade (à esq.), e a versão do Atari 2600 (à dir.), um dos melhores jogos deste console


Kung-Fu Master (1984), é nada menos que o primeiro jogo beat 'em up (luta corpo a corpo) da história (!) O game se tornou um enorme sucesso, lançado nos fliperamas em Novembro de 84, terminou o ano seguinte como líder de vendas do Japão e em segundo lugar nos EUA.

Na trama, o jogador controla Thomas, um mestre de Kung Fu, que luta por 5 andares de um Templo para resgatar sua namorada Sylvia, sequestrada por um chefão do crime. São dezenas de adversários por andar, muitos simultâneos, porém para subir ao andar seguinte é necessário derrotar o chefão daquele nível. Kung-Fu Master também foi portado para o Atari 7800, Apple II, Commodore 64, MSX... mas o console caseiro onde mais fez sucesso foi o NES, o querido Nintendinho.

As batalhas contra chefes (foto à dir.) tinham barra de energia para o personagem do jogador e para o vilão, e o jogo virava um contra um. Isto virou base para o jogo de luta Street Fighter (1987), levado por Takashi Nishiyama da Irem para a Capcom.


R-Type (1987), jogo de tiro de nave em rolagem lateral, o primeiro jogo lançado pela Irem em sua placa arcade de 16-bits. O jogo chamou a atenção do mundo pela sua incrível beleza gráfica, e também, pela sua dificuldade. R-Type se encontra na seleta lista de melhores jogos de videogame de todos os tempos.

Como características inconfundíveis, R-Type apresenta um visual baseado nos trabalhos de H.R. Giger, a mesma mente de onde foram inspirados os visuais para os filmes da franquia Alien. Além disso, a nave que o jogador controla, a R-9 "Arrowhead", está sempre acompanhada de um módulo praticamente esférico de nome "Force", que pode ser ejetado ou também acoplado na frente ou atrás do veículo. É uma arma viva, indestrutível, que atira raios diversos e também serve como escudo. Dada a sua enorme qualidade, R-Type foi portado para dezenas de consoles, do velho e bom Master System aos modernos PlayStation 4 e Xbox 360.

R-Type virou uma franquia de grande sucesso. Somando suas continuações e spin-offs, são mais de uma dezena de títulos!


E antes de irmos para a próxima seção deste artigo, só com jogos dos anos 90, quero comentar sobre mais dois jogos oitentistas que joguei e gosto. Um nada "revolucionário" mas que ficou bem famoso, e outro um bocado obscuro. O popular destes é Vigilante (1988), um beat 'em up que por também só possuir movimentação em 2D e possuir trama parecida, foi considerado o "sucessor espiritual" do Kung-Fu Master. O jogo foi portado para o Amiga, Master System, Commodore 64, MSX e TurboGrafx-16 dentre outros.

Já o jogo menos conhecido é o belíssimo Dragon Breed (1989), um jogo de tiro horizontal onde sua "nave" na verdade é um comprido dragão voador de nome Bahamoot. O game tem um visual que mistura R-Type com outros jogos da SEGA que adoro, como Space Harrier (1985) e Altered Beast (1988). Dragon Breed não foi portado para nenhum console caseiro, apenas para alguns computadores, como por exemplo o Amiga, Atari ST e Commodore 64.

Dragon Breed (abaixo), e Vigilante (acima), com imagens de versão arcade (à esq.) e a versão do Master System (à dir.). Curiosidade: exclusivamente na versão do Master, a namorada do protagonista foi renomeada de "Madonna" para "Maria"


A Tetralogia D.A.S.

Tetralogia D.A.S. é como são conhecidos quatro jogos criados pela Irem nos anos 90 que possuem duas características em comum: terem sido feitos pelo mesmo time de desenvolvedores, e se situarem em uma Terra pós-apocalíptica onde um grupo de vilões denominado D.A.S. (Dark Anarchy Society, ou Destruction And Satsujin no original japonês) conseguiu inundar o planeta ao derreter suas calotas polares. São eles: Air Duel (1990), Undercover Cops (1992), In The Hunt (1993) e Gunforce II (1994). Todos de estilos completamente diferentes, como veremos a seguir.


O Air Duel (1990) era um jogo de tiro de naves em rolagem vertical, e nunca chegou a ser portado para nenhum console caseiro, ficando exclusivo dos arcades. No início de cada fase, você pode escolher qual tipo de veículo escolher, um avião ou um helicóptero.



Já o Undercover Cops (1992) é um jogo de beat 'em up ao estilo de clássicos como Final FightStreets of Rage. No jogo, você pode escolher entre 3 personagens para sair distribuindo "porrada" nos bandidos. Os gráficos são muito bonitos, e o tamanho dos personagens e inimigos eram bem maiores do que o comum para a época, com uma altura que ocupava quase metade da tela. O jogo chegou a ser portado para o SNES.


Curiosidade: a crítica considerou Undercover Cops um bom jogo, mas "reclamou" de sua falta de originalidade. Como resposta, no ano seguinte a Irem lançou o beat 'em up Ninja Baseball Bat Man (1993), que é o jogo cuja imagem vai no topo deste artigo. Queriam algo diferente? Então agora vocês ganharam um jogo cartunesco de jogadores de baseball ninjas em que cada personagem jogável tem golpes bem distintos um dos outros e ficam mais fortes a medida que sua barra de vida vai diminuindo.


In The Hunt (1993): pense em um jogo bonito... e difícil! Trata-se de um jogo de tiro com rolagem horizontal onde você controla um submarino. Seus inimigos estão tanto dentro quanto fora d'água... e são centenas, milhares! A união de beleza com absurda dificuldade o fez ser comparado com R-TypeEle foi portado para o Sega SaturnWindows, Nintendo Switch, PlayStation e PlayStation 4.



Gunforce II (1994), fechando a tetralogia, é um jogo que além dos fliperamas, chegou a ser portado para os computadores (Windows e Mac), mas para nenhum console de videogame caseiro. Trata-se de um jogo run and gun, onde você controla o personagem Max e sai atirando contra seus inimigos. Apesar dele ser a seqüência de Gunforce (1991), também um run and gun, o jogo mudou um bocado, abandonando níveis de plataforma e fazendo o tiroteio ser mais direto. O jogo lembra Metal Slug, que seria lançado no Neo Geo em 1996 (e em breve você saberá porque rs), mas ainda assim, em Gunforce II os personagens são maiores, e os inimigos em sua maioria, máquinas e robôs.



O "fim" e a Nazca Corporation

Em 1994, a Irem encerrou o desenvolvimento de novos jogos de videogames, passando apenas a fabricar máquinas de fliperama. Devido seu "fim", uma equipe de programadores da divisão de videogames da Irem (as mesmas pessoas que criaram os jogos da Tetralogia D.A.S.!) deixou a empresa e fundou a Nazca Corporation, que dentre vários jogos relevantes, se tornou famosa principalmente por ter criado a franquia Metal Slug, que brilharia no Neo Geo da SNK.

Takashi Nishiyama, um dos mais antigos grandes nomes da Irem, e também um dos principais nomes em Moon Patrol e Kung-Fu Master, esteve envolvido no desenvolvimento do Neo Geo de outros games que surgiram neste console, como por exemplo Art of Fighting e The King of Fighters. Como se pode concluir, é como se o Neo Geo fosse a nova casa dos antigos funcionários da Irem.

Metal Slug, genial jogo da Nazca Corporation, é de ex-funcionários da Irem

A partir de 1997 a Irem voltou para os games, agora sob o nome de Irem Software Engineeringquando começou a adaptar e (re)publicar seus antigos clássicos para vários consoles PlayStation, Nintendo e até Sega Saturn. Porém desde 2011 ela só produz máquinas de Caça-níquel (Slot machine), abandonando de vez qualquer ligação com o mercado de videogames.

Já a Nasca Corporation, após alguns anos de serviços prestados para a SNK para o Neo Geo, foi comprada pela mesma, e seus funcionários ficaram por lá até 2001, quando a SNK decretou falência.


E vocês? Jogaram algum jogo da IREM? Comentem! E para ler mais artigos sobre videogames, é só clicar aqui!

Gosta de suspense e terror? Você deveria conhecer Locke & Key

Locke & Key é uma série de HQs de terror/suspense que já de cara deveria chamar a atenção devido ao nome de seu escritor: Joe Hill...