domingo, 23 de novembro de 2025

Crítica Prime Video - Éden (2024)

Título
Éden ("Eden", EUA, 2024)
DiretorRon Howard
Atores principais: Jude Law, Ana de Armas, Vanessa Kirby, Daniel Brühl, Sydney Sweeney, Jonathan Tittel, Felix Kammerer, Toby Wallace
Nota: 7,0

Estrelado e com ótimas atuações, filme é baseado em bizarra história real

Lançado nos cinemas mundiais ano passado, Éden, o mais recente filme do prestigiado diretor estadunidense Ron Howard (já vencedor do Oscar pelo filme Uma Mente Brilhante) sequer chegou nos cinemas brasileiros, e por aqui estreou diretamente nos streamings, mês passado, via Prime Video.

A chocante história, que ocorre no início dos anos 1930, é baseada em fatos reais, onde um pequeno grupo de pessoas, por motivos diversos, decidiu recomeçar sua vida na ilha Floreana, a ilha mais ao sul do arquipélago vulcânico que conhecemos popularmente como Ilhas Galápagos, e que já se encontrava desabitada há décadas.

A trama começa com a família Wittmer chegando à ilha: Heinz (Daniel Brühl), Margret (Sydney Sweeney) e o filho Harry (Jonathan Tittel) perderam praticamente tudo e, inspirados pela história dos "heróicos aventureiros" Dr. Friedrich Ritter (Jude Law) e sua companheira Dore Strauch (Vanessa Kirby), que já estavam em Floreana há vários anos, resolveram começar uma nova vida por lá.

Todos eles eram alemães, mas mesmo assim, Friedrich não gostou nem um pouco de receber novos integrantes no local. O clima na ilha ficou tenso, mas ainda controlável. Porém tudo explodiu quando um terceiro grupo chegou: a Baronesa Eloise (Ana de Armas) com seus dois amantes / empregados Robert (Toby Wallace) e Rudolph (Felix Kammerer). A interação entre os três grupos iria escalar a tal ponto de tensão onde a história de Éden chegaria até a mortes.

Como ponto mais forte do filme, o elenco estrelar de Éden faz jus a sua contratação e temos ótimas atuações, só por isto valendo a pena assisti-lo. Os conflitos e clima de constante tensão e imprevisibilidade são mais destacados pelos atores do que pelo próprio roteiro.

O que sabemos hoje do que aconteceu na ilha provêm de 3 fontes: dos relatos de Dore Strauch, dos relatos de Margret Wittmer, e das cartas enviadas via correio por Friedrich Ritter (além, é claro, das evidências encontradas via investigações ao longo dos anos pós incidente). Claro que todos os relatos foram bem parciais e muita coisa ficou sem resposta; com isso, os roteiristas Noah Pink e o próprio Ron Howard, disseram que para escrever o roteiro "simplesmente juntaram todas as histórias para criar a única versão que faria sentido". Mas não é bem assim. E no "PS" ao final deste texto eu conto as maiores diferenças do que o filme conta e o que aconteceu na vida real.

De qualquer forma, em linhas gerais, Éden é bem fiel aos fatos verdadeiros dos fatídicos eventos ocorridos na ilha Floreana, e tudo o que aconteceu lá é perturbadoramente interessante. A lamentar, a escolha do diretor / roteirista de praticamente ignorar o desenvolvimento dos personagens, e focar quase em 100% neles fazendo maldades um com os outros. Isso deu mais espaço para os atores brilharem, porém, enfraqueceu a história, tirando dela seus detalhes, além de praticamente impedir a empatia do público com qualquer um dos humanos em tela.

É uma pena em que Éden fracassou absurdamente nas bilheterias, e os motivos disso foram vários: marketing e divulgação fracos, recepção apenas morna da crítica especializada, e chegada aos cinemas no auge da polêmica quanto ao (racista?) comercial de jeans estrelado por Sydney Sweeney para a marca American Eagle.

Pela enorme audiência que programas de "real crime" alcançam na TV e na Internet, mesmo não sendo literalmente deste gênero, Éden tem tudo para manter o interesse deste mesmo tipo de público, e mais ainda, de despertar o interesse nas pessoas que curtem "mistérios do passado", ou ainda, quem simplesmente gosta de ver grandes atuações. Em suma, Éden poderia e merecia um roteiro melhor, porém sua história real mais que se sustenta por conta própria, e seus atores justificam que ele mereça uma melhor chance. Nota: 7,0.

 

PS: as principais diferenças entre o filme e os fatos reais (são spoilers grandes do filme, leia por conta e risco)

As maiores diferenças são em relação ao "desaparecimento" da Baronesa Eloise e seu amante Robert. O filme mostra todos os homens restantes da ilha em grupo para matá-los, e posteriormente o Dr. Ritter enviando uma carta ao governador acusando Heinz Wittmer de ter assassinado o casal. Para começar, na vida real, esta carta não existiu... ou melhor, existiu, porém de modo diferente... Só depois de 6 meses após o sumiço de Eloise e Robert, foi então que o Dr. Ritter escreveu uma carta contando que a dupla havia desaparecido, mas que ele não pôde enviar a carta antes porque os Wittmer o haviam impedido.

Pelos relatos de Margret Wittmer, a Baronesa lhe disse que havia chegado em um iate para levá-la ao Taiti, e que ela deixaria seus pertences para Lorenz; já pela versão de Dore Strauch, ela comenta que na noite anterior ao desaparecimento ela ouviu um grito, e que não viu nenhum barco no dia seguinte, o que a fez suspeitar que ambos teriam sido assassinados pelo outro amante, Rudolf Lorenz. Hoje, a teoria mais "votada" pelos especialistas no caso é que este teria sido mesmo o ocorrido... Lorenz matado os dois e se livrado dos corpos.

Sobre a morte do Dr. Ritter, oficialmente ficou registrado que ele morreu por intoxicação alimentar e desidratação; mas teria sido ele "assassinado" de verdade por Dora? Não dá para saber. Nos relatos de Margret Wittmer há apenas uma leve indireta sobre isso. Ainda assim parece pouco provável que o Dr. Ritter real tivesse se deixado "enganar" daquele jeito. De qualquer forma, o filme não deixa isso claro, mas a Dora real já odiava Ritter quando as demais pessoas chegaram a ilha. E, de fato, as últimas palavras dele antes de morrer, segundo o livro escrito por Margret, foram realmente ele amaldiçoando Dore Strauch.

E finalmente, outra "mentira" que considero relevante, é que embora os 3 grupos se odiassem (e principalmente, que todos odiassem a Baronesa), não há nenhum relato de que ela mandava roubar provisões dos outros grupos, e que ficasse maquiavelicamente jogando um grupo contra o outro; de qualquer forma, alguns incidentes (como o da morte do burro), de fato aconteceram.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Conheça QUINZE novos ótimos jogos lançados para o Mega Drive nos últimos dez anos

Uma das vantagens de ser um console de videogames tão bom e memorável é que mesmo após mais de 35 anos de seu lançamento, o SEGA Mega Drive mantém uma grande e apaixonada comunidade que continua desenvolvendo novos jogos para seus fãs.

A cada ano temos vários bons jogos inéditos sendo lançados mundialmente, e sendo eu mesmo um destes fãs do Megão, resolvi fazer uma seleção e trazer para vocês 15 dos melhores jogos que vi serem lançados nos últimos 10 anos. A lista segue abaixo, em ordem alfabética.


16Bit Rhythm Land (2019)

Lançada pela desenvolvedora japonesa Columbus Circle, o jogo traz 4 "mini-games" de rítmo, onde você tem que apertar um ou mais botões no momento exato para cumprir alguma ação. Dos quatro, gostei mais dos que trouxe as imagens acima: um onde você tem 3 botões para ativar escudos e se defender de bolas de fogo que vêm do espaço, e outro onde você é um rebatedor no Baseball. Se desde o surgimento de games como Guitar Hero e Rock Band jogos assim ficaram "comuns", para a biblioteca original do Mega Drive este tipo de jogo é praticamente inédito, o que torna tudo mais interessante.


Astebros (2023)


Agora vamos para o primeiro jogo desta lista feito pela Neofid Studios, desenvolvedora francesa que tem feito jogos complexos e de alta qualidade tanto para o Mega Drive quanto para o Super NES. Trata-se de Astebros, que se passa no mesmo universo de Demons of Asteborg, outro jogo da Neofid que se encontra neste artigo, e que aliás foi lançado primeiro, porém devido seu nome, virá depois por motivos alfabéticos..

Astebros é um jogo de plataforma roguelike, ou seja, além de combater muitos inimigos, terá que explorar muitos cenários resolvendo alguns quebra-cabeças. Ele permite até 2 jogadores simultâneos e dá o opção de jogar com 3 tipos de personagens com poderes bem distintos: Arqueiro, Cavaleiro e Mago, sendo esse último visualmente muito parecido com o personagem Gorpo do He-Man (ver na imagem acima à esquerda). São seis fases, e todas elas geradas randomicamente.

O jogo é bem bonito, com arte pixelada, e tem uma dificuldade alta. Ele permite a seleção de vários idiomas inclusive nosso Português e também está disponível para Nintendo Switch e Steam.


The Curse of Illmoore Bay (2021)

Se vocês percorrerem esta lista, perceberão que a maioria dos jogos tem uma abordagem "mais séria", porém este The Curse of Illmoore Bay é uma exceção. Apesar do tema "monstros", já que o jogo é temático de Halloween, o game é bem divertido e descontraído, com gráficos mais alegres e coloridos, tendo um visual mais de desenho animado. O jogo foi criado pela desenvolvedora estadunidense Second Dimension (que outrora se chamava Airwalk Studios), que já fez alguns jogos para o Mega Drive, porém seu maior catálogo são de jogos novos para o Nintendinho (NES).

The Curse of Illmoore Bay é um jogo de plataforma para 1 ou 2 jogadores simultâneos, com 18 fases bem variadas, e onde é possível escolher dentre 3 personagens para jogar. A trilha sonora é agitada e segue o padrão de qualidade do Mega Drive.


The Cursed Knight (2022)

A primeira vista The Cursed Knight aparenta ser apenas mais um jogo de plataforma... Ledo engano. Criado pela empresa francesa GGS Studio Creation, o jogo tem sim sua parte "plataforma", que aliás utiliza bastante de uma interessante mecânica: com um dos botões você altera a gravidade do cenário, fazendo seu personagem ser "puxado" para cima ou para baixo da tela.

Porém, em várias partes do jogo, o "Cavaleiro Amaldiçoado" que controlamos acaba voando e atirando raios nos inimigos, como se fosse uma "nave"; ou seja, The Cursed Knight também tem partes de shoot‘em up!

Com 10 fases distribuídas em 5 estágios, The Cursed Knight tem inimigos variados (e chefões de fase bem desafiadores), você controlando alguns veículos, gráficos e trilha sonora muito boas e abuso (de modo muito bem feito) dos efeitos parallax. Uma boa pedida para quem procura um jogo bem diferente, difícil, mas não muito longo.

 

Demons of Asteborg (2021) 


Agora sim, falaremos sobre o Demons of Asteborg, também criado pela Neofid Studios e que citei anteriormente. Trata-se de um jogo de ação / plataforma em 2D ao estilo Metroidvania. Assim como em Astebros, o jogo também apresenta vários diálogos (e tem Português como opção de idioma) e o herói também precisa resolver alguns quebra-cabeças, porém em quantidade bem menor. Aqui é mesmo bem mais ação que exploração. E assim também igualmente ao posterior jogo Astebros, estamos diante de um jogo longo, difícil, e belíssimo, com arte pixelada e atenta nos mínimos detalhes.

Na trama, você controla Gareth, filho de um lendário guerreiro com uma feiticeira, para impedir a invasão do demônio Zadimus e seu exército que está destruindo a humanidade. É curioso ver que além das homenagens óbvias a jogos como CastlevaniaGhouls’n Ghosts, há uma fase em que o jogo se torna algo similar ao Space Harrier, com tiro em primeira pessoa em 3D, conforme imagem acima, à direita.

Tanto Demons of Asteborg quanto Astebros são jogos que não devem nada em qualidade, duração e complexidade comparado aos grandes jogos clássicos licenciados lançados pelas grandes produtoras de jogos dos anos 90.


Hayato's Journey (2024)

Aqui temos uma surpreendente "continuação" do clássico jogo Kenseiden, do Master System, feito por dois brasileiros: o desenvolvedor Master Linkuei e o compositor Edmo Caldas. Com belos gráficos e trilha sonora, o game aproveita elementos de jogos como o próprio Kenseiden, de Spellcaster (também do Master System) e jogos da franquia Shinobi no Mega Drive.

O resultado foi um jogão de samurais no mais alto nível, confesso que me diverti muito ao jogá-lo. E a ROM do jogo está disponível para baixar gratuitamente no site oficial de Hayato's Journey.


Life on Mars: Genesis (2022)

Mais um jogo do estilo Metroidvania, criado pela desenvolvedora espanhola Kai Magazine Software. Curiosamente, eles são especializados em criar jogos para computador - especialmente MSX - e lançá-los via revista, inclusive criaram e lançaram um Life on Mars para o MSX em 2015. Este Life on Mars: Genesis é uma versão "remake" deste jogo... expandida e com gráficos melhorados, já que foi feita para uma plataforma com mais capacidade, o Mega Drive.

Em Life on Mars: Genesis uma base científica foi instalada em Marte, ela descobre uma bactéria no planeta, e dias depois, para de se comunicar com o exterior. Você é o técnico que foi convocado para entrar na colônia e reestabelecer as comunicações...

O jogo é bem difícil, com mapas extensos e com aquela música de suspense / terror constante para não te dar sossego. Um dos jogos mais difíceis desta minha lista, mas que por ter savepoints, pelo menos terminá-lo se torna possível. Gráficos excelentes, o estilo de jogo lembra os jogos Alien 3 e Abuse, ambos da década de 90.


Hunter Girls (2023)


Lançada pela PSCD Games, uma produtora russa, Hunter Girls lembra o clássico jogo The Lost Vikings pois aqui também controlamos 3 personagens simultaneamente, cada um com uma habilidade bem distinta, e que juntos são usados para superar quebra-cabeças e avançar em fases, outra similaridade é que ambos tem temática de fantasia medieval.

Porém, uma enorme diferença é que Hunter Girls é um jogo de plataforma / ação, e os 3 personagens (as 3 caçadoras, no caso), estão sempre correndo, sem parar, em direção à direita da tela; portanto, resolver os obstáculos do jogo são na verdade uma corrida contra o tempo. Agnes resolve as coisas no corpo-a-corpo: ela possui uma espada e um escudo; Kim atira à distância com seu arco e flecha; e Flora defende o grupo de ataques mágicos. Jogo bem difícil e desafiador, mas um bocado diferente do que existe para o Mega Drive.


Mad Stalker: Full Metal Forth (2020)


Agora vamos ao primeiro jogo da lista que foi cancelado no passado, e que pôde enfim ver a luz do dia décadas depois. Mad Stalker: Full Metal Forth é um beat 'em up de ação lateral desenvolvido pela Fill-in-Cafe e lançado pela Family Soft em 1994 no Japão, para alguns modelos de computadores locais e para o PC Engine Arcade CD-ROM. Desde o início ele foi planejado para também ser lançado para o Mega Drive, porém o projeto foi cancelado devido altos custos.

Em 2020 o jogo foi resgatado, finalizado e lançado pela Columbus Circle. O que eu acho muito empolgante em Mad Stalker: Full Metal Forth é que apesar de ser um jogo de ação lateral, você controla um robô bem grande com direito a muitas variedades de golpes, como se estivesse em um jogo de luta 1 contra 1. O jogo é difícil e bem bonito. Vale bem a pena conhecer!


P-47 II MD (2025)


Lançado neste ano, P-47 II MD se trata da versão para Mega Drive do jogo P-47: The Phantom Fighter, um jogo que saiu em 1988 nos fliperamas, criado pela NMK e publicado pela Jaleco. Os planos eram que ele fosse lançado para o console da SEGA em 1990, mas o projeto foi cancelado. Em 2024 a City Connection Co., empresa japonesa que comprou a Jaleco, contratou a Habit Soft para finalizar o jogo. Para nós brasileiros, a distribuição do jogo é feita pela BUG (Big Uncle Games), que começou a vender o jogo fisicamente em cartucho desde a Retrocon 2025.

O game é um jogo de tiro horizontal para 1 jogador e que se passa na 2ª Guerra Mundial. Você controla um avião modelo Republic P-47 Thunderbolt, e diferentemente da versão arcade, aqui você está sempre acompanhado de 1 ou 2 aviões menores com habilidades diferentes, que soltam bombas ou habilitam escudos, e também enfrenta gigantes chefões de fase. Os gráficos são realmente excelentes; já em termos de som, diria estar na média do console.


Pier Solar and the Great Architects (2010)

Existem dezenas de novos jogos de RPG para o Mega Drive por aí, e optei então por trazer para esta minha lista apenas um deles - talvez o mais famoso - mesmo que seja uma pequena trapaça, já que ele foi lançado em 2010, ou seja, há mais tempo do que os tais dez anos atrás.

Lançado pelo pequeno estúdio independente estadunidense WaterMelon, o jogo é uma superprodução que levou mais de 5 anos de desenvolvimento e resultou em um cartucho de 64 megabits de tamanho, o que o tornou o maior jogo do Mega Drive até então.

Na história controlamos Hoston, um jovem aprendiz de botânica que sai de casa em busca de uma misteriosa erva que "pode" curar seu pai doente. Porém, ao longo de várias aventuras, a trama vai crescendo até ele se envolver com o "Pier Solar e os Grandes Arquitetos".

O jogo é um RPG japonês das antigas, com batalhas por turnos, e foi elogiadíssimo pela crítica especializada pelos seus gráficos, trilha sonora e história. Porém em termos de jogabilidade, teve notas apenas medianas. Como pontos negativos, foram apontados muitos labirintos difíceis e mecanismo de batalha repetitivo. Por outro lado, o jogo ficou tão famoso que foi portado anos depois até para os PlayStation 3 e 4, Wii U e Xbox One. Nada mal para um modesto game indie

Curiosidade: o jogo tem tradução para 6 idiomas, sendo um deles o Português, e isso não foi uma simples coincidência, afinal, um dos principais designers do jogo é o brasileiro Túlio Adriano Gonçalves.


Shaolin Carcará (2022)


Outro jogo brasileiro, criado pelo estúdio Mangangá Team e lançado em cartucho "2 em 1" junto com um jogo bem inferior de nome Irmãos Aratu. Shaolin Carcará é um bom jogo de ação / plataforma onde temos um "monge" lutando contra monstros clássicos de terror e outros que lembram levemente nosso folclore. O game é curto, com apenas 3 fases, mas é muito bem feito e com gráficos de arte pixelada. Ah, e também comporta 2 jogadores simultâneos. Como Shaolin Carcará 2 já está sendo desenvolvido, a ROM deste jogo pode baixada gratuitamente no site oficial dos desenvolvedores.


Tanglewood (2018)

Tanglewood é um jogo indie lançado por um grupo de desenvolvedores britânicos da Big Evil Corporation, e que recebeu muitos prêmios da crítica especializada. Trata-se de um jogo de plataforma, com vários "quebra-cabeças". Nele você controla Nymn, uma criatura parecida com uma pequena raposa, que se perdeu do seu grupo ao entardecer. Seu objetivo é chegar são e salvo até sua casa, sobrevivendo aos perigos da noite e as aventuras da manhã.

O jogo, como se pode ver nas imagens, é belíssimo. E lembra muito os grandes clássicos dos 16 bits dos jogos da Disney. Devido o alto número de prêmios recebidos, e atenção que recebeu da mídia especializada, Tanglewood foi responsável por impulsionar mais desenvolvedoras a criar novos jogos para o Mega Drive a partir de então.


Xeno Crisis (2019)


Lançado pela britânica Bitmap Bureau, o jogo de run and gun lembra clássicos como Smash TV, Alien Syndrome e Mercs. No jogo invadimos locais abandonados, matando centenas de alienígenas e resgatando humanos perdidos. Pode ser jogado em 1 ou 2 jogadores (muito divertido se jogado em dupla), e cada personagem têm a sua disposição diversos tipos de armamentos, sendo todos com tiro limitados (com exceção de sua faca).
 
O jogo tem gráficos bem coloridos e também conta com pixel art. É bem desafiador, com chefões gigantes, prometendo mapas e elementos randômicos. Seu lançamento original foi para o Mega Drive, Dreamcast, Nintendo Switch e Steam, porém depois ele também foi portado para o PlayStation 4, Xbox One e Neo Geo.


Paprium (2020)


E por fim... Paprium. Há um motivo para eu ter deixado ele por último da lista, contrariando a ordem alfabética. Paprium é a cereja do bolo, pela sua qualidade, raridade, e polêmicas...

A primeira e menor polêmica vem do fato de que ele tem gráficos tão elaborados, que para rodar no Mega Drive dentro do seu cartucho (sim, ele foi lançado em mídia física e até hoje só funciona 100% desta maneira) há um chip de processamento extra, chamado de "DT128M16VA1LT". Então com isso pode se dizer que o jogo "trapaceou" para rodar no Megão? Não necessariamente, já que o jogo de corrida Virtua Racing, lançado oficialmente pela SEGA em 1994, também tinha um chip de processamento extra dentro dele, o "Sega Virtua Processor" (SVP), e nem por isso houve na época qualquer contestação de que não seria um jogo legítimo do console.

Outra polêmica é sobre o produto entregue em si: Paprium, que também foi produzido pelo ambicioso estúdio WaterMelon, o mesmo do jogo Pier Solar, vendeu seu game via financiamento coletivo, no qual arrecadou quase 1 milhão de dólares. Após quase 8 anos de adiamentos, muitos compradores receberam seu jogo direitinho, porém muitos outros nunca receberam seu produto até hoje.

Além disso, existiram várias reclamações de usuários de que Paprium não rodava em seu Mega Drive. A WaterMelon retrucou dizendo que o jogo foi feito para rodar apenas em consoles nativos da SEGA e, de fato, a maioria das reclamações vinham de consoles mais novos produzidos por outras empresas, como por exemplo a Analogue, que se deu ao trabalho de lançar um firmware para corrigir o problema. Conforme este vídeo de gameplay feito por um brasileiro, o jogo rodou no Mega Drive modelo 1 da TecToy de 1992, e inclusive já automaticamente se configurou para o idioma Português. Em 2021 a WaterMelon lançou outra campanha no Kickstarter, agora para lançar seu Paprium no Steam, PlayStation 4 e 5, e Nintendo Switch. A promessa de entrega era pra Dezembro de 2022... mas até agora o jogo não saiu para nenhuma destas plataformas...

Polêmicas a parte, Paprium é um jogo de beat 'em up para 1 ou 2 jogadores, com gráficos e som espetaculares, e inspirado em Streets of Rage (principalmente) e Final Fight. Pode se dizer que as "homenagens" destes jogos foram até exageradas, pois há quem acuse que o visual de vários inimigos de Paprium foram "copiados" destes dois jogos. Ah sim: com sua chegada, Paprium superou Pier Solar e passou a ser o maior jogo do console em tamanho de dados: 80 megabits.

Os 5 personagens do modo "Original" e os 3 do modo "Arcade"

Para quem jogou Paprium, a análise é que o jogo é realmente bom, embora falte originalidade em termos de gameplay. O maior destaque fica mesmo para gráficos e som, estes sim acima de tudo que se espera para um console 16 Bits. O game pode ser jogado com o controle original de 3 botões, mas foi feito para ser jogado com o controle de 6 botões. São 5 personagens distintos para se jogar no modo "Original" (maior, mais difícil, e com direito a breves cutscenes) e outros 3 personagens para se jogar na versão "Arcade". Além dos tradicionais itens de "comida" para recuperar sua vida/energia, há também "pílulas" de uma substância que te deixa mais forte e aplicando apenas golpes especiais por um tempo bem limitado.

Ah... e lembram que eu disse acima que o jogo só funciona 100% em mídias físicas? Pois é... mesmo tendo sido lançado em 2020, até hoje não conseguiram emular ele direito. Depois de muito esforço da comunidade gamer, somente no final do primeiro semestre de 2025 conseguiram realizar o feito... mas com restrições. A emulação de só funciona em um RetroArch modificado, e ainda assim, com alguns pequenos bugs gráficos e principalmente sonoros.



PS (jogo bônus): a imagem que aparece no título deste artigo não é de nenhum dos quinze jogos da lista, e sim do ainda inédito jogo Earthion, cujo lançamento para o Mega Drive, incluindo em mídia física, está previsto para 2026. O jogo foi lançado em Julho de 2025 na Steam, e em Setembro de 2025 para PlayStation 4 e 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

O grande diferencial de Earthion é que sua trilha sonora é feita por Yuzo Koshiro, lendário compositor e produtor de músicas de videogames, responsável pela trilha sonora de dezenas de jogos, dentre elas os das séries Ys, The Revenge of Shinobi e Streets of Rage. Ainda assim, o brilho de Earthion não deve ficar só na música... seus gráficos prometem ser excepcionais, e com uso incrível de efeitos parallax.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Crítica - O Agente Secreto (2025)

Título
: O Agente Secreto (idem, Alemanha / Brasil / França / Países Baixos, 2025)
Diretor: Kleber Mendonça Filho
Atores principais: Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Roney Villela, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Laura Lufési, Thomás Aquino, Udo Kier, João Vitor Silva, Kaiony Venâncio, Alice Carvalho
Nota: 8,0

Kleber Mendonça Filho entrega seu melhor filme e de mais fácil recepção

E finalmente chegou aos cinemas brasileiros O Agente Secreto, nosso filme indicado para o Oscar 2026, e já vencedor de dois prêmios em Cannes 2025: o de Melhor Ator (Wagner Moura) e o de Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho).

Na história, que se passa em 1977, somos apresentados a Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário que está retornando à sua cidade natal Recife após muitos anos, e aparentemente fugindo de algo. Porém este seu afastamento não foi suficiente, e ainda há pessoas querendo vê-lo morto...

Já adianto que o mais impressionante e elogiável de O Agente Secreto é seu roteiro, que consegue apresentar, de forma coerente e bem familiar para nós brasileiros, temas como corrupção na política, na polícia e dos empresários, pobreza, racismo, preconceito contra o nordeste, perseguição da ditadura militar, violência policial, complexo de vira-lata, memória, manipulação da verdade e folclore (ufa!) dentre outros temas. É muita coisa agrupada, e de forma magistral!

E a qualidade do roteiro não fica apenas em seus temas, mas também no que desperta no espectador, com direito a vários momentos bizarros e inesperados, e algumas grandes quebras de expectativas do público. O ápice destas "reviravoltas" acontecem na sequência de ação final do filme, cenas estas que talvez somente nós brasileiros conseguiríamos inventar.

Em termos técnicos, O Agente Secreto tenta reproduzir os anos 70, tanto em termos de fotografia (com cores mais "desgastadas") como na música e design de produção. A trilha sonora é muito boa, nacional, e na maioria das cenas combina muito bem com a ação da tela. Objetos e figurino não me impressionaram tanto... menos os carros, que são destaque: não pouparam esforços para colocarem Fuscas "de colecionador" no filme rs.

O Agente Secreto é facilmente o melhor filme de Kleber Mendonça Filho que assisti até hoje (os outros foram O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016), Bacurau (2019) e Retratos Fantasmas (2023)) e também, digamos, o menos "diferentão", sendo o mais fácil para ser aceito pelo público em geral. Mas apesar de ser um filme excelente, assim como todos os outros filmes de Kleber que acabo de citar O Agente Secreto também possui algumas imperfeições bem claras, que impedem de dar uma nota maior para esta produção.

Algo que me incomodou foram as constantes inserções de rápidas cenas de figurantes fazendo sexo, o tempo todo no filme, para efeito cômico. Precisava? Só para reforçar para os gringos o "clichê" de que aqui no Brasil tudo é uma "putaria"? Também são constantes as citações à filmes estadunidenses. Até imagino que isso tem um propósito claro de agradar a Academia. Mas é sério que precisava disso também? No atual momento político mundial?

Outro problema bem relevante é mais técnico: ao optar por colocar alguns personagens dos "dias de hoje" para interromper a narrativa, O Agente Secreto sofre com várias quebras de ritmo. Em algumas vezes até fazem sentido - para fazer o público respirar - mas na maior parte das incursões atrapalha, e acabam tirando o espectador de dentro do filme, além de que, a interrupção final é tão abrupta e acelerada que pode confundir (presenciei algumas pessoas da minha sessão que não entenderem o final da história).

E finalmente, a meu ver Kleber Mendonça Filho também costuma "divagar" em seus filmes e colocar cenas desnecessárias; O Agente Secreto é seu trabalho em que isso menos acontece, mas o problema está lá novamente. Também não há a necessidade, por exemplo, de tantos personagens, de vários diálogos, e consequentemente, de um filme com 2h e 40min de duração. A longa duração somada às quebras de ritmo "estranhas" tornam O Agente Secreto cansativo em alguns momentos.

Com muitas qualidades e alguns defeitos, O Agente Secreto funciona como uma genial cápsula do tempo, mostrando de maneira bem inusitada mas muito real os múltiplos problemas da sociedade brasileira nos anos 70 e se credencia para a inclusão para a lista de melhores filmes nacionais dos últimos tempos. Nota: 8,0.


Atualização: o ator alemão Udo Kier, presente tanto neste O Agente Secreto como também em Bacurau, faleceu neste 23 de novembro de 2025, aos 81 anos. As causas da morte não foram reveladas.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Crítica Netflix - Frankenstein (2025)

Título
: Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Diretor: Guillermo del Toro
Atores principais: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz, Mia Goth, Felix Kammerer, Charles Dance, David Bradley, Lars Mikkelsen, Christian Convery
Nota: 7,0

Del Toro esbanja no visual e entrega a sua versão de Frankenstein

O diretor oscarizado mexicano Guillermo del Toro volta para a Netflix, desta vez pensando bastante nos prêmios da Academia. Tanto é que semanas antes da estréia no streaming, seu Frankenstein chegou a ser lançado em salas limitadas de cinemas pelo mundo todo, inclusive no Brasil (!), o que é muito surpreendente.
 
O filme, meio que obviamente, é a adaptação de del Toro para o livro escrito por Mary Shelley em 1818, de nome Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno, contando a história de Victor Frankenstein (Oscar Isaac) e Monstro (Jacob Elordi) a quem ele deu vida. A trama começa com Victor e o Monstro tendo seu confronto derradeiro no gelado Ártico (o que também acontece no livro), e então há uma pausa, onde primeiro assistimos Victor contando toda sua história, e em seguida, o Monstro detalhando a dele.
 
Ainda que conte com um elenco estrelado e boas atuações (em especial a de Oscar Isaac), o melhor de Frankenstein é seu visual. Como sempre nos filmes do diretor, a fotografia é excelente. O design de produção também é muito bom, mesmo com os figurinos sendo apenas "ok".

É importante ressaltar que aqui estamos diante da versão de Guillermo del Toro em relação a obra original, portanto ele faz várias adições e mudanças em relação aos escritos de Mary Shelley; diria eu, muito mais inclusões do que alterações, na verdade. Principalmente, aqui temos uma maior "história de origem" de Victor, dando-lhe um pai tirano (Charles Dance), traumas de infância e uma abordagem inicialmente mais científica. O diretor também não se conteve e, seguindo a imaginação popular, faz a criação do Monstro ser algo gigantesco, em um "castelo"; pelo menos o visual do Monstro é razoavelmente parecido com o que Mary Shelley descreveu. Para mais detalhes sobre como é o Monstro de Frankenstein do livro, sugiro fortemente ler este breve artigo de curiosidades que escrevi anos atrás.

Ainda sobre o aparência da criatura, um problema: para mim o "Monstro" não é visualmente muito assustador. Muito mais "assustador", entretanto, são as muitas imagens de pedaços de cadáveres que aparecem no filme em close e sem nenhuma cerimônia; para as pessoas mais sensíveis isso pode ser perturbador.
 
Já a história da vida do Monstro é bastante fiel ao livro, mas algumas partes foram cortadas e a narrativa está um pouco corrida. Ah, e temos uma diferença importante: neste Frankenstein a "bondade" do Monstro é bem exagerada, assim como um pouco da "maldade" de Victor. Confesso que esse maniqueísmo constantemente presente nos trabalhos do diretor me fazem gostar menos do seu trabalho.
 
As alterações feitas por del Toro têm seus prós e contras. Por exemplo, é interessante ele trazer via a personagem de Elizabeth (Mia Goth) críticas de como as mulheres eram deixadas a margem da sociedade na época. Por outro lado, entendo que tivemos mais "contras": a presença do "romance", com Victor se apaixonando por Elizabeth, e ela se apaixonando pelo Monstro, é tão clichê e piegas que decepciona.
 
Como resultado final, após várias mudanças e adições, Frankenstein ainda consegue ser mais fiel ao texto original do que a maioria das adaptações que a obra máxima de Mary Shelley costuma receber. E, como a história primordial é boa, por consequência este filme também o é. Ambos fazem refletir sobre a vida e a maldade humana. E um ponto positivo para a adaptação áudio-visual: o filme é mais bem sucedido em emocionar. Nota: 7,0.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #049 - Stephen King e Mambo No. 5

Vocês já ouviram falar de Stephen King, certo? Escritor estadunidense, hoje com quase 80 anos mas ainda em atividade, um dos mais prolíficos escritores de livros de terror e suspense do nosso tempo, com mais de 70 livros publicados. Acreditem se quiser, mas ele gosta de ouvir repetidamente músicas "dançantes" enquanto escreve suas obras, principalmente músicas "disco" e "techno". Quem poderia imaginar que todos aqueles textos tensos são escritos sob este tipo de trilha sonora? rs

E ele falou mais sobre isso em uma entrevista, dada em 2023 para a revista Rolling Stone. Em 2011, enquanto escrevia o livro Novembro de 63 (que seria publicado no final daquele mesmo ano, e que conta a história de um viajante do tempo que tenta impedir o assassinato de John F. Kennedy), Stephen King ouviu tantas vezes sem parar a música Mambo No. 5, lançada pelo cantor alemão Lou Bega em 1999 (sim, alemão, de pai ugandês e mãe italiana), que acabou brigando com sua esposa, que chegou ameaçá-lo de divórcio.

E agora vamos falar de Mambo No. 5... sabiam que ela não é exatamente uma música original de Lou Bega? É que na verdade, Mambo No. 5 é uma música de jazz instrumental composta pelo músico cubano Pérez Prado em 1949 e lançada por ele no ano seguinte. No caso, a versão de Lou Bega "copia" em quase 100% a instrumentação de Prado, e acrescenta a parte cantada, esta sim, toda criada pelo músico europeu.

No vídeo acima vocês podem ouvir a versão original de Perez Prado, e no vídeo mais abaixo, ouvir a (ótima e viciante) versão de Mambo No. 5 de Lou Bega para chegar a suas próprias conclusões. O espólio de Prado processou Bega por plágio, e após 7 anos de disputa em tribunais na Alemanha, os dois lados chegaram a um acordo. A versão Mambo No. 5 lançada por Lou Bega em seu álbum A Little Bit of Mambo passou a ser considerada uma nova música, distinta da original, porém, co-escrita por Perez Prado e Lou Bega.



PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Conheça "Asterix no Circo", o quadrinho inacabado de Asterix, e que um dia ainda poderá ser publicado!


Nesta quarta-feira, dia 29 de outubro, Asterix completará 66 anos de idade, pois foi em 29 de Outubro de 1959 que seu quadrinho apareceu pela primeira vez para o público na revista Pilote, na França. Portanto, para a semana desta data especial resolvi trazer para vocês algo que poucos conhecem sobre a criação máxima de René Goscinny e Albert Uderzo: detalhes sobre Asterix no Circo, o quadrinho que Goscinny deixou inacabado, devido sua morte repentina em 1977.

Em 2021, enquanto repassava por arquivos e documentos antigos de seu pai, Anne Goscinny acabou encontrando um manuscrito inacabado de Astérix au Cirque (Asterix no Circo), contendo cerca de 20 páginas.

Segundo Didier Conrad, o atual desenhista dos quadrinhos de Asterix, é um roteiro inacabado em que Asterix e Obelix aparecem em um circo. Parte da história já foi usada pelo próprio Goscinny em um álbum de Lucky Luke, de nome Western Circus (lançado em 1970), e outra parte aproveitada dentro de outra história do próprio Asterix.

Anne Goscinny declarou publicamente que gostaria que a história fosse completada e lançada em quadrinhos por Alain Chabat, diretor e roteirista da boa e divertida minissérie de animação Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes, que foi lançada este ano na Netflix. Alain disse que topa o desafio, porém, não sabe se irá conseguir cumprir a tarefa, dada a complexidade (ele teria que escrever a metade restante de uma história de Goscinny) e enorme responsabilidade.

Caso Chabat não consiga transformar o sonho de Anne em realidade, os responsáveis pelo material admitem a possiblidade de um dia o roteiro ser publicado em seu estado original, ou talvez, quadrinizar apenas a parte existente e lançá-la como bônus de alguma outra publicação.

Em resumo, o futuro de Asterix no Circo está nas mãos de Anne Goscinny e Alain Chabat, que são as pessoas da foto no topo deste artigo. E se ainda não sabemos qual será o destino deste material inédito, já sabemos qual será o próximo passo para a franquia de Asterix: previsto para o final do próximo ano, 2026, teremos o lançamento de uma nova animação do baixinho gaulês, desta vez em forma de filme. Trata-se de Asterix: O Reino da Núbia (Astérix et le Royaume de Nubie no original).


Na trama, a maioria dos irredutíveis gauleses são transformados em crianças após um elixir da juventude cair por acidente no caldeirão da poção mágica. Para fazer o antídoto, Asterix e Obelix embarcam em uma jornada maluca até o distante Reino da Núbia.

Para quem não está familiarizado com o termo, Núbia era o nome dado na antiguidade à região (e ao reino) situado imediatamente abaixo do Egito, e que hoje corresponde ao território do país Sudão. Curiosamente, esta área também é cruzada pelo rio Nilo e também possui pirâmides(!): elas são menores, mais pontudas, e em maior número que as egípcias.

Surpresos ou empolgados com as novidades? Escrevam nos comentários!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Crítica Netflix - A Mulher na Cabine 10 (2025)

Título: A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Diretor: Simon Stone
Atores principais: Keira Knightley, Guy Pearce, David Ajala, Gitte Witt, Art Malik, Gugu Mbatha-Raw, Hannah Waddingham, Kaya Scodelario, David Morrissey, Daniel Ings, Amanda Collin, Lisa Loven Kongsli, Paul Kaye, Charles Craddock
Nota: 6,0

Um bom filme de suspense / detetive para se passar o tempo

A Mulher na Cabine 10, filme produção original Netflix, é uma adaptação de um livro homônimo de 2017 escrito por Ruth Ware e best-seller do New York Times. Na trama, conhecemos Laura Blacklock (Keira Knightley), uma premiada jornalista que recebe um convite para passar 3 dias em um luxuoso iate junto com um grupo de milionários. O motivo: escrever sobre a fundação de caridade que irá ser oficializada durante esta viagem, pelo casal Richard (Guy Pearce) e Anne Bullmer (Lisa Loven Kongsli). Com câncer terminal, Anne quer deixar a fundação como seu legado.

Apesar de tanta beleza e luxo, nem tudo ocorre de maneira com que se espera. Durante a primeira madrugada dentro do navio, Laura acorda assustada com barulhos vindo de uma cabine vizinha à sua, a cabine 10. E após ouvir algo grande caindo na água, ela corre para a janela do seu aposento e descobre que o que caiu foi uma mulher. Após gritar por socorro e pararem o navio, um duplo choque: não somente todos os tripulantes continuam sãos e salvos dentro da embarcação, como a tal cabine 10 não possuía nenhum passageiro registrado.

Então vemos a luta de Laura, literalmente conta todos (pois nem seu amigo jornalista que se encontra no barco a ajuda) para provar que não estava louca. A Mulher na Cabine 10 conta com um bom clima de suspense durante o tempo todo, e também consegue transportar muito bem para o expectador o clima de "inadequação" da personagem perante aos milionários esnobes.

Estaria Laura tendo algum delírio? Seria tudo fruto de sua imaginação? Ou tudo o que ela fala de fato aconteceu? Da maneira em que o diretor Simon Stone filmou A Mulher na Cabine 10, a dúvida é bem pequena. O filme é corrido e cheio de ação, não dando muito tempo para a platéia pensar... e se pensar, irá concluir que as chances de Laura estar imaginando tudo são pequenas. Esse tipo de condução da trama foi proposital, pois o diretor não queria que o público passasse pela mesma sensação do leitor na obra original, onde lá, Laura não é uma narradora confiável, pois sofre de insônia e está sempre entupida de fortes remédios.

A trama policial / investigativa dentro do filme é boa - com exceção de um detalhe da explicação da trama que me incomodou bastante, e o qual comentarei no P.S. ao final do texto - e roda de modo bem competente até chegar nas cenas finais, onde então aí sim, finalmente, A Mulher na Cabine 10 decepciona, com um desfecho um bocado implausível e melodramático, baixando no geral a qualidade do filme.

Apesar do final clichê e pouco verossímil, no final das contas A Mulher na Cabine 10 acaba se tornando um bom passatempo para quem gosta de filmes de suspense policial. Está acima de muuita coisa feita pela Netflix. Nota: 6.0.


P.S.: sobre a tal parte da explicação que me incomodou bastante (não leia se não quiser levar um spoiler médio da trama): por que a pessoa x entrou na Cabine 10 naquele momento para flagrar aquilo que estava acontecendo? O filme não dá nenhuma explicação para essa pessoa saber que algo acontecia naquela cabine, ou para estar lá por perto naquele momento. Não sei se isso é explicado de modo satisfatório no livro (e talvez até seja, dadas as várias alterações que o filme fez em relação à obra original), mas se não for... bem decepcionante.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #048 - Os Flintstones: as surpreendentes histórias do filme Live-action!

Hoje o primeiro filme Live-action dos Flintstones praticamente não existe mais na lembrança das pessoas. Mas e se eu contar que apesar de "esquecido", em termos de História, a produção foi muito marcante? Vejam: Os Flintstones: O Filme (1994) teve um dos roteiros mais "caóticos" da história do Cinema, foi o pioneiro em uma certa inovação em animação, e ainda, marcou a vida de três atores. Continue lendo para saber todas estas histórias! ;)


Todo bom filme precisa de um bom roteiro... ou não

A história do filme live-action dos Flintstones começa em 1985, quando os produtores Keith Barish e Joel Silver compraram os direitos para fazer a produção, e contrataram Steven E. De Souza para escrever o roteiro, além de trazer o famoso Richard Donner para ser o diretor. O roteiro só foi finalizado em 1987, e não demorou muito para ser rejeitado. Ao longo dos anos, o roteiro foi reescrito por pessoas diversas.

Em 1992, os direitos para produzir o filme foram comprados por ninguém menos que Steven Spielberg, que após trabalhar com John Goodman no filme Além da Eternidade (1989), estava decidido em torná-lo seu Fred Flintstone. Para diretor foi escolhido Brian Levant, devido sua paixão pela franquia dos desenhos.

E claro que com os novos donos, mais alterações foram feitas no roteiro. Do texto inicial ao final, imagina-se que cerca de 35 pessoas tiveram alguma participação, de roteiristas profissionais a escritores de esquetes para TV. Os Flintstones: O Filme foi (justamente) reprovado pela crítica, mas foi um sucesso de público, arrecadando US$ 342 milhões com um orçamento de apenas US$ 46 milhões. Oficialmente, quando lançado, foram creditados apenas 3 nomes como roteiristas: Tom S. Parker, Jim Jennewein e Steven E. de Souza; porém, quando o filme venceu o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do Ano, 32 participantes foram resgatados e creditados nessa "homenagem".


Tigre-dente-de-sabre histórico!

Foram cenas bem curtas, mas as aparições do tigre-dente-de-sabre que ficava invadindo a casa das pessoas em Os Flintstones: O Filme (ver acima) foram as primeiras de um personagem "peludo" feita  100% por CGI (computador) em um longa-metragem. O resultado final até ficou bom, e para que a animação fosse feita, foram criados complexos algoritmos (para a época) que calculavam a movimentação de cada pêlo do animal.


3 Atores. 3 Histórias significativas.

Antes do filme dOs Flintstones, John Goodman era conhecido por duas coisas: ele era co-protagonista da bem sucedida sitcom Roseanne, e ator coadjuvante frequente em filmes dos Irmãos Coen. Portanto, ser a estrela desta produção como Fred Flintstone, foi o grande momento de sua carreira até então. E de fato, graças ao sucesso de bilheteria do filme, Goodman subiu de status como estrela de Hollywood, e nos anos seguintes de Os Flintstones: O Filme, o ator recebeu um grande número de propostas para trabalho nos cinemas, tanto que, quando ele foi chamado para estrelar o segundo filme dos Flintstones, John recusou dizendo estar com a agenda totalmente preenchida. Alías, nenhum dos atores voltou para o filme seguinte, Os Flintstones em Viva Rock Vegas (2000), que por isso, contratou atores desconhecidos e teve que ser uma prequela. O segundo filme live-action de Flintstones foi horroroso, fracasso de público e crítica. Já John Goodman passou a ter um reconhecimento em filmes além daqueles dos Irmãos Coen, principalmente via Argo (2012) e Rua Cloverfield, 10 (2016); porém, nunca mais voltou a desfrutar do destaque na mídia que teve com Os Flintstones: O Filme.

Hoje isso certamente vai soar como surpreendente, mas saibam que Elizabeth Taylor, uma das mais famosas e glamourosas atrizes do cinema clássico de Hollywood teve em Os Flintstones: O Filme seu último trabalho nos cinemas. Após esta participação, esta gigante estrela cinematográfica até fez algumas breves participações especiais em séries de TV, como por exemplo em The Nanny e Murphy Brown; porém na Tela Grande, essa foi mesmo sua despedida, de uma longa e bem sucedida carreira que ultrapassou 50 produções cinematográficas.

Elizabeth Taylor atuou em seu papel derradeiro como Pearl Slaghoople, a mãe de Wilma Flintstone. Os produtores de Os Flintstones queriam muito que A Dama estivesse no filme. Para convencê-la, "Liz" recebeu vários "mimos": em seu primeiro dia de gravação ela foi recebida com 30 buquês de flores e outros presentes; e toda a renda da première mundial do filme foi doada à fundação de combate à AIDS da atriz, uma das causas pelas quais ela foi mais ativista.

Um ator bem popular nos anos 80 era Rick Moranis. E além de famoso, ele era versátil: Rick estava presente em sucessos de comédia como S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (1987) e Querida, Encolhi as Crianças (1989) e também em sucessos mais adultos de "monstros" como os dois Os Caça-Fantasmas (1984 e 1989) e A Pequena Loja dos Horrores (1986). E assim como para os dois atores que citei anteriormente, Os Flintstones: O Filme marcou sua carreira, pois este foi seu último sucesso.

A partir de 1994 Rick já estava atuando em menos filmes, pois devido ao falecimento de sua esposa, vítima de um câncer em 1991, ele tinha que conciliar o trabalho com cuidar de seus dois filhos. Porém após os retumbantes fracassos de Inimigos para Sempre (1996) e Querida, Encolhi a Gente (1997), que sequer conseguiu chegar aos cinemas, ficando apenas em videocassete, Rick Moranis abandonou a carreira de vez e passou a cuidar dos filhos de modo integral. De 1998 pra cá, Moranis apenas trabalhou esporadicamente fazendo vozes em alguns filmes de animação, e recusou qualquer convite para voltar a atuar, negando-se inclusive a voltar para o reboot do Caça-Fantasmas, o Ghostbusters: Mais Além (2021).

Porém, para a surpresa de todos, Moranis resolveu sair da sua aposentadoria e topou participar da continuação de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço! O filme original, que é uma das melhores paródias de Star Wars feita até hoje, promete trazer de volta a maioria dos atores principais, inclusive Mel Brooks, com seus 99 anos. Previsto para chegar aos cinemas só em 2027, ao final deste artigo você poderá assistir o teaser desta maravilhosa produção (em inglês).

John Goodman como Fred, e Liz Taylor como Pearl


O surpreendente primeiro anúncio (em inglês) de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço 2! é uma divertida crítica às principais franquias de aventura do Cinema




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Conheça o Coleco Telstar Arcade, o mais incrível console da 1ª Geração de Videogames


Sempre que um artigo ou matéria se propõe a contar a história dos videogames - inclusive o meu - ele quase certamente começa pela Segunda Geração, do Atari 2600. Mas por que a Primeira Geração é tão ignorada? 

A resposta mais simples é porque se tratou de uma geração que contou com cerca de uma de centena de aparelhos distintos, todos eles com jogos bem rudimentares, sendo apenas iguais ou variações do jogo Pong, criado em 1972 pela Atari.

O jogo Pong original, da Atari, nos fliperamas

O console, em inusitado formato triangular, possuía três tipos de controles / módulos distintos. De um lado, os controles eram 2 botões giratórios para os jogos ao estilo Pong; girando o Coleco Telstar Arcade, você tinha o lado com uma pistola, para jogos de tiro; e finalmente girando para o terceiro e último lado, havia um volante e uma alavanca de "câmbio" para os jogos de corrida.

Coleco Telstar Arcade era tão "avançado" para a época que foi um dos raríssimos consoles da 1ª Geração que tinham cartuchos / discos para adicionar novos jogos (o outro foi o Magnavox Odyssey (1972); os demais tinham uma lista fixa de games embutidos e só). No total, foram lançados 4 cartuchos, e todos eles também tinham o curioso formato triangular:

O inusitado console visto de cima, com o Cartucho 1 em uso, ao centro

- Cartucho 1, que já vinha junto com o console, com os jogos: Road Race (jogo de corrida para 1 jogador), Tennis (clone de Pong para 1 jogador) e Quickdraw (jogo de tiro para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 2, com os jogos: Hockey (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Tennis (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Handball (clone de Pong para 2 a 4 jogadores) e Target (jogo de tiro para 1 jogador) - era possível jogar em 4 comprando um controle adicional para 2 jogadores;

- Cartucho 3, com os jogos: Bonus Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores), Shooting Gallery (jogo de tiro para 1 jogador), Shoot the Bear (jogo de tiro para 1 jogador) e Deluxe Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 4, com os jogos: Naval Battle (batalha naval, para 1 jogador), Blast Away (jogo de tiro para 1 jogador) e Speedball (para 1 jogador).

Infelizmente esta "maravilha tecnológica" fracassou comercialmente. O motivo? A Coleco não podia adivinhar, mas junto com o Coleco Telstar Arcade já estava nascendo a Segunda Geração dos Videogames. Tanto ele quanto o Atari 2600 foram lançados no  semestre de 1977, e o Atari era tão superior que sepultaria a Primeira geração rapidamente.

Encerrando a matéria, segue uma demonstração em vídeo dos 3 jogos do "Cartucho 1". Não deixa de ser até hoje algo bem curioso!

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Top 10: os melhores seriados originais Netflix que já assisti - parte 3 (Edição 2025)


A lista voltou! Após assistir 25 séries originais Netflix, elegi as 10 melhores delas e publiquei uma lista em 2019 (clique aqui para ver); depois assisti 25 outras séries originais e fiz outro top 10, o qual publiquei em 2022 (clique aqui). Agora vamos a terceira lista: mais 25 seriados originais assistidos, e destes, trago pra vocês breves comentários dos 10 que achei melhores dentre eles:



10) Murderville
(1 temporada)

Ainda que não tenha feito sucesso no Brasil, esta série de comédia foi bem sucedida nos EUA, tanto que chegou a ter um especial de Natal. Porém até agora eu e os fãs de lá aguardam por uma 2ª temporada, que nunca foi anunciada. Resumidamente, a série, que até agora só teve 6 episódios, mistura comédia, investigação policial e reality show. Em cada episódio temos um assassinato para ser resolvido, e o detetive Terry Seattle (Will Arnett) o faz com a ajuda de um ator convidado diferente. O "tchans" do programa é que o ator convidado não sabe nada do que está acontecendo (ele não recebe o roteiro do episódio), e então cabe a ele, juntamente com o telespectador, tentar descobrir no final quem foi o assassino. Em geral não é difícil descobrir o culpado, mas ainda assim, é uma experiência interessante que agrada os fãs de história de detetive.


9) Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes (1 temporada)

Minissérie de animação com apenas 5 episódios com cerca de 35 minutos cada, o desenho é baseado no álbum O Combate dos Chefes, um dos mais engraçados de Asterix. Se por um lado os 3 primeiros episódios seguem consideravelmente próximos à obra dos quadrinhos, nos 2 episódios finais a trama leva à rumos bem distintos, com o protagonismo do chefe Abracurcix sendo substituído por um destaque bem maior em Obelix e Panoramix, além da inclusão de alguns personagens não presentes na obra original. 

A série faz mais piadas com temas dos tempos atuais do que com o universo de Asterix, e também por isso, com ela o espectador que não conhece o mundo dos gauleses continuará sem aprender muito; por outro lado, Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes é um bom entretenimento e acessível para todos, que conhecem ou não as histórias de Asterix.


8) Inside Man
(1 temporada)

Eu já elogiei bastante aqui o seriado Mindhunter, que a dona Netflix resolveu cancelar. Inside Man é a coisa mais próxima de Mindhunter que já vi, porém inferior. A primeira temporada possui apenas 4 episódios e eu tinha certeza que logo ganharia alguma continuação. Porém, a série é de 2022 e até agora nada... 

Criada por Steven Moffat (o mesmo criador do seriado Sherlock, da BBC), trata-se de um suspense policial envolvendo caça à assassinos. A trama é um pouco confusa, com algumas falhas, mas ainda assim se mantém com suas reviravoltas e tensão constante. O elenco, capitaneado por David Tennant e Stanley Tucci, também é outro atrativo.


7) Round 6
(3 temporadas)

A série fenômeno sul-coreana entra na minha lista devido sua primeira temporada. E só não está na 1ª ou 2ª posição dela justamente por ter mais de uma temporada.

Bastante violento, o programa mostra um reality show onde pessoas desesperadas participam de provas onde podem morrer, tudo para tentar ganhar um prêmio milionário e mudar suas vidas. Round 6 nos mostra a dura história de alguns dos protagonistas, e principalmente, escancara o que o livre capitalismo acabou fazendo com a Coréia do Sul: milhões de pessoas miseráveis, endividadas, mesmo trabalhando a exaustão em subempregos. Mas claro, em paralelo há os poucos bilionários, que aliás, estão por trás desta competição doentia.
 
Round 6 deveria ter se encerrado na primeira temporada, e o fato de não acontecer me irritou bastante, tanto que não assisti as temporadas 2 e 3. Se a primeira temporada tem uma aprovação unânime, a recepção para as outras temporadas foi mista, e sendo mais preciso, com mais críticas do que elogios.


6) Dungeon Meshi
 (1 temporada)

Estamos aqui diante da segunda animação da lista, agora um anime, e do qual escrevi elogios a respeito, após assistir seus primeiros 11 episódios. A primeira temporada possui 24 episódios (com cerca de 27 min cada), e a história será concluída na segunda temporada, cuja estréia, embora prometida para 2025, provavelmente só vai sair no primeiro semestre de 2026.

A história acompanha um grupo de heróis descendo uma masmorra, e é uma ótima maneira de apresentar este tipo de universo para quem ainda não é familiar com os mundos de aventuras medievais de fantasia dos "RPG". Leve, bem humorado - ainda que vá acrescentando um pequeno tom de mistério e terror conforme a trama avança - temos criaturas e personagens diversos sendo apresentados ao longo dos episódios de maneira bem natural. O inesperado e a criatividade também são fatores bem presentes no enredo de Dungeon Meshi.


5) 1670 (2 temporadas)

Bem, esta série de comédia polonesa é tão boa que não me contive e também já fiz um artigo sobre ela anteriormente. Então agora vamos com uma descrição mais resumida. Trata-se de um mocumentário sobre um pequeno vilarejo polonês, no ano de... 1670 (quem diria!).

A série ironiza os costumes antiquados daquele tempo, assim como a submissão a religião e a nobreza, porém também de modo surpreendente faz piadas com temas atuais, como celulares, feminismo, redes sociais, etc. Ainda que não seja um humor tipicamente "britânico", a série lembra um pouco do que vemos nos filmes do Monty Python, como Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e A Vida de Brian (1979). Até agora foram duas temporadas (e uma terceira já foi prometida), sendo a 1ª, que é mais focada em piadas rápidas, é melhor que a 2ª, com tramas um pouco mais longas. Dá para assistir rapidinho: cada temporada conta com 8 episódios de cerca de 30 minutos.


4) O Sinal (1 temporada)

Minissérie alemã de ficção científica com apenas 4 episódios, que começa com muitas perguntas. Acompanhamos a astronauta Paula, que está voltando à Terra após algo estranho ter acontecido em sua missão, e que ainda não sabemos do que se trata (o tal "Sinal" é uma delas). Seu marido Sven e sua filha Charlie acabam envolvidos em todos os mistérios em que Paula fez parte e viram alvo do governo.

Temos aqui um suspense lento e repleto de dúvidas, mas que felizmente são todas respondidas dentro de um bom roteiro que fala sobre conspirações e política. Após seu lançamento O Sinal foi comparado com o também seriado alemão Dark, devido seus mistérios, reviravoltas e tramas paralelas (mas tudo em menor escala). Como um todo, gostei bastante da série. O final de O Sinal poderia ter sido melhor, mas ainda assim foi mais satisfatório que o desfecho de Dark, ainda que tenha um ponto nele que eu considero impossível de acontecer no mundo real.


3) Bodkin (1 temporada)

Série britânica - ou melhor, irlandesa - sobre um grupo de 3 podcasters investigando um possível assassinato em uma pequena cidadezinha do litoral da Irlanda. O trio principal é formado por ótimos atores e os personagens não são lá muito amigáveis entre eles, o que torna acompanhá-los mais interessante. São apenas 7 episódios e em cada um deles há uma reviravolta que muda o rumo da investigação dos protagonistas.

A série traz um bocado de sarcasmo, humor ácido, e provocações com o "mau humor e ignorância do irlandês de cidade pequena". Para quem gosta de séries de investigações e/ou britânicas, é uma boa pedida.


2) O Mundo Por Philomena Cunk
 (1 temporada)

Assim como 1670, O Mundo Por Philomena Cunk é um mocumentário sobre História, mas aqui o assunto é uma jornada por toda a historia da humanidade. Também se trata de uma comédia repleta de ironia e nonsense, que lembra bastante Monty Python. E desta vez o seriado também é britânico, e não polonês, como é 1670.

A série é realmente muito engraçada, e um deleite especial para quem curte História. A tal personagem Philomena Cunk (Diane Morgan), já protagonizou alguns outras minisséries do mesmo estilo, sendo esta aqui a melhor delas e a única que chegou por enquanto à Netflix. Neste ano de 2025 foi lançado o filme A Vida Por Philomena Cunk, que é legal, mas inferior a esta série. O Mundo Por Philomena Cunk possui 5 episódios, e caso queira saber mais, escrevi mais sobre ele aqui.


1) Sandman
(2 temporadas)

Sandman é uma obra de quadrinhos escrita por Neil Gaiman, entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, e se encontra entre as melhores HQs de todos os tempos. Composta de 75 edições, a adaptação feita pela Netflix em duas temporadas (11 episódios na primeira, e 12 episódios na segunda) cobre a história completa das revistas, e na verdade até além, já que o último capítulo de cada temporada são contos extras, fechados e independentes, que fazem parte do mesmo universo mas não tem relação com a história principal.

A trama conta a história de Sonho, um dos sete Perpétuos, e suas interações e aventuras com os humanos e outras entidades sobrenaturais (em ordem de idade, do mais velho para o mais novo, os Perpétuos são: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio - o nome de todos eles propositalmente começa com a letra "D" no inglês original). A adaptação para a TV acabou mudando um bocado de coisas, mas ao mesmo tempo, é bastante fiel a obra original. Diria que a primeira temporada é excelente, assim como a primeira metade da segunda. Altamente recomendável.

Não gostei tanto da metade final da última temporada. É meio corrida, alterações para pior, o que menos gostei foi a alteração feita em que o papel que na história original seria do corvo Matthew, foi trocada pela Johanna Constantine. Isso fez a trama ficar mais "melodramática", além de mostrar um Coríntio bem mais bonzinho que no das HQs. A justificativa oficial para a troca foi economizar dinheiro com CGI. Porém na vida real, a atriz que interpreta Johanna (Jenna Coleman) é namorada do diretor e co-produtor da série (Jamie Childs)... Ao menos o último episódio de todos, um especial sobre a Morte, é muito bom e encerra a série de Sandman em alta. Para quem curte séries de fantasia meio dark / contemplativas, não tem como errar com Sandman.

Gosta de suspense e terror? Você deveria conhecer Locke & Key

Locke & Key é uma série de HQs de terror/suspense que já de cara deveria chamar a atenção devido ao nome de seu escritor: Joe Hill...