Surpresa! Após 10 anos, a Abraccine atualiza sua lista de 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos
Não podia deixar que o mês se encerrasse sem antes publicar esta notícia. Neste mês de Maio, a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) atualizou sua lista de 100 melhores filmes nacionais, 10 anos após fazer a original.
A primeira lista, publicada em um livro em 2016, ainda se encontra aqui na Wikipedia (e espero que por motivos históricos não seja atualizada, ou seja, que os novos 100 melhores sejam colocados em outro link). O filme colocado como "número 1" da lista de 10 anos atrás foi Limite (1931), de Mário Peixoto.
E qual seria o filme que está no topo da nova lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos? Pois é, a resposta me desagradou um bocado: não há. Para esta nova lista, os votantes decidiram não mais classificar os filmes em ordem de qualidade, eles simplesmente divulgaram a lista em ordem cronológica, ou seja, do filme mais antigo para o mais recente.
Para mim, esta opção foi medrosa, além de deixar o público um pouco "perdido" se quiser escolher filmes da lista para assistir. De qualquer forma, para ver a nova relação basta clicar aqui.
E o que mudou?
Segundo o próprio material divulgado pela Abraccine, além da lista agora levar em conta os filmes lançados nos últimos 10 anos, ou seja, no período de 2016 a 2025, a lista também trouxe mais obras dirigidas por mulheres e negros, com o objetivo de mostrar um olhar mais diverso sobre a produção nacional. Além disso, comparando os dois grupos de críticos entre as duas votações, durante este tempo ele se modificou e também aumentou.
No total, saíram 29 filmes (!) da lista antiga, para dar espaço a 29 novos. Destes, apenas 7 são de 2016 em diante; ou seja, houve de fato muita mudança de opinião em relação à lista anterior. Dos filmes que deixaram a lista, três deles estavam na dezena dos "trigésimos" entre os 100, ou seja, muito bem colocados; não deixa de ser surpreendente (e meio bizarro) que filmes outrora tão bem ranqueados tenham saído, e muitos outros "piores" que eles ficaram. Os de maior ranking anterior que saíram da lista foram Tropa de Elite (30º), Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro (35º) e O Invasor (36º).
Eu não assisti a grande maioria dos filmes que saiu da lista, mas não vejo problemas do Tropa de Elite 2 ter saído; agora... as saídas de Tropa de Elite e de O Lobo Atrás da Porta (que estava em 60º), eu considero absurdas, simplesmente inexplicáveis. Também me surpreendeu ver a retirada de filmes famosos e elogiados como Carandiru e O Beijo da Mulher Aranha, ambos de Hector Babenco. Mas pelo menos este diretor ainda ficou com dois de seus filmes na nova lista dos 100; já José Padilha, que antes tinha três, ficou sem nenhum contemplado.
Reforçando o que eu disse anteriormente, não apenas filmes recentes foram adicionados. Por exemplo, os dois filmes mais antigos que foram incluídos na lista são da década de 40: O Ébrio (1946) e Também Somos Irmãos (1949). Encerrando então este artigo, vamos a lista dos 29 filmes que saíram e dos 29 filmes que entraram no Top 100 nacional, apresentados ambos em ordem alfabética:
Os filmes que deixaram a lista de Top 100 de 2016:
- A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha
- Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles
- Amarelo Manga (2002), de Cláudio Assis
- Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach
- Bla Bla Blá (1968), de Andrea Tonacci
- Cabaret Mineiro (1980), de Carlos Alberto Prates Correia
- Carandiru (2003), de Hector Babenco
- Chuvas de Verão (1977), de Cacá Diegues
- Di (1977), de Glauber Rocha
- Dois Córregos (1999), de Carlos Reichenbach
- Estômago (2007), de Marcos Jorge
- Inocência (1983), de Walter Lima Jr.
- Meteorango Kid: Herói Intergalático (1969), de André Luiz Oliveira
- Meu Nome é... Tonho (1969), de Ozualdo Candeias
- O Anjo Nasceu (1969), de Júlio Bressane
- O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger
- O Beijo da Mulher Aranha (1985), de Hector Babenco
- O Invasor (2002), de Beto Brant
- O Lobo Atrás da Porta (2015), de Fernando Coimbra
- O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho
- O Palhaço (2011), de Selton Mello
- O Signo do Caos (2003), de Rogério Sganzerla
- O Viajante (1999), de Paulo César Saraceni
- Ônibus 174 (2002), de José Padilha
- Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade
- Sargento Getúlio (1983), de Hermanno Penna
- Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda
- Tropa de Elite (2007), de José Padilha
- Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro (2010), de José Padilha
- A Entrevista (1966), de Helena Solberg
- A Mulher Que Inventou o Amor (1980), de Jean Garrett
- A Rainha Diaba (1974), de Antonio Carlos da Fontoura
- A Velha a Fiar (1964), de Humberto Mauro
- Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles
- Alma no Olho (1973), de Zózimo Bulbul
- Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio
- Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho
- Arábia (2017), de Affonso Uchoa e João Dumans
- As Boas Maneiras (2017), de Juliana Rojas e Marco Dutra
- Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós
- Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati
- Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle
- Compasso de Espera (1973), de Antunes Filho
- Das Tripas Coração (1982), de Ana Carolina
- Marte Um (2022), de Gabriel Martins
- Mato Seco em Chamas (2022), de Adirley Queirós e Joana Pimenta
- O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho
- O Ébrio (1946), de Gilda de Abreu
- O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu
- O Menino e o Vento (1967), de Carlos Hugo Christensen
- Onda Nova (1983), de Ícaro Martins e José Antonio Garcia
- Os Homens Que Eu Tive (1973), de Tereza Trautman
- Porto das Caixas (1962), de Paulo Cezar Saraceni
- Que Bom Te Ver Viva (1989), de Lúcia Murat
- Saneamento Básico, o Filme (2007), de Jorge Furtado
- Também Somos Irmãos (1949), de José Carlos Burle
- Trabalhar Cansa (2011), de Juliana Rojas e Marco Dutra
- Um É Pouco, Dois É Bom (1970), de Odilon Lopez
E o que vocês acharam das mudanças? Comentem!


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