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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Conheça 15 novos ótimos jogos lançados para o Master System nos últimos 10 anos

Em Novembro de 2025 eu trouxe aqui uma lista com 15 lançamentos recentes para o SEGA Mega Drive. Então, dando sequência no tema, no primeiro artigo de 2026 sobre videogames do Cinema Vírgula, agora é a vez do SEGA Master System, o mais brasileiro dos consoles retrô, receber uma lista com 15 novos ótimos lançados nos últimos 10 anos.

E olhe que apesar dos tais "10 anos", na verdade boa parte da lista são jogos bem recentes, lançados em 2025! Vamos a eles!


Alex Kidd in Miracle World 2 (2016) e Alex Kidd 3: Curse In Miracle World (2020)

Começando com dois jogos que fizeram o que a SEGA não fez: dar seqüência, dentro do Master System, à história do excelente jogo Alex Kidd in Miracle World (1986). Criado pelo britânico Ian Wall, do site Sega8bit.comAlex Kidd in Miracle World 2 se passa cronologicamente 6 meses após o jogo original. Como sabemos do final do game anterior, apesar de Alex ter derrotado o vilão Janken e recuperado o comando de Radaxian, seu pai, o Rei, ainda não foi encontrado. Então nosso herói sai em busca de sua localização.

Alex Kidd in Miracle World 2

Quando o hoje chamado Alex Kidd 3: Curse In Miracle World começou a ser desenvolvido, Alex Kidd in Miracle World 2 estava prestes a ser finalizado, então este jogo, que também se chamou "Alex Kidd in Miracle World 2" por alguns meses, teve que ser renomeado e ter parte de seus planos originais de história refeitos.

Na história de Alex Kidd 3: Curse In Miracle World surge um novo vilão, na verdade, um vilão que veio do passado e agora jogou o reino de Alex em uma terrível maldição. Nosso herói terá que passar por 10 fases para livrar salvar sua família de uma vez por todas! O jogo foi criado pelo francês Yeti Bomar, que com o apoio da comunidade, disponibilizou o game não só em francês, mas também em inglês e português.

Alex Kidd 3: Curse in Miracle World

Tanto Alex Kidd 2 quanto Alex Kidd 3 foram bem elogiados pela comunidade e são considerados continuações dignas do game original. Comparando os dois jogos, Alex Kidd 3: Curse In Miracle World é maior, mais refinado, certamente melhor graficamente. E ao contrário do Alex Kidd 3Alex Kidd in Miracle World 2 não possui desafios de jokenpô, já que seu criador não curte muito este tipo de brincadeira. A ROM de ambos os jogos pode ser obtida via site SMS Power, que aliás, como você verá ao longo deste artigo, é a fonte de boa parte dos jogos da lista.


Astro Force (2017)

O Master System não teve, infelizmente, muitos jogos shoot'em up verticais de qualidade em seu catálogo. Eu me arrisco a citar apenas 4: Astro WarriorScramble Spirits (ambos simples, porém competentes), e os dois Power Strike (I e II), os quais são bem elogiados mas eu não gosto por serem muito caóticos. Pois nesta lista vocês verão vários shoot'em up verticais, e Astro Force é o primeiro deles. Astro Force também é o primeiro jogo desta lista criado pelo programador espanhol Enrique Ruiz, que costuma a assinar seus jogos com um "MIKGames".

Astro Force é um jogo bem "das antigas", desde seu visual quanto em sua jogabilidade. Mas por isso mesmo, vale pela nostalgia e tem um nível de qualidade próximo aos 4 jogos citados anteriormente. O jogo entretanto não é simples: conta com 6 fases, um número bem grande de inimigos e chefões diferentes, e é bem desafiador. E ainda conta com uma trilha sonora muito boa, talvez a melhor coisa do jogo.


Electronic Dreams (2023)


Mais um jogo de Enrique Ruiz e sua "MIKGames", e agora temos uma produção bem mais sofisticada, com um jogo de plataforma de 10 fases, onde você viaja pelo tempo e pelo Sistema Solar lutando contra terroristas em vingança pelo seu pai. Além de atravessar várias localidades matando inimigos com sua arma laser, também há momentos onde você pilota uma moto, dirige uma nave no estilo shoot'em up horizontal, e até pode jogar um mini-game de nome "Beam Rider" dentro do próprio jogo!

O game tem bons gráficos, trilha sonora aceitável, e como um todo, uma experiência agradável e completa de um jogo de 8 bits. A ROM de Electronic Dreams foi disponibilizada gratuitamente para os usuários do site SMS Power como presente.

 

Flight Of Pigarus (2018)

Outro shoot'em up vertical, Flight Of Pigarus também é um jogo desenvolvido por apenas uma pessoa, no caso o usuário apenas conhecido no site do SMS Power por Kagesan. O jogo é simples, curto, mas muito gostoso de jogar, com gráficos coloridos e muito bonitos, e música bem agradável. Você controla um porco voador (por isso o nome do game), e existem dois modos de jogo: 2 ou 5 minutos. Se não morrer cedo, antes dos tais minutos acabarem um chefão aparece. Pouco antes dos 2 minutos aparece o chefe da imagem acima, e pouco antes dos 5 minutos aparece outro, dentro de uma nave que parece uma bola de boliche; ou seja, no jogo de 2 minutos você só enfrenta um boss e no modo de 5 minutos enfrenta dois para terminar a aventura.

O jogo é tão bom e fez tanto sucesso que, embora gratuito, também passou a ser vendido através de mídia física via a distribuidora francesa 2Minds. Anos depois ela ajudou a portar (e também a vender) o jogo para o Mega Drive.


Frontier Force (2025)

Jogo de shoot'em up vertical criado pelo desenvolvedor inglês que se identifica como Badcomputer, é outro jogo que posteriormente foi publicado e vendido em versão física pelo estúdio francês 2Minds. Aqui na verdade você controla um humano, que, do solo, atira contra inimigos que vêm do espaço. Portanto, em termos de jogabilidade, é algo bem mais próximo do clássico dos anos 70 Space Invaders.

O game é visualmente bem bonito e bem colorido, contando com gráficos em pixel art, trazendo mais de 40 inimigos diferentes, várias armas, 7 fases e, de modo surpreendente, chefões de fase gigantes. Bastante elogiado pela crítica, ele é amplamente listado como um dos melhores jogos lançados para o Master System nos últimos anos.


The Goonies (2025)

O Brasil não poderia ficar de fora da relação né? The Goonies é o primeiro jogo brazuca desta lista e também o mais recente, lançado no final de 2025. Trata-se de uma adaptação não oficial - porém recriada totalmente do zero - do mesmo jogo que na década de 80 saiu para o "Nintendinho" (NES) e para o MSX.

O game foi desenvolvido por Lucas Munhoz, e lançado através de sua empresa, a LMS Retro. A trilha sonora para o jogo é original e foi criada pelo também brasileiro Guilherme Chirinéa. The Goonies é vendido em formato físico, através das redes sociais da LMS Retro ou em lojas especializadas em videogames retrô.


Lunar Skirmish (2025)

E ele fez de novo. Vamos com o terceiro jogo da Mikgames desta lista, e desta vez, com um jogo de shooting horizontal de grande qualidade e bastante diversificado. No jogo sua nave atira contra asteróides, robôs, e outra naves... claro. Há fases em que Lunar Skirmish se parece com R-Type (inclusive você também pode obter um drone auxiliar, porém sem controlá-lo, ele fica orbitando continuamente sua nave), com cenários internos, cenários externos tanto em espaço aberto quanto sobrevoando superfícies, e há momentos em que seu objetivo não é atirar, e sim, se desviar de estruturas em forma de labirinto.

A nave que você controla em Lunar Skirmish é um pouco pequena, mas de resto seus gráficos são muito bons, inclusive com uso de efeito parallax; já a trilha sonora é "ok", lembrando o estilo de outros vários jogos do Master System.


Monster Crunch (2020)

Era uma vez um jogo infantil de tabuleiro, lançado originalmente como Monster Mash em 1987 pela Parker Brothers nos EUA, e no Brasil lançado como Caça-Monstro, em 1989 pela Estrela. Pois bem, agora ele foi lançado como um jogo do Master System: criado pelo desenvolvedor francês Fabrice Dumas (que também se chama pelos apelidos de Ichigo ou IchigoBankai), ele foi distribuído gratuitamente em 2020 via site do SMS Power.

Para 1 ou 2 jogadores, o mecanismo é muito simples: após a imagem do monstro ser sorteada, ela some, e então vemos 12 opções para clicar na imagem que apareceu anteriormente. No caso de 2 jogadores, vence quem acertar a imagem correta primeiro; já na partida solo, temos uma corrida contra o tempo, e o jogador terá que vencer o maior número possível de rodadas antes que o cronômetro esgote. Muito simples, de fato... mas lembrou minha infância e me diverti!


Noturno (2025)


Outro jogo brasileiro, outro jogo feito pela dupla Lucas Munhoz e Guilherme Chirinéa via LMS Retro. Ainda que não tenha sido o primeiro jogo feito por eles, foi seu primeiro grande sucesso em mídia física, lançado na Retrocon 2025. Em Noturno, temos um jogo de plataforma de 7 fases ao estilo Castlevania onde estamos em 1591, e comandando o guerreiro Ricardo, temos a missão de matar Drácula.

O jogo tem jogabilidade, gráficos e músicas simples, mas é competente. Mesmo com o herói não tendo nenhum poder e apenas pulando e distribuindo espadadas, dá para se divertir e o desafio é moderado, o que deve portanto agradar todos os gostos.


Razing Core (TBD)


Razing Core é outro título feito pela Badcomputer, e que tem tudo para ser um dos melhores - senão o melhor - jogo de shoot'em up vertical do Master System de todos os tempos. O problema é que ele ainda está em desenvolvimento, e no seu site oficial, você pode baixar uma demo contendo apenas a primeira fase (completa) para jogar.

É como se o jogo fosse uma versão turbinada do clássico Astro Warrior, com gráficos melhores e sua nave tendo mais possibilidades de evolução. Mesmo no nível fácil, Razing Core é um jogo de dificuldade alta. Agora é esperar se um dia teremos esse jogo completo, ver quantas fases serão criadas, e se o game final fará jus ao seu potencial.


Silver Valley (2017)

Silver Valley é um jogo de plataforma com elementos de RPG, parecido por exemplo com alguns dos jogos da franquia Wonder Boy / Turma da Mônica do console. Mas aqui o jogo também pega características de outros games, como Castlevania e Shinobi. O próprio design dos personagens copia as versões de 16 bits de Final Fantasy e Chrono Trigger, da Square. E o mais incrível de tudo é que Silver Valley foi totalmente feito por uma única pessoa, novamente o espanhol Enrique Ruiz, que disponibilizou o jogo gratuitamente em Dezembro de 2017.

Na história, a pacata cidade de Silver City é atacada e dominada por um maléfico dragão, e cabe a você derrotá-lo, sendo a única maneira de que fazê-lo encontrando e reunindo 6 jóias místicas que estão escondidas. Silver Valley possui 64 cenários e é um jogo bem longo, ele foi amplamente elogiado pela comunidade do Master System por sua qualidade e variabilidade de gameplay, sendo basicamente a única crítica recebida sua alta dificuldade: o herói tem poucos pontos de vida e costumeiramente enfrenta chefões que necessitam vários golpes para serem derrotados.

O jogo foi trabalhando com tanto carinho que tem até um curioso easter egg: dentro de uma das cidades há uma máquina de fliperama onde se pode jogar o "Crap Man", um plágio do jogo Pac Man, e cuja imagem eu mostro na figura acima, à direita. Graças a sua qualidade um grupo de usuários do site SMS Power resolveu se juntar a Enrique para produzir e vender Silver Valley em cartucho, o que foi feito em 2022 por lá mesmo; e em 2025 foi lançado um novo lote, com pôsteres inclusos e manual em 5 idiomas.


Stella in Adventure World (2025)

Mais um jogo da franquia de Alex Kidd, porém agora a protagonista é a sua contraparte feminina, Stella, que apareceu pela primeira vez como personagem jogável da versão fliperama de Alex Kidd: The Lost Stars. E uma coisa muito bacana em Stella in Adventure World é que ao longo de sua história, ele dá continuidade à (quase) todos os jogos oficiais e não oficiais de Alex Kidd!!! Segundo seu criador (um brasileiro de iniciais tsp), o jogo Stella in Adventure World se situa cronologicamente entre os Alex Kidd 2 e 3, é anterior ao Alex Kidd: The Lost Stars e ainda tem ligações com os Alex Kidd High-Tech World e Shinobi World!

Apesar de feito por um brasileiro, o jogo tem textos em inglês, e uma partida completa leva cerca de 1h. Stella in Adventure World também foi bem recebido e elogiado pela comunidade gamer. O jogo é bastante colorido, com gráficos e som de qualidade similares ao Alex Kidd in Miracle World. Ele pode ser baixado gratuitamente no site oficial, porém não foi disponibilizado via .sms, e sim via .ips.


Sydney Hunter: The Sacred Tribe (2019)

Sydney Hunter: The Sacred Tribe possui uma história curiosa, já que ele foi desenvolvido pela empresa canadense CollectorVision Games, que é especializada em criar jogos para o ColecoVision, console de 2ª Geração, a mesma do Atari 2600. Porém eventualmente ela também lança versões de seus jogos para outros consoles, como o NES, o Commodore 64, o próprio Atari e... o Master System.

Sydney Hunter: The Sacred Tribe é um jogo bem legal de exploração, ao estilo Indiana Jones, com trilha sonora usando o chip FM, e bons gráficos. O labirinto de cavernas apresenta mais de 100 salas, com 9 músicas distintas. Sydney Hunter é bem gostoso e agradável de se jogar, e também é vendido em mídia física. Em 2025 a CollectorVision Games lançou para o Master System um segundo jogo desta franquia, trata-se de Sydney Hunter and the Caverns of Death.


Wing Warriors (2020)

E encerrando a lista, vamos com mais um shoot'em up vertical, o da vez é Wing Warriors, feito pela desenvolvedora de jogos espanhola Kitmaker Entertainment. O jogo é simples, com apenas 6 fases curtas, porém difícil. Ele lembra um pouco o game Phelios, do Mega Drive.

Basicamente você escolhe um dentre 3 personagens na tela inicial e sai matando todo mundo; apesar de cada um deles ser visualmente diferente, inclusive nos tiros que disparam, não percebi nenhuma diferença nas habilidades dos heróis. Entretanto cada personagem faz diálogos diferentes com os "chefões", além de encerrar o jogo com um final distinto.

Com o botão 1 você atira raios ilimitados, e com o botão 2 solta bombas, limitadas a três. O melhor de Wing Warriors são seus gráficos: belos, coloridos, e ao mesmo tempo bem diferentes dos jogos do Master System. Até pela sua simplicidade, o jogo não foi lançado fisicamente. Mas por exemplo, hoje você pode comprar a ROM diretamente no site do programador do jogo, por 1 dólar.


PS: assim como fiz para minha lista do novos 15 jogos do Mega Drive, a imagem principal do título deste artigo é de um jogo ainda não lançado, e que não apareceu na minha lista. Trata-se da versão ainda em desenvolvimento do Castlevania lançado para o NES. Vejam, à esquerda, o jogo na versão Master System, e à sua direita, a versão original do "Nintendinho". Não tem nem comparação né? A capacidade gráfica superior do console da SEGA dá um show! Agora é esperar para que o jogo seja de fato concluído e lançado. Com sorte, ele sai ainda em 2026.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Conheça os jogos de cartas da Button Shy que cabem literalmente dentro da carteira (até porque a carteira vem junto com o jogo!)


A empresa Button Shy é uma pequena publicadora de jogos de tabuleiro estadunidense criada pelo designer Jason Tagmire, cuja especialidade é fazer jogos do tamanho pocket (de bolso). E eles levam essa história de "bolso" ao pé da letra, já que a grande maioria de seus produtos compõe a linha Button Shy's Wallet Games (ou seja, "jogos de carteira" da Button Shy), que cabem dentro de uma pequena carteira (inclusa no produto) para se levar no bolso do jogador.

A linha Button Shy's Wallet Games já conta com quase 150 jogos (e você pode ver a lista deles aqui), e eles possuem algumas características em comum: são compostos apenas de cartas de tamanho "padrão" (63,5x88mm) de alta qualidade, em geral entre 9 a 18 cartas, sendo a grande maioria 18; a embalagem do jogo é uma pequena carteira(!) de vinil (PVC), conforme se pode ver na imagens deste artigo, tornando o produto ultra-portátil.

Como curiosidade, a escolha por jogos de 18 cartas não é aleatório; em uma gráfica profissional, na folha usada para impressão, cabem 9 cartas distintas. Produzir cartas em múltiplos de 9 torna a fabricação mais barata e evita desperdícios.

Trazendo um gato para deixar o artigo "fofo" e ficar mais claro o tamanho dos jogos

Aqui no Brasil, o primeiro jogo da linha Button Shy's Wallet Games foi Sprawlopolis, um dos grandes sucessos desta publicadora, em Agosto de 2020 pela editora Funbox. De lá pra cá, a "casa" brasileira dos jogos da Button Shy mudou, e agora quem publica os jogos da linha Wallet no Brasil é Across the Board. Somando Funbox e Across the Board, tivemos até hoje no total quatro jogos da Button Shy's Wallet Games publicados por aqui: Sprawlopolis, Caveiras de Sedlec ("Skulls of Sedlec" no original), Campos de Arroz ("Seasons of Rice" no original) e Ilha dos Predadores ("Food Chain Island" no original).

E agora, vamos conhecer OITO dos jogos "de carteira" da Button Shy!



Sprawlopolis (2018)


Vamos começar por aquele que, como já dito, foi o pioneiro no Brasil, e provavelmente é o card game mundialmente mais famoso desta coleção; trata-se de Sprawlopolis, que também é o jogo melhor avaliado dentre todos da Button Shy no BoardGameGeek (BGG).
 
Sprawlopolis é um jogo cooperativo para 1 a 4 jogadores, onde o objetivo é construir uma cidade fazendo o maior número de pontos. Cada uma das 18 cartas possui de um lado alguns quarteirões da cidade, e de outro, uma missão distinta, que te dará alguma regra que precisará ser alcançada para ganhar (ou perder) pontos. Para jogar, você escolhe aleatoriamente 3 cartas de missão, e terá que combinar as 15 cartas restantes de modo a formar uma cidade tentando cumprir as missões, de modo a fazer o maior número de pontos possíveis.

Com o passar dos anos, novos jogos e independentes da família "opolis" foram lançados, como por exemplo Agropolis (2021), Naturopolis (2023) e Casinopolis (2025). A versão de Sprawlopolis atualmente vendida no Brasil pela Across the Board já vêm com 6 mini expansões inclusas, e com isso, ao invés das tais 18 cartas, o jogo traz 41 cartas no total. Quase não cabe na carteira que acompanha o jogo rs.


Ancient Realm (2023)


Vamos ao primeiro jogo exclusivamente para um jogador (ou seja, "solo"), desta lista. Trata-se de Ancient Realm, onde seu objetivo é fazer o maior número de pontos para desta maneira, construir a melhor civilização ao longo da História. Das 18 cartas do jogo, 4 são de recurso, 7 são de "distrito" e 7 são cartas de "maravilhas".

O game é jogado com 3 linhas de cartas, na primeira ficam os edifícios que você de fato já construiu, a segunda linha mostra o mercado, e na terceira ficam os recursos. Ao começar o jogo, na segunda linha você coloca o monte de 7 distritos à sua esquerda, o monte de 7 maravilhas à sua direita, revela 2 cartas de cada monte e começa a partida. Para "construir" uma carta, é necessário pagar os recursos pedidos; e como faz para repor recursos? Veja que cada carta possui 3 (carta de distrito) ou 2 seções (carta de maravilha): e ao construir uma nova carta você "pode encobrir" parte de uma carta já construída e assim disparar ações, ganhando bônus e recursos. É como se sua civilização fosse evoluindo ao longo do tempo sob os escombros das construções antigas.

Ancient Realm é bastante elogiado por permitir uma grande quantidade de possibilidades/decisões para o jogador a cada turno. Por isso, para o jogador casual, o game base já é mais que o suficiente. Porém jogadores que jogam "muito" o Ancient Realm dizem que o jogo vai ficando mais fácil com o tempo pois você já sabe quais serão as cartas que virão no futuro. É aí que entra uma das mini expansões, a Monuments & Misfortunes, que traz 6 novas cartas de distrito. Pelas regras desta expansão, você aleatoriamente tira 3 cartas de distrito do jogo base e coloca aleatoriamente 3 cartas novas. Desta maneira o fator previsibilidade acaba e a rejogabilidade aumenta muito!


Death Valley (2021)


Death Valley é um jogo para 1 ou 2 jogadores onde cada jogador representa um viajante que está atravessando esta região desértica da Califórnia. Cada uma das 18 cartas possui um "poder" que diz como faz para pontuar no final da partida, que em geral se refere a conseguir colocar cartas de um determinado tipo em uma posição específica.

Cada carta possui um tipo de "perigo" associado (montanha, animal, sol ou água), e se em algum momento um jogador tiver em jogo 3 cartas do mesmo tipo, sua jornada "estoura", e então acontece um evento com certas regras que, na prática, fazem que a maioria de suas cartas da mesa voltarem para a pilha de pesca.

Em seu turno, o jogador pode "continuar sua jornada", pegando uma nova carta do monte e a adicionando na linha superior do seu grid, ou pode "descansar"; o ato de descansar significa abaixar uma das cartas da linha de cima para a linha de baixo e após isso esconder (colocar embaixo) quantas outras cartas da linha de cima abaixo da carta que você acabou de descer, tirando-as do jogo (esconder é opcional). Note que esconder cartas é uma das maneiras que você tem para evitar o "estouro" de 3 cartas do mesmo tipo.


The Last Lighthouse (2024)


The Last Lighthouse é um jogo solo de 18 cartas do designer Scott Almes, o mesmo criador de todos os jogos da famosa franquia Tiny Epic. No jogo temos que defender um farol do ataque de "pesadelos". Quando a parte azul está para cima, o pesadelo (e seu poder) está ativo, e quando a parte dourada está para cima, a carta vira uma "armadilha", usada para matar os pesadelos.

A cada turno você ataca os pesadelos, e depois, eles te atacam. Novas cartas são pescadas do monte ou por sua opção, ou devido ao efeito de alguma das cartas. Cada vez que um pesadelo consegue atacar o farol, a maré sobe um nível. Caso a água da maré encubra o farol, você perde o jogo; mas se o monte de cartas acaba e o farol não foi encoberto, parabéns(!), você sobreviveu e venceu a partida!

O jeito que você configura as cartas no começo da partida faz variar sua dificuldade em até 4 níveis. No nível "normal" você começa com 2 cartas de pesadelo e 2 cartas de armadilha já abertas na mesa.

Dentre os vários jogos exclusivamente para um 1 jogador da linha Wallet Games - inclusive Scott Almes fez vários deles - The Last Lighthouse é um dos mais elogiados. Certamente sua temática me interessa bastante.


Shallow Regrets (2025)


Shallow Regrets é um card game de 18 cartas que se trata de uma versão super simplificada de um jogo maior de tabuleiro, o Deep Regrets. Ambos foram criados e ilustrados pelo escocês Judson Cowan, que além de trabalhar com boardgames, também é publicitário, e compositor de músicas para videogames e comerciais... ou seja, um Leonardo da Vinci de nossos tempos rs.

No jogo, que roda de 2 a 3 jogadores, você é um pescador... porém ao pescar não necessariamente vai obter peixes... estamos em uma "pescaria de terror" e você pode pescar as mais estranhas criaturas. Em cada turno o jogador pesca 2 cartas e escolhe 1 delas para coletar. Cada carta-criatura possui um poder especial, quantidade de pontos (que pode ser negativo), e também um número de anzóis. Para pegar peixes maiores, você precisa ter posse de mais anzóis; e às vezes, quem te dá mais anzóis são os peixes que te dão pontos negativos... ou seja, você sempre tem que equilibrar pontuação com sua capacidade de pescar, e também ficar de olho se os poderes dos adversários não irão te prejudicar...

O jogo é bem divertido e embora tenha sido lançado recentemente, no 2º semestre do ano passado, já conta com 2 mini expansões. Uma delas, a Lingering Remorse, traz 6 novas criaturas marítimas e com isso permite jogar Shallow Regrets em 4 jogadores. Entretanto, arrisco a dizer que jogar Shallow Regrets com esta expansão e em 3 jogadores é sua melhor configuração.


Stew (2019)


Neste outro jogo de 18 cartas, agora para 2 a 4 jogadores, o objetivo é adivinhar quantos pontos de comida foram colocados na panela onde fazemos um "ensopado" (stew). Primeiro se separam as 5 cartas de animais, que ficam em aberto na mesa para todos verem. Cada animal come um tipo específico de alimento. Então em cada turno, cada jogador pega uma carta do monte, olha, e opta por colocar a carta, ainda fechada, em uma pilha central (que é a "panela do ensopado"), ou em cima de um animal, "alimentando-o", e deixando ele de fora da rodada.

A qualquer momento um jogador pode gritar "Stew", e quando isso acontecer, a rodada acaba e as cartas na "panela" são reveladas. Conforme as cartas são reveladas, os animais ainda ativos, se aplicável, são alimentados com seu específico tipo de comida. Conta-se então os pontos das cartas que sobraram no ensopado. Se a pontuação for igual ou maior que 12, o jogador que gritou "Stew" ganha 2 pontos; caso contrário ele não ganha nada e todos os demais ganham 1 ponto.

Vence a partida o primeiro jogador a atingir 5 pontos. O jogo é bem rápido, dinâmico, simples e divertido.


Tussie Mussie (2019)


Continuando com jogos de designers famosos, Tussie Mussie é um jogo criado por nada menos que Elizabeth Hargrave, a mente responsável pela criação do ótimo e bastante popular Wingspan. Seu jogo de 18 cartas, para 2 a 4 jogadores, possui uma mecânica simples porém bem interessante.

O tema do jogo é "dar flores para alguém". A partida é jogada em 3 rodadas. No começo de cada uma delas as cartas são embaralhadas e o monte é colocado fechado na mesa na frente dos jogadores. Na sua vez, cada jogador pega as duas cartas do topo do baralho e as oferecem, uma virada para cima e a outra para baixo, a um oponente. Esse oponente fica com uma, deixando a outra para o jogador que comprou as 2 cartas. Isso se repete até todos os jogadores tiverem 4 cartas, quando a rodada termina e os pontos são somados.

Cada carta de flor, claro, possui um poder próprio que dá mais ou menos pontos combinando com as outras cartas. E como curiosidade, além de cada carta trazer o nome e imagem de uma flor real, ela também traz uma breve descrição do significado que é presentar esta flor para uma pessoa. Por exemplo, uma rosa "vermelha" significa "eu te amo", e uma rosa "rosa" significa "amizade".

Tussie Mussie é outro jogo bem avaliado no BGG, e até pelo seu sucesso, já possui 5 mini expansões, sendo que 2 delas transforam o jogo em um game solo.


Caveiras de Sedlec (2020)


Encerro a lista com um jogo que também saiu no Brasil, mas que ao contrário de todos os outros mostrados até agora, infelizmente por aqui ele não saiu no formato "carteira", e sim em uma pequena caixa. Mas ok, há um bom motivo para isso: junto com as 18 cartas do jogo base, vieram todas as 10 expansões já feitas para o Caveiras de Sedlec, com isso o produto nacional totaliza 68 cartas, que só  iriam caber mesmo dentro de uma caixinha.

Dentre todos os jogos da Button Shy, ele é o segundo melhor rankeado no BGG. De 1 a 4 jogadores, inicialmente as cartas são embaralhadas e divididas em 6 pilhas, para serem compradas. Então os jogadores vão pescando estas cartas e montando à sua frente, cada um o seu próprio "ossuário" com as cartas coletadas, em disposição de uma pirâmide. Após as "pirâmides" estarem formadas, os jogadores verificam seus pontos e jogo acaba. Cada caveira dá uma quantidade de pontos dependendo de sua posição na pirâmide, ou de qual for sua adjacência, ou da quantidade de caveiras do mesmo tipo, etc.

Ah, e o nome Sedlec vem do Ossuário de Sedlec, uma igreja real da República Checa, cujo interior está decorado com mais de 50 mil esqueletos!



Se interessou? Jogue você também!

E se você por acaso acha que jogos de 18 cartas são jogos simples demais, que correm o risco de ter pouca rejogabilidade, sem problemas! Saiba que muitos dos jogos da Button Shy possuem expansões. Cada jogo costuma ter mais de uma expansão, e cada uma delas costuma trazer de 3 a 6 novas cartas. TODOS os jogos que apresentei acima neste meu artigo possuem mais de uma expansão. ;)

Gostaria muito que os jogos da Button Shy continuassem a chegar no Brasil. Todos os oito que apresentei não apenas despertam bastante meu interesse de compra, como são melhores que vários jogos pequenos lançados por aqui. E caso você não queira esperar, ainda há uma opção de obter estes jogos de modo oficial, porém apenas em inglês.

Até recentemente era possível comprar via site PNP Arcade praticamente todos os jogos da Button Shy. O "PnP" vêm de Print-and-Play, ou seja, imprima na sua casa e jogue. Cada jogo custava US$ 3,00 e cada expansão US$ 1,00. Após comprar (via cartão de crédito), o site imediatamente te disponibilizava a cópia do jogo em pdf para você imprimir e jogar. Porém, desde o dia 30 de Janeiro deste ano, o site deixou de hospedar (e vender) qualquer jogo PnP de qualquer empresa...

Com isso a Button Shy passou a vender seus jogos PnP via plataforma Itch.io. Os preços e modo de pagamento continuam o mesmo, porém, no momento em que escrevo estas linhas a quantidade de jogos disponíveis lá para compra é pequena. A promessa é que, aos poucos, todas as centenas de títulos que estavam disponíveis na PNP Arcade fiquem disponíveis para venda na Itch.io também. Para mim um PnP não substitui a versão física feita por uma editora profissional... de qualquer forma, já serve para ir conhecendo os jogos e ir se divertindo.



E aí, o que achou da linha editorial dos jogos da Button Shy? Achou uma boa idéia? Pretende comprá-los? Escreva nos comentários!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Qual é o melhor filme Brasileiro de todos os tempos? Conheça aqui os principais candidatos e tire sua própria conclusão!

Para comemorar a semana em que o site Cinema Vírgula completa seu 14º ano de vida, trago um artigo bem especial. Qual é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Esta pergunta não tem uma resposta única, porém trago aqui as SETE respostas mais prováveis, baseado em dois critérios: os prêmios que nosso Cinema obteve nos festivais internacionais mais relevantes, e na opinião dos críticos profissionais brasileiros da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Em Setembro de 2016 eles fizeram uma votação, elegendo "Os 100 Melhores Filmes Brasileiros", resultado que usei aqui.

Sem mais delongas, vamos à relação destas sete excepcionais produções nacionais, em ordem crescente de data de lançamento:


1) Limite (1931)

O primeiro filme da lista é certamente o mais desconhecido pelo público, mas o motivo disto não é devido a ele ser o mais antigo; e sim porque ele estava "esquecido" por décadas, sendo resgatado pelo World Cinema Project (WCP), uma organização criada em 2007 (ainda sob o nome de World Cinema Foundation) por nada menos que o cineasta estadunidense Martin Scorsese. Bastante deteriorado, com a ajuda de Walter Salles e da Cinemateca Brasileira a nova restauração de Limite em parceria com a WCP começou ainda mesmo em 2007, e foi finalizada em Setembro de 2010.

Dirigido e escrito por Mário Peixoto, um carioca nascido em Bruxelas (seus pais eram brasileiros, e após vir para o Brasil aos 2 anos de idade, passou o resto de sua vida por aqui), Limite foi um filme revolucionário, experimental.

Nos anos 20 e 30, tínhamos distintos movimentos na Europa para distanciar o Cinema do simples entretenimento que era feito nos EUA. A idéia era transformar os filmes em uma Arte maior, e também contar através deles idéias novas, originais. Em paralelo no Brasil, tínhamos apenas uma pessoa fazendo o mesmo: o jovem Mário Peixoto de 21 anos. Limite, seu primeiro e único trabalho cinematográfico, une em um mesmo filme técnicas da Montagem Soviética (cortes curtos, comparativos e abruptos, filmando com ângulos inusitados) com técnicas francesas como o Impressionismo e o Surrealismo (associações livres de imagens, rostos em close, valorização da experiência sensorial), mas ao mesmo tempo, usando-as "do seu jeito". 

Além disso, Limite traz uma narrativa não linear, e também tem passagens onde vemos os personagens fazendo coisas "triviais", como por exemplo, ficar simplesmente caminhando por um certo período; ambas características só iriam aparecer com mais frequência em filmes décadas depois, mostrando que Limite estava bem a frente do seu tempo.

Limite é um filme mudo que prima pelas suas experiências e qualidades técnicas (a fotografia é excelente para a época). Porém o roteiro, que não era seu propósito, não é seu forte. A trama é simples: o filme começa nos mostrando 3 pessoas à deriva em um pequeno barco ao mar: uma mulher que fugiu da prisão, um homem cuja amante faleceu, e uma mulher já sem ânimo frente ao cotidiano da vida. Pouco é explicado, tudo é bem melancólico, pessimista, e não há muito o que entender logicamente... há mais o que sentir; e certamente mais da metade do filme são imagens de paisagens e objetos. O efeito que Limite causa no espectador também vem da boa trilha instrumental, bem planejada e executada.

Limite não é um filme nada fácil de se assistir. É bem lento, e se encontra entre na lista dos melhores filmes graças a sua importância histórica e maravilhas técnicas. Caso você queira vê-lo, ele se encontra disponível no Youtube. Este é o link onde eu o assisti.


2) O Pagador de Promessas (1962)

Por décadas O Pagador de Promessas foi reverenciado como um dos grandes clássicos do cinema nacional, mas hoje infelizmente ele não é tão lembrado pelo grande público. Dirigido e idealizado pelo paulista Anselmo Duarte, este filme é nada menos o primeiro e único até hoje a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, em 1962. Além disto, também foi o primeiro filme da América do Sul a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1963.

Estrelado por Leonardo Villar e uma jovem Glória Menezes (sim, aquela que você conhece das antigas novelas da Globo), o filme é baseado em uma peça teatral de mesmo nome escrita por Dias Gomes. Ele conta a história de um homem humilde que tenta pagar uma promessa que fez para curar seu burro que ficou doente; o levando a andar muitos quilômetros com uma cruz nos ombros. Porém quando ele tenta chegar em seu destino final, a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, é impedido de entrar pelo padre local. Para piorar, durante toda a história, várias pessoas se aproveitam do inocente protagonista. O filme é uma forte crítica ao comportamento da sociedade, e a muitos aspectos da religião, dentre elas o fanatismo, a intolerância e o abuso de poder.

Temos também várias contraposições entre as religiões / cultura de raiz africana com a católica apenas com imagens e som, e isto é bem diferente. O Pagador de Promessas também é famoso pelo seu desfecho marcante, porém vou mais além: ele é um final bem corajoso de se fazer nos dias atuais, imagine então quando foi feito há tantas décadas atrás!

Assistindo o filme hoje, diria que ele se mostra um pouco "ingênuo e desconexo", além de não representar as mulheres de modo muito favorável, algo mais comum na época; ainda assim o importante recado de O Pagador de Promessas continua lá... tanto é que a triste conclusão que se chega é: pouco se mudou na sociedade e nas religiões de 1962 pra cá...


3)  Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido e escrito pelo revolucionário cineasta baiano Glauber Rocha, até a redescoberta do filme Limite, quem ficou no topo da lista dos melhores filmes nacionais por muitos e muitos anos foi Deus e o Diabo na Terra do Sol. Assim como clássicos do cinema mundial como o soviético O Encouraçado Potemkin (1925) e o italiano Roma, Cidade Aberta (1945), a obra é histórica por ser o símbolo de um novo Movimento Cinematográfico de seu tempo.

Na trama, que se passa no pobre e seco sertão nordestino no começo do Século XX, o sertanejo Manoel resolve pegar o dinheiro do seu trabalho para comprar um pedaço de terra; porém quando vai receber a quantia do Coronel, este recusa a dar o dinheiro, querendo explorá-lo. Manoel se enfurece, mata o Coronel e é obrigado a fugir, em uma saga onde ele primeiro se associa ao religioso messiânico Sebastião, e depois ao cangaceiro Corisco, que pertencia ao grupo de Lampião.

Como dito anteriormente, Deus e o Diabo na Terra do Sol é bastante reverenciado. E não apenas pelas críticas sociais, que começavam a chegar nas telonas nesta década, mas principalmente pelo estilo completamente diferente do padrão do Cinema Brasileiro. O filme é um dos principais símbolos do movimento Cinema Novo, cujo slogan “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, batia de frente contra o cinema tradicional nacional de até então, que consistia principalmente de musicais e comédias imitando o formato de Hollywood.

A tal "câmera na mão" junto com muitos close-ups e cortes abruptos de cena criam um clima de tensão constante nunca visto até então; outra novidade é que apesar da presença do "Deus e o Diabo" no título do filme, nenhum personagem parece corresponder a nenhum dos "lados": o religioso Sebastião sabe que está enganando o povo e faz até sacrifícios humanos; já o violento cangaceiro Corisco se vê em uma nobre missão de luta contra a injustiça social. Até mesmo os protagonistas e sua esposa Rosa se alternam fazendo coisas corretas e erradas; ou seja, é um filme sem heróis.

Por outro lado, vendo com olhos de hoje, este mantra de "simplesmente vá e faça" deixou alguns problemas técnicos que me incomodaram: as atuações são bem caricatas e teatrais (no mau sentido), temos cenas improvisadas que não encaixam na trama, e vários diálogos são incompreensíveis, seja porque o ator falou muito baixo ou muito rápido, ou porque sua fala foi sobreposta pela trilha sonora ou pela narração cantada. Pelo que estudei, o negativo original do som de Deus e o Diabo na Terra do Sol não foi preservado em boas condições, e então, a versão que temos hoje é uma restauração que tentou recuperar ao máximo sem modificar a obra original. Em outras palavras, se o filme original tinha estes problemas de "diálogos incompreensíveis", não sei e talvez nunca saberei.


4) Central do Brasil (1998)

Agora vamos com o primeiro dos dois filmes desta lista do diretor carioca Walter Salles. O nome Central do Brasil é uma referência à grande estação de trens de mesmo nome, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, e aonde se começa a história. Dora (Fernanda Montenegro) é uma professora que trabalha lá como escritora de cartas para analfabetos; e neste local acaba conhecendo um pobre garoto de nove anos chamado Josué. Com o repentino falecimento da mãe, Josué fica sozinho, e então Dora acaba "adotando" o garoto, partindo com ele em uma viagem ao Nordeste, em busca do desconhecido pai do menino.

O filme aborda fortemente temas como desigualdade social e o abandono das populações do interior do Brasil; outro tema muito presente é a solidão, e pelo menos essa angústia é resolvida de certa forma para Dora e Josué, quando eles fazem o caminho inverso da migração padrão, saindo de uma cidade grande do Sudeste e indo para o Nordeste. Central do Brasil acaba sendo em parte um road movie pelo interior pobre brasileiro.

Central do Brasil foi muito bem sucedido em festivais: foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, ao mesmo tempo que Fernanda Montenegro venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. No Globo de Ouro, Central do Brasil levou o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. E já no Oscar... além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Montenegro foi a primeira latino-americana da história a concorrer pelo prêmio de Melhor Atriz... porém foi derrotada pela insípida Gwyneth Paltrow, algo que revolta os amantes do cinema até hoje.


5) Cidade de Deus (2002)

Se Central do Brasil resgatou a autoestima do brasileiro em termos de cinema nacional, Cidade de Deus, do paulista Fernando Meirelles, levou isso a outro patamar. Central do Brasil não foi mal nas bilheterias nacionais, mas Cidade de Deus foi muito bem, ultrapassando 3 milhões de espectadores, e virou um verdadeiro fenômeno cultural. E não só isso, estabeleceu o recorde para filme brasileiro com mais indicações ao Oscar: quatro.

Curiosamente, ele não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. E uma teoria é que isto aconteceu simplesmente porque o filme não foi suficientemente assistido pelos votantes daquela categoria, impedindo portanto sua indicação. Porém, para grande surpresa dos brasileiros, no Oscar seguinte de 2004, e contando também com apoio comercial da Miramax, Cidade de Deus recebeu as suas famosas quatro indicações: Melhor Direção (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Montagem (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (César Charlone).

Nem preciso dizer que este reconhecimento foi justíssimo. Cidade de Deus continua na minha lista geral dos melhores filmes do século XXI. Pena que não levou nenhum Oscar, já que infelizmente aquele ano foi o escolhido pela Academia para premiar a trilogia O Senhor dos Anéis (o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei venceu todas as 11 categorias que disputou). Ainda assim, Cidade de Deus deveria ter levado pelo menos um dos prêmios... o de Melhor Montagem: o trabalho de Daniel Rezende foi simplesmente primoroso.

Ah sim: a história acompanha a vida de vários personagens que moram na Cidade de Deus, uma perigosa favela do Rio de Janeiro, e acompanhamos a história dos protagonistas desde criança, no fim dos anos 60, até já adultos, nos anos 80. Ao longo do filme, aparecem várias histórias paralelas que se entrelaçam no decorrer da trama. E não são só as histórias que se misturam: também há muita violência misturada com humor, mais ou menos ao estilo dos filmes do Quentin Tarantino.


6) Ainda Estou Aqui (2024)

Walter Salles está de volta na lista. E voltou realizando no dia 02 de Março de 2025 um grande sonho do nosso Cinema: a conquista do primeiro Oscar do Brasil

Ainda Estou Aqui é um filme baseado no livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva. Ele conta, sob os olhos de Eunice Paiva, os eventos reais do desaparecimento de seu marido, o político Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Caso você queira uma análise mais detalhada sobre o filme, é só clicar aqui para ler minha crítica completa.

O Brasil levou uma estatueta, mas no total foram 3 indicações ao Oscar: a de Melhor Filme Internacional (a que venceu), o de Melhor Filme, e o de Melhor Atriz (para Fernanda Torres, repetindo o feito de sua mãe Fernanda Montenegro). Mas se Fernanda "filha" não conseguiu uma "reparação" pela injustiça feita com a Fernanda "mãe" décadas atrás, ela teve melhor sorte no Globo de Ouro, onde venceu o prêmio de Melhor Atriz em Filme Dramáticosendo a primeira mulher sul-americana e também primeira falante de português a receber este prêmioAinda Estou Aqui ainda foi indicado, mas não levou, a Melhor Filme em Língua Estrangeira. Já no Festival Internacional de Cinema de Veneza venceu o prêmio de Melhor Roteiro.

As vitórias nas premiações certamente contribuíram para que Ainda Estou Aqui tenha se tornado um grande sucesso de bilheteria nacional e mundial. No Brasil, foram quase 6 milhões de espectadores; e a arrecadação total ultrapassou R$ 200 milhões (ou cerca de US$ 40 milhões), sendo aproximadamente metade por aqui, e metade no exterior.


7) 
O Agente Secreto (2025)

E encerrando a lista, temos o recente O Agente Secreto, do diretor e roteirista pernambucano Kleber Mendonça Filho. Tão recente que a temporada de premiações para ele ainda nem terminou, faltando ainda saber qual será seu futuro destino nOs Oscars de 2026... já sabemos que lá ele igualou o recorde de Cidade de Deus recebendo quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator (por Wagner Moura).

A história, desta vez fictícia, se passa em 1977, durante a ditadura militar. Acompanhamos o professor universitário Marcelo (Wagner Moura), que retorna à sua cidade natal, Recife, aparentemente fugindo de algo. O filme discute temas como vigilância estatal, manipulação e apagamento da memória e da verdade. Também para O Agente Secreto, caso queira ler a crítica completa, clique neste link.

Além dos Oscars, o filme brilhou em várias premiações internacionais, das quais destaco o Festival de Cannes e o Globo de Ouro. Em Cannes, O Agente Secreto chegou a concorrer pela Palma de Ouro, mas não levou. Porém venceu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Wagner Moura), sendo este último, algo inédito para o Brasil.

Já no Globo de Ouro, outro recorde de número de indicações para um filme nacional: três; além de ser o primeiro filme brasileiro a ser indicado na categoria Melhor Filme de Drama. Este prêmio o filme não levou, porém nas outras duas indicações: Melhor Filme em Língua Estrangeira, e Melhor Ator em Drama (Wagner Moura), O Agente Secreto venceu! Com o feito, Moura se tornou o primeiro brasileiro (mas não o primeiro sul-americano) a ganhar o prêmio.

Até o momento que escrevo estas linhas, O Agente Secreto chegou a marca de US$ 10 milhões de arrecadação nos cinemas (cerca de R$ 52,2 milhões), sendo mais ou menos metade disso no Brasil, e metade no exterior. Porém agora com as indicações ao Oscar, tudo indica que o filme volte aos cinemas e os números subam consideravelmente.




PS1: Acha que algum filme merecia ter entrado na lista e não entrou? E qual, na sua opinião, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Escreva nos comentários!

PS2: Na imagem do título deste artigo temos à esquerda uma cena do filme Limite, e à direita um filme que não é um dos sete que trouxe aqui... trata-se do curta-metragem Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado. Ele aparece em 13º lugar na lista dos "100 Melhores Filmes Brasileiros" da ABRACCINE, mas é o primeiro curta dela (tem apenas 13 min de duração), ou seja, acaba sendo o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos na opinião dos críticos. E é muito bom mesmo! Um soco no estômago! Quem puder assistir, recomendo muito. Um link para assisti-lo é esse aqui.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Conheça QUINZE novos ótimos jogos lançados para o Mega Drive nos últimos dez anos

Uma das vantagens de ser um console de videogames tão bom e memorável é que mesmo após mais de 35 anos de seu lançamento, o SEGA Mega Drive mantém uma grande e apaixonada comunidade que continua desenvolvendo novos jogos para seus fãs.

A cada ano temos vários bons jogos inéditos sendo lançados mundialmente, e sendo eu mesmo um destes fãs do Megão, resolvi fazer uma seleção e trazer para vocês 15 dos melhores jogos que vi serem lançados nos últimos 10 anos. A lista segue abaixo, em ordem alfabética.


16Bit Rhythm Land (2019)

Lançada pela desenvolvedora japonesa Columbus Circle, o jogo traz 4 "mini-games" de rítmo, onde você tem que apertar um ou mais botões no momento exato para cumprir alguma ação. Dos quatro, gostei mais dos que trouxe as imagens acima: um onde você tem 3 botões para ativar escudos e se defender de bolas de fogo que vêm do espaço, e outro onde você é um rebatedor no Baseball. Se desde o surgimento de games como Guitar Hero e Rock Band jogos assim ficaram "comuns", para a biblioteca original do Mega Drive este tipo de jogo é praticamente inédito, o que torna tudo mais interessante.


Astebros (2023)


Agora vamos para o primeiro jogo desta lista feito pela Neofid Studios, desenvolvedora francesa que tem feito jogos complexos e de alta qualidade tanto para o Mega Drive quanto para o Super NES. Trata-se de Astebros, que se passa no mesmo universo de Demons of Asteborg, outro jogo da Neofid que se encontra neste artigo, e que aliás foi lançado primeiro, porém devido seu nome, virá depois por motivos alfabéticos..

Astebros é um jogo de plataforma roguelike, ou seja, além de combater muitos inimigos, terá que explorar muitos cenários resolvendo alguns quebra-cabeças. Ele permite até 2 jogadores simultâneos e dá o opção de jogar com 3 tipos de personagens com poderes bem distintos: Arqueiro, Cavaleiro e Mago, sendo esse último visualmente muito parecido com o personagem Gorpo do He-Man (ver na imagem acima à esquerda). São seis fases, e todas elas geradas randomicamente.

O jogo é bem bonito, com arte pixelada, e tem uma dificuldade alta. Ele permite a seleção de vários idiomas inclusive nosso Português e também está disponível para Nintendo Switch e Steam.


The Curse of Illmoore Bay (2021)

Se vocês percorrerem esta lista, perceberão que a maioria dos jogos tem uma abordagem "mais séria", porém este The Curse of Illmoore Bay é uma exceção. Apesar do tema "monstros", já que o jogo é temático de Halloween, o game é bem divertido e descontraído, com gráficos mais alegres e coloridos, tendo um visual mais de desenho animado. O jogo foi criado pela desenvolvedora estadunidense Second Dimension (que outrora se chamava Airwalk Studios), que já fez alguns jogos para o Mega Drive, porém seu maior catálogo são de jogos novos para o Nintendinho (NES).

The Curse of Illmoore Bay é um jogo de plataforma para 1 ou 2 jogadores simultâneos, com 18 fases bem variadas, e onde é possível escolher dentre 3 personagens para jogar. A trilha sonora é agitada e segue o padrão de qualidade do Mega Drive.


The Cursed Knight (2022)

A primeira vista The Cursed Knight aparenta ser apenas mais um jogo de plataforma... Ledo engano. Criado pela empresa francesa GGS Studio Creation, o jogo tem sim sua parte "plataforma", que aliás utiliza bastante de uma interessante mecânica: com um dos botões você altera a gravidade do cenário, fazendo seu personagem ser "puxado" para cima ou para baixo da tela.

Porém, em várias partes do jogo, o "Cavaleiro Amaldiçoado" que controlamos acaba voando e atirando raios nos inimigos, como se fosse uma "nave"; ou seja, The Cursed Knight também tem partes de shoot‘em up!

Com 10 fases distribuídas em 5 estágios, The Cursed Knight tem inimigos variados (e chefões de fase bem desafiadores), você controlando alguns veículos, gráficos e trilha sonora muito boas e abuso (de modo muito bem feito) dos efeitos parallax. Uma boa pedida para quem procura um jogo bem diferente, difícil, mas não muito longo.

 

Demons of Asteborg (2021) 


Agora sim, falaremos sobre o Demons of Asteborg, também criado pela Neofid Studios e que citei anteriormente. Trata-se de um jogo de ação / plataforma em 2D ao estilo Metroidvania. Assim como em Astebros, o jogo também apresenta vários diálogos (e tem Português como opção de idioma) e o herói também precisa resolver alguns quebra-cabeças, porém em quantidade bem menor. Aqui é mesmo bem mais ação que exploração. E assim também igualmente ao posterior jogo Astebros, estamos diante de um jogo longo, difícil, e belíssimo, com arte pixelada e atenta nos mínimos detalhes.

Na trama, você controla Gareth, filho de um lendário guerreiro com uma feiticeira, para impedir a invasão do demônio Zadimus e seu exército que está destruindo a humanidade. É curioso ver que além das homenagens óbvias a jogos como CastlevaniaGhouls’n Ghosts, há uma fase em que o jogo se torna algo similar ao Space Harrier, com tiro em primeira pessoa em 3D, conforme imagem acima, à direita.

Tanto Demons of Asteborg quanto Astebros são jogos que não devem nada em qualidade, duração e complexidade comparado aos grandes jogos clássicos licenciados lançados pelas grandes produtoras de jogos dos anos 90.


Hayato's Journey (2024)

Aqui temos uma surpreendente "continuação" do clássico jogo Kenseiden, do Master System, feito por dois brasileiros: o desenvolvedor Master Linkuei e o compositor Edmo Caldas. Com belos gráficos e trilha sonora, o game aproveita elementos de jogos como o próprio Kenseiden, de Spellcaster (também do Master System) e dos jogos da franquia Shinobi no Mega Drive.

O resultado foi um jogão de samurais no mais alto nível, confesso que me diverti muito ao jogá-lo. E a ROM do jogo está disponível para baixar gratuitamente no site oficial de Hayato's Journey.


Life on Mars: Genesis (2022)

Mais um jogo do estilo Metroidvania, criado pela desenvolvedora espanhola Kai Magazine Software. Curiosamente, eles são especializados em criar jogos para computador - especialmente MSX - e lançá-los via revista, inclusive criaram e lançaram um Life on Mars para o MSX em 2015. Este Life on Mars: Genesis é uma versão "remake" deste jogo... expandida e com gráficos melhorados, já que foi feita para uma plataforma com mais capacidade, o Mega Drive.

Em Life on Mars: Genesis uma base científica foi instalada em Marte, ela descobre uma bactéria no planeta, e dias depois, para de se comunicar com o exterior. Você é o técnico que foi convocado para entrar na colônia e reestabelecer as comunicações...

O jogo é bem difícil, com mapas extensos e com aquela música de suspense / terror constante para não te dar sossego. Um dos jogos mais difíceis desta minha lista, mas que por ter savepoints, pelo menos terminá-lo se torna possível. Gráficos excelentes, o estilo de jogo lembra os jogos Alien 3 e Abuse, ambos da década de 90.


Hunter Girls (2023)


Lançada pela PSCD Games, uma produtora russa, Hunter Girls lembra o clássico jogo The Lost Vikings pois aqui também controlamos 3 personagens simultaneamente, cada um com uma habilidade bem distinta, e que juntos são usados para superar quebra-cabeças e avançar em fases, outra similaridade é que ambos tem temática de fantasia medieval.

Porém, uma enorme diferença é que Hunter Girls é um jogo de plataforma / ação, e os 3 personagens (as 3 caçadoras, no caso), estão sempre correndo, sem parar, em direção à direita da tela; portanto, resolver os obstáculos do jogo são na verdade uma corrida contra o tempo. Agnes resolve as coisas no corpo-a-corpo: ela possui uma espada e um escudo; Kim atira à distância com seu arco e flecha; e Flora defende o grupo de ataques mágicos. Jogo bem difícil e desafiador, mas um bocado diferente do que existe para o Mega Drive.


Mad Stalker: Full Metal Forth (2020)


Agora vamos ao primeiro jogo da lista que foi cancelado no passado, e que pôde enfim ver a luz do dia décadas depois. Mad Stalker: Full Metal Forth é um beat 'em up de ação lateral desenvolvido pela Fill-in-Cafe e lançado pela Family Soft em 1994 no Japão, para alguns modelos de computadores locais e para o PC Engine Arcade CD-ROM. Desde o início ele foi planejado para também ser lançado para o Mega Drive, porém o projeto foi cancelado devido altos custos.

Em 2020 o jogo foi resgatado, finalizado e lançado pela Columbus Circle. O que eu acho muito empolgante em Mad Stalker: Full Metal Forth é que apesar de ser um jogo de ação lateral, você controla um robô bem grande com direito a muitas variedades de golpes, como se estivesse em um jogo de luta 1 contra 1. O jogo é difícil e bem bonito. Vale bem a pena conhecer!


P-47 II MD (2025)


Lançado neste ano, P-47 II MD se trata da versão para Mega Drive do jogo P-47: The Phantom Fighter, um jogo que saiu em 1988 nos fliperamas, criado pela NMK e publicado pela Jaleco. Os planos eram que ele fosse lançado para o console da SEGA em 1990, mas o projeto foi cancelado. Em 2024 a City Connection Co., empresa japonesa que comprou a Jaleco, contratou a Habit Soft para finalizar o jogo. Para nós brasileiros, a distribuição do jogo é feita pela BUG (Big Uncle Games), que começou a vender o jogo fisicamente em cartucho desde a Retrocon 2025.

O game é um jogo de tiro horizontal para 1 jogador e que se passa na 2ª Guerra Mundial. Você controla um avião modelo Republic P-47 Thunderbolt, e diferentemente da versão arcade, aqui você está sempre acompanhado de 1 ou 2 aviões menores com habilidades diferentes, que soltam bombas ou habilitam escudos, e também enfrenta gigantes chefões de fase. Os gráficos são realmente excelentes; já em termos de som, diria estar na média do console.


Pier Solar and the Great Architects (2010)

Existem dezenas de novos jogos de RPG para o Mega Drive por aí, e optei então por trazer para esta minha lista apenas um deles - talvez o mais famoso - mesmo que seja uma pequena trapaça, já que ele foi lançado em 2010, ou seja, há mais tempo do que os tais dez anos atrás.

Lançado pelo pequeno estúdio independente estadunidense WaterMelon, o jogo é uma superprodução que levou mais de 5 anos de desenvolvimento e resultou em um cartucho de 64 megabits de tamanho, o que o tornou o maior jogo do Mega Drive até então.

Na história controlamos Hoston, um jovem aprendiz de botânica que sai de casa em busca de uma misteriosa erva que "pode" curar seu pai doente. Porém, ao longo de várias aventuras, a trama vai crescendo até ele se envolver com o "Pier Solar e os Grandes Arquitetos".

O jogo é um RPG japonês das antigas, com batalhas por turnos, e foi elogiadíssimo pela crítica especializada pelos seus gráficos, trilha sonora e história. Porém em termos de jogabilidade, teve notas apenas medianas. Como pontos negativos, foram apontados muitos labirintos difíceis e mecanismo de batalha repetitivo. Por outro lado, o jogo ficou tão famoso que foi portado anos depois até para os PlayStation 3 e 4, Wii U e Xbox One. Nada mal para um modesto game indie

Curiosidade: o jogo tem tradução para 6 idiomas, sendo um deles o Português, e isso não foi uma simples coincidência, afinal, um dos principais designers do jogo é o brasileiro Túlio Adriano Gonçalves.


Shaolin Carcará (2022)


Outro jogo brasileiro, criado pelo estúdio Mangangá Team e lançado em cartucho "2 em 1" junto com um jogo bem inferior de nome Irmãos Aratu. Shaolin Carcará é um bom jogo de ação / plataforma onde temos um "monge" lutando contra monstros clássicos de terror e outros que lembram levemente nosso folclore. O game é curto, com apenas 3 fases, mas é muito bem feito e com gráficos de arte pixelada. Ah, e também comporta 2 jogadores simultâneos. Como Shaolin Carcará 2 já está sendo desenvolvido, a ROM deste jogo pode baixada gratuitamente no site oficial dos desenvolvedores.


Tanglewood (2018)

Tanglewood é um jogo indie lançado por um grupo de desenvolvedores britânicos da Big Evil Corporation, e que recebeu muitos prêmios da crítica especializada. Trata-se de um jogo de plataforma, com vários "quebra-cabeças". Nele você controla Nymn, uma criatura parecida com uma pequena raposa, que se perdeu do seu grupo ao entardecer. Seu objetivo é chegar são e salvo até sua casa, sobrevivendo aos perigos da noite e as aventuras da manhã.

O jogo, como se pode ver nas imagens, é belíssimo. E lembra muito os grandes clássicos dos 16 bits dos jogos da Disney. Devido o alto número de prêmios recebidos, e atenção que recebeu da mídia especializada, Tanglewood foi responsável por impulsionar mais desenvolvedoras a criar novos jogos para o Mega Drive a partir de então.


Xeno Crisis (2019)


Lançado pela britânica Bitmap Bureau, o jogo de run and gun lembra clássicos como Smash TV, Alien Syndrome e Mercs. No jogo invadimos locais abandonados, matando centenas de alienígenas e resgatando humanos perdidos. Pode ser jogado em 1 ou 2 jogadores (muito divertido se jogado em dupla), e cada personagem têm a sua disposição diversos tipos de armamentos, sendo todos com tiro limitados (com exceção de sua faca).
 
O jogo tem gráficos bem coloridos e também conta com pixel art. É bem desafiador, com chefões gigantes, prometendo mapas e elementos randômicos. Seu lançamento original foi para o Mega Drive, Dreamcast, Nintendo Switch e Steam, porém depois ele também foi portado para o PlayStation 4, Xbox One e Neo Geo.


Paprium (2020)


E por fim... Paprium. Há um motivo para eu ter deixado ele por último da lista, contrariando a ordem alfabética. Paprium é a cereja do bolo, pela sua qualidade, raridade, e polêmicas...

A primeira e menor polêmica vem do fato de que ele tem gráficos tão elaborados, que para rodar no Mega Drive dentro do seu cartucho (sim, ele foi lançado em mídia física e até hoje só funciona 100% desta maneira) há um chip de processamento extra, chamado de "DT128M16VA1LT". Então com isso pode se dizer que o jogo "trapaceou" para rodar no Megão? Não necessariamente, já que o jogo de corrida Virtua Racing, lançado oficialmente pela SEGA em 1994, também tinha um chip de processamento extra dentro dele, o "Sega Virtua Processor" (SVP), e nem por isso houve na época qualquer contestação de que não seria um jogo legítimo do console.

Outra polêmica é sobre o produto entregue em si: Paprium, que também foi produzido pelo ambicioso estúdio WaterMelon, o mesmo do jogo Pier Solar, vendeu seu game via financiamento coletivo, no qual arrecadou quase 1 milhão de dólares. Após quase 8 anos de adiamentos, muitos compradores receberam seu jogo direitinho, porém muitos outros nunca receberam seu produto até hoje.

Além disso, existiram várias reclamações de usuários de que Paprium não rodava em seu Mega Drive. A WaterMelon retrucou dizendo que o jogo foi feito para rodar apenas em consoles nativos da SEGA e, de fato, a maioria das reclamações vinham de consoles mais novos produzidos por outras empresas, como por exemplo a Analogue, que se deu ao trabalho de lançar um firmware para corrigir o problema. Conforme este vídeo de gameplay feito por um brasileiro, o jogo rodou no Mega Drive modelo 1 da TecToy de 1992, e inclusive já automaticamente se configurou para o idioma Português. Em 2021 a WaterMelon lançou outra campanha no Kickstarter, agora para lançar seu Paprium no Steam, PlayStation 4 e 5, e Nintendo Switch. A promessa de entrega era pra Dezembro de 2022... mas até agora o jogo não saiu para nenhuma destas plataformas...

Polêmicas a parte, Paprium é um jogo de beat 'em up para 1 ou 2 jogadores, com gráficos e som espetaculares, e inspirado em Streets of Rage (principalmente) e Final Fight. Pode se dizer que as "homenagens" destes jogos foram até exageradas, pois há quem acuse que o visual de vários inimigos de Paprium foram "copiados" destes dois jogos. Ah sim: com sua chegada, Paprium superou Pier Solar e passou a ser o maior jogo do console em tamanho de dados: 80 megabits.

Os 5 personagens do modo "Original" e os 3 do modo "Arcade"

Para quem jogou Paprium, a análise é que o jogo é realmente bom, embora falte originalidade em termos de gameplay. O maior destaque fica mesmo para gráficos e som, estes sim acima de tudo que se espera para um console 16 Bits. O game pode ser jogado com o controle original de 3 botões, mas foi feito para ser jogado com o controle de 6 botões. São 5 personagens distintos para se jogar no modo "Original" (maior, mais difícil, e com direito a breves cutscenes) e outros 3 personagens para se jogar na versão "Arcade". Além dos tradicionais itens de "comida" para recuperar sua vida/energia, há também "pílulas" de uma substância que te deixa mais forte e aplicando apenas golpes especiais por um tempo bem limitado.

Ah... e lembram que eu disse acima que o jogo só funciona 100% em mídias físicas? Pois é... mesmo tendo sido lançado em 2020, até hoje não conseguiram emular ele direito. Depois de muito esforço da comunidade gamer, somente no final do primeiro semestre de 2025 conseguiram realizar o feito... mas com restrições. A emulação de só funciona em um RetroArch modificado, e ainda assim, com alguns pequenos bugs gráficos e principalmente sonoros.



PS (jogo bônus): a imagem que aparece no título deste artigo não é de nenhum dos quinze jogos da lista, e sim do ainda inédito jogo Earthion, cujo lançamento para o Mega Drive, incluindo em mídia física, está previsto para 2026. O jogo foi lançado em Julho de 2025 na Steam, e em Setembro de 2025 para PlayStation 4 e 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

O grande diferencial de Earthion é que sua trilha sonora é feita por Yuzo Koshiro, lendário compositor e produtor de músicas de videogames, responsável pela trilha sonora de dezenas de jogos, dentre elas os das séries Ys, The Revenge of Shinobi e Streets of Rage. Ainda assim, o brilho de Earthion não deve ficar só na música... seus gráficos prometem ser excepcionais, e com uso incrível de efeitos parallax.

Crítica Netflix - One Piece: A Série - Primeira Temporada

Em geral as adaptações live-action ocidentais de mangás são verdadeiros lixos. Portanto, fiquei bastante resistente ao me arriscar em assi...