quinta-feira, 9 de abril de 2026

Crítica Netflix - The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa


Paulinho da Costa é o músico brasileiro mais famoso que você não conhece. E um gênio. Ele já trabalhou, por exemplo, com Michael Jackson, Madonna, Whitney Houston, Prince, Stevie Wonder, Celine Dion, Bee Gees, Red Hot Chili Peppers, dentre muitos outros. Aliás, muitos mesmos: conforme o texto final do documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, foram mais de 970 artistas diferentes em mais de 6700 canções. As músicas que Paulinho participou totalizaram 161 indicações ao Grammy (com 59 vitórias) e 12 indicações ao Oscar (somando as categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original).

O carioca Paulinho da Costa é um percussionista, certamente um dos melhores que já existiu; segundo a própria definição do documentário a percussão são as batidas... os sons produzidos através do impacto ou fricção de objetos; ou ainda, a percussão é o groove... aquele ritmo repetitivo e envolvente que te dá vontade de dançar. Desde o finalzinho do século XX muito do trabalho dos percussionistas foi substituído pelas trilhas eletrônicas. O que aliás me faz questionar se não é por isso que não se fazem mais grandes clássicos como antigamente...

Lançado no mês passado na Netflix, como filme The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa não chega a brilhar, principalmente pois ele parece perdido no tempo: composto basicamente de entrevistas curtas onde músicos famosos elogiam Paulinho, nota-se que elas estão um bocado datadas, gravadas há uns 10... 5 anos atrás. É como se o documentário estivesse engavetado há tempos, e estivessem esperando uma desculpa para lançá-lo. Ah, e curiosamente, mesmo sendo um filme nacional, ele é em sua maioria falado e narrado em inglês.

Bem, a "desculpa" veio, e é muito boa: foi anunciado em 2026 que Paulinho será uma das pessoas que receberá uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. A cerimônia será no final de Maio, e ele será o primeiro brasileiro a receber esta homenagem (*)!! 

Porém se como "filme" The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa não é tão bom, musicalmente ele certamente vale a pena. Pois ouvimos na prática muito do seu trabalho, conforme sua história é contada. No meio do filme há um depoimento da Ivete Sangalo, onde ela comenta que quando criança, ela pegava os encartes de discos famosos internacionais, e via em muitos deles um tal de "Paulinho da Costa", e o tempo todo exclamava admirada... "gente, esse cara é brasileiro!". E eu passei exatamente por isso, quando criança, ao ler os encartes de Thriller e Bad, de Michael Jackson. Mas se neste filme Bad não é citado, vemos (e ouvimos) na prática Paulinho e Quincy Jones mostrar como nosso brasileiro criou várias das batidas de sucesso dos álbuns Off the Wall e Thriller. Muito impressionante!

E se removermos a parte musical do filme, que certamente é sua melhor parte, o destaque vai para a pessoa que é Paulinho da Costa: apesar de sua importância e genialidade, sempre uma pessoa humilde, sempre alegre, com um enorme sorriso no rosto. Ele provavelmente é o maior embaixador da música brasileira de todos os tempos!

Para quem gosta de música pop e/ou música brasileira, The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa é obrigatório; não pela qualidade como filme, mas pelos seus sons e por referenciar um dos nossos maiores músicos de todos os tempos.


(*): fica a observação que Paulinho da Costa será oficialmente o primeiro brasileiro a ganhar uma estrela na Calçada da Fama, mas que Carmem Miranda recebeu sua estrela lá em 1960; embora nascida em Portugal e nunca tenha se naturalizado brasileira, nossa "Pequena Notável" veio para o Brasil com apenas 10 meses de vida e sempre se considerou brasileira.

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