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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Conheça os jogos de cartas da Button Shy que cabem literalmente dentro da carteira (até porque a carteira vem junto com o jogo!)


A empresa Button Shy é uma pequena publicadora de jogos de tabuleiro estadunidense criada pelo designer Jason Tagmire, cuja especialidade é fazer jogos do tamanho pocket (de bolso). E eles levam essa história de "bolso" ao pé da letra, já que a grande maioria de seus produtos compõe a linha Button Shy's Wallet Games (ou seja, "jogos de carteira" da Button Shy), que cabem dentro de uma pequena carteira (inclusa no produto) para se levar no bolso do jogador.

A linha Button Shy's Wallet Games já conta com quase 150 jogos (e você pode ver a lista deles aqui), e eles possuem algumas características em comum: são compostos apenas de cartas de tamanho "padrão" (63,5x88mm) de alta qualidade, em geral entre 9 a 18 cartas, sendo a grande maioria 18; a embalagem do jogo é uma pequena carteira(!) de vinil (PVC), conforme se pode ver na imagens deste artigo, tornando o produto ultra-portátil.

Como curiosidade, a escolha por jogos de 18 cartas não é aleatório; em uma gráfica profissional, na folha usada para impressão, cabem 9 cartas distintas. Produzir cartas em múltiplos de 9 torna a fabricação mais barata e evita desperdícios.

Trazendo um gato para deixar o artigo "fofo" e ficar mais claro o tamanho dos jogos

Aqui no Brasil, o primeiro jogo da linha Button Shy's Wallet Games foi Sprawlopolis, um dos grandes sucessos desta publicadora, em Agosto de 2020 pela editora Funbox. De lá pra cá, a "casa" brasileira dos jogos da Button Shy mudou, e agora quem publica os jogos da linha Wallet no Brasil é Across the Board. Somando Funbox e Across the Board, tivemos até hoje no total quatro jogos da Button Shy's Wallet Games publicados por aqui: Sprawlopolis, Caveiras de Sedlec ("Skulls of Sedlec" no original), Campos de Arroz ("Seasons of Rice" no original) e Ilha dos Predadores ("Food Chain Island" no original).

E agora, vamos conhecer OITO dos jogos "de carteira" da Button Shy!



Sprawlopolis (2018)


Vamos começar por aquele que, como já dito, foi o pioneiro no Brasil, e provavelmente é o card game mundialmente mais famoso desta coleção; trata-se de Sprawlopolis, que também é o jogo melhor avaliado dentre todos da Button Shy no BoardGameGeek (BGG).
 
Sprawlopolis é um jogo cooperativo para 1 a 4 jogadores, onde o objetivo é construir uma cidade fazendo o maior número de pontos. Cada uma das 18 cartas possui de um lado alguns quarteirões da cidade, e de outro, uma missão distinta, que te dará alguma regra que precisará ser alcançada para ganhar (ou perder) pontos. Para jogar, você escolhe aleatoriamente 3 cartas de missão, e terá que combinar as 15 cartas restantes de modo a formar uma cidade tentando cumprir as missões, de modo a fazer o maior número de pontos possíveis.

Com o passar dos anos, novos jogos e independentes da família "opolis" foram lançados, como por exemplo Agropolis (2021), Naturopolis (2023) e Casinopolis (2025). A versão de Sprawlopolis atualmente vendida no Brasil pela Across the Board já vêm com 6 mini expansões inclusas, e com isso, ao invés das tais 18 cartas, o jogo traz 41 cartas no total. Quase não cabe na carteira que acompanha o jogo rs.


Ancient Realm (2023)


Vamos ao primeiro jogo exclusivamente para um jogador (ou seja, "solo"), desta lista. Trata-se de Ancient Realm, onde seu objetivo é fazer o maior número de pontos para desta maneira, construir a melhor civilização ao longo da História. Das 18 cartas do jogo, 4 são de recurso, 7 são de "distrito" e 7 são cartas de "maravilhas".

O game é jogado com 3 linhas de cartas, na primeira ficam os edifícios que você de fato já construiu, a segunda linha mostra o mercado, e na terceira ficam os recursos. Ao começar o jogo, na segunda linha você coloca o monte de 7 distritos à sua esquerda, o monte de 7 maravilhas à sua direita, revela 2 cartas de cada monte e começa a partida. Para "construir" uma carta, é necessário pagar os recursos pedidos; e como faz para repor recursos? Veja que cada carta possui 3 (carta de distrito) ou 2 seções (carta de maravilha): e ao construir uma nova carta você "pode encobrir" parte de uma carta já construída e assim disparar ações, ganhando bônus e recursos. É como se sua civilização fosse evoluindo ao longo do tempo sob os escombros das construções antigas.

Ancient Realm é bastante elogiado por permitir uma grande quantidade de possibilidades/decisões para o jogador a cada turno. Por isso, para o jogador casual, o game base já é mais que o suficiente. Porém jogadores que jogam "muito" o Ancient Realm dizem que o jogo vai ficando mais fácil com o tempo pois você já sabe quais serão as cartas que virão no futuro. É aí que entra uma das mini expansões, a Monuments & Misfortunes, que traz 6 novas cartas de distrito. Pelas regras desta expansão, você aleatoriamente tira 3 cartas de distrito do jogo base e coloca aleatoriamente 3 cartas novas. Desta maneira o fator previsibilidade acaba e a rejogabilidade aumenta muito!


Death Valley (2021)


Death Valley é um jogo para 1 ou 2 jogadores onde cada jogador representa um viajante que está atravessando esta região desértica da Califórnia. Cada uma das 18 cartas possui um "poder" que diz como faz para pontuar no final da partida, que em geral se refere a conseguir colocar cartas de um determinado tipo em uma posição específica.

Cada carta possui um tipo de "perigo" associado (montanha, animal, sol ou água), e se em algum momento um jogador tiver em jogo 3 cartas do mesmo tipo, sua jornada "estoura", e então acontece um evento com certas regras que, na prática, fazem que a maioria de suas cartas da mesa voltarem para a pilha de pesca.

Em seu turno, o jogador pode "continuar sua jornada", pegando uma nova carta do monte e a adicionando na linha superior do seu grid, ou pode "descansar"; o ato de descansar significa abaixar uma das cartas da linha de cima para a linha de baixo e após isso esconder (colocar embaixo) quantas outras cartas da linha de cima abaixo da carta que você acabou de descer, tirando-as do jogo (esconder é opcional). Note que esconder cartas é uma das maneiras que você tem para evitar o "estouro" de 3 cartas do mesmo tipo.


The Last Lighthouse (2024)


The Last Lighthouse é um jogo solo de 18 cartas do designer Scott Almes, o mesmo criador de todos os jogos da famosa franquia Tiny Epic. No jogo temos que defender um farol do ataque de "pesadelos". Quando a parte azul está para cima, o pesadelo (e seu poder) está ativo, e quando a parte dourada está para cima, a carta vira uma "armadilha", usada para matar os pesadelos.

A cada turno você ataca os pesadelos, e depois, eles te atacam. Novas cartas são pescadas do monte ou por sua opção, ou devido ao efeito de alguma das cartas. Cada vez que um pesadelo consegue atacar o farol, a maré sobe um nível. Caso a água da maré encubra o farol, você perde o jogo; mas se o monte de cartas acaba e o farol não foi encoberto, parabéns(!), você sobreviveu e venceu a partida!

O jeito que você configura as cartas no começo da partida faz variar sua dificuldade em até 4 níveis. No nível "normal" você começa com 2 cartas de pesadelo e 2 cartas de armadilha já abertas na mesa.

Dentre os vários jogos exclusivamente para um 1 jogador da linha Wallet Games - inclusive Scott Almes fez vários deles - The Last Lighthouse é um dos mais elogiados. Certamente sua temática me interessa bastante.


Shallow Regrets (2025)


Shallow Regrets é um card game de 18 cartas que se trata de uma versão super simplificada de um jogo maior de tabuleiro, o Deep Regrets. Ambos foram criados e ilustrados pelo escocês Judson Cowan, que além de trabalhar com boardgames, também é publicitário, e compositor de músicas para videogames e comerciais... ou seja, um Leonardo da Vinci de nossos tempos rs.

No jogo, que roda de 2 a 3 jogadores, você é um pescador... porém ao pescar não necessariamente vai obter peixes... estamos em uma "pescaria de terror" e você pode pescar as mais estranhas criaturas. Em cada turno o jogador pesca 2 cartas e escolhe 1 delas para coletar. Cada carta-criatura possui um poder especial, quantidade de pontos (que pode ser negativo), e também um número de anzóis. Para pegar peixes maiores, você precisa ter posse de mais anzóis; e às vezes, quem te dá mais anzóis são os peixes que te dão pontos negativos... ou seja, você sempre tem que equilibrar pontuação com sua capacidade de pescar, e também ficar de olho se os poderes dos adversários não irão te prejudicar...

O jogo é bem divertido e embora tenha sido lançado recentemente, no 2º semestre do ano passado, já conta com 2 mini expansões. Uma delas, a Lingering Remorse, traz 6 novas criaturas marítimas e com isso permite jogar Shallow Regrets em 4 jogadores. Entretanto, arrisco a dizer que jogar Shallow Regrets com esta expansão e em 3 jogadores é sua melhor configuração.


Stew (2019)


Neste outro jogo de 18 cartas, agora para 2 a 4 jogadores, o objetivo é adivinhar quantos pontos de comida foram colocados na panela onde fazemos um "ensopado" (stew). Primeiro se separam as 5 cartas de animais, que ficam em aberto na mesa para todos verem. Cada animal come um tipo específico de alimento. Então em cada turno, cada jogador pega uma carta do monte, olha, e opta por colocar a carta, ainda fechada, em uma pilha central (que é a "panela do ensopado"), ou em cima de um animal, "alimentando-o", e deixando ele de fora da rodada.

A qualquer momento um jogador pode gritar "Stew", e quando isso acontecer, a rodada acaba e as cartas na "panela" são reveladas. Conforme as cartas são reveladas, os animais ainda ativos, se aplicável, são alimentados com seu específico tipo de comida. Conta-se então os pontos das cartas que sobraram no ensopado. Se a pontuação for igual ou maior que 12, o jogador que gritou "Stew" ganha 2 pontos; caso contrário ele não ganha nada e todos os demais ganham 1 ponto.

Vence a partida o primeiro jogador a atingir 5 pontos. O jogo é bem rápido, dinâmico, simples e divertido.


Tussie Mussie (2019)


Continuando com jogos de designers famosos, Tussie Mussie é um jogo criado por nada menos que Elizabeth Hargrave, a mente responsável pela criação do ótimo e bastante popular Wingspan. Seu jogo de 18 cartas, para 2 a 4 jogadores, possui uma mecânica simples porém bem interessante.

O tema do jogo é "dar flores para alguém". A partida é jogada em 3 rodadas. No começo de cada uma delas as cartas são embaralhadas e o monte é colocado fechado na mesa na frente dos jogadores. Na sua vez, cada jogador pega as duas cartas do topo do baralho e as oferecem, uma virada para cima e a outra para baixo, a um oponente. Esse oponente fica com uma, deixando a outra para o jogador que comprou as 2 cartas. Isso se repete até todos os jogadores tiverem 4 cartas, quando a rodada termina e os pontos são somados.

Cada carta de flor, claro, possui um poder próprio que dá mais ou menos pontos combinando com as outras cartas. E como curiosidade, além de cada carta trazer o nome e imagem de uma flor real, ela também traz uma breve descrição do significado que é presentar esta flor para uma pessoa. Por exemplo, uma rosa "vermelha" significa "eu te amo", e uma rosa "rosa" significa "amizade".

Tussie Mussie é outro jogo bem avaliado no BGG, e até pelo seu sucesso, já possui 5 mini expansões, sendo que 2 delas transforam o jogo em um game solo.


Caveiras de Sedlec (2020)


Encerro a lista com um jogo que também saiu no Brasil, mas que ao contrário de todos os outros mostrados até agora, infelizmente por aqui ele não saiu no formato "carteira", e sim em uma pequena caixa. Mas ok, há um bom motivo para isso: junto com as 18 cartas do jogo base, vieram todas as 10 expansões já feitas para o Caveiras de Sedlec, com isso o produto nacional totaliza 68 cartas, que só  iriam caber mesmo dentro de uma caixinha.

Dentre todos os jogos da Button Shy, ele é o segundo melhor rankeado no BGG. De 1 a 4 jogadores, inicialmente as cartas são embaralhadas e divididas em 6 pilhas, para serem compradas. Então os jogadores vão pescando estas cartas e montando à sua frente, cada um o seu próprio "ossuário" com as cartas coletadas, em disposição de uma pirâmide. Após as "pirâmides" estarem formadas, os jogadores verificam seus pontos e jogo acaba. Cada caveira dá uma quantidade de pontos dependendo de sua posição na pirâmide, ou de qual for sua adjacência, ou da quantidade de caveiras do mesmo tipo, etc.

Ah, e o nome Sedlec vem do Ossuário de Sedlec, uma igreja real da República Checa, cujo interior está decorado com mais de 50 mil esqueletos!



Se interessou? Jogue você também!

E se você por acaso acha que jogos de 18 cartas são jogos simples demais, que correm o risco de ter pouca rejogabilidade, sem problemas! Saiba que muitos dos jogos da Button Shy possuem expansões. Cada jogo costuma ter mais de uma expansão, e cada uma delas costuma trazer de 3 a 6 novas cartas. TODOS os jogos que apresentei acima neste meu artigo possuem mais de uma expansão. ;)

Gostaria muito que os jogos da Button Shy continuassem a chegar no Brasil. Todos os oito que apresentei não apenas despertam bastante meu interesse de compra, como são melhores que vários jogos pequenos lançados por aqui. E caso você não queira esperar, ainda há uma opção de obter estes jogos de modo oficial, porém apenas em inglês.

Até recentemente era possível comprar via site PNP Arcade praticamente todos os jogos da Button Shy. O "PnP" vêm de Print-and-Play, ou seja, imprima na sua casa e jogue. Cada jogo custava US$ 3,00 e cada expansão US$ 1,00. Após comprar (via cartão de crédito), o site imediatamente te disponibilizava a cópia do jogo em pdf para você imprimir e jogar. Porém, desde o dia 30 de Janeiro deste ano, o site deixou de hospedar (e vender) qualquer jogo PnP de qualquer empresa...

Com isso a Button Shy passou a vender seus jogos PnP via plataforma Itch.io. Os preços e modo de pagamento continuam o mesmo, porém, no momento em que escrevo estas linhas a quantidade de jogos disponíveis lá para compra é pequena. A promessa é que, aos poucos, todas as centenas de títulos que estavam disponíveis na PNP Arcade fiquem disponíveis para venda na Itch.io também. Para mim um PnP não substitui a versão física feita por uma editora profissional... de qualquer forma, já serve para ir conhecendo os jogos e ir se divertindo.



E aí, o que achou da linha editorial dos jogos da Button Shy? Achou uma boa idéia? Pretende comprá-los? Escreva nos comentários!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #051 - Relembrando o filme hollywoodiano do jogo de tabuleiro Detetive, lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas!


Talvez os mais novos já não o conheçam... mas quem não é tão novo certamente conhece o famoso jogo de tabuleiro Detetive, publicado no Brasil pela Estrela, que por sua vez é uma cópia de um jogo criado em 1943 pelo britânico Anthony E. Pratt. Lá o nome deste jogo é Cluedo, e nos EUA o jogo se chama Clue (hoje o Clue original também é vendido no Brasil, pela Hasbro).

Pode parecer estranho, mas Hollywood tinha o interesse em fazer um filme sobre este jogo desde a década de 70. O projeto começou a tomar forma no começo dos anos 80, quando o diretor John Landis (de The Blues Brothers, Um Tira da Pesada 3, e do clipe Thriller de Michael Jackson), que ficou muito entusiasmado com o filme, foi contratado para dirigi-lo. Tanto ele quanto os produtores queriam que Clue tivesse um tom de comédia.

Roteiros foram escritos mas... sempre havia um problema: ninguém sabia como terminá-los. Montar uma trama de assassinato revelando de maneira crível e interessante o assassino apenas no final não era a especialidade dos roteiristas de filmes. Landis teve então a ideia de chamar o inglês Jonathan Lynn para o roteiro: ele era o escritor da série de comédia Yes Minister, da BBC2, que embora fosse sobre política, cada episódio envolvia múltiplas tramas e personagens. Lynn topou e depois de um roteiro pronto, a pedido de John Landis foram feitos QUATRO finais distintos para a trama, com cada um revelando um assassino diferente.

Calma que os perrengues ainda não terminaram. Como o roteiro demorou muito para ser finalizado, o diretor John Landis, que já estava com contrato assinado para dirigir o filme Os Espiões que Entraram numa Fria (1985), simplesmente "abandonou" a produção, deixando Jonathan Lynn como o diretor, e virando um ausente produtor executivo.

Eileen Brennan, Michael McKean, Martin Mull, Christopher Lloyd, Madeline Kahn, Lesley Ann Warren e Tim Curry. A idéia de usar elenco estrelado para filmes de assassinato não começou com a franquia "Entre Facas e Segredos" (Knives Out)

O filme Clue estreou nos cinemas estadunidenses em Dezembro de 1985 (no Brasil o filme teve o nome traduzido para Os Sete Suspeitos), e do jogo de tabuleiro, faz questão de trazer seus personagens (Coronel Mustard, Senhora White, Professor Plum, etc), as "armas" clássicas (o castiçal, a adaga, etc), e os locais (Cozinha, Escritório, Salão de baile, etc).

Porém o mais impressionante é que o filme foi de fato lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas. E como isso funcionava? Nos cinemas (e em algumas cidades, também nos anúncios impressos nos jornais) havia a indicação de qual era o final que estaria sendo exibido naquela sessão (“Final A”, “Final B” ou “Final C”).

A expectativa do estúdio é que esta novidade atraísse ainda mais o público, e que pessoas até assistissem o filme mais de uma vez, para ver os outros desfechos... Porém o resultado foi o contrário. Clue teve recepção fria dos críticos e fracassou nas bilheterias, arrecadando US$ 14 milhões, o mesmo que custou para produzi-lo. Uma das "explicações" para o fracasso, segundo os produtores do longa-metragem, é que na prática as pessoas olhavam as 3 opções de finais, não sabiam qual escolher, e então optavam por não ver nenhuma delas.

Curiosamente, anos depois, quando o filme chegou até a casa das pessoas via videocassete, e com os 3 finais já inclusos na mesma fita, Clue passou a agradar o publico, e acabou recebendo status de filme cult

Ah, e lembram que eu disse que foram feitos QUATRO finais para o filme? Eu não errei na conta não... Mas então por que só houve o lançamento de três deles? Aí as respostas divergem. Segundo Jonathan Lynn, o estúdio achou que o final era bem pior que os outros, então resolveram não lançá-lo; já o ator Tim Curry, que interpretou o mordomo Wadsworth, e que no caso era o assassino nesta quarta versão, diz que a decisão de não lançar este final era porque o mordomo ser o culpado era "óbvio demais", então não quiseram arriscar a serem criticados por isso.

E para encerrar essa curiosa história, assim como sempre houve pessoas interessadas em lançar Clue para os cinemas, o mesmo acontece para a TV. Há alguns anos o projeto existe e está em desenvolvimento. A notícia mais recente é que agora ele está nas mãos do streaming Peacock, com data mais provável de lançamento para 2027.

Trechos respectivamente exclusivos dentro dos Finais "A", "B" e "C"




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

sábado, 28 de junho de 2025

NOVE ótimos jogos de Carta ou Tabuleiro que conheci na Covil-Con e DOFF 2025


Tenho falado pouco sobre Jogos de Tabuleiro aqui no Cinema Vírgula... tirando o artigo que fiz este ano no Dia Internacional da Mulher, antes disto só tinha escrito algo a respeito em Fevereiro de 2024(!). Portanto, resolvi trazer aqui alguns jogos que conheci recentemente nos eventos da Covil-Con 2025 e Diversão Offline 2025 (vulgo DOFF) e apresentá-los a vocês, já que gostei muito.

Ah sim. A relação abaixo tem mais algumas particularidades: só listei jogos que já foram lançados no Brasil, e que além disto, para dar um ar maior de "novidade" à lista, que foram publicados aqui no ano passado ou neste ano de 2025. Vamos a eles!



Everdell Farshore (2 a 4 jogadores, Galápagos Jogos)


Jogo derivado do queridinho e muito bem sucedido Everdell, aqui também temos um jogo que ao mesmo tempo une alocação de trabalhadores com coleção e construção de cartas. Se em Everdell você coleciona trabalhadores e construções com tema de floresta, em Everdell Farshore o tema é marítimo. O jogo é belíssimo e requer certo espaço na mesa. É um game onde se usa bastante estratégia, não é para iniciantes mas também não é muito complexo, ou seja, um jogo médio e ao mesmo tempo muito gostoso para jogar.

Nunca joguei o Everdell original, mas quem jogou diz que o Everdell Farshore é melhor que ele, porém inferior ao Everdell quando acrescido de algumas expansões. O jogo custa cerca de R$ 370 na versão "normal" (com componentes de papelão) e cerca de R$ 750 na versão para colecionador (com componentes de plástico, como no da foto acima).


Faraway (2 a 6 jogadores, Across the Board)


Jogo de cartas quadradas bem bonitas com tema de civilizações mesoamericanas, na partida cada jogador terá que escolher e baixar 8 cartas, tentando fazer o maior número de pontos possíveis. As cartas podem dar pontos, desde que os requisitos de recursos sejam cumpridos. E aí vem onde o jogo é diferente: os recursos são válidos em ordem inversa que você baixa as cartas. Ou seja, se você quiser que um recurso seja válido para as suas 6 primeiras cartas, você deverá baixá-lo como sendo a 7ª carta. Em outras palavras, para pontuar bem, você baixa cartas que dão muitos pontos e necessita vários recursos nas primeiras rodadas, e aí sai correndo atrás destes recursos nas rodadas seguintes, sem ter a garantia de que vai consegui-los. Parece complicado, mas não é. O jogo é "diferentão" e divertidíssimo. Seu preço? Cerca de R$ 130.


Finspan (1 a 5 jogadores, Grok Games)


Outro um jogo da família do excelente e famoso Wingspan (2019), que você coleciona aves. Em 2024 foi lançado o Wyrmspan que ainda não joguei, que você coleciona dragões. Já aqui em Finspan você coleciona... peixes! Dos três jogos citados, Finspan é o mais barato, de regras mais simples e de menor duração, embora que tanto em tempo como em complexidade, a diferença entre eles não é tão grande.

Finspan é muito gostoso de jogar, e igualmente como seus irmãos, fica muito bonito na mesa. A mecânica de "mergulhador" para explorar o oceano casa bem com o tema do jogo e o "fator sorte" agora praticamente não existe, o que me agrada. Como único defeito, o tabuleiro para cada jogador ocupa um espaço considerável. Portanto, principalmente se você for jogar em 3 ou mais jogadores, vai precisar de uma mesa grande. O jogo pode ser comprado por cerca de R$ 340.


Intarsia (2 a 4 jogadores, Across the Board)


Trata-se da nova empreitada de Michael Kiesling, o designer criador do jogo de tabuleiro Azul (e de suas várias variações). Aqui continuamos a escolher e colocar peças em nosso tabuleiro, porém ao invés de montar um belo vitral, nossa missão é finalizar o chão de nossa cafeteria francesa. Como grande novidade, além da pontuação quando se colocam novas peças no tabuleiro, há uma corrida por pontos cumprindo dezenas de fichas-missões, que ficam a disposição para todos os jogadores. O jogo deverá estar disponível nas lojas a partir de Julho, por volta de R$ 350.


Mala & Cuia (2 a 6 jogadores, Grok Games)


O primeiro jogo nacional da lista é um party game que pode ser jogado tanto em modo cooperativo como competitivo. Em ambos os casos, o seu objetivo é o seguinte: adivinhar, dentre todos os itens que estão sorteados na mesa, 4 que seu adversário iria levar em uma situação inusitada que é lida na carta de "missão" da rodada. O jogo rende muitas risadas e surpresas, claro. Foi lançado e esgotado durante o DOFF, mas em breve chegará as lojas novamente, pelo preço de R$ 150.


Mesos (2 a 5 jogadores, Grok Games)


Apesar de ser um jogo que tem basicamente apenas cartas como componentes, é como se ele fosse um jogo de tabuleiro, da escola européia (estratégia, administração de recursos). Aqui cada jogador é o líder de uma tribo pré-histórica do mesolítico e tenta evoluí-la. O mais legal do jogo é esta trilha ao centro da imagem acima, que decide a ordem em que os jogadores poderão comprar novas cartas. Veja: como as compras ocorrem da esquerda para a direita, quem compra primeiro (pode escolher as melhores cartas) compra um número menor de cartas de quem compra por último (que ficou com as "cartas que sobraram"). O jogo possui regras e iconografia simples, mas é um pouco desafiador. Por exemplo, ele pode ser punitivo: se você não tiver recursos suficientes para alimentar toda sua população ao final de cada rodada, perderá pontos.


Seas of Strife (3 a 6 jogadores, Grok Games)


O primeiro jogo de vazas da lista, é um jogo de 1992, repaginado em 2015, mas que só chegou no Brasil neste mês, mesmo tendo a fama de ser um dos melhores jogos de vazas de todos os tempos. Ele possui 8 naipes distintos, sendo que o naipe vencedor pode mudar ao longo da rodada (ah, seu objetivo é perder as vazas). Porém o verdadeiro diferencial do jogo é uma regra opcional, a "regra da carta face", também conhecida como "regra da neblina". Nesta regra, quando a carta mais alta de um naipe é jogada, todas as cartas deste naipe ficam de fora, o que causa muitas reviravoltas. Quando jogado com esta regra, o jogo fica realmente muito bom. Seas of Strife chegou ao Brasil ao preço de R$ 105.


Sky Team (2 jogadores, Galápagos Jogos)


Costumo não gostar de jogos cooperativos e nem de jogos exclusivos para 2 pessoas. Sky Team é as duas coisas e ainda assim me impressionou muito positivamente. Bastante temático, "real", difícil e emocionante. No jogo um piloto e um copiloto têm a missão de pousar um avião comercial nos mais diversos aeroportos do mundo. E fazem isto através de rolagem de dados, muita estratégia e comunicação limitada com sua dupla. Joguei apenas uma partida e fiquei encantado. Mas não foi só eu: quando a Galápagos trouxe o jogo para o Brasil, ele esgotou nas lojas rapidamente graças a seu sucesso. Uma nova tiragem chegou recentemente, e atualmente pode-se encontrar o jogo por R$ 220.


Vazerneiros (3 a 5 jogadores, Grok Games)


Mais um jogo de produção nacional, e outro jogo de vaza da lista. Com tema de fantasia medieval, são acrescentadas à partida alguns modificadores que a tornam bem mais divertida e estratégica. Primeiro, que em cada rodada, são sorteados 3 "rumores", que são cartas que alteram regras da vaza e/ou da pontuação daquela jogada. Só que para decidir qual dos rumores irá entrar em vigor, os jogadores fazem um leilão, apostando (ou não) suas cartas mais fortes. Outro modificador são as poções, limitadas, que quando usadas, podem alterar o valor de uma carta jogada. Mais um jogo bem divertido que vale a pena ser conhecido. Preço: R$ 85.



PS: notem que na minha lista não apareceu nenhum dos 6 jogos que aparecem na imagem-título deste artigo rs. Porém, aqueles 6 tem algo em comum: todos são lançamentos mundiais recentes, e 3 deles já chegaram no Brasil! São eles: SETIO Senhor dos Anéis: Duelo pela Terra Média, e Fishing. Pesquise sobre eles também se tiver interesse :)

sábado, 8 de março de 2025

Especial Dia Internacional da Mulher: CINCO jogos de tabuleiros modernos feitos por mulheres e que são sucessos mundiais!

8 de Março! Dia Internacional da Mulher! E novamente temos artigo especial aqui no Cinema Vírgula! Porém ao invés de trazer uma "mini-biografia" de alguma mulher memorável, como já fiz das incríveis Hedy LamarrRoberta Williams ou Lucille Ball, desta vez apresento jogos de tabuleiro modernos para vocês conhecerem e se divertirem.

São cinco jogos bem diferentes entre eles, cada um de uma designer mulher distinta, todos bastante conhecidos mundialmente, e que também podem ser comprados em lojas especializadas aqui no Brasil. Vamos a eles!


Wingspan (2019, Elizabeth Hargrave)

Começando pelo jogo que continua sendo um dos mais populares da atualidade, criado pela estadunidense Elizabeth Hargrave, que estreou no mundo dos boardgames lançando justamente este Wingspan. Seu jogo rapidamente virou um grande sucesso, e hoje já ultrapassou a marca de de 2,4 MILHÕES de cópias vendidas no mundo todo. 

Wingspan é um jogo onde você coleciona pássaros, e o faz através de compra de cartas e gestão de recursos, que são ovinhos e "comidinhas" como insetos e peixes. O jogo é muito bonito, e apesar da dificuldade média (não é tanto para iniciantes), certamente agrada todos os gostos e gêneros.

A foto título deste artigo nos mostra Elizabeth Hargrave recebendo por Wingspan o prêmio do Kennerspiel des Jahres 2019, equivalente ao "Oscar" dos Jogos de Tabuleiro na categoria "Jogo Expert do Ano".

Wingspan joga de 1 a 5 jogadores, com cada partida durando cerca de 1h. O jogo custa cerca de R$ 550. Entretanto, existe uma versão mais barata do jogo, de nome Wingspan Asia, que é exclusiva para DOIS jogadores e custa menos de R$ 300.


Salada de Pontos (2019, Molly Johnson)

Agora vamos com um jogo mais leve, bastante premiado internacionalmente e diversão para toda a família. Trata-se de Salada de Pontos, feito pela estadunidense Molly Johnson em pareceria com mais outros dois criadores.

Salada de Pontos é um jogo de seleção de cartas rápido, simples e divertido para toda a família. Ele funciona assim: em cada rodada, você pode escolher dentre as opções da mesa (ver foto acima) pegar uma carta de pontuação, ou duas cartas de vegetais (e assim que você as pega, o grid de cartas é reposto com novas cartas). O "desafio" do jogo é que as cartas de pontuação podem dar pontos positivos ou negativos de acordo com determinados vegetais, e as vezes também as opções que estão disponíveis na mesa não são as melhores para os vegetais que você já tem. Na prática, tudo acaba sendo muito dinâmico e estratégico, com você tendo que fazer combinações de regras e vegetais que te favoreçam e ao mesmo tempo impeçam que outro jogador consigam cartas que poderão ser útil para ele.

Salada de Pontos joga de 2 a 6 jogadores, com cada partida durando cerca de 20 min. O jogo custa cerca de R$ 90 e vem dentro de uma caixinha metálica.


EXIT (2016 a 2025, Inka Brand)

A alemã Inka Brand é responsável, junto com seu marido Markus Brand, pela maior franquia de jogos de "Escape Rooms de bolso" do mundo todo. Trata-se da série EXIT, da qual já comentei aqui no Cinema Vírgula anos atrás.

Internacionalmente já foram lançados mais de 40 jogos diferentes desta série, sendo que aqui para o Brasil a editora Devir já trouxe pouco mais da metade deles: 24. Os temas são diversos. Por exemplo, os dois primeiros jogos da série se chamam EXIT: O Jogo - A Cabana Abandonada (2016) e EXIT: O Jogo - O Laboratório Secreto (2016), mas também há jogos baseados em franquias famosas, como por exemplo EXIT: O Jogo - Senhor dos Anéis: Sombras sobre a Terra Média (2022) e EXIT: O Desaparecimento de Sherlock Holmes (2022). A foto acima é de componentes da versão do jogo do Sherlock Homes.

Cada edição do jogo nos traz uma história, onde os jogadores devem resolver uma série de enigmas em até 60 minutos, para evitar que "algo ruim aconteça". Tudo do jogo vêm em uma pequena caixa, onde temos geralmente alguns livretos, cartas e um disco de papel repleto de combinações que é usado como "guia" para os enigmas apresentados. Os desafios em geral são bem criativos, mas ao mesmo tempo bem difíceis. É um jogo que só pode ser jogado uma vez, já que geralmente você vai inutilizar (cortar) os componentes enquanto o joga.

Os jogos da série EXIT variam bastante de preço, custando em média R$ 130. O ideal é jogá-lo em 1 a 3 jogadores, e dificilmente você o terminará nos tais 60 minutos. Pode colocar 90 ou 120 min aí.


Qwirkle (2006, Susan McKinley Ross)

Qwirkle é um jogo que aparentemente demora para convencer as pessoas... afinal, embora tenha sido criado em 2006, só foi receber reconhecimento internacional em 2011, e só foi lançado no Brasil em... olhem só, ano passado, 2024! Porém, ele "demora" mas faz sucesso, já que já vendeu mais de 5 MILHÕES de cópias pelo mundo todo.

Criado pela estadunidense Susan McKinley Ross, neste jogo temos peças de 6 cores e 6 formatos diferentes, e a cada vez que colocamos um grupo deles na mesa, pontuamos pelo número de repetições de cor ou formato. Por exemplo, se na mesa já tenho 2 peças amarelas em linha, e em meu turno eu coloco mais 2 peças amarelas em seu lado, faço 4 pontos. Após isso reponho na minha mão as peças que gastei, e assim o jogo vai até que todas as peças se acabem.

O jogo é simples, para toda a família (inclusive crianças), roda de 2 a 4 jogadores e cada partida dura cerca de 30 min. Seu preço é de R$ 130.


As Ruínas Perdidas de Arnak (2020, Mín)

A designer checa Michaela "Mín" Štachová forma junto com seu marido Michal "Elwen" Štach a dupla "Mín & Elwen", sendo este jogo a maior criação deles até o momento.

Em As Ruínas Perdidas de Arnak somos aventureiros explorando terras selvagens em buscas de artefatos de civilizações antigas. O jogo é lindíssimo, com um tabuleiro gigante e repleto de cartas e componentes (que faz o preço do jogo ficar um pouco salgado, como veremos mais adiante).

Ele mistura as mecânicas de Alocação de Trabalhadores com Construção de Baralho, e apesar das regras consideravelmente simples, o jogo é bastante "apertado", sendo que em cada turno você tem poucas opções (recursos) disponíveis, e pontuar é difícil. Acaba sendo o jogo mais "pesado" (no sentido de complexidade) desta lista toda, bem estratégico, e reitero que suas regras não são difíceis de entender, o mais complicado mesmo é "dominar o jogo". Para quem gosta de jogos assim, ele é bem bacana e divertido.

As Ruínas Perdidas de Arnak joga de 1 a 4 jogadores, com cada partida durando cerca de 2h. O jogo custa cerca de R$ 600.


Jenga (1983, Leslie Scott) 

Achou que minha lista iria parar nos cinco jogos modernos?? Achou errado!!! Aqui vai um jogo extra. Jenga não é um jogo de tabuleiro moderno, mas não poderia deixar de ficar de fora neste Dia Internacional da Mulher.

Não preciso explicar pra você como Jenga funciona, pois você certamente já jogou esta pequena e divertida maravilha. Criado pela britânica (porém nascida na Tanzânia) Leslie Scott, mesmo com seu jogo sendo plagiado incontavelmente por aí, segundo matéria do The New York Times o Jenga original conta com mais de 90 MILHÕES de cópias vendidas pelo planeta.

Nas últimas décadas Jenga também foi vendido com outras versões especiais (e com regras/mecânicas adicionais), como por exemplo esta abaixo do Super Mario, de 2020. Infelizmente, nenhuma delas chegou ao Brasil.

Nas lojas brasileiras você consegue encontrar o Jenga original por cerca de R$ 100. Já os clones mal feitos dele, dá pra achar por menos de R$ 40.



E Feliz Dia Internacional da Mulher a todas as leitoras do Cinema Vírgula!

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Conheça a Oink Games e seus curiosos jogos de cartas / tabuleiro


A Oink Games é uma empresa japonesa de jogos fundada em 2010, e embora ela também tenha alguns  poucos jogos de videogames em seu catálogo (celulares e Nintendo Switch), seu grande foco e especialidade, desde seu nascimento, são os jogos de tabuleiro.

Falando sobre seus jogos de cartas e de tabuleiro, a Oink Games já lançou cerca de 50 jogos até agora, e apesar de ter lançado jogos em caixas de tamanhos diversos (mas sempre em caixas pequenas), e algumas vezes simplesmente licenciando jogos de designers estrangeiros (por exemplo estão com ela os jogos Modern Art, Stamps e Twins do famoso criador de jogos alemão Reiner Knizia), ela é mais conhecida pelos seus jogos em pequenas caixinhas retangulares (com cerca de 11cm de altura por 6,5 cm de largura), com design diferenciado e minimalista, e de criadores japoneses (ver a foto acima).

Abaixo apresento a vocês 5 destes joguinhos de caixinhas da Oink Games que conheço, em ordem crescente de data de lançamento.


Maskmen (2014)

Dos designers Jun Sasaki e Taiki Shinzawa, Maskmen é um jogo de carteado de Climbing ("escalada"), ou seja, que na sua jogada você precisa "matar" as cartas do jogador anterior, geralmente jogando uma ou mais cartas de valores maiores. Com temática de lutadores da Lucha Libre mexicana, e para 2 a 6 jogadores, o principal diferencial deste jogo é que a definição do "qual valor (cor) é mais forte que o outro" acontece durante as partidas. Bem bonito visualmente, Maskmen fez bastante sucesso no Brasil em 2022, com muita gente importando o joguinho e levando nas jogatinas.


Deep Sea Adventure (2014)

Um dos maiores sucessos comerciais da Oink, ultrapassando 200 mil copias vendidas internacionalmente, Deep Sea Adventure foi criada pelos designers Jun Sasaki e Goro Sasaki, e se trata de um caça-ao-tesouro no fundo do mar. De 2 a 6 "mergulhadores", onde cada jogador rola dois dados, desce cada vez mais fundo no oceano e decide ou não pegar um peça de tesouro... tendo que que voltar para o barco antes de que o oxigênio acabe. Só há dois "probleminhas": quanto mais tesouros você pega, mais pesado você fica, consumindo mais oxigênio; e a reserva de oxigênio é compartilhada... ou seja, se alguém é muito ganancioso, pegando muito tesouros, TODOS são prejudicados correndo risco de vida. É bem comum que todos os mergulhadores acabem sem oxigênio e não voltem a tempo com seus espólios para o barco rs. O jogo é rápido, simples, tenso e divertido. Digamos que é uma versão ultra simplificada de Clank! (2016). Deep Sea Adventure fez tanto sucesso que em 2021 a Oink Games lançou Moon Adventure, uma versão maior e mais elaborada de Deep Sea, com mais componentes.


Dungeon of Mandom VIII
(2017)

Este jogo de cartas é a versão seguinte de Dungeon of Mandom (2013), e apesar do nome estranho, é um jogo familiar para os brasileiros. Pois se trata do jogo que na Europa foi vendido como Welcome to the Dungeon (2013), e teve sua continuação como Welcome Back to the Dungeon (2016). As regras são as mesmas em todos os jogos. A diferença principal entre as versões (além do design / ilustração das cartas), é o número dos personagens. Se nos "Welcome" temos 4 opções de aventureiros cada, no Dungeon of Mandom temos apenas 1, e no Dungeon of Mandom VIII temos 8 (daí o nome). No jogo, cada jogador é um aventureiro de classe distinta, repleto de equipamentos, e que pretende explorar uma masmorra (dungeon). Primeiro os jogadores se revezam desafiando um ao outro para entrar no calabouço com menos equipamentos, que também vai se enchendo de monstros. Quando resta apenas um jogador que não fugiu do desafio, ele desce para a exploração, indo para o "tudo ou nada".

Criado por Masato Uesugi, e ampliado por Antoine Bauza, o jogo chegou ao Brasil sempre na versão Welcome to the Dungeon, em parceria com a editora francesa Iello, ou seja: em uma caixa maior, branca, totalmente diferente das caixinhas da Oink.


Startups (2017)

Startups é um jogo de cartas do designer Jun Sasaki, de 3 a 7 jogadores, com temática de compra de ações de empresas na "bolsa de valores". As cartas são de 6 companhias diferentes, e no final da partida, só pontua quem tiver mais ações para cada companhia. A "sacada" do jogo é que quanto mais ações de uma empresa você tem no momento, fica mais difícil comprá-las. Isso exige dos jogadores balanceamento e estratégia nas compras das mesmas. Para quem olhar no detalhe de como o jogo funciona, irá perceber que ele é "mais ou menos" um No Thanks! (2004) ao contrário.


Scout (2021)

E, finalizando a lista com o melhor de todos eles, Scout, indicado ao Spiel des Jahres de 2022 (ou seja, foi um dos 3 jogos indicados ao equivalente ao "Oscar" de melhor jogo do ano). Um jogo de cartas de 2 a 5 pessoas, do designer Kei Kajino, Scout é o segundo jogo de escalada ("climbing") desta lista. A questão aqui, é que pra mim, ele é o melhor jogo de Climbing que joguei até hoje.

O diferente de Scout está em suas cartas... ele tem números tanto em cima quanto embaixo, e ao receber suas cartas você NÃO pode reordená-las! Pode apenas escolher em jogar com os números da parte de cima, ou os números da parte de baixo! Feito isso, em sua vez, ou você joga na mesa uma ou mais cartas maiores que a do adversário (para "matá-las" e ganhar um ponto para cada carta que matou), ou, se não for possível, se compra uma carta da mesa recém colocada pelo seu adversário, e se coloca na sua mão. Note que ao fazer isto, você aí sim pode colocar a carta pescada em qualquer lugar da sua mão. A rodada acaba quando o primeiro jogador "bater" e eliminar todas as cartas das maõs. Cada carta não jogada que sobrou com você vale um ponto negativo.

Há outras regras, mas não vou citar para não me estender muito. Scout é outro jogo que foi bastante importado pelos brasileiros, e tem feito bastante sucesso por aqui nas jogatinas dos últimos dois anos.



E como os jogos de tabuleiro também tem um pezinho no colecionismo, uma experiência diferente e bacana seria colecionar os jogos de caixinhas da Oink Games (eu mesmo tenho 2 e há mais um outro a caminho). Pena que não é uma tarefa tão fácil para nós brasileiros, afinal, pouquíssimos dos seus jogos saíram por aqui (e quando saíram, foram em caixas genéricas completamente diferente das originais). A única maneira de colecioná-los seria importá-los.

A Oink não é boba e supervaloriza seus preços. Portanto, apesar de serem bem pequenos, suas "caixinhas icônicas" tem o preço médio de 20 Euros, variando levemente para mais ou para menos, dependendo da loja que você os encontre. Só compensa mesmo se você estiver no exterior e comprar pessoalmente, porque se comprar pela internet, com o frete e imposto, o preço vai às alturas.

E aí, conhecia os jogos da Oink Games? Tem algum? Já jogou algum? Coleciona? Escreva nos comentários!



Atualização 17/02/24: hoje a Galápagos Jogos anunciou, de modo surpreendente que irá trazer o Scout para o Brasil. Não disse a data nem o valor, mas será para o primeiro semestre deste ano. E segundo eles, esperam ser apenas o primeiro jogo dentre uma maior parceria com a Oink. Tomara. Nosso dinheiro agradece.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Seis anos depois... Os Jogos de Tabuleiro e Cartas Modernos continuam em alta no Brasil e no Mundo!


Há exatamente 6 anos, escrevi aqui no Cinema Vírgula sobre como os Jogos de Tabuleiro estavam crescendo no Brasil. De lá pra cá, muita coisa mudou... por exemplo, os 6 jogos que citei naquele artigo já não estão mais entre os mais populares. Mais uma coisa permanece: os jogos de tabuleiro continuam crescendo no Brasil e no Mundo!

Comparando com os dados de 6 anos atrás... o Board Game Geek ( https://boardgamegeek.com ) possuía cerca de 95 mil jogos cadastrados, e hoje passou da marca de 150 mil; já o brasileiro Ludopedia ( https://ludopedia.com.br ), que antes tinha cerca de 15 mil jogos cadastrados, hoje conta com mais de 40 mil. E, até o momento que escrevo estas linhas, em 2023 tivemos no Brasil nada menos que 439 lançamentos em jogos de tabuleiro, sendo 301 jogos base e 138 expansões.

Para você que ainda não conhece esse mundo, recomendo ler meu post anterior, em que explico o que são jogos modernos. Lá você vai aprender a diferença dos jogos de tabuleiro "clássicos" que você conhece (como Banco Imobiliário, War, etc) e os jogos modernos, além de conhecer 6 jogos como exemplos / indicações. Para lê-lo (e recomendo fortemente antes de continuar este), você pode clicar aqui, ou simplesmente clicar na imagem abaixo, tirada do artigo original.

Não deixem de ler o artigo introdutório de exatos 6 anos atrás!

Agora volto apresentando 6 novos jogos que atualmente fazem sucesso entre os jogadores brasileiros. Mas... antes disso, uma observação... estão vendo os jogos da foto no título deste artigo? Trata-se da caixa de todos os jogos que foram indicados em 2023 para o prêmio do Spiel des Jahres, premiação alemã considerada o "Oscar" dos tabuleiros mundiais. Ah, uma outra coisa que mudou, de 2017 pra cá é que até tivemos brasileiros concorrendo ao Spiel des Jahres, em 2020.

Sem mais delongas, vamos conhecer mais 6 jogos modernos. A ordem de apresentação é alfabética, e ao lado do nome mostro a data em que o jogo teve seu lançamento mundial.


Azul (2017)

Jogo lançado por Michael Kiesling, baseado nos azulejos azuis usados nos palácios portugueses, é um jogo de 2 a 4 jogadores para toda a família (é o jogo que mais joguei com meus pais, por exemplo). Com regras simples, o objetivo é em sua vez, escolher ladrilhos de dentro das "fábricas" (os mini tabuleiros redondos) e colocá-los no seu tabuleiro de forma a fazer o máximo de pontos.

Azul fez tanto sucesso por aqui e pelo mundo que virou uma franquia muito lucrativa, com direito a várias expansões, jogos derivados (com regras e peças completamente diferentes), e versões alternativas do jogo original, como a versão "gigante", a versão "mini", e a versão "chocolate" (onde as peças representam chocolates ao invés de azulejos).

Estas versões alternativas (menos a "gigante") são facilmente encontradas para vender aqui no Brasil, e a "mini" - que não é tão mini assim - tem obviamente o menor preço de todos.


Brass: Birmingham (2018)

O principal motivo para que Brass: Birmingham esteja nesta lista é porque ele atualmente é o "número 1" do ranking de "melhor board game de todos os tempos", tanto no Board Game Geek quanto na Ludopedia. Curiosamente o posto anterior era o "dungeon crowlerGloomhaven (2017), e mesmo ambos estando no mercado há vários anos, foi somente agora em 2023 que este Brass assumiu a primeira posição.

Também para 2 a 4 jogadores, entretanto ao contrário do jogo Azul, este aqui é bem mais complexo. Estamos em um cenário de Primeira Revolução Industrial, e como empresários, ganha quem lucrar mais com suas usinas de carvão, ferro e cerveja. Aqui planejamento e estratégia fazem bastante diferença, tanto econômica como espacial (na hora de planejar suas rotas de barcos e trem). Um jogo "normal" de Brass: Birmingham costuma durar mais de 2 horas, mas apesar de sua longa duração e complexidade, também passa longe da lista dos jogos "mais difíceis de se jogar".


Fantasy Realms (2017)

Apesar de já ter alguns anos de idade, Fantasy Realms só chegou ao Brasil em 2023. Trata-se de um jogo de cartas bem simples, de 2 a 6 jogadores, com temática de mundos de fantasia medieval / RPG. Na partida cada jogador começa com 7 cartas, e em sua vez compra uma nova carta e descarta outra. Ao final do jogo, a pessoa que estiver com mais pontos somados nas 7 cartas que tiver em mãos vence.

O "segredo" do jogo é que cada carta tem uma pontuação e efeito específico, que combinando com outras cartas que podem ou não estar em sua mão, podem aumentar seus pontos ou até mesmo diminuí-los. Está aí a graça... se adaptar para que os "combos" de cartas que você têm posse a cada rodada sejam o mais benéfico (ou menos danoso) possível ao jogador.

Por ser um jogo pequeno de cartas, barato, simples e rápido de jogar (cada partida demora de 10 a 15 min), Fantasy Realms entra na lista por ter sido um dos jogos mais jogados no Brasil (em número de partidas) em 2023.


Marvel United (2020)

A série de jogos de tabuleiro Marvel United chegou ao Brasil em 2022, e seus (muitos) novos produtos continuam saindo lá fora e por aqui. Ele tem duas grandes diferenças em relação aos outros jogos apresentados nesta lista: ser um jogo cooperativo, e apostar bastante no colecionismo.

Afinal, como se pode ver pela foto acima, o jogo traz muitas miniaturas. Uma caixa base (e existem várias), permite o jogo de 1 a 4 jogadores, e traz cerca de 10 miniaturas, somando heróis e vilões. Porém, cada caixa diferente (seja outra caixa base ou caixa de expansão), traz novos heróis, novos vilões (novas miniaturas!), e novas maneiras de se jogar o jogo (por exemplo, pode se expandi-lo e jogar de modo competitivo - um time vs outro) e dependendo do novo módulo jogado, aumentar os participantes para 5, 6 e até 7 jogadores.


E como o jogo funciona? É consideravelmente simples, você coloca os "locais" da partida na mesa, formando um "círculo" (ver foto acima), e então vilão e heróis brigam nestes locais, sejam golpeando uns aos outros, ou colocando fichas para "dominar" cada local. Cada herói e vilão possui seu próprio baralho, com ações normais ou poderes, e o jogador joga duas de suas cartas em cada turno para fazer as ações de seu personagem.


Terra Nova (2022)

Diferentemente de todos os outros jogos desta lista, este eu ainda não joguei... e tem um motivo, ele é um lançamento bem recente, chegou há apenas 2 meses no Brasil. E o que ele tem de especial é que Terra Nova promete ser uma versão simplificada do jogo Terra Mystica (que foi o jogo número 1 do ranking do BGG antes do Gloomhaven e do Brass: Birmingham).

Eu joguei Terra Mystica apenas uma vez, e a partida durou... 3h. Porém Terra Nova promete a mesma experiência de jogo entre 60 a 90 min para 2 a 4 jogadores, e pelo que vi em reviews até agora, tem cumprido bem o anunciado. Mesmo simplificado, o jogo tem certa complexidade, e o objetivo é pontuar ao máximo dominando áreas do tabuleiro antes de seus adversários. Porém, cada área do seu tabuleiro possui um tipo diferente de terreno, e dependendo de qual for, você não conseguirá ocupá-lo, e terá que antes transformá-lo para seu tipo de terreno nativo. Sua característica marcante, herdada do Terra Mystica, é que cada jogador joga com uma raça distinta, e cada raça possui um poder exclusivo. Portanto, com raças diferentes, sua estratégia para jogar e vencer precisa ser diferente. Terra Nova vêm com 10 raças diferentes, sendo que seu "pai" Terra Mystica vem com 14.


Wingspan (2019)

Fechando a lista, depois de citar 2 jogos para jogadores avançados, volto a trazer um jogo que, assim como o Azul, é simples, diverte toda a família, e encanta a todos com seus componentes. Aqui somos "colecionadores" de pássaros, e pontuamos conforme cada pássaro que conseguimos trazer para nossa área de criação.

Com direito a ovinhos, comidinhas, e torre para rolar dados em forma de comedouro, Wingspan tem regras simples e ao longo de 4 rodadas os jogadores tentam pontuar ao máximo com as cartas de pássaro coletadas. Cada carta de pássaro é única, e representa um pássaro real da América do Norte (são 170 pássaros no jogo base).

O jogo comporta de 1 a 5 jogadores, e caso você não se importe de jogar em apenas 2 jogadores, existe uma versão levemente mais barata do jogo, o Wingspan: Ásia, que é exclusiva para se jogar em dois (mas também pode ser incorporada como expansão do jogo original, transformando-o em um jogo para até 7 jogadores).

 

Conheciam os jogos acima? Que tal entrar para este mundo?? O Natal está chegando! Que tal dar Jogos de Tabuleiro de presente? Se quiser iniciar, uma opção é começar pelos jogos modernos "pequenos e baratos", geralmente só de cartas. As editoras Papergames, Grok e Geeks n' Orks são exemplos de editoras nacionais grandes mais especializadas em jogos deste tipo. Outra dica é essa lista aqui, que escrevi em 2020. Divirtam-se!

Crítica Netflix - One Piece: A Série - Primeira Temporada

Em geral as adaptações live-action ocidentais de mangás são verdadeiros lixos. Portanto, fiquei bastante resistente ao me arriscar em assi...