Crítica - Digger (2026)
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=FzgOMsjwMCU
Após 4 anos de hiato, o diretor mexicano Alejandro Iñárritu volta às telonas com um novo filme, Digger, do qual também é co-roteirista. Na trama, acompanhamos o dia-a-dia do já idoso bilionário Digger Rockwell (Tom Cruise), um dos homens mais poderosos do mundo, e que cuja família fez sua fortuna através da exploração de petróleo (daí o apelido "digger", que significa "escavador"). Então um de seus empreendimentos causa um desastre ecológico de proporções globais, inundando boa parte da Europa; e isto é apenas o começo de uma série de eventos e crises...
Filmes sobre a ganância de bilionários e sobre tragédias apocalípticas já foram feitos aos montes. Porém, primeiro, citarei o que faz deste Digger tão bom e diferente dos demais.
Outro diferencial é a atuação de Tom Cruise. Ele que é naturalmente um bom ator e também de atuações digamos... exageradas, costuma ser muito bom em papéis caricatos. E ele está ótimo como Digger Rockwell; mesmo a (muito boa) maquiagem usada em seu envelhecimento não atrapalha ou esconde nenhuma de suas muitas expressões faciais. Aqui, Cruise faz uma de suas melhores atuações em anos.
Mas o verdadeiro ápice de Digger é o discurso que seu protagonista dá, em uma assembléia lotada de representantes de países europeus. É a cena da imagem que intencionalmente escolhi, acima, para ser a deste artigo. Em um pronunciamento consideravelmente longo, Digger Rockwell expõe de modo muito claro o quanto todos nós falhamos como sociedade. E não se trata apenas de um superficial discurso político de esquerda versus direita; são expostos nosso consumismo, nosso individualismo, comodismo e hipocrisia.
Por outro lado, Digger também possui alguns problemas, o que infelizmente lhe tira vários pontos para classificá-lo como um "grande filme". Primeiro, o filme "copia" em algumas cenas, com menor qualidade, a mesma fórmula de Birdman, do próprio Iñárritu: trilha sonora com batidas repetidas para representar confusão e tensão, câmera seguindo o ator andando, etc. Outra escolha, e esta entendo ser ainda mais equivocada (atenção: isso é um pequeno spoiler, não acho muito importante pois é revelado com cerca de 20 min de projeção, mas quem não quiser ler, pule todo o resto desse parágrafo), é que na verdade, temos "uma peça de teatro dentro de um filme", ou seja o personagem de Tom é um ator interpretando a vida de Digger Rockwell em uma peça teatral, durante um ensaio. E isto não é à toa, tem na verdade vários motivos narrativos.
Mas o principal deles é "justificar" o porquê dos personagens serem tão idiotas e caricatos, como se os políticos da vida real já não o fossem... Detalhe que Digger faz esta explicação imediatamente após o presidente do EUA (John Goodman) enlouquecer e querer soltar bombas nucleares em todo o mundo - outra passagem que entendo ser desnecessária. Para mim todas estas "pseudo quebras de quarta parede" enfraquecem a mensagem do filme; de certo modo, até me dão a impressão que "blindam" a produção de críticas políticas mais fortes... teria sido este o objetivo de Iñárritu?
Talvez não: mesmo com tantas piadas e exageros, Digger deixa claro que no final de tudo não há vencedores, todos perdemos. Não há otimismo. A frase final que aparece em tela - que não vou contar aqui - é inteligentemente ambígua, e no contexto do filme explica o passado, presente e futuro da humanidade. O triste é que ela vale o mesmo para a realidade. Com seus vários prós e contras, fiquei bem mais do lado dos prós, e por isso a nota a seguir. Nota (de 1 a 6):





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