Título: Indiana Jones e a Relíquia do Destino ("Indiana Jones and the Dial of Destiny", EUA, 2023)
Diretor: James Mangold
Atores principais: Harrison Ford, Phoebe Waller-Bridge, Mads Mikkelsen, Toby Jones, Boyd Holbrook, Ethann Isidore, Olivier Richters, John Rhys-Davies, Antonio Banderas
Nota: 6,5
Apesar de um meio de filme ruim, Indiana se despede de modo satisfatório
O maior dos heróis de aventura está de volta, e para seu 5º e último filme. Como em toda história de Indiana Jones, a trama é a busca por um antigo artefato, misturando ficção e realidade. E não poderia ser diferente em Indiana Jones e a Relíquia do Destino, claro: portanto, o MacGuffin da vez se trata da Máquina de Anticítera.
O filme começa em 1944, no final da Segunda Guerra Mundial, e neste ato que dura entre 20 a 30 minutos vemos um Indiana Jones (Harrison Ford) ainda consideravelmente jovem, com o rosto rejuvenescido por imagens de computador. É uma boa sequência, que copia bastante dos filmes clássicos, mas com imagens em geral meio escuras. Não sei se o objetivo foi deixar tudo propositalmente menos nítido, para deixar eventuais faltas de realismo no rosto de Ford mais evidentes... mas de qualquer forma, a Fotografia em Indiana Jones 5 não é muito boa em geral.
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| Imagens da Máquina de Anticítera real, cuja construção ter sido feita por Arquimedes é apenas especulação |
Após esta introdução, vamos para o tempo presente da história - que neste caso é 1969 - onde somos apresentados aos demais personagens principais da trama. Temos então a afilhada de Jones, Helena Shaw (Phoebe Waller-Bridge), e o cientista nazista Jürgen Voller (Mads Mikkelsen), que estão em disputa para encontrar o famoso artefato primeiro.
E é neste momento que Indiana Jones e a Relíquia do Destino começa a degringolar. Primeiro temos uma nova e longa cena de perseguição pela cidade de Nova York, que até é boa. Mas depois a ação já corta para Marrocos, onde temos outra cena de perseguição, agora em carros, que se por um lado também entrega em termos de "adrenalina", falha em termos de lógica e continuidade. A longa perseguição entre veículos passa por carros e motos sendo jogados para fora da "corrida" para "magicamente" voltarem à cola de Indiana e sua equipe em questão de segundos. Isso sem falar que, como resultado final, o espectador teve que assistir duas longas seqüências de ação sem nenhuma pausa, e em termos de ritmo e estrutura narrativa, isso é cansativo e decepcionante.
A interação entre Helena Shaw e Indiana também não funciona muito bem... se por um lado é interessante vermos um personagem feminino que não é um par amoroso do herói, por outro lado, é um pouco estranho para nós, espectadores, vermos que Helena só vá demonstrar alguma afeição por Indy lá no final do filme... e até lá portanto, ela mais acompanha do que interage com Jones, deixando um clima mais "frio e impessoal" do que estamos acostumados em relação aos demais filmes da franquia.
Menos mal que após saírem da África, passamos um pouco da metade do filme e os heróis e vilões partem para a Grécia, onde aparentemente o ar europeu melhorou as idéias dos roteiristas; não muito em termos de criatividade, já que passamos a ver, em um espaço de tempo comprimido, muitas das características clássicas dos outros filmes de Indiana Jones que o fizeram tão popular: enigmas, piadas, eternas chantagens de "entregar o objeto senão vou matar seu companheiro(o)"...
Mas no fundo, toda esta "repetição" não é ruim, não só por ser de certa forma uma homenagem aos filmes anteriores, como é tudo o que fez Indiana Jones ser o que ele é. Saindo da Grécia, os aventureiros vão para a Itália e Indiana Jones e a Relíquia do Destino se mantém nos eixos, continuando em bom nível até seu final. Não posso negar que pelo menos na meia hora final do filme, estive bem feliz e empolgado.
O desfecho de Indiana Jones 5 me surpreendeu positivamente por conseguir ser um pouco diferente dos demais filmes da franquia. Primeiro, pela sua estrutura, e segundo, porque ele resolve também debater sobre o envelhecimento. Parece que aqui enfim o diretor / co-roteirista James Mangold justificou sua contratação, já com este mesmo tema ele agradou bastante com seu filme Logan (2017).
Como conclusão, Indiana Jones e a Relíquia do Destino é pior que os três primeiros filmes da série, mas é melhor que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008). Portanto, para os fãs da franquia, a existência desse novo filme faz com que o ato final do Dr. Jones nos cinemas tenha um gosto mais palatável. Nota: 6,5.
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| Meu amigo John Rhys-Davies também está no filme, de volta como Sallah |
PS 1: não há cenas pós créditos.
PS 2: sendo Indiana Jones minha franquia favorita, já escrevi vários artigos sobre ela no Cinema Vírgula. Clique aqui para vê-los!



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