Curiosidades Cinema Vírgula #063 - As Rainhas do Crime, o Detection Club, e o Clube do Crime da Harper Collins Brasil
Sim, pois durante as décadas de 1920 e 1930, ou seja, o período entre as duas Grande Guerras, tivemos na literatura a chamada Era de Ouro do Romance Policial, formada principalmente por escritores e escritoras de língua inglesa e, com boa parte dos livros escritos por estes autores seguindo o modelo "Quem matou? / Whodunnit?".
E se Agatha Christie era um dos maiores nomes da época, senão o maior de todos, ela não era a única escritora famosa. Na verdade, havia um seleto quarteto denominado "As Rainhas do Crime", composto de Agatha Christie, Dorothy L. Sayers, Margery Allingham e Ngaio Marsh. Enquanto as três primeira eram inglesas, a última era Neozelandesa.
O Detection Club
Tal era a relevância e grande quantidade de autores de histórias de detetive desta época, que em 1930 foi fundado o Detection Club. Uma associação iniciada originalmente por cerca de 30 escritores britânicos, que passaram a partir de então a se reunir em jantares em Londres, para confraternização e troca de idéias.
O desejo do que viria a ser o Detection Club teria nascido anos antes, pelo também escritor inglês Anthony Berkeley Cox: ele via que todos os autores de literatura policial de seu país trabalhavam de forma solitária, isolada, e queria mudar isso; além disso, queria criar uma rede para que todos eles pudessem se ajudar.O escolhido para ser o primeiro presidente do Detection Club foi G. K. Chesterton, o mesmo criador do famoso detetive Padre Brown. Três das quatro Rainhas do Crime estiveram entre os fundadores do clube: o problema era que Ngaio Marsh, por ser da Nova Zelândia, não podia pertencer ao grupo segundo o regulamento original. Ainda assim, Marsh era uma convidada frequente para os jantares da associação. Ngaio só viraria oficialmente membro do Detection Club em 1974, após mudanças no estatuto.
De forma muito bem humorada, havia um "ritual de iniciação" para virar membro do grupo, onde o postulante deveria fazer um juramento. Os novos membros precisavam colocar a mão sobre um crânio humano de verdade que tinha o nome de "Eric", e depois responder "SIM" para as palavras que foram criadas pela escritora Dorothy L. Sayers:
"Você promete que os seus detetives irão bem e verdadeiramente investigar os crimes apresentados a eles usando usando a inteligência que lhe aprouver conceder-lhes, e não depositando confiança nem fazendo uso de Revelação Divina, intuição feminina, Mumbo jumbo, trapaças, coincidências ou Atos de Deus?"
Como curiosidades finais, o Detection Club existe até hoje, e ao longo das décadas eles também escreveram alguns livros como grupo. O primeiro deles, A Morte do Almirante, de 1931, teve a participação de 14 autores. Funcionou assim: a obra possuía 12 capítulos, cada um deles escrito por um autor diferente (na verdade o 2º capítulo foi dividido entre dois autores; e o livro começa com um prólogo, escrito por G. K. Chesterton, e é assim que a conta dá 14). Agatha Christie é uma das escritoras desta obra - ela escreve o 4º capítulo - e o livro já foi publicado no Brasil, conforme se vê na imagem um pouco acima.
O Clube do Crime da Harper Collins Brasil
Todo o texto até agora era necessário para vocês entenderem melhor a relevância desta coleção de livros que a Harper Collins trouxe para Brasil (e aliás, ela não me patrocina, nem sabe que eu existo... poxa Harper Collins, patrocina nóis! rs).
A editora criou uma coleção chamada O Clube do Crime, lançando a cada dois meses, e começando em Janeiro de 2023, um novo livro de romance policial. Todos os livros em edição de luxo e capa dura com visual vintage inspirados em capas de livros dos anos 1950. Até agora foram publicados 16 títulos.
O mais legal é que são obras importantes dentro do universo de "histórias de detetive", com publicações até então raras ou inéditas no Brasil. Cada uma das Rainhas do Crime - que não são a Agatha - tiveram um de seus livros publicados, e são os 3 livros da capa deste artigo, lá no topo. E além disso há mais um autor do Detection Club, o já citado Anthony Berkeley.
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