Analisando as HQs Absolute Caçador de Marte, Absolute Flash e Absolute Lanterna Verde da DC (E continuando o review dos outros títulos Absolute)!
Depois de meu artigo, meses atrás, com minha opinião sobre os 3 primeiros títulos da linha Absolute Universe da DC Comics publicadas aqui no Brasil (Absolute Batman, Absolute Superman e Absolute Mulher-Maravilha), como prometido agora trago minha opinião sobre os 3 títulos seguintes desta franquia: Absolute Caçador de Marte, Absolute Flash e Absolute Lanterna Verde. Bora!
Absolute Caçador de Marte
No "ano um" dos seis títulos iniciais do Absolute Universe, Batman foi o maior sucesso de vendas, e o Caçador de Marte foi o maior sucesso de críticas, sendo considerado "o" melhor título Absolute pelos especialistas em HQs. Com uma história bem fora do padrão para super-heróis, bastante psicológica, misturando investigação policial e suspense, e contando com uma arte bastante experimental, colorida e psicodélica, a obra recebeu 6 indicações ao Eisner Awards 2026.
Mas... eu não gostei. Absolute Caçador de Marte é uma obra de difícil leitura, e não deixa de ser, a meu ver, (mais uma!) reciclagem da fórmula usada por Tom King na sua minissérie - esta sim muito boa e então original - Senhor Milagre, de 2017.
Na trama, o agente do FBI John Jones foi o único sobrevivente de um ataque suicida a bombas, e mesmo contra o desejo da esposa, continuou trabalhando como agente, além de que inconscientemente, continuava investigando os culpados pela explosão. Rapidamente aprendemos que no evento da explosão Jones teve sua mente invadida pelo "Marciano", que inclusive foi o que salvou sua vida. John começa a interagir cada vez mais com o Marciano (Verde) dentro de sua cabeça, e começa a ter visões de fumaças coloridas saindo de pessoas "possuídas" com desejos destrutivos, inseridos por um Marciano (Branco), o vilão da história, que nosso Marciano Verde quer derrotar.
Deniz Camp, o roteirista de Absolute Caçador de Marte, ainda é um novato em grandes editoras. Passou a maioria de sua carreira em editoras independentes, até que em 2023 foi contratado pela Marvel e em 2024 começou seu trabalho mais relevante, uma maxi-série de 24 edições de nome The Ultimates, um gigantesco evento que se passa no Novo Universo Ultimate.
Não é que Absolute Caçador de Marte seja de todo ruim. É uma história "ok" com alguns bons momentos. Mas é chata para ler e, principalmente, bastante superestimada. Aliás, por falar nisso, há momentos em que você é obrigado a olhar pra a página contra a luz para ler o que está escrito; e não acho isso genial ou criativo... para mim isso é pura presunção. Com uma trama pseudointelectual mais preocupada em ser diferente do que ser clara ou contar uma boa história, este Caçador de Marte só não é pior que um dos títulos Absolute que li, do qual falarei mais abaixo...
Absolute Flash
No Universo Absolute, até por ser o começo de toda uma nova história/mitologia, todos os heróis apresentados até agora possuem versões mais jovens da que conhecemos do Universo DC tradicional. Porém ninguém ficou mais jovem que este que Flash Absolute, onde seu protagonista Wally West tem apenas 15 anos!
O título, escrito pelo canadense Jeff Lemire (o mesmo do bom Sweet Tooth, da Vertigo) já se apresenta com um arco de história inicial bem longo, ocupando as 12 primeiras edições originais (ou no caso, as 6 primeiras edições nacionais). Temos consideráveis mudanças no universo de Absolute Flash em relação ao universo tradicional da DC: por exemplo, a origem dos poderes do herói vem dele acessar em uma outra dimensão, que aliás em termos de poder é bem superior a nossa. Outra diferença é que vários personagens, que tradicionalmente são vilões do Flash, aqui aparecem como neutros ou aliados.
Ainda assim, mesmo com todas estas mudanças, para mim a história contada em Absolute Flash acabou sendo bastante parecida com todas as outras de "fluxo dimensional" que infestam a mitologia do personagem há décadas e não me despertam muito interesse. Um título, portanto, que não pretendo dar sequencia apesar de uma saga inicial de qualidade "ok".
Absolute Lanterna Verde
E encerrando a análise dos novos títulos, vamos com aquele que é, disparado, o pior dos seis que já analisei até agora. Absolute Lanterna Verde é escrito pelo britânico Al Ewing, cuja publicação mais relevante até então é a mais nova revista mensal de Thor pela editora Marvel, The Immortal Thor, iniciada em 2023 e sob sua responsabilidade até hoje.
Absolute Lanterna Verde é meio que uma história de terror, mas escrita de forma confusa e não-linear. Pela explicação, aparentemente há quatro tipos de Lanternas, todos vindos do planeta OA: os Verdes (o "Correto"), os Pretos ("Caos"), os Vermelhos ("Restrição") e os Dourados ("Conhecimento"). Note que até mesmo os 4 tipos são conceitos vagos e mal definidos... A trama começa com o alienígena Abin Sur chegando à Terra e "sequestrando" toda uma cidade para avaliar se dentre seus habitantes há alguns dignos para se tornarem futuros Lanternas.
Se Abin Sur, que é Lanterna Verde, se portasse de modo minimamente civilizado, tudo bem, mas não... mesmo sendo "do bem" ele age de modo inflexível e violento como um verdadeiro maníaco. No final das contas, quatro humanos são escolhidos como Lanternas, um para cada cor. Hal Jordan vira Lanterna Preto, Jo Mullein vira Lanterna Verde; e não citarei os outros dois para não dar mais spoilers. O mais frustrante é que todos os Lanternas não-humanos, não importa a cor, agem o tempo todo como completos psicopatas. Ah sim, e as 4 facções de cores de Lanternas estão sempre brigando entre si. Resolvi parar de ler após a edição #6 americana (edição #3 nacional). Simples assim.
Continuando minhas impressões sobre Batman, Superman e Mulher Maravilha Absolute...
Eu continuei lendo os 3 primeiros títulos do Universo Absolute, e com isso vou atualizá-los sobre minha opinião inicial sobre cada um deles:
Agora sim! Após um confronto com o Senhor Frio, temos em Absolute Batman uma saga de seis edições (americanas) onde o Homem-Morcego enfrenta Bane. E ela é ótima, sensacional! Apesar de absurdamente violenta, é uma das melhores coisas do Universo Absolute até agora! Nela, todos seus amigos do "Beco do Crime" são submetidos a transformações que os fazem assumir as personas que já conhecemos no universo DC tradicional, como por exemplo Mulher Gato, Crocodilo e Duas-Caras. O interessante é que deles, alguns já se posicionaram a continuar ajudando o Batman, outros viraram "maus", e outros ainda são uma incógnita.
E se Absolute Batman subiu muito no meu conceito, não posso falar o mesmo de Absolute Superman. Após a boa fase "estou apresentando meu universo", que vai mais ou menos até a edição #10 estadunidense, o herói enfim confronta Ra's al Ghul e Brainiac e tudo começa a ficar menos interessante. A história começa a focar excessivamente no fato que "Superman não mata", com o detalhe de aqui no Absolute Universe, quem ensinou isso a Kal-El foram seus pais Kryptonianos! As implicações disso são que os valores morais de Superman não vêm de sua "humanidade", e sim de uma casta específica de Krypton. Não gostei.
Além disso, aos poucos o mundo deste Superman vai ficando mais parecido com o da DC "tradicional": Lois e Jimmy já se tornaram repórteres, e tivemos uma pequena e decepcionante retcon, que nos mostrou que, diferentemente do insinuado no primeiro arco de histórias, Superman passou a vida inteira fazendo visitas à seus pais adotivos em Smallville, e inclusive chegou a ter o nome Clark Kent. Uma pena: o que mais estava me atraindo neste Absolute Superman eram suas diferenças em relação à versão tradicional, mas isto está se esvaindo...
Finalmente, a revista Absolute Mulher-Maravilha continua me agradando e trazendo ótimas histórias. Após seu arco inicial de cinco edições onde ela, apesar de ter vivido no Inferno, enfrenta mais monstros lovecraftianos do que "demônios e diabos", nos dois arcos de história seguintes vemos Diana enfrentando inimigos vindos da mitologia grega, como por exemplo Hades e o Minotauro, e até encontra seres Atlantes (mas sem relação com o Aquaman). Meu entusiasmo com o título não diminuiu e continuo a manter minha ousada afirmação de que provavelmente esta é a melhor versão da Mulher-Maravilha que já li.
Obs.: Na imagem que está abaixo do título desta seção eu mostro a capa de até qual edição estadunidense eu li até agora, respectivamente, de Absolute Batman, Absolute Superman e Absolute Mulher-Maravilha, para me basear nas opiniões acima.
E novos títulos estão chegando!
Saibam que o Absolute Universe continua em expansão. Além dos 6 títulos citados por mim anteriormente, mais dois novos títulos mensais começaram a ser publicados nos EUA: Absolute Mulher-Gato (também escrita por Scott Snyder, o mesmo de Absolute Batman) e Absolute Arqueiro Verde (escrito por Pornsak Pichetshote, e com desenhos do brasileiro Rafael Albuquerque). Por enquanto, ambos ainda são apenas mini-séries de 6 edições, o mesmo formato que Absolute Caçador de Marte começou e depois foi renovado para (até agora) 12 revistas.
E não bastando as publicações mensais, já tivemos alguns especiais publicados em paralelo: edições extras "Anuais" tanto do Batman quanto da Mulher Maravilha, e o especial Mal Absoluto (Absolute Evil no original), de 30 páginas, onde os principais vilões deste universo se unem para iniciar uma cooperação contra os heróis que começaram a surgir pelo planeta (ah sim, e nessa história vemos um dos "mocinhos" ser brutalmente morto). Mal Absoluto deve chegar no Brasil ainda neste ano.
Vocês estão lendo algo do Universo Absolute da DC? Se sim, comente quais títulos e o que estão achando deles!









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