quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Oscar 2013 vem aí! – É neste domingo!



Mantendo a tradição do meu blog, vamos brincar de acertar os vencedores do Oscar 2013?

Ano passado eu palpitei em 7 categorias e acertei todos os resultados. Para este ano, repetirei a dose votando nas mesmas 7 categorias, embora eu ache que desta vez minha missão será bem mais difícil, já que o Oscar será bem mais equilibrado.

Melhor Atriz Coadjuvante
- Quem deve levar: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
- Em quem eu votaria: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
- Comentários:  Vi 3 das 5 concorrentes, e entendo que Anne Hathaway (Os Miseráveis) é favorita disparada. Ela canta e atua impecavelmente em seu musical. O único risco que ela corre de não levar o prêmio é pelo seu tempo em tela, muito curto comparado com algumas de suas concorrentes.

Melhor Atriz
- Quem deve levar: Naomi Watts (O Impossível) Emmanuellle Riva (Amor)
- Em quem eu votaria: não tenho como opinar
- Comentários: Infelizmente, só vi atuar 2 das 5 indicadas. E entendo que Jessica Chastain (A Hora Mais Escura) e Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) são de longe as favoritas. Ambas são jovens, e disputam o “título” de nova queridinha de Hollywood. Das duas, Chastain leva desvantagem devido à polêmica em torno de seu filme. Para meu palpite, entretanto, resolvi arriscar tudo. Vou votar em Naomi Watts, cujo filme nem assisti. Provavelmente sou a única pessoa do mundo que está apostando na vitória dela. :)
Atualização 22/02 - Mudei de idéia. Vou continuar arriscando bastante aqui, mas nem tanto. Vou de Emmanuellle Riva. Suas chances são bem pequenas, entretanto, por ela ser francesa.

Melhor Ator Coadjuvante
- Quem deve levar: Tommy Lee Jones (Lincoln)
- Em quem eu votaria: Christoph Waltz (Django Livre)
- Comentários: Uma das categorias mais disputadas, com três nomes fortes: Philip Seymour Hoffman (O Mestre), Tommy Lee Jones e Christoph Waltz.
Porém Waltz já levou Oscar três anos atrás por um papel parecido com este, e acredito que O Mestre será pouco lembrado. Deve sobrar pra Tommy Lee Jones, que fez bom papel, mas bem abaixo dos outros dois favoritos.

Melhor Ator
- Quem deve levar: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
- Em quem eu votaria: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
- Comentários: Se fosse possível, eu daria Oscar para três: Daniel Day-Lewis, Joaquin Phoenix (O Mestre) e Hugh Jackman (Os Miseráveis). Atuações extraordinárias, e é muito difícil dizer quem foi melhor, já que são papéis e gêneros de filmes tão distintos. Mas sendo obrigado a votar só em um, ainda fico com Daniel Day-Lewis.

Melhor Filme Estrangeiro
- Quem deve levar: Amor (Áustria)
- Em quem eu votaria: não tenho como opinar
- Comentários: Seria uma estupidez da Academia não premiar um filme que eles mesmo agraciaram com 5 indicações, dentre elas a de melhor filme. Mesmo assim, como disse em minha crítica, o filme não me empolgou tanto. Acho bem provável que se assistisse os demais concorrentes (não assisti nenhum dos outros 4), iria considerar algum deles o meu preferido.
  
Melhor Diretor
- Quem deve levar: Steven Spielberg (Lincoln)
- Em quem eu votaria: qualquer um que não seja o Spielberg
- Comentários: Entendo que Lincoln e Argo são os favoritos a melhor filme. E como o diretor do segundo - Ben Affleck - não foi indicado, vai sobrar fácil pro Spielberg. O que é uma pena, já que como comentei na minha crítica, ele cometeu erros gritantes, não merece levar nada!
Dos 5 indicados, assisti o filme de 4 deles. E todos, sem exceção, fizeram bons filmes mas cometeram algum erro relevante. Faltou eu ver o trabalho de Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora), que teria boas chances de ser meu favorito: afinal ele levou ao Oscar um filme de baixíssimo orçamento e de equipe praticamente amadora (muitos eram estudantes de cinema).

E ainda...
... faltou meu voto para o Oscar de Melhor Filme, certo? Mas este ficará para meu próximo post, no sábado, já que quero comentar mais nesta categoria. Aguardem!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Veja aqui o final de Caverna do Dragão!




Vou dar uma pequena pausa no assunto cinema e falar sobre... Caverna do Dragão! Seriado estadunidense dos anos 80, cujo nome no original é Dungeons & Dragons.

O assunto é antigo, mas fui relembrado recentemente que muita gente desconhece esta história. Então, repassando: 1) o final oficial de Caverna do Dragão NUNCA foi filmado. Ele NÃO existe. 2) MAS, mesmo não gravado, o ROTEIRO do último episódio EXISTE, e foi disponibilizado na Internet há quase 10 anos pelo seu escritor, o roteirista Michael Reaves.

O tal último episódio se chama Réquiem. E no momento que Reaves o escreveu, ele não sabia se Caverna do Dragão seria renovada para mais um ano, ou terminaria por aí. Então ele escreveu um episódio cujo final atendesse estes dois cenários ao mesmo tempo.

Mesmo assim, o próprio escritor ficou surpreso – e chateado – quando descobriu que não somente o seriado seria cancelado, como seria cancelado imediatamente, o que fez de seu roteiro “final” um texto nunca aproveitado em nenhum episódio.

Quem quiser saber como tudo iria terminar, uma opção é ler o roteiro original, que pode ser encontrado nos links abaixo:
Mas existe uma maneira muito mais rápida e divertida de saber o final. Pois em 2010 o texto de Réquiem foi transformado em quadrinhos pelo cartunista brasileiro Reinaldo Rocha, que o disponibilizou publicamente.

Já li tanto o script quanto a adaptação em quadrinhos e ela é muito fiel ao original. Só ler os quadrinhos já basta. E vocês podem encontrá-lo em um dos dois links abaixo:
Ou seja, agora todos podem enfim se convencer que toda aquela história do Mestre dos Magos ser o demônio, o Vingador ser um anjo, e etc, não passava de um boato.

Ironicamente entretanto – e para minha leve decepção – no episódio final real vemos o Mestre dos Magos reconhecer que usou os jovens aventureiros para seus propósitos pessoais. Ou seja, o boato não estava lá tão errado. Até tu, Mestre dos Magos? :(

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Crítica - Amor (2012)

Título: Amor ("Amour", Alemanha / Áustria / França, 2012)
Diretor: Michael Haneke
Atores principais:  Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva
Nota: 7,0

“Duro e realista, mas surpreendentemente não tão chocante”

Este é o primeiro filme do elogiado diretor alemão Michael Haneke que assisto. E sua fama de fazer filmes "pesados" me deixou preparado para o pior assitindo Amor, sua nova produção. Premiadíssimo, Amor levou a Palma de Ouro de Cannes em 2012, e mais recentemente ganhou 5 indicações ao Oscar, dentre elas a de de Melhor Filme.

A trama não alivia: Um casal francês, Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), ambos com mais de 80 anos de idade e professores de música aposentados vivem em um modesto apartamento em Paris. Até que Anne sofre um AVC e fica com seu lado direito paralisado; com isto seu marido prova seu amor ao se dedicar a tratá-la a partir de então.

Amor é bastante realista. E aborda todos os problemas e dilemas associados a esta situação: a frustração e desânimo de Anne, a impotência e preocupação de George, a impaciência e revolta da filha (e a briga dela com o pai para deixar a mãe em um hospital), a dificuldade de se arrumar bons enfermeiros, e principalmente, a proximidade da morte. Tudo esta lá, de maneira direta, sem distrações.

Mesmo assim, para minha surpresa, Amor não choca tanto. Pode ser uma percepção minha, já que sei que a vida é exatamente como o filme mostra, nada que vi foi novidade. Mesmo assim, é evidente que não sou só eu: o diretor tem "culpa" em aliviar o peso emocional do filme.

Por exemplo, as cenas mais fortes são curtas. Mesmo claramente mais abatida e mais doente com o passar do tempo, Anne está sempre "arrumada" nas filmagens... limpa, bem cuidada. Este esmero se reflete no ambiente: a fotografia é muito bonita, as cenas são sempre bem iluminadas, e isto consegue transformar o velho apartamento dos protagonistas em algo aconchegante. Tudo isto torna o filme muito menos pesado para se assistir.
Georges pouco fala, nunca reclama. Só vemos seu sofrimento no olhar. A atuação de Jean-Louis Trintignant  é tão boa quanto a de Emmanuelle Riva (que foi muito mais indicada a prêmios que ele, inclusive ao Oscar de Melhor Atriz). Mas se ambos atuam muito bem, acima da média, não chegam a me impressionar tanto, até porque, novamente, não há muitas cenas que lhes exijam tanto. Os maiores dramas estão reservados para pequenas cenas.

No fundo, o maior pesar ao assistir Amor é a paciência. O filme é bastante lento, e nos transforma em cúmplices do casal no sofrimento que é ver o tempo passar tão devagar em uma situação tão desagradável.

Bastante realista, bem executado, sem defeitos, Amor é um filme muito bom mas que não surpreende e evita chocar, o que faz perder para mim alguns pontos. Nota: 7,0.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Crítica - João e Maria: Caçadores de Bruxas (2013)

Título: João e Maria: Caçadores de Bruxas ("Hansel & Gretel: Witch Hunters", Alemanha / EUA, 2013)
Diretor: Tommy Wirkola
Atores principais:  Jeremy Renner, Gemma Arterton, Famke Janssen
Nota: 4,0

“Sessão da Tarde em forma de videoclipe”

Particularmente, não gosto deste tipo de "releitura" dos contos de fábulas. Transformar uma história infantil em um filme com um monte de ação sem propósito. Meses atrás, isto já fora feito com Branca de Neve e o Caçador, filme que ainda não assisti. E como ambos foram bem de bilheteria (muito bem aqui no Brasil, aliás), certamente ainda vamos ter vários filmes seguindo esta fórmula.

Apesar de meus protestos, se as cenas de ação forem bem feitas estes filmes podem se tornar um bom entretenimento apesar de tudo. Porém, infelizmente não é o que acontece aqui em João e Maria: Caçadores de Bruxas.

A história é bem simplória: João (Jeremy Renner) e Maria (Gemma Arterton) se tornaram celebridades ainda crianças, por matarem a bruxa que os seqüestrou. E resolveram desde então virarem "profissionais" no caça às bruxas. A história que vêm a seguir é parecidíssima com a do divertido Os Irmãos Grimm (2005), de Terry Gilliam, porém os Grimm nos proporcionam algum enredo, o que não acontece aqui. João e Maria é pura ação e mais nada.

As dezenas de lutas espalhadas ao longo da trama são bastante irregulares. Algumas muito boas, mas a maioria delas são lutas fake. Você acha que vê os heróis e as bruxas se batendo o tempo todo, mas tudo é tão rápido que você não vê os golpes de verdade. Apenas os imagina.

A única coisa realmente boa do filme são as imagens. A fotografia é muito bonita e as lutas parecem videoclipes. Não a toa, um dos estúdios das filmagens de João e Maria foi o MTV Films. A maquiagem também me agradou. Mesmo as bruxas, feitas para serem horríveis, ficaram bonitas e críveis nas telas.

Há uma outra qualidade no filme. A presença de um trol almofadinha e de bruxas "do bem" proporcionam algumas cenas inesperadas no meio de tantos clichês. Por outro lado, a "atuação" de Jeremy Renner é digna de um estudo científico. Como alguém consegue ser tão sem expressão? Nem o cigano Igor de Ricardo Macchi conseguiu tal façanha.

Em geral, João e Maria é um filme bem previsível, rodando no automático. Um trabalho bem preguiçoso do diretor Tommy Wirkola. Me senti como vendo um daqueles filmes da Sessão da Tarde, da TV Globo. Serve para se distrair, passar o tempo, mas é tudo o que você já viu dezenas de vezes. Nota: 4,0.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crítica - O Mestre (2012)

Título: O Mestre ("The Master", EUA, 2012)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Atores principais:  Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams
Nota: 7,0

“O filme sobre Cientologia que não fala sobre Cientologia”

As primeiras notícias de O Mestre datam do início de 2010, onde o diretor Paul Thomas Anderson procurava investidores para filmar seu script sobre "o fundador de uma religião similar a Cientologia". A idéia era contar uma história inspirada em  L. Ron Hubbard, o controverso fundador da religião que faz sucesso em Hollywood.

Era óbvio que falar da Cientologia não iria ganhar muitos interessados na indústria do cinema estadunidense. Dito e feito, mesmo após muitas revisões de roteiro o filme não foi aceito por nenhum grande estúdio. E a história, que originalmente tinha no fundador da tal religião seu foco principal (o fictício Lancaster Dodd, personagem interpretado por Philip Seymour) foi totalmente modificada para se basear no ex-marinheiro Freddie Quell (personagem interpretado por Joaquin Phoenix), alguém que fosse levado a receber ajuda via idéias "do mestre".

O resultado de tantas mudanças foi um filme que embora seja muito bom tecnicamente, mal fala sobre a Cientologia. A (não) abordagem do tema chega a ser covarde, e a história como um todo, frustrante. Ataques a Cientologia até são bastante frequentes, porém sem muita força ou relevância, contrabalanceados pela imagem de seu fundador que é apresentado como alguém essencialmente bem intencionado. E a tal "religião" sequer nos é apresentada de maneira clara. O filme basicamente nos retrata o relacionamento, quase um bromance entre Dodd e Quell, nas tentativas incessantes do primeiro em curar o segundo do alcoolismo e de sua obsessão por sexo.

Por outro lado, O Mestre possui também seus atrativos. A fotografia é muito bonita e o diretor usa e abusa da câmera para filmar de diversos ângulos e locações diferentes. A trilha sonora também chama a atenção. Boas músicas de época (pós 2a guerra mundial) mescladas com composições inéditas atuais escritas pelo músico John Greenwood da banda Radiohead.

Mesmo que a história não empolgue, outro ponto positivo é a contraposição/desenvolvimento que o diretor cria para os dois personagens principais. Paul Thomas Anderson nos apresenta gradualmente, com maestria, que discípulo e mestre possuem frustrações muito similares, ambos procuram um sentido para a vida. A diferença entre eles é basicamente a exteriorização de suas respectivas personalidades: Dodd é investigativo, contido e pacífico; já Quell é explosivo e violento. Esta comparação é mostrada com frequência, as vezes até em uma mesma imagem, como na ótima cena onde os dois estão encarceirados.

Mas o que mais faz O Mestre valer a pena são as atuações do trio Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, todos eles indicados ao Oscar 2013. Os três atuam muito bem, e fazem personagens diferentes dos que estão acostumados.

E se elogiei muito o ator Daniel Day-Lewis pela sua atuação em Lincoln, aqui Joaquin Phoenix também tem uma atuação bem acima da média. Passando por uma transformação física ainda maior que Day-Lewis, Phoenix está bastante envelhecido, magro (também corcunda), e cria um personagem perturbado, cheio de novos tiques (ele passa o filme todo sem mover o lado direito da boca) e trejeitos (como por exemplo, frequentemente apoiar as mãos nos quadris, que torna seu personagem ao mesmo tempo frágil e insolente).

É uma pena que atuações tão boas, cenas de desenvolvimento dos personagens muito bem feitas, e outros atributos técnicos elogiáveis se percam em uma história morna que acabou sem nenhuma relação com seu propósito original. As qualidades de O Mestre são suficientes para agradar admiradores do cinema. Mas fica nisto. Nota: 7,0.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Crítica - Os Miseráveis (2012)

Título: Os Miseráveis ("Les Misérables", Reino Unido, 2012)
Diretor: Tom Hooper
Atores principais:  Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway
Nota: 6,0

O gênero musical em sua pior forma”

Antes de mais nada, uma explicação. Não gosto de musicais. Portanto, por mais que tente, não posso negar certa parcialidade negativa na crítica a seguir de Os Miseráveis.

Dito isto, mesmo assim não sou tão intolerante ao gênero de filmes musicais como a frase acima aparenta. Uma prova disto é que gostei bastante de musicais mais recentes, como por exemplo: Moulin Rouge, Chicago, Sweeney Todd e o francês 8 Mulheres.

A questão é que todos estes filmes acima possuem atributos (para mim) fundamentais que esta nova versão de Os Miseráveis não têm: diálogos não cantados e uma história verdadeiramente adaptada para o meio do cinema.

Para começar, este filme do diretor inglês Tom Hooper é uma adaptação quase literal do musical Les Misérables criado na década de 80 por Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg. Da maneira que o filme foi feito, temos praticamente a peça musical filmada. Cena por cena. Canção por canção.

As cenas e cenários são sempre fechados e auto-contidos, e a transição entre eles é sempre brusca. É como se após um ato, o diretor parasse com a filmagem, fechasse as cortinas, esperasse trocar todo o cenário, abrisse as cortinas, e tornasse a filmar novamente.

Oras, fazendo isto transportamos para o cinema as mesmas limitações que existem no teatro. Por exemplo, as cenas possuem muito pouca ação. Com raras exceções, praticamente não temos danças, coreografias. O enorme exagero do diretor no uso de closes acaba deixando o plano de ação dos atores ainda mais limitado que numa peça! Tudo isto me soa um grande desperdício de recursos. Para que filmar algo que se pode ver ao vivo numa casa de espetáculos? A bela fotografia? Até poderia ser, se ela tivesse alguma relevância na história, o que definitivamente não acontece.

Curioso ver que 95% dos diálogos do filme são cantados. Os musicais não precisam ser assim no cinema. Mas já que o são neste filme, me pergunto o porquê de justamente os 5% de diálogos mais relevantes não serem cantados. Será que o próprio diretor reconhece que a fala cantada não é o ideal para o cinema?

Uma decisão corajosa de Tom Hooper foi a de usar o canto real de todos os atores envolvidos durante 100% do tempo. Mas esta coragem tem conseqüências. Nem todos cantam bem. Por exemplo, fiquei incomodado com a performance vocal de atores como Russell Crowe, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter. Mais um motivo para você ver Os Miseráveis no teatro, onde temos atores especializados em canto.

Mas nem tudo é ruim nos cansativos 158 minutos de projeção. Hugh Jackman e Anne Hathaway atuam e cantam de maneira admirável, e a indicação de ambos para o Oscar é justíssima. A performance de Hathaway cantando "I Dreamed a Dream" é magnífica, o único momento do filme onde fiquei verdadeiramente emocionado.

Algumas músicas aliás são excelentes (algumas não saem da minha cabeça). Mesmo assim - me perdoem os compositores do musical original - elas são bem pouco variadas. As canções possuem vários "plágios delas mesmas" ao longo da projeção.

A última meia hora da história acaba sendo bem mais interessante, já que enfim usando cenas externas (para mostrar as batalhas entre exércitos) o diretor pôde mostrar alguma ação que seria impossível nos palcos, tornando o filme bem mais dinâmico.

E finalmente, se ignorarmos toda a cantoria, o enredo de Os Miseráveis é bom, claro. Não a toa é a obra prima do escritor francês Vitor Hugo.

Em resumo, entendo que o musical Os Miseráveis poderia ser adaptado com sucesso para o cinema, mas não copiado, como foi o caso. É esta diferença não muito sutil que me leva a Nota 6,0.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Crítica - O Lado Bom da Vida (2012)

Título: O Lado Bom da Vida ("Silver Linings Playbook", EUA, 2012)
Diretor: David O. Russell
Atores principais:  Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver
Nota: 7,0

“Muito mais drama que comédia, um bom filme de romance”

Filme baseado em um livro de mesmo nome (Silver Linings Playbook, no original), O Lado Bom da Vida tem sido apresentado nos cinemas brasileiros como sendo uma comédia romântica. O filme é sim romântico, mas muito longe de ser uma comédia. Tanto isto é verdade, que a primeira piada é feita apenas aos 45 minutos de projeção, e ela sequer provoca risos dada a tensão dos personagens naquela cena.

Aqui temos a história de Pat (Bradley Cooper), que acaba de sair de uma instituição de tratamento mental. Diagnosticado com distúrbio bipolar, ele tenta recuperar o amor de sua ex-esposa, cuja traição o levou ao surto que o deixou internado. É no meio desta sua luta pela esposa e pela cura da doença que ele conhece a viúva Tiffany (Jennifer Lawrence), que por não ter se recuperado ainda da morte do marido, é tão problemática (ou ainda mais) que Pat.

Silver Linings é uma expressão que em tradução livre significa "a parte boa que existe no meio das coisas ruins". E ironicamente, de maneira oposta a isto, as principais qualidades do filme sofrem por terem alguma contrapartida ruim.

Por exemplo, O Lado Bom da Vida começa suas filmagens praticamente em uma perspectiva de primeira pessoa de Pat. Com isto, todas as cenas são bem curtas, repletas de closes, com a câmera sempre em movimento. Isto nos faz vivenciar na o transtorno mental que Pat se encontra. São cenas difíceis de assistir, dado o incômodo gerado pelas filmagens. O problema é que o recurso chega a ser "eficiente demais" já que o diretor David O. Russell exagera em seu uso. Nem sempre temos uma cena com Pat "em crise". E nem sempre Pat está presente na cena! Mesmo assim, este recurso de "perturbação mental" é utilizado o tempo todo até mais ou menos a metade do filme. Não faz sentido.

Outra qualidade, no roteiro, é que ele é bastante realista. Vemos não só os problemas e dramas dos dois protagonistas, mas também de todas as pessoas ao seu redor. A vida é dura, e o filme não hesita em retratá-la desta maneira. Vemos que além de Pat e Tiffany, as outras pessoas "normais" que convivem com elas também possuem seus transtornos, além de mesmo quando querem ajudar mostram seu lado egoísta.

É uma pena que todo este alto grau de realismo seja esquecido na parte final da história. A conclusão do filme é abrupta, dispersa, exagerada e bastante fantasiosa. Mais uma vez, tudo tem seus prós e contras por aqui.

Apesar de irregular, O Lado Bom da Vida tem um saldo final positivo. Não é uma comédia, mas é um romance onde nos identificamos e torcemos pelos personagens. Temos no final das contas um bom filme. Nota: 7,0.

PS: O Lado Bom da Vida e o Oscar 2013
O Lado Bom da Vida me chamou a atenção por ser o primeiro filme desde 1981 a receber indicações para as sete principais categorias do Oscar: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro, melhor ator, melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante.

E eu lamento constatar que estas indicações são bem exageradas. Da parte de filme, diretor e roteiro, o fato de todos eles apresentarem altos e baixos fazem que suas indicações se desvalorizem.

Para as indicações de melhor ator (Bradley Cooper) e melhor atriz (Jennifer Lawrence), ambos estão muito bem. Principalmente Jennifer, pois faz um personagem um pouco diferente da menina assustada de filmes anteriores. Já Bradley mostra competência, mas nada muito diferente do que costuma fazer.

Já as indicações de melhor ator (Robert De Niro) e atriz coadjuvante (Jacki Weaver) eu contesto bem mais. Entendo que ambos participam bem pouco do filme para merecerem alguma indicação. De qualquer forma, aqui também a atuação feminina leva vantagem. Jacki Weaver atua muito bem. Já Robert De Niro... é lamentável. O maior elogio que posso dar a atuação dele é que o ator "não compromete". A única explicação para sua indicação é que ele é uma personalidade famosa e querida por Hollywood.

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