quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Crítica - O Agente Secreto (2025)

Título
: O Agente Secreto (idem, Alemanha / Brasil / França / Países Baixos, 2025)
Diretor: Kleber Mendonça Filho
Atores principais: Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Roney Villela, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Laura Lufési, Thomás Aquino, Udo Kier, João Vitor Silva, Kaiony Venâncio, Alice Carvalho
Nota: 8,0

Kleber Mendonça Filho entrega seu melhor filme e de mais fácil recepção

E finalmente chegou aos cinemas brasileiros O Agente Secreto, nosso filme indicado para o Oscar 2026, e já vencedor de dois prêmios em Cannes 2025: o de Melhor Ator (Wagner Moura) e o de Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho).

Na história, que se passa em 1977, somos apresentados a Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário que está retornando à sua cidade natal Recife após muitos anos, e aparentemente fugindo de algo. Porém este seu afastamento não foi suficiente, e ainda há pessoas querendo vê-lo morto...

Já adianto que o mais impressionante e elogiável de O Agente Secreto é seu roteiro, que consegue apresentar, de forma coerente e bem familiar para nós brasileiros, temas como corrupção na política, na polícia e dos empresários, pobreza, racismo, preconceito contra o nordeste, perseguição da ditadura militar, violência policial, complexo de vira-lata, memória, manipulação da verdade e folclore (ufa!) dentre outros temas. É muita coisa agrupada, e de forma magistral!

E a qualidade do roteiro não fica apenas em seus temas, mas também no que desperta no espectador, com direito a vários momentos bizarros e inesperados, e algumas grandes quebras de expectativas do público. O ápice destas "reviravoltas" acontecem na sequência de ação final do filme, cenas estas que talvez somente nós brasileiros conseguiríamos inventar.

Em termos técnicos, O Agente Secreto tenta reproduzir os anos 70, tanto em termos de fotografia (com cores mais "desgastadas") como na música e design de produção. A trilha sonora é muito boa, nacional, e na maioria das cenas combina muito bem com a ação da tela. Objetos e figurino não me impressionaram tanto... menos os carros, que são destaque: não pouparam esforços para colocarem Fuscas "de colecionador" no filme rs.

O Agente Secreto é facilmente o melhor filme de Kleber Mendonça Filho que assisti até hoje (os outros foram O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016), Bacurau (2019) e Retratos Fantasmas (2023)) e também, digamos, o menos "diferentão", sendo o mais fácil para ser aceito pelo público em geral. Mas apesar de ser um filme excelente, assim como todos os outros filmes de Kleber que acabo de citar O Agente Secreto também possui algumas imperfeições bem claras, que impedem de dar uma nota maior para esta produção.

Algo que me incomodou foram as constantes inserções de rápidas cenas de figurantes fazendo sexo, o tempo todo no filme, para efeito cômico. Precisava? Só para reforçar para os gringos o "clichê" de que aqui no Brasil tudo é uma "putaria"? Também são constantes as citações à filmes estadunidenses. Até imagino que isso tem um propósito claro de agradar a Academia. Mas é sério que precisava disso também? No atual momento político mundial?

Outro problema bem relevante é mais técnico: ao optar por colocar alguns personagens dos "dias de hoje" para interromper a narrativa, O Agente Secreto sofre com várias quebras de ritmo. Em algumas vezes até fazem sentido - para fazer o público respirar - mas na maior parte das incursões atrapalha, e acabam tirando o espectador de dentro do filme, além de que, a interrupção final é tão abrupta e acelerada que pode confundir (presenciei algumas pessoas da minha sessão que não entenderem o final da história).

E finalmente, a meu ver Kleber Mendonça Filho também costuma "divagar" em seus filmes e colocar cenas desnecessárias; O Agente Secreto é seu trabalho em que isso menos acontece, mas o problema está lá novamente. Também não há a necessidade, por exemplo, de tantos personagens, de vários diálogos, e consequentemente, de um filme com 2h e 40min de duração. A longa duração somada às quebras de ritmo "estranhas" tornam O Agente Secreto cansativo em alguns momentos.

Com muitas qualidades e alguns defeitos, O Agente Secreto funciona como uma genial cápsula do tempo, mostrando de maneira bem inusitada mas muito real os múltiplos problemas da sociedade brasileira nos anos 70 e se credencia para a inclusão para a lista de melhores filmes nacionais dos últimos tempos. Nota: 8,0.


Atualização: o ator alemão Udo Kier, presente tanto neste O Agente Secreto como também em Bacurau, faleceu neste 23 de novembro de 2025, aos 81 anos. As causas da morte não foram reveladas.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Crítica Netflix - Frankenstein (2025)

Título
: Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Diretor: Guillermo del Toro
Atores principais: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz, Mia Goth, Felix Kammerer, Charles Dance, David Bradley, Lars Mikkelsen, Christian Convery
Nota: 7,0

Del Toro esbanja no visual e entrega a sua versão de Frankenstein

O diretor oscarizado mexicano Guillermo del Toro volta para a Netflix, desta vez pensando bastante nos prêmios da Academia. Tanto é que semanas antes da estréia no streaming, seu Frankenstein chegou a ser lançado em salas limitadas de cinemas pelo mundo todo, inclusive no Brasil (!), o que é muito surpreendente.
 
O filme, meio que obviamente, é a adaptação de del Toro para o livro escrito por Mary Shelley em 1818, de nome Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno, contando a história de Victor Frankenstein (Oscar Isaac) e Monstro (Jacob Elordi) a quem ele deu vida. A trama começa com Victor e o Monstro tendo seu confronto derradeiro no gelado Ártico (o que também acontece no livro), e então há uma pausa, onde primeiro assistimos Victor contando toda sua história, e em seguida, o Monstro detalhando a dele.
 
Ainda que conte com um elenco estrelado e boas atuações (em especial a de Oscar Isaac), o melhor de Frankenstein é seu visual. Como sempre nos filmes do diretor, a fotografia é excelente. O design de produção também é muito bom, mesmo com os figurinos sendo apenas "ok".

É importante ressaltar que aqui estamos diante da versão de Guillermo del Toro em relação a obra original, portanto ele faz várias adições e mudanças em relação aos escritos de Mary Shelley; diria eu, muito mais inclusões do que alterações, na verdade. Principalmente, aqui temos uma maior "história de origem" de Victor, dando-lhe um pai tirano (Charles Dance), traumas de infância e uma abordagem inicialmente mais científica. O diretor também não se conteve e, seguindo a imaginação popular, faz a criação do Monstro ser algo gigantesco, em um "castelo"; pelo menos o visual do Monstro é razoavelmente parecido com o que Mary Shelley descreveu. Para mais detalhes sobre como é o Monstro de Frankenstein do livro, sugiro fortemente ler este breve artigo de curiosidades que escrevi anos atrás.

Ainda sobre o aparência da criatura, um problema: para mim o "Monstro" não é visualmente muito assustador. Muito mais "assustador", entretanto, são as muitas imagens de pedaços de cadáveres que aparecem no filme em close e sem nenhuma cerimônia; para as pessoas mais sensíveis isso pode ser perturbador.
 
Já a história da vida do Monstro é bastante fiel ao livro, mas algumas partes foram cortadas e a narrativa está um pouco corrida. Ah, e temos uma diferença importante: neste Frankenstein a "bondade" do Monstro é bem exagerada, assim como um pouco da "maldade" de Victor. Confesso que esse maniqueísmo constantemente presente nos trabalhos do diretor me fazem gostar menos do seu trabalho.
 
As alterações feitas por del Toro têm seus prós e contras. Por exemplo, é interessante ele trazer via a personagem de Elizabeth (Mia Goth) críticas de como as mulheres eram deixadas a margem da sociedade na época. Por outro lado, entendo que tivemos mais "contras": a presença do "romance", com Victor se apaixonando por Elizabeth, e ela se apaixonando pelo Monstro, é tão clichê e piegas que decepciona.
 
Como resultado final, após várias mudanças e adições, Frankenstein ainda consegue ser mais fiel ao texto original do que a maioria das adaptações que a obra máxima de Mary Shelley costuma receber. E, como a história primordial é boa, por consequência este filme também o é. Ambos fazem refletir sobre a vida e a maldade humana. E um ponto positivo para a adaptação áudio-visual: o filme é mais bem sucedido em emocionar. Nota: 7,0.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #049 - Stephen King e Mambo No. 5

Vocês já ouviram falar de Stephen King, certo? Escritor estadunidense, hoje com quase 80 anos mas ainda em atividade, um dos mais prolíficos escritores de livros de terror e suspense do nosso tempo, com mais de 70 livros publicados. Acreditem se quiser, mas ele gosta de ouvir repetidamente músicas "dançantes" enquanto escreve suas obras, principalmente músicas "disco" e "techno". Quem poderia imaginar que todos aqueles textos tensos são escritos sob este tipo de trilha sonora? rs

E ele falou mais sobre isso em uma entrevista, dada em 2023 para a revista Rolling Stone. Em 2011, enquanto escrevia o livro Novembro de 63 (que seria publicado no final daquele mesmo ano, e que conta a história de um viajante do tempo que tenta impedir o assassinato de John F. Kennedy), Stephen King ouviu tantas vezes sem parar a música Mambo No. 5, lançada pelo cantor alemão Lou Bega em 1999 (sim, alemão, de pai ugandês e mãe italiana), que acabou brigando com sua esposa, que chegou ameaçá-lo de divórcio.

E agora vamos falar de Mambo No. 5... sabiam que ela não é exatamente uma música original de Lou Bega? É que na verdade, Mambo No. 5 é uma música de jazz instrumental composta pelo músico cubano Pérez Prado em 1949 e lançada por ele no ano seguinte. No caso, a versão de Lou Bega "copia" em quase 100% a instrumentação de Prado, e acrescenta a parte cantada, esta sim, toda criada pelo músico europeu.

No vídeo acima vocês podem ouvir a versão original de Perez Prado, e no vídeo mais abaixo, ouvir a (ótima e viciante) versão de Mambo No. 5 de Lou Bega para chegar a suas próprias conclusões. O espólio de Prado processou Bega por plágio, e após 7 anos de disputa em tribunais na Alemanha, os dois lados chegaram a um acordo. A versão Mambo No. 5 lançada por Lou Bega em seu álbum A Little Bit of Mambo passou a ser considerada uma nova música, distinta da original, porém, co-escrita por Perez Prado e Lou Bega.



PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Conheça "Asterix no Circo", o quadrinho inacabado de Asterix, e que um dia ainda poderá ser publicado!


Nesta quarta-feira, dia 29 de outubro, Asterix completará 66 anos de idade, pois foi em 29 de Outubro de 1959 que seu quadrinho apareceu pela primeira vez para o público na revista Pilote, na França. Portanto, para a semana desta data especial resolvi trazer para vocês algo que poucos conhecem sobre a criação máxima de René Goscinny e Albert Uderzo: detalhes sobre Asterix no Circo, o quadrinho que Goscinny deixou inacabado, devido sua morte repentina em 1977.

Em 2021, enquanto repassava por arquivos e documentos antigos de seu pai, Anne Goscinny acabou encontrando um manuscrito inacabado de Astérix au Cirque (Asterix no Circo), contendo cerca de 20 páginas.

Segundo Didier Conrad, o atual desenhista dos quadrinhos de Asterix, é um roteiro inacabado em que Asterix e Obelix aparecem em um circo. Parte da história já foi usada pelo próprio Goscinny em um álbum de Lucky Luke, de nome Western Circus (lançado em 1970), e outra parte aproveitada dentro de outra história do próprio Asterix.

Anne Goscinny declarou publicamente que gostaria que a história fosse completada e lançada em quadrinhos por Alain Chabat, diretor e roteirista da boa e divertida minissérie de animação Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes, que foi lançada este ano na Netflix. Alain disse que topa o desafio, porém, não sabe se irá conseguir cumprir a tarefa, dada a complexidade (ele teria que escrever a metade restante de uma história de Goscinny) e enorme responsabilidade.

Caso Chabat não consiga transformar o sonho de Anne em realidade, os responsáveis pelo material admitem a possiblidade de um dia o roteiro ser publicado em seu estado original, ou talvez, quadrinizar apenas a parte existente e lançá-la como bônus de alguma outra publicação.

Em resumo, o futuro de Asterix no Circo está nas mãos de Anne Goscinny e Alain Chabat, que são as pessoas da foto no topo deste artigo. E se ainda não sabemos qual será o destino deste material inédito, já sabemos qual será o próximo passo para a franquia de Asterix: previsto para o final do próximo ano, 2026, teremos o lançamento de uma nova animação do baixinho gaulês, desta vez em forma de filme. Trata-se de Asterix: O Reino da Núbia (Astérix et le Royaume de Nubie no original).


Na trama, a maioria dos irredutíveis gauleses são transformados em crianças após um elixir da juventude cair por acidente no caldeirão da poção mágica. Para fazer o antídoto, Asterix e Obelix embarcam em uma jornada maluca até o distante Reino da Núbia.

Para quem não está familiarizado com o termo, Núbia era o nome dado na antiguidade à região (e ao reino) situado imediatamente abaixo do Egito, e que hoje corresponde ao território do país Sudão. Curiosamente, esta área também é cruzada pelo rio Nilo e também possui pirâmides(!): elas são menores, mais pontudas, e em maior número que as egípcias.

Surpresos ou empolgados com as novidades? Escrevam nos comentários!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Crítica Netflix - A Mulher na Cabine 10 (2025)

Título: A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Diretor: Simon Stone
Atores principais: Keira Knightley, Guy Pearce, David Ajala, Gitte Witt, Art Malik, Gugu Mbatha-Raw, Hannah Waddingham, Kaya Scodelario, David Morrissey, Daniel Ings, Amanda Collin, Lisa Loven Kongsli, Paul Kaye, Charles Craddock
Nota: 6,0

Um bom filme de suspense / detetive para se passar o tempo

A Mulher na Cabine 10, filme produção original Netflix, é uma adaptação de um livro homônimo de 2017 escrito por Ruth Ware e best-seller do New York Times. Na trama, conhecemos Laura Blacklock (Keira Knightley), uma premiada jornalista que recebe um convite para passar 3 dias em um luxuoso iate junto com um grupo de milionários. O motivo: escrever sobre a fundação de caridade que irá ser oficializada durante esta viagem, pelo casal Richard (Guy Pearce) e Anne Bullmer (Lisa Loven Kongsli). Com câncer terminal, Anne quer deixar a fundação como seu legado.

Apesar de tanta beleza e luxo, nem tudo ocorre de maneira com que se espera. Durante a primeira madrugada dentro do navio, Laura acorda assustada com barulhos vindo de uma cabine vizinha à sua, a cabine 10. E após ouvir algo grande caindo na água, ela corre para a janela do seu aposento e descobre que o que caiu foi uma mulher. Após gritar por socorro e pararem o navio, um duplo choque: não somente todos os tripulantes continuam sãos e salvos dentro da embarcação, como a tal cabine 10 não possuía nenhum passageiro registrado.

Então vemos a luta de Laura, literalmente conta todos (pois nem seu amigo jornalista que se encontra no barco a ajuda) para provar que não estava louca. A Mulher na Cabine 10 conta com um bom clima de suspense durante o tempo todo, e também consegue transportar muito bem para o expectador o clima de "inadequação" da personagem perante aos milionários esnobes.

Estaria Laura tendo algum delírio? Seria tudo fruto de sua imaginação? Ou tudo o que ela fala de fato aconteceu? Da maneira em que o diretor Simon Stone filmou A Mulher na Cabine 10, a dúvida é bem pequena. O filme é corrido e cheio de ação, não dando muito tempo para a platéia pensar... e se pensar, irá concluir que as chances de Laura estar imaginando tudo são pequenas. Esse tipo de condução da trama foi proposital, pois o diretor não queria que o público passasse pela mesma sensação do leitor na obra original, onde lá, Laura não é uma narradora confiável, pois sofre de insônia e está sempre entupida de fortes remédios.

A trama policial / investigativa dentro do filme é boa - com exceção de um detalhe da explicação da trama que me incomodou bastante, e o qual comentarei no P.S. ao final do texto - e roda de modo bem competente até chegar nas cenas finais, onde então aí sim, finalmente, A Mulher na Cabine 10 decepciona, com um desfecho um bocado implausível e melodramático, baixando no geral a qualidade do filme.

Apesar do final clichê e pouco verossímil, no final das contas A Mulher na Cabine 10 acaba se tornando um bom passatempo para quem gosta de filmes de suspense policial. Está acima de muuita coisa feita pela Netflix. Nota: 6.0.


P.S.: sobre a tal parte da explicação que me incomodou bastante (não leia se não quiser levar um spoiler médio da trama): por que a pessoa x entrou na Cabine 10 naquele momento para flagrar aquilo que estava acontecendo? O filme não dá nenhuma explicação para essa pessoa saber que algo acontecia naquela cabine, ou para estar lá por perto naquele momento. Não sei se isso é explicado de modo satisfatório no livro (e talvez até seja, dadas as várias alterações que o filme fez em relação à obra original), mas se não for... bem decepcionante.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #048 - Os Flintstones: as surpreendentes histórias do filme Live-action!

Hoje o primeiro filme Live-action dos Flintstones praticamente não existe mais na lembrança das pessoas. Mas e se eu contar que apesar de "esquecido", em termos de História, a produção foi muito marcante? Vejam: Os Flintstones: O Filme (1994) teve um dos roteiros mais "caóticos" da história do Cinema, foi o pioneiro em uma certa inovação em animação, e ainda, marcou a vida de três atores. Continue lendo para saber todas estas histórias! ;)


Todo bom filme precisa de um bom roteiro... ou não

A história do filme live-action dos Flintstones começa em 1985, quando os produtores Keith Barish e Joel Silver compraram os direitos para fazer a produção, e contrataram Steven E. De Souza para escrever o roteiro, além de trazer o famoso Richard Donner para ser o diretor. O roteiro só foi finalizado em 1987, e não demorou muito para ser rejeitado. Ao longo dos anos, o roteiro foi reescrito por pessoas diversas.

Em 1992, os direitos para produzir o filme foram comprados por ninguém menos que Steven Spielberg, que após trabalhar com John Goodman no filme Além da Eternidade (1989), estava decidido em torná-lo seu Fred Flintstone. Para diretor foi escolhido Brian Levant, devido sua paixão pela franquia dos desenhos.

E claro que com os novos donos, mais alterações foram feitas no roteiro. Do texto inicial ao final, imagina-se que cerca de 35 pessoas tiveram alguma participação, de roteiristas profissionais a escritores de esquetes para TV. Os Flintstones: O Filme foi (justamente) reprovado pela crítica, mas foi um sucesso de público, arrecadando US$ 342 milhões com um orçamento de apenas US$ 46 milhões. Oficialmente, quando lançado, foram creditados apenas 3 nomes como roteiristas: Tom S. Parker, Jim Jennewein e Steven E. de Souza; porém, quando o filme venceu o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do Ano, 32 participantes foram resgatados e creditados nessa "homenagem".


Tigre-dente-de-sabre histórico!

Foram cenas bem curtas, mas as aparições do tigre-dente-de-sabre que ficava invadindo a casa das pessoas em Os Flintstones: O Filme (ver acima) foram as primeiras de um personagem "peludo" feita  100% por CGI (computador) em um longa-metragem. O resultado final até ficou bom, e para que a animação fosse feita, foram criados complexos algoritmos (para a época) que calculavam a movimentação de cada pêlo do animal.


3 Atores. 3 Histórias significativas.

Antes do filme dOs Flintstones, John Goodman era conhecido por duas coisas: ele era co-protagonista da bem sucedida sitcom Roseanne, e ator coadjuvante frequente em filmes dos Irmãos Coen. Portanto, ser a estrela desta produção como Fred Flintstone, foi o grande momento de sua carreira até então. E de fato, graças ao sucesso de bilheteria do filme, Goodman subiu de status como estrela de Hollywood, e nos anos seguintes de Os Flintstones: O Filme, o ator recebeu um grande número de propostas para trabalho nos cinemas, tanto que, quando ele foi chamado para estrelar o segundo filme dos Flintstones, John recusou dizendo estar com a agenda totalmente preenchida. Alías, nenhum dos atores voltou para o filme seguinte, Os Flintstones em Viva Rock Vegas (2000), que por isso, contratou atores desconhecidos e teve que ser uma prequela. O segundo filme live-action de Flintstones foi horroroso, fracasso de público e crítica. Já John Goodman passou a ter um reconhecimento em filmes além daqueles dos Irmãos Coen, principalmente via Argo (2012) e Rua Cloverfield, 10 (2016); porém, nunca mais voltou a desfrutar do destaque na mídia que teve com Os Flintstones: O Filme.

Hoje isso certamente vai soar como surpreendente, mas saibam que Elizabeth Taylor, uma das mais famosas e glamourosas atrizes do cinema clássico de Hollywood teve em Os Flintstones: O Filme seu último trabalho nos cinemas. Após esta participação, esta gigante estrela cinematográfica até fez algumas breves participações especiais em séries de TV, como por exemplo em The Nanny e Murphy Brown; porém na Tela Grande, essa foi mesmo sua despedida, de uma longa e bem sucedida carreira que ultrapassou 50 produções cinematográficas.

Elizabeth Taylor atuou em seu papel derradeiro como Pearl Slaghoople, a mãe de Wilma Flintstone. Os produtores de Os Flintstones queriam muito que A Dama estivesse no filme. Para convencê-la, "Liz" recebeu vários "mimos": em seu primeiro dia de gravação ela foi recebida com 30 buquês de flores e outros presentes; e toda a renda da première mundial do filme foi doada à fundação de combate à AIDS da atriz, uma das causas pelas quais ela foi mais ativista.

Um ator bem popular nos anos 80 era Rick Moranis. E além de famoso, ele era versátil: Rick estava presente em sucessos de comédia como S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (1987) e Querida, Encolhi as Crianças (1989) e também em sucessos mais adultos de "monstros" como os dois Os Caça-Fantasmas (1984 e 1989) e A Pequena Loja dos Horrores (1986). E assim como para os dois atores que citei anteriormente, Os Flintstones: O Filme marcou sua carreira, pois este foi seu último sucesso.

A partir de 1994 Rick já estava atuando em menos filmes, pois devido ao falecimento de sua esposa, vítima de um câncer em 1991, ele tinha que conciliar o trabalho com cuidar de seus dois filhos. Porém após os retumbantes fracassos de Inimigos para Sempre (1996) e Querida, Encolhi a Gente (1997), que sequer conseguiu chegar aos cinemas, ficando apenas em videocassete, Rick Moranis abandonou a carreira de vez e passou a cuidar dos filhos de modo integral. De 1998 pra cá, Moranis apenas trabalhou esporadicamente fazendo vozes em alguns filmes de animação, e recusou qualquer convite para voltar a atuar, negando-se inclusive a voltar para o reboot do Caça-Fantasmas, o Ghostbusters: Mais Além (2021).

Porém, para a surpresa de todos, Moranis resolveu sair da sua aposentadoria e topou participar da continuação de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço! O filme original, que é uma das melhores paródias de Star Wars feita até hoje, promete trazer de volta a maioria dos atores principais, inclusive Mel Brooks, com seus 99 anos. Previsto para chegar aos cinemas só em 2027, ao final deste artigo você poderá assistir o teaser desta maravilhosa produção (em inglês).

John Goodman como Fred, e Liz Taylor como Pearl


O surpreendente primeiro anúncio (em inglês) de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço 2! é uma divertida crítica às principais franquias de aventura do Cinema




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Conheça o Coleco Telstar Arcade, o mais incrível console da 1ª Geração de Videogames


Sempre que um artigo ou matéria se propõe a contar a história dos videogames - inclusive o meu - ele quase certamente começa pela Segunda Geração, do Atari 2600. Mas por que a Primeira Geração é tão ignorada? 

A resposta mais simples é porque se tratou de uma geração que contou com cerca de uma de centena de aparelhos distintos, todos eles com jogos bem rudimentares, sendo apenas iguais ou variações do jogo Pong, criado em 1972 pela Atari.

O jogo Pong original, da Atari, nos fliperamas

O console, em inusitado formato triangular, possuía três tipos de controles / módulos distintos. De um lado, os controles eram 2 botões giratórios para os jogos ao estilo Pong; girando o Coleco Telstar Arcade, você tinha o lado com uma pistola, para jogos de tiro; e finalmente girando para o terceiro e último lado, havia um volante e uma alavanca de "câmbio" para os jogos de corrida.

Coleco Telstar Arcade era tão "avançado" para a época que foi um dos raríssimos consoles da 1ª Geração que tinham cartuchos / discos para adicionar novos jogos (o outro foi o Magnavox Odyssey (1972); os demais tinham uma lista fixa de games embutidos e só). No total, foram lançados 4 cartuchos, e todos eles também tinham o curioso formato triangular:

O inusitado console visto de cima, com o Cartucho 1 em uso, ao centro

- Cartucho 1, que já vinha junto com o console, com os jogos: Road Race (jogo de corrida para 1 jogador), Tennis (clone de Pong para 1 jogador) e Quickdraw (jogo de tiro para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 2, com os jogos: Hockey (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Tennis (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Handball (clone de Pong para 2 a 4 jogadores) e Target (jogo de tiro para 1 jogador) - era possível jogar em 4 comprando um controle adicional para 2 jogadores;

- Cartucho 3, com os jogos: Bonus Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores), Shooting Gallery (jogo de tiro para 1 jogador), Shoot the Bear (jogo de tiro para 1 jogador) e Deluxe Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 4, com os jogos: Naval Battle (batalha naval, para 1 jogador), Blast Away (jogo de tiro para 1 jogador) e Speedball (para 1 jogador).

Infelizmente esta "maravilha tecnológica" fracassou comercialmente. O motivo? A Coleco não podia adivinhar, mas junto com o Coleco Telstar Arcade já estava nascendo a Segunda Geração dos Videogames. Tanto ele quanto o Atari 2600 foram lançados no  semestre de 1977, e o Atari era tão superior que sepultaria a Primeira geração rapidamente.

Encerrando a matéria, segue uma demonstração em vídeo dos 3 jogos do "Cartucho 1". Não deixa de ser até hoje algo bem curioso!

Conheça Hitman - a HQ precursora de The Boys - que agora está completa no Brasil e é a verdadeira obra prima de Garth Ennis

O grande criador e roteirista de quadrinhos norte-irlandês Garth Ennis é mundialmente conhecido pelos seus trabalhos com Preacher , suas mar...