quarta-feira, 26 de março de 2025

Conheça Frieren, Anime de fantasia medieval que acaba de estrear na Netflix e é (um justo) sucesso mundial


Estreou na Netflix neste 1º de Março a primeira temporada completa do Anime Frieren e a Jornada para o Além. Trata-se da adaptação para TV do mangá Sōsō no Frieren, escrito por Kanehito Yamada e ilustrado por Tsukasa Abe, que começou a ser publicado em 2020 e continua em andamento. O Anime já está disponível há um tempo para os brasileiros via Crunchyroll, porém, espera-se que com a chegada na Netflix ele se torne bem mais conhecido... o que seria ótimo e merecido, afinal, Frieren e a Jornada para o Além CERTAMENTE se encontra entre um dos melhores Mangás / Animes surgidos nos últimos dez anos.

A história de Frieren e a Jornada para o Além começa pelo... "fim", e na primeira cena temos um quarteto de aventureiros retornando vitoriosos para uma cidade após derrotarem o Rei Demônio - o "chefão final" deste mundo - após uma difícil campanha que durou 10 anos. O grupo é formado pela Maga elfa Frieren que dá nome à série, o Herói humano Himmel, o Sacerdote Heiter e o Guerreiro anão Eisen.

Pouco tempo depois a história já dá um salto temporal de 50 anos(!), onde os 4 personagens se reencontram. Nele vemos uma Frieren um pouco perdida, sem propósito... afinal, já tinha cumprido sua grande missão. E então outra coisa acontece: dias depois do reencontro, Himmel morre, e durante o funeral Frieren tem uma reação inesperada: ela chora em desespero por não tê-lo conhecido direito.

Como a própria história explica, o que para nós humanos são longos 10 anos, para uma elfa milenar não são nada. Além de toda a parte de aventuras e batalhas típicas de uma fantasia medieval, Frieren é uma profunda análise sobre a passagem do tempo, a sobrevivência da humanidade, a finitude da vida, e as relações entre pessoas.

Os 4 "iniciais": a Maga Frieren,o Sacerdote Heiter, o Herói Himmel e o Guerreiro Eisen

Quando o segundo episódio começa, mais de 20 anos se passaram(!), e após mais alguns outros eventos, Frieren acaba aceitando uma nova missão (não vou falar qual para não dar spoilers), que lhe "obriga" a repetir a jornada que percorreu quase oito décadas atrás, quando ela e seus antigos companheiros venceram o Rei Demônio. Nesta nova aventura, a maga acaba levando mais dois acompanhantes: sua própria discípula, a jovem maga humana Fern; e Stark, um jovem humano guerreiro, aluno de Eisen. Você pode ver Frieren, Fern e Stark na imagem título deste artigo.

Ao longo de suas viagens, Frieren vai relembrando e (re)valorizando tudo o que passou com seus amigos da formação original. O Anime é bem lento, contemplativo. Não há muitas batalhas, mas elas existem. E conforme a história avança, elas ficam mais recorrentes. Já assisti metade da primeira temporada (que é formada de 28 episódios), e tenho gostado muito. As lutas que já vi, ainda que curtas, foram todas bem impressionantes, de "explodir a cabeça".

Curioso que como o "último chefão" já morreu antes da história começar, não há um desafio épico final, e então parece que temos uma sucessão de missões episódicas para cumprir e ganhar experiência, como se fossem encontros de partidas de RPG que você faz com seus amigos em uma campanha. E ainda assim, apesar de todas essas camadas de aventura e fantasia, reitero que o melhor de Frieren está nas reflexões e momentos de emoção que ela provoca.

E a emoção não ocorre somente pela trama em que todos os personagens se envolvem. Há também um encantamento especial com Frieren... delicada, diferente e fascinante: uma maga muito muito poderosa e sábia, mas que ainda assim tem um pouco de dificuldade de compreender os humanos.

Para quem gosta de animes, mangás, RPG, aventuras medievais, ou simplesmente uma boa reflexão sobre a vida, Frieren leva a minha mais alta recomendação. Te convenci a assistir Frieren? Ainda não? Vou para um último argumento: neste momento o anime se encontra com a nota máxima de 100% no Rotten Tomatoes

Para felicidade dos fãs, a segunda temporada já está sendo finalizada, e já foi anunciada para Janeiro de 2026. A primeira e única temporada que existe até agora equivale aos 60 primeiros capítulos do mangá. A expectativa é que a segunda temporada adapte os próximos 60 (e o mangá está atualmente no capítulo 137). Aí só resta saber quanto tempo levarão para lançarem aqui no Brasil...

Na falta de um trailer em português para Frieren na Netflix, segue o da Crunchyroll Brasil. Confiram!



segunda-feira, 24 de março de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #038 - Sabia que J. Peterman é uma pessoa real e foi "substituído" pelo ator que o interpretou?

Demorou um pouco, mas após 37 artigos de curiosidades, chegou a vez de eu trazer algo sobre minha sitcom favorita - e melhor de todos os tempos - Seinfeld.

Um dos principais atributos de Seinfeld é seu grande elenco de personagens coadjuvantes... digamos... pitorescos. E um deles era o empresário e "aventureiro" J. Peterman, interpretado pelo ator a John O'Hurley. Na imagem acima, podemos vê-lo em ação na série, ao lado da personagem Elaine (a engraçadíssima Julia Louis-Dreyfus).

O que nem todos sabem é que J. Peterman e sua empresa existem na vida real. Na verdade, tudo era muito similar à realidade, com a mínima alteração de que o personagem da ficção se chamava Jacopo Peterman, sendo que o verdadeiro J. Peterman se chama John Peterman.

A J. Peterman Company real é uma empresa fundada em 1987 que vende roupas, acessórios de moda e móveis. Inicialmente - e principalmente - suas vendas são por meio de catálogos. Por exemplo, foi apenas em Dezembro de 1992 que a empresa abriu sua primeira loja física. Em seu auge, nos anos 90, os catálogos eram revistas impressas, que posteriormente também passaram a ser publicadas na Internet via seu site oficial, jpeterman.com.

E exatamente assim como na série de Seinfeld, os catálogos de J. Peterman eram bem... curiosos. Os itens à venda não eram simplesmente exibidos: cada um deles possuía sua própria história, uma descrição e / ou narrativa (as vezes em primeira pessoa) em um estilo bem literário, sempre ecoando um modo de vida luxuoso e que também remetia a filmes e tempos antigos.

Páginas de um catálogo real da J. Peterman Company, do ano de 2004. Veja mais duas páginas desta edição no final deste artigo

Outra curiosidade, é que mesmo tendo produtos (obviamente) reais, não eram exibidas fotos deles, e sim desenhos. Segundo o próprio J. Peterman, o motivo para esta escolha é o "romance"... "É a diferença entre descrever amor e estar apaixonado.".

A existência de uma empresa tão peculiar no mundo real chamou a atenção dos criadores de Seinfeld: os comediantes Jerry Seinfeld e Larry David, e eles decidiram então trazer um J. Peterman para o seriado. A versão do empresário que eles bolaram para a série era como se ele vivesse de acordo com as narrativas de seu catálogo, sendo então uma pessoa elegante, de vocabulário e roupas antigas, metido a aventureiro... também um pouco inocente e deslocado da realidade.

Curiosamente, os produtores de Seinfeld nunca pediram permissão para J. Peterman em parodiá-lo. Porém, após a primeira aparição do personagem, os advogados da série entraram em contato e fizeram um acordo para que a equipe de Seinfeld passasse a enviar para Peterman os roteiros com antecedência, para alguma eventual revisão. Mas ele nunca pediu para alterar nada. No fundo, a exposição da marca no seriado acabou sendo boa para a J. Peterman Company, sendo que seu faturamento anual, que era de US$15 milhões, chegou a alcançar o topo de US$75 milhões após as exibições no programa.

Apesar das vendas crescentes, a J. Peterman calculou muito mal a expansão de sua empresa, e contraiu dívidas para abrir 10 enormes novas físicas em grandes cidades dos EUA em 1998. Deu tudo errado. No ano seguinte, abriu pedido de falência... A J. Peterman Company até foi comprada pela Paul Harris Stores em 1999 por US$ 10 milhões, mas esta também faliria em 2000. E isto seria seu fim.

John O'Hurley ao lado do verdadeiro J. Peterman (à dir)

E agora chegamos à parte onde realidade e ficção conseguiram se misturar ainda mais! Curiosamente, ao longo dos anos, o ator John O'Hurley havia se tornado um amigo próximo de John Peterman na vida real. Em 2001, Peterman conseguiu de volta os direitos do nome da sua marca, e então perguntou a O'Hurley se ele tinha interesse em ajudá-lo a reviver sua companhia. O ator topou o negócio e, junto com um grupo de investidores, ele e Peterman ressuscitaram a J. Peterman Company.

Desde então, John O'Hurley é um dos acionistas da J. Peterman Company e também faz parte de sua diretoria. E os famosos catálogos continuam sendo publicados online. No vídeo abaixo, em inglês, o ator (e agora empresário) conta brevemente a história que descrevi acima e brinca no final que, quando ele e John Peterman saem juntos em público, quando alguém grita por "J. Peterman" em direção a eles, claramente está se dirigindo a ele O'Hurley, em um espantoso e real caso de "roubo" de identidade.



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segunda-feira, 17 de março de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #037 - Goku, Super Saiyajins e os mascotes da SEGA


Os mascotes da SEGA se associam bem mais com o anime / mangá mundialmente famoso Dragon Ball, de Akira Toriyama, do que o público em geral conhece. Vamos saber mais detalhes desta história.

Quando o jogo Alex Kidd in Miracle World começou a ser desenvolvido em 1984, ele era na verdade um jogo licenciado baseado na série de mangá Dragon Ball. Porém já no começo do desenvolvimento a licença de Dragon Ball expirou, a SEGA não conseguiu renovação, e então os programadores tiveram que "recomeçar" o jogo do zero. Ou mais ou menos isso...

Alex Kidd vs Goku

Como se pode ver, agora que sabemos dessa informação, podemos desconfiar que algumas coisas foram mantidas. Por exemplo o personagem Alex Kidd: assim como Goku criança, sua roupa é um macacão laranja / vermelho com detalhes azuis. Além disso, o formato do seu corpo é bem parecido: cabeça grande, orelhas grandes...

Outros elementos parecem terem sido reaproveitados. Na imagem abaixo da versão final de Alex Kidd in Miracle World, teríamos o que originalmente seria o vilão Oolong transformado em touro. Notem também a semelhança das casas que vemos no jogo com as casas do universo de Dragon Ball (imagem em close). As disputas de jokenpô, mecanismo clássico dos jogos de Alex, também seriam uma característica herdada do mangá, já que Goku as utiliza em suas primeiras batalhas.


Alex Kidd in Miracle World foi lançado em 1986, e seu protagonista Alex Kidd acabou se tornando o mascote oficial da SEGA durante toda a Terceira Geração de Consoles de Videogames. Sua relação com Dragon Ball acabou sendo conhecida apenas décadas depois.

Porém a associação do mascote seguinte da SEGA com a obra máxima de Akira Toriyama seria mais explícita...


O Sonic Super Saiyajin!

Eram novos tempos: a SEGA entrava com tudo na Quarta Geração de Consoles com seu novo videogame, o Mega Drive, e para bater de frente com a poderosa Nintendo, quis também investir em um novo mascote para a empresa: menos infantil, mais moderno e "ousado". Nascia então em 1991, Sonic the Hedgehog.

E demoraria apenas mais um ano para que a SEGA fizesse uma grande homenagem a Dragon Ball em seus videogames. Seria em Sonic the Hedgehog 2, lançado para o Mega Drive em 1992.

Como partes essenciais da mitologia de Dragon Ball temos que uma das mais recorrentes missões dos personagens é reunir as SETE Esferas do Dragão. Além disto, os heróis principais, conforme foram evoluindo, aprenderam a evoluir para um estágio máximo de poder: os Super Saiyajins, que é quando eles ficam de cabelo loiro e espetado, e o corpo envolvido por uma luz dourada.

Pois bem: há um código secreto muito poderoso em Sonic the Hedgehog 2. Escondidas, dentro das fases da Emerald Hill Zone, existem 7 fases bônus (que podem ser vistas no vídeo acima), e ao terminar cada uma delas, você recebe uma Esmeralda do Caos. E ao reunir as SETE Esmeraldas do Caos, você consegue habilitar o poder do Super Sonic, cujo visual é idêntico ao dos Super Saiyajins (veja a imagem título deste artigo, lá em cima)! A "inspiração" da obra de Toriyama é evidente, e admitida pelos desenvolvedores da SEGA.

Uma vez que você tem este modo ativado, o primeiro pulo que você der com o Sonic após coletar 50 ou mais anéis, irá se transformar no Super Sonic. É vantajoso coletar o maior número de anéis possível antes da transformação já que ela consome um anel por segundo, até se encerrar. No modo Super Sonic, o personagem pode voar, fica invulnerável e indestrutível.


Divirta-se você também jogando com o Super Sonic

O Super Sonic foi além do Sonic the Hedgehog 2 e virou parte importante da franquia do Ouriço, sendo incorporado na maioria dos jogos posteriores do Sonic. Abaixo temos um vídeo mostrando a transformação de Super Sonic nos jogos Sonic the Hedgehog 2, Sonic the Hedgehog 3 & Knuckles (Mega Drive - 1994) e Sonic Mania (Oitava Geração de Consoles - 2017).

Se você quer jogar "hoje" com um Super Sonic é fácil... ele continua presente nos jogos atuais do Sonic, e as vezes até com um destaque maior do que tinha antigamente. Por exemplo, em Sonic Frontiers (2022), disponível para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X e S, dá pra se sentir um verdadeiro Super Saiyajin com ele, com direito até a golpes similares a um Kamehameha. Neste jogo coletar as Esmeraldas não é "opcional", faz parte da trama principal: você precisa delas para se transformar no Super Sonic e só assim conseguir derrotar os Titãs, chefões gigantes que são os inimigos mais fortes do game.

Agora, se você quiser jogar com o Super Sonic original do Sonic the Hedgehog 2, tire seu Mega Drive da poeira (ou use algum Emulador), e ao invés de sofrer com o hercúleo trabalho de coletar as 7 Esmeraldas do Caos, ouse o código a seguir:

Na tela inicial, entre em "Options" e no Sound Select, ouça as trilhas: 19, 65, 09, 17. Depois, aperte o botão "C" e "Start", para voltar para a tela inicial. Quando Sonic e Tails começarem a aparecer na tela, aperte e segure o botão "A" e depois, aperte "Start" ainda segurando o botão "A". Se você fez tudo certo, vai cair em uma tela para Seleção de Fases. Dentro desta tela de Seleção de Fases, novamente vá para a parte de "Sound Test" e agora clique para ouvir as seguintes trilhas: 04, 01, 02, 06. Ao terminar o processo, uma música característica vai soar, indicando que o truque deu certo. Ai, basta clicar "Start" escolhendo uma das fases e seguir para o jogo normalmente.

Lutando com o Super Sonic contra um Titan do Sonic Frontiers



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quarta-feira, 12 de março de 2025

O Carnaval acabou... E agora?


O Carnaval acabou... e isto significa algumas coisas. Significa que o ano de 2025 começou no Brasil.. e também significa que a promessa que fiz aqui meses atrás, na qual postaria uma Curiosidade inédita toda Segunda-feira até o Carnaval foi cumprida.

Mas então... e agora? Continuaremos uma Curiosidade inédita toda Segunda-feira depois do Carnaval?

Sim e não... a resposta é que vou manter a publicação de uma nova Curiosidade toda Segunda-feira durante este mês de Março; mas depois disso... irei tirar o pé do acelerador e me comprometerei aqui com vocês de um jeito diferente: a partir de Abril a nova promessa é de ter "pelo menos uma nova Curiosidade por mês". E não necessariamente na Segunda-feira rs.

Isto quer dizer que teremos garantida ao menos uma nova curiosidade por mês aqui no Cinema Vírgula para sempre. Em que dia vai ser? Nem eu sei. Mas espero que vocês passem aqui todos os dias pra conferir. rsrsrs.

Abraços a todos e até mais!

segunda-feira, 10 de março de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #036 - Sabiam que a "espada de Excalibur" existe na vida real?


Um dos temas bastante comuns da literatura medieval européia foram os Contos do Rei Arthur, ou melhor dizendo, as histórias do Ciclo Arturiano. E, quase tão famosa quanto este mítico personagem, há também a sua espada Excalibur, a qual às vezes são atribuídos poderes mágicos, e que também, na maioria das vezes está associada à soberania legítima da Grã-Bretanha.

Ainda sobre a Excalibur, há duas versões sobre sua origem. Uma dela, mais tardia (meados do Séc. 13), diz que Arthur a recebeu de presente da Dama do Lago, uma fada (ou se preferir, bruxa) de nome Viviane (ou se preferir, Nimue), sendo uma esta uma espada mágica e indestrutível forjada na mítica ilha de Avalon. Outra, diz que a espada ficava encravada em uma pedra, e que ninguém conseguia tirá-la de lá. E apenas quem merecesse ser o "verdadeiro Rei da Inglaterra" conseguiria realizar a façanha. Então um Arthur ainda jovem tentou removê-la da pedra e o fez com facilidade, tornando-se Rei. A primeira referência desta versão é de um poema francês de 1200, onde Arthur retira uma espada de uma bigorna que está em uma pedra de um cemitério de uma igreja.

Esta segunda explicação para a origem inspirou, por exemplo, a criação do livro infanto-juvenil The Sword in the Stone (1938) do escritor britânico T. H. White, que por sua vez foi adaptada em 1963 pela Disney em um filme de animação chamado A Espada Era a Lei, que é de onde tiro a imagem-título acima. Quem ainda não viu esse desenho, recomendo muito. Além de divertidíssimo, tem uma das batalhas mágicas mais épicas da história, entre o Mago Merlin e a Madame Min.


Galgano Guidotti e a "Excalibur" real

A "Espada na Pedra" do mundo real

E para quem pensa que o conto da "Espada na Pedra" é 100% fábula, vamos para o que é hoje o pequeno município de Chiusdino, na região italiana da Toscana.

Em 1148 nascia Galgano Guidotti, filho de um senhor feudal, e que na vida adulta era um cavaleiro impiedoso que também vivia uma vida, digamos... impura. Até que, segundo a lenda, por volta de 1180, ele começou a ter sonhos com Arcanjo Miguel, que lhe dizia para mudar de vida. Em um sonho em específico, Miguel o levou à colina de Montesiepi, e disse para Guidotti construir uma casa para a glória de Deus, desistir de suas posses mundanas e viver como um eremita.

Ainda no sonho, Guidotti retrucou dizendo que isso seria tão difícil quanto cortar uma pedra com sua espada, e para "provar" seu ponto, resolveu cortar uma pedra ao seu lado. Porém sua espada cortou a pedra como se fosse manteiga.

Continuando a história contada pela tradição local, dias depois Guidotti estava cavalgando, e seu cavalo passou a recusar suas ordens e acabou o levando à Montesiepi, ou seja, onde as imagens do seu sonho ocorreram. Entendendo como um sinal divino, um comovido Galgano quis colocar uma cruz no local. Porém ele não tinha uma cruz com ele e, em vez disso, mergulhou sua espada em uma pedra próxima. A espada, que deslizou dentro da pedra facilmente, ficou com a maior parte da lâmina enfincada, e com isto o que restou para fora da pedra ficou parecendo uma cruz.

Para decepção de sua família, Galgano Guidotti viveu o resto de sua curta vida (ele morreu em 1181) como um eremita e dedicado a Deus, conforme os sonhos lhe haviam pedido. Em 1185 o Papa Lúcio III santificou o homem (desde então São Galgano) e uma capela redonda foi construída em volta da espada para preservá-la, onde ela está até hoje.

Cappella di San Galgano a Montesiepi

Também dizem as lendas que muitos tentaram retirar a espada de Galgano da pedra, e não conseguiram. E que entre sua morte e a construção da capela, um ladrão tentou roubar a espada mas foi completamente devorado por lobos, sobrando-lhe apenas as mãos e braços. Os ossos da mãos e braços do "ladrão" também se encontram conservadas dentro da Capela de Montesiepi.

A Ciência não pode comprovar estes relatos lendários, mas as análises feitas em 2001 por cientistas da Universidade de Pavia atestam que tanto a espada como os ossos são de fato do Século 12, ou seja, estão de acordo com a época vivida por Galgano Guidotti.

Também não é possível afirmar que há uma relação entre a lenda Arturiana da espada de Excalibur e a história de São Galgano. Entretanto, os primeiros textos em que a Excalibur aparece como sendo retirada de uma pedra, aparecem apenas algumas décadas depois da morte de Galgano Guidotti. Portanto, dá para desconfiar que isto não seja apenas "coincidência".

Galgano Guidotti e sua espada em detalhe



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sábado, 8 de março de 2025

Especial Dia Internacional da Mulher: CINCO jogos de tabuleiros modernos feitos por mulheres e que são sucessos mundiais!

8 de Março! Dia Internacional da Mulher! E novamente temos artigo especial aqui no Cinema Vírgula! Porém ao invés de trazer uma "mini-biografia" de alguma mulher memorável, como já fiz das incríveis Hedy LamarrRoberta Williams ou Lucille Ball, desta vez apresento jogos de tabuleiro modernos para vocês conhecerem e se divertirem.

São cinco jogos bem diferentes entre eles, cada um de uma designer mulher distinta, todos bastante conhecidos mundialmente, e que também podem ser comprados em lojas especializadas aqui no Brasil. Vamos a eles!


Wingspan (2019, Elizabeth Hargrave)

Começando pelo jogo que continua sendo um dos mais populares da atualidade, criado pela estadunidense Elizabeth Hargrave, que estreou no mundo dos boardgames lançando justamente este Wingspan. Seu jogo rapidamente virou um grande sucesso, e hoje já ultrapassou a marca de de 2,4 MILHÕES de cópias vendidas no mundo todo. 

Wingspan é um jogo onde você coleciona pássaros, e o faz através de compra de cartas e gestão de recursos, que são ovinhos e "comidinhas" como insetos e peixes. O jogo é muito bonito, e apesar da dificuldade média (não é tanto para iniciantes), certamente agrada todos os gostos e gêneros.

A foto título deste artigo nos mostra Elizabeth Hargrave recebendo por Wingspan o prêmio do Kennerspiel des Jahres 2019, equivalente ao "Oscar" dos Jogos de Tabuleiro na categoria "Jogo Expert do Ano".

Wingspan joga de 1 a 5 jogadores, com cada partida durando cerca de 1h. O jogo custa cerca de R$ 550. Entretanto, existe uma versão mais barata do jogo, de nome Wingspan Asia, que é exclusiva para DOIS jogadores e custa menos de R$ 300.


Salada de Pontos (2019, Molly Johnson)

Agora vamos com um jogo mais leve, bastante premiado internacionalmente e diversão para toda a família. Trata-se de Salada de Pontos, feito pela estadunidense Molly Johnson em pareceria com mais outros dois criadores.

Salada de Pontos é um jogo de seleção de cartas rápido, simples e divertido para toda a família. Ele funciona assim: em cada rodada, você pode escolher dentre as opções da mesa (ver foto acima) pegar uma carta de pontuação, ou duas cartas de vegetais (e assim que você as pega, o grid de cartas é reposto com novas cartas). O "desafio" do jogo é que as cartas de pontuação podem dar pontos positivos ou negativos de acordo com determinados vegetais, e as vezes também as opções que estão disponíveis na mesa não são as melhores para os vegetais que você já tem. Na prática, tudo acaba sendo muito dinâmico e estratégico, com você tendo que fazer combinações de regras e vegetais que te favoreçam e ao mesmo tempo impeçam que outro jogador consigam cartas que poderão ser útil para ele.

Salada de Pontos joga de 2 a 6 jogadores, com cada partida durando cerca de 20 min. O jogo custa cerca de R$ 90 e vem dentro de uma caixinha metálica.


EXIT (2016 a 2025, Inka Brand)

A alemã Inka Brand é responsável, junto com seu marido Markus Brand, pela maior franquia de jogos de "Escape Rooms de bolso" do mundo todo. Trata-se da série EXIT, da qual já comentei aqui no Cinema Vírgula anos atrás.

Internacionalmente já foram lançados mais de 40 jogos diferentes desta série, sendo que aqui para o Brasil a editora Devir já trouxe pouco mais da metade deles: 24. Os temas são diversos. Por exemplo, os dois primeiros jogos da série se chamam EXIT: O Jogo - A Cabana Abandonada (2016) e EXIT: O Jogo - O Laboratório Secreto (2016), mas também há jogos baseados em franquias famosas, como por exemplo EXIT: O Jogo - Senhor dos Anéis: Sombras sobre a Terra Média (2022) e EXIT: O Desaparecimento de Sherlock Holmes (2022). A foto acima é de componentes da versão do jogo do Sherlock Homes.

Cada edição do jogo nos traz uma história, onde os jogadores devem resolver uma série de enigmas em até 60 minutos, para evitar que "algo ruim aconteça". Tudo do jogo vêm em uma pequena caixa, onde temos geralmente alguns livretos, cartas e um disco de papel repleto de combinações que é usado como "guia" para os enigmas apresentados. Os desafios em geral são bem criativos, mas ao mesmo tempo bem difíceis. É um jogo que só pode ser jogado uma vez, já que geralmente você vai inutilizar (cortar) os componentes enquanto o joga.

Os jogos da série EXIT variam bastante de preço, custando em média R$ 130. O ideal é jogá-lo em 1 a 3 jogadores, e dificilmente você o terminará nos tais 60 minutos. Pode colocar 90 ou 120 min aí.


Qwirkle (2006, Susan McKinley Ross)

Qwirkle é um jogo que aparentemente demora para convencer as pessoas... afinal, embora tenha sido criado em 2006, só foi receber reconhecimento internacional em 2011, e só foi lançado no Brasil em... olhem só, ano passado, 2024! Porém, ele "demora" mas faz sucesso, já que já vendeu mais de 5 MILHÕES de cópias pelo mundo todo.

Criado pela estadunidense Susan McKinley Ross, neste jogo temos peças de 6 cores e 6 formatos diferentes, e a cada vez que colocamos um grupo deles na mesa, pontuamos pelo número de repetições de cor ou formato. Por exemplo, se na mesa já tenho 2 peças amarelas em linha, e em meu turno eu coloco mais 2 peças amarelas em seu lado, faço 4 pontos. Após isso reponho na minha mão as peças que gastei, e assim o jogo vai até que todas as peças se acabem.

O jogo é simples, para toda a família (inclusive crianças), roda de 2 a 4 jogadores e cada partida dura cerca de 30 min. Seu preço é de R$ 130.


As Ruínas Perdidas de Arnak (2020, Mín)

A designer checa Michaela "Mín" Štachová forma junto com seu marido Michal "Elwen" Štach a dupla "Mín & Elwen", sendo este jogo a maior criação deles até o momento.

Em As Ruínas Perdidas de Arnak somos aventureiros explorando terras selvagens em buscas de artefatos de civilizações antigas. O jogo é lindíssimo, com um tabuleiro gigante e repleto de cartas e componentes (que faz o preço do jogo ficar um pouco salgado, como veremos mais adiante).

Ele mistura as mecânicas de Alocação de Trabalhadores com Construção de Baralho, e apesar das regras consideravelmente simples, o jogo é bastante "apertado", sendo que em cada turno você tem poucas opções (recursos) disponíveis, e pontuar é difícil. Acaba sendo o jogo mais "pesado" (no sentido de complexidade) desta lista toda, bem estratégico, e reitero que suas regras não são difíceis de entender, o mais complicado mesmo é "dominar o jogo". Para quem gosta de jogos assim, ele é bem bacana e divertido.

As Ruínas Perdidas de Arnak joga de 1 a 4 jogadores, com cada partida durando cerca de 2h. O jogo custa cerca de R$ 600.


Jenga (1983, Leslie Scott) 

Achou que minha lista iria parar nos cinco jogos modernos?? Achou errado!!! Aqui vai um jogo extra. Jenga não é um jogo de tabuleiro moderno, mas não poderia deixar de ficar de fora neste Dia Internacional da Mulher.

Não preciso explicar pra você como Jenga funciona, pois você certamente já jogou esta pequena e divertida maravilha. Criado pela britânica (porém nascida na Tanzânia) Leslie Scott, mesmo com seu jogo sendo plagiado incontavelmente por aí, segundo matéria do The New York Times o Jenga original conta com mais de 90 MILHÕES de cópias vendidas pelo planeta.

Nas últimas décadas Jenga também foi vendido com outras versões especiais (e com regras/mecânicas adicionais), como por exemplo esta abaixo do Super Mario, de 2020. Infelizmente, nenhuma delas chegou ao Brasil.

Nas lojas brasileiras você consegue encontrar o Jenga original por cerca de R$ 100. Já os clones mal feitos dele, dá pra achar por menos de R$ 40.



E Feliz Dia Internacional da Mulher a todas as leitoras do Cinema Vírgula!

segunda-feira, 3 de março de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #035 - Conheça quais são as grandes premiações internacionais do Cinema e quais filmes brasileiros já brilharam nelas!



É isso! O Brasil acaba de levar seu primeiro Oscar! E isso aconteceu ontem, graças ao Oscar de Melhor Filme Internacional para Ainda Estou Aqui! Portanto nada mais justo este artigo temático! ;)

Antes do evento de ontem, o Cinema Brasileiro já havia brilhado muitas outras vezes ao redor do mundo ao longo de sua história! Abaixo você vai saber quais são as maiores premiações internacionais do Cinema além do Oscar, e todos os filmes brasileiros que já venceram seus respectivos prêmios máximos. Isso é apenas uma amostra do nosso potencial como indústria cinematográfica.



Palma de Ouro (Festival de Cannes)

Provavelmente o segundo maior prêmio do mundo do Cinema, a Palma de Ouro é entregue em Cannes, na França. O Festival de Cannes se iniciou em 1946, sendo que seu prêmio máximo de "melhor filme", a Palma de Ouro, começou a ser entregue em 1955. O primeiro e único filme brasileiro a vencer este prêmio é o Pagador de Promessas, de 1962, escrito e dirigido por Anselmo Duarte, filme este que também foi o primeiro a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

Curiosidade: a primeira edição deste Festival era para acontecer em 1939, inclusive tendo Louis Lumière como presidente. O Festival inclusive chegou a ter a primeira noite de eventos, porém no dia seguinte, em 01 de Setembro, a Alemanha invadiu a Polônia, e a programação então foi adiada... depois cancelada... com o Festival de Cannes retornando apenas décadas depois.


Leão de Ouro (Festival de Veneza)

O Festival Internacional de Veneza é o festival de Cinema em vigor mais antigo do mundo, sendo iniciado em 1932. Já seu prêmio máximo de "melhor filme", o Leão de Ouro, passou a ser entregue a partir de 1949. O Brasil nunca conseguiu levar um Leão de Ouro para casa, mas em 1981, o filme Eles Não Usam Black-tie, de Leon Hirszman e Gianfrancesco Guarnieri venceu o Grande Prêmio do Júri, que é o segundo prêmio mais importante do evento, logo abaixo do Leão de Ouro. É a única premiação do Festival de Veneza levada por brasileiros até hoje.

Curiosidade: a origem do Festival de Veneza não é "muito bacana", já que ele foi criado por empresário e político Giuseppe Volpi para desenvolver o cinema Italiano e... ajudar a promover o governo Fascista em vigor na época.


Urso de Ouro (Festival de Berlim)

Encerrando a trinca dos "Grandes Festivais" (que junto com Cannes e Veneza, formam o trio de festivais mais importantes da Europa), este festival, também apelidado de Berlinale, ocorre desde 1951. Seu prêmio máximo, o Urso de Ouro, está presente desde o início do festival, e o Brasil já levou ele duas vezes! A primeira com Central do Brasil, de Walter Salles, em 1998, e o segundo com Tropa de Elite, de José Padilha, em 2008.

Curiosidade: assim como nos festivais de Cannes e Veneza, o Festival de Berlim tem convidado nas últimas décadas, personalidades da indústria cinematográfica de nacionalidades diversas para seu júri. Sua "diferença" é ser considerado mais diversificado e politizado que os outros dois. Por exemplo para ser presidente do Júri, já tivemos recentemente a britânica Tilda Swinton, a italiana Isabella Rossellini, os estadunidenses M. Night Shyamalan, Meryl Streep e Kristen Stewart.


Globo de Ouro

Encerrando a minha lista de maiores premiações internacionais do Cinema, chego ao Globo de Ouro, segunda maior premiação estadunidense. Que aliás, é uma premiação bem diferente das outras. Primeiro, porque ela é dada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, ou seja, são jornalistas estrangeiros que fazem especificamente a cobertura de notícias de Los Angeles para o mundo. Segundo que é uma premiação que premia Cinema e TV... e terceiro, que eles separam as premiações de Cinema em duas categorias: temos os filmes "de Drama", e os filmes "de Comédia ou Musical".

O evento existe desde 1944, e seu(s) prêmio(s) máximo(s) são o Globo de Ouro para Melhor Filme de Drama, e Globo de Ouro para Melhor Filme de Comédia ou Musical. O Brasil nunca levou nenhum destes prêmios, mas já levou dois Globos de Ouro pra casa. Em 1998, Central do Brasil com Fernanda Montenegro venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E agora mesmo, na mais recente edição de 2024, sua filha Fernanda Torres levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático. Na foto inicial do artigo podemos ver a atriz exibindo seu inédito troféu.



PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? Toda segunda-feira tem uma nova! É só clicar aqui!

Brasil vence o primeiro Oscar de sua história!


O dia 02 de Março de 2025 entra para a História do Cinema Brasileiro ao se tornar o dia onde nosso país venceu sua primeira estatueta do Oscar.

E a conquista veio através do Oscar de Melhor Filme Internacional para Ainda Estou Aqui. O filme  nacional ainda estava indicado em mais duas categorias, a de Melhor Filme e a de Melhor Atriz, porém perdeu ambas para Anora. É importante ressaltar que isso não diminui em nada esta grande vitória, temos que comemorar bastante!!

Para quem ainda não viu, no vídeo abaixo temos toda a sequência do momento da entrega do nosso primeiro Oscar!

sábado, 1 de março de 2025

O Oscar 2025 será NESTE domingo! Conheça aqui os favoritos e minha análise sobre as chances brasileiras!


Neste 02 de Março de 2025, amanhã, um Domingo de Carnaval(!), teremos a cerimônia de entrega do 97º Academy Awards, vulgo Oscars 2025. Abaixo segue a lista dos 10 filmes que disputam o prêmio máximo de Melhor Filme, ordenados pelo número somado de indicações recebidas (entre parênteses). Você pode clicar nos links dos nomes para ler as críticas feitas aqui pelo Cinema Vírgula. Dos 10 nomes acabei não assistindo 3, com o detalhe que Um Completo DesconhecidoNickel Boys estrearam no Brasil apenas nesta Quinta-feira(!), o primeiro deles nos cinemas, e o segundo no Prime Video:
Dentre os filmes que receberam múltiplas indicações, mas não a de Melhor Filme, lideram em número Nosferatu (4), Sing Sing (3) e Robô Selvagem (3).

Esta edição tem um interesse bem especial para nós brasileiros, afinal, nosso Ainda Estou Aqui, de Walter Salles e Fernanda Torres, estará disputando as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Atriz (para Fernanda Torres) e Melhor Filme Internacional.

E a Rede Globo está acreditando que vai dar "samba", afinal, não só decidiu após muitos anos voltar transmitir o Oscar ao vivo (ao invés de um atraso de algumas horas para não interferir na sua programação), como optou transmitir o Oscar na TV aberta apesar dos desfiles de Carnaval! Mas será que o Brasil tem chance mesmo de ganhar algum dos prêmios e levar para casa nosso histórico primeiro Oscar? Vejam a seguir o que acho das chances brasileiras em cada uma das 3 categorias.


O Oscar de Melhor Filme

Não vejo a menor chance de Ainda Estou Aqui levar o prêmio máximo. E o mesmo digo para Emilia Pérez, que descarto devido sua alta rejeição e polêmicas. Como já expliquei no passado, esta categoria é diferente, e muitas vezes não vence o "melhor votado", e sim, o "menos rejeitado". Exatamente por isso, acredito que o Oscar de Melhor Filme vai ficar entre Anora ou Conclave, que são, dentre os filmes de maior número de indicações, que não possuem nenhuma polêmica jogando contra.

Entretanto, a meu ver, ainda há um terceiro candidato correndo por fora que pode levar esta tão cobiçada estatueta. Trata-se de O Brutalista, cuja campanha se enfraqueceu pelo uso de IA. Se ele vencer, é porque a Academia optou por passar uma mensagem mais política, pró imigrantes e antinazismo, em recado ao governo Trump.

Mas é um cenário improvável. Aliás, eu estou imaginando que durante a cerimônia do Oscar teremos sim algumas cutucadas contra Trump, mas ficará só nisso, acredito numa edição menos politizada desta vez... o próprio fato do apresentador escolhido ser Conan O'Brien, menos combativo, me passa essa sensação. Dito tudo isto, estou apostando em uma vitória para Anora.


O Oscar de Melhor Atriz

Mais uma vez Karla Sofía Gascón e seu Emilia Pérez ficam de fora do páreo, e não somente porque Karla falou todas aquelas atrocidades em seu Twitter anos atrás, mas também porque ela disse que "pessoas da equipe de Fernanda Torres" estavam ativamente ajudando a difamá-la. Atitude essa que quase a excluiu da disputa pelo prêmio (pelas regras do Oscar, um candidato não pode falar mal dos concorrentes, sob pena de eliminação).

E aí o bicho pega, por que a disputa é tripla e acirradíssima entre Mikey Madison (Anora), Demi Moore (A Substância) e nossa Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui). As três dividiram os prêmios de Melhor Atriz ao longo da temporada de premiações, o que deixa tudo indefinido. E cada uma tem seus motivos particulares para ser a escolhida:

Demi Moore, pela sua idade e carreira, ao nunca ter vencido a estatueta e estar meio sumida do estrelato há um certo tempo, sua vitória seria uma daquelas histórias de redenção e superação que Hollywood tanto ama; já Fernanda Torres é provavelmente quem entregou uma atuação mais completa das três concorrentes, além de que sua vitória seria uma reparação à injustiça feita com sua mãe em 1999... e a Academia também gosta de histórias de "corrigir erros"; finalmente Mikey Madison representa uma nova geração e Anora, que se como imagino vá levar o Oscar de Melhor Filme, faz todo sentido para o evento que este filme leve várias estatuetas. Então, a de Melhor Atriz também poderia ser uma delas.

Estou torcendo muito muito muito pela Fernanda Torres, acho que ela tem chances reais, ainda mais se o Brasil não levar o Oscar de Melhor Filme Internacional. Mas ainda assim, acho que aqui vai dar Demi Moore. 


O Oscar de Melhor Filme Internacional

E finalmente, o Oscar para os que não são estadunidenses. Por tudo que Ainda Estou Aqui é bom e Emilia Pérez não é; por tudo que Ainda Estou Aqui foi elogiado e Emilia Pérez criticado, o filme brasileiro deveria ser o franco favorito. Porém, infelizmente, não é o caso. Nesta categoria, Emilia Pérez ainda é forte concorrente.

Apesar de toda a repercussão negativa que Emilia Pérez recebeu nos últimos dois meses - e por motivos justos - o filme francês continuou vencendo a maioria dos prêmios de "Melhor Filme Internacional" deste mesmo período. Bem preocupante. Em outras palavras, o lobby e o dinheiro da Netflix continuam falando bem forte nas premiações. Somando-se a isso, o fato de que a atriz Karla Sofía Gascón, que está "sumida" do público há um bom tempo para evitar novas polêmicas, ter confirmado sua presença na cerimônia, não seria um sinal de que Emilia Pérez vai vencer algum prêmio? - perguntaria meu lado conspiracionista rs.

Ainda assim quero manter meu otimismo e apostar que será aqui que o Brasil vencerá seu primeiro Oscar. Acho que nesta categoria vai dar Ainda Estou Aqui. Se perdermos aqui, sonho em ver Fernanda Torres vencendo sua categoria mais tarde... de um jeito ou de outro, quero manter o otimismo de que o Brasil vai encerrar este Oscar levando alguma estatueta para casa.


E o que mais??

Não vou dar meus palpites para todas as categorias restantes, mas vou dar meus pitacos para mais algumas principais.

Melhor Direção: Coralie Fargeat(*) (A Substância); Melhor Atriz Coadjuvante: Zoe Saldaña (Emilia Pérez); Melhor Ator: Adrien Brody(*) (O Brutalista); Melhor Ator Coadjuvante: Kieran Culkin (A Verdadeira Dor); Melhor Trilha Original: Wicked; e Melhor Animação: Flow.

(*)Comentários: para Melhor Direção, os favoritos são, em ordem: Sean Baker (Anora) e Brady Cobert (O Brutalista) em segundo. Mas eu vou apostar na Coralie para ser "a maior surpresa" deste Oscar; para Melhor Ator, está rolando nos EUA um boato meio bizarro... que muitos votantes não votaram no Ralph Fiennes (Conclave) porque achavam que ele já tinha vencido o Oscar antes, e só depois de votarem, descobriram - em arrependimento - não ser o caso... E o pior de toda esta história é que Adrien Brody já venceu o Oscar antes! Se não fosse por esse rumor, confesso que teria apostado em Ralph como vencedor, porém, não é mais o caso.


Lembrando, a cerimônia do Oscar será neste Domingo, 2 de Março, a partir das 21h (horário de Brasília) no tapete vermelho e às 22h a entrega dos prêmios. Com transmissão na TV aberta pela Rede Globo, e pela TNT / Max em canais fechados.


E vocês, quais são seus palpites? Acham que o Brasil leva algo? Deixem nos comentários!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Crítica - O Brutalista (2024)

Título
: O
 Brutalista ("The Brutalist", Canadá / EUA / Reino Unido, 2024)
Diretor: Brady Corbet
Atores principais: Adrien Brody, Felicity Jones, Guy Pearce, Joe Alwyn, Raffey Cassidy, Ariane Labed, Stacy Martin, Emma Laird, Isaach de Bankolé, Alessandro Nivola
Nota: 6,0

Grandiosidade faz com que filme se perca em sua história

Tendo estreado nos cinemas brasileiros na Quinta-feira passada, O Brutalista entra na véspera da cerimônia do Oscar como um dos favoritos a levar o Oscar de Melhor Filme 2025.

A história de O Brutalista, fictícia, nos apresenta László Tóth (Adrien Brody), um judeu-húngaro sobrevivente do Holocausto e arquiteto modernista (leia mais sobre isto no meu P.S. ao final deste artigo), que imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial consegue emigrar para os Estados Unidos, mesmo que isto signifique separar de sua esposa Erzsébet (Felicity Jones) e de sua sobrinha Zsófia (Raffey Cassidy). Algum tempo após chegar nos EUA, ele acaba sendo contratado pelo milionário Harrison Van Buren (Guy Pearce), para comandar um enorme e ambicioso projeto.

Dada esta descrição inicial, é difícil classificar O Brutalista. Ele é bem longo (quase 3h30min de projeção) e por opção bem ousada de seu diretor/roteirista Brady Corbet, acaba tratando de muitos assuntos. Aqui vemos a luta e questionamentos de um refugiado judeu, a busca do sonho americano, a crueldade e arrogância da classe rica, e ainda comentar de passagem sobre racismo, brigas de casal, vício em opióides e até... História e Arquitetura.

Em termos da trama, parece que temos dois filmes distintos. No primeiro ato, onde os personagens são apresentados, O Brutalista ainda consegue se manter interessante para o espectador. Porém no segundo ato, quando Erzsébet e Zsófia chegam aos EUA, a história parece se perder completamente, com o roteiro não sabendo mais que história contar. E, deixando claro, isto nem é culpa das novas personagens que chegaram. Até porque depois que Felicity Jones chega, ela acaba fazendo a única personagem interessante que resta em O Brutalista, já que nesta parte dois o personagem de Adrien Brody entra em uma descendente e se torna rapidamente intragável.

Portanto depois de um primeiro ato bem interessante e promissor, a única coisa que salva do roteiro segundo ato - confuso e com várias bizarrices - é que pelo menos ele não é previsível. Se prepare para situações incomuns. Por outro lado, se o roteiro de O Brutalista derrapa, ele vai muito bem em outros aspectos técnicos.

A fotografia (o que inclui os diversos modos de filmagem) e a trilha sonora de O Brutalista são ambas bem impressionantes. E inclusive, ambas são fundamentais para que este filme possa ser classificado como "épíco" mesmo sem ter cenas grandiosas de ação, ou mesmo de cenografia.

O Brutalista está indicado a 10 prêmios do Oscar 2025 e tem boas chances de levar alguns deles, ainda que uma certa polêmica possa prejudicar suas chances: trata-se do fato do uso de Inteligência Artificial no uso de um "aperfeiçoamento" no sotaque húngaro dos atores. Você pode aprovar ou reprovar, achar hipocrisia ou não, mas o fato é que "hoje" parte de Hollywood ainda não vê IA com bons olhos. Gostei bastante da atuação de Guy Pearce aqui, pra mim é a melhor atuação dele desde Amnésia (de 2000), só que não acho que ele leve o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante... todo mundo fala que o irmão de Macaulay Culkin, Kieran Culkin, é quem vai levar esta.

O Brutalista é outro filme desta safra do Oscar 2025 que é adorado pela crítica especializada mas que não vejo como agradar tanto o público em geral. Muito longo, muito lento, e até chato, seus pontos positivos vão mais pela trama inusitada e aspectos técnicos excelentes do que pela história em si. Nota: 6,0.


P.S.: por que Brutalista? É de se imaginar que o filme se chama "O Brutalista" porque o roteiro quer associar László Tóth com o estilo Brutalista. E faria sentido. O Brutalismo é um estilo arquitetônico que surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Suas principais características são o concreto exposto, sem adorno, e o uso de formas geométricas gigantes e ousadas.

O problema, é que segundo a comunidade arquitetônica o filme não mostra quase nada da arquitetura Brutalista, e quando o faz, faz de modo errado. Mais uma polêmica pro filme lidar...

O prédio do MASP, na cidade de SP, é um exemplo da arquitetura Brutalista

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