domingo, 28 de setembro de 2025

Crítica - Uma Batalha Após a Outra (2025)

Título
: Uma Batalha Após a Outra ("One Battle After Another", EUA, 2025)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Atores principais: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Alana Haim
Nota: 7,0

Paul Thomas Anderson surpreende com forte manifesto pró-imigrantes

Depois de 4 anos - após seu premiado Licorice Pizza (2021) - o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson volta com Uma Batalha Após a Outra. Não é a primeira vez que ele discute sobre temas, digamos, polêmicos em relação a sociedade, como por exemplo já o fez em Magnólia (1999) e em O Mestre (2012), mas aqui, temos seu filme mais abertamente político e declarativo.

A história começa nos anos 2000, onde vemos Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) e "Ghetto" Pat Calhoun (Leonardo DiCaprio), integrantes do grupo revolucionário de extrema esquerda "French 75", atacarem e libertarem um centro de detenção de imigrantes na Califórnia, comandado pelo coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn). Vemos depois o grupo realizar mais alguns ataques até Perfidia ser capturada. Com isso, Pat Calhoun e sua recém nascida filha com que teve com Perfidia mudam de nome (ele vira Bob Ferguson) e fogem para outra cidade, mudando de vida para não serem mais encontrados.

Chegamos aos dias atuais. Willa Ferguson (Chase Infiniti), a filha de Pat e Perfidia, vive em paz com seu pai. Ela tem uma leve idéia do passado da sua família e só. Porém depois de tantos anos, o coronel Steven J. Lockjaw resolve encontrar pai e filha para matá-los. É então que temos uma desproporcional caçada do exército contra nossos protagonistas.

Esta segunda parte do filme, "dos dias atuais", é mais longa e tenta ser bem humorada. Na verdade temos muitas "piadas" ao longo da projeção, divididas em dois tipos: brincando com o despreparo do personagem de DiCaprio, por estar há 2 décadas fora da ativa, ou ironizando o grupo de supremacistas brancos ao qual o coronel Lockjaw quer fazer parte. Embora engraçadas, na prática ri muito pouco, pois é difícil rir no meio de uma ação tão frenética e - principalmente - vendo ao mesmo tempo tantas pessoas sendo atacadas / intimidadas.

Portanto, debaixo de tanta ação e piadas, temos bastante violência e denúncia dos maus tratos que os imigrantes e minorias - especialmente pretos e latinos - sofrem nos EUA. É nesse contexto que o personagem sensei de Benicio del Toro se interliga na história, já que a caçada de Lockjaw pelos Ferguson acaba agredindo toda uma comunidade latina.

Como maiores qualidades de Uma Batalha Após a Outra, além de ótimas atuações, temos uma fotografia excelente, que inclusive em muitas vezes conta com uma câmera que segue os atores "em primeira pessoa", correndo atrás da ação. Outro ponto alto é a competência com que Paul Thomas Anderson traz tensão em seu filme: são mais de 2h30 de muito nervosismo e adrenalina.

Denunciando a injusta e covarde violência contra os imigrantes dos EUA, e ao mesmo tempo de certa forma "convocando" as pessoas para reagirem ao fazer dos revolucionários os heróis, Uma Batalha Após a Outra acaba sendo um forte manifesto - e neste sentido me surpreendendo pela coragem - contra a política atual estadunidense. Todas as brincadeiras e personagens "bizarros" do filme tornam assistí-lo algo mais divertido, mas nem de longe conseguem amenizar toda a violência, tanto da própria obra, quanto da vida real. Nota: 7,0

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #047 - Franz Kafka, a menina e a boneca


Se você já ouviu falar algo de Franz Kafka (1883-1924), este famoso escritor "checo" do início do século XX (as aspas são porque quando ele nasceu, a cidade de Praga fazia parte do Império Austro-Húngaro), deve ser por uma de suas duas obras mais famosas: "A Metamorfose" (1915) e "O Processo" (1925). Ambas obras angustiantes, pessimistas, com presença de um nonsense e absurdos que ecoam pesadelos.

Em vida, sua reputação foi parecida com o conteúdo de sua obra: Kafka era considerado um pouco "esquisito". Por exemplo ele se relacionou com várias mulheres mas nunca conseguiu se casar; ao mesmo tempo era uma pessoa tímida, deprimida, atormentada, solitária e de saúde frágil. Antes de morrer, queimou boa parte dos seus escritos; aliás, a maioria dos seus trabalhos mais famosos foram publicados postumamente. A Metamorfose foi uma rara exceção de um trabalho seu publicado em vida.

Dito tudo isso, a conclusão é que os eventos que narrarei a seguir, sobre o famoso escritor, não parecem combinar muito com o que imaginamos de sua personalidade, tornando então a história algo bem surpreendente. Os acontecimentos foram contados por Dora Diamant (a última companheira de Kafka), em uma entrevista que ela deu à uma renomada tradutora francesa dos trabalhos de Franz Kafka - Marthe Robert - no início dos anos 1950.


Kafka, a menina e a boneca

Segundo Dora, em um episódio que ocorreu no último ano de vida de Kafka, estavam ele e ela passeando por um parque em Berlim, quando encontraram uma menina que chorava porque havia perdido sua boneca.

Comovido com a situação, Kafka disse à menina para não se preocupar, pois a boneca na verdade tinha partido em uma viagem e que tinha lhe entregue uma carta. Desconfiada, a menina perguntou pela carta, e então o escritor retrucou que não a tinha com ele naquele momento, mas que se ela voltasse no parque no dia seguinte, ele iria trazê-la.

Franz Kafka e Dora Diamant

Eles se encontraram no dia seguinte, e cumprindo sua palavra, Kafka lhe entregou a primeira carta, onde a boneca explicava para a menina que viajou para conhecer o mundo, e que passaria a escrever para ela as suas aventuras. A partir de então, todos os dias durante três semanas, Kafka foi ao parque com uma nova carta da boneca.

Dora Diamant conta que Kafka escrevia as cartas com a mesma dedicação que escrevia sua obra literária, e que ele teve muitas dificuldades para encontrar um final que o deixaria livre, mas ao mesmo tempo trouxesse uma conclusão razoavelmente satisfatória para a menina. A solução encontrada por Franz foi fazer a boneca ficar noiva. Ele falou então sobre o noivado, os preparativos para o casamento, detalhou minuciosamente sobre a casa onde a boneca iria morar, e finalmente, fez a boneca dizer à menina: "você então entende, certo, que vamos ter que parar de nos ver" (afinal, nesse contexto criado, agora a boneca está casada e mora em um lugar distante...).

Não há provas físicas de que esta história é verdadeira, pois nenhuma das cartas enviada a tal menina (cuja identidade também é desconhecida) foi encontrada. O único registro é mesmo o depoimento de Dora Diamant. Mas como dizem os estudiosos: por outro lado, por que Dora iria inventar esta história, que aliás é cheia de detalhes?


Impacto na cultura Pop


Mesmo sendo uma história que não é amplamente conhecida, ela também não é tão ignorada assim. Afinal, há pelo menos dois livros dedicados exclusivamente a este evento.

Em 2006 o escritor espanhol Jordi Sierra i Fabra publicou o livro "Kafka e a Boneca Viajante", que é uma ficcionalização desta passagem da vida de Kafka. A obra foi bastante premiada, e nela Jordi chega a recriar as tais cartas nunca encontradas. O livro foi publicado no Brasil pela editora Martins Fontes e ainda pode ser encontrado para compra.

Outro livro, agora estadunidense, de nome "Kafka and the Doll", foi lançado em 2021, foi escrito por Larissa Theule e ilustrado por Rebecca Green, e se propõe a fazer a mesma coisa: recontar, a sua maneira, a história de Kafka com a menina que perdeu sua boneca. Porém aqui temos um livro infantil, com bem menos texto e muitas ilustrações. Ah, e nunca traduzido para o português.

E para finalizar, vale a pena lembrar que no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), em um determinado momento a protagonista Amélie resolve fazer com que seu recluso pai saia de casa e aproveite a vida; então, ela rouba o anão querido do jardim do pai dela, e contando com a ajuda de uma amiga aeromoça, faz com que ela fique enviando para a casa dele fotos do gnomo visitando pontos turísticos ao redor do mundo. Embora eu não tenha encontrado em nenhum lugar que a inspiração para esta "travessura" de Amélie tenha sido o conto de Kafka com a boneca, eu aposto que foi isso!

De O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: eu já vi essa idéia em algum lugar...




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

domingo, 21 de setembro de 2025

Introdução a Demon Slayer e a crítica do filme Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito (2025)

Título
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito ("Gekijô-ban Kimetsu no Yaiba Mugen Jô-hen", EUA / Japão, 2025)
Diretores: Haruo Sotozaki, Hikaru Kondô
Atores principais (vozes): Natsuki Hanae, Hiro Shimono, Reina Ueda, Takahiro Sakurai, Akira Ishida
Nota: 8,0

Trilogia-desfecho começa sendo tudo o que os fãs queriam

Após considerável espera dos fãs, chega finalmente aos cinemas do mundo inteiro o tão esperado desfecho do anime Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba, no original japonês). Ou melhor, chegou o "começo do fim", já que a saga final desta obra será adaptada em uma trilogia de filmes, sendo este o primeiro, e os outros dois chegarão aos cinemas respectivamente em 2027 e 2029.

Demon Slayer é a adaptção em anime do mangá de mesmo nome escrito e ilustrado por Koyoharu Gotōge, história que já foi concluída no Japão em 2020. Para quem não o conhece, trata-se certamente de um melhores e mais populares mangás/animes de ação/artes marciais criados na última década.

Um breve resumo sobre Demon Slayer e porque ele é tão bom: o protagonista da história é Tanjiro Kamado, um garoto que teve toda sua família - pais e irmãos - trucidada por um demônio (na verdade, os demônios deste universo estão muito mais para vampiros com poderes e formas bizarras), tendo sobrevivendo apenas ele e sua irmã mais nova Nezuko, sendo que essa foi mordida e já se transformou em demônio. Entretanto, de alguma forma, Nezuko preservou boa parte de sua consciência humana, e os irmãos conseguem viver juntos. Então Tanjiro decide se unir à organização dos Esquadrão de Caçadores de Onis (outro nome para os demônios), para conseguir uma cura para sua irmã e impedir que outras pessoas tenham o mesmo destino de sua família.

Além de saber trazer constantes atos de heroísmo com maestria, lutas sensacionais com freqüência, tanto em termos de ação quanto em termos de roteiro - onde vemos os heróis tendo que pensar e bolar estratégias em plena luta para conseguir derrotar adversários poderosos de poderes inesperados - um aspecto que faz Demon Slayer ser diferenciado é não mostrar os demônios como 100% malignos. Todos eles, na verdade, são verdadeiros monstros que estão cometendo as maiores atrocidades com humanos, porém, o anime/mangá também nos mostra a sua história, e então entendemos que alguns viraram demônios porque sofreram terrivelmente nas mãos de outros humanos no passado. Outros também não... há os que foram maus desde o início de suas vidas. Em outras palavras, há todo o tipo de vilão... aquele que sempre foi mau, ou o que era bom mas ficou mau porque perdeu tudo e cansou de sofrer; da mesma forma, há os demônios que antes de morrer se arrependem dos seus "pecados", outros não.

O anime, exibido tanto pela Netflix quanto pela Crunchyroll, contava até agora com 4 temporadas e 1 filme. E seu encerramento será, conforme dito anteriormente, com uma nova uma trilogia de filmes... tudo pelo lucro do estúdio de animação japonês Ufotable, responsável por Demon Slayer. Até o momento, Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito já é o segundo filme de maior bilheteria da história do Japão. E sabem qual é o primeiro? Demon Slayer - Mugen Train: O Filme, de 2020, que cronologicamente precisa ser assistido após o término da primeira temporada, e antes do início da segunda.

Uma das cenas iniciais do novo filme, com alguns dos heróis caindo nos andares do "Castelo Infinito"

Infelizmente Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito só faz sentido para quem assistiu todos os episódios do anime, afinal, ele continua exatamente de onde o 8º e último episódio da 4ª temporada acabou, ou seja, com todos os heróis "caindo" dentro do gigantesco (e então desconhecido) covil dos vilões, o tal Castelo Infinito que dá nome ao filme.

Basicamente, é o esforço final dos 7 Hashira (os melhores espadachins do Esquadrão de Caçadores de Demônios) mais os 3 garotos protagonistas Tanjiro, Zenitsu e Inosuke para matar o poderosíssimo Muzan Kibutsuji, o "primeiro demônio"; porém Muzan está protegido não apenas por suas 6 Luas Superiores (seus 6 demônios mais fortes), como também por milhares de demônios menores e pelo próprio Castelo Infinito.

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito não surpreende, traz exatamente o dele se espera, reunindo tudo o que fez de Demon Slayer ser ótimo e bem sucedido. É como se fosse uma seqüência de alguns ótimos episódios do anime, que aliás fica bem claro com algumas quebras bem grandes de ritmo no filme, quando o mesmo para a ação para contar histórias de flashback.

Mas se é assim, por que assistir esse Demon Slayer nos cinemas e não em casa? Bem, um motivo é que já foi anunciado que ele só irá ser liberado para os streamings em 2026. Mas os dois principais motivos são som e perspectiva. A trilha sonora é muito boa, forte e barulhenta, alternando entre instrumental épico, baladas eletrônicas de ação e ou batidas de tambores orientais. Um som grandioso que você não terá na sua casa. Já as imagens do Castelo Infinito fazem muito mais sentido se vistos em uma sala de cinema. Do jeito que as tomadas das lutas foram feitas, vendo as batalhas em uma telona, você se sente dentro dos largos cômodos, testemunhando tudo ao vivo.

Ah, e quem acompanha o anime já sabe que Demon Slayer é bem violento, e que perdas acontecem dos dois lados... Portanto não fiquem chocados ao já ver no primeiro filme heróis morrendo...

Sendo a primeira parte de uma trilogia, o filme deu pouco espaço para vários de seus personagens, e focou apenas em alguns, que foram: Tanjiro, Zenitsu, Shinobu Kocho (a Hashira dos Insetos), Giyu Tomioka (o Hashira da Água) e as Luas Superiores 2 (Doma), 3 (Akaza) e 6 (Kaigaku). Com isso, imagino que eles - o que inclui o protagonista Tanjiro - pouco aparecerão no capítulo seguinte.

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito é um bastante promissor começo para o derradeiro arco deste grande anime. Mantendo essa qualidade até o fim, ficarei bem satisfeito. De ruim mesmo é ter que aguardar 2027 e 2029... Nota: 8,0

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Conheça a ótima série Only Murders in the Building


Hoje resolvi trazer para vocês uma das melhores séries de TV que assisti nos últimos anos. Trata-se de Only Murders in the Building, que é originalmente exibida nos EUA pelo canal Hulu, mas que aqui no Brasil é transmitida pela Disney+. A série, que já teve 4 temporadas com 10 episódios cada, estréia sua 5ª temporada agora, neste mês de Setembro.

A trama começa dentro de um velho e gigante prédio habitacional de Nova York, o Arconia, onde ocorre um assassinato. E então três de seus moradores: o ex-ator de TV aposentado Charles-Haden Savage (Steve Martin), um diretor falido da Broadway, Oliver Putnam (Martin Short) e a jovem atriz Mabel Mora (Selena Gomez), que mal se conheciam, acabam descobrindo algo em comum: serem fãs de podcast de crimes reais. Então, eles se juntam, e resolvem criar o próprio podcast de true crime, investigando eles mesmos o assassinato que aconteceu em seu edifício.

Only Murders in the Building mistura de maneira bem feita a investigação policial com comédia. Sempre há mais de um possível assassino e você fica em dúvida, querendo descobrir quem é. Ao mesmo tempo, temos sempre momentos hilários, seja dos personagens se provocando, ou mesmo pérolas como a "Sala Branca" que é para onde a mente do personagem de Steve Martin vai, na terceira temporada, em momentos de pânico. Steve Martin não é mais uma grande estrela hoje, mas nos anos 80 era um dos maiores nomes dos filmes de comédia, e Only Murders in the Building nos proporciona momentos em que relembramos o porquê.

Meryl Streep e Paul Rudd começaram a aparecer na série a partir da 3ª temporada

Porém talvez a maior força de Only Murders in the Building resida na história e carisma de seus personagens. Claro, há todo um destaque para os dramas e inseguranças dos protagonistas, mas também há espaço para os personagens coadjuvantes e secundários. E haja personagens! Ao longo das 4 primeiras temporadas já tivemos participações importantes de Meryl Streep, Paul Rudd, Tina Fey, Eva Longoria, Eugene Levy, Zach Galifianakis, Téa Leoni, Jane Lynch, Amy Ryan, Da'Vine Joy Randolph e outros, e de participações especiais de personalidades diversas, como de Sting, Matthew Broderick, Mel Brooks, Scott Bakula, John McEnroe, Jimmy Fallon, Ron Howard, Ashley Park, Molly Shannon, Kumail Nanjiani, Richard Kind e Melissa McCarthy.

Geralmente cada episódio termina com algum gancho / reviravolta que muda o que você achava o que sabia, e deixa sua "ansiedade" para ver o episódio seguinte renovado. O "pior" é sempre o último episódio de cada temporada, que além de concluir fechando todas as pontas da temporada atual, encerra com outro assassinato, que vai ser investigado na temporada seguinte. Ou seja... nunca tem fim rs. Ainda assim, cada temporada é autossuficiente, com o grupo investigando uma história / assassinato distinto.

Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez não apenas são os protagonistas, mas também são co-produtores do programa. E é admirável ver como eles têm uma ótima química juntos. De Steve Martin e Martin Short nem precisa falar muito... eles se conhecem desde os anos 80 e, desde 2015 fazem em dupla shows de comédia pelos EUA. Mas o jeito mais calmo de Selena, e uma personagem que "sabe se defender mas ao mesmo tempo precisa de ajuda" completou muito bem o trio.

Eva Longoria, Eugene Levy e Zach Galifianakis aparecem na 3ª temporada para atuarem no lugar do trio protagonista em um filme

E não sou só eu quem gosta de Only Murders in the Building. A série é premiadíssima, e somando todas as indicações em todas as categorias das 4 primeiras temporadas, foram nada menos que 49 indicações ao Emmy Awards e 16 indicações ao Globo de Ouro.

Se você ainda não conhece Only Murders in the Building, fica aqui a recomendação máxima do Cinema Vírgula! Dê chance para a primeira temporada e depois venha contar aqui o que achou.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Relembrando de Psycho Fox, Decap Attack, e outros jogos curiosos da Vic Tokai!

Há alguns meses eu publiquei um artigo relembrando uma pequena, mas importante, desenvolvedora de jogos de videogames, a IREM. Continuando esta série, hoje trago outra desenvolvedora, ainda menor, a Vic Tokai.

Se você jogou nos videogames de 8 e 16 Bits da SEGA (Master System e Mega Drive) ou da Nintendo (NES e Super NES), aposto que conheceu algum dos jogos da Vic Tokai, desenvolvedora japonesa de games dos anos 80 e 90, que mesmo tendo criado algumas dezenas de jogos para estas plataformas, acabou não ficando tão famosa como outras marcas. 

A Vic Tokai era conhecida por ter vários jogos "incomuns", seja pela temática ou jogabilidade, além de tradicionalmente trazer boas trilhas sonoras e um humor peculiar. Neste artigo irei reapresentar para vocês alguns destes jogos. Curiosidade: a Vic Tokai existe até hoje, sob nome de Tokai Communications, porém não desenvolve mais jogos desde 1997, sendo agora uma empresa de telecomunicações.


A "Quadrilogia da Inércia"

Vamos começar pelo que provavelmente são seus jogos mais famosos - e alguns de seus melhores - que são aqueles que formam a "Quadrilogia da Inércia". Tratam-se de Kid Kool (de 1988, para o NES); Psycho Fox (de 1989, para o Master System); Magical Hat no Buttobi Turbo! Daibouken (de 1990, para o Mega Drive); e Decap Attack (de 1991, também para o Mega Drive). A imagem inicial deste artigo apresenta, em ordem, a tela título de cada um destes games.

Estes quatro jogos apresentavam algumas características em comum. A primeira delas é que todo personagem que o jogador controlava, também encontrava rapidamente no jogo um "pequeno companheiro" quase esférico, que com um clique de botão, era usado como um projétil para matar os inimigos. Conforme podemos ver na imagem abaixo, no caso de Kid Kool o "companheiro" era uma criatura vermelha de nome "Wicky"; em Psycho Fox era um pássaro de nome "Bird Fly"; em Magical Hat no Buttobi Turbo! Daibouken era "Roboggu", um robô em formato de ovo; e finalmente em Decap Attack tínhamos uma assustada caveira, que era acoplada em cima do tronco do protagonista.

Acima: Kid Kool e Psycho Fox; abaixo: Magical Hat e Decap Attack

Outra característica em comum era uma mecânica na movimentação dos personagens - que se hoje até temos algo parecido em jogos de FPS - era e é algo totalmente inusitado para jogos de plataforma. Trata-se da tal "mecânica da inércia", onde para tirar o personagem do repouso era mais difícil, com ele se movimentando bem vagarosamente, e em contrapartida, após correr, é mais difícil para seu personagem parar, e a desaceleração não acontece imediatamente.

Não joguei nem Kid Kool nem Magical Hat para avaliar suas qualidades, porém joguei Psycho FoxDecap Attack e ambos eram muitos bons. Aliás, afirmo com tranquilidade que Psycho Fox fica entre os Top 20 melhores jogos do Master System.


Golgo 13: Top Secret Episode - NES (1988)

Golgo 13: Top Secret Episode foi um dos vários jogos que a Vic Tokai fez para o NES, sendo este um dos mais bem sucedidos, com ótimas vendas. Ele é baseado em um popular mangá de mesmo nome (Golgo 13), que nos apresenta o assassino / espião de aluguel Duke Togo. Na trama deste game, Duke foi contratado para impedir os planos de um grupo terrorista de nome Drek... algo bem ao estilo de uma aventura de um James Bond.

Com gráficos apenas médios para a época, o jogo se destaca pela grande variedade nos tipos de fases: ação lateral onde você luta e atira, labirinto "3D" em 1ª pessoa, tela onde se controla uma mira de tiro em 1ª pessoa, shoot 'em up horizontal onde vc controla um helicóptero, e tela de ação lateral onde você é um mergulhador.


Golgo 13: Top Secret Episode é um jogo consideravelmente longo e difícil e por isto mesmo, para vencê-lo você dispõe de 52 vidas(!). Aliás, a maneira com que as "vidas" são computadas no jogo também é curiosa: a palavra "Episode" do título não está lá a toa... o Golgo 13 brinca ser um seriado de TV, e portanto toda vez que você morre, aparece um "To be continued", e depois os créditos iniciais aparecem novamente, com o número de um "episódio" ao lado do título. Este "número" equivale a quantas vidas você já gastou. Porém, a vida 52 é a última... se morrer, o jogo volta ao começo. Dentre as várias fases e viagens feitas pelo nosso protagonista Duke, há passagens pelo Brasil, no Rio de Janeiro e na Amazônia, como se vê na imagem abaixo.

O #51 da imagem acima indica o "Episódio 51", ou melhor dizendo, que o jogador está usando sua 51ª vida

O game teve uma seqüência, Golgo 13: The Mafat Conspiracy, lançado também para o Nintendinho em 1990, e também pela Vic Tokai. Trata-se de um jogo mais elogiado pela crítica do que o primeiro Golgo 13, contando com ótimos gráficos. Porém, acabou ficando menos conhecido pelo público. Em termos de gameplay, ele também é bem menos variado, contando apenas com as cenas de ação lateral com socos e tiro, a de labirinto 3D em 1ª pessoa, e dirigindo carro ao estilo Out Run, algo não presente no jogo anterior.


Battle Mania / Trouble Shooter (1991) e Battle Mania Daiginjō (1993) - Genesis / Mega Drive

Trouble Shooter é um jogo de tiro de rolagem horizontal lançado nos EUA em 1991, e lançado meses depois no Japão como Battle Mania. Nele você controla duas mercenárias futuristas, Madison e Crystal (ou respectivamente as irmãs Mania Ohtorii e Maria Haneda, na versão japonesa), com suas armas e mochila a jato, para resgatar um príncipe sequestrado.

Battle Mania / Trouble Shooter

Sendo duas personagens, daria para jogar com dois jogadores, correto? Errado. As duas irmãs são movimentadas sempre juntas, sendo que Madison atira sempre para a direita; já Crystal, com um dos botões do controle você alterna se ela atira para a direita ou para a esquerda; além disto, ela é imune a qualquer dano. Além do botão de tiro, o botão de "trocar a direção de Crystal", o terceiro botão dispara um ataque especial, cujo tipo é escolhido antes do começo de cada fase.

Ao longo do jogo você pode coletar power-ups que melhoram seu tiro e aumentam sua vida, além disso, também pode capturar um drone, que se junta ao grupo para ser um terceiro atirador. Trouble Shooter possui um visual colorido e que lembra animes, além de uma ótima trilha sonora. Com fases bem diversas e dificuldade na medida certa, o jogo tem diversão, som e gráficos de primeira. Talvez o único "defeito" do jogo é que ele é curto, poderia durar mais...

Battle Mania Daiginjō

Já Battle Mania Daiginjō, lançado exclusivamente no Japão em 1993, supera seu antecessor em tudo. O jogo tem 3 fases a mais, e conta com gráficos e músicas ainda melhores. Curiosamente, você começa a história apenas com Mania. Sua parceira, Maria, somente se juntará ao time após o termino da primeira fase. Outra mudança em relação ao jogo anterior é que agora, antes das fases começarem, em termos de armamento você não está escolhendo apenas o "poder especial", e sim, qual o tipo de drone que você levará consigo, que por sua vez, é ele quem dispara o "super golpe".

Encerrarei falando sobre os jogos da franquia Battle Mania com uma declaração ousada. Se algum dia você se deparar com alguma lista de Top 10 de melhores shooters do Mega Drive / Genesis e NÃO encontrar um dos dois jogos Battle Mania, das duas uma: ou quem montou a lista não os conheceu, ou a lista está errada.


SOS - Super NES (1994)

Além de criar jogos, como desenvolvedora, a Vic Tokai também atuava como publicadora, lançando jogos de empresas menores que ela. Alguns tão "peculiares" (ou até mais) do que ela mesmo costumava a produzir. Para encerrar esta matéria, trago então um exemplo destes jogos que ela apenas publicou. Trata-se do jogo SOS (ou Septentrion no Japão), desenvolvido pela Human Entertainment, jogo este exclusivo do Super NES.


Em SOS temos uma trama incomum e até "macabra"... apresentado como se fosse um filme, estamos em um grande navio que começa a afundar. Seu objetivo é, em uma corrida contra o tempo, resgatar o maior número de pessoas antes que seja tarde demais. O jogador pode escolher entre 4 personagens - cada um de idade e profissões diferentes - e cada um dos personagens permite 4 ou 5 finais distintos, dependendo de quantas pessoas resgatadas e do destino de alguns passageiros específicos.

O jogo é tenso, difícil, com a tela sempre levemente "balançando" e em alguns momentos inclinada - simulando os movimentos do navio - com vários diálogos e mortes, e uma das dificuldades é conseguir convencer e controlar os passageiros para fora da embarcação. SOS não foi um sucesso de público, mas foi um sucesso de crítica, sendo bastante elogiado por jogadores e revistas especializadas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #046 - Freddie Mercury o "bom", Michael Jackson o "mau" e outras histórias

Daqui a poucos dias, mais exatamente nesta sexta-feira dia 29 de agosto, comemoraremos a data de nascimento de Michael Jackson. Então aproveitando o momento, vamos a mais um artigo de curiosidades, desta vez apenas com histórias envolvendo ao mesmo tempo estes dois grandes gênios da música contemporânea: o próprio MJ e Freddie Mercury, imortal vocalista e líder da banda inglesa Queen.

Comecemos com o "causo" para explicar o título do artigo. Em entrevista publicada no começo deste ano na revista britânica Mojo, o guitarrista Brian May recordou de uma peculiar passagem, quando a banda procurava por um nome para seu próximo álbum (aquele viria a ser o álbum The Miracle, de 1989).

Um dia Freddie chegou e disse: "Tenho uma ideia incrível. Você sabia que Michael Jackson acabou de lançar um álbum chamado Bad? Vejam... então o que vocês acham de chamarmos nosso próximo álbum de Good?". Então, segundo May, o restante da banda se entreolhou e eles responderam: "bem, talvez devêssemos pensar sobre isso, Freddie...", sem quererem confrontá-lo diretamente.

A "sugestão" de Mercury, claro, não foi adiante. Porém curiosamente a decisão para o nome do disco não foi fácil e um mês antes de The Miracle ser lançado, o disco ainda estava com o nome de The Invisible Men (ambos os nomes são de músicas presentes no álbum).


De fã a Another One Bites the Dust

Tanto Michael Jackson quanto Freddie Mercury eram conhecidos como artistas vaidosos e de personalidade forte, mas apesar da "concorrência" que havia entre eles no mundo da música, ambos nutriam grande respeito e admiração um pelo outro e eram amigos. A amizade começou em 1980, quando Michael, que era fã do Queen, começou a ir nos shows da banda que estavam acontecendo em Los Angeles. Não demorou muito para que eles fossem apresentados um ao outro, e Michael começou a ser figura frequente nos bastidores das apresentações.

Michael, Freddie e John sabiam o que estavam fazendo

Em uma destas visitas ao backstage do Queen, a banda apresentou a Michael Jackson uma música que eles acabavam de ter finalizado. Criada pelo baixista John Deacon, a música era mais "funk" e menos "rock" do que eles costumavam fazer, e além disto, o baterista Roger Taylor simplesmente não a aprovava. Assim que Michael a ouviu, ele começou a balançar a cabeça para frente e para trás, e animado, afirmou que a música deveria ser lançada como um single, que seria sucesso garantido.

A música em questão era Another One Bites the Dust. Nenhum dos quatro integrantes da banda sequer havia cogitado lançar a canção como single, e apesar da desconfiança dos outros dois do grupo, Freddie Mercury e John Deacon ouviram Michael e compraram a aposta.

Another One Bites the Dust foi lançado como single em Agosto de 1980 e virou sucesso mundial, se tornando o single mais bem sucedido do Queen em todos os tempos, além de ter sido fator fundamental para popularizar a banda nos EUA. A música ficou 15 semanas consecutivas no Top 10 da Billboard, e vendeu mais de 7 milhões de cópias pelo mundo.


Um dia e 3 músicas (ou quase)

Foi de Michael a iniciativa de que ele e Freddie gravassem músicas juntos. Porém, a vida corrida de ambos nunca permitia que a dupla se encontrasse para gravar, até que um dia em 1983, eles se reuniram na casa de Michael, em Encino, Califórnia, onde havia um estúdio. Lá, durante cerca de 8 horas juntos, trabalharam em 3 canções. A primeira, State of Shock, foi trazida por Michael, que queria fazer dela um dueto e usá-la no seu próximo álbum com os The Jacksons. A dupla gravou os vocais, mas faltaram os "retoques finais".

A segunda música foi trazida por Freddie, era There Must Be More to Life Than This, a qual ele ainda não tinha conseguido gravar com sua banda. Freddie Mercury foi para o piano e Michael começou a cantar, inclusive improvisando algumas letras, que não estavam todas prontas. Finalmente, a terceira música foi Victory, uma música que a dupla queria criar junto desde o início; ela não avançou muito além do que sua batida base, e o que foi gravado naquele dia provavelmente foi até perdido.

Michael esperava que Freddie voltasse para finalizar State of Shock, mas como ele não o fez, chamou Mick Jagger, dos Rolling Stones, para fazê-lo. A música então saiu no álbum Victory, dos The Jacksons, de 1984. Não há nenhuma música "Victory" dentro deste disco, mas o nome escolhido não foi uma coincidência. Michael gostou do nome da música incompleta iniciada por ele e Freddie e resolveu usá-la como título do álbum.

Já There Must Be More to Life Than This virou uma música cantada apenas por Freddie Mercury, lançada em seu primeiro álbum solo, Mr. Bad Guy (1985). Porém, em 2014 a banda Queen lançou parte do material gravado naquele histórico dia através do remix There Must Be More To Life Than This (William Orbit Mix) no álbum de coletâneas Queen Forever (ouça acima).


Fim da amizade?

Se você procurar na internet sobre estes duetos de Freddie Mercury com Michael Jackson, verá histórias de que Freddie resolveu abandonar a parceria porque Michael trouxe uma lhama para o estúdio, por outro lado, também encontrará que Michael ficou chateado porque Mercury teria consumido drogas em sua casa. Porém, tudo isso é muito mais fantasia do que realidade. Conforme este breve documentário (em inglês), Freddie até teve momentos de irritação, mas no fundo, a breve pareceria entre estes dois gênios só não foi mais longa por falta de tempo em suas corridas vidas profissionais.



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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Crítica - Corra que a Polícia Vem Aí! (2025)

Título: Corra que a Polícia Vem Aí! ("The Naked Gun", Canadá / EUA, 2025)
Diretor: Akiva Schaffer
Atores principais: Liam Neeson, Pamela Anderson, Paul Walter Hauser, Danny Huston, CCH Pounder, Kevin Durand, Liza Koshy
Nota: 7,0

Felizmente, o Besteirol ainda vive!

Depois de longos 31 anos, a franquia Corra que a Polícia Vem Aí! está de volta com seu quarto filme, no que em tese não é um reboot, afinal o personagem principal é o policial Frank Drebin Jr. (Liam Neeson), filho do falecido policial e herói da trilogia de filmes anteriores Frank Drebin (imortalizado pelo ator canadense Leslie Nielsen, também falecido, em 2010).

Na trama, o policial de Los Angeles Frank Jr. precisa investigar praticamente sozinho um estranho roubo de banco e, em paralelo, descobrir quem assassinou o irmão de seu novo interesse amoroso, Beth Davenport (Pamela Anderson).

Definitivamente o novo Corra que a Polícia Vem Aí! é uma grande homenagem aos filmes originais, seguindo a mesma formula e estrutura dos filmes anteriores e, é claro, com o mesmo estilo de anedotas nonsense, diálogos sem sentido e, piadas visuais inesperadas. Aliás, sobre homenagens, a franquia tem o costume de trazer várias participações especiais, e também o fez aqui, mas muito pouco, o que é uma decepção. Ainda assim, de maneira surpreendente, traz de volta o cantor Weird Al Yankovic (que esteve em todos os outros filmes) e em uma brevíssima aparição Priscilla Presley, refazendo a personagem de Jane, esposa de Frank e mãe de Frank Jr..

O filme traz piadas novas, se aproveitando dos novos tempos, e por exemplo também brinca com temas como o uso de celulares e redes sociais, o que é bem vindo. Por outro lado, dentre suas "modernidades", também faz uso de efeitos de computador criando situações simplesmente impossíveis (a de Frank se transformar em uma garotinha, que vemos no trailer, é um exemplo) e também há cenas onde temos violência sem ser engraçado. Nestes dois últimos casos, o "novo" foi para pior.

Corra que a Polícia Vem Aí! também repete algumas piadas de filmes anteriores, e mesmo que isso possa ser argumentado como "homenagem", ou "tradição", poderia ser evitado. Porém o maior erro do filme, se falarmos de "tradição", é manter objetificação feminina e fazer várias piadas sobre isto. Se durante os filmes dos anos 80 e 90 isso era algo comum, hoje os tempos são outros.

Apesar dos percalços, e de Liam Neeson não ser nem de longe um Leslie Nielsen, o filme acaba sendo como um todo bem divertido, com várias cenas bem engraçadas de besteirol, e resgatando para os cinemas um estilo de humor que há muitos anos não dava suas caras.

Aliás, Neeson não é Nielsen, mas não compromete. Ele vai bem, afinal, faz o esperado do personagem, que é se manter sério nos momentos mais absurdos. Já sua parceira Pamela Anderson, que não aparece tanto no filme, também está bem... inclusive, ela me proporcionou duas dentre as maiores gargalhadas que dei durante a projeção.

Em resumo, o novo Corra que a Polícia Vem Aí! é um bom filme, bem engraçado, que foi feito por pessoas que de fato são fãs da franquia e entendem como ela funciona, sabendo portanto, imitá-la. Porém, pelo menos por enquanto, não conseguiram alcançar a genialidade de seus criadores. 

David Zucker, um dos 3 criadores originais (e também pai dos igualmente geniais Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu! e Top Secret!), declarou lamentando que em nenhum momento foi procurado pela Paramount para qualquer coisa relacionada ao novo filme. Ele inclusive adoraria ter voltado à franquia, e chegou a enviar um script inteiro de um novo Corra que a Polícia Vem Aí! para a Paramount em 2018 (que também nunca teve nenhum retorno).

Não seria melhor para todos se a Paramount tivessem unido os dois principais responsáveis deste novo filme, ou seja, o produtor Seth MacFarlane (de Family Guy, The Orville e Ted) e o diretor/roteirista Akiva Schaffer (de Saturday Night Live) com David Zucker? Nunca saberemos. Mas o que temos pra hoje é a volta de um Besteirol de qualidade. Nota: 7,0.


PS1: o filme possui algumas atrações pós-créditos. já em seu começo, há uma cena de Frank com Beth; depois disso, enquanto os créditos passam, ouvimos Frank cantando a música que ele compôs à Beth (e que Drebin Jr. comenta durante o filme que fez isso); e finalmente, após todos os créditos, temos uma cena curtinha de uns 3 segundos envolvendo Weird Al Yankovic. 

PS2: eu assisti a versão legendada do filme, que foi bem fiel aos diálogos originais, inclusive nas piadas, mantendo os nomes originalmente envolvidos. O mesmo não se pode falar do que foi feito na versão dublada, feita pelo "ator" e "comediante" Antonio Tabet, de quem não tenho confiança. Como não vi a versão dublada, não sei ficou bom ou não, mas já sei que ele optou por "regionalizar" várias coisas, trocando o nome de pessoas e times estadunidenses por nomes brasileiros. Por exemplo, sei que ele trocou um diálogo envolvendo times de futebol americano para fazer piada com certo time de futebol não ter mundial, sendo que o diálogo nativo não tem um contexto nem próximo a isto. Não vejo motivos para mexer com a paixão de um grupo se a piada não está originalmente lá. Não torço para este time, mas desaprovo esta escolha... Tabet já foi inclusive dirigente do Flamengo. Nada como a idoneidade...

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