segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Conheça "Asterix no Circo", o quadrinho inacabado de Asterix, e que um dia ainda poderá ser publicado!


Nesta quarta-feira, dia 29 de outubro, Asterix completará 66 anos de idade, pois foi em 29 de Outubro de 1959 que seu quadrinho apareceu pela primeira vez para o público na revista Pilote, na França. Portanto, para a semana desta data especial resolvi trazer para vocês algo que poucos conhecem sobre a criação máxima de René Goscinny e Albert Uderzo: detalhes sobre Asterix no Circo, o quadrinho que Goscinny deixou inacabado, devido sua morte repentina em 1977.

Em 2021, enquanto repassava por arquivos e documentos antigos de seu pai, Anne Goscinny acabou encontrando um manuscrito inacabado de Astérix au Cirque (Asterix no Circo), contendo cerca de 20 páginas.

Segundo Didier Conrad, o atual desenhista dos quadrinhos de Asterix, é um roteiro inacabado em que Asterix e Obelix aparecem em um circo. Parte da história já foi usada pelo próprio Goscinny em um álbum de Lucky Luke, de nome Western Circus (lançado em 1970), e outra parte aproveitada dentro de outra história do próprio Asterix.

Anne Goscinny declarou publicamente que gostaria que a história fosse completada e lançada em quadrinhos por Alain Chabat, diretor e roteirista da boa e divertida minissérie de animação Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes, que foi lançada este ano na Netflix. Alain disse que topa o desafio, porém, não sabe se irá conseguir cumprir a tarefa, dada a complexidade (ele teria que escrever a metade restante de uma história de Goscinny) e enorme responsabilidade.

Caso Chabat não consiga transformar o sonho de Anne em realidade, os responsáveis pelo material admitem a possiblidade de um dia o roteiro ser publicado em seu estado original, ou talvez, quadrinizar apenas a parte existente e lançá-la como bônus de alguma outra publicação.

Em resumo, o futuro de Asterix no Circo está nas mãos de Anne Goscinny e Alain Chabat, que são as pessoas da foto no topo deste artigo. E se ainda não sabemos qual será o destino deste material inédito, já sabemos qual será o próximo passo para a franquia de Asterix: previsto para o final do próximo ano, 2026, teremos o lançamento de uma nova animação do baixinho gaulês, desta vez em forma de filme. Trata-se de Asterix: O Reino da Núbia (Astérix et le Royaume de Nubie no original).


Na trama, a maioria dos irredutíveis gauleses são transformados em crianças após um elixir da juventude cair por acidente no caldeirão da poção mágica. Para fazer o antídoto, Asterix e Obelix embarcam em uma jornada maluca até o distante Reino da Núbia.

Para quem não está familiarizado com o termo, Núbia era o nome dado na antiguidade à região (e ao reino) situado imediatamente abaixo do Egito, e que hoje corresponde ao território do país Sudão. Curiosamente, esta área também é cruzada pelo rio Nilo e também possui pirâmides(!): elas são menores, mais pontudas, e em maior número que as egípcias.

Surpresos ou empolgados com as novidades? Escrevam nos comentários!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Crítica Netflix - A Mulher na Cabine 10 (2025)

Título: A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Diretor: Simon Stone
Atores principais: Keira Knightley, Guy Pearce, David Ajala, Gitte Witt, Art Malik, Gugu Mbatha-Raw, Hannah Waddingham, Kaya Scodelario, David Morrissey, Daniel Ings, Amanda Collin, Lisa Loven Kongsli, Paul Kaye, Charles Craddock
Nota: 6,0

Um bom filme de suspense / detetive para se passar o tempo

A Mulher na Cabine 10, filme produção original Netflix, é uma adaptação de um livro homônimo de 2017 escrito por Ruth Ware e best-seller do New York Times. Na trama, conhecemos Laura Blacklock (Keira Knightley), uma premiada jornalista que recebe um convite para passar 3 dias em um luxuoso iate junto com um grupo de milionários. O motivo: escrever sobre a fundação de caridade que irá ser oficializada durante esta viagem, pelo casal Richard (Guy Pearce) e Anne Bullmer (Lisa Loven Kongsli). Com câncer terminal, Anne quer deixar a fundação como seu legado.

Apesar de tanta beleza e luxo, nem tudo ocorre de maneira com que se espera. Durante a primeira madrugada dentro do navio, Laura acorda assustada com barulhos vindo de uma cabine vizinha à sua, a cabine 10. E após ouvir algo grande caindo na água, ela corre para a janela do seu aposento e descobre que o que caiu foi uma mulher. Após gritar por socorro e pararem o navio, um duplo choque: não somente todos os tripulantes continuam sãos e salvos dentro da embarcação, como a tal cabine 10 não possuía nenhum passageiro registrado.

Então vemos a luta de Laura, literalmente conta todos (pois nem seu amigo jornalista que se encontra no barco a ajuda) para provar que não estava louca. A Mulher na Cabine 10 conta com um bom clima de suspense durante o tempo todo, e também consegue transportar muito bem para o expectador o clima de "inadequação" da personagem perante aos milionários esnobes.

Estaria Laura tendo algum delírio? Seria tudo fruto de sua imaginação? Ou tudo o que ela fala de fato aconteceu? Da maneira em que o diretor Simon Stone filmou A Mulher na Cabine 10, a dúvida é bem pequena. O filme é corrido e cheio de ação, não dando muito tempo para a platéia pensar... e se pensar, irá concluir que as chances de Laura estar imaginando tudo são pequenas. Esse tipo de condução da trama foi proposital, pois o diretor não queria que o público passasse pela mesma sensação do leitor na obra original, onde lá, Laura não é uma narradora confiável, pois sofre de insônia e está sempre entupida de fortes remédios.

A trama policial / investigativa dentro do filme é boa - com exceção de um detalhe da explicação da trama que me incomodou bastante, e o qual comentarei no P.S. ao final do texto - e roda de modo bem competente até chegar nas cenas finais, onde então aí sim, finalmente, A Mulher na Cabine 10 decepciona, com um desfecho um bocado implausível e melodramático, baixando no geral a qualidade do filme.

Apesar do final clichê e pouco verossímil, no final das contas A Mulher na Cabine 10 acaba se tornando um bom passatempo para quem gosta de filmes de suspense policial. Está acima de muuita coisa feita pela Netflix. Nota: 6.0.


P.S.: sobre a tal parte da explicação que me incomodou bastante (não leia se não quiser levar um spoiler médio da trama): por que a pessoa x entrou na Cabine 10 naquele momento para flagrar aquilo que estava acontecendo? O filme não dá nenhuma explicação para essa pessoa saber que algo acontecia naquela cabine, ou para estar lá por perto naquele momento. Não sei se isso é explicado de modo satisfatório no livro (e talvez até seja, dadas as várias alterações que o filme fez em relação à obra original), mas se não for... bem decepcionante.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Curiosidades Cinema Vírgula #048 - Os Flintstones: as surpreendentes histórias do filme Live-action!

Hoje o primeiro filme Live-action dos Flintstones praticamente não existe mais na lembrança das pessoas. Mas e se eu contar que apesar de "esquecido", em termos de História, a produção foi muito marcante? Vejam: Os Flintstones: O Filme (1994) teve um dos roteiros mais "caóticos" da história do Cinema, foi o pioneiro em uma certa inovação em animação, e ainda, marcou a vida de três atores. Continue lendo para saber todas estas histórias! ;)


Todo bom filme precisa de um bom roteiro... ou não

A história do filme live-action dos Flintstones começa em 1985, quando os produtores Keith Barish e Joel Silver compraram os direitos para fazer a produção, e contrataram Steven E. De Souza para escrever o roteiro, além de trazer o famoso Richard Donner para ser o diretor. O roteiro só foi finalizado em 1987, e não demorou muito para ser rejeitado. Ao longo dos anos, o roteiro foi reescrito por pessoas diversas.

Em 1992, os direitos para produzir o filme foram comprados por ninguém menos que Steven Spielberg, que após trabalhar com John Goodman no filme Além da Eternidade (1989), estava decidido em torná-lo seu Fred Flintstone. Para diretor foi escolhido Brian Levant, devido sua paixão pela franquia dos desenhos.

E claro que com os novos donos, mais alterações foram feitas no roteiro. Do texto inicial ao final, imagina-se que cerca de 35 pessoas tiveram alguma participação, de roteiristas profissionais a escritores de esquetes para TV. Os Flintstones: O Filme foi (justamente) reprovado pela crítica, mas foi um sucesso de público, arrecadando US$ 342 milhões com um orçamento de apenas US$ 46 milhões. Oficialmente, quando lançado, foram creditados apenas 3 nomes como roteiristas: Tom S. Parker, Jim Jennewein e Steven E. de Souza; porém, quando o filme venceu o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do Ano, 32 participantes foram resgatados e creditados nessa "homenagem".


Tigre-dente-de-sabre histórico!

Foram cenas bem curtas, mas as aparições do tigre-dente-de-sabre que ficava invadindo a casa das pessoas em Os Flintstones: O Filme (ver acima) foram as primeiras de um personagem "peludo" feita  100% por CGI (computador) em um longa-metragem. O resultado final até ficou bom, e para que a animação fosse feita, foram criados complexos algoritmos (para a época) que calculavam a movimentação de cada pêlo do animal.


3 Atores. 3 Histórias significativas.

Antes do filme dOs Flintstones, John Goodman era conhecido por duas coisas: ele era co-protagonista da bem sucedida sitcom Roseanne, e ator coadjuvante frequente em filmes dos Irmãos Coen. Portanto, ser a estrela desta produção como Fred Flintstone, foi o grande momento de sua carreira até então. E de fato, graças ao sucesso de bilheteria do filme, Goodman subiu de status como estrela de Hollywood, e nos anos seguintes de Os Flintstones: O Filme, o ator recebeu um grande número de propostas para trabalho nos cinemas, tanto que, quando ele foi chamado para estrelar o segundo filme dos Flintstones, John recusou dizendo estar com a agenda totalmente preenchida. Alías, nenhum dos atores voltou para o filme seguinte, Os Flintstones em Viva Rock Vegas (2000), que por isso, contratou atores desconhecidos e teve que ser uma prequela. O segundo filme live-action de Flintstones foi horroroso, fracasso de público e crítica. Já John Goodman passou a ter um reconhecimento em filmes além daqueles dos Irmãos Coen, principalmente via Argo (2012) e Rua Cloverfield, 10 (2016); porém, nunca mais voltou a desfrutar do destaque na mídia que teve com Os Flintstones: O Filme.

Hoje isso certamente vai soar como surpreendente, mas saibam que Elizabeth Taylor, uma das mais famosas e glamourosas atrizes do cinema clássico de Hollywood teve em Os Flintstones: O Filme seu último trabalho nos cinemas. Após esta participação, esta gigante estrela cinematográfica até fez algumas breves participações especiais em séries de TV, como por exemplo em The Nanny e Murphy Brown; porém na Tela Grande, essa foi mesmo sua despedida, de uma longa e bem sucedida carreira que ultrapassou 50 produções cinematográficas.

Elizabeth Taylor atuou em seu papel derradeiro como Pearl Slaghoople, a mãe de Wilma Flintstone. Os produtores de Os Flintstones queriam muito que A Dama estivesse no filme. Para convencê-la, "Liz" recebeu vários "mimos": em seu primeiro dia de gravação ela foi recebida com 30 buquês de flores e outros presentes; e toda a renda da première mundial do filme foi doada à fundação de combate à AIDS da atriz, uma das causas pelas quais ela foi mais ativista.

Um ator bem popular nos anos 80 era Rick Moranis. E além de famoso, ele era versátil: Rick estava presente em sucessos de comédia como S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (1987) e Querida, Encolhi as Crianças (1989) e também em sucessos mais adultos de "monstros" como os dois Os Caça-Fantasmas (1984 e 1989) e A Pequena Loja dos Horrores (1986). E assim como para os dois atores que citei anteriormente, Os Flintstones: O Filme marcou sua carreira, pois este foi seu último sucesso.

A partir de 1994 Rick já estava atuando em menos filmes, pois devido ao falecimento de sua esposa, vítima de um câncer em 1991, ele tinha que conciliar o trabalho com cuidar de seus dois filhos. Porém após os retumbantes fracassos de Inimigos para Sempre (1996) e Querida, Encolhi a Gente (1997), que sequer conseguiu chegar aos cinemas, ficando apenas em videocassete, Rick Moranis abandonou a carreira de vez e passou a cuidar dos filhos de modo integral. De 1998 pra cá, Moranis apenas trabalhou esporadicamente fazendo vozes em alguns filmes de animação, e recusou qualquer convite para voltar a atuar, negando-se inclusive a voltar para o reboot do Caça-Fantasmas, o Ghostbusters: Mais Além (2021).

Porém, para a surpresa de todos, Moranis resolveu sair da sua aposentadoria e topou participar da continuação de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço! O filme original, que é uma das melhores paródias de Star Wars feita até hoje, promete trazer de volta a maioria dos atores principais, inclusive Mel Brooks, com seus 99 anos. Previsto para chegar aos cinemas só em 2027, ao final deste artigo você poderá assistir o teaser desta maravilhosa produção (em inglês).

John Goodman como Fred, e Liz Taylor como Pearl


O surpreendente primeiro anúncio (em inglês) de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço 2! é uma divertida crítica às principais franquias de aventura do Cinema




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Conheça o Coleco Telstar Arcade, o mais incrível console da 1ª Geração de Videogames


Sempre que um artigo ou matéria se propõe a contar a história dos videogames - inclusive o meu - ele quase certamente começa pela Segunda Geração, do Atari 2600. Mas por que a Primeira Geração é tão ignorada? 

A resposta mais simples é porque se tratou de uma geração que contou com cerca de uma de centena de aparelhos distintos, todos eles com jogos bem rudimentares, sendo apenas iguais ou variações do jogo Pong, criado em 1972 pela Atari.

O jogo Pong original, da Atari, nos fliperamas

O console, em inusitado formato triangular, possuía três tipos de controles / módulos distintos. De um lado, os controles eram 2 botões giratórios para os jogos ao estilo Pong; girando o Coleco Telstar Arcade, você tinha o lado com uma pistola, para jogos de tiro; e finalmente girando para o terceiro e último lado, havia um volante e uma alavanca de "câmbio" para os jogos de corrida.

Coleco Telstar Arcade era tão "avançado" para a época que foi um dos raríssimos consoles da 1ª Geração que tinham cartuchos / discos para adicionar novos jogos (o outro foi o Magnavox Odyssey (1972); os demais tinham uma lista fixa de games embutidos e só). No total, foram lançados 4 cartuchos, e todos eles também tinham o curioso formato triangular:

O inusitado console visto de cima, com o Cartucho 1 em uso, ao centro

- Cartucho 1, que já vinha junto com o console, com os jogos: Road Race (jogo de corrida para 1 jogador), Tennis (clone de Pong para 1 jogador) e Quickdraw (jogo de tiro para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 2, com os jogos: Hockey (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Tennis (clone de Pong para 2 a 4 jogadores), Handball (clone de Pong para 2 a 4 jogadores) e Target (jogo de tiro para 1 jogador) - era possível jogar em 4 comprando um controle adicional para 2 jogadores;

- Cartucho 3, com os jogos: Bonus Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores), Shooting Gallery (jogo de tiro para 1 jogador), Shoot the Bear (jogo de tiro para 1 jogador) e Deluxe Pinball (clone de Pong para 1 ou 2 jogadores);

- Cartucho 4, com os jogos: Naval Battle (batalha naval, para 1 jogador), Blast Away (jogo de tiro para 1 jogador) e Speedball (para 1 jogador).

Infelizmente esta "maravilha tecnológica" fracassou comercialmente. O motivo? A Coleco não podia adivinhar, mas junto com o Coleco Telstar Arcade já estava nascendo a Segunda Geração dos Videogames. Tanto ele quanto o Atari 2600 foram lançados no  semestre de 1977, e o Atari era tão superior que sepultaria a Primeira geração rapidamente.

Encerrando a matéria, segue uma demonstração em vídeo dos 3 jogos do "Cartucho 1". Não deixa de ser até hoje algo bem curioso!

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Top 10: os melhores seriados originais Netflix que já assisti - parte 3 (Edição 2025)


A lista voltou! Após assistir 25 séries originais Netflix, elegi as 10 melhores delas e publiquei uma lista em 2019 (clique aqui para ver); depois assisti 25 outras séries originais e fiz outro top 10, o qual publiquei em 2022 (clique aqui). Agora vamos a terceira lista: mais 25 seriados originais assistidos, e destes, trago pra vocês breves comentários dos 10 que achei melhores dentre eles:



10) Murderville
(1 temporada)

Ainda que não tenha feito sucesso no Brasil, esta série de comédia foi bem sucedida nos EUA, tanto que chegou a ter um especial de Natal. Porém até agora eu e os fãs de lá aguardam por uma 2ª temporada, que nunca foi anunciada. Resumidamente, a série, que até agora só teve 6 episódios, mistura comédia, investigação policial e reality show. Em cada episódio temos um assassinato para ser resolvido, e o detetive Terry Seattle (Will Arnett) o faz com a ajuda de um ator convidado diferente. O "tchans" do programa é que o ator convidado não sabe nada do que está acontecendo (ele não recebe o roteiro do episódio), e então cabe a ele, juntamente com o telespectador, tentar descobrir no final quem foi o assassino. Em geral não é difícil descobrir o culpado, mas ainda assim, é uma experiência interessante que agrada os fãs de história de detetive.


9) Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes (1 temporada)

Minissérie de animação com apenas 5 episódios com cerca de 35 minutos cada, o desenho é baseado no álbum O Combate dos Chefes, um dos mais engraçados de Asterix. Se por um lado os 3 primeiros episódios seguem consideravelmente próximos à obra dos quadrinhos, nos 2 episódios finais a trama leva à rumos bem distintos, com o protagonismo do chefe Abracurcix sendo substituído por um destaque bem maior em Obelix e Panoramix, além da inclusão de alguns personagens não presentes na obra original. 

A série faz mais piadas com temas dos tempos atuais do que com o universo de Asterix, e também por isso, com ela o espectador que não conhece o mundo dos gauleses continuará sem aprender muito; por outro lado, Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes é um bom entretenimento e acessível para todos, que conhecem ou não as histórias de Asterix.


8) Inside Man
(1 temporada)

Eu já elogiei bastante aqui o seriado Mindhunter, que a dona Netflix resolveu cancelar. Inside Man é a coisa mais próxima de Mindhunter que já vi, porém inferior. A primeira temporada possui apenas 4 episódios e eu tinha certeza que logo ganharia alguma continuação. Porém, a série é de 2022 e até agora nada... 

Criada por Steven Moffat (o mesmo criador do seriado Sherlock, da BBC), trata-se de um suspense policial envolvendo caça à assassinos. A trama é um pouco confusa, com algumas falhas, mas ainda assim se mantém com suas reviravoltas e tensão constante. O elenco, capitaneado por David Tennant e Stanley Tucci, também é outro atrativo.


7) Round 6
(3 temporadas)

A série fenômeno sul-coreana entra na minha lista devido sua primeira temporada. E só não está na 1ª ou 2ª posição dela justamente por ter mais de uma temporada.

Bastante violento, o programa mostra um reality show onde pessoas desesperadas participam de provas onde podem morrer, tudo para tentar ganhar um prêmio milionário e mudar suas vidas. Round 6 nos mostra a dura história de alguns dos protagonistas, e principalmente, escancara o que o livre capitalismo acabou fazendo com a Coréia do Sul: milhões de pessoas miseráveis, endividadas, mesmo trabalhando a exaustão em subempregos. Mas claro, em paralelo há os poucos bilionários, que aliás, estão por trás desta competição doentia.
 
Round 6 deveria ter se encerrado na primeira temporada, e o fato de não acontecer me irritou bastante, tanto que não assisti as temporadas 2 e 3. Se a primeira temporada tem uma aprovação unânime, a recepção para as outras temporadas foi mista, e sendo mais preciso, com mais críticas do que elogios.


6) Dungeon Meshi
 (1 temporada)

Estamos aqui diante da segunda animação da lista, agora um anime, e do qual escrevi elogios a respeito, após assistir seus primeiros 11 episódios. A primeira temporada possui 24 episódios (com cerca de 27 min cada), e a história será concluída na segunda temporada, cuja estréia, embora prometida para 2025, provavelmente só vai sair no primeiro semestre de 2026.

A história acompanha um grupo de heróis descendo uma masmorra, e é uma ótima maneira de apresentar este tipo de universo para quem ainda não é familiar com os mundos de aventuras medievais de fantasia dos "RPG". Leve, bem humorado - ainda que vá acrescentando um pequeno tom de mistério e terror conforme a trama avança - temos criaturas e personagens diversos sendo apresentados ao longo dos episódios de maneira bem natural. O inesperado e a criatividade também são fatores bem presentes no enredo de Dungeon Meshi.


5) 1670 (2 temporadas)

Bem, esta série de comédia polonesa é tão boa que não me contive e também já fiz um artigo sobre ela anteriormente. Então agora vamos com uma descrição mais resumida. Trata-se de um mocumentário sobre um pequeno vilarejo polonês, no ano de... 1670 (quem diria!).

A série ironiza os costumes antiquados daquele tempo, assim como a submissão a religião e a nobreza, porém também de modo surpreendente faz piadas com temas atuais, como celulares, feminismo, redes sociais, etc. Ainda que não seja um humor tipicamente "britânico", a série lembra um pouco do que vemos nos filmes do Monty Python, como Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e A Vida de Brian (1979). Até agora foram duas temporadas (e uma terceira já foi prometida), sendo a 1ª, que é mais focada em piadas rápidas, é melhor que a 2ª, com tramas um pouco mais longas. Dá para assistir rapidinho: cada temporada conta com 8 episódios de cerca de 30 minutos.


4) O Sinal (1 temporada)

Minissérie alemã de ficção científica com apenas 4 episódios, que começa com muitas perguntas. Acompanhamos a astronauta Paula, que está voltando à Terra após algo estranho ter acontecido em sua missão, e que ainda não sabemos do que se trata (o tal "Sinal" é uma delas). Seu marido Sven e sua filha Charlie acabam envolvidos em todos os mistérios em que Paula fez parte e viram alvo do governo.

Temos aqui um suspense lento e repleto de dúvidas, mas que felizmente são todas respondidas dentro de um bom roteiro que fala sobre conspirações e política. Após seu lançamento O Sinal foi comparado com o também seriado alemão Dark, devido seus mistérios, reviravoltas e tramas paralelas (mas tudo em menor escala). Como um todo, gostei bastante da série. O final de O Sinal poderia ter sido melhor, mas ainda assim foi mais satisfatório que o desfecho de Dark, ainda que tenha um ponto nele que eu considero impossível de acontecer no mundo real.


3) Bodkin (1 temporada)

Série britânica - ou melhor, irlandesa - sobre um grupo de 3 podcasters investigando um possível assassinato em uma pequena cidadezinha do litoral da Irlanda. O trio principal é formado por ótimos atores e os personagens não são lá muito amigáveis entre eles, o que torna acompanhá-los mais interessante. São apenas 7 episódios e em cada um deles há uma reviravolta que muda o rumo da investigação dos protagonistas.

A série traz um bocado de sarcasmo, humor ácido, e provocações com o "mau humor e ignorância do irlandês de cidade pequena". Para quem gosta de séries de investigações e/ou britânicas, é uma boa pedida.


2) O Mundo Por Philomena Cunk
 (1 temporada)

Assim como 1670, O Mundo Por Philomena Cunk é um mocumentário sobre História, mas aqui o assunto é uma jornada por toda a historia da humanidade. Também se trata de uma comédia repleta de ironia e nonsense, que lembra bastante Monty Python. E desta vez o seriado também é britânico, e não polonês, como é 1670.

A série é realmente muito engraçada, e um deleite especial para quem curte História. A tal personagem Philomena Cunk (Diane Morgan), já protagonizou alguns outras minisséries do mesmo estilo, sendo esta aqui a melhor delas e a única que chegou por enquanto à Netflix. Neste ano de 2025 foi lançado o filme A Vida Por Philomena Cunk, que é legal, mas inferior a esta série. O Mundo Por Philomena Cunk possui 5 episódios, e caso queira saber mais, escrevi mais sobre ele aqui.


1) Sandman
(2 temporadas)

Sandman é uma obra de quadrinhos escrita por Neil Gaiman, entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, e se encontra entre as melhores HQs de todos os tempos. Composta de 75 edições, a adaptação feita pela Netflix em duas temporadas (11 episódios na primeira, e 12 episódios na segunda) cobre a história completa das revistas, e na verdade até além, já que o último capítulo de cada temporada são contos extras, fechados e independentes, que fazem parte do mesmo universo mas não tem relação com a história principal.

A trama conta a história de Sonho, um dos sete Perpétuos, e suas interações e aventuras com os humanos e outras entidades sobrenaturais (em ordem de idade, do mais velho para o mais novo, os Perpétuos são: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio - o nome de todos eles propositalmente começa com a letra "D" no inglês original). A adaptação para a TV acabou mudando um bocado de coisas, mas ao mesmo tempo, é bastante fiel a obra original. Diria que a primeira temporada é excelente, assim como a primeira metade da segunda. Altamente recomendável.

Não gostei tanto da metade final da última temporada. É meio corrida, alterações para pior, o que menos gostei foi a alteração feita em que o papel que na história original seria do corvo Matthew, foi trocada pela Johanna Constantine. Isso fez a trama ficar mais "melodramática", além de mostrar um Coríntio bem mais bonzinho que no das HQs. A justificativa oficial para a troca foi economizar dinheiro com CGI. Porém na vida real, a atriz que interpreta Johanna (Jenna Coleman) é namorada do diretor e co-produtor da série (Jamie Childs)... Ao menos o último episódio de todos, um especial sobre a Morte, é muito bom e encerra a série de Sandman em alta. Para quem curte séries de fantasia meio dark / contemplativas, não tem como errar com Sandman.

Gosta de suspense e terror? Você deveria conhecer Locke & Key

Locke & Key é uma série de HQs de terror/suspense que já de cara deveria chamar a atenção devido ao nome de seu escritor: Joe Hill...