sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Qual é o melhor filme Brasileiro de todos os tempos? Conheça aqui os principais candidatos e tire sua própria conclusão!

Para comemorar a semana em que o site Cinema Vírgula completa seu 14º ano de vida, trago um artigo bem especial. Qual é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Esta pergunta não tem uma resposta única, porém trago aqui as SETE respostas mais prováveis, baseado em dois critérios: os prêmios que nosso Cinema obteve nos festivais internacionais mais relevantes, e na opinião dos críticos profissionais brasileiros da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Em Setembro de 2016 eles fizeram uma votação, elegendo "Os 100 Melhores Filmes Brasileiros", resultado que usei aqui.

Sem mais delongas, vamos à relação destas sete excepcionais produções nacionais, em ordem crescente de data de lançamento:


1) Limite (1931)

O primeiro filme da lista é certamente o mais desconhecido pelo público, mas o motivo disto não é devido a ele ser o mais antigo; e sim porque ele estava "esquecido" por décadas, sendo resgatado pelo World Cinema Project (WCP), uma organização criada em 2007 (ainda sob o nome de World Cinema Foundation) por nada menos que o cineasta estadunidense Martin Scorsese. Bastante deteriorado, com a ajuda de Walter Salles e da Cinemateca Brasileira a nova restauração de Limite em parceria com a WCP começou ainda mesmo em 2007, e foi finalizada em Setembro de 2010.

Dirigido e escrito por Mário Peixoto, um carioca nascido em Bruxelas (seus pais eram brasileiros, e após vir para o Brasil aos 2 anos de idade, passou o resto de sua vida por aqui), Limite foi um filme revolucionário, experimental.

Nos anos 20 e 30, tínhamos distintos movimentos na Europa para distanciar o Cinema do simples entretenimento que era feito nos EUA. A idéia era transformar os filmes em uma Arte maior, e também contar através deles idéias novas, originais. Em paralelo no Brasil, tínhamos apenas uma pessoa fazendo o mesmo: o jovem Mário Peixoto de 21 anos. Limite, seu primeiro e único trabalho cinematográfico, une em um mesmo filme técnicas da Montagem Soviética (cortes curtos, comparativos e abruptos, filmando com ângulos inusitados) com técnicas francesas como o Impressionismo e o Surrealismo (associações livres de imagens, rostos em close, valorização da experiência sensorial), mas ao mesmo tempo, usando-as "do seu jeito". 

Além disso, Limite traz uma narrativa não linear, e também tem passagens onde vemos os personagens fazendo coisas "triviais", como por exemplo, ficar simplesmente caminhando por um certo período; ambas características só iriam aparecer com mais frequência em filmes décadas depois, mostrando que Limite estava bem a frente do seu tempo.

Limite é um filme mudo que prima pelas suas experiências e qualidades técnicas (a fotografia é excelente para a época). Porém o roteiro, que não era seu propósito, não é seu forte. A trama é simples: o filme começa nos mostrando 3 pessoas à deriva em um pequeno barco ao mar: uma mulher que fugiu da prisão, um homem cuja amante faleceu, e uma mulher já sem ânimo frente ao cotidiano da vida. Pouco é explicado, tudo é bem melancólico, pessimista, e não há muito o que entender logicamente... há mais o que sentir; e certamente mais da metade do filme são imagens de paisagens e objetos. O efeito que Limite causa no espectador também vem da boa trilha instrumental, bem planejada e executada.

Limite não é um filme nada fácil de se assistir. É bem lento, e se encontra entre na lista dos melhores filmes graças a sua importância histórica e maravilhas técnicas. Caso você queira vê-lo, ele se encontra disponível no Youtube. Este é o link onde eu o assisti.


2) O Pagador de Promessas (1962)

Por décadas O Pagador de Promessas foi reverenciado como um dos grandes clássicos do cinema nacional, mas hoje infelizmente ele não é tão lembrado pelo grande público. Dirigido e idealizado pelo paulista Anselmo Duarte, este filme é nada menos o primeiro e único até hoje a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, em 1962. Além disto, também foi o primeiro filme da América do Sul a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1963.

Estrelado por Leonardo Villar e uma jovem Glória Menezes (sim, aquela que você conhece das antigas novelas da Globo), o filme é baseado em uma peça teatral de mesmo nome escrita por Dias Gomes. Ele conta a história de um homem humilde que tenta pagar uma promessa que fez para curar seu burro que ficou doente; o levando a andar muitos quilômetros com uma cruz nos ombros. Porém quando ele tenta chegar em seu destino final, a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, é impedido de entrar pelo padre local. Para piorar, durante toda a história, várias pessoas se aproveitam do inocente protagonista. O filme é uma forte crítica ao comportamento da sociedade, e a muitos aspectos da religião, dentre elas o fanatismo, a intolerância e o abuso de poder.

Temos também várias contraposições entre as religiões / cultura de raiz africana com a católica apenas com imagens e som, e isto é bem diferente. O Pagador de Promessas também é famoso pelo seu desfecho marcante, porém vou mais além: ele é um final bem corajoso de se fazer nos dias atuais, imagine então quando foi feito há tantas décadas atrás!

Assistindo o filme hoje, diria que ele se mostra um pouco "ingênuo e desconexo", além de não representar as mulheres de modo muito favorável, algo mais comum na época; ainda assim o importante recado de O Pagador de Promessas continua lá... tanto é que a triste conclusão que se chega é: pouco se mudou na sociedade e nas religiões de 1962 pra cá...


3)  Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido e escrito pelo revolucionário cineasta baiano Glauber Rocha, até a redescoberta do filme Limite, quem ficou no topo da lista dos melhores filmes nacionais por muitos e muitos anos foi Deus e o Diabo na Terra do Sol. Assim como clássicos do cinema mundial como o soviético O Encouraçado Potemkin (1925) e o italiano Roma, Cidade Aberta (1945), a obra é histórica por ser o símbolo de um novo Movimento Cinematográfico de seu tempo.

Na trama, que se passa no pobre e seco sertão nordestino no começo do Século XX, o sertanejo Manoel resolve pegar o dinheiro do seu trabalho para comprar um pedaço de terra; porém quando vai receber a quantia do Coronel, este recusa a dar o dinheiro, querendo explorá-lo. Manoel se enfurece, mata o Coronel e é obrigado a fugir, em uma saga onde ele primeiro se associa ao religioso messiânico Sebastião, e depois ao cangaceiro Corisco, que pertencia ao grupo de Lampião.

Como dito anteriormente, Deus e o Diabo na Terra do Sol é bastante reverenciado. E não apenas pelas críticas sociais, que começavam a chegar nas telonas nesta década, mas principalmente pelo estilo completamente diferente do padrão do Cinema Brasileiro. O filme é um dos principais símbolos do movimento Cinema Novo, cujo slogan “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, batia de frente contra o cinema tradicional nacional de até então, que consistia principalmente de musicais e comédias imitando o formato de Hollywood.

A tal "câmera na mão" junto com muitos close-ups e cortes abruptos de cena criam um clima de tensão constante nunca visto até então; outra novidade é que apesar da presença do "Deus e o Diabo" no título do filme, nenhum personagem parece corresponder a nenhum dos "lados": o religioso Sebastião sabe que está enganando o povo e faz até sacrifícios humanos; já o violento cangaceiro Corisco se vê em uma nobre missão de luta contra a injustiça social. Até mesmo os protagonistas e sua esposa Rosa se alternam fazendo coisas corretas e erradas; ou seja, é um filme sem heróis.

Por outro lado, vendo com olhos de hoje, este mantra de "simplesmente vá e faça" deixou alguns problemas técnicos que me incomodaram: as atuações são bem caricatas e teatrais (no mau sentido), temos cenas improvisadas que não encaixam na trama, e vários diálogos são incompreensíveis, seja porque o ator falou muito baixo ou muito rápido, ou porque sua fala foi sobreposta pela trilha sonora ou pela narração cantada. Pelo que estudei, o negativo original do som de Deus e o Diabo na Terra do Sol não foi preservado em boas condições, e então, a versão que temos hoje é uma restauração que tentou recuperar ao máximo sem modificar a obra original. Em outras palavras, se o filme original tinha estes problemas de "diálogos incompreensíveis", não sei e talvez nunca saberei.


4) Central do Brasil (1998)

Agora vamos com o primeiro dos dois filmes desta lista do diretor carioca Walter Salles. O nome Central do Brasil é uma referência à grande estação de trens de mesmo nome, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, e aonde se começa a história. Dora (Fernanda Montenegro) é uma professora que trabalha lá como escritora de cartas para analfabetos; e neste local acaba conhecendo um pobre garoto de nove anos chamado Josué. Com o repentino falecimento da mãe, Josué fica sozinho, e então Dora acaba "adotando" o garoto, partindo com ele em uma viagem ao Nordeste, em busca do desconhecido pai do menino.

O filme aborda fortemente temas como desigualdade social e o abandono das populações do interior do Brasil; outro tema muito presente é a solidão, e pelo menos essa angústia é resolvida de certa forma para Dora e Josué, quando eles fazem o caminho inverso da migração padrão, saindo de uma cidade grande do Sudeste e indo para o Nordeste. Central do Brasil acaba sendo em parte um road movie pelo interior pobre brasileiro.

Central do Brasil foi muito bem sucedido em festivais: foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, ao mesmo tempo que Fernanda Montenegro venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. No Globo de Ouro, Central do Brasil levou o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira. E já no Oscar... além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Montenegro foi a primeira latino-americana da história a concorrer pelo prêmio de Melhor Atriz... porém foi derrotada pela insípida Gwyneth Paltrow, algo que revolta os amantes do cinema até hoje.


5) Cidade de Deus (2002)

Se Central do Brasil resgatou a autoestima do brasileiro em termos de cinema nacional, Cidade de Deus, do paulista Fernando Meirelles, levou isso a outro patamar. Central do Brasil não foi mal nas bilheterias nacionais, mas Cidade de Deus foi muito bem, ultrapassando 3 milhões de espectadores, e virou um verdadeiro fenômeno cultural. E não só isso, estabeleceu o recorde para filme brasileiro com mais indicações ao Oscar: quatro.

Curiosamente, ele não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. E uma teoria é que isto aconteceu simplesmente porque o filme não foi suficientemente assistido pelos votantes daquela categoria, impedindo portanto sua indicação. Porém, para grande surpresa dos brasileiros, no Oscar seguinte de 2004, e contando também com apoio comercial da Miramax, Cidade de Deus recebeu as suas famosas quatro indicações: Melhor Direção (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Montagem (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (César Charlone).

Nem preciso dizer que este reconhecimento foi justíssimo. Cidade de Deus continua na minha lista geral dos melhores filmes do século XXI. Pena que não levou nenhum Oscar, já que infelizmente aquele ano foi o escolhido pela Academia para premiar a trilogia O Senhor dos Anéis (o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei venceu todas as 11 categorias que disputou). Ainda assim, Cidade de Deus deveria ter levado pelo menos um dos prêmios... o de Melhor Montagem: o trabalho de Daniel Rezende foi simplesmente primoroso.

Ah sim: a história acompanha a vida de vários personagens que moram na Cidade de Deus, uma perigosa favela do Rio de Janeiro, e acompanhamos a história dos protagonistas desde criança, no fim dos anos 60, até já adultos, nos anos 80. Ao longo do filme, aparecem várias histórias paralelas que se entrelaçam no decorrer da trama. E não são só as histórias que se misturam: também há muita violência misturada com humor, mais ou menos ao estilo dos filmes do Quentin Tarantino.


6) Ainda Estou Aqui (2024)

Walter Salles está de volta na lista. E voltou realizando no dia 02 de Março de 2025 um grande sonho do nosso Cinema: a conquista do primeiro Oscar do Brasil

Ainda Estou Aqui é um filme baseado no livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva. Ele conta, sob os olhos de Eunice Paiva, os eventos reais do desaparecimento de seu marido, o político Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Caso você queira uma análise mais detalhada sobre o filme, é só clicar aqui para ler minha crítica completa.

O Brasil levou uma estatueta, mas no total foram 3 indicações ao Oscar: a de Melhor Filme Internacional (a que venceu), o de Melhor Filme, e o de Melhor Atriz (para Fernanda Torres, repetindo o feito de sua mãe Fernanda Montenegro). Mas se Fernanda "filha" não conseguiu uma "reparação" pela injustiça feita com a Fernanda "mãe" décadas atrás, ela teve melhor sorte no Globo de Ouro, onde venceu o prêmio de Melhor Atriz em Filme Dramáticosendo a primeira mulher sul-americana e também primeira falante de português a receber este prêmioAinda Estou Aqui ainda foi indicado, mas não levou, a Melhor Filme em Língua Estrangeira. Já no Festival Internacional de Cinema de Veneza venceu o prêmio de Melhor Roteiro.

As vitórias nas premiações certamente contribuíram para que Ainda Estou Aqui tenha se tornado um grande sucesso de bilheteria nacional e mundial. No Brasil, foram quase 6 milhões de espectadores; e a arrecadação total ultrapassou R$ 200 milhões (ou cerca de US$ 40 milhões), sendo aproximadamente metade por aqui, e metade no exterior.


7) 
O Agente Secreto (2025)

E encerrando a lista, temos o recente O Agente Secreto, do diretor e roteirista pernambucano Kleber Mendonça Filho. Tão recente que a temporada de premiações para ele ainda nem terminou, faltando ainda saber qual será seu futuro destino nOs Oscars de 2026... já sabemos que lá ele igualou o recorde de Cidade de Deus recebendo quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator (por Wagner Moura).

A história, desta vez fictícia, se passa em 1977, durante a ditadura militar. Acompanhamos o professor universitário Marcelo (Wagner Moura), que retorna à sua cidade natal, Recife, aparentemente fugindo de algo. O filme discute temas como vigilância estatal, manipulação e apagamento da memória e da verdade. Também para O Agente Secreto, caso queira ler a crítica completa, clique neste link.

Além dos Oscars, o filme brilhou em várias premiações internacionais, das quais destaco o Festival de Cannes e o Globo de Ouro. Em Cannes, O Agente Secreto chegou a concorrer pela Palma de Ouro, mas não levou. Porém venceu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Wagner Moura), sendo este último, algo inédito para o Brasil.

Já no Globo de Ouro, outro recorde de número de indicações para um filme nacional: três; além de ser o primeiro filme brasileiro a ser indicado na categoria Melhor Filme de Drama. Este prêmio o filme não levou, porém nas outras duas indicações: Melhor Filme em Língua Estrangeira, e Melhor Ator em Drama (Wagner Moura), O Agente Secreto venceu! Com o feito, Moura se tornou o primeiro brasileiro (mas não o primeiro sul-americano) a ganhar o prêmio.

Até o momento que escrevo estas linhas, O Agente Secreto chegou a marca de US$ 10 milhões de arrecadação nos cinemas (cerca de R$ 52,2 milhões), sendo mais ou menos metade disso no Brasil, e metade no exterior. Porém agora com as indicações ao Oscar, tudo indica que o filme volte aos cinemas e os números subam consideravelmente.




PS1: Acha que algum filme merecia ter entrado na lista e não entrou? E qual, na sua opinião, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? Escreva nos comentários!

PS2: Na imagem do título deste artigo temos à esquerda uma cena do filme Limite, e à direita um filme que não é um dos sete que trouxe aqui... trata-se do curta-metragem Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado. Ele aparece em 13º lugar na lista dos "100 Melhores Filmes Brasileiros" da ABRACCINE, mas é o primeiro curta dela (tem apenas 13 min de duração), ou seja, acaba sendo o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos na opinião dos críticos. E é muito bom mesmo! Um soco no estômago! Quem puder assistir, recomendo muito. Um link para assisti-lo é esse aqui.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Curiosidades Cinema Vírgula #051 - Relembrando o filme hollywoodiano do jogo de tabuleiro Detetive, lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas!


Talvez os mais novos já não o conheçam... mas quem não é tão novo certamente conhece o famoso jogo de tabuleiro Detetive, publicado no Brasil pela Estrela, que por sua vez é uma cópia de um jogo criado em 1943 pelo britânico Anthony E. Pratt. Lá o nome deste jogo é Cluedo, e nos EUA o jogo se chama Clue (hoje o Clue original também é vendido no Brasil, pela Hasbro).

Pode parecer estranho, mas Hollywood tinha o interesse em fazer um filme sobre este jogo desde a década de 70. O projeto começou a tomar forma no começo dos anos 80, quando o diretor John Landis (de The Blues Brothers, Um Tira da Pesada 3, e do clipe Thriller de Michael Jackson), que ficou muito entusiasmado com o filme, foi contratado para dirigi-lo. Tanto ele quanto os produtores queriam que Clue tivesse um tom de comédia.

Roteiros foram escritos mas... sempre havia um problema: ninguém sabia como terminá-los. Montar uma trama de assassinato revelando de maneira crível e interessante o assassino apenas no final não era a especialidade dos roteiristas de filmes. Landis teve então a ideia de chamar o inglês Jonathan Lynn para o roteiro: ele era o escritor da série de comédia Yes Minister, da BBC2, que embora fosse sobre política, cada episódio envolvia múltiplas tramas e personagens. Lynn topou e depois de um roteiro pronto, a pedido de John Landis foram feitos QUATRO finais distintos para a trama, com cada um revelando um assassino diferente.

Calma que os perrengues ainda não terminaram. Como o roteiro demorou muito para ser finalizado, o diretor John Landis, que já estava com contrato assinado para dirigir o filme Os Espiões que Entraram numa Fria (1985), simplesmente "abandonou" a produção, deixando Jonathan Lynn como o diretor, e virando um ausente produtor executivo.

Eileen Brennan, Michael McKean, Martin Mull, Christopher Lloyd, Madeline Kahn, Lesley Ann Warren e Tim Curry. A idéia de usar elenco estrelado para filmes de assassinato não começou com a franquia "Entre Facas e Segredos" (Knives Out)

O filme Clue estreou nos cinemas estadunidenses em Dezembro de 1985 (no Brasil o filme teve o nome traduzido para Os Sete Suspeitos), e do jogo de tabuleiro, faz questão de trazer seus personagens (Coronel Mustard, Senhora White, Professor Plum, etc), as "armas" clássicas (o castiçal, a adaga, etc), e os locais (Cozinha, Escritório, Salão de baile, etc).

Porém o mais impressionante é que o filme foi de fato lançado com TRÊS finais diferentes nos cinemas. E como isso funcionava? Nos cinemas (e em algumas cidades, também nos anúncios impressos nos jornais) havia a indicação de qual era o final que estaria sendo exibido naquela sessão (“Final A”, “Final B” ou “Final C”).

A expectativa do estúdio é que esta novidade atraísse ainda mais o público, e que pessoas até assistissem o filme mais de uma vez, para ver os outros desfechos... Porém o resultado foi o contrário. Clue teve recepção fria dos críticos e fracassou nas bilheterias, arrecadando US$ 14 milhões, o mesmo que custou para produzi-lo. Uma das "explicações" para o fracasso, segundo os produtores do longa-metragem, é que na prática as pessoas olhavam as 3 opções de finais, não sabiam qual escolher, e então optavam por não ver nenhuma delas.

Curiosamente, anos depois, quando o filme chegou até a casa das pessoas via videocassete, e com os 3 finais já inclusos na mesma fita, Clue passou a agradar o publico, e acabou recebendo status de filme cult

Ah, e lembram que eu disse que foram feitos QUATRO finais para o filme? Eu não errei na conta não... Mas então por que só houve o lançamento de três deles? Aí as respostas divergem. Segundo Jonathan Lynn, o estúdio achou que o final era bem pior que os outros, então resolveram não lançá-lo; já o ator Tim Curry, que interpretou o mordomo Wadsworth, e que no caso era o assassino nesta quarta versão, diz que a decisão de não lançar este final era porque o mordomo ser o culpado era "óbvio demais", então não quiseram arriscar a serem criticados por isso.

E para encerrar essa curiosa história, assim como sempre houve pessoas interessadas em lançar Clue para os cinemas, o mesmo acontece para a TV. Há alguns anos o projeto existe e está em desenvolvimento. A notícia mais recente é que agora ele está nas mãos do streaming Peacock, com data mais provável de lançamento para 2027.

Trechos respectivamente exclusivos dentro dos Finais "A", "B" e "C"




PS: Já viu as outras curiosidades do Cinema Vírgula? É só clicar aqui!

sábado, 3 de janeiro de 2026

Retrospectiva Cinema Vírgula 2025: confira os Melhores e Piores filmes e séries do ano que passou!

FELIZ 2026 a todos os leitores do Cinema Vírgula! Em 2025 eu quase bati o recorde de publicações em um único ano deste blog... foram 74; contra 76 do ainda recordista 2015.

E novamente, como já acontece há vários anos, trago no primeiro final de semana do nosso novo ciclo solar uma retrospectiva do melhor e pior de filmes e seriados do ano que se passou. Lembrando que o critério para ser citado aqui é eu ter assistido, e de ter sido lançado no Brasil em 2025. Bora!


Os filmes de 2025

Assim como no ano passado, em geral os melhores filmes apareceram no começo do ano, afinal, eram os "filmes do Oscar". Depois disso, nada de muito interessante. E novamente os estúdios internacionais focaram pesado em continuações ao invés de criarem coisas novas... O resultado? Sono. Outra tendência que vem se consolidando é que as pessoas vão mais para o cinema ver filmes infantis, e ligam cada vez menos para os filmes mais "adultos". Tanto que o Top 3 de bilheteria mundial ficou com a animação chinesa Ne Zha 2 - O Renascer da Alma em primeiro lugar, Zootopia 2 em segundo, e com o live-action de Lilo & Stitch em terceiro.

Melhores: com muito orgulho, para mim os 3 melhores que assisti neste ano são... brasileiros!! Trata-se de Ainda Estou Aqui, responsável nada menos pelo primeiro Oscar do Brasil na história, O Agente Secreto e O Filho de Mil Homens, este último exclusivo da Netflix. Escrevi a crítica de todos eles aqui no Cinema Vírgula, basta clicar no nome para ler. ;)

Em termos internacionais, o melhor pra mim foi um anime, o espetacular Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito. E também faço questão de citar aqui entre os melhores o filme do Superman. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida. Mas foi o melhor filme de super-heróis do ano e, dada a enorme responsabilidade que ele tinha - reconstruir e reiniciar o Universo DC nos cinemas - o fez de modo satisfatório.

Walter Salles (ao centro) e Fernanda Torres nas gravações de Ainda Estou Aqui

Piores: aqui vamos começar com meu Top 2: em segundo lugar vem The Old Guard 2, da Netflix. O primeiro filme até tinha sido bom e promissor... mas sua continuação errou tudo. Agora o pior filme que assisti no ano, disparadamente, foi Um Filme Minecraft, que infelizmente para mim aliás, foi grande sucesso de bilheteria. O filme é tão horroroso que não tive vontade sequer de escrever sua crítica aqui para o blog.

Como menções honrosas, quero citar também A Fonte da Juventude, da AppleTV+, e The Electric State, da Netflix. Como todos bem sabemos, as empresas de streaming prezam pela quantidade ao invés da qualidade, e por isso que são deles que vemos muitos filmes ruins envolvendo artistas famosos. Porém com The Electric State a dona Netflix se superou, já que gastou US$ 320 milhões para fazer essa bomba, um dos filmes mais caros da história.

DecepçõesMissão: Impossível - O Acerto Final não é ruim. Mas sendo este oitavo Missão Impossível o final da franquia, é um pouco decepcionante que ele seja o filme menos bom desde o terceiro. Outra decepção que tive foi com O Esquema Fenício, filme do diretor Wes Anderson, que gosto bastante. Também não é um filme ruim, mas certamente é o mais fraco de toda a carreira de Wes, cujos filmes estão piorando, mas parecia ter se recuperado com sua série de curtas lançada na Netflix.

O horror! Simplesmente, o horror!

A surpresa: depois de um ano tão tenso e problemático como 2025, quis me dar o direito de descansar o cérebro com um filme em que não tenha que me preocupar com discussões da vida real, apenas me divertir. No caso, falo de F1: O Filme. E ele entra na minha lista de surpresas porque os estadunidenses costumam não entender de Fórmula 1, então não estava esperando por um filme bom. F1: O Filme é basicamente uma história de conto de fadas para amantes desse esporte. Conexão com a realidade? Muito pouco. Mas é épico, vaza testosterona, e conta com uma fotografia primorosa, além de uma trilha sonora boa e empolgante.


As séries de 2025

Entendo que 2025 não foi um ano tão bom para as séries de TV, primeiro porque o que mais gostei de assistir foi Frieren (Crunchyroll e Netflix), que não tem episódios novos desde meados de 2024. E temporadas bem esperadas, como as finais de The Boys (Prime Video) e Dungeon Meshi (Netflix), e a segunda temporada de Fallout (Prime Vídeo), ficaram só para 2026. E praticamente todos os seriados que gostei muito em anos anteriores, entregaram temporadas inferiores em 2025. Enfim, vamos aos meus comentários...

Melhores: com o grande número de decepções, deu para trazer de volta Black Mirror (Netflix) como uma das melhores séries do ano. Sua 7ª temporada não trouxe temas muito recentes e originais, mas ainda sim, achei que 5 dos seus 6 episódios trouxeram histórias muito boas; e o outro que entra aqui é a 2ª e última temporada de Sandman (Netflix), que conforme disse anteriormente nesta lista, perdeu bastante qualidade em sua metade final, mas ainda assim, como um todo, encerra a série muito acima da média.

Sandman (2ª temporada)

Piores: agora a escolha ficou fácil: os piores são facilmente identificáveis e vieram em dose dupla. Trata-se das 2ª temporadas de Wandinha (Netflix) e de The Last of Us (HBO Max). Não bastando uma trama bem parecida (e piorada), e reciclando os mesmos vilões da temporada anterior, o roteiro de Wandinha faz algo ainda pior: tira muito tempo de tela da então protagonista, interpretada pela ótima Jenna Ortega, e dá bastante espaço para vários outros personagens, infinitamente menos interessantes. Já os "jênios" roteiristas de The Last of Us pegam a maior e mais chocante reviravolta que, nos videogames, acontece no meio de The Last of Us Part II, e já a revela no final do primeiro episódio, o que estraga muito o impacto da trama, tanto desta 2ª temporada, quanto da futura 3ª. Mas os problemas não param por aí: a personagem Ellie é absurdamente inconsistente, alternando entre uma "bocó fofa" e a pessoa violenta e vingativa que deveria ser, seguindo o material original. Ah, deixando claro, isso NÃO é culpa da atriz, é culpa do roteiro. Certamente não continuarei a assistir nenhuma destas duas séries.

Wandinha (2ª temporada)

Decepções: a lista tem vários nomes, e já aviso que gostei da temporada 2025 de todos eles. O problema é que em todos os casos eu esperava mais, e o que estes seriados entregaram, foi certamente a pior temporada de seus respectivos programas. São eles: Pacificador (HBO Max), The White Lotus (HBO Max), Only Murders in the Building (Disney+) e 1670 (Netflix). Uma pena, pois tenho apreço a todas estas séries. Provavelmente não irei mais assistir The White Lotus, entendo que a fórmula está 100% esgotada. Para os outros 3, vou dar novas chances. E, não acredito no que vou falar mas lá vai: Only Murders in the Building precisa renovar bastante os personagens, e principalmente, se livrar da personagem de Meryl Streep, a pior coisa da última temporada.

A surpresa: e não é que a estréia de James Gunn como novo chefão do universo DC foi boa apesar de ser com um título totalmente desconhecido (e portanto arriscado)? A primeira temporada da animação Creature Commandos (HBO Max) me surpreendeu positivamente, e apesar de ser uma espécie de continuação direta de um inconsistente Esquadrão Suicida, o resultado final foi muito bom.


Top 5: os mais lidos do Cinema Vírgula em 2025

A lista do Top 5 de artigos mais lidos do ano no Cinema Vírgula costuma me surpreender e desta vez não foi diferente. No Top 3 temos a crítica de 2 filmes do Oscar, porém, no segundo lugar aparece um "intruso", o surpreendente Nosferatu, que jamais esperava ter tanto interesse das pessoas.

Em quarto lugar temos o novo Superman, mostrando a força da DC Comics no Brasil, e em quinto tivemos um artigo que não foi crítica cinematográfica. Eu sempre fico feliz quando uma de minhas "curiosidades" é bem lida; porém das 16 que publiquei no ano passado, jamais apostaria minhas fichas nela. Vejam a lista:

Lista dos filmes que assisti em 2025

E finalmente, encerro minha retrospectiva com a lista de todos os filmes que assisti neste 2025, somando filmes novos ou antigos, sendo a primeira vez que os vi ou não. No total foram 93.

Lembrando que os filmes em laranja negrito e com um (*) são aqueles a que dou uma nota de no mínimo 8,0 e portanto, recomendo fortemente.

O Agente Secreto (idem, Alemanha / Brasil / França / Países Baixos, 2025)   (*)
Ainda Estou Aqui (idem, Brasil / França, 2024)   (*)
Algo de Errado Não Está Certo (idem, Brasil, 2020)
Alta Ansiedade ("High Anxiety", EUA, 1977)
O Amor Está no Ar ("Love Is in the Air", Austrália, 2023)
Anora (idem, EUA, 2024)
O Aprendiz ("The Apprentice", Canadá / Dinamarca / EUA / Irlanda, 2024)
Aqui ("Here", EUA, 2024)
O Auto da Compadecida 2 (idem, Brasil, 2024)
A Avaliação ("The Assessment", Alemanha / EUA / Reino Unido, 2024)
Balada de Um Jogador ("Ballad of a Small Player", Alemanha / Reino Unido, 2025)
Bananas (idem, EUA, 1971)
Uma Batalha Após a Outra ("One Battle After Another", EUA, 2025)
Borderlands (idem, EUA / Hungria, 2024)
Bugonia (idem, Canadá / Coreia do Sul / EUA / Irlanda / Reino Unido, 2025)
O Brutalista ("The Brutalist", Canadá / EUA / Reino Unido, 2024)
Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze ("Gekijô-ban Chensô Man Reze-hen", Japão, 2025)
Clonaram Tyrone! ("They Cloned Tyrone", EUA, 2023)
A Comédia dos Pecados ("The Little Hours", Canadá / EUA / Itália, 2017)
Cora Coralina - Todas as Vidas (idem, Brasil, 2017)
Corra que a Polícia Vem Aí! ("The Naked Gun", Canadá / EUA, 2025)
Cúpula do Caos ("Rumours", Alemanha / Canadá / EUA / Hungria Reino Unido, 2024)
A Cura ("A Cure for Wellness", Alemanha / EUA / Luxemburgo, 2016)
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito ("Gekijô-ban Kimetsu no Yaiba Mugen Jô-hen", EUA / Japão, 2025)   (*)
Deu a Louca na História: O Filme ("Horrible Histories: The Movie - Rotten Romans", Reino Unido / Suíça, 2019)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (idem, Brasil, 1964)
O Doador de Memórias ("The Giver", África do Sul / Canadá / EUA, 2014)
Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes ("Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves", Austrália / Canadá / EUA / Irlanda / Islândia / Reino Unido, 2023)   (*)
Éden ("Eden", EUA, 2024)
The Electric State (idem, EUA, 2025)
Eles Não Usam Black-Tie (idem, Brasil, 1981)
Elio (idem, EUA, 2025)
Emilia Pérez (idem, Bélgica / França, 2024)
A Empregada ("The Housemaid", EUA, 2025)
O Esquema Fenício ("The Phoenician Scheme", Alemanha / EUA, 2025)
Extermínio 2 ("28 Weeks Later", Espanha / Reino Unido, 2007)
F1: O Filme ("F1", EUA, 2025)
Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars ("Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga", Canadá / EUA / Islândia, 2020)
O Filho de Mil Homens (idem, Brasil, 2025)   (*)
Um Filme Minecraft ("A Minecraft Movie" / Canadá / EUA / Nova Zelândia / Suécia, 2025)
Flow (idem, Bélgica / França/ Letônia, 2024)   (*)
Flor do Mal ("The Strange Woman", EUA, 1946)
A Fonte da Juventude ("Fountain of Youth", EUA / Reino Unido, 2025)
Frankenstein (idem, EUA / México, 2025)
Garotas em Fuga ("Drive-Away Dolls", EUA / Reino Unido, 2024)
Grande Hotel ("Four Rooms", EUA, 1995)
O Grinch ("The Grinch", EUA, 2018)
Honey, Não! ("Honey Don't!", EUA / Reino Unido, 2025)
Indiana Jones e a Relíquia do Destino ("Indiana Jones and the Dial of Destiny", EUA, 2023)
Ingrid Vai Para o Oeste ("Ingrid Goes West", EUA, 2017)
Jay Kelly (idem, EUA / Itália / Reino Unido, 2025)
Jogador Nº 1 ("Ready Player One", Austrália / Canadá / EUA / Índia / Japão / Reino Unido / Singapura, 2018)
Lilo & Stitch (idem, Austrália / Canadá / EUA, 2025)
O Mágico de Oz ("The Wizard of Oz", EUA, 1939)
Um Maluco no Golfe 2 ("Happy Gilmore 2", EUA, 2025)
MaXXXine (idem, EUA / Nova Zelândia / Reino Unido, 2024)
O Menino e a Garça ("Kimitachi wa Dô Ikiru ka", Japão, 2023)
Meu Jantar com André ("My Dinner with Andre", EUA, 1981)
Mickey 17 (idem, Coréia do Sul / EUA, 2025)
Missão: Impossível - O Acerto Final ("Mission: Impossible - The Final Reckoning", EUA / Reino Unido, 2025)
A Morte lhe Cai Bem ("Death Becomes Her", EUA, 1992)
Os Mortos Não Morrem ("The Dead Don't Die", EUA / Japão / Suécia, 2019)
Mulan (idem, China / EUA, 2020)
A Mulher na Cabine 10 ("The Woman in Cabin 10", EUA / Reino Unido, 2025)
Mussum: O Filmis (idem, Brasil, 2023)
Ne Zha ("Nezha: Mo tong jiang shi", China, 2019)
A Noite Sempre Chega ("Night Always Comes", EUA / Reino Unido, 2025)
Nosferatu (idem, EUA / Hungria / Reino Unido, 2024)
O Pagador de Promessas (idem, Brasil, 1962)   (*)
Pecadores ("Sinners", Austrália / Canadá / EUA, 2025)
Pisque Duas Vezes ("Blink Twice", EUA / México, 2024)
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos ("The Fantastic Four: First Steps", EUA, 2025)
O Quarto ao Lado ("The Room Next Door", Espanha / EUA / França, 2024)
A Queda ("Fall", EUA / Reino Unido, 2022)
Ricky Stanicky (idem, Austrália / EUA / Reino Unido, 2024)
Robô Selvagem ("The Wild Robot", EUA, 2024)   (*)
Saturday Night: A Noite que Mudou a Comédia ("Saturday Night", EUA, 2024)
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim ("The Lord of the Rings: The War of the Rohirrim", EUA / Japão/ Nova Zelândia, 2024)
Sonhos de Trem ("Train Dreams", EUA, 2025)
S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço ("Spaceballs", EUA, 1987)
Superman (idem, EUA, 2025)
The New Yorker: 100 Anos de História ("The New Yorker at 100", EUA, 2025)
The Old Guard 2 (idem, EUA, 2025)
Thunderbolts* (idem, EUA, 2025)
Transformers: O Início ("Transformers One", EUA, 2024)
Os Três Mosqueteiros: Milady ("Les Trois Mousquetaires: Milady", Alemanha/ Bélgica / Espanha / França, 2023)
TV Pirada ("UHF", EUA, 1989)
A Última Loucura de Mel Brooks ("Silent Movie", EUA, 1976)
A Vida por Philomena Cunk ("Cunk on Life", Reino Unido, 2024)
Viúva Negra ("Black Widow", EUA, 2021)
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out ("Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery", EUA, 2025)
Wallace & Gromit: Avengança ("Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl", Reino Unido, 2024)
The Witcher: Sereias das Profundezas ("The Witcher: Sirens of the Deep", Coréia do Sul / EUA / Polônia, 2025)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Crítica - A Empregada (2025)

TítuloA Empregada ("The Housemaid", EUA, 2025)
Diretor: Paul Feig
Atores principaisSydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Indiana Elle
Nota: 6,0
 
Diretor insere comédia em drama, mas filme se salva no final

Ano novo, filmes novos! Estreando hoje, 1º de Janeiro, nos cinemas brasileiros temos A Empregada, filme de suspense com orçamento respeitável e que até agora tem se saído melhor nas bilheterias norte-americanas do que o previsto.

A história de A Empregada é baseada em um livro de mesmo nome de 2022, escrito pela escritora estadunidense Freida McFadden. Mas apesar de ser baseado em uma obra literária o roteiro é no máximo mediano, contando com várias situações improváveis, clichês, e muitos diálogos dignos de novelas mexicanas. Os atores também são bem ruins, canastrões. Já as atrizes estão bem: Sydney Sweeney atua de forma competente e sem comprometer (e além disso a produção explora um bocado de sua beleza), e a atuação de Amanda Seyfried é provavelmente a melhor coisa do filme.

A Empregada é definitivamente vendido como um filme de suspense psicológico, beirando o terror, até pelo livro original. Porém, talvez porque o diretor é Paul Feig, que está bem mais acostumado a fazer filmes de comédia, o que temos aqui, alternando com os momentos de tensão, são dezenas de cenas surreais, vergonhosas, que levam o publico a rir de tanto constrangimento e absurdo. O mesmo pode ser dito da trilha sonora, que acompanha o clima "pastelão" de A Empregada, e reforça, de modo surpreendente e equivocado que o filme não se leva a sério.

Felizmente nem tudo de A Empregada é ruim. A fotografia é muito bem feita e nos momentos em que o filme não está envergonhando o espectador, as cenas de suspense são realmente tensas, sufocantes, o que eleva a qualidade da produção e, afinal de contas, cumpre o que prometeu entregar.

E principalmente, com as reviravoltas de sua parte final, o filme melhora bem em todos os aspectos, e mesmo com algumas explicações continuarem a não fazer sentido, o desfecho é bem satisfatório para o publico, salvando de vez A Empregada.

Com baixos gigantescos e altos, A Empregada ainda assim deverá agradar o público em geral, tanto masculino como feminino, e talvez até mais o último. Nota: 6,0

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Dupla Crítica Filmes Netflix - O Filho de Mil Homens (2025) e A Noite Sempre Chega (2025)


Hoje publico minhas duas últimas críticas de filmes de 2025, ambos lançamentos exclusivos na Netflix. O primeiro e mais recente, O Filho de Mil Homens, foi lançado em Outubro e é produção nacional. Já A Noite Sempre Chega é um filme estadunidense que estreou em Agosto, e resolvi trazê-lo aqui porque ele teve pouca repercussão, então é uma oportunidade para mais pessoas conhecerem. Bora para as análises!



O Filho de Mil Homens
 (2025)
Diretor: Daniel Rezende
Atores principais: Rodrigo Santoro, Rebeca Jamir, Miguel Martines, Johnny Massaro. Grace Passô, Juliana Caldas, Zezé Motta

Baseado em um livro de mesmo nome de 2011, escrito pelo português Valter Hugo Mãe, O Filho de Mil Homens conta a história de algumas pessoas em um pequeno vilarejo à beira-mar, nos anos 1950 (informação esta que só aparece no livro, o filme não traz nenhuma informação de data). São 5 personagens principais, todos eles rejeitados pela sociedade, e que vivem em imensa solidão.

O Filho de Mil Homens é lento, contemplativo... e pesadíssimo: vemos os personagens principais sofrerem os mais diversos tipos de violência (o filme tem indicação mínima para 16 anos), mas ao mesmo tempo, têm muita beleza, seja pela suas imagens e fotografias belíssimas, mostradas como se fossem pinturas em quadros, ou pela narração que parece poema, ou ainda, nos tocantes momentos de afeto que estes sofridos protagonistas recebem e/ou proporcionam.

Exemplificando alguns dos dramas apresentados, um dos personagens passou a vida sendo forçadamente trancado em casa por ser homossexual; outra, viveu igualmente trancada para poder se casar virgem... e não contarei mais para não estragar as surpresas emocionais do filme.

Roteiro e montagem de O Filho de Mil Homens são brilhantes em mostrar como a vida de cada um dos 5 personagens, a princípio histórias isoladas, se encaixam umas com as outras formando uma história única. Outro ponto muito elogiável são as atuações: o elenco é bem numeroso, e com várias interpretações ótimas.

Pelo que verifiquei, filme e livro são bem parecidos, sendo as principais diferenças que no livro o personagem Crisóstomo (Rodrigo Santoro) tem mais destaque, além de trazer muito mais reflexões internas e detalhes típicos da cultura de Portugal. Ainda assim, apesar das mudanças, o filme de O Filho de Mil Homens conseguiu manter a essência da obra original, é comovente, e em uma definição simples, uma poesia audiovisual. Nota: 8,0.



A Noite Sempre Chega 
(2025)
Diretor: Benjamin Caron
Atores principais: Vanessa Kirby, Jennifer Jason Leigh, Zack Gottsagen, Stephan James, Randall Park

O segundo filme deste artigo também é adaptação de um livro, trata-se do livro de mesmo nome escrito pelo estadunidense Willy Vlautin, publicado em 2021. Porém, mesmo sendo a adaptação de algo escrito já há alguns anos, fiquei com a sensação de que A Noite Sempre Chega teve fortes influências do cinema recente. Explico:

Do modo que A Noite Sempre Chega foi filmado, parece que seus produtores e diretor quiseram fazer aqui um novo Anora, aproveitando o hype do filme que havia acabado de vencer o prêmio máximo do Festival de Cannes (e vários meses depois, levaria também o prêmio máximo dOs Oscars).

Assim como no filme anteriormente citado, A Noite Sempre Chega é filmado em um ritmo frenético de muita ação e caos. As semelhanças também aparecem na paleta de cores escolhida na fotografia, cenários, e maneira de enquadramento da câmera. As protagonistas também são parecidas, já que aqui a personagem principal Lynette (Vanessa Kirby) é uma (ex?) garota de programa.

Entretanto os paralelos com Anora se encerram aí. Se lá, apesar do drama, há alívio cômico e cenas mais leves e sensuais, aqui em A Noite Sempre Chega não há nenhum respiro, tudo é sério, muito tenso e violento. Na trama, também totalmente diferente, Lynette mora há muitos anos com sua mãe (Jennifer Jason Leigh) e seu irmão mais velho com síndrome de Down, Kenny (Zack Gottsagen), em uma casa alugada cujo dono vai vendê-la; então ela tem apenas alguns poucos dias para cobrir a oferta e comprar a casa ela mesma, ou a família será despejada. Conforme o pouco tempo vai passando e ela vai tendo dificuldade para arrumar o dinheiro, Lynette começa a fazer coisas cada vez mais condenáveis e arriscadas.

Não sei como a história de A Noite Sempre Chega é no livro, mas o roteiro exibido no filme deixa a desejar. Ao não contextualizar nada do passado de Lynette e sua mãe, fica muito difícil entender algumas ações de ambas, principalmente da matriarca. Já o final do filme, que em teoria "conclui tudo", na prática deixa uma sensação de não concluir nada... Não me parece plausível que tudo o que vimos não terá consequências futuras, ou mesmo, que o final tenha de fato concluído minimamente todas as questões que o filme propôs.

Como drama, A Noite Sempre Chega não é ruim, seu clima de constante tensão e reviravoltas são muito bem executados e o ponto alto da produção. Mas com um roteiro não muito convincente, e sem se preocupar em nenhum momento em cativar o público, o filme não chega perto daquele que, em minha teoria, tentou imitar. Nota: 6,0.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Wish You Were Here: a música que acaba de ganhar seu clipe após 50 anos!!


No dia 12 de Dezembro o álbum Wish You Were Here (1975) do Pink Floyd ganhou uma edição especial de 50º aniversário, que além de trazer as músicas do disco original, traz também demos inéditas, gravações alternativas e gravações ao vivo.

O lançamento colocou nesta semana o álbum no primeiro lugar do ranking de vendas do Reino Unido, pouco mais de 50 anos do lançamento original de Wish You Were Here, batendo o recorde de "álbum com maior intervalo de tempo decorrido entre duas vezes em que chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas", que era "pouco menos de 50 anos", via edição comemorativa do Abbey Road dos Beatles.

Mas o número "50" não para por aí. A música que dá o nome ao disco, Wish You Were Here, nunca teve um clipe oficial em toda a sua história. E finalmente ganhou uma(!), via site oficial da banda, há 4 dias atrás. Confira este momento histórico ouvindo a música e vendo o clipe abaixo:

A música Wish You Were Here, que assim como boa parte do disco que faz parte, tem como tema a "ausência", e é uma das mais belas e tristes músicas da banda, bem como da história do Rock.

Sempre foi amplamente dito que a música foi criada em homenagem a Syd Barrett, ex-membro e fundador da banda, que teve que deixar o Pink Floyd em 1968, devido a drogas e problemas de saúde, causados pela pressão da indústria musical. Porém em 2012, em um documentário para a TV intitulado The Story of Wish You Were Here, a dupla criadora da canção diverge: enquanto David Gilmour confirma a história, Roger Waters diz que ele escreveu a letra pensando em seus próprios sentimentos.

Seja qual forem os motivos, Wish You Were Here e Pink Floyd são eternos, como os acontecimentos desta semana estão para provar. :)

 

PS: a foto do artigo é do Instagram do próprio David Gilmour, onde ele "brinda" que o álbum alcançou o número 1 no Reino Unido

PS2:  abaixo segue a letra da música, com tradução, para quem quiser acompanhar

Eu Queria Que Você Estivesse Aqui
Wish You Were Here

Então, então você acha que consegue distinguir
So, so you think you can tell
O céu do inferno?
Heaven from hell?
A alegria da dor?
Blue skies from pain?
Você consegue distinguir um campo verde
Can you tell a green field
De um trilho de aço frio?
From a cold steel rail?
Um sorriso de uma máscara?
A smile from a veil?
Você acha que consegue distinguir?
Do you think you can tell?

Será que eles conseguiram fazer você trocar
Did they get you to trade
Os seus heróis por fantasmas?
Your heroes for ghosts?
Cinzas quentes por árvores?
Hot ashes for trees?
O ar quente por uma brisa fresca?
Hot air for a cool breeze?
O bom conforto por mudanças?
Cold comfort for change?
Será que você trocou
Did you exchange
Um papel de figurante na guerra
A walk on part in the war
Por um papel principal numa cela?
For a lead role in a cage?

Como eu queria
How I wish
Como eu queria que você estivesse aqui
How I wish you were here
Nós somos apenas duas almas perdidas
We're just two lost souls
Nadando em um aquário ano após ano
Swimming in a fish bowl year after year
Correndo sobre o mesmo velho chão
Running over the same old ground
O que nós descobrimos?
What have we found?
Os mesmos velhos medos
The same old fears
Queria que você estivesse aqui
Wish you were here 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crítica Netflix - Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025)

Título
: Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out ("Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery", EUA, 2025)
Diretor: Rian Johnson
Atores principais: Daniel Craig, Josh O'Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright
Nota: 7,0

Rian Johnson completa sua "Trilogia Knives Out" com o melhor dos três filmes

Depois de seu Entre Facas e Segredos (2019) e sua seqüência Glass Onion: Um Mistério Knives Out (2022), o diretor e roteirista Rian Johnson encerra com Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out os dois filmes da franquia "Knives Out" que ele prometeu fazer e entregar para a Netflix vendendo os direitos de exclusividade por absurdos US$ 469 milhões. Quando criou a franquia, em 2019, sua idéia era trazer uma roupagem moderna para histórias de whodunnit, como as de Agatha Christie, e foi o que ele fez.

Além da história de assassinato em si, para cada um dos filmes Johnson quis trazer algum tema para fazer suas críticas. No primeiro filme, a crítica foi dirigida à velha aristocracia estadunidense, a como eles se acham superiores e tratam os imigrantes; no segundo, os ataques foram aos bilionários da tecnologia. E agora, neste Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o tema escolhido foi o Cristianismo.

Na trama, o jovem padre Jud Duplenticy (Josh O'Connor) é transferido para uma pequena paróquia rural, liderada pelo controverso Monsenhor Jefferson Wicks (Josh Brolin), cujo estranho comportamento e "ortodoxas" pregações mantém sua igreja com um número muito reduzido de estranhos fiéis. Durante uma missa de Sexta-Feira Santa, Wicks é assassinado dentro de uma câmara completamente fechada, o que parece simplesmente impossível. Por isso a chefe de polícia Geraldine Scott (Mila Kunis) convoca o famoso detetive particular Benoit Blanc (Daniel Craig) para investigar a morte.

Comparado com os outros filmes da série, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é o que menos se importa em focar em seus múltiplos personagens (mais uma vez um elenco bem numeroso e com várias estrelas) e concentra-se mais na vida do padre e ex-boxeador Jud. E isso também faz com que em sua primeira metade o filme mais discorra sobre igrejas, padres e fiéis desviando do que Jesus pregou, do que temas relacionados a crimes e filmes de detetive. Mas, quando a morte ocorre, tudo muda totalmente e o clima "policial" entra com tudo, de modo bem acelerado, até a conclusão da história.

Contando com objetos misteriosos e várias reviravoltas (e algumas que certamente não vão surpreender, porém outras sim) no final das contas achei a trama aceitável, divertida e interessante para quem curte histórias de detetive / assassinato. Dentre todos os filmes da franquia, é certamente o menos caótico e engraçado, mas vejo isto como qualidade, o resultado final é o melhor filme dos três, certamente o com menos problemas.

Mas por falar em "problemas", vamos ao que me mais me incomodou... a falta de coragem de Rian Johnson. Acho interessante trazer críticas da sociedade atual para os filmes de detetive... mas se vai fazer isto, por que o fazer de forma tão rasa? Veja: por exemplo no filme anterior, onde a critica foi aos "bilionários da tecnologia"... o filme até mostra que eles são "maus" porém a crítica maior não é neles, e sim nas pessoas que os idolatram.

E agora em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o filme começa criticando, de forma clara até, o mal causado por pessoas que usam a fé por motivos pessoais e/ou por poder, e ele até chega a associar isso com política... mas depois, mal toca no assunto, e nunca associa a religião com o dinheiro. É como se o filme começasse com uma forte critica geral (endossada inclusive pelo seu "herói", o detetive Benoit Blanc), e terminasse com um... ah, esqueçam o que eu critiquei... foi só um padre louco mesmo...

Rian Johnson, que desde que ficou famoso a partir de 2012 por dirigir e escrever o bom Looper: Assassinos do Futuro, e na época foi considerado um "gênio promissor", mais uma vez não realizou a promessa; porém desta vez parece ter colocado sua franquia querida nos eixos. Nota: 7,0.

O incrível primeiro longa-metragem de animação (ou quase isto)

Que tal um pouco de história do Cinema? O primeiro longa metragem da história, em live-action (filmagem de pessoas reais), foi filmado...